História Talvez Não Tenha Um Final Feliz - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Exibições 3
Palavras 2.151
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Introdução - Love is a losing game.


Uma aglomeração no meio do escritório acabou tirando minha atenção dos documentos não-oficiais e
provavelmente ilegais que eu estava lendo. Richard e Lana estavam no meio e todos olhavam emocionados. Revirei os olhos quando percebi o que estava acontecendo.

A história era a seguinte: Lana, uma das melhores colunistas da pocilga que eu chamo de jornal Daily, havia aceitado um emprego em outro país, mas ela também tinha acabado de se entender com Richard, depois de muitos anos de atração, amizade colorida e negação de ambas as partes. Agora, Richard estava ali no meio de todas as mesas do jornal, fazendo um discurso patético sobre como ele havia passado por situações mais patéticas ainda para chegar até ali, implorando para que ela ficasse no país pois ele a amava. Eu não sabia qual merda ele tinha feito, mas sabia que ele tinha feito alguma coisa e também sabia como isso ia terminar.
Depois de fazer um charminho, falando que eles nunca dariam certo e blá blá blá, ela ia pular nos seus braços, dariam um beijo apaixonado, todos bateriam palmas e eles terminariam juntos, casados e felizes para sempre. Ou pelo menos até o próximo mês.

Essa é a verdade de histórias de amor, nem sempre existe um felizes para sempre. Existe um “felizes até os primeiros seis meses”. No meio do caminho, aparece uma complicação e ponto, fim do “amor eterno”. Aí vem os dois meses de fossa e é aí o tempo de sua próxima história de amor começar. É claro que eu não quero generalizar, não quer dizer que o que eu falo é lei, eu apenas falo por experiências reais e pessoais. As pessoas tem tendência a achar que histórias de amor são para sempre, quando na verdade, toda pessoa vai ter pelo menos quatro ou cinco histórias de amor na vida, contando com as “não-românticas”.  

Dei uma risada quando vi Lana pular no colo de Richard, beijando-o e me juntei aos colegas do estágio nas palmas. Viu? Eu sabia que ia acabar assim. Eu estava familiarizada com grandes cenas de demonstração de afeto em público, eu estive presente em algumas delas. Não por que aconteciam comigo (nunca aconteceu), mas eu conhecia pessoas que tinham ótimas histórias de amor. Eu sempre fui a garota do lado, a amiga, a conhecida, e pasmem!, já fui até a vilã.

Por onde começar? Amanda. Amanda foi uma das minha melhores amigas na escola. Nós estudamos juntas desde o pré e Amanda costumava ser uma nerd bobinha, acho que eu fui sua única amiga por um bom tempo. Eu sempre tive empatia pelos fracos e oprimidos, afinal. Eu sempre gostei de estudar, mas não era classificada como nerd. Nos rótulos idiotas que nos eram dados na escola, eu nem era classificada. Eu sempre fui o tipo de garota que ninguém presta atenção. Se eu for na reunião da turma daqui a alguns anos, provavelmente não vão me deixar entrar por não lembrarem de mim. Talvez nem me convidem.  
Continuando… Apareceu Gaston, o garoto popular e boa pinta que todos da escola gostavam e queriam por perto. Ele jogava futebol, tocava violão, tinha um belo corpo e era simpático com todos, o típico sonho de toda adolescente. Um dia, eles foram obrigados a fazer um trabalho juntos e acabaram se conhecendo melhor. Amanda, óbvio, se apaixonou, mas Gaston, não via Amanda com esses olhos e ela, já apaixonada e querendo impressionar, me pediu ajuda para mudar o visual e seu jeito meio… Recluso e estranho de ser.
Eu não sou nem uma profissional de moda, eu sou bem adepta ao “confortável antes do agradável”, mas eu sabia que usar saia abaixo dos joelhos com tênis de corrida nunca foram uma boa opção. Mudança de atitude aqui, roupas melhores ali, bum! Gaston estava apaixonado. Ele percebeu que Amanda era mais que notas altas e um cabelo encharcado de creme. A nerd e o popular, eles formaram um bom casal, era um nojo de tão fofos. Eu acabei perdendo o contato com eles depois que nós concluímos o colegial, não sei o que aconteceu para o término deles.  

