História Taverna Raio de Sol - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 2.618
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Misticismo, Saga, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Sou novo aqui e essa será minha primeira história postada! Me inspirei em uma mesa de RPG em que eu jogava há uns 5 anos atrás, que era uma taverna e eu a adorava.

PS: A imagem do capítulo não é como a taverna realmente é, porém, é melhor do que deixar sem nada.

Capítulo 1 - Aprendiz


Fanfic / Fanfiction Taverna Raio de Sol - Capítulo 1 - Aprendiz

 Havia acabado de anoitecer quando a porta da taverna Raio de Sol se abriu fazendo tilintar o pequeno sino pendurado no alto. Por ela entrou uma garota magra e alta, de longos cabelos castanhos e lisos, usando um vestido curto preto, e botas de cano longo, feitas de couro.

 Seus olhos verdes correram de um lado para o outro observando o local. Era bem grande, haviam várias mesas quadradas de madeira escura. As paredes do interior eram enfeitadas por vários azulejos cinzentos de tamanhos e formatos distintos, criando um belo efeito visual.O chão era todo de madeira. As chamas da lareira acesa em um dos cantos, crepitavam. Um lustre enorme no centro, iluminava todo o local.

 Da escada que levava até o segundo andar, desceu uma moça, às pressas. Vestia um longo vestido negro e um avental branco. A sua pele era escura e seu cabelo bem curto e crespo. Ela olhou para a garota que estava parada em pé na entrada e sorriu.

— Boa noite! Bem-vinda à taverna Raio de Sol! Por favor sente-se — disse apontando a mão para uma mesa. — Gostaria de algo para beber?

 A garota obedeceu e se sentou à mesa perto do balcão, a taverna estava vazia ainda.

— Obrigada! Eu gostaria de beber um copo d’água por enquanto — fez uma pequena pausa. — Como é seu nome?

— Me chamo Iris — respondeu a jovem taverneira. — E você?

— Ursula.

— Certo Ursula! Vou buscar sua água!

 Iris foi para trás do balcão de mármore e voltou com um jarro de água e um copo de vidro, colocou na mesa e o encheu.

— Se precisar de algo é só me chamar — a taverneira virou-se e foi caminhando após Ursula assentir com a cabeça.

 Passaram-se alguns minutos e mais clientes começaram a entrar na taverna. Após uma hora, já estava quase lotada. Realmente, parecia que o homem a quem Ursula havia pedido informação, não mentiu ao dizer que aquela era a taverna mais movimentada de toda a cidade de Rubyck.

 A garota pediu apenas vinho depois da água, ficou bebericando e olhando para as mesas cheias de homens conversando, bebendo e rindo.

 Uma segunda taverneira havia descido as escadas para ajudar. Essa era bem mais jovem que a outra, deveria ter no máximo 14 anos, pequena, magra, e usava um vestido e avental igual Iris. Seus cabelos longos e prateados estavam amarrados em um rabo de cavalo, seus olhos eram castanhos, e em volta deles a garota havia passado maquiagem preta, que deixava o formato dos olhos parecidos com os de um gato. Ela caminhava devagar de mesa a mesa com certa elegância. Os cabelos da garota foram o que mais chamaram a atenção de Ursula, aquela era uma cor de cabelo bem rara naquela região, pensou ao fita-los.

 A porta se abriu de uma vez, todos olharam para ela, então entraram dois jovens, um atrás do outro. Um deles era alto, estava suado e sem camisa, carregando ela dobrada no ombro. Sua pele era bem bronzeada, ombros largos e músculos bem definidos, seus cabelos eram loiros e bem curtos. O tom de pele, e o cabelo, Ursula os reconheceu, eram características marcantes dos clãs do deserto do oeste. Talvez aquele jovem vinha de algum deles.

 O segundo rapaz que vinha logo atrás era um pouco menor que o primeiro, vestia uma camisa branca simples e justa, seu corpo era atlético, mas seus musculos não eram tão fortes quanto os do moço à frente. Vestia calças de cor marrom e botas de cano curto. Seus cabelos eram longos e negros como a noite, assim como seus olhos. Tinha um olhar frio e solitário. Foi o que pensou Ursula quando os olhos dos dois se cruzaram por uma fração de segundo, até ela olhar de volta para o copo cheio com vinho que estava em sua mesa.

