História Tainted Love - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Palavras 1.340
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Fantasia, Mistério, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, xentee :)
Obrigada aos que se deram o trabalho de abrir o primeiro capítulo e espero que me acompanhem nesse mundo da escrita por fora, que é relativamente novo para mim.
Té mais o3o

Capítulo 1 - Em Highmore School


Cheguei na escola quando tocava o segundo sinal para o início das aulas.

Ia diretamente para a sala, guardava os fones de ouvido na mochila, desarmava meu estojo e todas as canetas coloridas e começava o cabeçalho do caderno, esperando ansiosamente pelo professor. Pelo menos era assim que acontecia em todas as semanas e em todos os anos nessa escola, já tinha até um filme passando na minha cabeça. 

O que realmente aconteceu foi que eu nem consegui passar pela porta tamanha a multidão que tomava a sala e transbordava. Haviam divulgado uma relação de alunos para as aulas de verão no mural, e é claro que inclusive aqueles que não estavam com resquício de recuperação precisavam estar ali para barrar a passagem. 

Eu não me interessava por aquele estardalhaço e, felizmente, o senhor Vincent, nosso professor de história, também não. Foi logo abrindo espaço por entre a gente e clamando cegamente por silêncio, e eu fui me espreitando, aproveitando a fresta de espaço para chegar até a minha carteira.

Pronto. Canetas azuis, roxas, vermelhas, amarelas e folhas branquinhas para serem pintadas de anotações. Eu já estava à postos quando a minha miragem, aparentemente, foi interrompida novamente. Dessa vez, não por um monte de gente mas o próprio Vincent, que se aproximava do mural e exclamou:

-- Lena, você ficou em química. Mas que surpresa...

Imaginem o susto de uma veterana nota dez ao escutar tal coisa. Algo que a maioria das pessoas não sabem sobre mim é que pertenço à elite da Highmore School: faço aulas no curso avançado todas as tardes e alguns finais de semana. Ganhei em primeiro lugar o Campeonato Nacional de Soletração quando tinha apenas sete anos, e sou bicampeã olímpica de matemática. Apesar de serem grandes conquistas e eu me gabar por todas elas, não gosto de sair espalhando para todo mundo.  É claro que as patricinhas me olham estranho e a maioria dos alunos veem algo de anormal em mim e no meu comportamento. Eu só não admito desempenhos diferentes desses em qualquer aspecto da minha vida, e esse era um caso.

-- Desculpe, senhor Vincent. Tenho que ir avisar alguma autoridade imediatamente, é engano com certeza -- E já levantava da carteira quando me interrompeu.

-- A senhorita irá a lugar algum! Lamento a notícia, estou decepcionado, tenha convicção disso...Mas não há nada a se fazer agora, ainda por cima durante a minha aula...Queira se sentar, por favor.

Depois disso, não sei se me afoguei mais profundamente nos meus cadernos ou nas lágrimas que brotavam e escaldavam meus olhos. Em química? Mas a senhora Hill, ou como ela inúmeras vezes já me corrigira, "só Lilian", me adora, e eu já falei que faço aulas no curso avançado??

Os professores falavam, falavam e o dia todo eu só conseguia pensar nisso. Quero dizer, eu até fiz as minhas anotações, mas não passavam de palavras vazias atrás de palavras vazias.

Após duas longas aulas de Revolução Francesa e Botânica, o sinal do intervalo soou e saí da sala, como nunca, indo até o final do corredor no mesmo andar à sala da orientadora educacional. Ao chegar, um pouco ofegante, dei leves batidinhas na porta e alguém lá dentro mandou eu entrar.

-- Oi. Desculpa incomodar o seu trabalho, senhora....-- E, com uma risadinha nervosa, eu desabei--Olha, eu nem sei o seu nome porque, justamente, jamais precisara passar por situação como essa, mas seja quem for que tenha digitado aquela lista, digitou errado. Eu não pertenço às aulas de verão, eu sequer me encaixo com a minha sala. Então, por favor, será que você pode jogar aquilo fora e fazer de novo?

-- Desculpe-me, senhorita. Sente-se um pouco. -- E sentei numa cadeira de plástico azul, pequena demais, tentando me equilibrar enquanto ela continuava. -- Apesar de você achar que meu trabalho se limita à resolver problemas de alunos e nada mais, eu sei quem você é... -- E virou a cadeira giratória para uma caixa de metal enorme logo atrás e puxou uma ficha dentre uma tonelada, todas iguaizinhas em pastas amarelas de papel, e começou a ler -- ...Lena. Johnson.

