História Take Me - Capítulo 19


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Taeyeon, Tiffany
Tags Assassinato, Bdsm, Taeny
Exibições 497
Palavras 5.908
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Orange, Romance e Novela, Slash, Suspense, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 19 - Here We Are, Once Again


Fanfic / Fanfiction Take Me - Capítulo 19 - Here We Are, Once Again

—Espera... — Sussurrei enquanto Taeyeon traçava uma trilha de beijos do meu pescoço até o meu ombro, naquela maneira única dela de ser carinhosa e rude ao mesmo tempo.

—Taeyeon... — Ela não parecia me escutar, provavelmente estava ignorando minhas tentativas de chamar a sua atenção por achar que eu não queria mais aquilo. —...Tae, a porta do quarto está aberta.

—Foda-se a porta. — Murmurou, deslizando as mãos por baixo da minha blusa enquanto mordia um ponto particularmente sensível em meu pescoço, o que me fez estremecer e me encolher um pouco.

—Não, eu não quero correr nenhum risco...

Com muita dificuldade segurei os ombros de Taeyeon e a empurrei de cima de mim, ela caiu de costas contra o colchão, logo se apoiando em seus cotovelos. Taeyeon me encarou com um olhar raivoso e ao mesmo tempo frustrado, como se fosse de seu direito fazer o que bem entendesse comigo e eu a tivesse desrespeitado no momento em que a impedi de continuar em frente.

Estranhamente aquele olhar me fez ter vontade de esquecer da porta aberta e simplesmente voltar para a parte onde Taeyeon me beijava, mordia e chupava os meus pontos mais sensíveis e carentes de atenção. Eu já podia sentir meu íntimo latejar apenas com este pensamento e outros bem mais sujos.

Expulsei esses pensamentos da minha cabeça afim de me controlar, levantei-me da cama e, com certa resistência do meu corpo, caminhei silenciosa até a porta do quarto, trancando-a atentamente e confirmando se ela não podia ser aberta ao girar a maçaneta, minhas mãos estavam trêmulas.

—Por que você sempre me deixa assim? — Senti-me sendo empurrada bruscamente contra a porta e o corpo da Kim prensar-me naquela posição com firmeza.

A dor me fez gemer e prender a respiração involuntariamente, mordi meu lábio inferior quando senti o hálito quente de Taeyeon contra o meu ouvido, ela fazia aquilo sem saber como mexia comigo e o quanto eu adorava essa sensação de estar presa e à sua mercê. Mesmo que eu soubesse que aquilo era errado e que eu não devia deixar qualquer um me tratar daquele jeito.

—Me solta. — Sussurrei ao sentir minhas mãos sendo colocadas atrás das minhas costas e o aperto desconfortável em meus pulsos.

Taeyeon riu e forçou um beijo um tanto agressivo. Minha bochecha ainda estava prensada contra a porta e aquela posição era desconfortável, mas mesmo assim ela continuou me beijando possessivamente sem se importar se eu me esforçava para não a corresponder.

Aquilo estava tão errado mas meu corpo não parava de reagir, ficando ainda mais febril.

—Você não tem o direito de tomar conta dos meus pensamentos desse jeito e depois agir como se não se importasse. — Ela sussurrou quebrando o beijo, mas sua boca continuava tão próxima que eu podia sentir seu hálito ainda em meus lábios.

Não tive coragem de responder, pois logo uma de suas mãos saiu dos meus pulsos e serpenteou pelo meu abdômen, fazendo-me arrepiar com o contato repentino e morder o lábio inferior para conter-me quando Taeyeon apertou um dos meus seios bruscamente.

—Para... — Consegui murmurar entre gemidos, mas ela deu o mesmo tratamento rude ao outro seio e voltou a me beijar sem a minha permissão.

Eu queria odia-la por isso, mas a verdade era que aquela situação só estava me deixando mais excitada e eu me perguntava se eu era insana suficiente para gostar tanto daquilo.

De repente Taeyeon separou nossos lábios outra vez e afundou o rosto em meu pescoço, inalando o cheiro que ela sempre dizia amar e chupando a região, deixando aqueles sons molhados que eram a minha perdição particular.

Minhas mãos já haviam sido soltas e eu as apoiei contra a porta no momento em que senti Taeyeon desfazendo o laço que prendia meu short de malha. Ela o retirou facilmente e apertou a minha cintura com as duas mãos, trazendo-me em um movimento vulgar contra sí mesma, apenas para me empurrar contra a porta novamente. Mais um gemido dolorido escapou meus lábios, mas dessa vez ele vinha acompanhado da minha vontade de provoca-la ainda mais.

