História Tempo e Escolha - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Jikook, Kookmin, Namjin, Taekook, Taekookmin, Vkook, Vkookmin, Yoonseok
Exibições 96
Palavras 3.430
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


bem, eu sei que depois desse capítulo isso vai ser difícil, mas eu preciso mesmo que vocês confiem em mim
tipo muito
vocês precisam confiar
e eu preciso que confiem

me desculpem se deixei passar algum erro
como sempre, prestem atenção nos detalhes
boa leitura ♥♥♥

Capítulo 17 - A Escolha


Já fazia um pouco mais de dois anos que Jungkook esbarrara com Lee Min Ho em uma daquelas noites de verão pelas quais Yeosu era famosa. Com a música ao vivo tocando e dezenas de barcos atracados nas docas, aquela noite parecia perfeita para levar Jungkook e as meninas até a cidade para tomar sorvete. Jungkook havia mencionado casualmente que vira uma bela gravura em uma das lojas pelas quais passaram. Depois de tanto tempo juntos, Jimin já havia se acostumado com as indiretas que o marido lhe dava.

- Por que você não entra e dá uma olhada nela? – Disse Jimin. – Eu cuido das meninas enquanto isso. Vá em frente.

Jungkook ficou na loja mais tempo do que o marido imaginou que ele ficaria, e, quando voltou, tinha uma expressão preocupada no rosto. Mais tarde, depois de voltarem para casa e colocarem as crianças na cama, Jungkook estava sentado no sofá, e a preocupação em seu rosto era aparente.

- Está tudo bem? – O mais velho perguntou.

Jungkook se virou no sofá. – Eu encontrei Lee Min Ho mais uma vez Hoje. – Admitiu ele. – Quando você estava pegando o sorvete para as meninas.

- É mesmo? E como ele está?

O mais novo suspirou. – Você tem noção de que a esposa dele já está em coma há seis anos? Seis anos. Dá para imaginar o que isso deve representar para ele?

- Não, não consigo imaginar. – Disse Jimin.

- Ele parece um velho.

- Tenho certeza de que eu envelheceria também. Ele está passando por uma situação muito difícil.

Jungkook fez que sim com a cabeça, sem perder o ar de preocupação. – Ele parece ter raiva também. É como se se ressentisse em relação a ela. E os filhos deles... – Imerso em pensamentos, ele pareceu se perder em meio à frase.

Jimin olhou fixamente para Jungkook. – O que você está querendo dizer?

- Você me visitaria se uma coisa daquelas acontecesse comigo?

Pela primeira vez, Jimin sentiu uma pontada de medo, embora não soubesse realmente por quê. – É claro que eu o visitaria.

A expressão no rosto do mais alto era quase triste. – Mas, após algum tempo, você me visitaria com menos frequência.

- Eu iria visitá-lo todos os dias.

- E, com o tempo, você iria se aborrecer.

- Eu nunca me aborreceria com você.

- Min Ho se aborrece em relação a Min Young.

- Eu não sou Min Ho. – Disse Jimin, balançando a cabeça. – Por que você está falando isso?

- Porque eu amo você.

Jimin abriu a boca para responder, mas Jungkook levantou a mão para interrompê-lo. – Deixe eu concluir meu pensamento, está bem? – Ele respirou fundo, organizando seus pensamentos. – Quando Min Young chegou ao hospital, era óbvio o quanto Min Ho a amava. Foi o que notei quando conversávamos e, com o passar do tempo, acho que ele me contou toda a história da vida deles; como eles se conheceram na praia no verão depois da formatura; que, na primeira vez em que ele a convidou para sair, ela recusou, mas, mesmo assim, ele conseguiu que ela lhe desse o número do seu telefone; que ele disse a ela que a amava no aniversário de 30 anos do casamento dos pais dela. Mas ele não ficou apenas contando histórias. Parecia que ele estava revivendo aqueles momentos repetidamente. De certa forma, ele fazia com que eu me lembrasse de você.

