História Temporada da Caça - Capítulo 7


Escrita por: ~

Visualizações 16
Palavras 1.058
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Luta, Romance e Novela, Survival, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Viva à Nefater!

Vida longa ao Rei!

Capítulo 7 - Um sorriso indomável os sentenciou


Somos liberadas para uma espécie de grande salão que, apesar de ser exatamente igual aos outros dois barracões, me lembrava um pouco a enorme construção precária que usávamos para o almoço e janta na Maioria.

Quando sento no banco comprido e minha soldado me libera do tampão e da venda, percebo, depois de um tempo, que terei de me virar para comer com as algemas. Mas a verdade é que mesmo sem elas eu não faria esforço nenhum para por comida na boca. Era para minha mãe estar aqui, do meu lado, comendo comigo - mas a Minoria matou meu pai. Eles a levaram porque ela enlouqueceu. E a culpa é inteiramente deles.

Penso no Príncipe e na Família Real. Nós só víamos imagens deles nos panfletos que nos entregavam durante o aniversário de Nefater, o qual sempre acontecia na primavera (não que isso importasse, já que nós não tínhamos tempo nem espaço para miseráveis flores). Aqueles olhos azuis, aqueles penteados, aqueles falsos sorrisos abertos e radiantes... Engulo algo que não sei o nome, mas que me pesa bastante na garganta, me sufocando e rasgando meu peito, e dou um jeito de comer os alimentos cheirosos e coloridos no meu prato, completamente alheia ao seu gosto provavelmente afrodisíaco e vicioso.

Preciso ganhar. Preciso ver minha mãe. Sei que ela me mandaria seguir as instruções se não estivesse enlouquecendo nesse momento. Preciso vingar meu pai. Preciso salvar meus irmãos. Preciso comer.

Então eu como.

Como enquanto eles colocam comida no meu prato, até que o jantar é finalmente dado por encerrado. Minha soldado recoloca o conjunto em mim e me leva para um novo enorme barracão junto de todas as outras garotas. A luminosidade é bem baixa e amarelada, confortante e estranha, e o chão morno está coberto por altos colchões macios e cobertas grossas que sei que me sufocarão se tiverem a chance. Zoew me leva até o meio do barracão e me deixa apenas com as algemas, entregando-me uma pequena pílula azul.

- Que porra é essa? - minha voz está desanimada e cansada, mas nela ainda vive e pulsa com intenso calor um tom colossal e firme que deixa claro que Zoew não será bem-vinda nunca mais.

- Apenas deixe derreter na boca. A saliva vai aumentar, mas apenas engula quando a sensação de formigamento nos dentes passar. Vai limpar sua boca, apenas.

E então se afasta. Faço o que ela pede enquanto observo as garotas entrando e sendo conduzidas aos seus colchões, sentando-se ou deitando. O tempo passa e o fluxo de garotas diminui proporcionalmente ao número de colchões. Ainda há um macio ao lado do meu, mas ninguém aparece. O rosto da minha mãe não deixa minha mente enquanto tento criar situações e respostas coerentes para o que pode ter acontecido.

Os curativos em minhas mãos me irritam e tento resistir a tentação de descarregar a tensão e ansiedade através de socos na primeira pessoa que eu ver pela frente. Meu coração bate forte e penso na noite fria que meus irmãos e a tia Heriiu terão de enfrentar. Minha cabeça dói e pulsa e só quando vejo dois vultos aparecendo na porta é que me permito respirar o ar carregado com os diversos perfumes sufocantes das minhas concorrentes.

A soldado caminha até mim e deixa minha mãe no colchão ao lado do meu, entregando a pílula azul para ela também e saindo logo depois. Observo seus vermelhos olhos inchados, o nariz nas mesmas condições. Cabelo desgrenhado e lábios ligeiramente separados. Sentada no colchão, suas mãos estão caídas no colo com a pílula entre elas; seus olhos perdidos  por fim encontrando os meus. "O papai morreu" é a única coisa em que consigo pensar, e ela parece ler meus pensamentos. Seus lábios tremem e ela os comprime fortemente, contendo um soluço forte que faz seus ombros tremerem e lágrimas brotarem de seus fortes e corajosos olhos verdes... poderosos olhos mutilados múltiplas vezes pelas incontáveis lágrimas. Isso é algo em que somos bons: ter uma inesgotável fonte de pequenas gotas mais pesadas que muitas carriolas juntas. Devemos essa exímia qualidade aos nossos amargos amigos fiéis, nossos queridíssimos nobres hipócritas. Obrigada, queridos.

Não sei o que dizer para ela. Por algum motivo, encho minha mente com imagens do nosso dia a dia, trabalho pesado, notícias de mais mortos nas guerras civis correndo de boca em boca, mais vítimas da chibata, refeições desprezíveis, foligem poluindo nossos pulmões e trazendo a Morte cada vez para mais perto. Funciona: as lágrimas não vêm. Me aproximo do colchão da minha mãe com cautela, seus olhos em enchurrada fixos nos meus, seus ombros saltando cada vez mais alto. Sei que está ficando difícil de respirar, então seguro seus ombros inquietos carinhosamente e suavizo meu rosto e minha voz:

- Eu vou vencer.

Em meio às lágrimas e soluços pesados, minha mãe separa os lábios minimamente e recupera o fôlego por um tempo, a cabeça inclinando para o lado. Costura a boca logo depois, estendendo uma mão algemada para mim e envolvendo minha bochecha como pode. Me movo e prendo sua mão forte e trêmula entre meu rosto e ombro, fechando os olhos e sentindo seu calor e a verdade em minhas palavras. Dizer a ela que estava tudo bem ou que ia ficar bem, que o papai e o vovô estão bem, que meus irmãos vão conseguir se manter com a tia Heriiu enquanto estivermos aqui é uma mentira. Proferir essas falsas palavras contra os ouvidos atentos da minha mãe seria uma afronta à sua inteligência. Ela não era nenhuma presa frágil ou imbecil, nenhum de nós é. Como alguém pode olhar para um miserável que tem a fome e a dor como suas melhores amigas e dizer que tudo vai ficar bem?! Que ele está seguro e que a vida é bonita?! Isso é o que a Minoria faz. Tudo o que posso fazer pela minha mãe é oferecer à ela a força de que ela precisa no momento - de mentiras nosso estoque já está cheio.

Sinto que ela se movimenta: segura meu rosto com as duas mãos e o traz para perto de si. Seus lábios molhados beijam minhas pálpebras e abro os olhos quando ela se afasta. As lágrimas não diminuíram. O rosto continua vermelho e inchado, o nariz escorre. Ombros tremem com os soluços. Mas há um pequeno e frágil sorriso indomável em seu rosto rachado:

- Eu sei que vai.


Notas Finais


Viva à Nefater!

Vida longa ao Rei!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...