História Tenebris - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Deidara, Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Hizashi Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Izumi Uchiha, Jiraiya, Juugo, Kakashi Hatake, Karin, Kizashi Haruno, Konan, Kushina Uzumaki, Madara Uchiha, Mebuki Haruno, Mikoto Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Nagato, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Orochimaru, Sai, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Agressão, Amor, Depressão, Drama, Gaaino, Hentai, Naruhina, Nejiten, Romance, Sakura, Sasuke, Sasusaku, Shikatema
Visualizações 182
Palavras 4.842
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Festa, Hentai, Musical (Songfic), Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oinnn, <3 tudo bem?
Então, gente, sei que demorei (avá é mesmo? kk). Há uma explicação, claro.
Estava com uns problemas pessoais e recentemente arrumei um emprego, tendo somente metade da tarde e noite para escrever as fanfics. Sei que é chato essa demora toda, e por isso peço desculpas, de coração. Peço também, que não abandonem a fanfic, pq por mais que eu demore, não vou abandona-la, e que se eu der uns sumiços de vez em quando é por questões de saúde de familiares e etc. Espero que entendam e tenham uma boa leitura <3

Ps: Betila sempre arrasando nas betagens, sou tão grata por sua ajuda <3333

Capítulo 2 - Butterfly


 ''Você vai ficar ao meu lado?
Vai me prometer?
Se eu soltar sua mão, você vai voar para longe
Vai desaparecer, tenho medo disso. Você vai parar o tempo?
Se esse momento passar
Como se isso não tivesse acontecido
Tenho medo disso, eu vou te perder.

Borboleta, como uma borboleta.''

 

 

Hinata enrolou a toalha em seu corpo, atravessando a porta do banheiro em direção a seu guarda roupa, abrindo-o. Pegou o pequeno caderno de capa preta, acariciando-o com seus dedos. Crispou os lábios e caminhou em direção a cama.

Ali, naquelas folhas, encontrava-se escrito todo os seus tormentos.

Desde os primeiros olhares maliciosos, os empurrões contra a parede, até que, por fim, os primeiros toques indecentes. Às vezes, as marcas das mãos enfeitavam sua cintura quando ele a apertava fortemente.

As lágrimas escorrendo dos olhos perolados e os sussurros suplicando para que ele a deixasse em paz, que desse um fim aos abusos.

Hizashi, irmão de seu pai e sangue de seu sangue, não mediu esforços para abusar da própria sobrinha. De alguma maneira, Hinata sentia que havia muito além do que a mera vontade de a torturar. Talvez, fosse pelo fato de que diante de todos da família Hyuuga, ele era considerado um inútil, se comparado a seu irmão gêmeo, Hiashi.

Para todos, Hiashi era um exemplo de homem. Liderou as empresas de sua família com punhos de aço, impedindo-a de cair na falência. Ato que Hizashi jamais fora capaz de realizar.

E, possivelmente por culpa desse detalhe, Hinata sentia em seu coração que os abusos eram apenas uma maneira dele descontar na pobre garota toda a raiva que sempre sentira de seu irmão. Entretanto, nada seria capaz de justificar seus atos horrendos e cruéis.

Ele é um monstro.

Ele também tinha filho, será que nunca passou pela cabeça que os seus poderiam sofrer a mesma coisa?

Céus, como ela desejava contar para todos o que seu tio fazia, o quanto se sentia humilhada por ter as mãos dele encostando em sua pele e marcando-a, o quanto ele a machucava quando tentava aproveitar-se de sua inocência. As incontáveis vezes em que ela o empurrava para longe, e aquilo só parecia atiça-lo ainda mais, e sempre voltava com mais sede e um sorriso macabro preenchendo seu rosto.

Ela sabia que deveria revelar tais coisas para alguém de sua família, e obviamente ir à delegacia prestar queixa contra ele. Mas toda vez que ela tentava ameaça-lo, Hizashi rebatia com mais ameaças, alegando que, se ela ao menos se atrevesse a denuncia-lo, ele não mediria esforços para derrubar o irmão e todos os Hyuugas. Ameaçava se aproximar de sua irmãzinha, e ela jamais se perdoaria se Hanabi sofresse a mesma coisa, ele dizia que alegaria que a culpa era dela, ela que o seduziu, e Hinata tinha medo, medo do que as pessoas pensariam, medo de como seu pai a olharia, medo de Hanabi sofrer.