Jungkook buscou a mão do marido. – Sabe, você faz a mesma coisa. Você sabe quantas vezes eu ouvi você contar a alguém sobre a primeira vez que conversamos? Não me entenda mal, eu adoro isso em você. Adoro o fato de que você mantém essas memórias vivas em seu coração, e que elas signifiquem tanto para você quanto para mim. E o que acontece é que... quando você relembra de tudo isso, posso sentir que você está se apaixonando por mim novamente. De certa forma, é a coisa mais bonita e emocionante que você faz por mim. – Ele fez uma pausa. – Bem, sem contar quando você limpa a cozinha nos dias em que estou cansado demais para fazer isso.

Apesar da seriedade do assunto, Jimin riu. Jungkook pareceu não notar.

- Mas hoje Min Ho parecia tão... amargo, e, quando eu perguntei a respeito de Min Young, eu tive a sensação de que ele desejava que ela estivesse morta. Quando comparo isso com os sentimentos que ele costumava ter em relação à esposa, e o que aconteceu com os filhos dele... é terrível.

Quando a voz do mais novo enfraqueceu, Jimin segurou-lhe a mão. – Isso não vai acontecer conosco.

- Não é disso que estou falando. A questão é que eu não consigo viver sabendo que não fiz o que deveria ter feito.

- Do que você está falando?

Jungkook deslizou o polegar por cima da mão do marido. – Eu te amo muito, Jimin. Você é o melhor marido, a melhor pessoa que eu já conheci em toda a minha vida. E quero que você me prometa uma coisa.

- Qualquer coisa que você quiser.

Jungkook olhou diretamente em seus olhos. – Eu quero que você prometa que, se alguma coisa assim algum dia acontecer comigo, que você vai permitir que eu morra.

- Mas nós já temos testamentos. – Respondeu ele. – Deixamos tudo registrado quando fizemos os testamentos e as procurações.

- Eu sei. – Disse Jungkook. – Mas nosso advogado se aposentou. E, até onde eu sei, ninguém além de nós três sabe que eu não quero que a minha vida seja prolongada caso eu esteja em uma situação em que não possa tomar as próprias decisões. Não seria justo colocar esse fardo sobre as suas costas ou das meninas, porque, com o tempo, o ressentimento seria inevitável. Você sofreria e as meninas também. Eu me convenci disso hoje quando vi Min Ho, mas não quero que você se torne uma pessoa amarga em relação a nada que tenhamos compartilhado. Amo você demais para permitir uma coisa dessas. A morte é sempre triste, mas também é inevitável, e foi por essa razão que eu assinei o testamento em vida. Porque eu amo vocês todos demais. – A voz dele ficou mais suave, mas havia mais determinação também. – E eu não quero ter de falar aos meus pais ou aos meus irmãos sobre a decisão que tomei. A decisão que tomamos. Quero ter de procurar outro advogado e ter de reescrever os documentos. Quero poder acreditar que você vai fazer o que eu desejo que você faça. E é por isso que preciso que você me prometa que honrará meus desejos.

Aquela conversa parecia meio surreal para Jimin. – Certo... tudo bem – Disse ele.

- Não, não assim. Quero que você me prometa; quero que você jure.

Jimin engoliu em seco. – Eu prometo fazer exatamente o que você quer que eu faça. Eu juro.

- Não importa o quão difícil isso possa ser?

- Não importa o quão difícil isso possa ser.

- Porque você me ama.

- Porque eu te amo.

- Sim. – Disse Jungkook. – E porque eu te amo também.

 

O testamento em vida que Jungkook havia assinado no escritório do advogado era o documento que Jimin havia trazido ao hospital. Entre outras coisas, ele especificava que os aparelhos e sondas de alimentação deveriam ser desligados e desconectados após doze semanas. Hoje era o dia em que ele deveria fazer a sua escolha.

Sentado ao lado de Jungkook no hospital, Jimin lembrou-se da conversa que teve com ele naquela noite. Ele se lembrou do juramento que fez. Ele repetiu aquelas palavras uma centena de vezes durante as últimas semanas e, conforme a marca dos três meses se aproximava, ele percebia que estava ficando cada vez mais desesperado, desejando que o marido acordasse. Assim como Sowon, e era por isso que ela iria esperá-lo em sua casa quando ele voltasse. Há seis semanas ele havia contado a Sowon sobre a promessa que fizera a Jungkook; a necessidade de compartilhar aquilo havia ficado quase insuportável.

