História Tempestta - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Saint Seiya
Personagens Mascára da Morte de Câncer
Exibições 5
Palavras 7.905
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Científica, Luta, Romance e Novela, Sci-Fi
Avisos: Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Conhecendo as origens


 

Uma luz vermelha começou a piscar no canto esquerdo da mesa. Ele acionou o botão. Instantaneamente um holograma apareceu.

- Majestade. - fez uma leve mesura a figura feminina.

- Chanceler Marius, como vai?

- Muito bem. Informo que em poucas horas estaremos em Ranpur.

- Boas novas?

- Sim. - deu um leve sorriso.

- Estarei aguardando.

- Majestade.

Outra mesura encerrou o contato. Marius levantou, olhando a paisagem azulada.

- Trouxe seu filho de volta Soren.

Shion confinou os cavaleiros até receberem o aviso que faltava minutos para estarem  na orbita de Ranpur. Foram conduzidos a sala de comando.

- Área 36. Sem riscos aparente. Desligando os geradores seis e sete. Refletores fechados. Velas na posição correta, motores auxiliares sem anomalias.Sistema de alerta em verde. Acoplando na estação espacial Ranpur 1 em sessenta segundos.

- Chegamos. – disse Marius. – iremos para uma nave menor que nos conduzirá até a superfície.

- Ela não estaciona em "terra"? - indagou Mu.

- A Euroxx sempre fica em orbita, acoplada a estação. - disse Evans. -  Alteza. – Mask olhou para trás. – foi uma honra servi-lo, seja bem vindo ao seu lar.

- Obrigado. – disse sem jeito.

O grupo foi levado para o hangar das naves, Beatrice e Etah foram com eles.

A nave, de menor porte em comparação a Euroxx, assemelhava aos caças terrestres. Os defensores de Atena foram conduzidos até uma ala, de lá testemunhavam o grande tráfego espacial.

- São centenas de naves. – Aldebaran olhava impressionado.

- O espaço orbital de Ranpur é o mais movimentado da galáxia. – disse Etah.

- Pessoal vejam isso. - chamou Kanon.

Os olhares dirigiram para onde o geminiano apontava. Giovanni fixou o olhar, em sua mente as imagens viam e iam.

- Ranpur.... – sussurrou.

O planeta era do tamanho da Terra, esverdeado circundado por anéis iguais aos de Saturno. Em sua orbita circulava duas luas de tamanhos iguais.

- É bonito. – disse Saga aproximando da janela. – muito bonito.

- Ele se parece com a Terra. – Marius comentou. – tem belezas naturais parecidas. Irão ver de perto.

Enquanto os outros não paravam de elogiar, Giovanni continuava em silencio segurando fortemente a nave de brinquedo nas mãos. Afrodite aproximou.

- Você está bem?

- Não... – murmurou. – não sei o que acontece comigo. – disse sem desviar a atenção da janela. – me sinto como se tivesse em casa... mas...

- Você é o Eron, e está assim porque está voltando para casa depois de tantos anos.

- Não sei se quero voltar... - a voz saiu vacilante.

- Estamos aqui com você. – tocou no ombro dele. – não está sozinho nessa jornada.

A nave aproximou do planeta preparando para entrar na atmosfera. Os olhos arregalaram ao verem uma grande cidade.

- Por Atena... – murmurou Aioria. – Star Wars existe...

Ela sumia no horizonte, no céu dezenas de naves iam e viam em rotas pré determinadas. Viram algo que parecia ser um ônibus, tudo seguindo na maior ordem.  Grandes pontes conectavam os maiores arranha céus que pareciam tocar o céu todos na cor cinza, o céu estava azul e o sol brilhava. Shaka indagou:

- Vocês têm um sol aqui?

- Sim Shaka. É bem semelhante aos seus. O ciclo das horas, dias e meses é igual aos seus, inclusive as estações. Não terão problema de adaptação, só sentiram o corpo ligeiramente pesado por causa da gravidade. Ela é um pouco mais forte do que a da Terra.

Miro olhava tudo fascinado, viu que no topo dos prédios havia pistas de pouso para as naves, viu também grandes prédios em formato de cogumelo.

- O que são aqueles prédios?

- São terminais espaciais, deles decolam e pousam naves do planeta, e naves que ligam a outros planetas. – disse Beatrice.

A nave contornou pegando a via mais larga, todos grudaram nas janelas não perdendo qualquer detalhe.

- Não se vê o chão daqui. – Kamus olhou para baixo. -  tem ruas?

- Sim. É que estamos muito alto.

Mask acompanhava atentamente, veio lhe na mente algumas cenas daquele lugar. Beatrice o observava. Fisicamente ele era muito parecido com a rainha.

Passaram por um lugar onde a concentração de prédios era maior.

- Aqui é centro financeiro e político de Ranpur, aquele conjunto de prédios mais ao norte são as habitações. – dizia Marius.

- E aquela área? – indagou Aldebaran.

- É a parte baixa da cidade, também residencial.

- Chanceler Marius estamos aproximando do palácio. – disse o piloto por um auto falante.

- Beatrice e Etah.

- Vamos ficar no prédio militar senhor. – disse Etah. – ate logo senhores.

Os dois jovens fizeram uma leve mesura e foram para a área de desembarque. Marius seguiu com eles.

- Preciso que me façam algo. - o tom de voz saiu baixo.

- Pode dizer senhor. – disse o rapaz.

- Não comentem sobre o teor da missão com ninguém. Ainda é cedo para que eles saibam que Eron voltou. Sei o que estou pedindo fere o regulamento, mas saibam que têm o respaldo da rainha.

- Então ele realmente é o Eron? - indagou Beatrice.

- Sim. E pelo fato de não se lembrar de nada é que ficaremos em sigilo. Posso contar com a discrição de vocês?

- Sim. Não seria prudente reforços? - indagou Etah.

- Isso só traria mais visibilidade.

A nave fez um leve pouso e os dois desceram. Novamente ela alcançou vôo e sentiram-na fazer uma curva e se antes estavam maravilhados ficaram ainda mais ao verem a construção a frente.

Ao longe parecia uma única estrutura, como uma torre, mas a medida que a nave aproximava perceberam que a "torre" era composta por outras nos mais diversos tamanhos. Semelhava aos tubos de um órgão. Em toda sua dimensão era cercada por uma grande lago, dando-lhe um aspecto de ilha. Toda a construção reluzia com a luz solar.

