História Sympathy for the Devil - Capítulo 20


Escrita por: ~

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Palavras 7.215
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Ficção, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, geeente!

Até que foi rápido, né? Mais um capitulo novo e enooorme com outro mix de Sofya e John. Nesse capitulo tem uma música que eu amo de paixão e para que vocês possam entenderem a letra, peço que ouçam e vejam a letra dela. A música é a Mystify, do INXS.

Espero que gostem!

Beijos <3

Capítulo 20 - Mystify Me.


Fanfic / Fanfiction Sympathy for the Devil - Capítulo 20 - Mystify Me.

Sofya Viatcheslav

Era só o que me faltava... mas por que diabos Jax tinha voltado? E logo hoje? John ainda encarava Jax com a pior cara de mal do mundo. Me virei para Jax e seu cenho está franzido, trincando sua mandíbula. Mas que merda! Jax me olhou, curioso.

- Por que seu vizinho doido está me perguntando isso? – Falou, sem olhar para John. Fechei os olhos, pois não quero ver a reação de John depois das palavras de Jax. – Hmmm, acho que já entendi tudo.

- Que bom! Então aproveite que seu taxi ainda está parado ali e volte de onde veio. – Cuspiu John atrás de mim. Abri meus olhos e vi Jax passando por mim, indo em direção a John. Droga, droga, droga! Olhei para a portaria, mas James já havia indo embora, afinal já eram quase 20h da noite. Ao virar para trás vi Jax a centímetros de John, ficando cara a cara um com o outro, parecendo dois galos de rinha.

- Eu acho bom você abaixar sua crista. – Rosnou Jax.

- E para o seu bem eu acho melhor você fazer o que eu te disse. – Rosnou John de volta, diminuindo a distância entre os dois.

- Hey, hey, hey, já chega disso! – Disse, me enfiando com dificuldade entre os dois para separa-los. – Pelo amor de Deus, ajam como dois adultos os dois! Agora chega desse show. John vá para casa, conversamos depois. Jax, vamos entrar.

- Nós ainda não terminamos de conversar. – Disse John, ainda fuzilando Jax com o olhar.

- Conversamos depois. – Disse, entrando para o hall de entrada. – Vamos Jax! – Gritei. Jax veio em meu encalço e não olhei mais para trás. Abri a porta e Jax passou por mim, adentrando em meu apartamento, dando um grande suspiro enquanto trancava a porta.

- O que foi aquilo, Sofya? – Perguntou ele, apontando para a porta.

- Aquilo não foi nada. John é meio temperamental.

- Eu não acredito que vocês estão juntos! – Exclamou Jax.

- Não estamos juntos, Jax. Somos só amigos!

- Há! Entendi... amigos como eu e você?

- Como éramos! – Revidei no mesmo tom, o deixando em silêncio. Ele começou a tirar sua jaqueta. – E você não respondeu minha pergunta.

- Qual pergunta?

- O que veio fazer aqui? – Perguntei novamente, me sentando em uma das baquetas. De novo, ele deu um grande suspiro, passando suas mãos no rosto e vindo em minha direção, parando a minha frente há uma certa distância.

- Emma e eu... não deu muito certo. – Eita.

- Como assim? – Perguntei, gesticulando com as mãos.

- Tentamos... mas não rolou.

- Me explica isso melhor, Jax!

- Antes de assumimos um lance mais sério estávamos tão bem. Estávamos tão apaixonados um pelo outro e então... começamos a namorar e foi esfriando e aqui estou eu...

- Assim, sem mais nem menos você voltou para cá?

- Decidimos dar um tempo, para ter certeza de qual caminho iríamos seguir. Então decidi vir para cá, te ver... – Eu ainda o olhava com o cenho franzido. O que ele queria dizer com tudo isso? E bufou mais uma vez, percebendo também o quão confuso está tudo isso. – O fato é que eu ainda penso em nós dois...

- Ah Jax... – Disse , balançando minha cabeça negativamente, massageando minhas têmporas. – Eu achei que isso estava resolvido!

- E estava! Meu relacionamento com Emma estava tão confuso que isso acabou ficando em minha mente... – Ele se aproximou mais de mim, pegando meu rosto com as mãos, me fazendo encará-lo. – Eu sinto a sua falta! – Escutei minha porta se abrir e olhamos para o lado, ambos surpresos. Eu já deveria ter imaginado que isso iria acontecer!

- Que lindo, estou atrapalhando alguma coisa? – Disse John, ironicamente, cruzando os seus braços gigantes em seu peitoral, parando na sala. Jax se afastou de mim, olhando para John e para mim, incrédulo.

- Mas que porra é essa, Sofya?! Ele tem a chave do seu apartamento? – Coloquei minha mão na testa, a massageando e fechando os olhos. Eu mereço, Senhor... mereço?! Eu não acredito que John teve a audácia de vir aqui agora! Isso é tão típico dele! Desaforado e folgado como sempre, John sorriu para Jax mostrando a chave em sua mão.

- Ah... ela não te contou? Tsc, tsc, tsc. – Disse ele, se aproximando e encostando-se no sofá próximos a nós. – Boneca, por que não conta para ele o que fizemos esse tempo todo enquanto ele estava com a namorada dele lá na terra dele? – Continuou, ainda com os braços cruzados e com a cara mais sínica do mundo. Eu juro que iria mata-lo hoje! Jax riu, nervosamente e me olhou.

- Boneca? Sofya me explica isso direito.

- Eu não tenho que explicar nada, Jax. Nada além do que eu te disse antes. John é meu vizinho tivemos um lance sim e ele tem a chave da minha casa para usa-las apenas em EMERGÊNCIAS. – Disse, enfatizando a ultima palavra e fuzilando John com os olhos.