As seis semanas seguintes se passaram sem nenhum alívio. Jungkook não somente não fez um único movimento, como não mostrava sinais de recuperação em nenhuma das suas funções cerebrais. Embora Jimin tentasse ignorar o óbvio, o relógio continuava avançando, e a hora da decisão havia chegado.

Às vezes, durante suas conversas imaginárias com o mais novo, Jimin tentava fazer com que ele mudasse de ideia. O mais velho argumentava que a promessa não havia sido justa; que a única razão pela qual ele havia concordado com aquilo era a improbabilidade de que pudesse acontecer, algo em que ele nunca acreditou realmente. Ele confessou que, se tivesse a capacidade de prever o futuro, teria rasgado os documentos que Jungkook assinou no escritório do advogado. Mesmo que o marido não fosse capaz de responder, Jimin ainda não conseguia imaginar uma vida sem a presença dele.

Ele nunca seria como Lee Min Ho. Não sentia nenhuma amargura em relação a Jungkook, e nunca sentiria. Ele precisava dele, precisava da esperança que sentia quando estavam juntos. Ele se sentia revigorado quando o visitava. Mais cedo, naquele dia, ele estava exausto e letárgico; conforme o dia progrediu, seu senso de comprometimento havia se fortalecido, deixando-o com a certeza de que ele teria capacidade de rir com suas filhas, de ser o pai que Jungkook queria que ele fosse. Funcionou por três meses, e ele sabia que poderia fazer aquilo para sempre. O que não sabia era como poderia viver sabendo que Jungkook estava morto. Por mais estranho que aquilo parecesse, havia uma previsibilidade reconfortante na nova rotina da sua vida.

Do lado de fora da janela, o pombo andava para a frente e para trás, fazendo Jimin pensar que a ave estivesse ponderando a decisão com ele. Havia momentos em que ele sentia uma estranha sensação de familiaridade em relação àquele pombo, como se ele estivesse tentando lhe dizer alguma coisa, embora ele não fizesse ideia do que poderia ser. Certa vez, ele havia trazido um pouco de pão, mas não tinha se dado conta de que a tela nas janelas o impediria de jogar algumas migalhas para fora. Em pé diante do vidro, o pombo olhou para o pão que ele tinha nas mãos, arrulhando suavemente. Ele voou para longe um momento depois e, mais tarde, voltou para passar o resto do dia ali. Depois daquele dia, o pombo não voltou a demonstrar medo dele. Jimin podia dar batidinhas no vidro que o pombo continuaria no lugar. Era uma situação curiosa que lhe dava algo em que pensar enquanto estava sentado no silêncio do quarto. O que ele queria perguntar ao pombo era o seguinte: eu devo me tornar um assassino?

Seus pensamentos inevitavelmente o levavam àquela questão, e era o que o diferenciava de outras pessoas que deviam honrar os desejos descritos em testamentos. Elas estavam fazendo a coisa certa; suas escolhas estavam enraizadas na compaixão que sentiam por seus entes queridos. Para ele, entretanto, a escolha era diferente, mesmo que as razões fossem lógicas. Se A e B fossem corretos, então C também seria. Mas, com a sua racionalização de que havia cometido uma sequência de erros, o acidente não deveria ter ocorrido; se o acidente não houvesse ocorrido, não haveria o estado de coma. Ele foi o responsável pelos ferimentos que Jungkook sofreu, mas este não havia morrido. E agora, apresentando alguns documentos que trazia no bolso, Jimin poderia terminar o serviço. Podia ser o responsável pela morte do seu esposo. A diferença fazia seu estômago se revirar; a cada dia, conforme a decisão se aproximava, ele comia cada vez menos. Às vezes, parecia que Deus não queria apenas que Jungkook morresse, mas que Jimin soubesse que era o único culpado por aquilo.

Ele tinha certeza de que Jungkook negaria aquilo. O acidente foi apenas isso – um acidente. E foi Jungkook, não ele, quem tomou a decisão sobre o período de tempo em que aceitaria ser alimentado por uma sonda. Mesmo assim Jimin não conseguia se livrar do peso esmagador da responsabilidade que tinha, pela simples razão de que ninguém além de Sowon sabia o que Jungkook queria. No fim, a escolha recairia unicamente sobre ele.

