História Templo das Bacantes Vol. 2 - Capítulo 15


Escrita por: ~, ~Rosenrot9 e ~IviCanedo

Postado
Categorias Saint Seiya
Personagens Afrodite de Peixes, Aldebaran de Touro, Camus de Aquário, Geist de Serpente, Hyoga de Cisne, Kiki de Appendix, Mascára da Morte de Câncer, Mu de Áries, Saga de Gêmeos, Shaka de Virgem
Tags Afrodite, bacantes, Baco, Bordel, Camus, Cdz, Crime, Drama, Festa, Homosexual, Lemon, Máfia, Puteiro, Romance, Rpg, Saga, Saintseiya, Sexo, Shaka, Yaoi
Visualizações 49
Palavras 6.544
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Hentai, Lemon, Luta, Policial, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shounen, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá meu povo.

com um pouco de atraso, mas ai está.

Eu(Amanda), Ivi e Juliana(Rosenrot) estamos MUITO atarefadas nos últimos dias e podem acontecer atrasos e até um hiato...vamos ver como vai ser.

mas o que importa é que hj saiu um cap..e com desenho lindão da Ju *-*

Capítulo 15 - Queria a sorte de um amor tranquilo.


Fanfic / Fanfiction Templo das Bacantes Vol. 2 - Capítulo 15 - Queria a sorte de um amor tranquilo.

Templo de Baco, 11:25am

— Tá, tá, já entendi, Saga, já entendi... Dadá, que aporrinhação!

Encostado na parede do lado de fora do escritório de Saga de Gêmeos, Afrodite esfregava a fronte num claro sinal de irritação. Falava ao celular em voz baixa, ouvindo as instruções que o geminiano lhe passava, enquanto no interior da sala um grupo de cinco empresários o aguardavam para que pudessem fechar o negócio para o qual tinham ido até lá naquela manhã.

— Eu sei que temos um acordo, Saga, mas... — desencostou da parede inclinando ligeiramente o corpo para frente para poder espiar pela fresta da porta os homens do lado de dentro da sala que pareciam agitados —... É que essa noite eu queria ficar... — suspirou fundo fechando os olhos. Não seria inteligente de sua parte contestar Gêmeos e levantar suspeitas —... Está bem. Pode confirmar com o Prefeito. Essa noite eu estarei disponível para o amiguinho suíno dele... Agora eu tenho que desligar e voltar à reunião com os fornecedores. Até a noite.

Peixes desligou o celular irritado. Aquela manhã estava sendo um suplício, e dado o telefonema de Saga, a noite não seria nada melhor, contudo não podia pensar, sequer lamentar, não agora. Havia cinco homens impacientes o aguardando na sala à espera de fecharem o acordo para serem liberados, e quanto mais cedo os dispensassem, mais tempo teria livre para almoçar com Hyoga e Camus que o aguardavam em Aquário.

Meteu o aparelho telefônico no bolso do cardigan azul marinho de algodão, largo e comprido até o meio das coxas, o qual usava por cima de um macacão branco de linho bem folgado – tinha que esconder suas formas masculinas mesmo estando longe de Hyoga, pois não queria ser pego de surpresa dado qualquer imprevisto – e voltou para o escritório onde se apressou a encerrar a reunião fechando o acordo com os novos fornecedores.

Acompanhou pessoalmente os homens até a saída principal do Templo onde três dos soldados do Santuário faziam a guarda durante o dia.

Um deles era Héracles, velho conhecido do Santo de Peixes, e que esperou apenas os homens se afastarem um tanto, caminhando em direção ao estacionamento para tomarem os carros que os trouxeram até ali, para puxar assunto com o pisciano, que permaneceu em frente à porta de entrada.

— Ora, ora! Há muito tempo não o vejo tão cedo por aqui, Afrodite. — disse o rapaz de porte másculo e típica beleza grega — Está diferente... Está mais... é... digamos... feminino? Resolveu virar travesti? — correu os olhos dos pés à cabeça do sueco deixando escapar um risinho sacana.

Afrodite cruzou os braços enfastiado. Olhou para o soldado, para os olhos verdes profundos, para a cara parlapatona e bronzeada, e sem querer alongar o assunto lhe deu as costas fazendo menção em voltar para dentro do Templo.

— Dadá coroado! Quando mais rezo, mais assombração me aparece! — resmungou já descruzando os braços e caminhando em direção ao salão, mas súbito Héracles o pegou pelo braço e o puxou de volta girando seu corpo para que ficassem frente a frente.

— Ei! Foi uma brincadeira! — disse o soldado agora assumindo um semblante sério — Não quis te ofender, é que... Há de convir que está mesmo mais feminino... Faz muito tempo que não o vejo assim, e fora do expediente ainda. Está usando maquiagem, batom... essas unhas longas e com esmalte... — correu a mão pelo braço do pisciano e segurou em seus dedos delicadamente, erguendo a mão de Afrodite até a altura de seu peito —... Confesso que combinou muito com você. Está ainda mais bonito. — sorriu malicioso.

— Tudo bem, não me ofendeu. Só estou mesmo com pressa, santa. — o sueco desvencilhou-se do outro, novamente intencionando entrar no salão, mas mais uma vez Héracles o impediu se colocando à sua frente.

— Ainda está com o tal namorado misterioso? — perguntou ao pisciano.

— Alôca! E o que isso te interessa?

