História Tales - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Bts, One-shot, Revelaçao, Suspense
Exibições 22
Palavras 4.796
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Voltei!! Gente, olha que emoção... depois de muito tempo eu voltei aqui XD. Eu queria agradecer a todos que tiveram paciência por esperar tanto tempo por finalmente um capítulo novo sair, e por aqueles que favoritaram recentemente e escreveram aqueles comentários lindos - e engraçados - para mim!

Mil obrigadas!

Sério shushus, obrigada mesmo. Esse demorou mais, mas eu explico nas Notas Finais o porquê... por enquanto eu só quero que vocês aproveitem o capítulo <3

Sem mais interrupções, vão ler ^^

Capítulo 3 - ...there were seven boys...


“Não pense que, só porque é uma boneca, não pode amar. ”

 

♡ ♡ ♡

 

— Omma... sério que não podemos contratar uma babá?

— Não, Jihee. Por que toda essa má vontade de levar seus primos para lá? É tão pertinho de casa...

Jihee bufou. Levar seus primos à creche realmente não estava em seus planos do dia.

Taehyung e Yohanna acabaram de chegar de viajem. Moravam perto da ilha Jeju, e agora que vieram à cidade grande, gostariam de conhece-la, só que junto com a sua “prima querida”.

Mas acontece que, para fazerem uma surpresa, os tios de Jihee os trouxeram uma semana antes de suas férias, numa época em que ela ainda estava tendo aula. A solução simples para que os garotinhos de 6 anos não fiquem sozinhos o dia todo? Uma creche.

Jihee não gostava de demorar para ir à escola, principalmente nesta última semana de aula. Ficar com seus amigos era imprescindível, até ficar presa – praticamente acorrentada – com seus primos barulhentos, e qualquer que a faça desviar do caminho de sua casa para a escola era um problema.

— Vamos, noona... quanto mais rápido formos, mais rápido a gente começa a brincar! — Taehyung disse, já impaciente com a demora.

“É, quanto mais rápido formos, mais rápido eu me livro de vocês. ”

E com esse pensamento, Jihee suspirou, cruzou os braços e virou o rosto para a direção oposta das crianças, ou melhor, dos seus problemas. Não queria leva-los e ponto.

— Noona! — Em vez de apenas puxar sua camisa, agora Taehyung já está com suas bochechas gordinhas em tons avermelhados de tanto gritar, e pulando pelo tapete da sala de estar com sua irmã rindo ao seu lado.

“Se não aceitar agora, vou ter que conviver com os gritos desse menino à semana toda...”

— Yohanna, acalma o seu irmão? Se no caminho da creche ele continuar elétrico desse jeito, eu mudo de ideia na hora, e a gente volta para casa.

— Oba! Vamos brincar na creche, unnie? — Encarou a menina e viu seus olhinhos esperançosos brilharem com a possibilidade de a prima mudar de ideia.

Tinha que ceder.

— Talvez, Yohanna... se vocês se comportarem e não se desentenderem com as outras crianças, poderão brincar à vontade lá.

Jihee nem conseguiu terminar a frase com seus primos quietos, a palavra “brincar” os deixaram tão animados que agora pulavam e gritavam de alegria e excitação.

“Tsc... crianças...”

— Omma, estou saindo. Voltamos daqui a algumas horas, está bem? — Perguntou a menina, sem estar realmente interessada na resposta. Apenas abriu a porta de casa com as duas crianças acompanhando-a.

Durante todo o percurso, Jihee foi obrigada a ouvir seus primos conversarem – num tom escandalosamente alto – sobre como eles achavam que seria a creche, pensando que ela deveria ser um palácio mágico, cheio de brinquedos coloridos e comidas açucaradas.

“Lá só é um lugar cheio de crianças rabugentas e birrentas que só sabem gritar... deve ser um inferno ali dentro. “

Não tardou muito para que os três chegassem na casa colorida e enfeitada com tudo que toda criança gosta: doces, cores e brinquedos.