 Após olharem quem havia entrado, as pessoas voltaram a atenção para o que estavam fazendo antes, mostrando que os dois eram conhecidos por lá.

 Um homem que bebeu um pouco mais gritava com o outro sentado à sua frente, dizendo que ele trocou as cartas de sua mão enquanto estava distraído. Esse negava tudo e se recusava a ceder a vitória da rodada ao bêbado irritado. Então ele levantou de uma vez e saiu com pressa batendo os pés e de expressão carrancuda, quase esbarrando no rapaz sem camisa que virou de lado para desviar.

 Ele riu vendo o bravinho sair e bater a porta. O outro de cabelos negros apenas balançou a cabeça em reprovação.

 O jovem que vinha atrás se sentou na mesa vazia ao lado da mesa de Ursula, enquanto o outro só foi caminhando em direção as escadas até a taverneira mais jovem, de cabelos prateados falar com ele:

— E aí Carin? Como foi? — Perguntou com um sorriso no rosto.

 Ele deu um sorriso largo e apontou para o amigo que havia se sentado.

— Mostra aí Alleck! — Disse com bastante entusiasmo na voz.

 Alleck jogou um saco do tamanho de um palmo na mesa, que fez um barulho pesado ao cair, e pelo barulho, parecia cheio de moedas, ou, quaisquer outros pequenos objetos de metal.

— Eu não cheguei a contar, mas devem ter umas 50 moedas de prata. — Disse o rapaz de longos cabelos negros dando um tapinha no saco de moedas.

 Aquilo era muito dinheiro. Dava para comer e beber por meses, comprar roupas, ou então, gastar o dinheiro todo em um anel ou pingente caro.

 Carin foi caminhando em direção as escadas.

— Vou tomar um banho — falou olhando para a jovem taverneira. — Depois de tanta porrada, estou fedendo.

 Ela abanou a mão na frente do rosto e enrugou o nariz.

— Pior que está mesmo!

— Depois vou tomar umas! — Olhou para Alleck sentado. — Não comece sem mim, viu?

 Alleck fez um gesto com a mão para enxota-lo, ele sorriu e subiu as escadas correndo.

 A garota de cabelos prateados e olhos de gatinho, se aproximou da mesa em que o rapaz estava sentado, ao lado da mesa de Ursula. Abriu um sorriso encantador para ele e se apoiou com as duas mãos na mesa, olhando em seus olhos.

— Oi Alleck! — Disse cantando.

 O garoto tentou retribuir o sorriso, porém o dele não saiu tão encantador. Pareceu meio forçado.

— Oi Kim — ele soltou a cordinha que fechava a boca do saco de moedas, enfiou a mão e mostrou algumas.  — Quer um pouco da minha parte?

 Ela levantou as sobrancelhas e tamborilou os dedos na mesa.

— E quanto de sua parte me daria? — perguntou dando um sorriso de canto de boca.

— É dinheiro fácil — falou Alleck com um dar de ombros. — Daria metade.

 Ela soltou uma gargalhada, deu a volta na mesa para se aproximar dele, e deu um beijo em seu rosto.

— Metade quer dizer que me considera igual!

 A menina parou de sorrir e seus olhos foram para cima e depois para baixo.

— Você disse ser dinheiro fácil —  disse ela afastando uma mecha de cabelo da frente do olho do rapaz com o dedo. — Se fosse dinheiro difícil, eu receberia metade?

 Um cliente gritou  por Kim, bravo. Ela havia esquecido que largou Iris sozinha atendendo todo mundo para conversar. Alleck apertou a bochecha dela e disse:

— Vá trabalhar. Depois conversamos.

 A garota assentiu, ele ficou olhando-a se afastar e ir até o outro lado da taverna. Era um olhar diferente do olhar frio e solitário que ele tinha. Olhava para a taverneira com um olhar cheio de carinho. Com certeza ele gostava muito de Kim.

 Alleck debruçou-se na mesa e suspirou. Alguns segundos depois um homem magricela levantou de sua mesa e veio sorridente até onde o rapaz estava sentado, com o saco de moedas.