- Então vocês TINHAM um lance? – Perguntou Jax, ainda desconfiado.

- TEMOS um lance. – Rosnou John, desencostando do sofá e ficando mais próximo de Jax. – Você não deveria estar com a sua namorada na sua terra, seu inglês metido?

- Eu não tenho namorada, seu marmanjo escroto. – John parou na hora, voltando a olhar para mim com desconfiança.

- Já chega disso! John vá embora agora!

- Não até ensinar a esse inglês nojento o lugar dele, que é longe daqui e longe de você! – Rosnou ele, voltando-se para Jax.

- Escuta aqui seu babaca, você não escutou ela mesmo dizer que quer VOCÊ fora daqui? Que TINHA um lance com você? Quem tem que ficar longe dela aqui é VOCÊ! – Disse Jax. E lá estavam os dois novamente, se encarando como dois galos de rinha de novo!

- Eu duvido muito que ela me queira longe, pois o lugar dela é aqui, do meu lado. Já o seu é bem longe daqui. – Mas que porra é essa?

- John, já chega! – Disse, os separando e encarando John. Como ele pôde dizer essas coisas depois do que fez hoje? – Você provou que não me quer por perto hoje quando eu peguei você transando com aquela mulherzinha! – Droga... sabe aquele momento que você se arrepende instantaneamente de ter dito algo, então... esse foi um deles, saudades racionalidade. De repente os dois me olharam com o cenho franzido.

- Você está com ciúmes? – Disseram os dois ao mesmo tempo, porém usando tons diferentes. Minha boca se abriu, eu estava chocada com aquela constatação... constatação DUPLA ainda por cima! Pfff, isso é ridículo!

- Inacreditável! Agora chega dessa competição ridícula de testosterona! John, saia daqui agora!

- Não até que ele saia! Eu quero ele fora daqui agora! – Antes mesmo de Jax responder e ir para cima dele, eu entrei em seu caminho, ficando a centímetros de John.

- Escuta aqui, Sr. Machão, só existe um alfa aqui dentro, e esse alfa SOU EU e eu quero que você saia antes que as coisas fiquem feias para o seu lado. – Rosnei, o fazendo arquear suas sobrancelhas.

- Você escutou ela seu babac...

- E você cala a boca, Jax, porque assim que conversamos você também vai embora. – Me virei para encará-lo, também o deixando surpreso.

- Eu vou, mas se você não for me procurar até o final da noite eu volto aqui de novo. – Disse John, se virando em direção à porta, me olhando. – Que fique bem claro. – Rosnou, voltando seu olhar para Jax, batendo porta ao sair. Voltei a olhar para Jax, que ainda mantinha seu cenho franzido. Me sentei novamente, dando um grande suspiro e apoiando minha cabeça em minhas mãos. Escutei Jax se sentar ao me lado.

- Eu nunca tinha visto você daquela maneira...

- Daquela maneira como, Jax? – Perguntei, o encarando. Ele ficou pensativo novamente, sem tirar seus olhos dos meus.

- Você gosta dele, não é? – Disse ele, quase num sussurro. Sua cara parecia triste e percebi que ele estava com medo da minha resposta... assim como eu. Bufei, pensativa...

- Eu gosto dele. – Respondi a ele de maneira sincera. Ele olhou para baixo, assentindo.

- Olha, a minha vontade de dar uma surra naquele babaca aumentou ainda mais depois dessa resposta. – Disse ele, apontando para a porta. – Eu perdi a minha chance então...

- Jax, olhe para mim. – Pedi, chamando sua atenção de volta para mim. – Você foi atrás de Emma primeiro... porque você sabia que não iria rolar nada entre nós. – Disse, o fazendo rir de nervoso. – E eu sei que no fundo você continua amando ela e está aqui porque está confuso quando a isso.

- Sim... eu ainda a amo, só não sei como pode dar certo.

- Sim você sabe... volte lá e diga como se sente. Se você não está feliz com um relacionamento então não tenha um! Deixe o tempo levar vocês... juntos! – Ele me olhou, com esperança no olhar.

- Eu estraguei tudo, né? – Perguntou ele, rindo.

- Sim, você estragou. – Respondi, também rindo.

- Tudo bem, vou embora daqui, conforme você mandou. Mas queria muito entender qual é o lance entre você e aquele idiota!

- Nem eu entendo, relaxa. – Disse, o fazendo rir. Ele se aproximou de mim, pegando meu rosto em suas mãos.

- Me prometa que sempre seremos amigos e que você nunca me deixará? – Sussurrou ele. Aquele é o meu amigo, o meu Jax, que sempre esteve ao meu lado. Seguiríamos em caminhos diferentes, mas tenho certeza que sempre seremos amigos acima de tudo. O olhei sorrindo, assentindo positivamente para ele.

- Amigos acima de tudo, não é mesmo? – Disse, o fazendo sorrir lindamente. Ele tomou meus lábios nos seus e eu soube que aquele seria nosso ultimo beijo. Interrompi o beijo o olhando.

- Com certeza. – Respondeu ele, indo em direção à porta. – Obrigado!

- Me mande notícias, tá legal?

- Claro. Boa sorte com aquele idiota. E só para constar, acho isso um erro! – Disse, me fazendo rir. – Até logo, Furby.

- Até. – Respondi, o vendo ir embora e fechar a porta.