Pressionei minha bunda e rebolei lentamente contra a Kim, me deliciando com o suspiro que ela deixou escapar. Mas logo me arrependi ao perceber o que estava fazendo e como eu havia perdido o controle outra vez. Porém não deu tempo de pensar muito nisso, pois logo recebi um forte tapa ardido no lado direito do bumbum.

Me encolhi com a dor mas a esqueci quando Taeyeon retirou a minha blusa e começou a distribuir beijos pelas minhas costas.

—Gosta de ser tratada assim, Hwang?

Eu só pude suprimir um suspiro abafado e fechar os olhos, me concentrando na sensação gostosa dos seus beijos e em como ela ia descendo aos poucos.

—Taeyeon... — Sussurrei ao levar mais um tapa.

Tudo o que eu mais deseja era retirar aquela calcinha que já incomodava bastante. Nem me dei conta quando já estava inclinada contra a porta, de uma maneira que facilitasse o acesso da Kim.

Estremeci quando ela finalmente se ajoelhou no chão e agarrou minhas pernas com força, afastando-as sem nenhuma delicadeza. Era aquilo que eu tanto queria, que ela fizesse o que bem entendesse com o meu corpo, que abusasse de mim sem culpa alguma.

—Você está toda quente e sensível... — Ela distribuiu mordidas e mais tapas nas minhas coxas, e eu quase gritei, meus olhos estavam marejados e eu não sabia se era por causa da dor ou porque ela estava me torturando ao adiar o prazer que meu corpo precisava.

—Por favor... — Era humilhante me entregar assim, mas minha consciência não respondia mais.

Taeyeon finalmente começou a retirar de modo nada delicado a última peça que faltava em meu corpo, mas a deixou até o meio das minhas coxas, restringindo meus movimentos.

Minhas pernas fraquejaram quando ela começou a lamber o interior da minha coxa, subindo aos poucos e separando as minhas pernas o quanto era possível.

Não deu tempo de abafar o pequeno grito de prazer que escapou da minha garganta quando senti a sua língua quente penetrando o meu íntimo e como o seu lábio inferior roçava no ponto certo.

Eu não imaginava que aquilo fosse tão bom, na verdade nunca tinha pensado na possibilidade.

Minhas pernas estavam fraquejando mas eu me esforçava para continuar naquela posição, por mais desconfortável que fosse, me deixava excitada a vulnerabilidade.

Ainda mais quando Taeyeon teve que puxar um pouco mais as minhas pernas, fazendo-me empinar a bunda apenas para que ela tivesse um acesso perfeito de todo o meu sexo.

Não me contive e gemi outra vez quando ela me explorou completamente com a língua, chupando-me e de vez em quando até mesmo mordendo, eu já estava me contorcendo na tentativa de controlar as reações do meu corpo e meu ventre queimava tanto, estava se tornando desconfortável.

De repente Taeyeon se afastou e levantou-se apressadamente, eu quase chorei em frustração, mas fui pega de surpresa quando ela puxou-me pela cintura e me obrigou a virar de frente pra ela. Não consegui olhar diretamente nos seus olhos pois fiquei hipnotizada em sua boca visivelmente avermelhada e molhada, tudo culpa minha.

A coisa só melhorou quando ela se aproximou e beijou-me daquele modo agressivo que eu amava, obrigando-me a sentir meu próprio sabor.

—Me ajuda com isso. — Ordenou simplesmente, desabotoado o short jeans.

Eu não esperei duas vezes para obedecer, estava queimando em febre e faria de tudo para ela naquele momento. Abaixei-me um pouco para fazer o que foi mandado e na pressa retirei a sua calcinha junto, Taeyeon estava tão molhada lá embaixo, deu vontade de enfiar a minha mão ali e sentir meus dedos escorregarem com facilidade.

Quando eu vi já estava empurrando-a de volta para a cama, ela caiu apaioda em seus cotovelos e me olhou de cima a baixo, eu estava tão desesperada que esqueci completamente das minhas inseguranças, meu desejo era maior do que os alertas que minha consciência me enviava para permanecer longe de Taeyeon.

Subi em cima dela e a beijei novamente, aproveitando o meu momento para mostrar que ela não era a única que ansiava por isso. A medida em que as coisas esquentavam entre nós mais a chuva parecia aumentar lá fora, notei este detalhe quando percebi que estava ficando cada vez mais difícil escutar a respiração pesada de Taeyeon, e isso me frustrava pois eu só queria ouvi-la.

O contato quente da nossa respiração era gostoso e fazia meu coração bater mais forte, eu queria mais daquilo. Separei nossos lábios, apenas mantendo meu rosto próximo ao seu, provocando beija-la novamente.