— Ei rapaz — disse o homem. Tinha o cabelo escuro, grande e despenteado. Faltavam-lhe alguns dentes, mas ele não parava de sorrir mesmo assim. — Posso fazer uma pergunta?

 Alleck levantou a cabeça e olhou o sujeito por alguns segundos. Então estendeu a palma da mão aberta, virada para cima, e com o dedo da outra mão bateu no meio dela.

— Se pagar, sim — respondeu sorrindo.

— Só queria saber como conseguiu esse dinheiro! Ouvi você dizendo que tem mais de 50 moedas de prata aí!

— Então, tem que pagar!

 O homem resmungou um pouco, porém jogou uma moeda de cobre na palma da mão do rapaz, que a colocou sobre a mesa. Então fez um gesto para o homem se sentar e ele obedeceu.

 Começou a falar baixinho para ele, que ouvia tudo com atenção. Depois de alguns minutos ouvindo, o homem se levantou e foi de volta para seu lugar, com uma expressão de clara decepção. Talvez o método fácil de ganhar dinheiro dos dois jovens, não era fácil para todos.

 Alleck apenas deu de ombros e jogou a moeda recém adquirida dentro do saco, junto com as outras. Ele então olhou para Ursula, que havia desviado o olhar dele um segundo antes. Sorriu e disse:

— Também quer fazer uma pergunta?

 Ela fingiu que não era com ela e continuou olhando para o outro lado. Ele se levantou e foi até a sua mesa, colocou o saco de moedas sobre ela, e se sentou frente a frente com a garota de olhos verdes.

— Acha que não percebi? Vem me olhando desde que sentei ali — ele fechou a cara para ela e lançou um olhar penetrante. — O que quer comigo?

 Ela suspirou e disse sem olhar nos olhos:

— Me pegou! Estava te olhando mesmo — deu de ombros. — Só te achei bonito.

— Não é verdade — olhou em volta tentando achar algo, então apontou a direção com os olhos. — O velho gordo, ali, do lado da mesa que estão jogando cartas. Veja o jeito que ele olha para Iris, a taverneira negra. Assim é quando acha alguém atraente.

 Ela olhou. O homem de fato não parava de olhar para a garota. Olhava como uma fera faminta. Estava despindo-a com os olhos. Por baixo da mesa, ele segurava entre as pernas com a mão. Ursula fez um barulho de asco.

— Não me compare com um porco desses — protestou. — Mulheres admiram de um jeito totalmente diferente! Não só mulheres! Homens civilizados também!

 A expressão no rosto de Alleck abrandou-se, ele inclinou a cabeça para trás e riu, estava apenas brincando. Mas depois voltou a ficar sério. Suspirou e coçou a cabeça, então entrelaçou os dedos das mãos, com os cotovelos sobre a mesa.

— Pareceu surpresa quando ouviu Carin me chamar pelo meu nome — ao ouvir isso, Ursula levantou as sobrancelhas, ele havia percebido até esse detalhe. — Eu arriscaria um palpite de que veio aqui atrás de mim, mas não conhecia a minha aparência. Então ficou esperando para confirmar, e então, só ficou me estudando. Quem te mandou aqui? Se for uma assassina, lamento te informar que não terá sucesso em sua missão. Se descobrir que tem alguma relação com meu pai, quebro seu pescocinho.

 Ursula respirou fundo, enfiou a mão em sua pequena bolsa pendurada no ombro. O jovem se levantou da cadeira de uma vez, pronto para atacá-la. A moça fez um sinal com a palma da mão aberta, para que ele parasse.

 De repente sentiu algo gelado em seu pescoço, seu corpo travou na hora. Ao direcionar os olhos para baixo, viu uma bela lâmina prateada encostada em sua pele. Uma mão forte e morena apertou no ombro esquerdo da garota.

— Já fazem 3 meses que não encontramos tipos como você por aqui — afirmou uma voz em seu ouvido, que mesmo sussurrante, a garota conseguiu atribuí-la a seu dono. Carin, o rapaz que entrou com Alleck na taverna e subiu as escadas para tomar banho. — Se fizer um movimento brusco, morre. Pode tirar a mão devagar de dentro da bolsa, se levantar e ir embora. Nunca mais quero te ver por aqui.

 A garota engoliu em seco, começou a tirar a mão bem devagar de dentro da bolsa.