A nave diminuiu a velocidade, aproximando de uma pista de pouso que ficava no alto de uma das  "torres".

Ao desembarcarem sentiram na hora, a diferença da gravidade.

- Realmente me sinto pesado. -  Dohko tinha dificuldade em se manter ereto.

- Seu corpo logo vai se acostumar. - explicou Marius.

- A gravidade não é nada... – murmurou o leonino. – olha que vista! – dali via toda cidade.

- Realmente nunca vi um lugar tão bonito. - comentou Shaka.

A plataforma estava repleto de guardas vestido como os tripulantes da Euroxx.  Eles formavam duas filas em paralelo. Notaram que ao final dela havia três pessoas, dois homens e uma mulher. Marius tomou a frente.

- Majestade. – Marius curvou-se.

- É muito bom revê-lo Marius.

Os demais soldados que estavam na nave curvaram-se. Os cavaleiros fizeram o mesmo, inclusive o canceriano.

- Sinto-me honrado por conseguir cumprir a missão que confiou a mim.

- Tem minha eterna gratidão. - sorriu gentil.

- Fez um bom trabalho chanceler Marius. – disse um dos homens que trajava um uniforme militar com três insígnias no peito. Seus cabelos e olhos eram igualmente brancos, era jovem.

- Obrigado. – sorriu.

Os cavaleiros notaram na hora a semelhança entre ele e Marius.

- Faço das palavras de Ren as minhas. – disse o outro. Este trajava um uniforme militar todo negro, com muito mais insígnias do que a de Ren o que mostrava que era do alto escalão. Seus cabelos eram loiros curtos, olhos verdes, pelas linhas de expressão tinha mais que cinqüenta anos.

- Agradeço marechal Rihen.

Marius levantou olhando para trás. Segurou o riso ao ver os cavaleiros curvados.

- Giovanni.

O canceriano sentiu as pernas fraquejarem. Sua sorte, julgou, é que estava atrás de todos e assim não podiam ver sua expressão.

- Aproxime-se Giovanni.

Os dourados deram passagem a ele, que hora alguma levantou o olhar. MM passou por todos parando ao lado de Marius. Rihen arregalou os olhos, sem duvidas ele era Eron.

A rainha mantinha o rosto sereno, mas seu coração pulava e o coração de mãe nunca se enganava, aquele rapaz era seu querido filho.

O italiano não queria encará-la, em sua mente sua mãe era Liriana, de expressão suave, de cabelos e olhos azuis, que lhe preparava doces maravilhosos. Seu pai era Sorrento, um homem de porte, severo as vezes mas que o levava para passear na fazenda da família. Aquela ET não era a sua mãe.

-  Eron...

Assustou-se com a voz erguendo o rosto rapidamente, seus olhos arregalaram ao ver a mulher.

- Mamma...? – aquela voz.

A mulher trajava um vestido negro a estilo medieval, os cabelos azuis estavam soltos e desciam ondulados ate a cintura emoldurados por uma tiara dourada. Os olhos também era azuis, a tez rosada e os lábios com um pequeno brilho. Tinha por volta dos cinqüenta anos.

Giovanni olhou para ela voltando o olhar para Marius.

- Que brincadeira é essa? Como trouxeram a minha mãe? Ela está morta.

- Não estou entendendo Eron. – Marius ficou surpreso com as palavras.

- O que foi Gio? – Afrodite aproximou.

- Minha mãe... o rosto delas...

- Temos o mesmo rosto não é? – a rainha sorriu. – pelo visto Soren não apagou sua memória apenas a modificou.

- Como assim majestade? – indagou o chanceler.

- Sua mãe terrestre era como eu, e de certo seu pai era como Soren. As lembranças que deve ter da sua infância devem ser as mesmas que tem de Ranpur, devem ter sido apenas adaptadas para a realidade terrestre.

Giovanni ouvia tudo calado.

- Pode provar isso? - indagou cético.

- Temos um palácio de verão. Você costumava passear com seu pai pelos campos.

O cavaleiro assustou-se. Lembrava de vários passeios pelo campo com seu pai, mas não era um palácio e sim uma fazenda.

- Então... – levou a mão a cabeça, agitando os cabelos. – meu passado não é de todo mentira...?

- Ainda precisamos entender como tudo aconteceu. – disse a mulher. – mas o que importa agora é que eu o tenho de volta. – estendeu os braços.

Ele recuou, sua mente dava um nó, as lembranças misturavam, já não sabia o que era verdade o que era mentira.

- Está tudo errado... – passou as mãos de forma nervosa pelo cabelo.

- Continua com a mesma mania.

MM a fitou, como ela sabia daquilo? E aquela voz? Era exatamente igual a da italiana.

- Vai me negar um abraço?

Ela não esperou uma resposta. Foi ate ele e o acolheu. A principio MM relutou, mas ao sentir aquele contato... era exatamente igual quando Liriana o abraçava.

- Meu pequeno... eu fiquei tão preocupada.

A forma como ela acariciava seus cabelos o desarmou, as vezes no meio da noite acordava em Câncer sentindo falta dos carinhos de sua mãe. Pensou em inúmeras vezes voltar para a Itália reencontrá-la, mas nunca conseguia.

- Mamma....

- Também senti muito a sua falta.

Afrodite os fitava sorrindo. Flagrou inúmeras vezes o canceriano falar de sua mãe, só não imaginava que ela era de outro planeta.

- Como você cresceu.... – o fitou. – se parece tanto com seu pai.

Ele sorriu.

- Seja bem vindo Eron. – disse Rihen de forma cortês. – estou feliz que tenha voltado.

- Obrigado.

- Vem, vamos entrar. – ela abraçou novamente o filho - Temos muito o que conversar. – olhou pra os cavaleiros. – vocês também.

Os cavaleiros seguiram com Giovanni e a rainha.

- Parabéns Marius. - disse Rihen. - espero um relatório. - a voz saiu divertida.

- O terá. Com licença.

Marius acenou, saindo em seguida.

- Ren.

- Sim senhor.

- Coloque todos em prontidão. - Rihen tomava o rumo de uma pequena nave, estacionada na segunda parte da pista. - é uma boa hora para ocorrer atentados. Segurança máxima em Ranpur.

Ren bateu continências tomando o rumo do palácio.