Yohanna e Taehyung fizeram um “oh” ao mesmo tempo. Jihee riu ao perceber isso, ela não conhecia muitos gêmeos (apenas dois ruivinhos bonitinhos de sua escola), mas os que conhecia eram o total oposto um do outro. Achou muito engraçado o fato dos primos – mesmo sendo de sexos diferentes – serem exatamente iguais em tudo que faziam e/ou pensavam.

Abriram a porta a porta de vidro do lugar e logo foram atendidos por um rapaz alto, (bastante) bonito e com os fios coloridos num tom parecido com rosa.

Jihee parou um instante. Ficou um tanto quanto hipnotizada com o garoto. O viu gesticular algo com os lábios, rosados e aveludados, cheios e quentinh-

— E então?

— Ah... d-desculpe...?

Estava tão ocupada analisando o jovem, que nem notou quando o mesmo começou a lhe dirigir a palavra.

O atendente sorriu, dando uma leve risada sobre a situação que se encontrava.

— Estava perguntando o nome dos meninos...

— A-ah tá... hum, ele é o Taehyung... — Jihee começou a apresentação das crianças, apertando as bochechas gordinhas do primo e a acariciar a cabeça da prima ­— ... e essa aqui é a Yohanna.

Quando a garota terminou de falar, o de cabelos rosados sorriu para os meninos, que ainda estavam um pouco envergonhados por ter que socializar com um adulto estranho.

Sim, um adulto. O rapaz tinha, no mínimo uns quatro anos a mais que Jihee. Mesmo que os dois quisessem, não podiam ter nada, ela – infelizmente – ainda era menor de idade, e aquilo ainda era ilegal, proibido e mal visto pelos outros.

Jihee suspirou, derrotada. Quando finalmente avista um garoto que aparenta ser interessante, uma coisa tão fútil e insignificante como anos de vida consegue atrapalhar seus planos.

Reprendeu-se mentalmente por este pensamento. Planos? Nem sabia o nome do jovem e já queria ter algo com ele. Expulsou essas ideias de sua cabeça e voltou a sua atenção aos seus primos, que eram a real importância da situação.

Esperava vê-los ainda envergonhados, mas a timidez deles foi pelos ares quando o mais velho perguntou o que eles gostariam de brincar.

— Boneca! Boneca! Tem bonecas aqui?

O rosto do rosado se iluminou com a pergunta da garotinha à sua frente.

— Ah, temos um monte de bonecas aqui. Tem uma igualzinha a você ­— Começou a frase tocando num dos cachos de uma das marias-chiquinhas que YoHanna usava ­— Cheia de cachinhos dourados...

— Nha... não quero brincar de boneca! Quero uma bola! Quero jogar!

— Ei, garotão... temos uma bola para você também! — Acrescentou, dessa vez se dirigindo ao garotinho loiro com um bico se formando pela hipótese de ter que brincar com uma boneca — Estão vendo aquela porta de vidro ali? — Apontou para uma área com um portão repleto por adesivos infantis, com cores diversas e personagens bastante conhecidos pelas crianças — É lá onde os brinquedos ficam... por que não vão lá começar a se divertir enquanto eu converso um pouco com sua...

— Prima — Completou Jihee, com um sorriso enorme no rosto. A conversa que acabou de presenciar entre o “jovem encantador” com os seus “primos birrentos” a fez esquecer completamente do que pensava a segundos atrás.

O atendente sorriu, apontou o portão de novo e esperou que os meninos fossem, o que não demorou muito, já que estavam bastante animados com o lugar novo.

Jihee olhou em volta e lembrou da conversa que teve que escutar de seus primos, sobre imaginarem o lugar como um castelo cheio de fantasias e brincadeiras para eles se divertirem. Os garotos não estavam tão errados assim, no fim das contas.

Estava tudo delicadamente organizado, com móveis vulneráveis e frágeis. A primeira área daquele local com certeza não foi feita para que as crianças ficassem ali, possuíam diversos objetos de decoração frágeis e polidos, porém não ao ponto de chegarem a ser caretas, já que ainda precisava ser convidativo para que os pequenos tivessem vontade de entrar e conhecer.

Era praticamente perfeito.

— Você é Baek Jihee?