Senti então suas mãos guiando meu quadril, puxando-me para baixo e colando nossos corpos, naturalmente eu sabia o que tinha de ser feito, meu tesão mandava que eu fizesse aquilo. Posicionei minhas coxas em torno de seu quadril e juntei nossos sexos.

O contato quente e molhado fez um choque de prazer percorrer o meu ventre, gemi sem me importar com o quão vulgar soou e mordi meu lábio inferior com força quando senti as mãos da Kim apertando o meu quadril, giuando-me para que eu fizesse um movimento de vai e vem, aquilo era tão indecente na minha cabeça. Tentei controlar meus movimentos em um ritmo que eu julguei lento e sensual, mas aquilo era tão fodidamente gostoso que se tornou impossível ter algum tipo de controle, em questões de segundos meus movimentos eram mais descompassados e desesperados.

Taeyeon tentava segurar seus gemidos mas isso criava um efeito melhor ainda para os meus ouvidos, pois ela claramente não conseguia e aquele gemidos abafados dela me deixavam com tanta vontade de faze-la sentir prazer, de repente o meu prazer se tornou o dela e eu me peguei totalmente focada em como o seu rosto estava corado e em como o seu corpo era maravilhoso enquanto se contraía em prazer.

—Você é tão gostosa... — Murmurou com dificuldade, quando eu me coloquei em uma posição sentada e apoiei minhas mãos no colchão, atrás de mim.

Aposto que ela estava adorando a visão privilegiada que tinha do meu corpo naquele momento. Eu podia sentir como uma das suas mãos deixou o meu quadril e foi parar em meu abdômen já suado, massageando-o de cima a baixo.

Olhei para baixo, vendo perfeitamente como as nossas intimidades se chocavam e nossos líquidos se misturavam, aquela visão era a coisa mais sexy que eu já havia visto e me deixou à beira de um orgasmo.

—Taeyeon! — Exclamei sem querer, jogando meu corpo pra frente e apoiando minhas mãos envolta dela, aumentando a intensidade dos meus movimentos e gerando um ritmo imperfeito... desesperado entre nós, eu estava tão perto de gozar que parecia dolorido, como se eu estivesse realmente apertada.

Mais alguns segundos, nosso ritmo e sincronia completamente desencontrado, mas ainda sim extremamente prazeroso.

Enterrei o rosto em seu pescoço para abafar o meu grito de prazer quando atingi o orgasmo, mordendo seu ombro enquanto sentia os últimos espasmos tomar do meu corpo. Taeyeon me envolveu com os seus braços enquanto eu me recuperava e tentava normalizar a minha respiração.

Quando finalmente me acalmei do melhor orgasmo que já tive, comecei a chupar o pescoço de Taeyeon e massagear os seus seios, eu queria que ela se sentisse satisfeita como eu. Comecei a descer os chupões e as lambidas pela extensão da sua clavícula e entre os seios, quando finalmente a ouvi gemer audivelmente.

O que me deixou confiante, desci pouco mais e coloquei-me em meio às suas pernas, separei suas coxas com paciência e as mordi levemente, como ela já havia feito comigo antes, eu queria retribuir tudo.

Deixei um beijo demorado na sua virilha e me senti excitada outra vez quando vi como a sua boceta estava melada da nossa atividade anterior, a lambi inteira me deliciando com aquele sabor indescritível. Os gemidos de Taeyeon eram música para os meus ouvidos e serviram de incentivo enquanto eu chupava seu clitóris e segurava as suas coxas para que ela não se movesse demais.

Taeyeon estava praticamente esfregando o seu sexo quente contra a minha boca e eu me embriaguei com aquela sensação, o que antes eu achava sujo e errado se tornou a minha atividade favorita.

Não precisei de muito tempo para fazer Taeyeon atingir seu ápice, os sons que seus lábios deixaram escapar me dava um sentimento novo de posse, por mais clichê que pareça, eu desejava ser a única a ouvi-la assim.

Lambi meus próprios lábios para limpa-los, subi em cima de Taeyeon novamente, dessa vez apenas para me aconchegar em seus braços e deitar minha cabeça em seu ombro, sem me importar com o quão suadas e precisando de um banho estávamos, a abracei e aninhei-me ali, eu precisava daquele tipo de contato e não me assustava mais a ideia de parecer fraca. Não naquele momento.

Depois de alguns minutos em um silêncio calmo e confortável, ouvi a voz rouca de Taeyeon novamente.

—Você sabe que é só minha né?