Bom, também houve Peter, meu primeiro namoradinho sério. Eu e Peter vivemos um grande amor, do tipo que eu cheguei a pensar que ele seria ‘o cara’, apesar de termos apenas 16 anos. Éramos um ótimo casal, todos tinham inveja de nós. Eu ainda lembro do dia em que aconteceu dele conhecer Ila. Eles se esbarraram no corredor da agência de viagens da mãe de Peter.
Bolsa, papéis, celulares voaram pelo ar e as chaves dele acabaram ficando nas coisas dela. Lembro dele me contando o acontecido, lembro do pequeno e passageiro aperto que senti no meu peito. Acabaram combinando de se encontrar para devolver as chaves e o acaso fez o seu trabalho, fazendo-os se encontrarem mais algumas vezes e bum! Adivinha só? Peter estava apaixonado. Até hoje eu não sei o que aconteceu entre eles dois nessa época, só sei que logo eu fiquei solteira.
Não aceitei bem e fui bem imatura em relação a isso, confesso. Mas como eu disse, eu só tinha 16 anos e nunca tinha gostado tanto de uma pessoa, tinha quase certeza que Peter era o meu “meant to be” e desde Amanda (que para mim teve um final feliz, mesmo que hoje ela namore um figurão do ramo farmacêutico), eu estava querendo mesmo ter a minha própria história de amor. Então comecei a fazer eles passarem por alguns... Probleminhas.
Eu fiz tudo que uma vilã de 16 anos de uma novelinha bem ruim pode fazer. Uma vez, beijei Peter quando sabia que Ila estava olhando. Fiz ela ver eu e P dormindo juntos, pra ela pensar que tinha rolado alguma coisa. (Breve parênteses se faz necessário, o plano não daria certo se P não me beijasse de volta. E ele beijou, então ponto pra mim.) Foi uma cena e tanto, típica de novela mexicana, eu de sutiã e calcinha na cama, Ila chorando e gritando e Peter, desesperado, tentando explicar que não era aquilo que ela estava pensando. Aconteceram várias coisas nesse meio tempo, mas no final de tudo, Peter fez uma puta serenata para Ila, com flashmob e tudo, mobilizando quase a cidade inteira. E eu lembro de ver tudo no canto, me sentindo um lixo.
Foi uma época estranha, ainda me questiono como fui capaz de fazer tudo isso, eu não estava pensando muito bem e sinto vergonha até hoje. Fiquei enciumada pelo fato de Peter e Ila terem uma história de amor bem legal para contar. E Peter foi o primeiro cara que eu gostei de verdade e eu não tinha muita facilidade em gostar de pessoas. Nessa mesma época, minha irmã entrou em um relacionamento com uma garota que ela costumava odiar e isso me deixou ainda mais chateada. Eu não entendia por que diabos todo mundo possuía uma história de amor ridiculamente clichê e bonita. Não que eu fosse o tipo de garota irrevogavelmente romântica, chegava até a ser o contrário, mas eu também não era contra um “amorzinho”. Eu tenho minhas próprias teorias sobre amor e suas histórias e acredito veemente nelas.

Porém, ainda não era o fim. Tive um segundo “namorado”, Tom. Quase namorado, porque nós só ficamos juntos, sem realmente ter comprometimento algum. Ele era um cara legal, mas eu não era como se eu fosse louca por ele. Ficamos por alguns meses, até uma garota loira se mudar para casa ao lado da dele. No início, ele reclamava muito dela e vice-versa, mas eles começaram a conversar, começaram a se ver com outros olhos e adivinha? Apaixonados, é claro!
Numa noite chuvosa e sem energia, Tom e a garota acabaram se beijando e dormiram juntos. Alguns dias depois, Tom me contou e disse que não podia mais sair comigo. Sem surpresas, sem mágoa nenhuma, eu sabia que ele estava gostando dela, eu percebi quando ele começou a falar dela de um jeito diferente. Atualmente, Tom e a garota moram juntos, tem um cachorro e um instagram de dar inveja em qualquer solitário.