Mas, de novo, seus pensamentos foram interrompidos por uma voz rouca, grossa e suave.

— A-ah, sim, sou sim...

— Sua omma veio aqui. Ela já organizou toda a inscrição dos seus primos, não há nada com que se preocupar... eles estão bem aqui. Você pode passar para pegá-los na hora do almoço?

— Cl-Claro...

O rapaz sorriu, mais uma vez, acabou com a sanidade de Jihee apenas com um de seus sorrisos arrebatadores, fazendo a Baek sorrir como uma boba também.

— Você...

“...quer sair um dia desses? Me pergunta isso, me pergunta isso! ”

­— ...não tem aula agora?

“Droga! A escola! ”

— Oh, não... eu esqueci completamente!! M-Me desculpe, mas eu tenho que ir, não posso chegar tarde...!

Jihee deu a volta correndo e saiu andando o mais rápido possível sem parecer uma maluca até o portão de saída da casa infantil, quando lembrou de uma coisa superimportante que deveria fazer antes de ir.

— Ei...

O atendente olhou para ela, com os olhos sugestivos pedindo para que continuasse a falar.

— Poderia me dizer seu nome?

Reuniu toda a coragem que tinha para conseguir fazer a pergunta. Mesmo sendo besta, Jihee sentiu como se estivesse chamando-o para sair.

Só não queria que o jovem a achasse intrometida demais. A menina pensava que ele iria fechar a cara, ignorá-la ou até, na pior das hipóteses, dizer-lhe que não é da sua conta e manda-la logo embora, mas sua reação foi maravilhosamente diferente: um sorriso doce e convidativo, fazendo-a se sentir mais confortável, como se recebesse a permissão de fazer quantas perguntas quisesse.

E foi com esse sorriso que o rapaz respondeu:

— Kim Seokjin.

 

❣❣❣

 

Faltando ainda duas horas para que as crianças tenham que voltar para casa, JiHee já estava super ansiosa para voltar para a creche.

Ela própria parecia uma criancinha com a animação em que se encontrava.

Estava impaciente na carteira da sala de aula, nem prestava mais atenção no que os seus professores diziam. Se remexia na cadeira e olhava no relógio para saber que horas eram, e sempre que os ponteiros continuavam na mesma posição, se irritava fazendo um bico infantil, como se tivessem lhe negado um doce.

“E que doce... ”

Jihee queria sair da sala e ir ao banheiro se olhar pelo espelho, queria ver se realmente aparentava ser tão criança ao ponto de Seokjin nem a dar atenção do jeito que almejara. Será que tinha um rosto tão jovial assim?

Mas, infelizmente, tinha chegado tarde, e a sua sorte foi que o professor que estava dando aula no momento em que ela apareceu, aparentava ter simpatia com ela, pois se não, ficaria de castigo no canto por ter vindo depois do início da aula e atrapalhar sua fala, sobre alguma coisa desinteressante que Jihee não queria saber.

O que ela mais queria era ir correndo se arrumar. Sentia-se com o rosto inchado por correr tão rápido da creche de seus primos até a escola, e não queria voltar para lá com a cara acabada.

Suas amigas perguntaram o que tinha acontecido para chegar tão tarde, mas JiHee não respondeu. Não quis contar sobre o rapaz que trabalhava na creche em que os primos frequentavam. Era um segredo dela, dela.

Ficava mais divertido com o fato de só ela saber o quanto o funcionário da creche é bonito, o quanto ela quer voltar lá e o quanto isso tudo é errado.

Para matar o tempo, Jihee escrevia em seu caderno “Kim Seokjin” diversas vezes para não se esquecer do nome do mais velho, mesmo achando impossível isso acontecer, pelas milhões de vezes que pronunciara baixinho, fantasiando e criando histórias dos dois juntos.

Quando finalmente a aula acabou, Jihee já tinha completado sete páginas completas com o nome do rosado.

— Ei, Jihee... vem almoçar com a gente?