Se o exterior impressionava por sua arquitetura, o interior era por sua beleza e similaridade aos grandes palácios da Terra. O estilo era semelhante ao renascentista, com mármores em variáveis cores, ouro e outros adereços.

- Eu queria morar num lugar como esse... - murmurou Dite impressionado. - digno da realeza.

Era a opinião de todos. O único que se mantinha em total silencio era Giovanni. Aquelas paredes, pinturas e decorações pareciam parte de um sonho. A rainha levou o cortejo para uma pequena sala, igualmente luxuosa.

- Por favor fiquem a vontade. - disse a rainha. - e me perdoem a minha falta de modos. Revê-lo... - a voz embargou ao fitar o filho. -  Meu nome é Lirya, é um prazer conhecê-los.

- De maneira alguma majestade. - disse Afrodite. - Meu nome é Gustavv.

- Muito prazer. Quando Marius me disse que havia atlantiks na Terra fiquei surpresa. – ela olhou para Mu e Shion.

- Eu sou Shion de Áries majestade. – o mestre reverenciou. – e agradeço em nome de todos a hospitalidade.

- Eu é que tenho que agradecer por ter cuidado do meu filho e ser enérgico com ele, Eron tem um gênio forte.

O ariano ficou rubro com o comentário. Um a um dos cavaleiros foram se apresentando.

- ... E Kamus de Aquário. - fez uma leve mesura.

A rainha apenas acenou. Quando recebeu o relatório de Beatrice, não imaginava que aqueles rapazes tivessem energias ligadas aos elementares puros. Seria interessante encaminhá-los a devidos planetas.

Giovanni não parecia participar da conversa, andava pela sala, olhando cada objeto, as vezes passava a mão em algum. Ele caminhou até a janela. De lá tinha-se uma vista esplendida da cidade.

Duas batidas a porta interrompeu a contemplação e as apresentações.

- Majestade. - Marius fez uma mesura antes de entrar acompanhando por Ren.

- Acomodem-se. Estávamos nas apresentações.

- Sou Ren Kaimah, superintendente da área 36 e filho de Marius.

- Ele em breve explicará a vocês o funcionamento da área de segurança da nossa galáxia. – Lirya olhava para o filho. - Célica e Hely.

De uma porta lateral surgiu duas garotas. Elas trajavam a mesma roupa, uma túnica que cobria todo o corpo na cor branca.

- Rapazes, essas são minhas damas reais e guarda costas. Meninas...

- Me chamo Célica. Prazer. – ela era bem alta, bem acima de 1.80, pele morena, cabelos castanhos cacheados ate o meio das costas, olhos negros, traços finos.

Deba deu um pequeno sorriso.

- Meu nome é Hely. Prazer em conhecê-los. – era tão alta quanto Célica. Possuía longos cabelos loiros e olhos azuis e pele alvíssima.

Shion indicou para os cavaleiros se apresentarem e na vez do canceriano...

- Giovanni. - nem fez questão de olhá-las.

Lirya franziu o cenho, mas resolveu deixar para lá. Talvez fosse o cansaço da viagem.

- Devem está cansados. Providenciei quartos para todos, dentro de uma hora mandarei servir uma refeição.

- Majestade, desculpe o atrevimento... – interrompeu Shion. – mas posso pedir algo?

- Sim.

- Ao invés de um quarto para cada um, seremos quatro grupos. Se não se importar.

- Seja como quiser. – sorriu.

- Senhores, - Marius levantou. - preciso voltar ao trabalho.

- Obrigado pela oportunidade senhor Marius. - disse Saga.

Ele apenas sorriu, saindo acompanhado por Ren.

- Majestade, - Hely aproximou. - as acomodações já estão prontas.

- Perfeito. Por favor venham comigo. - olhou para Mask. - Eron.

Hely e Célica olharam imediatamente. Haviam reparado naquele rapaz, mas não imaginavam que ele fosse o Tempestta desaparecido.

- Senhora...? - Célica a fitou.

- É ele. - sorriu satisfeita. - explicarei depois. Vamos.

O.o.O.o.O.o.O

A área estava vigiada por homens armados. Acesso ali era extremamente restrito, contudo um homem avançava sem qualquer dificuldade.

Os guardas da porta permitiram a sua passagem, a sala era pequena, com diversos monitores acesos.

O homem caminhou até um painel, apertando um botão. No centro do salão apareceu um holograma de um homem sentado numa cadeira.

- E então? – disse o homem sentado.

- É ele. - a voz saiu firme.

- Já o viu?

- Apenas por foto, tudo correu em segredo de Estado mas a rainha pretende realizar hoje uma pequena cerimônia para apresentá-lo á alguns membros do conselho.

- Precisamos desestabilizar o conselho e a policia. Só assim teremos a galáxia em nossas mãos.

- Com ele de volta não será fácil. Muitos esperavam o retorno do príncipe.

- Usaremos essas armas primeiro se não funcionarem temos um ultimo recurso. – sorriu de maneira sinistra. - mantenha-me informado.

- Sim.

A transmissão foi encerrada.

O.o.O.o.O.o.O

Marius e Ren tomavam o rumo da pista de pouso.

- Pai, quem mais sabe sobre Eron?

- Lirya, Evans, Rihen e eu. Ninguém do conselho, ou dos nossos aliados. Era uma informação sigilosa.

- Entendo...a senhora Lirya está muito feliz.

- Eu acompanhei todo o sofrimento dela desde aquela época. - o olhar estava perdido no horizonte. - a perda de Soren e o desaparecimento de Eron a abalaram muito.

- Felizmente as coisas terminaram bem. Sei que as lembranças de Eron irão voltar e tudo vai se resolver.

- Eu não tenho tanta certeza. - a voz saiu grave.

- Por que diz isso pai?

- Você sabe que Lirya e eu trazemos a duras penas o conselho. Ele só foi possível de se formar por causa da devastação que a guerra nos causou, mas agora depois de tantos anos, está enfraquecendo. Ainda temos a maioria dos conselheiros a nosso favor, contudo temos muitos contras.

- Mas com a volta de Eron ele tomará a frente.

- É um longo caminho até isso acontecer. - disse com pesar. - quando a noticia se espalhar é que teremos noção do tamanho do nosso problema. Filho, - Marius parou, tocando no ombro de Ren. - ainda temos S1, não acredito que eles admitiram a derrota.