A luz cinzenta da tarde deu um tom melancólico às paredes. Ele ainda se sentia paralisado. Tentando ganhar tempo, tirou as flores do parapeito da janela e as trouxe para perto da cama. Ao pousá-las sobre o peito de Jungkook e se sentar, Momo apareceu na porta. Ela entrou lentamente no quarto; verificando os sinais vitais de Jungkook, não disse uma palavra. Anotou alguma coisa no prontuário e deu um breve sorriso. Há um mês, quando Jimin estava exercitando os músculos de seu esposo, Jungkook havia mencionado que tinha certeza de que Momo se sentia atraída por ele.

- Ela vai nos deixar hoje? – Ele ouviu Momo perguntar.

Jimin sabia que ela estava se referindo à transferência para uma casa de repouso; pelos corredores, Jimin ouvira murmúrios de que aquilo aconteceria em breve. Mas havia mais naquela pergunta do que Momo poderia compreender, e ele não conseguiu reunir forças para responder.

- Vou sentir falta dele. – Disse a enfermeira. – E vou sentir falta de você também.

A expressão dela estava transbordando compaixão.

- Estou sendo sincera. Eu trabalho aqui há mais tempo do que Jungkook, e você devia ter ouvido as coisas que ele costumava falar sobre você. E sobre as crianças também. Dava para perceber que, embora ele adorasse o emprego, sempre ficava feliz no fim do expediente, quando era hora de ir para casa. Ele não era como o resto de nós, que ficávamos animados simplesmente pelo fato de o dia de trabalho ter chegado ao fim. Ele ficava animada, pois iria para casa e se reuniria com a sua família. Eu realmente admirava isso nele e o fato de que ele tinha uma vida assim.

Jimin não soube o que dizer.

Ela suspirou, e Jimin pensou ter visto indícios de lágrimas. – Me parte o coração vê-lo desse jeito. E você também. Você sabia que todas as enfermeiras do hospital sabem que você mandava rosas para o seu esposo sempre que era seu aniversário de casamento? Quase todas as mulheres aqui desejavam que seus maridos ou namorados fizessem coisas assim. E, depois do acidente, a maneira como você o tratou... eu sei que você está triste e com raiva, mas vi você fazendo os exercícios com ele. Eu ouvia o que você dizia e... é como se você e ele tivessem uma ligação que não pode ser quebrada. É desolador, mas, mesmo assim, lindo de se ver. E me sinto muito mal pelo que vocês dois estão passando. Estou rezando por vocês todas as noites.

Jimin sentiu sua garganta se fechar.

- Acho que o que eu estou tentando dizer é que vocês dois me fazem acreditar que o verdadeiro amor realmente existe. E que nem mesmo as horas mais difíceis podem tirar isso de vocês. – Ela parou, sua expressão revelou que pressentia ter falado demais, e se virou. Um momento depois, quando Momo estava a ponto de sair do quarto, Jimin sentiu que ela colocou a mão sobre seu ombro. Era quente e leve, e ficou ali por apenas alguns instantes, depois sumiu. Jimin estava novamente sozinho, enfrentando a sua escolha mais uma vez.

A hora havia chegado. Olhando para o relógio, ele sabia que não poderia mais esperar. Os outros o estavam aguardando. Ele atravessou a sala para fechar as cortinas. O hábito fez com que ele ligasse a televisão. Embora soubesse que as enfermeiras a desligariam mais tarde, ele não queria deixar Jungkook sozinho em um quarto mais silencioso do que uma tumba.

Frequentemente, ele havia se imaginado tentando explicar como aquilo havia acontecido. Ele podia ver a si mesmo balançando a cabeça, sem acreditar, enquanto se sentava na mesa da cozinha com seus pais. – Eu não sei por que ele acordou. – Ele se ouvia dizer. – Até onde eu sei, não há uma resposta mágica. Foi como todas as outras vezes que eu o visitei... tirando o fato de que ele abriu os olhos. – Ele imaginava que sua mãe estaria chorando com lágrimas de alegria, conseguia até mesmo se ver telefonando para os pais de Jungkook. Às vezes, aquilo tudo era tão claro, como se realmente houvesse ocorrido, e ele segurava a respiração, vivenciando e experimentando a sensação de se maravilhar.