— Não... obrigada pelo convite, Eun Gi. Vou buscar meus primos na creche — Respondeu à amiga, praticamente pulando de excitação. Seu sorriso era tão grande que parecia forçado, mas era o que sentia. Estava alegre demais para quem, a poucos dias atrás, dizia que seus primos eram uma pedra em seu sapato e agora corre animada para busca-los.

— M-mas pensei que não gostava deles...

— E não gosto. Gosto de outra coisa.

Com essa frase, Jihee deixou a amiga só, com o semblante curioso para saber o que aconteceu. Observou-a correr até o banheiro mais próximo e riu, já imaginando o que ela iria fazer.

A Baek se encarou no espelho por muito tempo. Quis analisar-se e saber o que poderia melhorar e o que realmente não tinha jeito em seu rosto. Jihee possuía uma beleza impressionante, destacava-se de qualquer asiático pelo tom moreno de sua pele. Seus cabelos lisos tinham um tom parecidos com ébano de tão negros que eram e seus olhos tinham um traço delicado, porém atrevidos ao mesmo tempo.

“O que tem de errado comigo? Por que ele não mostrou interesse?

Pensou e pensou o que poderia ter feito para que o rosado não a olhasse, e então começou a pensar se foi algo que ela deixou de fazer para conseguir prender-lhe a atenção.

Ele trabalha com crianças, oras... no mínimo gosta de coisas infantis e fofinhas, e não sérias e sensuais.

Jihee abriu a mochila com rapidez e tirou de lá dois prendedores de cabelo, com eles, fez uma maria-chiquinha baixa. Tinha que parecer uma garotinha, assim chamaria a atenção do Kim mais rápido.

Passou uma camada de pó no rosto e saiu às pressas em direção aos armários. Colocou sua senha e abriu o mesmo, retirando de lá um suéter rosa com listras brancas. Vestiu-o e, pela primeira vez, saiu da escola feliz.

 

❣❣❣

 

— Noona! Você chegou muito rápido!!  A gente queria brincar mais!

— É, unnie! Amanhã, chega mais tarde!

Os gêmeos estavam irritados em ver a prima. Claro, ela chegou na melhor hora da brincadeira, e todos sabem que esta é a pior parte para interromper alguma coisa com crianças.

Taehyung e Yohanna olhavam para Jihee com desgosto. Estavam se divertindo tanto na creche que não queriam sair, se pudesse, morariam lá para sempre!

Suas bochechas gordinhas ajudavam a boca de Taehyung a fazer um bico enorme, virando o rosto para a direção oposta em que Jihee estava. Seu ar irritado fez Seokjin rir, adorava ver crianças, ainda mais quando ficam desse jeito por não quererem sair de sua creche.

— Ei, não fique assim... amanhã vocês voltam. Agradeçam ao senhor Kim por ser tão gentil com vocês, aposto que vocês foram umas pestes para ele!

— Acredite, eles foram uns anjinhos ­— Seokjin afirmava, com um olhar brincalhão para Taehyung, quando se virou para a Yohanna, pareceu lembrar-se de alguma coisa — Ei, princesinha... sua boneca estará aqui, esperando você voltar, ok?

— Promete não deixar ninguém brincar com ela até que eu volte, oppa?

— Prometo, princesinha — O pedido da criança fez com que o Seokjin abrisse um de seus maiores sorrisos. Toda a manhã, ele e a garotinha brincaram com suas bonecas, indo às compras até tomando chá. Seokjin se afeiçoou a Yohanna, e queria brincar com ela tanto quanto ela queria com ele.

— E não deixe ela arranjar nenhum namorado por aí!

— Hahahaha! O que é isso, Yohanna? — Perguntou Taehyung. Não aceitava chamar sua irmã de noona, mesmo ela nascendo primeiro — Bonecas não podem namorar! Elas não tem sentimentos!

— Ei, Tae... não diga isso... — Seokjin disse, com um sorriso calmo nos lábios — Não pense que, só porque é uma boneca, não pode amar!

— Bom... vamos? — Jihee interrompeu a conversa. Queria parar com aquele assunto estranho e detestava ser excluída das coisas — Eu aposto que a omma fez uma comida deliciosa para a gente comer! — Jihee disse, tentando parecer o mais gentil possível na frente do mais velho.