Eu estava descansando com os olhos fechados e não me importei em os abrir para responder.

—Por que eu? — É claro que eu não iria dar uma resposta direta para aquela pergunta - afirmação - dela, pois ambas as alternativas de negar e concordar pareciam surreais, eu nunca iria aceitar essa coisa doentia de "pertencer" à alguém, mas também não tinha como negar que eu estava prendendo-me cada vez mais à ela, mesmo com todos os esforços para ignora-la.

—Por que não você? — Rebateu de volta, o que me fez pensar por alguns segundos.

—Sabe, existem bilhões de pessoas no mundo, eu sou uma garota normal que você conheceu há tão pouco tempo e...

—Você acredita mesmo nessa coisa de ser normal? — Riu soprado.

Abri os olhos atentamente e levantei-me um pouco, para poder encara-la diretamente.

—Como assim? — Perguntei confusa, e um pouco ofendida talvez.

—Para pra pensar, Tiffany. Você acha que pessoas como eu se interessam pelo comum, pelo normal? Não acha que você possui um diferencial?

—Não, o que você está querendo insinuar? — A questionei sem entender onde aquela conversa estava nos levando.

Taeyeon sorriu e me olhou de lado.

—Você tem que descobrir sozinha. — Falou simplesmente, enquanto segurava a minha mão. — Agora vamos tomar um banho, eu gosto de te ver nua, mas prefiro quando está confortável.

(…)

—Você acha que consegue fazer isso sozinha? — Perguntei, enquanto refazia o curativo da Kim após o banho.

—Nope. — Respondeu sorrindo, e daquele jeito eu soube que ela estava mentindo.

Resolvi não questionar, pois foi até fofo.

—Então você vai ter que vir até aqui duas vezes por dia, pelas próximas duas semanas talvez, ainda não sei ao certo... Tenho que ver como a cicatrização vai se comportar. Mas é importante que se mantenha longe de problemas pelo menos por agora.

Taeyeon tinha um sorriso de criança no rosto, de quem estava escutando apenas as partes que queria, então a calei antes que ela pudesse abrir a boca pra falar alguma coisa.

—E é melhor parar de entrar aqui pela janela, existe uma porta no andar de baixo sabe? De onde eu venho, as pessoas gostam de usar esse meio para entrar e sair de propriedades e outros prédios, não é muito complicado, você aprende rápido.

Seu sorriso apenas aumentou e pela primeira vez eu pude enxergar uma covinha no canto direito do seu queixo, uma imperfeição genética muito bonita por sinal.

—Você ouviu alguma coisa do que eu disse? Por que está rindo desse jeito?

—Você está preocupada comigo. — Acusou, com os olhos cerrados e aquele sorriso bobo.

—Não, estou apenas fazendo uso do meu conhecimento, por que eu negaria ajuda à outra pessoa?

—Você poderia ter cuidado de mim apenas por hoje, não precisava se comprometer pelas próximas semanas.

Suspirei derrotada e parei para pensar um pouco, era verdade que eu estava preocupada, e também me confortava saber que ela confiava em mim quando não parecia confiar em mais ninguém, eu gostava de saber que ela estava aos meus cuidados e não no de outra pessoa, parecia posse e egoísmo, mas era apenas cuidado.

Eu sempre fui zelosa com as pessoas que gostava, e era inegável que eu estava pegando empatia por aquele ser humano horrível, eu me acostumei com ela e gostava do clima confortável que conseguíamos criar às vezes, apesar dos problemas.

—Vamos dormir, amanhã conversamos. — Falei, puxando-a pelos ombros e rindo do modo preguiçoso com que Taeyeon deixou-se ser arrastada até o quarto.

Eu não estava com sono, mas sabia que perto da Kim logo logo ele viria.

Dito e feito, deitar na cama foi como cair no efeito de uma anestesia, lenta e calmante.

(…)

Acordei na manhã seguinte morta de fome, meu corpo inteiro clamava por algum alimento e eu estava me sentindo fraca.

Virei-me de costas e encarei a minha - praticamente - hóspede, ela estava sentada abraçando as pernas contra o peito e com as costas apoiadas na cabeceira da cama. Parecia uma criança com aquela carinha inchada de sono.

—Good morning... — Pronunciou do mesmo jeito rouco e fofo do outro dia, assim que notou que eu havia acordado, o que não demorou muito, já que ela parecia me observar.

—Morning. — Respondi simplesmente, virando-me para pegar o meu celular, estranhando o fato de que o meu despertador não me acordou.

"Será que ainda é muito cedo?"

Quase deixei o celular cair no chão quando vi que já passava da hora do almoço.

