História Tempo, tempo. - Capítulo 19


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Categorias Malhação
Tags Augusto, Benê, Benedita, Gune, Guto, Malhação, Novela, Viva A Diferença
Visualizações 244
Palavras 753
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa Leitura!! ❤

Capítulo 19 - A noite.


Fanfic / Fanfiction Tempo, tempo. - Capítulo 19 - A noite.

Aquela noite estava especialmente, fria. Uma chuva fina e intermitente, ilustrava o breu Paulistano. Era tarde, bem tarde! Guto estava lá, jogado num sofá do Galpão. Não conseguia dormir. Escutava a chuva caindo e tentava encontrar algo de musical naquilo. 

Benedita até dormiu... Mas foi despertada pelo mesmo barulho que compunha os pensamentos de Guto. Ela, sentou-se na cama, esfregou os olhos, foi até sua bolsa, colocou seus óculos e desarvorada olhou para situação. Sabia que não ia conseguir dormir! A pianista lembrou-se de quando ficou sem casa por causa da chuva. Antes que suas recordações a tencionasse mais, resolveu vagar pela casa... Como se quisesse encontrar um outro abrigo. 

Parada no meio da sala, a filha de Josefina lembrou que Guto dormia no Galpão. Ela então saiu a passos curtos, abriu cuidadosamente a porta e encaminhou-se para o Galpão. Notou o lugar a meia luz... E pé por pé, foi entrando, olhou para Guto, que de longe, parecia dormir. Conferiu ao redor, procurava um lugar pra se encostar.  Quando foi surpreendida: 

— Benê!? - Perguntou Guto, por entender.

— Ué?! Você não está dormindo?! 

— Não. Tô sem sono. E você?! - Disse ele sentando no sofá.

— Não. A chuva me acordou! - Reclamou ela.

Guto achou graça da graciosidade da esposa e brincou: 

— Você parece um urso! A vontade de dormir é maior que um Iceberg!! 

— Eu não pareço um urso! - Retrucou ela, brava e absurdamente fofa.

— Vem cá, ursinho! Deita aqui no sofá... Eu me ajeito no chão. - Disse ele.

Ela não se fez de rogada. Enquanto Guto se acomodava no chão, sobre um tapete. A pianista tomou o sofá e a coberta pra si. 

O único som no ambiente era o da chuva fina lá fora. Aquilo parecia uma trilha sonora, era algo erudito, clássico e um tanto, melancólico. A invariante música da chuva, fez Benê querer produzir arranjos, melodias harmônicas. A cabeça da musicista fervilhava! Mas a inquietação deu lugar a uma afirmação:

— O barulho da chuva me envolve. A chuva sempre me envolve de alguma maneira! Eu não sei explicar. - Benê.

— Porque você diz isso!? - Guto curioso.

— Vislumbrei uma música! Algo mais no seu campo, até. Encorpado, vivo e culto... Imaginei uma atmosfera parisiense. Tipo, ‘La Vie en Rose'... -  Explicou a pianista.

— Édith Piaf?! - Sugeriu ele.

— Não tão denso! É chuva... E nesse caso, chuva boa. Independente das recordações trazidas por ela. - Explicou Benê.

— Respire e inspire-se, meu amor!

—  A chuva em si já minha fonte de inspiração. Há três tenros momentos de minha vida em que a chuva é pano de fundo. O primeiro é o nascimento do Tonico! - Sorriu ela ao lembrar. — Depois aquela chuva que me fez ficar sem casa. - Disse ela.

Benê se aquietou. Ficou ali, deitada embaixo das cobertas, reflexiva. 

— Mas você disse apenas dois, dos três tenros momentos...

— Você já sabe o terceiro, Guto. - Disse ela o interrompendo.

Guto sorri. De fato ele sabia. Mas não iria repercutir! Apenas preferiu se apossar das lembranças daquele dia. Lembranças essas, acentuadas pelas palavras de Benê que vieram em seguida.

— O dia em que eu fui sua pela primeira vez. 

Aquele dia era tão vivo. Para os dois, não importava quantos anos mais passassem. Cada gota de palavra, cada linha de ação e cada punhado de emoção era sentido como se o passado, tivesse se materializado no presente agora. 

Guto só tocou em Benê dois anos depois que haviam se casado. Quando ela quis, quando ela permitiu! Ele esperou. Não só por amá-la como jamais imaginaria amar alguém. Mas por entender que não havia se apaixonado por uma mulher do mundo. Apaixonou-se por uma mulher que tinha em sua essência, um mundo próprio. Um conto em forma de ser humano, encantadora e enternecedora. Poesia de Cecília Meireles em versos de Florbela Espanca. Benê era diferente! Amar cada pedaço de humanidade contida naqueles olhos expressivos, foi a maneira que Guto encontrou, pra fazer parte do mundo de Benedita. Assim, naquele relacionamento, deixariam de existir a segregação das diferenças. O que passaria a existir a forma mais homogênea de amor.

Agora, anos mais. Ambos são flagrados pelo tempo, imersos em recordações que falam aos poros. O calor das lembranças e a sensação das percepções são tão exatas, quanto as intenções que passaram a existir no ar. Enquanto a chuva compunha notas de calmaria, lá fora. Guto e Benê passaram a arranjar as notas de um querer aflorando a pele. Mesmo sem dizer uma só palavra. Não era preciso!  





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