— A gente já comeu, noona. O Seokjin hyung deu comida para gente!

Jihee direcionou seu olhar ao rosado, que apenas levantou os ombros e abaixou a cabeça como num pedido de desculpas.

Ele parecia envergonhado. Suas bochechas cheinhas tomaram um tom avermelhado para si, e começou a olhar para baixo, como se procurasse uma saída para aquela situação.

— B-Bom... eles estavam c-com fome e-e tínhamos um l-lanche aqui, en-então...

Jihee teve vontade de ir lá e abraçar o mais velho por tanta coisa fofa que fazia sem ao menos perceber. Sua forma de se desculpar fora tão doce que nem passou pela cabeça da garota ficar brava com a situação.

Seokjin parecia uma criança tentando se desculpar por ter quebrado alguma coisa cara.

— Hahahaha! Não precisa se explicar! Foi até bom que eles tenham comido aqui... essas crianças ficam umas pestes quando estão com fome! Obrigada por cuidar deles tão bem, senhor Kim.

— N-não precisa dessa formalidade toda — Seokjin corou ao ver a menina à sua frente sorrindo, com os olhinhos pequeninhos quase fechados. Notou finalmente, que ela estava com os cabelos presos numa maria-chiquinha, e não soltos como antes, viu também que estava usando um suéter rosa, deixando-a com um ar mais infantil e feminino ­— Pode me chamar como quiser.

“Sério?! ”

— Então tá... oppa!

E então, Jihee saiu o mais rápido que podia do lugar junto com seus primos, sem deixar que o mais velho tenha tempo de ter alguma reação. Não queria esperar para ver o que ele achou de sua atitude de mal conhece-lo e já chama-lo de um jeito tão informal assim.

Ela podia virar e ver um rosto iluminado e feliz do rosado, e isso a encheria de alegria e satisfação, mas também podia virar, e ver um rosto com desgosto, e a menina não suportaria ver algo assim. A quebraria por inteiro, e não teria mais coragem de voltar à casa infantil de novo.

Jihee não sabe, mas depois de sair, um lindo e doce sorriso se abriu no rosto de Seokjin.

 

❣❣❣

 

Durante o resto da semana, Jihee levava os primos para a creche antes da aula e os pegava na hora do almoço. Todo os dias, a morena arranjava formas para se aproximar do mais velho, até chegarem num nível de intimidade bem parecido com o de “amigos”.

Mas Jihee não estava satisfeita, estava claro como água que ela não queria uma simples amizade com o rapaz, e ver chegar o último dia que iriam se encontrar acabava com suas vontades.

Ela precisava sair com ele. Precisava seduzi-lo e ficar com ele, afinal, não ficou fazendo-se de menininha doce e gentil à toa.

Sexta-feira chegou, o último dia da semana. A partir dali ela não encontraria mais Seokjin, então aquela era a sua última chance de conseguir algo.

E não estava em seus planos terminar aquele ciclo sem provar daqueles lábios carnudos ao menos uma vez.

Se arrumou do melhor jeito que podia conhecendo os gostos do rosado. Sua tiara azul deixou sua franja cobrir toda a extensão de sua testa, alinhada à perfeição. Usou a saia do fardamento colegial marcando a cintura, mas não de um jeito provocante mostrando as pernas, Jihee fez com que ficasse feminina e infantil, mas sem se esconder.

Sua amiga Eun Gi a estava ajudando a se vestir, já que dormira na casa da amiga na noite anterior. Jihee contou tudo, afim de conseguir ajuda no último dia que tinha, era a sua última chance, e não queria desperdiça-la.

Finalmente pronta, se despediu da amiga que ia em direção à escola – era o último dia, e diferente de Jihee, Eun Gi queria aproveitar a sala de aula o máximo possível – e foi com o seu típico sorriso com seus primos à casa infantil de Seokjin.

