História Teia de Mentiras - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Inuyasha
Personagens Bankotsu, Inuyasha, Jaken, Kagome Higurashi, Miroku, Naraku, Personagens Originais, Rin, Sesshoumaru
Tags Annabelle, Inuyasha, Kikyou, Naraku
Visualizações 11
Palavras 2.204
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Chegamos a um ponto crítico, queridos leitores! Esse capítulo é extremamente importante para o que seguirá do enredo e eu espero ter escrito tudo de modo que vocês consigam compreender cada cena e as motivações. Bem, vou parar de tentar explicar. Quero que vocês sintam esse capítulo e espero que gostem.
Boa leitura!

Capítulo 11 - Pena


Capítulo 11 - Pena

— Pobre Annabelle Rose... — simulou piedade e passou um braço pela cintura dela — A partir de agora, eu cuidarei de você. — disse a afagar as densas mechas, até que repousou a mão pesadamente à nuca da humana e a fez suspender o rosto, obrigando-a a encará-lo e contemplar dolorosamente sua fisionomia.

— Mestre Kagewaki! — os mesmos samurais que atormentaram Annabelle no passado ainda estavam lá, prontos para proteger Naraku com a própria vida. Uma razão a mais para a estrangeira não conseguir sair de sua inércia.

— Annabelle voltou para nós, mandem preparar os aposentos dela. — o usurpador ordenou seco.

— Onde está Hitomi? — perguntou débil, mirando-o diretamente nos olhos vermelhos para não se esquecer de quem ele era.

— Aqui — indicou o próprio corpo, rindo-se torpe —, eu sou o mestre do castelo. Pergunte aos criados e aos meus guarda-costas. — o deboche estampado nas feições nauseou a mulher cativa no abraço mortal.

— Onde está Hitomi? — repetiu ríspida. A mão enfaixada se arrastou pelo peito forte, subiu pela gola clara e agarrou-a — Onde está o corpo dele?

— Está tocando nele agora, ora. — cínico, persistiu a tratá-la como tola e, sádico, prensou a mão que amassava sua roupa, metendo um dos dedos na ferida e fazendo-a sangrar por baixo das faixas brancas. O gemido de Annabelle o incentivou a fechar mais ainda o enlace. Finalmente, a ilustre visitante apartou-se dele e recolheu a mão ao busto, doída.

— Por favor, me diga onde ele está! — mudou a interpelação, a raiva deu espaço à melancolia naqueles olhos indecifráveis para Naraku — Eu peço... — suplicou de cabeça baixa, resignada.

— Oh, pobrezinha... — era forçoso fingir empatia, o hanyou não conseguiu atuar por muito tempo e o riso o dominou. O sofrimento alheio era seu grandioso regozijo. — Ele está morto, Annabelle. O que poderia fazer a respeito?

— Eu só quero o corpo, só isso... Me entregue o corpo, e em troca, faço o que você quiser. — tornou a fitá-lo. Céus, como era difícil ter de olhar para alguém que já foi seu e perceber que, na verdade, aquele à sua frente era uma dolorosa ilusão, uma fachada! Por dentro, não existia nada ali além de sadismo, de um ser mesquinho e pequeno.

A oferta de Annabelle soou irrecusável. Naraku tinha diante de si uma criatura provida de um poder incalculável, o qual ela própria deveria desconhecer a magnitude. Vidrado na lua pendurada ao pescoço, cativa entre os seios estufados pelo aperto do espartilho, aproximou-se outra vez e tocou a peça, inevitavelmente atritando seus dedos fortes à pele de pêssego, quente e arfante.

— Quero que me sirva, que seja minha escrava. Quero o seu poder a meu favor. É essa pedra, não é? — o volume da fala era baixo, o ritmo lento e torturante, quase sedutor.

Novamente, a estrangeira estava eriçada contra a vontade de seu coração. Sua mão, melada de sangue, conteve a dele onde estava. Azul e Vermelho misturaram-se, sem piscar. Um tentava desvendar e desarmar o outro, travando uma batalha de sensações estranhas.