— Vai dizer que não sente saudades dos nossos encontros no alojamento? Ou na sua casa... A gente tinha um entrosamento delicioso na cama. Não sente falta? — disse com voz rouca, em uma pegada sensual e cheia de malícia.

Atordoado, Afrodite chegou a entreabrir os lábios para dar um chega pra lá naquele grego abusado, mas uma figura que surgia subitamente de dentro do salão feito magia conjurada foi mais rápido e tomou a sua frente.

— Ah, desista, meu querido Héracles. Esse peixe piranha agora está entrosado com outras coisas, tipo... limpar bunda de criança, fingir ser o que não é...

Ao ouvir as palavras de Misty o coração de Afrodite gelou. Felizmente, ao olhar para o rosto confuso de Héracles, Peixes percebeu que ainda podia reverter a situação.

— Aqui todo mundo finge ser o que não é, despacho do Aqueronte. Você, por exemplo, finge ser um cavaleiro poderoso e nobre, mas todo mundo sabe que é só um puto matim* com um sério problema de cafuçu* dos brabos pra cima de mim. E você, Héracles, finge não saber que não tem nenhuma moral aqui para vir me abordar desse jeito. Vou ter que te lembrar que você é só um soldado, e que eu sou seu superior, portanto eu mando e você obedece? Foi assim no passado e continua sendo assim. Agora volte ao seu posto. — disse Peixes em tom firme.

Ao som das palmas irônicas que Misty batia enquanto encarava com ar de deboche o rosto irado do pisciano, Héracles deixou a entrada do salão injuriado, retornando ao posto na escadaria do lado de fora.

— Nossa! Parabéns! Até parece um homem sério e que impõe respeito! — disse Lagarto em meio a risadas um tanto quanto escandalosas, até que parou e sério encarou novamente o pisciano — Eu disse, parece. Só parece... É só olhar para essas unhas postiças, essa roupa larga cafona e essa maquiagem delicada que toda a seriedade que você tenta passar cai por terra na hora. Que roupa é essa, pelos deuses? É para o russinho não ver que a namorada do papai dele tem pau? — outra gargalhada sonora e escandalosa — Você é tão patético, Afrodite.

— E você sempre quis ser assim patético também, né Lagartixa? Tua mágoa de cabocla* me persegue desde que éramos crianças... Ah, eu não tô podendo, sabe? Vá pro diabo que te carregue, vá chorar esse teu cafuçu* no ombro do Hades e avoa, bicha! Avoa! Tenho mais o que fazer.

Dito isso, Afrodite deu as costas a Misty e deixou o salão pela saída lateral.

Tinha de fato algo muito mais importante a fazer, como passar em Virgem para saber o que havia acontecido com Mu que o fez pedir férias subitamente, depois subir até Aquário para almoçar com Camus e Hyoga que já deveriam estar esperando.

Fora do Templo de Baco, já a caminho das longas escadarias que serviam as Doze Casas Zodiacais, Peixes pensava no que poderia estar acontecendo ao amigo ariano e também no que tinha levado Saga a sair tão cedo naquele dia.

Tão absorto em seus pensamentos o sueco estava que quando se deu conta já galgava os degraus que davam acesso ao Sexto Templo, então parou diante da entrada, frente às duas enormes estátuas budistas esculpidas nas vigas de mármore, e ativou seu Cosmo se fazendo anunciar não apenas pedindo passagem, mas desejando falar com os moradores.

Não demorou para que logo Mu viesse receber o amigo com um sorriso amistoso no rosto cansado e um brilho incomum nos olhos verde esmerada.

— Dido! — o ariano desceu alguns degraus já de braços abertos num convite ao abraço — Pensei em te procurar, mas está tudo tão corrido aqui... E eu sabia, no fundo, que você iria aparecer por aqui, então esperei você vir.

Afrodite recebeu o amigo com um abraço apertado e o coração aliviado. Mu em nada lembrava o homem melancólico e de semblante preocupado de dias atrás, voltara a ser a criatura encantadora, gentil e alegre que sempre fora.

— Ah, mas era o mínimo que eu esperava de você, né gata. Ainda mais depois desse pedido de férias fora de hora. — disse sorrindo o pisciano enquanto se afastava do abraço para divisar o rosto do ariano — Tombado* do jeito que você estava todos esses dias quase me mata de preocupação! Fico feliz em ver que o vudu* que pairava sobre você deu linha*... E esse sorrisão, heim? Qual é o motivo dele, posso saber?

Mu suspirou fundo encarando firmemente os olhos do amigo. Passou-se um segundo... dois... três...

— Pode. É claro que pode. — respondeu o lemuriano tocando no ombro do sueco — Venha. Quero que conheça o novo membro da minha família.

— Ah! Não me diga que arrumaram um cachorrinho? Dadá, que gracinha! Quero ver! — disse Peixes seguindo o lemuriano pelo corredor que levava até a parte residencial do Sexto Templo.

— Não é bem um cachorrinho, mas é um filhote sim. — Mu respondeu aos risos.

Logo chegaram à ampla sala, e enquanto a cruzavam a passos comedidos Afrodite olhava em volta notando algumas caixas de papelão e várias sacolas de compras dispostas sobre o chão de madeira de pinho.

Como era de se esperar tanto a mobília quanto a decoração, arrumação e limpeza estavam impecáveis. Até o ar cheirava a fresco e a lavado, com toques sutis de perfume de sândalo, o que fez o pisciano deduzir que tanto as caixas quanto as sacolas estavam ali a pouquíssimo tempo, já que Shaka, asseado como era, não era dado à bagunça. Talvez tivessem acabado de chegar das compras, talvez estivessem arrumando as bagagens para uma possível viagem, quem sabe.