— Oi, garotos... prontos para o último dia de vocês? — Perguntou Seokjin, agachado na frente das crianças como de costume, mas dessa vez com um olhar triste. É fato que todas as crianças que passam por lá tem um espaço guardado em seu coração, mas esses meninos marcaram mais. Talvez seja por conta do modo extremamente fofo que Taehyung reclama das coisas, ou a alegria nos olhos de Yohanna toda vez que brinca com sua boneca preferida... nem ele não sabe ao certo.

— Oppa! — Yohanna foi correndo em sua direção. Guardou um carinho enorme pelo rapaz, e não queria separar-se dele tão rápido assim. Em Jeju onde mora, não tem nenhum oppa como Seokjin, e ficar sem brincar com ele fará uma falta enorme para a menina.

Jihee observa sua prima com os olhinhos já lacrimejando abraçando o de madeixas rosas e sentiu uma pontada de ciúmes. Ela não podia simplesmente correr e abraçar Seokjin, não seria visto de uma maneira pura como a cena dele abraçando uma criança.

“Por que eu não sou maior de idade ainda?! ”

Neste pensamento, passou a olhar seu primo que até agora não tinha se manifestado com nada. Estranhou, já que ele normalmente é o mais barulhento da família.

Só não esperava vê-lo chorando.

Lágrimas silenciosas desciam pelo rosto do garotinho, e como uma prima que se importa, foi ver o que estava acontecendo.

“Talvez assim ele me veja como uma pessoa atenciosa... ”

Por ela, deixava o menino chorando no canto sem nem se importar com o que se passava na cabeça do garoto, mas nesse caso, Kim Seokjin estava a observando, então tinha que ser a mais gentil pessoa que existe.

— Ei, fofinho... o que foi?

— Sai, noona! Não faça como se realmente se importasse!

“Garoto ingrato! ”

Jihee ficou boquiaberta com o que Taehyung disse. Se se aproximasse mais, é provável que disse como realmente o trata em casa, então resolveu apenas se fingir de inocente da situação colocar a culpa com o sentimento frágil que Taehyung estava tendo.

— Ah... deve ser a saudade — Disse Jihee à Seokjin que ainda abraçava a menor — Taehyung é muito orgulhoso, não gosta que o vejam chorando...

Seokjin fez uma expressão como se tivesse entendido. Limpou as lágrimas da garotinha que se encontrava no seu colo, deu um beijinho na testa de seu irmão e pediu para que eles o esperassem dentro da área de brinquedos.

— E então?

O mais velho agora olhava a Baek com as mãos nos bolsos em sua calça de linho.

— “E então” o quê?

— Eu sei que você quer falar algo para mim. Normalmente sai o mais rápido possível para não perder a primeira aula igual a aquela vez... — Explicou, dando-lhe mais um de seus sorrisos gentis.

— Ah... é. Eu queria perguntar se.... hoje na hora do almoço... você não queria vir comigo...

Jihee sentia seu rosto queimar em constrangimento e vergonha por fazer este tipo de pergunta ao mais velho, mas por sua sorte, o tom de sua pele faz parecer que o rubro de suas bochechas era apenas maquiagem.

Seokjin por sua vez, arqueou as sobrancelhas. Sua surpresa pela pergunta vinda da garota não foi omitida.

— O quê? Você... está me convidando para sair?

— Ah, b-bom... — O rosto da Baek ficava cada vez mais vermelho, mas ela estava mais nervosa com o que acontecia do que com sua aparência — Não estou pedindo um “encontro”... seria eu, você e os meninos! Eles gostam bastante de você...

“Burra, burra, burra! ”

Ao invés de conseguir um almoço a sós com o rosado, conseguiu ficar de babá para os primos enquanto brincam com a pessoa que realmente importa.

“Parabéns, Jihee! ”

— E você não gosta?

De início, a menina arregalou os olhos pela pergunta do rapaz, mas depois viu seu sorriso debochado, e logo depois começou a rir.

Oppa! Não brinque assim... aceite meu convite, por favor...

— Ah, Jihee... eu adoraria, mas eu trabalho o dia todo... a creche não fecha no almoço e nem depois dele... mas diga aos meninos que eu estou mandando um beijo enorme para eles quando forem embora, ok?

Derrota.

— Claro...