— Me diga onde ele está e eu serei sua. — como Naraku, ela se proferiu sibilante e envolvente.

"Criatura deslumbrante" — via-se tentado a ceder aos instintos humanos, àqueles que ele tanto queria dizimar como se nunca os tivesse conhecido. Pela primeira vez em sua existência dividia sua atenção com uma mulher que não fosse Kikyou...

Alto lá! Uma humana bastava para causar problemas, mesmo morta. O que estava pensando?! O riso se fechou e ele a puxou pela fita amarrada ao pingente para fazer a revelação com a boca colada ao ouvido:

— Não há corpo, Kagewaki foi engolido pelo meu miasma. Não sobrou nada. Isso é tudo o que restou dele, a aparência que agora é minha. Hu, hu, hu. — e puxou o cordão, desfazendo o nó, cativando a lua cristalizada para si. — "Seria essa pedra tão poderosa quanto a Joia de Quatro Almas?".

Annabelle quis acreditar que Naraku mentia, todavia, ele parecia ser o tipo de ser cruel a ponto de não deixar vestígios de suas vítimas. Todas as esperanças desvaneceram como se nunca tivessem existido e uma raiva indescritível tomou posse da humana em luto. As articulações tornaram a enrijecer como das outras vezes, e em contrapartida, a pedra nas mãos do antigo conselheiro de Hitomi perdeu completamente o brilho, intrigando-o.

— Você cometeu um grande erro. — alumiada a ponto de quase cegar os orbes rubros, Annabelle em dois passos já o tinha perto o suficiente para sufocá-lo com sua aura branca.

Antes que Naraku pudesse saltar, ela o segurou pelo pulso e o tomou nos braços, como antes. As juntas dele, a partir de então, pararam de obedecer a seu comando.

"O que significa isso?" — assombrado com a capacidade da humana de encurralá-lo como se fosse ínfimo, Naraku sentiu o ar lhe escapar. Mesmo sua habilidade de formar uma barreira ao redor de si estava debilitada. — "O que é esse poder?!" — os rubis arregalados e trementes cravavam-se na perigosa beldade.

Uma nuvem roxa os rodeou. Miasma – o veneno ceifador da vida de Hitomi Kagewaki. A luminosidade ao redor de Annabelle era como uma mantilha a proteger-lhe do toque cruel da energia sinistra. O veneno não surtia efeito algum, o hanyou percebeu. Então, deveria atravessá-la com seus tentáculos antes que a energia branca o purificasse.

— Argh! — Naraku sentiu algo atingir-lhe as costas e atravessar o peito. A dor o rasgou, jamais sentira tamanho desconforto e sofrimento. Seu interior queimou como se em brasa estivesse. A maldita o apunhalara pelas costas enquanto o tinha preso naquele enredo. Ele todo desatou a se retorcer, como uma aranha agonizante, e por mais que lutasse para se libertar, se afastar, o corpo persistia a desobedecê-lo.

Outra pontada. A lâmina o atravessou novamente, pela frente, no peito.

A queimação infernal por dentro acentuou, suas roupas se desintegraram conforme o seu corpo começava a se remexer e transmutar. Oito patas, longas e negras, brotaram de suas costas, tentaram arrebatar a humana, e se desintegraram ao tocarem o véu místico e ebúrneo.

Naraku já estava ao chão e a forasteira sentada sobre si. Ela toda se tremia enquanto, arduamente, girava o punhal dentro da carne, dilacerando-a. Annabelle chorava copiosamente, os ombros subiam e desciam alvoroçados.

Os braços de Naraku oscilaram de humanoides a escamosos, a mão monstruosa, em tremendo esforço, tentou alcançar o pescoço da humana.

Falhou.