Olhei confusa para Taeyeon e ela continuou me encarando como se não tivesse percebido nada.

—Você não ouviu o despertador? — Perguntei confusa.

—Sim... — Respondeu baixinho. — Fui eu quem o desliguei.

—Como assim? Por que você não me acordou? — Exclamei, sentando-me nervosa na cama.

—Eu te vi dormindo e não consegui acorda-la, você parecia tão confortável e feliz.

Taeyeon era realmente uma ridícula.

—Obrigada pela preocupação... — Falei sarcástica. — Mas confortável e feliz é algo que eu não vou ficar quando for reprovada!

—Não seja dramática... — Falou sorrindo como se não tivesse feito nada de errado. — Eu garanto que as suas notas serão as melhores.

O que eu não sabia naquele dia, era que ela não estava falando aquilo apenas por falar.

—Aigo, não estou afim de discutir isso agora, vamos logo comer alguma coisa. — Eu já estava me levantando e indo até a porta, quando percebi que Taeyeon não me seguia. — Não vai vir?

Eu não precisei olhar para trás para saber que ela havia ficado confusa, o tom em sua voz a denunciava.

—Não vai me expulsar?

—Não dessa vez.

Segui até o banheiro e passei uns bons minutos de frente para o espelho, meu rosto estava horrível, como se eu tivesse dormido por três dias inteiros, nem mesmo toda a água gelada que eu usei para lava-lo o fez desinchar completamente, talvez um banho ajudasse...

(…)

Quando sai do banheiro e segui para a cozinha, encontrei Taeyeon fazendo o que parecia ser omeletes, julgando pelo aroma delicioso.

—Tudo o que vocês comem aqui é americano? — Ela perguntou ainda de costas pra mim, não sei como notou a minha presença.

—Normalmente sim... — Respondi, chegando mais perto para tentar olhar por cima do seu ombro. — Parece uma delícia.

E realmente parecia, não só a aparência, mas até mesmo o cheiro daquele omelete lembrava-me da fome que eu sentia. Taeyeon riu e encolheu os ombros, desligando o fogo em seguida.

—Eu tenho que confessar que estou começando a gostar da culinária americana, e a culpa é toda sua. — Concedi espaço para que ela levasse a frigideira até a mesa e despejasse os omeletes em cima de dois pratos.

Sem demora eu busquei os talheres e coloquei-os ao lado dos pratos. Peguei dois copos também e servi suco de abacaxi.

—Olha para nós duas, praticamente casadas. — Taeyeon sussurrou em meu ouvido enquanto passava por trás de mim para colocar a frigideira de volta no fogão.

—Continue sonhando... — Falei, sentando-me na cadeira e falhando miseravelmente ao tentar conter um sorriso.

—Você só não quer aceitar, mas um dia vai perceber o quanto me ama, nem que demore alguns anos. — Disse rindo, nem parecia aquela garota fria que fazia de tudo para não expressar nada.

Comemos em uma troca silenciosa de olhares e eu me sentia cada vez mais envergonhada com a situação, era impossível ignorar o olhar dela e encarar de volta parecia ainda pior. Então eu lembrei dos assuntos não finalizados com Taeyeon e usei isso ao meu favor para sair daquela situação.

—Acho que você me deve algumas explicações. — Murmurei, ganhando um olhar curioso da sua parte, mas logo esse olhar se desfez em um sorriso cínico.

—Não estou com humor para responder interrogatório algum... — Ela inclinou-se na mesa até chegar perto o suficiente de mim  e sorriu quando me inclinei para trás. — Mas esse humor pode melhorar consideravelmente se...

—Não.

—Nem vai ouvir a minha proposta?

Suspirei profundamente e cruzei os braços, esperando que minha impaciente mensagem fosse transmitida. Mensagem essa que dizia: "É melhor que não proponha nada absurdo."

Taeyeon tamborilou os dedos contra a mesa, causando um som irritantemente perfeito e ritmado na madeira. Cruzou as pernas e pareceu analisar as possibilidades. Então ela finalmente falou:

—Eu conto o que você quiser, se... — O que saiu da sua boca em seguida fora tão bobo que eu pensei ter ouvido errado. — Você aceitar sair comigo para tomar sorvete.

(…)

Eu não sei como aceitei aquele "convite" tão rapidamente, talvez tenha sido por causa da minha crescente curiosidade, talvez eu estivesse apenas ficando menos arisca em relação à Kim. Mas não me importei muito com isso.

Assim que fui deixada sozinha para que Taeyeon fizesse os pedidos, tomei um tempo para apreciar a sorveteria que, de acordo com ela, era o único ambiente público que valia a pena frequentar.

