História Tela em Branco - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Exibições 58
Palavras 2.343
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Bishoujo, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Pessoal!!!!Estou radiante de felicidade!!!!Nunca pensei que minha primeira fanfic yaoi ia ter 23 favoritos! Quero agradecer a todos que favoritaram até aqui, aos meus leitorezinhos fantasminhas fofos que continuam acessando...kkkkkk...
Mas hoje quero dedicar este capítulo a duas pessoas: ao Garoto Estranho que foi a primeira amiga que me deu força, me incentivou com seus comentários para me sentir segura e continuar a escrever!!! obrigada por tu compartilhares esse momento comigo!!! E a Vivi-sensei, que está sendo minha consultora otaku. Vivi-sensei: teus conhecimentos e vivências de otakus dos anos noventa, onde não existia internet estão sendo muito importante para construir as memórias sobre a mãe de Eren. Obrigada pela ajuda!
Então, tendo feito as devidas dedicatórias: vamos ao capítulo seis...gente: que o Santo Unicórnio purpurinado abençoe este capítulo...com muitos arco-íris.... kkkkkk

Capítulo 6 - Estava vendo o meio sorriso mais belo do mundo!


Fanfic / Fanfiction Tela em Branco - Capítulo 6 - Estava vendo o meio sorriso mais belo do mundo!

-O QUE TÁ FAZENDO AQUI?

Resolvi não responder. Também não sabia por que havia voltado. Apenas sabia que tinha que voltar.

Ele estava indignado. Estava me xingando. E até aonde eu sabia, não havia feito nada que o tivesse perturbado. Ou havia? Então por que descontar em mim?

Ele deveria ficar indignado era com aqueles caras, que, aliás, da onde surgiram?  São alunos da escola?  Parecem marginais... Como deixam entrar este tipo de gente no pátio? Do que estavam falando? Por que trataram o Levi daquela forma? Usando aquelas palavras? Da onde o Levi conhece eles?  Drogadinho? Bichinha pintada? Por que se referir ao Levi assim? Tantas palavras ofensivas...o loiro ainda prometeu retornar...Por quê?

Por que bater no Levi?

Levi estava indignado comigo. Comigo?

Mas ele estava machucado...e sozinho.

Ficar sozinho e machucado.

Sei como ele está se sentindo. E isso é muito triste.

Por isso, logo após que obedeci ao Levi e o deixei sozinho, mas fui até a cantina da escola. Pedi a uma das atendentes uma garrafa de 600 ml de Coca-cola. Sorrindo ela me alcançou. Aproveitei e pedi um copo com gelo, alegando que não gostava de tomar na garrafa. Muito solícita disse que me entendia que achava grosseiro colocar a boca na garrafa.

Agradeci.

Saindo dali, passei na sala e peguei a sacola plástica que havia colocado o guarda-chuvas. Joguei o gelo dentro e fiz um nó.

Pronto. Agora decidi voltar ao encontro da onde deixei Levi. Por quê?

Por que ele estava machucado e sozinho.

E eu sei como é horrível ficar machucado e sozinho.

 

E eu estava ali, na sua frente, e a primeira coisa que ele faz ao me ver  é alterar a voz.

-NÃO TE DISSE PRA ME DEIXAR...

Interrompo a sua fala, com meu gesto. Tiro seu braço que estava apoiando ainda seu rosto, e grudo o saco plástico com o gelo na parte já inchada. Está começando a avermelhar e arrochar na parte cortada. Ele não resiste ao meu ato.

-O QUE TU TÁ FAZENDO?

-Colocando gelo...

-PERCEBI...EINSTEIN...

-Então?

Olho para ele em dúvida. Seus olhos, até a pouco tempo arredios, como uma tempestade de um tsunami na costa da Oceania, começam a se abrandar. Agora com um suspiro profundo, começo a ver a marola cinza se manifestando após a devastação da costa da Tailândia. Escuto novamente o seu típico “tssc’’.

-O que quero dizer é por que está fazendo isso?

Sua voz agora já sai normal. Com seu timbre grave, pausado, que transmite a sensação de morbidez.

-Haã? Por que é óbvio. Quando batemos o rosto devemos colocar gelo.