Seu raciocínio fora interrompido quando um cheiro delicioso de algo que assava no forno abraçou seu olfato. Estavam próximos à cozinha, mas Mu virou à esquerda e pararam diante de uma enorme porta que ostentava uma suntuosa escultura de flor de lótus entalhada na madeira nobre.

— Shaka está no jardim das Salas Gêmeas. Vou avisá-lo que está aqui para que ele permita sua entrada. — disse o Santo de Áries já ativando seu Cosmo, e poucos segundos depois a enorme porta se abriu dando passagem aos dois cavaleiros.
 

Ao entrarem no jardim, Peixes surpreendeu-se com o tamanho e majestade do lugar. Enquanto seus olhos corriam maravilhados pelos canteiros de flores, a grama verdinha e as majestosas árvores gêmeas à frente, ele pensava nas tantas vezes que Hyoga tinha falado daquele jardim. — “Por Atena! Que lugar incrível! Tá explicado Hyoguinha ter ficado tão encantado!” — pensou.

— Dadá... O jardim de Virgem é mesmo um lugar incrível! — sussurrou para Mu, que sorriu em resposta enquanto caminhava até o marido.

Shaka estava de costas para eles. Vestido em uma de suas tradicionais túnicas budistas, cabelos presos num coque no alto da cabeça e, agora sim, com um sling tradicional recém comprado preso ao corpo. Entoava um mantra em voz baixa e parecia muito concentrado.

A medida em que se aproximavam, Afrodite sentia o Cosmo do virginiano mais vibrante, e estranhou o fato de ele o ter ativo ali, em uma situação aparentemente de calmaria e paz, mas logo que chegaram bem perto pode perceber que Virgem segurava algo nos braços, preso bem firme a seu corpo.

— Luz da minha vida, não te disse? Nem precisei ir atrás dele. — disse Mu acercando-se do marido — Dido, esse é nosso filhote. Kiki.

Quando Shaka finalmente se virou de frente para Afrodite, este arregalou os olhos, abriu a boca em espanto e ficou com a respiração suspensa por alguns minutos, olhando atônito para o bebê que dormia profundamente no colo do virginiano.

— Pelos guizos das tornozeleiras de prata de Dadá! Não é um cachorro! — exclamou o espantando pisciano levando ambas as mãos ao rosto.

— Cachorro? — disse Shaka em voz baixa, quase num resmungo.

Mu ria ao lado deles, agora acariciando levemente os fiozinhos ralos do cabelo ruivo da criança no colo do indiano.

— Dido achou que tínhamos arrumado um cachorro quando eu lhe disse que nossa família aumentou. — Áries sussurrou — Imagina só que eu ia tirar férias para cuidar de um cachorrinho. Nosso filhotinho é de lemuriano.

— Por que não estou surpreso? — disse Shaka também aos sussurros — Vindo de você, né Peixes, todo absurdo é possível.

— Alôca! Como eu ia saber? — Afrodite quase gritou, e logo foi repreendido pelo virginiano.

— Shiiiiiii... abaixa a voz, escandaloso! Shaka demorou Eras sem fim para conseguir fazer o bebê dormir. — ralhou o loiro.

— Desculpa loirudo! — sussurrou o pisciano, que não conseguia despregar os olhos do pequenino no colo do indiano — Tô sépian!... Um... um bebê! E um bebê lemuriano! Como isso é possível? Onde vocês acharam ele?

— Longa história, Dido, longa história! — disse Mu trocando um olhar cúmplice e cheio de amor com o virginiano, que lhe sorriu de modo tímido e terno — Eu vou te contar tudo. Mas, não hoje, nem agora. Tenho que começar a arrumar o quarto do Kiki, preparar a nova leva de mamadeiras, e aproveitar que ele dormiu para Shaka poder descansar um pouco. Acredite, esse pequenininho aqui consegue nos deixar mais esgotados que exércitos de cavaleiros renegados para combater.

— Pela deusa, ele é tão bonitinho! Olha as pintinhas na testa! Iguaizinhas as suas, Mu. E o narizinho empinado? Isso ele puxou de você, loirudo. — disse Peixes com os olhos brilhantes de emoção.

— Por Buda, Afrodite. Ele é adotado. — Shaka resmungou.

 — E dai? Nunca ouviu falar que os animais assimilam a aparência do dono devido à convivência? Com lemurianos e Budas não deve ser diferente... Por Atena! Vocês já são pais, quem diria!... Kiki!... Posso ser o padrinho?

— Claro que pode! — disse Mu todo animado.

— Mu! — Shaka o repreendeu no ato com um olhar severo.

— Que foi, amor? Dido é meu melhor amigo e foi sua “madrinha” de casamento, ele praticamente já é da família, então nada mais justo que ele seja um dos padrinhos do nosso Kiki.

— Aceito! Obrigado pelo convite! Ah, que emoção! — comemorou o pisciano.

— Buda! — Shaka balançou a cabeça freneticamente enquanto ainda encarava os olhos verdes de Mu, que tudo que conseguia fazer era rir. — Primeiro você me diz que queria chamar o Touro, agora aceita o Peixes. — então olhou para o pequeno em seu colo e sussurrou — Pobre do meu pequenino... Tem um futuro nebuloso com esses dois como padrinhos.

— Para de reclamar Sha. Poderia ser pior. Eu ainda não falei com o Deba, se ralhar muito eu troco ele pelo Saga.