Me joguei no sofá, olhando para o lustre da sala. Com Jax era tudo tão fácil e tranquilo. Agora com John? Pfff, quando não estávamos discutindo estávamos transando em algum canto. Tão complicado, mas tão... tão certo, tão aconchegante para mim. Argh! Eu ainda queria matá-lo, mas eu preciso ter controle, não posso cometer o deslize que cometi a pouco e demonstrar que aquilo tinha me afetado. Mal tive tempo de pensar e lá estava ele, atravessando minha porta. Tão teimoso! Resmunguei e coloquei uma almofada em minha cara.

- Podemos conversar agora?! – Exclamou ele.

- Adiantaria se eu falasse que não? – Resmunguei em baixo da almofada.

- Por que aquele inglês desgraçado estava aqui, Sofya? – Perguntou ele, tirando a almofada da minha cara e a jogando para o outro lado, me fazendo encará-lo. Me levantei, ficando a sua frente.

- Para sua informação, ele já foi embora. E vamos esclarecer algumas coisas aqui: até que você aprenda a se comunicar como uma pessoa normal se comunica, eu não quero você entrando aqui do nada. Está claro? A partir de agora bata na porta.

- Mas o que?

- Sim! Pois em nenhum momento você me perguntou se eu estava transando de fato com alguém! – Exclamei, o deixando sem palavras, olhando apensa para o chão. – Agora pode ir, John, por favor. E mande lembranças a Marisa. – Não iria perder a oportunidade. Ele me olhou surpreso e depois bufou.

- Sofya aquilo...

- John, por favor! Foi um longo dia, me deixe descansar! – Disse, me virando para a janela. Não escutei mais sua voz, apenas a porta se fechando e o terrível silêncio se instaurar no ambiente. Meu coração se apertou ainda mais e as lágrimas preencheram meus olhos, porém não iria chorar! Detesto chorar! Ergui a cabeça e fui em direção ao banheiro. A minha intenção agora era desmanchar na banheira para esquecer o dia de hoje.

***

Outubro havia chegado trazendo clima de outono consigo. O lançamento da edição de novembro foi um sucesso e já havíamos entrado o mês com os preparativos do Baile de Inverno Glam deste ano. Como editora executiva, essa seria a primeira vez que eu realizaria este grande projeto juntamente a Donatella e o nosso diretor criativo da revista, que por sinal, eu ainda não sabia quem era o tal do novo diretor desde que Andrian Holts pediu demissão no final de julho. Desde que isso aconteceu, tudo ficou em minhas costas e eu me desdobrei, não em duas pessoas, mas em umas trinta para que tudo ficasse perfeitamente nos eixos naquela redação e, como eu sou uma excelente profissional, ocorreu tudo bem... aliás, está correndo tudo bem, mas eu não saberia até quando, pois iria ficar louca se esse diretor não chegar logo. Falei sobre isso com Donatella e ela tinha tomado uma decisão quanto à vaga e quem a preencheria, pois assim como eu, ela tem consciência de que precisamos de um diretor criativo para os preparativos do baile... que no qual eu já estava com frio na barriga de tanta ansiedade, pois vai ser eu a responsável por fazê-lo acontecer, isso inclui escolher TUDO, do tema aos convidados, quer dizer, eu teria que dar essas opções para que Donatella batesse o martelo.

Minha cabeça está a mil e minha mente está saturada de pensamentos. Não bastasse a revista, tinha John também. Eu estou o evitando desde aquela nossa discussão em meu apartamento e ele sabe disso, pois não para de me cobrar e toda vez que bate na porta de casa eu finjo que não estou ou estou dormindo, além de não atender seus telefonemas e apenas responder, em poucas palavras suas mensagens, coisas como: “Oi”, “tudo e vc?”, “não há nada errado, só estou trabalhando demais”, “hoje não, vou sair tarde do trabalho”, “não dá, trabalhei muito e estou cansada” e por aí vai. Coisas que não eram totalmente mentira, já que, para tirar esse idiota da minha cabeça eu me joguei no trabalho e acho que nunca trabalhei tanto em minha vida. Se está funcionando? Não, não está! Argh! Por que ele tem que ser tão cafajeste? E por que eu estava fugindo dele dessa maneira? Tá legal, nós somos amigos, mas aquilo me deixou muito abalada e eu não tinha coragem de encará-lo de novo! Eu estou dando meu melhor para não ignorá-lo totalmente e não agir como uma garotinha traída, mas eu ainda não estou preparada para agir normalmente com ele e preciso desse tempo longe para pensar em nós, como seria daqui para frente. Se eu não quero nada a sério, preciso me preparar para aceitar tais coisas em nossa amizade... como a de que ele é solteiro e pode transar com quem quiser. Mas só em pensar nisso meu coração aperta! Por que tem que ser tudo difícil assim?

Meu celular vibrou e vi uma mensagem de Shatell. Estava indo para nosso Pub preferido onde ela está me esperando. Nesta tarde havia recebido uma ligação dela, me perguntando se não poderíamos nos encontrar hoje para conversarmos. Eu achei muito estranho na hora, mas ela me garantiu que não era nada de mais, mas que não queria conversar pelo telefone. Aquilo ainda está muito estranho para mim. Entrei no Pub e vi que ela me esperava sentada, tomando uma Guinness, e apenas me notou quando me juntei a ela.

- Até que enfim! Já estou no segundo copo.

- Eu estava trabalhando!

- É, ultimamente você tem feito muito isso. – Disse ela, me fazendo franzir meu cenho. – E tem mesmo, ué!

- Tá legal, pode ir falando. – Disse, a fazendo revirar os olhos.

- O que está acontecendo com você?

- Como assim?

- Soph, qual é? Você está distante e agora só vive pelo trabalho!

- É o meu cargo novo lembra? Eu tinha te dito que seria assim!