Entretanto, ele agora duvidava que aquilo seria possível e, do outro lado do quarto, olhou para o marido. Quem eram eles, Jungkook e Jimin? Por que as coisas haviam acontecido daquela maneira? Houve uma época em que ele poderia ter respostas razoáveis para aquelas perguntas, mas aquela época já estava distante. Atualmente, ele não sabia de nada. Acima de Jungkook, a luz fluorescente emitia um zumbido baixo, e Jimin pensou no que faria. Ele ainda não sabia. O que sabia era que Jungkook ainda estava vivo, e, onde há vida, sempre há esperança. Ele se concentrou nela, imaginando como uma pessoa tão próxima e tão presente podia ficar tão distante.

Hoje, ele teria que fazer a sua escolha. Dizer a verdade significaria que Jungkook iria morrer; mentir significaria que o desejo de Jungkook lhe seria negado. Jimin queria que o marido lhe dissesse o que fazer e, vindo de algum lugar ao longe, ele podia imaginar a resposta de Jungkook.

"Eu já lhe disse, querido. Você já sabe o que deve fazer."

A escolha, porém, ele queria argumentar, havia sido baseada em premissas falhas. Se ele pudesse voltar no tempo, nunca teria feito aquele juramento, e imaginou que Jungkook poderia não ter pedido aquilo. Jungkook teria tomado a mesma decisão se soubesse que Jimin seria o responsável pelo acidente que o deixou em coma? Ou se soubesse que tirar as sondas de alimentação e observá-lo definhar até a morte iria certamente matar uma parte dele? Ou se Jimin dissesse a ele que acreditava que podia ser um pai melhor se ele continuasse vivo, mesmo que nunca se recuperasse?

Era mais do que ele conseguia suportar, e ele sentia sua mente começando a gritar. "Por favor, acorde!" O eco parecia fazer com que cada átomo do seu corpo vibrasse. "Por favor, querido. Faça isso por mim. Por nossas filhas. Elas precisam de você. Eu preciso de você. Abra os olhos antes de eu ir, enquanto ainda há tempo..."

E, por um momento, ele pensou que viu um leve pestanejar; juraria que viu um movimento. Ele estava com a voz embargada demais para falar, mas como sempre, a realidade voltou a reinar, e ele sabia que tudo havia sido uma ilusão. Sobre a cama, Jungkook não havia se movido um milímetro, e, olhando para ele em meio às lágrimas, Jimin sentiu sua alma começando a morrer.

Ele precisava ir, mas havia mais uma coisa que tinha de fazer. Como todas as pessoas, ele conhecia a história da Branca de Neve, do beijo do Príncipe Encantado que quebrou o feitiço maligno. Era o que ele pensava toda vez que saía do hospital para voltar para casa, mas aquela noção agora lhe parecia imperativa. Era sua última chance, a derradeira. Ele sentiu uma pequena fagulha de esperança ao pensar que daquela vez as coisas poderiam ser diferentes. Embora seu amor por Jungkook sempre estivesse presente, a sensação de término não estava, e talvez aquela combinação constituísse a fórmula mágica que faltava. Ele se endireitou e se aproximou da cama, tentando se convencer de que desta vez iria dar certo. O beijo, diferente de todos os outros, encheria os pulmões de Jungkook com a vida. Jungkook soltaria um gemido e teria uma confusão momentânea, mas iria perceber o que Jimin estava fazendo. Jungkook sentiria que a vida de Jimin estava invadindo a sua. Jungkook sentiria a plenitude do amor que Jimin tinha por ele e, com uma paixão que o surpreenderia, Jungkook corresponderia ao beijo.

Ele se inclinou em direção ao mais novo, com os rostos bem próximos, e pôde sentir o calor da respiração de Jungkook se mesclando à sua. Fechou os olhos para afastar as lembranças de milhares de outros beijos e tocou os lábios do marido com os seus. Sentiu uma espécie de fagulha e, finalmente, sentiu que Jungkook lentamente estava voltando para ele. Jungkook era o ombro amigo que o consolava em tempos difíceis, Jungkook era a voz no travesseiro ao lado dele à noite. Estava funcionando, pensou ele, realmente estava funcionando... e, com o coração começando a acelerar no peito, ele finalmente percebeu que nada havia mudado.

Afastando-se, tudo que ele pôde fazer foi deslizar seus dedos pela face de Jungkook. Sua voz estava rouca, não muito mais do que um sussurro.

- Adeus, querido.

 

 

 

 



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