— BUDA! NÃO SE ATREVA. — Shaka elevou a voz e imediatamente o pequenino despertou e começou a chorar — Pronto! Agora ele acordou e a culpa é sua Mu de Áries.

Mu parou de rir, enquanto Virgem voltava a embalar o pequeno.

Afrodite observou a cena por um instante notando que seria bom deixar o casal a sós, pois pareciam ainda muito atrapalhados, e sua presença apenas os distraia. Por isso tratou de dar fim a sua visita.

— Ai gente, desculpa atrapalhar. Quero saber de tudo depois, viu! Do babado completo! Trate de não me esconder nada senhor Mu, fiquei preocupado... Uma criancinha no Santuário! Isso é perfeito! — disse o pisciano já pensando em Hyoga, que ficaria extremamente feliz em saber que teria um amiguinho para brincar, era só Kiki crescer um pouco. Ficou feliz em se dar conta de que Hyoga não seria uma criança rodeada por adultos, por mafiosos, que teria uma chance de ter outros referenciais, e Mu e Shaka eram exemplos exímios de bondade, justiça e moral para qualquer pessoa. Peixes, de um modo estranho, sentiu-se aliviado!

— Ei, Peixes, escute. — logo Shaka lhe chamou a atenção novamente, agora que o bebê havia se acalmado — Logo iremos contar tudo a você e aos demais, mas, por enquanto, precisamos que mantenha o sigilo. Ninguém ainda pode saber da existência de Kiki. No momento certo diremos a todos. Isso é tudo que precisa saber por enquanto.

— Não se preocupe. Eu sou ótimo em guardar segredos. — deu uma piscadinha para Mu, que sorriu — Mas, por que tanto mistério?

— Pela segurança do pequeno. Como cavaleiros deve imaginar que nada é simples em nossas vidas. — disse Áries — Além disso, ele ainda está muito debilitado para receber visitas, e queremos um pouco de privacidade, mas não se preocupe, prometo esclarecer tudo assim que possível. Conversamos outro dia, mas agora que já sabe você pode vir visitar o Kiki sempre que quiser.

— Está certo. Bom, meus parabéns. Estou muito feliz por vocês... Por você nem tanto, Mu, porque graças a suas férias Saga vai sugar tudo que puder de mim. Aquele miolo mole do pau torto! — fez um muxoxo, ouvindo um pigarrear de Shaka em repreensão a seu linguajar —... Mas, eu te perdoo porque suas férias tem um excelente motivo.

— Prometo não deixa-lo na mão, Dido. Se precisar de algo pode me procurar aqui.

— Tá certo. Vou subir porque tenho pouquíssimo tempo para almoçar e hoje ainda terei que trabalhar a noite.

— Eu te acompanho até a saída.

Ainda conversaram na saída do Sexto Templo por uns bons minutos, até que Afrodite seguiu subindo as escadas e Mu retornou a seus afazeres.

Após passar por Capricórnio e certificar-se de que Shura estava recluso no interior de seu Templo, Afrodite subiu até Peixes e selou a parte residencial com seu Cosmo para que parecesse que estava ali, então desceu para Aquário usando uma passagem tão antiga quanto recôndita, a qual ficava na parte das ruínas que compreendia os fundos das construções zodiacais. Durante o caminho tomou o cuidado de trançar os cabelos, colocar um par de brincos e fechar os botões do longo cardigan, já que não tivera tempo para mudar de roupa.

Ao entrar em Aquário se fez anunciar e logo caminhou até a cozinha onde estavam Camus e Hyoga.

O francês terminava de preparar o almoço, e o menininho pacientemente aguardava enquanto coloria um livro que Afrodite lhe dera.

Camus havia dispensado os servos há alguns dias. Tanto por precaução, quanto por zelo. Não queria pessoas estranhas circulando em seu Templo enquanto Hyoga estivesse ali, e também porque ficava mais tranquilo quanto à presença de Afrodite. Revezavam-se nos cuidados com o pequeno russo, fazendo de tudo para que ele conseguisse driblar a tristeza da perda recente de Natassia, e estavam indo bem em seu intento.

Duas vezes por semana uma serva escolhida a dedo pelo aquariano vinha dar conta da limpeza. Nessa hora Camus aproveitava para dar um passeio com o menino e tentar fazer com que se distraísse, fosse caminhando pelo centro de Atenas, visitando museus e parques, ou apenas tomando um bom sorvete.

Na volta Afrodite já os estava esperando com seu melhor sorriso e cheio de amor para dar. Amor esse que a cada dia transbordava mais e mais, e que era retribuído com cada vez mais naturalidade por Hyoga. Como agora, por exemplo, quando o pequeno viu chegar a “amazona” trazendo nas mãos uma cestinha cheia de bolinhos coloridos confeitados com gotas de chocolate, a qual pegara em Peixes antes de descer.

Diiii! — o pequeno sorriu empolgado erguendo os bracinhos ao ar.

Cheguei! — Afrodite respondeu sorridente enquanto colocava a cestinha sobre a mesa para ir abraçar o menininho — Hummm que cheirinho bom! De comida francesa e de criança que acabou de tomar banho! Hummm, mas o que isso? Eu estou nos Elísios? Só pode ser!

Em meio a risos e festejos, Peixes deu um beijo estalado na bochecha de Hyoga e depois voltou-se a Camus que terminava de ajeitar a comida em uma travessa de prata.