Seria esse seu fim? A vida tirada pelas mãos de uma reles mulher?! Os olhos queriam fechar, mas Naraku, teimoso, insistiu em olhá-la. Annabelle desenterrou o punhal de seu peito e saltou de cima dele, apavorada. As pernas nervosas não deram o suporte necessário e a garota caiu sentada, encolhida, ao lado de um meio-youkai estertorado. Os olhos azuis não espelhavam satisfação ou malícia, em verdade pareciam atormentados. Ela ofegava banhada em muco expelido pelo corpo do hanyou aranha. Viu-o alternar de humano a pedaços apodrecidos de diversos youkais diferentes. Viu a pele ser tomada por queimaduras e os gritos excruciantes dele provocaram apitos insuportáveis nos seus tímpanos.

Naraku estava sofrendo e iria morrer assim. Por que ela não estava feliz? Por que não se sentia vingada? Era sua chance de livrar o mundo daquela pestilência e ela hesitava?! Apesar de tapar os ouvidos e cerrar as pálpebras, o padecimento dele a enlouquecia de remorso.

Annabelle abriu os olhos, entreviu os dele mergulhados em desespero diante ao corpo que se desfazia e tomou uma decisão.

— Eu não consigo. — sussurrou para si, convencendo-se de aceitar o fracasso.

Mirou o céu escuro, depois a faca em mãos, enegrecida pela aura de Naraku. Fechou os olhos, respirou fundo, apertou a arma enquanto seus dedos eram cobertos pelo véu de energia pura e esse poder de berço partiu o punhal ao meio, transformando-o em feixe de luz fugaz, devolvido a seu lugar de origem.

Voltou-se enfim, à sua vítima, e com o coração dilacerado pela amarga decisão, Annabelle atirou-se sobre o odiado babuíno branco, apertou a ferida em seu peito com as duas mãos cobertas pela luz e tocou os lábios aos dele, entreabertos.

Antes que pudesse protestar, Naraku começou a sentir alívio imediato. Os olhos, antes esbugalhados de dor, entrefecharam-se. Alguns de seus tentáculos tentaram em vão atingir a escocesa, e desistiram quando a corrente de luz saída da boca pueril escorreu pela garganta vil. Os lábios dele arregaçaram-se, a cabeça ergueu-se para cima, fazendo as bocas se prensarem. Fora a maior sensação de conforto experimentada pelo aracnídeo desde o seu nascimento, contrapondo-se ao calvário de pouco segundos atrás. Sentiu-se em paz, sentiu-se acalentado pela brandura daquela aura incomum.

Ele estava confuso. Queria despedaçá-la por seu feito, queria mostrar a Annabelle o que era a dor que o fizera passar...

E queria que ela nunca saísse de onde estava, desejava tê-la ali para sempre, para que pudesse receber aquele calor e desfrutar do poder desigual, capaz de reconstituí-lo de forma diferente, por fora e... seria possível, por dentro?

O corpo retomou o pigmento pálido e a anatomia roubada de um gentil Kagewaki. Os braços, dantes agitados, penderam na terra com as palmas das mãos viradas para cima. Os dedos moveram-se sutis, reavendo o controle das articulações. Naraku recuperou parte das forças apenas. Antes de ser atingido pelo punhal mágico, tivera a triste sorte de levar uma flechada de Kagome no dia em que Annabelle descobriu sua aparência e Sango se viu obrigada a enfrentar o irmão caçula. Ele sabia que se Annabelle quisesse, poderia curá-lo por completo, no entanto, ela cessou o ato e se levantou devagar, libertando-o de seu peso.

— Bruxa, onde pensa que vai?! — Os guardas, apavorados, tremiam com os gládios à mão. Testemunharam a cena toda sem coragem de tomar atitude, e mesmo naquele instante não saiam do lugar.

Naraku sentou lânguido, doído por dentro, mas a salvo, graças a ela. Procurou por palavras, e apesar de ser sagaz e sempre saber o que dizer nos momentos mais inoportunos, tudo tem a sua primeira vez – o hanyou não soube se expressar, não soube como agir, viu-se compelido a ir atrás da mulher que se afastava calmamente.

— O que você... — nem sabia o que perguntar — Por que, Annabelle? — a segurou pelo braço e girou-a para si, obrigando a forasteira a lidar com seu aspecto físico outra vez. Ela virou o rosto, o hanyou impaciente a sacudiu até que abrisse os olhos e o fitasse — Por que desperdiçou a sua chance de ouro? — recuperou, por fim, o vocabulário.