- Mas estão tantos anos sem nos causar um ataque direto...

- O momento que eles esperavam chegou. Quero que coloque Ranpur em alerta máximo, vou conversar com Evans, o palácio deve ser protegido a todo custo. Eu não tenho dúvidas que S1 está preparando algo e pronto para dar o xeque-mate.

Ren ficou em silêncio.

- Vá. - Marius apontou para a nave. - e tome todas as precauções.

- Sim senhor. - fez uma mesura.

O.o.O.o.O.o.O

Era um dos pontos mais freqüentados pelos cidadãos a margem da sociedade. Piratas, mercenários, pessoas de vida fácil, todos paravam ali. A música alta parecia não incomodar. Estava sentado num canto do bar, preocupado apenas em apreciar a sua bebida e não chamar a atenção.

- Posso pagar uma bebida?

O homem ergueu o rosto, afastando um pouco capuz para confirmar a voz conhecida. Com o gesto indicou para ele se sentar.

- Duplo. - o recém chegado acenou para o balcão.

Não trocaram uma palavra enquanto não foram servidos.

- Faz tempo que não o vejo. - disse o recém chegado levando o copo a boca. Tomou a bebida esverdeada num gole só. - não é bom uma pessoa de alto cargo andar num planeta como esse, num estabelecimento como esse, mesmo sobre sua responsabilidade.

- Não havia necessidade da minha presença, Dara. - também tomou num único gole. - mas também não estou na companhia de um qualquer.

Dara sorriu.

- Você não muda.

- Digo isso a você. Entra ano e sai ano e tem a mesma aparência. Será que se deve a sua raça? - sorriu.

O homem de mais ou menos cinqüenta anos, cabelos loiros longos presos num rabo de cavalo e olhos extremamente azuis claros fechou a expressão.

- Brincadeira velho amigo. - disse o outro sabendo que tocara num ponto delicado. - alguma novidade nesse fim de galáxia?

- As mesmas de sempre. - relaxou um pouco. - assaltos, mercenários, assassinatos. Ranpur pouco se importa com esse lado de cá.

- Os Tempesttas deixam a desejar.

- Não são eles.

- Está defendendo a família real? - a voz saiu com uma falsa surpresa.

- Só estou dizendo a verdade. Os problemas desse setor da galáxia não chegam como se deve aos ouvidos do conselho. Sei que minha posição é neutra, mas no tempo de Soren, aqui existia mais ordem.

- O rei está morto. - a voz saiu seca. - os tempos mudaram e para piores.

- Realmente espero que não. - acomodou-se na cadeira. - estou esperançoso.

- E ao que se deve?

Dara ficou por alguns minutos em silencio, analisando o companheiro. Em seguida simulou arredar a cadeira para mais próximo da mesa.

- Eron.

O outro permaneceu em silêncio por alguns segundos, absorvendo a informação.

- Como é? - aquilo era absurdo.

- Eron voltou.

- Do que está falando? Dizem que está desaparecido, mas para mim está morto. Ele era uma criança, não tem como ter sobrevivido.

- Então quem está no palácio é um impostor.

- Dara... - o homem aproximou o rosto. - não brinca com isso.

- Ele voltou Iskendar. E você sabe o caos que isso vai causar.

O homem voltou a posição original. Aos poucos tirou o capuz que envolvia seu rosto, revelando os cabelos brancos e olhos azuis escuros.

- GS entrará em guerra novamente. - murmurou.

O.o.O.o.O.o.O

O cortejo seguiu por um longo corredor, com Lirya explicando sobre a localização dos cômodos no palácio. Pararam em frente a uma porta de madeira branca. Shion tomou a frente.

- Aioria, Afrodite e Shaka ficaram aqui. – ordenou Shion.

- Preparamos diversas roupas, podem escolher a que preferirem. – disse a rainha. - fiquem a vontade.

- Agradeço a hospitalidade senhora. - Shaka fez uma mesura.

- Quando for a hora os chamarei. – rematou o mestre.

Os três entraram.

- Uau! – exclamou Aioria ao ver o quarto.

- Digo de um palácio. – disse Dite.

- Olha só para isso! – Aioria pulou sobre a cama. – é muito macia.

- Aioria... – murmurou Shaka.

O quarto era típico de um quarto renascentista em toda a sua pompa e beleza. Era espaçoso e muito bem dividido.

- Vejam aquilo. – o sueco apontou.

Os três cavaleiros dirigiram até a varanda.

- Que vista... - murmurou o leonino.

- Esse lugar realmente é bonito. – Shaka debruçou sobre o parapeito. – quem diria que Giovanni é dono disso tudo.

- Quem diria que ele era um ET. -  brincou Dite. - muito rico por sinal.

- Se ele não escolher ser um príncipe podemos interna-lo. - disse Aioria.

- Não será uma decisão fácil. – Shaka olhava os jardins que haviam ao redor do palácio. - ser um cavaleiro ou um príncipe. Vamos nos aprontar, não queremos deixar Shion esperando.

- A mãe dele disse que tinha roupas....- o leão olhava ao redor. – onde será que está?

- No closet leãozinho. – Gustavv abriu uma porta lateral. – Por Atena! Isso é maior que meu quarto.

- Escolham qualquer roupa. – Shaka suspirou entediado. – devem ser todas iguais.

- Não é mesmo. – Afrodite olhava as roupas penduradas. – são diferentes e estranhas, um estilo... sei que lá o que é isso.

- Escolham qualquer uma. - Shaka apareceu na porta.

- Vou ficar com essa. – Aioria pegou uma. – lembra muito roupas de Et’s.

- Eu quero essa. – Afrodite pegou um cabide.

Shaka balançou a cabeça negativamente. Olhou rapidamente para as roupas, pegou a que mais agradou.

A solicitação de Shion tinha sido realizada a risca. Tanto que a segunda porta, já era mais um quarto para Saga, Kanon e Shura.

Despediram-se entrando.

- Eles sabem agradar os hospedes. – Kanon espreguiçou. – temos ate varanda.

O quarto seguia aos moldes do primeiro.

- E pior que aquele macumbeiro é dono disso tudo. – Shura foi ate a varanda. – tirou a sorte grande.

- Cuidado com as palavras Shura. – disse Saga. – ele é o príncipe. Não queremos problemas para Shion.

- Eu sei.