Os dois cavaleiros evitavam demonstrações mais acaloradas de afeto na presença do pequeno russo, por isso Afrodite apenas se aproximou do aquariano e lhe deu um beijo singelo no rosto, quase tocando o cantinho dos lábios de Camus.

— Tenho um babado para te contar, Camy... Babado quente! — encostou na pia encarando os olhos avelãs do ruivo, que o olhava de volta com semblante sério.

— É mesmo? Pois eu também tenho algo para te contar, e non sei non se o seu babado é mais quente que o meu, mon amour. — disse Aquário com certo ar vitorioso, depois retirou o avental que usava para proteger a roupa o depositando no balcão ao lado do fogão.

— Duvido!

— Duvida? Pois vamos ver... Conte o seu primeiro. — disse Camus enquanto levava a travessa de prata com os camarões grelhados na manteiga até a mesa, a qual já estava posta para três pessoas.

— Ah não, conte o seu. — Afrodite o seguia já puxando uma das cadeiras para se sentar.

— Uh-hum... você primeiro. — disse Camus puxando outra cadeira.

— Vamos juntos então... um... dois... três. Mu e Shaka adotaram um bebê lemuriano, mas por enquanto é segredo.

— Geisty está grávida de Saga, mas por enquanto é segredo. — o francês disse quase simultaneamente ao sueco.  

A surpresa engoliu ao mesmo tempo a voz de ambos.

Feito duas estátuas congeladas no tempo, olhos arregalados e gestos petrificados no ar, Camus e Afrodite se entreolhavam atônitos ainda processando o que tinham acabado de ouvir, enquanto Hyoga, sem nada entender o que diziam, porque falavam em grego, roubava um camarão da travessa e um bolinho confeitado da cestinha, sem dar muita importância para os dois à sua frente.  

— O... o que? Minha nossa senhora da creche comunitária! A... a Súcubo de franjinha está... grávida? — Afrodite foi o primeiro a quebrar o silêncio.

— Você disse um bebê lemuriano? — disse Camus surpreso — Mas, onde raios eles conseguiram encontrar um bebê lemuriano?

— Você vai matar a mosca varejeira de franja? — Peixes perguntou assustado.

— O... o que? — Camus franziu a testa surpreso com a pergunta.

Em meio a tantas surpresas e perguntas que ainda teriam que ser esclarecidas, o almoço entre os três correu tranquilamente. Hyoga se fartou dos bolinhos açucarados nos quais mergulhava os camarões na manteiga a seu bel prazer, já que Afrodite e Camus tinham tanto a discutir acerca das novidades que desta vez nem implicaram com o paladar peculiar do pequeno russo.

Após deixarem a cozinha, já saciados do alimento e também das novidades, os três foram juntos para a sala. Camus fez alguns telefonemas para Moscou enquanto Afrodite assistia desenhos com Hyoga na televisão.

Não demorou para que o menininho logo sentisse sono, então Peixes o pegou no colo e o levou para o quarto para que tirasse um cochilo. Lá, como sempre fazia, deitou-se na beiradinha da cama cantarolando uma canção até que o pequeno pegasse no sono.

Di. — disse Hyoga com voz já sonolenta.

Diga meu amor.

Hoje a noite você pinta pa mim o olangotango do meu livo? Eu não sei que co é um olangotango.

Os orangotangos? Eles são ruivos igual o seu pai. Até se parecem com ele, sabe?

Hyoga pensou por alguns segundos e logo caiu na risada, e o riso de ambos atraiu Camus que se aproximou lentamente parando no batente da porta, sem ser visto pelo pisciano e pelo menininho na cama.

Mas, você pinta ele pá mim?

Meu amor, eu sinto muito, mas... essa noite eu não posso ficar com você.

Po que não? — Hyoga perguntou desapontado.

Porque... porque... bem... eu sou um... uma amazona. E tanto eu quanto seu pai trabalhamos para o Santuário...

O Santuálio que é a casa da deusa Atena e que é aqui onde a gente tá.

Exatamente, meu amor. Então, essa noite eu vou trabalhar para o Santuário, mas nas próximas estarei aqui com você. Tudo bem?

Hum... tudo bem, Di... Eu te espelo. — suspirou profundamente se rendendo ao sono que o fez fechar os olhos e tombar a cabeça para o lado.

Afrodite sentiu o coração apertado dentro do peito.

Ficou ainda alguns minutos velando o sono do pequenino, então beijou delicadamente sua fronte e levantou-se com cuidado para não acorda-lo.

Quando deixou o quarto surpreendeu-se com Camus do lado de fora encostado à parede de braços cruzados, olhar vago e semblante soturno. 

— Posso saber em que vai trabalhar essa noite? — o aquariano perguntou taciturno.

O pisciano suspirou e inclinou-se para trás, encostando as costas na madeira da porta que tinha acabado de fechar.

— O prefeito Praxédes... ele tem um pochete* muito íntimo dele, um empresário macedônio com quem Saga está tentando fechar um negócio há alguns dias já e...

— Pode parar, já entendi. — disse Camus balançando a cabeça negativamente — Você non vai fazer mais programas.

— O cara disse que não vai fechar o negócio a menos que eu...

— Já disse que non, Afrodite. Non! — disse visivelmente nervoso o aquariano, já desencostando da parede e inclinando-se na direção do sueco para encara-lo nos olhos — É para isso que eu pago uma fortuna para o pulha do Saga toda semana, non é? Para você non fazer os programas.