— Vocês entenderam tudo errado! — Disse então terminando de tirar e mostrar o que estava tentando pegar.

 Ela segurava uma foto, retangular e pequena do tamanho de um punho fechado. Estendeu a mão com a fotografia para Alleck, que hesitou por um segundo e então a pegou. Carin tirou sua faca de combate do pescoço de Ursula, mas não a embainhou, continuou com a faca na mão. Ainda poderia matá-la antes que ela conseguisse fazer algo.

 Naquele momento, quase toda taverna havia parado, olhando a cena. Kim de cenho franzido. Iris com olhos arregalados e mãos juntas, com dedos entrelaçados. Cenas como aquela, apesar de não serem normais, aconteciam volta e meia. As taverneiras sempre torciam para não acabar em violência. Já os homens, apenas olhavam apreensivos, alguns querendo ver briga, outros apenas curiosos.

 O olhar de Alleck saiu da garota e foi em direção a foto. O rapaz estreitou os olhos, enquanto fitava a imagem. Haviam duas pessoas na fotografia, uma mulher e uma garota criança. A mulher estava agachada para ficar do mesmo tamanho da criança. Seu cabelo era loiro avermelhado, curto e preso em um coque no topo da cabeça. Ela era branquinha e tinha muitas sardas no rosto. Pescoço fino, magra, usando um vestido preto e curto com ombros a mostra, e salto alto. Seus olhos eram de cor negra, bem escura, idênticos aos olhos de Alleck. Tinha um enorme sorriso no rosto, mostrando todos os dentes.

 Ao olhar para aquele sorriso, Alleck sorriu também, de boca fechada, e seus olhos marejaram de lágrimas. Parecia ser alguém conhecida e querida por ele. A garotinha na fotografia, também abria um sorriso largo, com a mão da mulher sobre sua cabeça. Tinha o rosto fino, cabelos castanhos e compridos, e olhos verdes. Usava uma calça e blusa de frio, as mangas da blusa eram longas e cobriam as mãos. Apesar de estar bem mais velha, ao olhá-la e então olhar para Ursula, ele reconheceu que era ela na foto.

 Limpou as lágrimas dos olhos com o canto da mão antes que pudessem escorrer. Ficou alguns segundos em silêncio. Carin percebeu e embainhou a faca de volta, nas suas costas.

 A taverna voltou ao normal ao ver que o confronto havia se resolvido. Alleck sentou-se de volta sem dizer uma palavra. Ursula estava esperando-o falar primeiro. Carin, também em silêncio, sentou-se no outro canto da mesa, ao lado dos dois.

— Essa é minha mãe — resolveu dizer Alleck, apoiando a cabeça na mão e olhando a foto. — E essa — ele virou a imagem para Ursula e colocou o dedo na garotinha ao lado de sua mãe. — É você. Certo?

 Ursula assentiu com a cabeça, sorrindo.

— É a única foto que temos juntas — disse Ursula deslizando os dedos por entre os cabelos. — Irina foi minha mestra. Ela me treinou desde criança.

 Ela segurou a mão do rapaz no meio das suas e abriu um sorriso radiante.

— Te procurei por muito tempo! Queria muito te conhecer! — Ela olhou para Carin. — Perdoe-me se causei impressões erradas. Estava planejando observar por mais tempo antes de me apresentar.

Carin enrubesceu levemente.

— Me desculpe por ser tão... — buscou a palavra por alguns segundos. — Extremo.

— Tudo bem — a garota disse de maneira descontraída, então levou a mão ao peito. — Mas quase me matou de medo.

 Carin sorriu sem jeito, então se levantou e enfiou a mão no saco de moedas, tirando algumas.

— Vou sentar ali — disse apontando para uma mesa vazia longe dali. — Vocês devem ter muita coisa para falar. Que não são de minha conta.

 Alleck fez um aceno com a cabeça, então Carin foi caminhando em direção à mesa vazia agitando as moedas fechadas na mão e fazendo-as tilintar.

 O jovem de cabelos e olhos negros, recostou-se na cadeira com as mãos atrás da cabeça, e esticou os pés debaixo da mesa. Estava com um olhar pensativo. Ursula ficou quieta, novamente apenas esperando ele falar.

 

 


Notas Finais


Obrigado por ler!


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