O local era pequeno, a decoração se fazia em tons pastéis, rosa, azul e amarelo davam um ar de infantilidade ao estabelecimento e, por mais simples que fosse, a maioria das mesas estavam ocupadas, talvez fizesse sucesso. Mas pelo fato do estabelecimento estar localizado bem perto da escola, imaginei que seria comum que os alunos fossem os principais clientes dali.

Varri o local com os olhos, à procura de uma mesa da minha preferência, mesmo que todas fossem iguais, e escolhi uma mais ao fundo, sentando-me no banco acolchoado do lado da janela.

Fiquei a encarar o pouco movimento lá fora, sem pensar em nada realmente, quem me olhasse de volta pensaria que eu estava encarando, mas na verdade eu não conseguia focar em nenhuma pessoa em específico, todos pareciam tão... Desinteressantes.

—Espero que não esteja pensando em fugir, mal chegamos aqui.

Levei o maior susto quando uma taça enorme de sorvete foi colocada à minha frente sem aviso prévio, causando um baque alto contra a mesa. Olhei furiosa para Taeyeon e ela apenas riu.

—Não faz mais isso. — Reclamei, levando uma das mãos até o peito.

—O quê? Servir você? — Perguntou, se fazendo de sonsa.

Dei de ombros e espiei uma última vez através da janela, até perceber que Taeyeon sentou-se ao meu lado, invadindo o meu espaço pessoal e pouco se importando com o quão invasiva estava sendo, literalmente não havia espaço entre a gente.

Fiquei preocupada que alguém nos visse e pensasse que éramos um casal, mas depois percebi que era idiota e bobo ficar pensando nisso e relaxei um pouco.

—Eu nunca imaginei que alguém como você gostasse desse tipo de lugar... — Falei involuntariamente, me distraindo em puxar a minha taça de sorvete para perto e experimentar a bola de sabor de morango primeiro.

—Alguém como eu? Que tipo de lugar você acha que eu gosto de frequentar? — Perguntou, mas eu não consegui identificar se ela estava realmente interessada na resposta ou só perguntou para manter a conversa mesmo.

—Não sei... Te vejo como alguém que prefere encontrar um lugar calmo e solitário para sí e... Só pensar na vida, sabe?

Ela continuou comendo o sorvete, se sujando como uma criança e por alguns momentos eu parei para apreciar como aquela cena era fofa e boa de ver... "Se ao menos ela fosse assim o tempo todo, leve e calma."

—Você tem razão, eu realmente gosto de ficar só, mas por um sorvete desses eu enfrentaria uma multidão.

Me permiti sorrir com tal constatação, mas logo tentei ficar mais séria quando vi que estava amolecendo demais com a Kim, poderia dar esperanças à ela.

Passou-se um momento de silêncio e eu finalmente lembrei do porquê de estarmos ali, então não perdi tempo em perguntar o que eu tanto queria saber.

—Vai me contar onde você se machucou desse jeito?

Taeyeon repousou a taça em cima da mesa, quase que automaticamente, e fitou a paisagem pela janela, como antes eu fazia.

Mesmo sem expressar muita coisa, entendi que ela estava adiando a resposta para pensar no que deveria dizer. Eu já havia percebido esse mecanismo em Taeyeon, a resposta quase nunca era imediata, não importava o quão simples a pergunta fosse. Parecia que ela precisava de um tempo maior do que a maioria das pessoas para formular uma resposta.

—Eu já disse que não lembro do que aconteceu. — Falou, agora parecendo bastante vidrada na janela.

—Ok, mas você tem que lembrar de alguma coisa, tipo, você simplesmente acordou em um local estranho e viu que estava ferida?

Ela concordou levemente com a cabeça, para então finalmente olhar para mim, parecia analisar-me em busca de algo.

—Eu lembro que saí para caminhar, mas está tudo confuso na minha cabeça, eu não consigo lembrar exatamente para onde eu estava indo, só que em um momento tudo ficou escuro e quando eu me situei novamente já estava daquele jeito.

Eu fiquei extremamente perdida enquanto tentava entender as suas palavras resumidas e relaciona-las com alguma coisa, alguma explicação. Mais perdida ainda por Taeyeon ter se aberto e contado aquilo pra mim, até pensei na possibilidade dela ter mentido e ocultado algo.

—Quando você acordou, onde estava?

Ela suspirou e fechou um pouco os olhos, talvez tentando se lembrar?

—Isso não é relevante. — Falou por final, curta e grossa, e naquele momento eu sabia que ela estava ocultando parte da história.

—Claro que é, poderia dar uma pista de quem fez isso com você.