— Porque eu quis. — ela estava gelada e arfante — Adeus, Naraku. — Tentou soltar o braço, falhou. Ao invés de conseguir se libertar, foi puxada mais para perto. Mal se recuperara, e Naraku já brincava com os seus sentimentos? Annabelle quis encontrar um buraco para se enfiar por seu fracasso custoso.

— Ou foi por que viu seu Hitomi Kagewaki em meu lugar? — só podia ser isso, pensava. O estado emocional dos humanos era inconstante, certamente Annabelle enxergara através dele o jovem mestre e não conseguiu ir adiante — Huh, mas é claro... — o tom perverso retornou ao que era e Naraku desapertou o braço delgado.

— Não. — séria e vidrada apenas nos olhos dele para não ter de lidar com a aparência de seu amor perdido, Annabelle replicou — Eu vi você, o mais puro de sua essência... e senti pena.

"Pena?" — Ultrajados, os olhos ferinos incendiaram-se. Acaso ela pensava que ele, Naraku, fosse um ser inferior? Ele cerrou fortemente as mãos, tomado pela cólera e preparado para ensinar à criatura alaranjada uma bela lição.

— Você falhou. — uma desconhecida desceu dos céus, torneada por brumas tenebrosas, e sua presença repentina embargou qualquer possibilidade daquele embate prosseguir.

— Não se preocupe, eu cumprirei com o prometido. — resignada, Annabelle ergueu sua mão à irmã. Os pés perderam o contato com o chão. De mãos dadas, flutuaram para longe antes que o hanyou sequer pensasse em tomar qualquer atitude.

Naraku frustrou-se com a interrupção abrupta, porém, embora estivesse fora de risco, sentia-se fraco e não poderia se arriscar justo agora, quando uma nova chance de vida lhe fora dada.

Pena?! Como ela se atrevia?! Que fosse para o inferno com sua pena – pensou, enquanto mirava a pequena lua opaca em suas mãos. Era impressão sua, ou o objeto mostrava-lhe o lugar para onde a mulher quase idêntica à Annabelle a levava?

...

Pairaram a frente de uma árvore colossal. Suas raízes altas rasgavam a terra e eram encobertas por musgo escuro. Ailyn tocou a testa ao tronco descascado, alisou-o com as duas mãos e uma porta se abriu. Primeiro, ela adentrou o pequeno portal, Annabelle foi em seguida.

Foram tragadas para dentro de um pântano soturno, iluminado apenas pelos miúdos pirilampos dourados. Caminharam juntas até o coração da brenha escura, ambas suspendendo a barra de seus finos vestidos para a lama não os sujar. Lá, um leito lapidado em pedra jazia contornado por ervas daninhas e pequenas flores lilases. Sobre a rocha fria, um manto transparente e uma faca esperavam por Annabelle.

— Quando a lua luzir vermelha no céu, você sabe o que fazer. — Ailyn orientou.

— Não se preocupe, não tenho intenção alguma de resistir. — Annabelle teve ajuda da irmã para se despir e se cobrir com a fina mortalha.

...

"Mas que diabos é isso?!" — Naraku, em seus aposentos de senhor feudal, sentado confortavelmente próximo à janela, perguntou-se, assistindo a cena através do cristal em formato de lua.

Continua...


Notas Finais


É, pessoal... eu espero que as coisas não soem muito absurdas aos olhos de vocês. Podemos pensar que qualquer um, no lugar de Belle, teria aproveitado a chance e acabado com Naraku de uma vez só, mas as coisas não são tão simples assim e sempre foi a intenção criar um vínculo complexo entre nossos personagens principais.
Só digo uma coisa: Nosso Nana-kun está lascado! XD
Espero que estejam gostando, sei que comentei da outra vez que iria postar dois capítulos num dia, mas não consegui... Verei se faço isso agora, em compensação.
Aguardo ansiosamente a opinião de vocês.
Kissuuuus da tia Crystal! S2


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