E nada lhe assombrava mais que a hipótese de perder mais um parente. Já sofrera com a morte de sua mãe, que agonizou numa cama de hospital até seu último suspiro, deixando-lhe apenas as lembranças amargas misturadas às poucas oportunidades de sorrisos e felicidade.

Desde então, ela restou apenas sua irmã mais nova e seu pai, os únicos mais próximos de si e que por quem ela faria até o impossível para não faze-los sofrer.

Seria uma vergonha insuprível se todos descobrissem daquela barbaridade. Vergonha e dor invadiriam seu coração, causando-lhe um estrago maior do que já estava.

E pensando na desonra que traria a sua família, ela decidiu manter-se calada, orando incansavelmente para que seus tormentos chegassem ao fim um dia.

Um dia...

E, para suprir a vontade de contar a verdade, ela usou um pequeno diário para desabafar sobre os abusos. Nele, encontrava-se escritos todos os detalhes de sua agonia.

As vezes que as mãos sujas apertavam suas coxas já doloridas de abusos anteriores, marcando ainda mais a tez branca. De quando fora corrompida e teve que engolir o desejo de desabar em lágrimas quando teve que sentar-se na mesma mesa que seu tio no mesmo dia, para jantarem em família.

Era uma tortura estar perto dele nos momentos de refeições e ainda manter-se firme, agindo como se nada tivesse acontecido.

Mas Hinata ainda tinha fé, acreditava que o amanhã seria melhor. Que um dia, todos os seus tormentos acabariam, cedo ou tarde.

Que a vontade de o matar todas as vezes que o via sumisse, ela estava adoecendo, amargurada, se deteriorando.

Presa em seus pensamentos e já com a caneta em mãos para desabafar nas folhas brancas, ela sequer notou a presença de Hizashi em pé na porta. Vendo o quanto ela estava distraída, ele apenas avançou alguns passos para dentro.

Ela assustou-se quando o percebeu ali, já próximo, com os olhos flamejantes de luxúria, e que sempre fazia o estômago de Hinata embrulhar só de imaginar no quão cruel ele se tornava quando a abordava silenciosamente.

– O que faz aqui? - ela perguntou, afastando-se para o canto da cama e cobrindo seu corpo com o lençol. Puxou o diário para perto de si e o escondeu. Seria um desastre se alguém o encontrasse e lesse o que estava escrito. Jamais poderia cair em mãos erradas.

– Fique quietinha, certo? Não queremos que alguém nos encontre aqui, não é? Estão todos lá embaixo, fiquei curioso da minha sobrinha querida não ter ido almoçar. – os passos silenciosos faziam o coração de Hinata encolher de medo.

– Eu estou doente. – mentiu na esperança de que ele acreditasse. – Por favor, me deixe em paz! Não se cansa de me fazer sofrer? – procurou manter a voz firme e não desmoronar em lágrimas.

O canto da boca de Hizashi curvou-se num sorriso perverso. A expressão de quem pouco se importava com seu sofrimento.

– Você se parece tanto com ela, nunca me cansarei de dizer isso.

Lá estava novamente.

Ele jamais fora capaz de conformar-se de tê-la perdido. Estupidamente apaixonado pela mãe de Hinata e esposa de seu irmão, o amor juvenil e colegial sempre permaneceu vivo em seu coração. Suportou a dor da rejeição quando se declarou para ela, e teve como resposta apenas palavras de consolação e de amizade. Ela dissera que seus mais sinceros sentimentos pertenciam a Hiashi, e que jamais amaria outro homem além dele. E assim o fez, até seu último dia de vida, até seu último suspiro.

As palavras ainda ecoavam em sua cabeça juntamente com as cenas daquele fatídico dia.

Adentrou desesperadamente a sala da recepção do hospital naquela manhã chuvosa, as roupas ensopadas e o corpo trêmulo, não precisou de muito para reconhecer os gritos de seu irmão, jogado ao chão após receber a notícia do falecimento da esposa. Naquele momento, ele sentiu seu coração sendo partido em inúmeros pedaços, incapazes de voltar ao normal. E, quando a terra escura fora cobrindo o caixão pouco a pouco, ele sabia que nunca mais sua vida seria a mesma. Que um pedaço de sua alma estava sendo enterrado junto com ela.