Levi me olha agora atentamente. Como ele vira seu rosto, necessito reposicionar o gelo. Percebo aquela sobrancelha reerguer. Neste momento o gelo toca no corte.

-AI PORRA!

-Desculpa, deixei o gelo sair um pouco do lugar.

-Sem problema.

Ficamos em silêncio e ele continua me encarando. E eu, bom faço o de sempre, não consigo ficar olhando em seus olhos muito tempo.

 

Acho que passaram uns cinco minutos. Até que Levi corta o silêncio.

-Obrigado.

-Haã?

-Já pode tirar obrigado.

-Haa..tá.. resolvo tirar o gelo. Fico quieto ao seu lado. Quando percebo, Levi vai até a minha mão e pega a sacola.

Fica olhando para ela. Percebo que está pensando. Mas o quê?

Sem dizer nada, ele mesmo volta a colocar no local inchado. Resolvo então me levantar e juntar seu material que permanecia no mesmo local que havia deixado minutos atrás.

Percebo seu olhar me seguindo enquanto me movimento. Após recolher as coisas e sentar ao seu lado novamente, resolvo pegar meu material de desenho. Fazia alguns dias que não lhe tocava. Minhas mãos precisavam se exercitar.

E Levi ao meu lado. Em silêncio. Segurando o gelo.

Permanecemos assim.

Até que o gelo do saco começa a pingar, e Levi desiste dele.

-Obrigado mesmo, e desculpa.-  Cortou o silêncio.

-Pelo quê? Olhei para ele rapidamente, e voltei para meu croquis.

- Tu não sabes?

Olhei para ele. Acredito que Levi começa a entender mais meus olhos do que eu os dele.

-Então pega uma folha de papel em branco e começa a escrever que vou te ditar!

-Haã? Como assim ditar? -Vejo ele revirando os olhos...

-Cara, se tu não consegues entender as coisas alguém precisa te explicar! Vamos!  Então presta atenção e anota, até por que não vou repetir mais de uma vez! Rápido, anota, pirralho!!!

Decido obedecer e viro a página do meu bloco para uma folha em branco. Pego meu lápis  mas quando vou começar Levi já está falando, rapidamente.

-Obrigado por tu vires me ajudar com os materiais, obrigado por tu trazeres o gelo, obrigado por tu não ficares bravo comigo, desculpa por te xingar sendo que tu não tens culpa de nada, desculpas por te colocar num rolo que tu nem sabes do que se trata, obrigado por tu não me dei xar   so zi nho...

Essas últimas palavras ele disse pausadamente, e com um meio sorriso triste nos lábios. A princípio tentei escrever o que ele dizia, mas como foi muito rápido, simplesmente desistir e tentei memorizar para escrever depois. Não consegui.

-Haã? Tá...não foi nada.- Sorri meio sem jeito.  Quando percebi já estava passando a mão na nuca, ato irrefletido que faço quando fico constrangido.- mas, não consegui anotar o que tu disse...

Levi me olha cético.

-Cara tu tens sérios problemas com ironia, né?  Pelo menos tu sabes o que isso significa?

Olhei para o Levi. Não sei por que, mas tive vontade de sorrir.

-Sei sim. Apesar de não conseguir identificar muitas vezes quando alguém está sendo irônico comigo...

-Já tinha percebido isso.. .-Levi falou isso bem baixinho.

Não me importei. Voltei ao meu desenho. Agora ele estava tomando forma. Forma de olhos profundos, tensos, cheios de força e mistérios. Olhos que de alguma forma me atraiam, mas me davam medo.

E nós dois sentados um ao lado do outro em um silêncio total. Interessante que este silêncio não estava sendo como os outros, com aquela energia sepulcral, mas sim um silêncio cálido, suave, aconchegante...

Volto a sentir os olhos de Levi sobre mim. Procuro continuar concentrado no que estou fazendo, e noto que seus olhos permanecem em deter-se entre minha mão e meu rosto. Levi resolve apoiar o rosto entre as duas pernas, onde os joelhos agora estavam dobrados sustentando os braços cruzados em cima deles. Seu rosto de lado, com a parte avermelhada para cima. O sol que começou a aparecer pela janela passou a projetar-se no rosto dele, no lado inchado, dando a impressão de estar maior e brilhante. Uma visão de um ser humano claramente desfigurado, mas que sua paz era tanta que não se importava com nada disso.