Carol, uma grande amiga minha da faculdade. Carol e eu sempre fazíamos trabalhos juntas. Num dia qualquer, Bran - um cara lindo demais pra ser real - chamou Carol para sair. Ele era o cara perfeito com ela, um verdadeiro príncipe. Eu ficava com um amigo dele na época e nós quatro sempre saíamos juntos, até o dia que Carol descobriu junto com toda a universidade que Bran tinha feito uma aposta que ele conseguiria pegar a garota bonita demais pra ser tão quietinha, mas você já deve imaginar que a essa altura do campeonato, Bran já estava perdidamente apaixonado.
Ele e Carol enrolaram por um tempo, mas eu já sabia que isso ia acabar em algum discurso público e apaixonado.
Carol e Bran fazem três anos de namoro na semana que vem. Estou ajudando ela a organizar uma viagem romântica para o Caribe.
Você já assistiu Crazy, Stupid, Love? Sabe a cena em que a Emma Stone entra no bar procurando pelo Ryan Gosling? Ninguém nem percebe, mas antes de Emma roubar toda a atenção e beijar o cara, Gosling estava acompanhado de uma garota loira, ele estava jogando todo o charme Gosling que eu não sei da onde vem nela e vai embora com a Stone sem nem olhar para trás.
Na vida, eu sou aquela garota.
De fato, algo semelhante aconteceu comigo. Eu estava em um bar, conversando com um cara e antes de acontecer qualquer coisa entre nós, antes mesmo de ele me pagar uma segunda bebida, uma garota entrou e se declarou para ele em cima de uma mesa, da nossa mesa, ignorando-me completamente. Todos bateram palmas, alguns filmaram e eu tomei um dos maiores porres da minha vida. Não era possível, essa seria a minha sina? Terminar sozinha, sem uma história legal para contar?
Talvez seria.

H. Meu terceiro e último namorado. H foi diferente. Eu o conhecia a muito tempo e nós sempre fomos muito um pelo outro. Depois de alguns anos de pura teimosia minha, nós finalmente ficamos juntos. Foi o meu segundo e melhor namorado e até hoje acho que ele foi o grande amor da minha vida. Éramos muito parecidos e estar com ele sempre foi a melhor coisa do mundo para mim. Ninguém no mundo me conhecia como ele e nós éramos aquele casal que todo mundo deseja ser um dia.
Até que em um churrasco de aniversário, ele conheceu a prima de um amigo nosso. Ana era o completo oposto de mim, completamente diferente dele também. Sorria demais, elitista demais, o cabelo liso demais, dentes brancos demais.
É claro que eu, com meu manequim 44, só estou arrumando milhões de defeitos para aquela garota com a cintura fina demais e o nariz perfeito. Na verdade, ela era a coisinha mais fofa. Quando os vi juntos em uma praça da cidade, a nossa praça preferida, engatando em uma conversa cheia de olhares prolongados e sorrisinhos tímidos, eu já sentia o que iria nós acontecer. Fechei os olhos e pedi para alguma força superior que ele ainda fosse minha história de amor.
Não era.
Algumas semanas depois, H se tornou distante e quase um desconhecido. Quando ele pediu para conversar, chorei igual uma criança pois eu já sabia o que vinha a seguir. Conversamos no chão do meu quarto por horas. Ambos choramos muito, ele disse que sempre me amaria, mas não era mais apaixonado por mim e não se sentia mais confortável em manter um relacionamento comigo enquanto queria estar desesperadamente com outra pessoa. Eu não fiquei com raiva dele, eu realmente entendi o que ele estava sentindo e aceitei, mas isso não me impediu de passar a noite chorando no colo da minha mãe. Foi nesse dia em que eu aprendi que ás vezes, o amor não é o suficiente.

Já tinham se passado quatro anos desde meu término com H, quatro anos que eu não o via, mas até hoje, lembrar de H me doía muito. Todos nós temos aquela pessoa, que se falasse “volta”, você voltaria sem pensar duas vezes, certo? Ele era a minha. H sempre foi minha saudade mais doída e o maior amor que eu já senti por alguém que não era da minha família. Também foi o único cara para quem eu disse as três palavrinhas.

Desde então, minhas aventuras amorosas não passavam de algumas semanas. Ás vezes, apenas noites. Agora, a faculdade de jornalismo e o estágio em uma merda de jornal ocupam a maior parte do meu tempo. E nas horas vagas, eu passo enlouquecendo com minha melhor amiga, Dana. Entre toda a confusão que minha vida se tornava algumas vezes, entre todos os ‘vai e vens’, entre todos as pessoas e suas malditas histórias de amor, Dana (que eu chamava carinhosamente de Dizzle) foi a única que continuou ao meu lado.
Acho que Dizzle é a minha pessoa.


Notas Finais


Oi, se você chegou até aqui, obrigado.


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