- Vou tomar um bom banho. – o geminiano mais novo caminhou para o banheiro. – e escolher uma roupa bacana. Essa festa promete.

- Kanon... - murmurou Saga prevendo que teria que ficar de olho no irmão.

O terceiro quarto foi ocupado por Miro, Kamus e Dohko. Quarto semelhante aos demais.

- Local legal. – Miro andava pelo ambiente.

- Todos os quartos devem ser assim. – disse Kamus.

- Não sei por que o mestre disse para ficarmos em grupo. – o escorpião jogou o corpo na cama.

- Não é obvio? – indagou Kamus ironicamente.

- Ate parece que não conhece aquele velho. – Dohko sentou no sofá. – ele quer nos vigiar.

- Imaginei...

- Bom, eu vou para o banho. - disse Kamus.

O cortejo parou no ultima porta.

- Senhor Shion. - Lirya indicou.

- Obrigado majestade.

- Célica irá chamá-lo. Fique a vontade.

A jovem fitou o ariano mais velho para depois olhar para Aldebaran. Ele correspondeu.

- Esse lugar é fantástico. - Deba abriu a porta da varanda.

- Concordo. – Mu olhava a vista.

- Só espero que não arrumem confusão. – Shion sentou-se numa cadeira. – já basta essa reviravolta.

- Nunca poderia imaginar que Giovanni não era da Terra. – Aldebaran acomodou-se numa cadeira carmesim.

- Não só ele... – Mu sorriu. – de forma indireta também não somos.

- Será interessante conhecer mais lemurianos. – Shion relaxou. – poderão responder as minhas duvidas.

- A senhora Lirya falou que tinha roupas... – Deba dirigiu-se para o banheiro. – vou escolher uma.

- O que será dele agora mestre? – indagou Mu referindo-se ao canceriano.

- Ele terá que aceitar sua nova condição. E escolher qual caminho vai seguir.

Lirya seguia na frente repassando as ultimas ordens a suas ajudantes, MM seguia atrás apenas observando o palácio. As vezes vinha em sua mente imagens daquele local.

As meninas despediram-se com uma pequena reverencia.

- Eron.

A voz da mãe o trouxe de volta. Ela apontou para uma porta.

- É seu quarto.

Ainda hesitante o canceriano aproximou e lentamente abriu a porta. A cabeça foi invadida por imagens. O quarto era enorme. Havia uma pequena sala, uma pequena sala de jantar, uma das portas dava acesso a um escritório, a outra a suíte ricamente decorada e a outra um banheiro enorme.

- É muito grande... – deu um meio sorriso. – maior que a casa de Câncer.

Andou calmamente ate uma porta de vidro, ao abri-la sentiu a brisa sobre si. A varanda deveria ser do tamanho do quarto de tão grande e a vista sumia do campo de visão. Dali via todas as principais construções de Shermie.

- Sei que está confuso. – Lirya parou ao lado dele. – mas vai acabar se lembrando...

- Espero que sim... - a voz não saiu muito feliz.

- Tudo que seu pai fez foi para protegê-lo, não pense que foi fácil todos esses anos sem saber onde estava. – tocou o rosto dele. – estou muito feliz por vê-lo novamente.

- Obrigado. – sorriu.

- Descanse um pouco. Teremos muito tempo para conversarmos.

Giovanni ainda ficou por muito tempo na varanda, admirando a vista. Algumas horas atrás era apenas um cavaleiro e agora era um príncipe de uma galáxia distante. Foi para o banho deixando o corpo repousar na água morna da piscina.

- Dite que iria gostar. – riu. – e eu achando que só o Saga tinha piscina...- riu. – eu tenho dinheiro.

Silenciou-se, aquilo fora dito apenas da boca para fora, trocaria tudo aquilo por sua vida anterior. Pegou seu pingente passando a observá-lo.

Cerca de meia hora depois estavam prontos. Aioria olhava-se no espelho. Pensava que estava vestido à maneira do lugar, pelo menos supunha.

- Gostei. - sorriu.

Aioria usava uma roupa normal para os padrões terrestres.

Uma calça preta, blusa de manga cumprida preta com a gola. Uma linha branca ligava o primeiro botão ao final da blusa. O material era duro, mas não parecia couro e sim emborrachado.

- Que isso criatura? - indagou Dite ao vê-lo. - Mad Max?

- Legal não é? - estava empolgado.

- É... - torceu a cara.

- Sua roupa... - Aioria a achou muito séria para os padrões do pisciano.

- Menos é mais. - piscou.

Ele trajava uma calça preta e blusa de manga cumprida vermelha com detalhe nos punhos em preto.

- Se diz. - o grego deu nos ombros. - Shaka que roupa escolheu?

- Essa.

Aioria e Afrodite o fitaram surpresos. Shaka usava o que parecia ser uma túnica longa. As mangas compridas e justas, a gola bem justa ao pescoço, a “saia” da túnica era mais solta dando mobilidade. Era toda lisa, sem desenho, botão, enfeite e na cor branca.

- Que roupa estranha... - disse o leonino.

- O que importa é que estou confortável.

- Você que sabe. - Dite também achou estranha. - Bom... agora é só esperar Shion nos chamar.

No quarto ao lado, Shura também mirava o espelho. Trajava uma calça azul escuro e botas pretas que batiam na canela. Um sobretudo de gola rente ao pescoço e comprimento até a coxa na cor branca. As mangas eram compridas e do cotovelo ao punho era do mesmo azul da calça. Uma faixa azul de mais ou menos dez centímetros de largura ia do pescoço ao final da roupa.

- Parece roupa de gente importante. - disse para si mesmo.

- É meio parecida com a minha.

Ele virou-se para trás deparando com Kanon.

- Ficou bom. - comentou.

- Saga! - gritou o marina.

- Já estou indo.

Um tinha se trocado no closet e outro no banheiro. Shura ao ver Saga segurou o riso.

- São idiotas mesmos! Escolheram a mesma roupa.

Os gêmeos fitaram-se.

- Kanon!

- Eu peguei a roupa primeiro! Por que gosta de me imitar?

- Pelo menos os detalhes são de cores diferentes. - Shura balançou a cabeça negativamente.

Saga e Kanon trajavam uma calça branca, botas pretas e um colete branco sem mangas e de comprimento ate a canela. A gola era alta e tinha uma faixa estreita que começava  na gola e ia ate o final do comprimento, sendo que em Kanon esse detalhe era verde e de Saga azul.