Seus olhos agora estavam fechados, parecendo que dormia, ali sentado, o que seria impossível devido a posição e a dor que possivelmente estava sentindo.

-Obrigado. -Disse ele novamente.

Continuo desenhando e resolvo não olhar para ele.

-Pelo quê?

-Por não me perguntar nada sobre o que aconteceu...

Parei.

 Por que não perguntei nada para ele sobre o que aconteceu?

Não fiquei com dúvidas? Fiquei, com certeza. Não entendi nada do que aconteceu. Não entendi o que foi dito. Não entendi por que foi dito?

 Mas por que não perguntei?

Voltei a desenhar e a refletir sobre isso. Até que voltei a quebrar o silêncio:

-Sabe há muito tempo, assisti um anime com a minha mãe. O nome dele era Rurouni Kenshin... Tinha um personagem que tinha feito uns negócios errados no passado. Depois de um tempo ele se mudou para outro lugar. Quando foi para lá começou a viver com a Kaoru. Ao ser confrontado sobre o teu passado, ele perguntou para Kaoru se ela não queria saber sobre o passado dele. Sabe o que a Kaoru lhe disse?

-Não...

-Que todos têm um ou dois segredos no passado que não gostariam de contar a ninguém... acho que concordo com a Kaoru...

-Sei...  -Levi, virou o rosto em direção ao sol. Ficou um tempo assim, sem dizer nada.

-Sabe... Eren. Agora não entendi a metade do que tu disseste...

Olhei espantado para o Levi. - Por quê?

-Não sei o que é anime, nem este monte de palavras estranhas que tu pronunciaste...

-Sério? Kkkkkkkk- Falei já rindo. Estava acostumado as pessoas não entenderem o que dizia quando citava algo do meu mundo otaku.

-Sim, mas uma coisa eu entendi. E acho que o que entendi foi o mais importante! Então de novo, muito obrigado.

Neste momento vi algo que até então não tinha percebido. Sempre que olhava para Levi me detinha em seus olhos... mas agora, algo mais bonito que seus olhos cinzas estavam na minha frente.

Estava vendo o meio sorriso mais belo do mundo!

______________XXX_________________________

 

Quando cheguei em casa a Teresinha estava limpando os móveis da sala. Tirando o pó. Quando ela fazia a limpeza gostava de colocar música no home teacher, e sempre seu Sertanejo Universitário. Aquilo era suicídio para meus ouvidos, e ela sabia não era do meu gosto musical.

-Boa tarde Senhor Eren. Já vou desligar.

-Tarde Tê. Não precisa desligar, só se possível abaixar um pouco o volume.

- Claro senhor.

-Tê tem algo para comer?

Vejo Teresinha parar a limpeza. Olha para mim e sorri.

-Que bicho que te mordeu?

-Hãa?- larguei meu material no sofá e me sentei.- Por quê?

-Kkkkkkk.... o senhor normalmente não quer comer...o que lhe aconteceu?

Olhei com estranheza para ela.

-Nada de diferente.

-Sei... bom se tu não quer me dizer... tudo bem. Vamos para a cozinha. Faço o que o senhor desejar. O que o senhor quer comer?

-Me deixa ver... me faz um bolo de chocolate? Aqueles com recheio de chocolate e cobertura bem grossa escorrendo pelo lado!

-Oh!!!!Gostei disso! O senhor está animado! Faço sim. Vou fazer o melhor bolo de chocolate que o senhor já comeu! Tiro de letra essas porcarias que o senhor come por aí nestas padarias chiques...

- Sério Tê! Posso encarar isso como uma promessa? Olha que eu vou cobrar se não corresponder as expectativas.

Vejo Tê colocar as mãos nos quadris largos.

-Hum! Quem tu tá achando que eu sou? Trabalho de doméstica desde os treze anos!  Faço bolo de chocolate desde que sai das fraldas!

-Kkkkk..,sei Tê acredito...