- Não é só isso! Não me tache de otária garota, eu sei muito bem o que está acontecendo! – Exclamou ela, me olhando sério. Xiii, quando ela fica assim lá vem coisa. Por sorte o garçom nos interrompeu para entregar a minha cerveja, me dando algum tempo de vantagem. Dei um grande gole sem olha-la. – Eu te conheço há anos, Sofya! Você é minha melhor amiga!

- O que você quer dizer com tudo isso, Shantell?

- Não é obvio? – Ela me encarou, mexendo sua cabeça. Tombei minha cabeça de lado, ainda a encarando e dando uma de sonsa, para ver se ela pararia com aquilo. – Pfff. – Exclamou ela, se jogando para trás e cruzando seus braços em seu peito.

- Você está apaixonada e não está sabendo lidar com isso! – Exclamou ela, me fazendo cuspir minha cerveja na mesa.

- O que?

- É sim! Eu sempre te disse que esse “lance” com o John não era só um lance! E agora você me provou que eu estou certa!

- Te provei que você est...espera aí, Shantell. Isso é ridículo! – Agora eu tinha me jogado para trás e cruzado meus braços.

- Ah é?

- É sim!

- Então por que está evitando John? – Disse ela, fazendo biquinho e mexendo a cabeça. Abri minha boca, incrédula, e franzi ainda mais meu cenho.

- Mas como... ah! – Bufei, revirando os olhos. Só podia ter sido ele a abrir a boca grande. – Ele foi correndo te contar, né?

- Soph, ele apareceu na minha porta ontem, pedindo a minha ajuda eme explicou tudo o que aconteceu.

- Covarde. – Matei a minha cerveja com um grande gole. – Garçom!

- Não estou falando que ele está totalmente certo, mas se vocês não estão juntos mesmo, por que está evitando ele?

- Por que ele é um cafajeste! – Gritei, atraindo a atenção de algumas pessoas ali. Shantell me olhou, atentamente, e um sorriso sacana surgiu em seus lábios.

- Eu sabia. – Ela disse. – EU SABIA, HÁ! – Gritou ela, apontando para mim. Revirei os olhos, passando a língua nos dentes e me virando para o lado, balançando a cabeça.

- Você gosta mesmo dele! Eu nunca te vi assim por ninguém! Nem mesmo pelo Jax! Sofya, qual é, eu sou tua melhor amiga! – Disse ela, choramingando e pegando as minhas mãos, atraindo minha atenção para ela novamente. Dei de ombros, bufando.

- Mesmo se eu quisesse, Shant... não vai dar certo! Olhe para ele?! Aquilo é a natureza dele! E eu não quero acabar como a minha mãe, sofrendo! – Ela me olhou, entortando a boca.

- Você não pode ficar pensando só nisso. Precisa esquecer isso ou não vai ser feliz com alguém! Quer dizer... – Ela suspirou, olhando para a mesa em busca de palavras. – Olhe para mim e Preston! Eu nuca fui tão feliz minha vida com alguém! – Exclamou ela, dando um grande sorriso, me fazendo sorrir também. Realmente, nunca a tinha visto tão feliz assim e por isso Preston ganhou um lugar em meu coração, afinal, Shantell merece toda a felicidade do mundo para compensar sua infância difícil.

- Esqueça isso, volte a falar com ele e se acontecer... deixe acontecer. – Disse ela. Tirei minhas mãos das delas, as colocando em meu colo, e olhei para o chão, dando uma pequena risada desanimada e balançando a cabeça.

- Você me conhece muito bem, não me conhece? – Disse em quase um sussurro, voltando a olha-la. Ela murchou, fazendo um cara triste. – Pois é, então sabe que eu não vou conseguir fazer isso.

- Sua cerveja, moça.

- Quer saber, deixa para lá. – Peguei minha bolsa, tirando uma nota de cinquenta dólares da carteira e deixando em cima da mesa. Contornei a mesa e dei um beijo na testa dela. – Eu já estou indo, não me sinto bem. Até logo. – Disse, me virando e saindo do Pub. Shant não veio a atrás de mim porque ela sabe quando eu preciso de um espaço, e eu realmente preciso de espaço nesse momento.

***

John Neeson

Já faz quase um mês que ela está me evitando. Um maldito mês e isso está me deixando maluco. Tinha a visto poucas vezes, mas em todas ela praticamente fugiu de mim. E aqui estou eu, com os pés na mesa de meu escritório, jogado em minha cadeira, arremessando bolinhas de papel no lixo e tentando encontrar um jeito de fazê-la falar comigo. Eu deveria estar planejando nosso próximo passo no caso, mas decidi colocá-la como prioridade, já que tinha tentando de tudo para tira-la da minha cabeça, e não adiantou, o que não me deixava pensar em nada além disso. Aquela maldita, teimosa e louca! Olhei para o relógio e já passava das 15h30... ela deve estar no trabalho, então... é, ela está no trabalho, hmmm. Me levantei, entusiasmado com a ideia que se formava em minha cabeça. Bom... se Maomé não vai a montanha, a montanha vai até Maomé.  Peguei o telefone e disquei para recepção.

- Dora, chame Preston aqui. Urgente.

***

- Não estou gostando nada disso, John. Se Rhodes descobrir isso seremos dispensados do caso na hora. – Preston não parava de resmungar enquanto entrávamos no edifício onde ficava a revista.

- Ele não vai saber. Estamos indo verificar novas evidências para o caso. – Disse, ajeitando meu paletó.

- E desde quando Sofya é uma evidência? – Resmungou enquanto nos aproximávamos dos seguranças que estavam perto da catraca.

- Quieto. – Sussurrei sem olhá-lo.