— Dessa vez eu tenho que fazer, Camus. Não posso negar. Todos estamos nas mãos daquele suíno balofo do Praxédes... Sem alvará o Templo das Bacantes não funciona.

— Eu pago o dobro do valor desse programa. Quanto é? Eu pago! Melhor ainda, eu pago o programa dele com qualquer outro.

— Camy... Desde o início, nunca foi dinheiro... Eu sou o pagamento. — Peixes sussurrou desviando os olhos do rosto do namorado e abaixando a cabeça envergonhado — Praxédes está envolvido no acordo, e o tal macedônio exigiu uma noite com um cavaleiro de Ouro como condição para fechar o negócio.

Um momento de silêncio se fez entre eles, até ser quebrado pelo som seco, alto e grave da pancada que o aquariano deu na porta com a mão fechada, congelando a superfície da madeira quase que por completo.

— Ei! Eeei! — Afrodite rapidamente reagiu abraçando Camus com força, o mantendo preso, firme contra seu corpo — Aquenda a biloca*! Shiii... Nós sabíamos que ia ser assim, Camus... Eu ainda sou um garoto de programa a disposição do Templo.

Non tem que ser assim... Eu non suporto a ideia de que outro o toque...

— E o que você sugere? Vamos matar todo mundo, todos os políticos gregos, toda a Vory v Zakone, pegar o Hyoga e ir viver em Bora Bora em um iate? Quando Atena voltar nós lhes cedemos uma cabine e ensinamos ela a dançar Vogue? — afastou-se apenas para poder segurar no rosto do francês com ambas as mãos para olhar em seus olhos — Nós sabíamos que ia ser assim... Não podemos fazer nada enquanto Dimitri e Praxédes estiverem vuduzando* nossas vidas. E como não há o que fazer com eles...

Camus, arfando, encarou os olhos aquamarines de Afrodite com os seus avelãs faiscantes, de raiva, de indignação.

Um sentimento terrível de impotência lhe aniquilava a alma e comprimia o peito, fazendo o ar lhe faltar, a boca secar e as mãos formigarem.

— Não estamos mais sozinhos... — de repente a voz do Santo de Peixes soou melancólica e fraca —... Hyoga... É nele que temos que pensar agora. Se eu não me deitar com o sócio do Prefeito perdemos o alvará, o Templo das Bacantes fecha, Saga vai me punir e a Vory v Zakone virá atrás de você... E se vierem atrás de você eles sabem exatamente qual é o seu elo mais fraco. — desviou o olhar para a porta, indicando o quarto onde Hyoga dormia, e uma lágrima solitária escorreu de um de seus olhos.

Camus então fechou os olhos puxando o ar profundamente para dentro de seu peito. Peixes tinha razão, ele sabia, mas nada conseguia dizer ou fazer, nem mesmo era capaz de olhar para Afrodite, que sem mais delongas beijou seu rosto quente e trêmulo e se afastou, pegando o corredor para deixar o Templo de Gelo sem nada mais dizer.

Não havia o que dizer.

***

As horas não passaram tão rápido quanto Camus e Afrodite desejavam.

Passava pouco mais das quatro e meia da madrugada quando o Santo de Peixes subia as escadarias das Doze Casas Zodiacais, cabisbaixo e esgotado.

Tinha sido uma longa e exaustiva noite...

Ao passar por Capricórnio seguiu até o Décimo Segundo Templo e cumpriu o ritual que fazia desde que começara a se relacionar com Camus, o de deixar seu Cosmo ativo no interior da morada de Peixes para assim parecer que estava lá, então desceu para Aquário pela passagem dos fundos das ruínas.

No caminho pensou que deveria ter ficado em sua casa, ao menos ter tomado um banho para tirar de sua pele, cabelos, boca e roupas o cheiro repugnante do perfume e do suor do homem com quem passara a noite, mas logo os primeiros raios da manhã despontariam no horizonte e não seria mais tão seguro perambular pelas casas, já que logo também Saga retornaria ao Templo do Grande Mestre e Shura ao de Capricórnio.

Assim sendo, enquanto acessava a parte interna de Aquário imaginava como seria uma vida diferente ao lado de Camus e Hyoga, uma vida ideal, onde ele e o francês pudessem assumir seu amor e união diante de todos, onde pudessem criar Hyoga sem que tivesse que fingir ser mulher, onde pudesse escolher deitar-se somente com o homem que amava para o resto de sua vida.

Logo, quando cruzou a sala mergulhada em penumbra, a realidade nua e crua de sua vida novamente o retirou de seus desejos utópicos.

Na mesa de centro um cinzeiro de cristal preto estava tão abastecido de bitucas de cigarro amassadas e retorcidas que elas chegavam a cair pelo vidro da mesa e até sobre o tapete felpudo no chão. Junto do cinzeiro duas garrafas de vodca russa vazias e um celular aos pedaços completavam o cenário desconcertante.

Preocupado, Afrodite apressou o passo e foi à procura de Camus, primeiro na biblioteca, depois no quarto principal. Não o encontrando rumou até o quarto de Hyoga.

Ao abrir a porta lentamente viu o menininho dormindo pesadamente na cama e o aquariano ao fundo do aposento sentado em uma poltrona.

Camus tinha a cabeça baixa, as pernas cruzadas, mãos unidas sobre o colo e ainda vestia as roupas que usava desde a tarde.