-O quê? O Senhor tá duvidando? Minha mãe sempre dizia que quando eu era picurrucha  minhas primeiras brincadeiras era entrar dentro da pia da cozinha, tirar as panelas pra fora e começar as batê nelas. Logo depois comecei a pegar os ingredientes das “partileira” e comecei a fazer minhas comidinhas...

Parece que a Teresinha está animada hoje. Começou a contar seus episódios da infância no interior, como brincava como começou a trabalhar de doméstica. Metade das coisas que ela conta não consegui prestar atenção. Minha cabeça começa a se desconcentrar de novo. Onde ela foi?

No dia de hoje. Na violência daqueles dois caras. No Levi sendo jogado longe. No Levi encarando aqueles caras. No Levi me xingando. No Levi sozinho. No Levi mais calmo. No Levi aceitando o gelo. No Levi machucado. No Levi refletido no sol. No Levi me olhando. No Levi sorrindo.

 

Como deverá ser o sorriso descontraído do Levi?

 

O meio sorriso dele já é contagiante. Por que ele não sorri mais? Ele fica bonito quando sorri.

Interessante: acho que já descobri algumas coisas sobre ele. Ele usa maquiagem. Não sei por quê? Mas usa... mas  fica bem melhor sem. Ele é canhoto como eu, usa brinco em uma orelha. Acho que é vaidoso, está sempre com roupas diferentes. É corajoso, mas louco. Encara uns caras grandalhões bem barra pesada. E não se importa muito com as consequências... isso faz dele um inconsequente? Talvez...

É inteligente. Parece saber várias coisas, conseguiu me fazer estudar... abrir um livro e fazer um resumo...sem contar que de alguma forma alguém convenceu ele de me ajudar. Ele é uma boa pessoa. Aceitou.

Ele é meio sério...até demais. Meio ignorante, grosseiro... Seus olhos me dão medo. Parecem que estão sempre ferindo quem ele olha. Misteriosos. Diferentes. E bonitos.

Mas o que eu descobri que me fez ganhar o dia.

Ver o Levi feliz me fez feliz!

__________xxx______________

A noite voltei ao meu anime. Fate Stay Night. Assisti mais dois episódios e parei. Entrei na Internet e fiz uma busca.

Em minutos estava assistindo algo diferente. O traço era mais antigão, e o plot da história também, mas mesmo assim me prendeu. Rurouni Kenshin, o espadachim errante. Revê-lo me fez lembrar a sensação que tinha quando era criança e minha mãe colocava as fitas VHS no  vídeo cassete. Minha mãe recebia as cópias dos episódios pelo Correio. Encomendava de fansubs que legendavam gratuitamente, faziam as cópias e revendiam a preço de custo. Um esquema que minha mãe se beneficiava antes de haver o advento da internet se propagando em cada lugar do Brasil. Quando chegavam aqueles pacotes, ela ficava radiante!!!!! Sentávamos juntos no sofá da sala e ela começava a me explicar o enredo do novo desenho que íamos assistir. Minha mãe era uma otaku! Com certeza, uma otaku sozinha, sem outros para entendê-la. Acho que por isso que era tão importante eu ficar junto dela. Eu era seu parceiro de sessões de anime, apesar de ser criança, e para mim, o mais importante era estar junto dela.

Acho que o gene otaku já estava no meu sangue. O que minha mãe fez foi me apresentar a este mundo, me apresentar para o que eu era.

Mas da mesma forma que ela era uma otaku sozinha, eu sou um otaku sozinho.

Assistir a Kaoru falar novamente a mesma frase que havia parafraseado a tarde, me fez entender mais a situação dela, mas também entender a minha situação.

A Kaoru estava começando a entender o Kenshin. E eu começando a entender o Levi. Da mesma forma que eles estavam se tornando amigos, aprendendo a confiar no outro, esperar o tempo do outro, eu estou aqui, vivendo as mesmas experiências que a Kaoru.

Após algumas horas de episódios, resolvi dormir. Não sei por que, mas hoje me lembrei de tomar o remédio.

 


Notas Finais


E aí povo? o que acharam? o que será que acontecerá a partir de agora? Estou ansiosa para saber as opiniões.... A propósito, vocês estão gostando dos capítulos maiores?


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