- Você é um idiota! Vai me pagar três Guinness até o final da semana.

- Uma.

- Duas e chega disso. – Sussurrou, dando uma trombada em mim com seu ombro e passando na minha frente.

- Bicha. – Falei.

- Cuzão.

- Senhores, sem crachá, sem passe. – Exclamou um dos seguranças ao perceber que iríamos entrar. Coloquei a mão no bolso interno do meu paletó e lhes mostrei meu distintivo, sem olha-lo. – Algum problema?

- Qual é o andar da revista, amigo? – Perguntou Preston a ele enquanto íamos para um dos elevadores.

- Décimo quinto andar. Ahmmm, mas há algo de er... – Insistia ele. Entramos no elevador e a porta se fechou antes que ele pudesse terminar de falar.

Assim que saímos no andar da redação vimos a recepção grande e luxuosa. Atrás da mesa grande havia uma mulher asiática sentada e colocando o telefone de volta ao gancho. Assim que nos notou ela me olhou de cima abaixo. Tirei meus óculos e fui em sua direção.

- B-boa tarde, senhores. No que eu posso ajudá-los. – Perguntou ela com um grande sorriso.

- Boa tarde, querida. Pode me informar aonde é a sala de Sofya Viatcheslav? – Perguntei e ela, que desfez o sorriso.

- Desculpe Sr., a Srta. Viatcheslav irá entrar em uma reunião geral no salão agora e não pode...

- Hmmm, é para cá então. Obrigada. – Falei entrando no corredor.

- Senhores esperem, não podem entrar! – Ignoramos ela e entramos na redação, aonde todos estavam alegres e se reunindo para alguma coisa. O ambiente é bem legal e diferente, com baias enfeitadas e bem coloridas, como uma típica revista de moda deve ser. Paramos perto de uma parede e segui o olhar das pessoas, que olhavam para minha esquerda, e lá estava ela, caminhando em direção a uma mesa grande que fica de frente para o restante das baias. Para minha surpresa, ela subiu em cima da mesa, com aqueles saltos enormes e ficou de frente a todos, assoviando para chamar a atenção deles. Ri, e cruzei meus braços. Isso é tão Sofya.

- Olá para todos! Como vocês sabem, Donatella está em Paris ajudando nossa revista irmã de lá em alguns novos projetos. Porém ela me deixou encarregada de dar algumas notícias a vocês! – Exclamou ela, sorrindo. – Nigel, pode vir até aqui? – Ela o chamou, estendendo seus braços para que Nigel se juntasse a ela.

- Se eu cair daqui eu te levo junto. – Disse ele ao se juntar a ela, arrancando risadas de todos ali.

- Pessoal, é com muito orgulho e felicidade que anuncio a vocês que Nigel Thompson é, a partir de hoje, o novo diretor criativo da Glam Magazine! – Exclamou ela, arrancando palmas e gritos de todos ali. Nigel desceu da mesa para cumprimentar seus colegas enquanto ela continuava ali. Agora suas mãos estão em sua cintura, numa pose de dona do pedaço. Ela está mais gostosa do que eu me lembrava, ainda mais com aquela saia e uma blusa de manga comprida bem justa em seu corpo. – Certo. Agora voltem todos ao trabalho, vamos arrasar! E boa sorte, Nigel!

Ela mal havia decido de lá e Lea colou nela com vários papéis na mão. Fui um pouco mais para frente e Preston permaneceu onde estava, mas parei quando ela vinha em minha direção, ainda sem me notar. Isso vai ser interessante. 

- Preciso que assine isso aqui também, e... ah sim, eu tentei falar com o agente da Kate Perry mas ele não me atendeu. Patrick pediu que mandasse os papéis das modelos de novo, só que...

 - O que? E o que você disse a ele? – Perguntou Sofya a ela. As duas estão paradas bem na minha frente, mas ainda não notaram. Olhei para Preston, tentando segurar o riso.

- Que você tinha mandando já, mas...

- Lea, me diz que todas as modelos assinaram aquele papel. – Disse ela, ficando de frente para Lea, tampando sua cara com os papéis que a garota havia dado para ela. Ela a olhou assustada, respondendo sua pergunta. Pobre Lea, se eu sofro nas mãos dessa megera, imagine essa garota. Sofya a olhou, de cara fechada. – Eu quero seu coração como prato principal hoje, escutou!?

- Mas chefe... – Lea arregalou os olhos assim que me viu. Sofya se virou, ainda com a cara amarrada e parou quando me encontrou, também arregalando seus grandes olhos. Ela fica tão linda quando faz isso.

- Sabe Lea, você pode denunciar sua chefe por abuso. Garanto que daria um belo processo trabalhista. Serei sua testemunha, se quiser. – Disse, em um tom de brincadeira, fazendo a garota rir. Sofya a fuzilou com o olhar, a fazendo se calar na hora, logo depois voltou-se para mim de novo, trincando a mandíbula.

- Srta. Viatcheslav, me desculpe eu tentei...

- Pode ir, Yumi. – Disse ela para a recepcionista em um tom ríspido. – O que você está fazendo aqui? – Exclamou ela, cruzando os braços e me encarando. Notei que estávamos chamando a atenção ali. Escutei Preston atrás de mim.

- Te espero na recepção. Olá, Sofya. – Sofya o olhou, franzindo o cenho.

- Você também?!

- Não olhe para mim. Isso é coisa dele, se entenda com ele. – Fuzilei Preston com olhar enquanto ele voltava para a recepção.

- O que você está fazendo aqui? – Rosnou ela.