Afrodite aproximou-se da cama sem fazer barulho, olhando fixamente para o rosto angelical da criança que ressoava baixinho entre os lençóis decorados, porém, diferente de como sempre fazia não se inclinou para frente e beijou sua fronte, mas se manteve afastado cruzando os braços.

De tudo fez para evitar chorar ali, mas ao olhar para Hyoga tão inocente dormindo, tão vulnerável até mesmo às mentiras que contavam a ele, e constatar que Camus havia passado a noite se embriagando para tentar lidar com o sentimento de impotência que permeava suas vidas, foi impossível segurar o pranto.

Afrodite chorou baixinho, e Camus não se manteve indiferente a seu sofrimento, levantou da poltrona e caminhou até o pisciano, só que quando intencionou abraça-lo este se encolheu recuando um passo para o lado.

— Não... Eu estou sujo. — murmurou baixinho.

— Eu também estou. — Camus respondeu, e não se intimidando abriu os braços e abraçou com força o amado, mergulhando seu rosto nos cabelos azuis piscina para aspirar seu perfume tão amado — Somos dois miseráveis, ma belle Rose... Corrompidos e imundos, mas o nosso amor é puro, é verdadeiro, e é tudo o que nos resta no meio de tanta sujeira.

Camus então levou as mãos ao rosto de Afrodite, enxugou suas lágrimas e ignorando todos os outros odores concentrou-se apenas no aroma único de rosas que emanavam dele, então delicadamente lhe tomou os lábios num beijo cálido, repleto de significado para ambos.

Ainda que tímido, desconfortável e muito envergonhado, Afrodite retribuiu ao gesto com todo amor que lhe cabia, beijando Camus com carinho e entrega.

— Venha. — disse Camus após um momento, apartando o beijo para correr as mãos pelos braços de Peixes e segurar firme em ambas as suas mãos — Permita-me lavar toda a imundice que nos aprisiona... Deixar que a água leve embora tudo que macula a minha flor até que reste apenas o seu perfume.

Afrodite esboçou um sorriso, encostando sua testa à de Camus, e após trocarem um olhar melancólico e cúmplice ambos seguram de mãos unidas até o banheiro onde banharam-se juntos sem pressa, sem julgamentos, sem remorsos ou rancores. Só o amor os preenchia, e ainda que taciturno e imerso em dissabores o amor era tudo o que tinham de puro, e era somente ele que importava naquele momento.  

***

Templo de Baco, 05:45am

A noite já se despedia dando lugar aos primeiros raios de sol que surgiam tímidos no horizonte grego, e enquanto isso, no Templo de Baco, o expediente do bordel se encerrava oficialmente.

O salão, antes agitado pelo clima luxurioso em que circulavam clientes e belíssimas mulheres, agora dava lugar à equipe de limpeza, e o som animado das músicas tocadas em volume altíssimo fora substituído pelo ruído produzido pelas tantas vassouras que agora arrastavam cacos dos copos quebrados e toda a sorte de porcarias espalhadas pelo assoalho.

Era em meio ao cheiro do desinfetante que se espalhava no ar levando embora o odor alcoólico da noite que Saga de Gêmeos deixava seu quarto no Templo de Baco após um banho revigorante, o qual lhe espantou minimamente o cansaço de mais uma longa noite à frente da gerência do bordel.

Descendo as escadas apressado, Gêmeos cruzou o salão enquanto distribuía bom dia aos funcionários, depois seguiu em direção ao seu objetivo, o bar.

Atrás do balcão, com uma expressão de cansaço, porém sem jamais perder o sorriso receptivo e de alegria contagiante no rosto, Aldebaran limpava o balcão com seu inseparável paninho úmido, recebendo o geminiano com uma animada saudação.

— E ai patrão? Bom dia, né? Já que eu não dormi contigo. — disse o brasileiro soltando uma gargalhada, a qual foi de imediato acompanhada pelo grego.

— Bom dia, Aldebaran. — disse Saga puxando um dos banquinhos para se sentar — Sabe que sinto inveja dessa sua disposição e bom humor constantes? Mesmo a essa hora da manhã.

— Ah, fazer o que, né patrão? Não tenho dinheiro, então só me resta sorrir... enquanto é de graça! Mas, e você? Tá aí todo cheiroso, todo engomado, com esse cabelinho que a mamãe penteou... Vai começar mais uma jornada de trabalho pós-expediente noturno ou vai descansar o sono dos justos?

— Não, não... Eu vou descansar. Hoje eu preciso me recolher, já que ontem meu dia foi agitado. Mais tarde eu volto. — disse o geminiano — Pedi para que Marin viesse pela manhã para cá para dar suporte às Bacantes caso precisem de alguma coisa, já que Afrodite trabalhou a noite toda e lhe dei folga até a tarde. Depois do almoço eu também já estou de volta.

— Tá certo... Me acompanha em uma saideira então, patrão? Vou fechar o bar. — disse solícito o taurino já pegando dois copos para preparar uma caipirinha.

— Não Aldebaran, obrigado, fica para uma próxima. — disse Saga se esquivando do convite, não porque não apreciasse a iguaria de origem brasileira, mas estava evitando beber a pedido da namorada, assim também aproveitava para tentar se livrar de vez do vício etílico em sua vida.

— Que isso patrão? Vai negar a saideira? Mas, minha Nossa Senhora da Divina Providência, heim!... Quem te viu quem te vê! Ou tu tá muito estragado de cansado ou tá é doente demais... Cruz credo, onde já se viu negar justo a minha caipirinha?