No penúltimo quarto...

- Não muito diferente dos da terra. - Dohko fechou o botão do punho esquerdo. Usava uma calça preta e blusa de manga comprida marrom em gola redonda.

- Roupa social? - indagou Miro assim que o viu.

- Pois é. Também achei estranho encontrar por aqui, mas foi a que mais gostei.

- Se não fosse pelo cinto falaria que está de pijama. - o grego tocou na blusa. - pano grosso.

- E essa sua? - Dohko o fitou.

- Achei interessante. - foi até o espelho. A roupa dele era igual ao de Shura,  contudo ao invés do azul os detalhes eram em preto. - não se pode dizer muito do senhor gelo. - o viu através do espelho.

- Sem comentários. - disse o francês.

Ele usava uma calça e blusa mangas compridas na cor branca. No peito e nas costas era decorada com um circulo na cor verde escuro. A bota era preta.

- Não achei tão diferente das roupas da Terra. - Dohko o  fitou.

- Mudando de assunto como será que o Gio está? – Miro deitou na cama.

- Com a mãe dele. - a resposta de Kamus saiu seca.

- E ele vai ficar aqui para sempre? – indagou o grego.

Ficaram calados, pois não sabiam a resposta.

Aldebaran fitava a paisagem, quando Mu surgiu na porta.

- Que roupa é essa? - indagou o ariano assim que viu o amigo.

- Legais não são? Também foi a única que me serviu. Acho que Dohko iria gostar, parece roupas chinesas...

Aldebaran vestia como mesmo ele havia dito roupas chinesas antigas. Por baixo usava um conjunto de calça e blusa de manga cumprida na cor cinza escuro. Por cima algo semelhante a um quimono, contudo sem mangas e cumprimento aos joelhos. A cor era vinho e no meio, era preso por um cinto também cinza. A bota era da cor do quimono.

- E essa túnica ou toga? - Deba o fitou de cima a baixo.

- Eu gostei... - disse meio sem jeito.

Mu usava uma toga de mangas curtas e até o joelho na cor branca. Por sobre um dos ombros usava um pano branco que contornava o corpo.

- Parece grego. - o taurino coçou a cabeça.

- Acho que sim.

- Estão prontos? - Shion chegou na porta.

Deba olhou para os dois.

- Saga e Kanon as vezes se vestem iguais... - murmurou. - mas vocês...

- Está ótimo. - disse Shion olhando pupilo. As roupas eram iguais. - vamos aguardar o chamado.

Há quase uma hora, Giovanni estava dentro da banheira. Consultou o relógio, vendo que era hora de sair. Procurou por suas roupas encontrando apenas uma vestimenta que estava sobre a cama. Não tendo alternativa vestiu. Olhou-se no espelho não se reconhecendo.

Era uma túnica preta bem folgada tanto na saia como nas mangas. Para marcar a cintura, usava um cinto dourado. Na parte superior, ombreiras de material semelhante a metal também douradas.

- Parece a ombreira de Câncer... - Mask tocou no objeto.

- Está lindo.

Virou-se para trás deparando com a mãe.

- Bati na porta. - caminhou até ele.

- O quarto é muito grande... não ouvi. Desculpe.

- A roupa ficou perfeita. – ajeitava a ombreira. – minha intuição de mãe não falhou quando mandei fazê-la.

- Ficou certa.

- Só falta...

Ela foi ate um armário tirando uma caixa de madeira.

- Também mandei fazer isso... ficou por três anos guardado. – aproximou dele. – espero que sirva. - Lirya depositou a caixa sobre a cama.

Abriu a caixa, MM ficou sem entender.

- Me ajude a tirar as ombreiras.

O canceriano retirou colocando sobre a cama.

- Eu não sei como é na Terra, mas aqui temos alguns detalhes... - sorriu divertida, pegando uma faixa azul escuro nas mãos. - essa faixa é uma das insígnias que representam nossa casa real. Sempre que tivermos um compromisso oficial temos que usá-la.

- Na Terra tem essas frescuradas.

Ela riu.

- Sempre do ombro direito na transversal. - colocou no filho. - a ombreira irá manter a faixa no lugar. - ajeitou o objeto. - segundo item. - pegou na caixa um broche dourado. - a estrela de quatro pontas representa nosso reino.

- Representa as quatro pessoas que fundaram nosso reino. - disse sem perceber.

Lirya o fitou curiosa.

- Apesar de não parecer, eu prestava atenção nas suas aulas. - ficou sem graça.

- Eu sei. - sorriu satisfeita, pregando o broche no peito direito dele. - e por ultimo... sua coroa. Ainda é um príncipe por isso ela é mais simples. – colocou nele. – mas não menos importante. Veja.

Giovanni olhou-se novamente agora com a “coroa” na cabeça. Era uma tiara de metal que circundava a testa.

- Está como um verdadeiro Tempestta. - afastou um pouco. - Longa vida meu filho. Longa vida ao futuro rei da galáxia.

- Gala-xia? – gaguejou.

- Sim. Hoje a noite deve usar essas insígnias. Agora venha, seus amigos o aguardam.

Célica encarregou de chamar os cavaleiros, seriam levados para a sala de jantar.

- Que roupa é essa Shaka? – indagou Miro. – alias cada um está com uma roupa... ei por que sua roupa é igual a minha?

- Você que me copiou. - ralhou Shura. - com tanta roupa...

- Já chega. – disse Shion de maneira enérgica. – vamos.

- Arrumou uma roupa legal, mestre. – Dite deu um sorriso cínico. – mas igual a do Mu?

O ariano de cabelos lilases suspirou entediado.

- Podíamos ter usado nossas próprias roupas. – apesar de sentir confortável Shaka preferia suas próprias roupas.

- De jeito nenhum. – Aioria olhava a si mesmo. – só está faltando os óculos escuros.

- Idiota. – Kanon deu um pedala nele.

- Kanon!

- Rapazes por favor... – Aldebaran tentou apaziguar.

-  Vão achar que estamos no carnaval. – Saga olhava os demais.

- Vão mesmo. – Dohko riu.

- É melhor irmos.

Foram conduzidos a uma ampla sala, Marius também estava lá. O senhor ao vê-los segurou o riso. A analise de Beatrice estava correta. Eles tinham certas particularidades.