- Bom, como você anda muito ocupada no trabalho, a ponto de me ignorar, decidi vir aqui hoje, para ver se você conseguiria me dar um pouco do seu precioso tempo. – Disse me aproximando dela.

- Querida, se você não dar eu dou. – Exclamou uma voz afeminada quase ao nosso lado e percebi que havia um grupo de gays nos olhando de suas baias. Fiquei vermelho na hora, dando um pigarro.

- Eu também. – Disse o outro ao seu lado.

- Lea, por favor... – Disse Sofya, colocando a mão na testa.

- Certo. Foi bom te ver John! – Disse ela, e eu assenti com a cabeça. – De volta ao trabalho, suas bichas folgadas! – Sofya criou um monstro ali.

- Sofya, você... ahhhh, o que meu Agente preferido está fazendo aqui? – Exclamou Nigel, pegando em meus braços.

- Uma pequena visita. Parabéns pelo novo cargo, Nigel, você merece.

- É, eu sei! – Disse ele, passando a mão em seu rosto. Será impossível conversar com ela aqui.

- Nigel, se me der licença, vou roubar a moça aqui por alguns minutos senão se importa. – Disse, pegando Sofya pelo braço e a arrastando em direção a algumas das salas ali.

- O que você está fazendo?! – Rosnou ela, discretamente, enquanto a arrastava para lá.

- Me diga onde é a sua sala, agora.

- John, pare com isso! Estou trabalhando! – Senti os olhos de muitas pessoas em nós e voltei a sussurrar em seu ouvido.

- Você sabe que eu não irei desistir, então se não quiser chamar mais atenção sugiro que me mostre. – Ela se desvencilhou do meu aperto em seu braço e andou na frente.

- Me siga. – Fiz como ela falou e entrei em sua sala depois dela, fechando a porta atrás de mim.

Observei a sua sala, que não é muito grande, mas é aconchegante. Fui andando para explorar o cômodo enquanto ela se escorava sem sua mesa com os braços cruzados. Olhei ao redor e a sala tinha personalidade, assim como ela, com a parede num tom claro de roxo; movéis brancos; capas da revista pendurada em uma parede; fotos dela com artistas; janela panorâmica na qual tinha uma visão privilegiada da Times Square; sua mesa tinha flores, papéis, canetas e muitas outras coisas... muito Sofya.

- E então? Esse show todo para quê?

- Gostei da sala. – Disse, voltando a olha-la.

- John!

- Por que você está me ignorando? – Exclamei. Ela foi em direção à janela, olhando a paisagem.

- já disse à você que não estou te ignorando.

- Sofya, para com isso! Eu errei, já me desculpei... o que mais é preciso par...

- Por que você não foi tirar satisfação comigo ao invés de ter mandado Preston bombardear Shantell de perguntas sobre o cara que eu saí naquele dia? – Droga, Shatell contou a ela! Ela voltou a se encostar na mesa, me olhando.

- Eu não sei... quando eu vi aquele cara saindo daquela boate com você eu não raciocinei direito e...

- Você viu? – Ela franziu o cenho, vindo em minha direção. Engoli a seco. Droga, se ela descobrir que eu a invest... – VOCÊ viu? Então não foi Preston que contou?

- Ele me contou sim.

- Então como você viu? – Ela estava a centímetros de mim e eu não conseguiria disfarçar o que tinha dito antes. Droga, olhei para a janela, tentando disfarçar, coçando minha barba. – Você me investigou. – Riu ela, irônica. – VOCÊ ME INVESTIGOU DE NOVO! Seu... – Senti seus tapas em meu peito, que só me faziam cócegas.

- Hey, calma! Me escuta! – Peguei seus pulsos, a obrigando a olhar para mim. Eu disse que ela saberia ligar os pontos, não disse? Precisaria de um plano, e rápido.

- Você tinha me prometido, seu bastardo! – Exclamou ela.

- O que eu prometi foi sobre o seu passado...

- Argh! Eu quero matar você! – Disse ela, se desvencilhando de mim e indo para o outro canto da sala.

- Sofya me escuta. Eu precisei ver as filmagens das câmeras de seguranças daquela boate para investigar um suspeito e acabei te reconhecendo em uma das filmagens... e então a vi com aquele babac... aquele cara. – Disse, chamando sua atenção de novo para mim. Ela ainda estava ofegante, mas parecia mais calma. – Eu não te investiguei, propriamente dizendo. – Sim, eu estou mentindo, e daí? Mas um dia iria contar a verdade a ela... quando ela estivesse mais calma.

- Isso não justifica você sair por aí transando e colocando a CULPA disso em mim, falando que era EU que saia por ai transando com os caras... isso foi uma justificativa para VOCÊ sair por aí transando com qualquer uma!

- Não, não foi! Eu tinha dito que estava bem com você!

- Não foi o que pareceu! Para mim estávamos bem! A comunicação estava bem, mas me enganei...

- Me desculpe, ok... eu fui um idiota. – Disse, indo em direção a ela. Ela me olhou, suavizando seu olhar, e depois desviou seu olhar.

- Sim, você foi. – Disse ela mais calma.

- Vamos voltar como era antes... quero minha amiga de volta. – Disse, próximo a ela, colocando uma mexa de seu cabelo atrás de sua orelha. O que eu queria mesmo dizer era: “volta para mim, sinto sua falta a todo tempo”, mas, seguindo os conselhos de Shantell, eu devo ir com calma. Ela me olhou, ainda em duvida.

- Com uma condição. – Exclamou ela, levantando seu indicador pra mim, me fazendo rir.

- Tudo bem...

- Se eu souber que você anda me investigando, eu juro por Deus que eu nunca mais falo com você e coloco fogo no seu apartamento! – Exclamou ela, me fazendo gargalhar.