Ela fechou a cara imediatamente e voltou a pegar a sua taça de sorvete, como se não quisesse pensar no assunto.

—Eu não quero falar sobre isso agora, é desconfortável.

—Tudo bem... — Suspirei derrotada, sabendo que não adiantaria de nada pressiona-la, eu descobriria de outra forma.

—Mais alguma coisa? — Perguntou, bem menos séria, era incrível como umas colheradas de sorvete era capaz de mudar o seu humor.

—Sim, eu quero saber do jantar com a minha mãe ontem, quero todos os detalhes.

Taeyeon sorriu levemente e eu fiquei com medo do que ela tinha para dizer.

—Não precisa se preocupar, nós quase não falamos sobre você ou a discussão com o seu pai, na maior parte do tempo ela fez perguntas sobre a minha família.

—E ela questionou sobre... A nossa relação?

Taeyeon mordeu o lábio inferior e me lançou um olhar sapeca, fazendo-me ficar ainda mais preocupada.

—Sim, perguntou se tínhamos um "romance". — Falou, fazendo aspas com os dedos ao pronunciar a última palavra.

—E?

—E eu disse que nós não temos nada, mas só porque você não percebeu meus sentimentos e eu sou muito tímida para me declarar...

—Quê? Taeyeon!

Eu não sabia se ela estava tentando colaborar comigo ou piorar a minha situação.

—Isso mesmo, você não imagina como ela ficou feliz em saber que tem uma futura nora tão romântica e adorável.

Eu sinceramente não conseguia raciocinar direito, por um lado aquilo era bom pra mim, pois eu só precisaria me fazer de desentendida até o final. Mas por outro lado seria complicado estar perto da minha mãe sabendo que ela imaginava eu e Taeyeon como um casal, eu com certeza sentiria um pouco de vergonha com toda essa situação.

Por causa dessa dualidade resolvi não brigar com a Kim, tudo bem que Taeyeon agiu ao seu favor - como esperado -, mas também não achei que ela tenha me prejudicado, ao menos ela contou a mentira que eu havia pedido: Nós nunca tivemos nada.

Resolvi então mudar de assunto, eu realmente queria deixar o clima mais leve entre a gente.

—Não vou conseguir comer todo esse sorvete, já tô me sentindo sonolenta com tanto açúcar ingerido...

Se tinha uma característica notável em meu comportamento, era que eu tendia a demonstrar o que era falado com ações, para dar ênfase. Então acabei esquecendo com quem estava e da postura que precisava manter, e descansei minha cabeça contra o ombro de Taeyeon, fechando os olhos preguiçosamente e apoiando minha mão em sua perna.

Obviamente eu não estava em meu pensamento lógico, então não hesitei em acariciar a sua perna e sorrir com a sensação boa que me acometeu apenas em estar ali. Não me importei quando Taeyeon passou o braço pelo meu ombro e colocou a mão livre por cima da minha.

Era bom ter esse tipo de contato com alguém e eu não podia imaginar o porquê de eu nunca ter gostado disso, nunca deixei ninguém tocar em mim por mais que alguns segundos e também nunca senti vontade de abraçar as pessoas que não fosse em ocasiões especiais.

Mas naquele momento o contato parecia natural, por isso me fazia bem.

—Você não se importa em ser vista comigo? — Sua voz ressoou de um jeito diferente, era umas das poucas vezes que eu conseguia identificar um sentimento em suas palavras. E pra mim aquela pergunta veio carregada de expectativa e incerteza.

"Será mesmo que Taeyeon se importa comigo? Ela levou tão a sério todas as vezes que eu falei que a odiava ?" — Pensei comigo mesma, querendo morrer por estar me deixando iludir por idéias fantasiosas.

—Não importa o que essas pessoas estranhas acham, elas não sabem de nada da minha vida... — Respondi simplesmente.

Mas por algum tipo de ironia do destino, o que eu não sabia é que não haveriam apenas desconhecidos ali na sorveteria, não eram só eles que presenciaram aquela cena.

Abri os olhos devagar e ergui a cabeça levemente, tetando olhar para o rosto de Taeyeon e analisar o que se passava com ela. Mas só consegui prestar atenção em como ela estava bonita e em como eu tinha vontade de beija-la.

Ouvi duas vozes conhecidas conversando energeticamente mais à frente, porém não me importei com os recém chegados, apenas continuei encarando Taeyeon e pensando se valia a pena deixar-me levar por essa vontade outra vez.