- Espero que tenham descansado. – disse.

- Levará um tempo para acostumarmos senhor Marius. – Shion o cumprimentou.

- Sei que sim. – olhou para a roupa. – como de se esperar a raça falou mais alto.

- Por que diz isso?

- Essa roupa são roupas típicas dos Atlantiks.

- Sério? – Mu ficou surpreso.

- Sim, alias todos, - olhou para cada um. – fizeram uma boa escolha.

Célica também havia notado isso, principalmente o rapaz que escolhera as roupas tradicionais de sua raça. Estava curioso a respeito dele.

- A que se refere senhor Marius? – indagou Shaka.

- De...

O chanceler foi interrompido, a porta principal abria-se dando passagem a Lirya. A rainha ficou surpresa ao vê-los vestidos daquela maneira. Olhou rapidamente para Marius que apenas sorriu.

- Boa tarde rapazes.

- Majestade. – Shion curvou-se, assim como os demais.

- Eron, entre por favor.

Os cavaleiros voltaram a atenção para a porta, MM surgiu com cara de poucos amigos. Fez um minuto de silencio para depois Kanon, Shura, Aioria e Miro caírem na gargalhada.

- Podem parar! – ralhou o canceriano, vermelho.

- Você está uma graça com essa roupa. – disse Deba o que fez as risadas aumentarem.

- Deba! E vocês, já chega! Não sou palhaço.

- Você está ótimo com essa roupa. – Aioria ironizou.

- E você uma bicha com essa roupa colada. – rebateu.

- Ora...

Lirya não se incomodou com a pequena discussão, estava feliz por seu filho ter amigos que mesmo brigando pareciam ser unidos. Ao contrario de Shion que estava vermelho de raiva.

- Aioria, Shura, Kanon, Miro e Giovanni já chega! Não quero discussões!

Os cinco calaram-se.

- Desculpe majestade. - Shion ficou pálido. Mandou o príncipe calar a boca.

- Tudo bem. - achou o fato interessante. -  Por favor, sentem-se.

Sentaram ao redor da mesa, logo apareceu muitos empregados colocando a mesa. Os cavaleiros olharam ressabiados, pois nenhuma daquelas comidas eram iguais as da Terra. Dite foi o cobaia, pois se ele gostasse, todo mundo iria gostar. O pisciano pegou algo que parecia um pão porem na cor verde.

- Isso é bom. – disse. – muito bom.

Diante do aval do paladar exigente do sueco, começaram a comer. A refeição seguiu em silencio, com apenas algumas trocas de palavras.

O.o.O.o.O

Duas naves de vigilância da policia galáctica estavam na orbita de um planeta desabitado. Faziam a ultima patrulha do turno.

O piloto estava sentado de qualquer modo na poltrona. Trazia um copo com alguma bebida quente, uma pequena tela diante do painel de controle transmitia uma corrida de animais.

- Vai belezinha! - torcia para o número 5 que estava em terceiro lugar.

- Elgin! - o rádio chamou.

- O que é? - respondeu sem desviar a atenção.

- Pare de ver essa corrida sabe que somos vigiados.

- Não amola! Vai, vai, vai!!! - gritou entusiasmado, o número do 5 ultrapassou o segundo colocado.

- Está na hora da ronda.

- Quebra esse galho, Singer, a corrida está quase acabando, pago uma bebida para você quando voltarmos.

- Está bem...

Elgin viu a nave do amigo partir para ronda, o olhar voltou para a tela.

- Isso!!! Ganhei!!! - berrou. - minha viagem está garantida!

Elgin voltou a posição, desligando a tela. Olhando pelo pára-brisa procurava a outra nave.

- Singer. - chamou-o pelo rádio. - Singer. - tentou novamente, mas estava mudo. - para de bancar a esposa com raiva e atende essa porra! - nada. - saco.

Ele ligou a nave, indo em direção onde o amigo tinha ido.

- Juro que peço transferência, cansei de trabalhar nesse fim de galáxia.

A nave fez a curva, circundando o planeta, os olhos arregalaram quando teve o campo de visão ampliado. A nave de Singer estava de frente para uma nave muito maior e sem emblema de identificação.

- Droga! - começou a apertar todos os botões. - central, nave não identificada. Coordenadas X589,Y697, H193, área 85, planeta Drima. - apertou o botão do rádio. - Singer!

Chamou o amigo, mas não teve tempo de fazer nada. Um forte clarão ofuscou a visão dele. Em segundos a nave de Singer estava em chamas.

- P@%&!

Ligou os motores auxiliares, para uma manobra evasiva, contudo... um raio azul veio em sua direção...

O.o.O.o.O

Após a refeição seguiram para um dos jardins internos. Acomodaram-se nos muitos bancos de mármores. A temperatura estava agradável e o perfume das flores brindava o olfato.

- Que comida gostosa. – Shura fitou a mãe de MM. – sempre imaginei que comida de ET fosse uma gororoba viva e cru.

- Também achava. – disse Kanon. – retiro todos os meus pensamentos.

- Temos hábitos semelhantes aos seus Kanon. – comentou Marius. – com a comida não seria diferente.

- É boa mesmo. – Mask  manifestou.

- Fico feliz que tenham gostado. – Lirya estava contente.- quero que se sinta em casa. Todos vocês.

- Agradecemos. –  Shaka disse por todos.

- Não sei se Marius contou a vocês sobre o nosso mundo...

- Disse coisas superficiais.

- Tentarei não ser chata no meu relato. – tomou fôlego para continuar. – GS é composta por vários povos. Todos têm governos próprios, mas de duzentos anos para cá, a família Tempestta por descender dos elementares puros foi coroada como reis. Mesmo assim preservarmos certas autonomias a esses povos e ate hoje eles possuem sistemas administrativos próprios, mas vinculados a nós.

- Podem ser considerados como os países da Terra. - Marius queria exemplificar.

- Alem disso - retomou Lirya. - quando conquistamos o espaço há cerca de setecentos anos implantamos um sistema único de defesa, a policia galáctica que tem como funções proteger civil e militarmente toda a galáxia, de controle de trafico aéreo ate guerras. Para facilitar a administração dividimos a galáxia em 143 áreas e na hierarquia da policia temos os diretores de áreas, o diretor geral e o presidente.