- Ok... tudo bem, vai. Agora... – Colei meu corpo ao dela, agarrando a sua nunca e sua cintura. Ahhh, aquele olhar de desejo, como eu senti falta dele, me fazendo sorrir. – O que acha de balançarmos essa mesa um pouco? Já faz um tempo e fiquei de pau duro só de ver você assim... com essa saia... – Sussurrei em sua boca, agarrando a barra de sua saia e a subindo com tudo, logo depois levantei sua coxa na lateral da minha perna, ficando no meio de suas pernas. Seu corpo a entregou e ela deu um pequeno gemido. Tomei a sua boca na minha, num beijo explosivo e nós dois gememos.

Peguei em sua bunda a levantando e a sentando na mesa, com a mesma agilidade, tirei sua blusa e a joguei no chão. Grunhi ao ver seus peitos envoltos em um sutiã branco de renda. Puxei o tecido para baixo e os agarrei com força, fazendo com ela jogasse sua cabeça para trás, gemendo baixo. Me abaixei para que minha boca trabalhasse neles, sugando um a um.

- Hmmm, eu adoro seus peitos. Eles são os melhores.

- Cala a boca e me fode logo, não temos muito tempo. – Sussurrou ela entre gemidos, me fazendo rir. Sempre tão mandona. Puxei sua calcinha entre suas pernas e precisei de controle para não rasgá-la, pois era isso que eu queria, mas não posso deixa-la sair por aí depois sem calcinha. Rapidamente ela tirou o meu cinto e liberou meu pau de dentro da cueca, o massageando antes de eu pegá-lo e posicioná-lo em sua entrada. A encarei assim como ela me encarava, com aquela cara de safada que eu tanto gosto. A penetrei sem rodeios, fazendo ela gemer e fechar os olhos. Deus, como eu senti falta de estar com ela, de estar dentro dela. Grunhi, aumentando o ritmo, fazendo, de fato, a mesa balançar e algumas coisas caírem no chão. Ela mordia os lábios a cada estocava que eu dava nela, na tentativa de não gemer, sem sucesso. Comecei a sentir suas paredes internas contrairem meu pau mais e mais, me fazendo perder a cabeça e meter ainda mais, até o talo. Não iria aguentar muito tempo, assim como ela. Agarrei o cabelo dela, o puxando para trás, e comecei a sentir seus espasmos, liberando seu mel no meu pau. Caralho, que delícia.

- Vou gozar. – Rosnei, jorrando no fundo de sua bocetinha. Eu tremia, dando estocadas finais, assim como ela, que deitou em sua mesa, recuperando o fôlego. A vi esticando seu braço para alcançar uma das gavetas da mesa e tirar de lá um pacote de lenços umedecidos, que ela jogou para mim, se levantando logo em seguida. Nos encaramos, ambos com sorrisos no rosto.

- Agora você pode ir. – Disse Ela, pegando um lenço e se limpando. Quem era o cafajeste aqui mesmo? Neste momento não era eu. Fiz a higiene com os lenços enquanto ela se ajeitava, arrumando seu cabelo e retocando sua maquiagem.

- Nos vemos de noite. – Falei, chamando sua atenção novamente para mim. Ela continuava a me encarar enquanto eu ajeitava minha camisa.

- Isso foi uma pergunta ou uma afirmação?

- O que você acha? Você não tem escolha. Vou te levar a um lugar. – Falei sem olha-la, indo em direção à porta e a abrindo. Antes de fechar a porta, olhei para ela, que tinha uma pose divertida e teimosa, com as mãos na cintura e o cenho franzido. Eu sorri, afinal lá estava ela, querendo me dar uma resposta com aquela boca atrevida, mas nada saiu da mesma. – Te vejo mais tarde. – Acenei, fechando a porta. Andando pela redação, senti muitos olhos me encarando. Quando cheguei à recepção vi Preston sentado em uma poltrona, franzindo o cenho ao me ver encará-lo enquanto ajeitava minha gravata.

- Seu filho da puta sortudo. – Disse ele, se levantando e ficando ao meu lado, saindo junto comigo, me fazendo sorrir.

- Sabe como é, né? – Disse, colocando meus óculos escuros enquanto a porta do elevador se fechava.

***

Cobertores, travesseiros, pizza da cantina e o vinho. Tudo certo. Não sabia se estava autorizado a entrar no apartamento dela novamente, por isso, aqui estou eu, batendo em sua porta. Ela abriu a porta, me olhando com uma cara divertida. Eu já falei o quanto ela é linda? Ela esta vestindo uma blusa de tricô branca... ou bege, não sei; calça jeans; botas marrons de cano baixo e está com seus lindos cabelos soltos. Não pude evitar olha-la de cima a baixo.

- Para que é tudo isso? – Perguntou ela, rindo.

- Pode pegar as taças, por favor? – Ela me olhou, com uma cara “o que é que você esta aprontando?” e foi em direção ao armário, fazendo o que eu pedi, voltando logo depois, fechando sua porta. – Obrigada. Pode levar o vinho também? – Ela pegou o vinho de minha mão, ainda me olhando com aquela carinha confusa.

- Agora você pode me dizer aonde vamos?

- Vem, me acompanhe.

Fomos em direção à escada de incêndio do prédio, que ficava no nosso andar. Assim que entramos, fui subindo mais dois lances da escada, parando em frente à porta para abri-la. Olhei para trás e a olhei, não pude deixar de rir por ela ainda estar com aquela cara confusa. Assim que abri a porta do terraço do prédio, fui em direção ao pequeno sofá e a mesa que estavam cobertos com uma lona, a puxando e, logo depois, colocando o cobertor e os travesseiros lá. Me virei para encara-la e vi que sua cara de desconfiança fora substituída por uma cara de encanto. Ela admirava a vista da cidade, com aquele brilho no olhar que eu nunca iria me cansar de ver, colocando suas mãos na boca.