— Muito bem... vá para aula, você vai se atrasar...

Seokjin se despediu da morena com um beijinho na testa, deu as costas e entrou na área infantil da casa, deixando-a sozinha, triste e irritada.

 

❣❣❣

 

Em vez de ir à escola, Jihee voltou para casa, aproveitando que a mãe iria trabalhar o dia todo. Não a interessava se era o último dia de aula, não estava nem um pouco afim de encontrar com ninguém. Era capaz de dar um tapa na cara da primeira pessoa que aparecer em sua frente.

Foi para o seu quarto e encarou o espelho, atrás de alguma imperfeição de seu rosto. Ela estava sim feminina, delicada e infantil, então por que ele a rejeitou?

“Eu sou linda! O que mais ele quer?! ”

Começou a chorar escandalosamente. Estava com muita raiva de Seokjin, que a rejeitou; da mãe, que a teve tarde demais, deixando-a muito nova agora; e dos primos, porque se não fossem por eles, ela não estaria passando por nada disso a princípio.

Começou a pegar objetos de sua cômoda e jogar no espelho, fazendo-o quebrar. Saiu destruindo todo o quarto por conta da ira que sentia. Jogava tudo no chão, rasgava suas roupas e quebrava tudo ligado à sua beleza.

Se sentia suja por ter que mudar tanto por um cara que não a conseguia enxergar.

Ainda chorando, ajoelhou-se no canto do quarto, contemplando toda a destruição que fez. Adormeceu poucos minutos depois, ainda remoendo aquela fúria que sentia dentro de sua cabeça.

Acordou com seu alarme no celular avisando que já era hora de buscar as crianças, e, ainda com raiva, levantou-se e foi se arrumar para ter que ver a última pessoa do planeta que merecia uma palavra sua.

Antes que realmente se arrependesse, foi até o armário, pegou uma roupa que ainda não estava destruída e a vestiu, trocando-a pelo uniforme escolar que ainda usava. Retocou toda a maquiagem borrada no rosto e saiu de casa, como se nada tivesse acontecido.

Chegando na creche, Jihee puxou os gêmeos pelo braço, sem se importar com qualquer choradeira vinda da parte deles, não tinha paciência para cuidar de crianças.

— M-mas unnie... deixa a gente falar com o Seokjin oppa!

— E-eu quero falar com o hyung, noona!

— Calem a boca! Vocês tiveram tempo suficiente de dar tchau para ele! Se não o fizeram, o problema não é meu.

E com choros e mais choros, os garotos foram levados para casa pela “prima querida”.

Depois de coloca-los no quarto deles, Jihee avisou-os que iria sair. Precisava respirar um pouco e tentar esquecer tudo o que aconteceu.

Saiu andando sem rumo pelas ruas da cidade, sem notar que ia na direção da creche. Quando ia dar meia volta, ouviu vozes e viu Seokjin conversando com um homem com cabelos descoloridos.

Se escondeu atrás de uma casa qualquer para ver mais o que acontecia ali. O loiro entregava uma caixa enorme ao rosado, que por sua vez dava enumeras reverências de agradecimento pela encomenda recebida. Deram um abraço e foi cada um para seu lado.

“O que é aquilo? ”

Jihee saiu atrás de Seokjin seguindo-o até dentro da creche, vazia. Pelo visto, fechava sim depois do almoço.

“Mentiroso desgraçado... o que era mais importante do que sair comigo?! ”

Continuou seguindo o rapaz e pela primeira vez entrou mais além do que apenas a recepção do lugar. Subiram as escadas e pararam no segundo lugar da casa, onde tinham milhares e milhares de bonecas.

Podiam-se encontrar qualquer tipo de boneca de plástico. Cada boneca tinha traços únicos, asiáticas à africanas. Jihee ficou boquiaberta ao descobrir a vasta coleção que Seokjin tinha, principalmente por ele nunca ter mencionado nada sobre seu amor por bonecas.

Mais ao fundo da sala, era possível ver manequins e estátuas, todos enfileirados e com marcas nos rostos.

Marcas em formato de lábios.