- Alguns detalhes Ren vai explicar para vocês depois. – disse o chanceler.

- Nós sempre tivemos problemas com a galáxia S1, a mais próxima de nós, a ultima foi a quinze anos atrás. Foi uma intensa mobilização que causou diversas mortes, mas felizmente vencemos.

- Foi uma guerra generalizada?

- Sim Shion.

- Envolveu todos os povos. Tivemos perdas humanos e materiais. Os hadrens os quais viajaram, muitos foram inutilizados.

- E meu pai? – MM ate então permanecia em silencio. – o que houve com ele e comigo?

- Seu pai era antes de mais nada, um piloto da policia. Ele exercia o cargo de chefe de governo civil e militar.

- Seu pai sempre combateu Eron. – disse Marius. – ele, Rihen, Samir e eu estudamos juntos na academia de policia. Na época da guerra assumimos tropas.

- Isso mesmo. – iniciou a rainha. - O conflito tomou tamanha proporção que ele achou melhor enviá-lo para um local remoto para protegê-lo.

- Então parei na Terra.

- Sim. Soren sabia que havia Atltantiks em VL19-3 e com a ajuda de Samir o enviou para lá..

- E como ele morreu?

- A Euroxx. – respondeu Marius. – ela foi atingida por um canhão de plasma. Essa Euroxx de hoje é completamente nova.

- Entendo... – abaixou o rosto. – lembro que estava nela, ouvia muitas explosões... ele me levou ate o compartimento das naves e me colocou numa. – a voz saia melancólica. – eu não queria ir, mas não conseguia parar a nave... só lembro que quando cheguei ao espaço era um caos... dezenas de naves... de repente abriu-se um hadren, nessa hora todas as naves de Ranpur abriram um canal de escape para mim...

Marius acompanhava a descrição, fora daquele jeito que lhe foi relatado. Para que os inimigos não seguissem Eron, Soren determinou a toda tropa que protegesse seu caminho ate ele entrar no hadren.

- Ouvi um som ensurdecedor, quando olhei para trás vi a Euroxx sendo acertada, depois tudo ficou claro...

Lirya tocou o ombro do filho.

- Já acabou.

- Eu sei... – deu um meio sorriso.

- Depois da vitoria. – Lirya voltou a falar. – houve o problema de sucessão. O único que poderia assumir era Eron, mas ele tinha desaparecido. Todos os lideres da galáxia reuniram-se e chegaram a conclusão que um conselho formado por todos os representantes dos planetas deveria governar. Passados quinze anos o reaparecimento de Eron tornava-se remoto então deliberou-se que se Eron não aparecesse a monarquia da galáxia seria abolida e instaurado um regime republicano.

- O senhor Marius faz parte desse conselho. – disse Kamus.

- Sim, sou representante de Ranpur. Como é praticado na Terra, sou o chefe de governo de Ranpur e a rainha chefe de Estado.

- Como assim? – indagou Shura.

- O “país” tem dois governantes. – iniciou Saga. – chefe de Estado representa o país perante os outros países e chefe de governo, governa.

- Como é em muitos países da Terra. – completou o aquariano.

- Por isso essa busca por mim. – a voz de MM soou fria. – precisam de alguém para garantir o poder.

- Claro que não Eron. – Lirya o fitou. – sempre quis encontrá-lo.

- Não digo pela senhora. – a fitou. – digo pelos outros. – levantou. - Sei muito bem como são esses jogos políticos. Alguns querem que o conselho permaneça outros vão desejar que ele acabe e suas ambições dependem do aparecimento ou não do príncipe.

- Eron...

- Pouco me importo com isso.

Disse saindo.

- Eron. – a rainha o chamou. – Eron.

- Deixei-o majestade. – disse Dite. – ele é assim mesmo.

- Sim...

- Senhor Marius. – Kamus queria mais detalhes sobre o assunto. – qual a conseqüência se o conselho desaparecer?

- Os danos são grandes. Na época de criação houve prós e contras. Desde então ele vem caminhando por uma linha tênue. Nosso maior medo é que S1 aproveite-se desse racha e ataque.

- Existe essa possibilidade? – indagou Saga.

- Sim. Soren conseguia manter todos os planetas unidos, sem a figura dele... alem da ameaça de S1 poderemos entrar numa guerra civil. Temos aliados fortes, assim como temos inimigos fortes.

- Em todo lugar a ambição sob a cabeça das pessoas. – disse Aldebaran.

- Infelizmente Aldebaran. – a rainha o fitou. – tenho tentado manter todos unidos, mas é difícil.

- Senhora Lirya, - Shion tomou a palavra - desde que entramos na Euroxx, notei que existe muitos jovens de vinte e poucos anos e pouquíssimos acima de trinta anos. É uma espécie de seleção?

- Também notei isso nas ruas. - observou Dohko.

- É por que perdemos grande contingente de pessoas na guerra. - a voz de Lirya saiu triste. - Em todas as raças houve esse problema. Nossa população ativa decaiu bastante e inúmeras crianças cresceram órfãs. Agora que estamos conseguindo nos recuperar, por isso se tivermos uma nova guerra...

- A linhagem dos Tempesttas é muito antiga? - indagou Shaka.

- Sim. Eles são do ramo mais próximo do elementares puros. Ranpur é governada por eles há séculos,  eles começaram com a vinda de quatro elementares puros. Claro que com o passar do tempo houve uma mistura, mas conservam a maior parte do Dna. Um Tempestta sempre gera um Tempestta.

- Como assim?

- Eu sou uma Tempestta apenas por casamento, Miro. Eu sou humana. Não importa a modalidade de um casamento de Tempestta, seja com humanos, Eijis, Atlantiks, o Dna dos Tempesttas são dominantes. Eron tem muitos traços da minha família, como a cor dos cabelos, mas geneticamente ele é noventa por cento Tempestta e dez por cento humano. O nascimento de homem ou de mulher não é relevante. Se eu tivesse uma filha ela seria uma Tempestta.

- Pelo jeito que fala, não há outros membros? - observou Kamus.

- Há um controle muito rígido para nascimentos. Normalmente é um filho por casal. Os últimos reis que tiveram dois filhos foi a duzentos anos atrás. Foi um casal, o rapaz por pertencer a policia foi morto numa guerra e a menina assumiu o trono.

- Giovanni é o único descendente vivo?

- Sim Shion.

 



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