- E então? – Perguntei. Era uma vista muito linda, mesmo não sendo um prédio alto, dava para ver as luzes da cidade. Aquilo não é muita coisa, mas vinha aqui para cima sempre que queria um pouco de paz, se tornando uma coisa bem simples. Vendo a feição maravilhada de Sofya somente reforçou o que eu sempre soube sobre ela: ela é uma garota simples, que sempre se deslumbrou com pequenas coisas da vida, e suas reações quanto a isso sempre me encantaram. Ela me olhou, rindo e a abrindo os braços para o lugar.

- Isso é maravilhoso! Por que nunca me contou que isso sempre esteve em cima de mim?

- Estou te mostrando agora. Vem comer, antes que esfrie.

Como previ, devoramos a pizza. Colocamos nossa conversa em dia e ela me contou seus próximos desafios na revista. Acabamos facilmente com a garrafa de vinho, mas isso não a impediu de ir buscar mais em seu apartamento e agora nos encontrávamos sentados no sofá, bebendo, rindo, conversando e olhando a vista da cidade. E lá estava, minha Sofya tinha voltado para mim e eu não podia evitar de olha-la, a admirado e pensando o quanto tinha sentido falta disso. Ela tagarelava e parou ao perceber como eu estava a olhando.

- O que foi? – Perguntou ela, sorrindo e me fazendo sorrir ainda mais.

- Nada... só senti falta disso. – Disse. Já escutou aquele ditado, “a bebida entra e a verdade saí”? Pois é, precisaria me controlar ou acabaria revelando que eu... bom, revelando coisas que não devo. Ao pensar nisso, olhei para a vista na minha frente.

- Eu também... – Ela disse. Surpreso, a olhei e a vi corar. Para disfarçar ela olhou para trás de mim, curiosa. – O que é aquilo debaixo daquele pano? – Perguntou ela, apontando para trás de mim. Me virei para ver do que ela falava, rindo.

- Aquilo? – Perguntei e ela concordou com a cabeça. Me levantei e fui em direção ao que tinha debaixo da lona, a puxando e revelando um piano velho, que pertencia a mim. Senti ela se aproximar de mim, rindo.

- Oh meu Deus, isso é demais! É seu?

- Sim. Costumava tocar quando era mais jovem, mas acabei deixando isso de lado. – Colocando a mão no piano, ela deu a volta nele, se sentando no banco e limpando no espaço vazio que ela tinha deixado ao seu lado, logo depois batendo no mesmo, me chamando para que me juntasse a ela.

- Então... mostre para mim! – Disse ela.

- Acho melhor não...

- Ah qual é, não seja covarde. – Filha da mãe, ela sabe que eu adoro ser desafiado por ela. Fui até o banco, me sentando ao seu lado. Ela tinha aquele sorriso arteiro nos lábios e antes de tocar algo testei as cordas do piano.

- Não estão afinadas, mas dá para tocar algo... o que quer que eu toque? – A olhei. Pensativa, ela me encarou de volta.

- Me surpreenda. – Ok, vai ser difícil. Agora sou eu que a olhava pensativo. Não conseguia pensar em nenhuma música dos Rolling Stones que pudesse tocar no piano... mas pensei em uma que é a cara dela e que tenho certeza que ela vai gostar, já que tínhamos escutados milhares de vezes essa banda em sua vitrola. Antes de dar os acordes, a olhei.

- “All veils and misty. Streets of blue...” – Comecei a tocar e a cantar, fazendo a melhor voz possível no clássico Mystify, do INXS. Ela riu jogando sua cabeça para trás e batendo palmas.

- Siiim! – Claro que ela estava alegre e alta como eu depois de duas garrafas de vinho.

- “Almond looks that chill devine. Some silken moment, goes on forever. And we're leaving broken hearts behind, Uhum...” – Antes que pudesse tocar e cantar o refrão, ela se levantou, acompanhando o ritmo dos acordes.

- Mystify, mystify me...” – E lá estava ela, dançando. Eu adoro quando ela dança. – [...]In all that exists, well, none has your beauty! I see your face and I will survive, Uhum. Mystify, mystify me... Mystify, mystify meeee...” – Continuava, empolgado, enquanto ela continuava a dançar, alegremente. – Eternally wild with the Power to make every moment come alive. All those stars that shine upon you will kiss you every night. All veils and misty. Streets of blue. Almond looks that chill devine. Some silken moment, goes on foreeever. And we're leaving, yeah, we're leaving broken hearts behind, Uhum! – Antes de terminar a música com o refrão, ela subiu no piano, deitando nele de bruços, apoiando suas mãos em seu queixo e me olhando, com aquele brilho no olhar enquanto seus pés balançavam. A olhei, na mesma intensidade. – Mystify, mystify me... Mystify, mystify me. Mystify... – Dei os acordes finais e ela rolou no piano, ficando deitada de costas nele, me aplaudindo e rindo.

- Uhuuu! – Gritou ela, descendo de cima do piano e vindo em minha direção, sentando-se em meu colo, ficando de frente para mim. – Sempre me surpreendendo, John Neeson.

- Então estamos quites, Sofya Viatcheslav. – Disse, antes de beija-la. E assim, como cantei na música, todas as estrelas que brilham acima de nós vieram nos beijar nesta noite.


Notas Finais


GOSTARAM?! <3


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