— Nada pessoal, Touro, só cansaço mesmo. — disse Saga sorrindo — Preciso descansar, e beber não é o mais recomendável no momento... O percurso até o meu Templo é bem considerável... Mas, na verdade, eu parei aqui para tratar de um outro assunto com você.

— Hum? — interrogou em um grunhido o brasileiro enquanto bebericava a caipirinha — Lá vem... É coisa boa ou ruim? Só para me preparar psicologicamente. Qualquer coisa eu já preparo mais uma dose aqui...

— Não... — disse o geminiano balançando a mão no ar, enquanto ria da atitude do companheiro de armas — É coisa boa.

— Opa! Então manda, pode falar.

— Eu queria saber se poderia contar com a sua ajuda para organizar um evento no Décimo Terceiro Templo.

— Evento? Que tipo de evento? O do tipo festa?

— Para ser mais específico, o do tipo churrasco despretensioso com os amigos... Só para convidados a dedo! — o grego soltou um leve sorriso enquanto acompanhava a face do brasileiro se iluminar em um sorriso alegre e genuíno.

— Ah! Patrão! — disse em tom alto e animado Aldebaran, que no auge da empolgação deu um tapa no braço do Santo de Gêmeos o fazendo perder o equilíbrio e bambear no banquinho no qual que estava sentado — Mas, tanto dedo para me pedir isso? Justo isso? — o brasileiro soltou uma risada ruidosa.

— Então você organiza?

— Mas é claro que organizo! Quando for assim nem precisa pedir, eu já me ofereço, porque quando o assunto é churrasco eu sou sem vergonha!

— Bom saber! — respondeu Saga rindo, já contagiado pela alegria do outro — Contudo, como eu sei que você é uma pessoa atarefada, seria melhor perguntar antes se você estaria disposto, não é mesmo?

— Chefe, quando o assunto for churrasco, pode enviar até solicitação oficial expedida pelo Grande Mestre... Tem essa não. Churrasco é churrasco. É igual água; não se nega nem ao inimigo! Pode sempre contar comigo.

— Pode deixar, vou fazer essa anotação mental! — disse entre risos o Grande Mestre — Mas, eu preciso saber de você se a data que eu estou cogitando aqui na minha cabeça será suficiente para que possa organizar tudo com calma.

— É para hoje? — perguntou o brasileiro arregalando os olhos negros como duas jabuticabas.

— Não! Claro que não! Imaginei para daqui uns quinze dias mais ou menos, e que seja em um dos dias em que o Templo das Bacantes não abra.

— Ah... Então dá tempo até de sobra. E vão ser quantas pessoas?

— Somente os cavaleiros de Ouro, e também Geisty, Marin, Shina e Misty.

— Opa! É um churrasco só para a diretoria então! Vai ser animado! É uma quantidade razoável de bocas.

— Sim, e não quero que economize nem na comida e nem nas bebidas. Quero muita variedade de tudo que há de melhor. Quero que seja um evento digno de ser lembrado!

— Fica tranquilo, vai ser de patrão essa festa! Comigo não tem miserinha não... Além de que, é rega bofe do Grande Mestre, rapá, tá pensando o que? — gargalhou empolgado o taurino, que não cabia em si de entusiasmo, pois poucas coisas na vida o deixavam mais alegre do que um bom churrasco em companhia dos amigos.

— É isso ai. — Saga riu junto a ele.

— Mas, peraê, patrão... Esse churrasco é em alguma comemoração específica? — Touro perguntou com súbita curiosidade, tendo uma risada quase maquiavélica do geminiano como primeira resposta.

— Isso é surpresa, meu caro Touro curioso... No dia você descobrirá! — disse Gêmeos se levantando do banquinho que estava sentado em frente ao balcão e saindo calmamente, já ciente que plantara a semente da curiosidade no irmão de armas, que do bar o acompanhou com os olhos enquanto deixava o salão.

— Safado! — resmungou Aldebaran, inconformado e curioso.

Quando Saga cruzou a porta de saída, Touro passou a mão no paninho que tinha deixado sobre o balcão e o levou até a testa, enxugando as minúsculas gotículas de suor que ali já começavam a brotar dada sua ansiedade em tentar decifrar o porquê daquela festança que o chefe daria.

Era certo para Aldebaran que seu descanso tão almejado daquela manhã não aconteceria, já que passaria boa parte do seu tempo livre matutando possíveis respostas para aquele mistério todo, porém, assim como a maioria dos cavaleiros, teria que esperar até o dia do churrasco para saber. 

 

Negrito – traduzido do francês

 

Dicionário Afroditesco

 

Aquenta a biloca – segura a franga, se acalma

Cafuçu – inveja; indivíduo bruto, grosseiro, selvagem

Dar linha – ir embora

Mágoa de cabocla – inveja

Matim – chinfrim, pobre, pequeno, ridículo

Pochete – diz-se daquele, ou daquela, que adora aparecer junto de alguém importante

Tombado – caído, derrubado, destruído, apodrecido, cansado

Vudu – energia negativa

 


Notas Finais


A realidade é dificil..mas parece que vai vir CHURRASS.. e olha, os churras do Deba são sempre memoráveis haha
Um beijo das bacantes pra vcs.

Tumblr da Ju:
https://rosenrotstuff.tumblr.com/

Grupo do face "Fics trio ternura" para extras *-*
https://www.facebook.com/groups/1522231508090735/

Cap no nyah:
https://fanfiction.com.br/historia/727716/Templo_das_Bacantes_Vol_2/capitulo/15/


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