-- Pois é, essa sou eu. Será que você poderia...

-- Vejo que a senhorita tem um histórico muito bom. Impressionante. Deve ter sido realmente um choque para você saber das aulas de verão, mas fui eu quem digitou seu nome por recomendações da senhora Hill. Cumpro o meu trabalho à risca, sabe? Sempre recebendo ordens, que são meticulosamente cumpridas. Desculpe-me, querida.

E percebendo que subitamente ela não tinha mais nada a dizer, eu só me levantei e fui embora.

Já nem sabia para onde minhas pernas estavam me guiando e acabei parando no banheiro. Joguei uma água no rosto, respirei fundo, trêmula, e fui para a aula. 

Ainda tinham alguns minutos restantes. Eu até tinha algumas bolachas Nesfit em minha bolsa, mas eu não conseguiria digerir nada agora, nem a palavra recuperação. O próximo professor entrou e eu só rabiscava qualquer coisa em meu caderno durante as próximas aulas. O sinal tocou e tocou, entra e sai de gente, 11:30, risadas, conversas, cochichos, 11:31... O dia parecia não terminar.

Mais um pouco de matéria e enfim, acabou. Ironicamente, eu saí por último da sala. Não tinha vontade de fazer nada, e no momento em que, com muita relutância, cheguei no corredor, a porta da orientadora estava aberta e a senhora Hill conversava com ela. Me dirigi quase sem pensar em sua direção e, quando as alcancei, ignorando a presença da senhora-que-não-se-sabe-nomear, disse em prantos:

-- Senhora Hill, graças à deus você está aqui. Por que me reprovou?? Eu estava em todas as suas aulas e fiz todas as listas de exercícios e a apostila está completa e...-- Me faltavam as palavras. Eu estava tão indignada que já fazia uma cara de choro ou de alguém doente que tomou um remédio muito amargo e não gostou.

-- Lena, você não precisa dizer tudo isso. Eu já sei. Não se trata das nossas aulas comuns, se é que você me entende. O curso avançado, como bem sabe, exige muito de seus integrantes. Devemos ter certeza de que nossos alunos não serão prejudicados. É comprometimento, aptidão e paixão! Você não tem mais o mesmo envolvimento de antes...

-- Eu ainda não entendo o que a senhora está insinuando...

-- Lena, é tudo muito simples. Nossa média é oito. Três notas abaixo disso e você está fora. Nas últimas duas provas, você tirou exatamente isso: oito. Eu não quero que você saia. Talvez você tenha se distraído um pouco, focado em algo mais recentemente... -- E me encarou bem para ver se conseguia extrair alguma coisa--...Tivemos uma reunião, discutimos o seu caso e reconhecemos não ser da sua, ah, natureza. Consegui com que você passasse por essas aulas para recuperar as notas, são duas semanas. Se você aumentar, bom, continua. Caso contrário, no próximo semestre, se tirar mais um oito, sinto muito.

-- Eu estou sendo reprovada por passar direto?? Foram só dois oitos, afinal. E nem lembro de tirá-los na sua matéria!

-- Geografia e Filosofia, querida.

-- Então eu estou realmente sendo reprovada na sua matéria, mesmo tendo o meu desempenho, e com a nota de outra disciplina... Por que a sua, afinal?

-- Ah, eu fui encarregada de supervisionar as aulas de verão, e como tomei frente da ocasião e convoquei a reunião, sendo o seu caso específico, eles me escolheram. É a matéria que você vai melhor e acharam que não atingindo a meta, teria um decréscimo mínimo -- E deu um risinho como que orgulhosa da constatação.

-- Obrigada, eu acho, senhora Hill.

Ela segurou meu braço com ternura enquanto eu ia embora totalmente abalada.

-- Não fique assim, será bom. Ei, você já passou! É só, hm, uma revisão. Pense como uma revisão! Apesar de não precisar -- E piscou para mim, me deixando ainda mais confusa.

Saindo dali o mais rápido possível para me refugiar em qualquer outro lugar, jurei escutar vagamente:

-- E pela última vez, só Lilian!

 

 


Notas Finais


Eu sempre vou procurar colocar por aqui alguma advertência da história, um complemento, que eu acho que trás mais vida à esse universo particular :~
Só hoje não porque não sei se a história vai bombar e tals.
Mas aguardem os próximos capítulos...


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