Jihee esperou para ver o que era a caixa grande que Seokjin carregava em cima dos ombros. Aparentava ser leve, já que o rosado não teve dificuldade nenhuma em carrega-la durante os degraus da escada, e quando ele a deixava no chão, era possível ver que o que tinha dentro da caixa de papelão era do mesmo tamanho que a Baek.

Quando Seokjin finalmente abriu a caixa, Jihee teve que se segurar para não gritar, pondo uma de suas mãos tapando sua boca.

Era uma boneca idêntica a ela no primeiro dia que se viram, quando foi buscar as crianças depois do almoço, já que a boneca estava com o mesmo suéter rosa e com as marias-chiquinhas.

Logo que jogou a caixa num canto, Seokjin fechou os olhos e deu um beijo nos lábios da boneca. Acariciou um pouco os seus cabelos e depois a guardou na mesma fila em que as manequins e as estátuas ficavam.

“Não acredito... ”

— Você... eu não acredito nisso!

Jihee saiu de trás da parede que se escondia e parou-se na frente do rapaz, com ódio e repulsa no olhar.

— O que... o que faz aqui?! — Seokjin estava em choque. Se alguém descobrisse seu “segredo”, era capaz de toda sua creche fechar, fazendo um fim em tudo o que amava fazer, e o pior era que Jihee sabia muito bem disso.

— Que nojo! — Jihee praticamente cuspia essas palavras na cara do mais velho. Queria que ele sentisse o mesmo que ela sentiu. Queria que ele fosse “maltratado” como ela foi — Você não faz ideia o quão enjoada eu estou por ver essa cena... é por isso que não quis aceitar meu convite?!

— Jihee...

— Cala a boca! Sabe o que eu vou fazer? Eu vou ligar para a polícia! Acha que alguém quer que um louco com uma tara por bonecas cuide de seus filhos?! Acha que uma pessoa louca como você pode cuidar de crianças?!

— Jihee... está entendendo errado... deixe-me explicar...

— Fique longe de mim! — Seokjin tentara chegar perto para tirar o telefone que já se encontrava nas mãos da menina — O que é, Seokjin? Achava mesmo que ficaria vivendo neste seu castelo por muito tempo?! — Perguntou ao rapaz já com o celular no ouvido, esperando que atendessem no outro lado para poder fazer sua denúncia — Acorda... a vida não é um conto de fadas.


Notas Finais


HEHEHEHEHE @Yuuki-ssi bb, eu te adoro mesmo, ok?

Enfim, vamos lá! Eu demorei para postar este capítulo, fato. Mas é a primeira vez que a desculpa NÃO vai ser o meu problema do computador, já que mesmo com ele, eu conseguia postar estes capítulos pelo iPad, então...

Eu já tinha o início deste capítulo pronto no meu caderno da escola (sim, escrevia no meio da aula), e depois que acabou as minhas aulas, eu não tive um motivo para pegar no meu caderno de novo, então deixei ele na mochila até uns três dias atrás, quando me lembrei que o capítulo já tava um pouco pronto e que eu tinha que terminar de escrever.

Mas também, no último dia de aula, foi minha despedida à @Yuuki-ssi (a pessoa divosa que esse capítulo está sendo dedicado), e eu não estava nem um pouco animada em escrever algo em que eu comecei com ela junto de mim e vou terminar com ela já longe (me refiro ao primeiro e ao último capítulo desta fanfic), então...

Enfim, muitas desculpas. Eu sinto muito demorar. Prometo tentar escrever e postar mais rápido. O próximo capítulo será de Taehyung, e vocês já tomaram uns leves spoilers de como vai ser (hahahaha). Acho que poucos perceberam, mas tomaram levíssimos spoilers do Namjoon também.

Mas, eu quero deixar claro que o capítulo 4 só será postado depois que eu termine de reescrever o capítulo 2 e ajeitar umas coisinhas (muito importantes na história por sinal) no capítulo 1, então... vai demorar um pouquinho, mas juro tentar ser o mais rápida possível!

Tchau, shushus! E quem quiser comentar, fique à vontade, responderei todos como sempre ^-^


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