Mas então as vozes foram ficando mais próximas e eu tive certeza que as conhecia. Afastei nossos rostos em uma distância segura e voltei minha atenção para o resto da sorveteria, encontrando facilmente as pessoas que eu menos queria que tivessem presenciado esse momento, elas pararam bem ao lado da nossa mesa ao nos reconhecer.

—Unnies... Hmm... Nós... — Era a Seohyun, a coitada se encontrava completamente vermelha e com uma carinha de culpa, ela achou mesmo que estava atrapalhando algo?

Yoona a acompanhava e eu pude perceber que ela estava segurando-se para não rir, até mesmo escondeu-se atrás da Seo , como se daquela forma ela não pudesse ser notada.

—O-oi... — Falei sem graça, me afastando de Taeyeon e passando a brincar com a colher do meu sorvete para não ter de encara-las.

—Isso é um tipo de encontro ou o quê? — Ouvi a voz risonha da Yoona, logo que levantei meu olhar novamente ela estava se desvencilhando de um tapa da Seobaby, mas ainda assim não parava de sorrir.

—Não é da conta de ninguém. — O tom de repreensão na voz de Taeyeon surpreendeu até mesmo a mim, pela primeira vez ela não parecia querer tirar proveito da situação para me provocar, pelo contrário, Taeyeon claramente queria evitar mais constrangimento. — Vamos embora, Tiffany?

Olhei assustada entre as três, seria uma boa sair dali e poupar o constrangimento, mas também poderia parecer falta de educação com as meninas, elas não fizeram nada de errado afinal.

—Sim, depois conversamos? — Olhei para Yoona e Seo, com aquele ar de "está tudo bem", e elas concordaram.

Taeyeon levantou-se sem demora e esperou por mim, fiz o mesmo que ela e passei pelas meninas sorrindo sem graça.

"Que vergonha."

(…)

—Você pareceu ter ficado irritada aquela hora... — Comentei baixinho, quando vi que já estávamos na porta da minha casa.

Taeyeon olhou em volta um pouco, era difícil entender o que se passava em sua cabeça.

—Já está escurecendo... — Mudou de assunto sem se importar. — É melhor você entrar logo, nunca se sabe o que pode acontecer à noite.

Aquilo foi estranho e não fez sentido, mas suas palavras trouxeram-me uma sensação desconfortável e o clima pareceu ficar mais denso.

—Tudo bem... — Respondi incerta, ela sorriu de lado e continuou encarando-me, passou-se alguns segundos e eu percebi que Taeyeon estava apenas esperando-me entrar.

-Boa noite. — Falei, quando já estava de costas pra ela e abria a porta da minha casa.

—Boa noite. — A ouvi responder, segundos antes de eu entrar e fechar a porta atrás de mim.

Tomei um susto quando vi que minha mãe já estava em casa, mesmo sendo tão cedo. Ela estava sentada no sofá e parecia não se importar com a minha presença, cheguei mais perto e vi que ela estava concentrada como nunca na TV à sua frente, nem mesmo olhou em minha direção, sua expressão era vazia.

Observei a reportagem que passava na TV, um homem havia acabado de ser encontrado morto em sua casa, primeiramente não entendi o porquê do choque da minha mãe, mas então ela respondeu à minha dúvida silenciosa.

—Esse era o meu chefe... — Murmurou baixo.

Olhei para a TV novamente, e meu coração parou por uma quantidade incerta de tempo quando vi do que se tratava o crime, aquele homem havia sido morto com um corte certeiro na jugular. O depoimento de um dos polícias que investigava o caso foi o mais curioso.

"—Havia muitos sinais de luta corporal, principalmente nas palmas das mãos, que apresentavam cortes profundos, indicando que a vítima conseguiu segurar a arma do crime para se defender em algum momento. Mas até agora não há nenhum suspeito"

Depois a repórter voltou a falar, com aquela típica monotomia em sua voz.

"—Há anos Seogwipo não vê um crime tão brutal, a cidade está em estado de alerta, e a polícia local conduz investigações intensivas."

A reportagem continuou, e quanto mais eu ouvia os detalhes, mais estremecia por dentro com as ligações absurdas que eu fazia quanto aos fatos.

De repente minha mãe voltou a falar.

—Em pensar que ontem de manhã ele discutiu com o departamento inteiro em um acesso de raiva, nós com certeza seremos os primeiros a prestar depoimento... — Suspirou por fim.

—"Nós"? — Perguntei, saindo do meu transe por alguns segundos.

—Sim, ele já estava sob denúncia de abuso e assédio, mas nada acontecia por causa do poder aquisitivo de sua família, acredito que ele tenha cutivado mais inimigos do que amigos nessa cidade, então qualquer um pode prestar depoimento agora.



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