Desde então, seus dias foram resumidos em sofrer lentamente, agonizando por dentro toda vez que lembrava dela.

No entanto, em sua mente perturbada e em seu coração despedaçado, ele enxergou uma nova luz surgindo em sua vida. Quanto mais o tempo passava, mais ele apreciava a beleza exuberante de Hinata, que se tornava ainda mais parecida com a mãe.

Para ele, era algo normal aproveitar-se de sua sobrinha, achava estar tendo mais uma chance para ser feliz e, ao mesmo tempo, vingar-se. Ele acreditava estar sendo recompensado, pelos anos que sofreu vendo a mulher que amava ser de seu irmão, seu irmão que tinha tudo.

No início relutou, quis se afastar, mas, o desejo de pelo menos uma vez ter aquela menina o consumia, cogitar a possibilidade de ficar afastado de Hinata era quase como a morte para si. Estava obcecado, louco.

Era para ter sido só uma vez, um beijo mais íntimo no pescoço leitoso, uma espiada na hora do banho, uns toques sem maldade, mas quanto mais ele se aproximava, mais ele queira, até que virou um vício, uma necessidade de sua mente doentia.

Quanto mais ela se negava, quanto mais ela dizia não, mais ele a queria, e ele sabia qual o ponto fraco dela, bastava tocar no nome de Hanabi, que ela parava de se debater e só chorava, nada o freava, não temia a nada, achava que nunca seria pego, ele era muito cuidadoso, assim pensava.

Nunca se passou pela sua cabeça que Hinata o entregaria à polícia, ela não teria coragem, ela não daria esse desgosto a família.

Era um monstro.

– Vamos, minha linda, você nunca mais me deu atenção. – ele sussurrou maquiavélico. – Deixe-me tocar em você, vou fazer você se sentir bem, minha doce Hina...

O estômago de Hinata embrulhou. Ele sempre agia como se ela fosse a culpada por não querer aproximar-se um centímetro dele, como se o que fizesse fosse algo natural, como ela poderia querer ficar perto desse doente?

Ela queria acreditar que a culpa não era sua, mas sempre que entrava no banheiro esfregava seu corpo com força durante o banho, chegou até a machucar a pele com a agressividade que esfregava a esponja, como se a água e a espuma do sabonete fossem capazes de tirar de sua pele a sensação de ter as mãos asquerosas tocando-a. Não adiantava, ainda se sentia suja.

Ele ergueu a mão, seguindo vagarosamente em direção ao seio coberto pela toalha. Hinata encolheu-se e fechou os olhos.

– Não, por favor, para! – implorou sentindo as lágrimas se formando, prontas para cair. Sua respiração acelerou-se, ao passo que sua mente já imaginava mil e uma maneiras de escapar do que viria pela frente.

– Vai ser bom, querida, eu garanto. – sussurrou louco - Eu sei que você quer.

– Pai?

Ambos foram surpreendidos por uma voz conhecida, que chamou por Hizashi.

Seu corpo paralisou completamente no lugar, impedindo-o de encostar em Hinata. A pobre garota suspirou aliviada, mas ainda precisava dar um jeito naquela situação.

– Filho... – Hizashi girou sua cabeça lentamente para trás, encontrando Neji parado na porta, olhando-os com confusão.

– O que estão fazendo?

– Na-nada. – ele pronunciou-se imediatamente. – Sua prima disse que estava se sentindo mal e eu apenas ia ver se ela estava com febre. Apenas isso. – o tom nervoso fizera Neji encará-lo com desconfiança.

O jovem sabia que sua prima evitava estar perto de seu pai há muito tempo e ele nunca soubera o verdadeiro motivo. Nunca passara por sua cabeça o quanto seu pai era cruel e jamais questionou-os sobre estarem tão afastados, visto que, quando Hinata era criança, adorava brincar com o tio. Hoje em dia, as coisas mudaram. Ele percebeu.

Para Neji, ela apenas estava naquela tão famosa fase de adolescência onde os jovens querem privacidade e se distanciam da família para consegui-lo.

Por vezes ela quisera lhe contar a verdade. O quanto sofria nas mãos dele.

Mas ele era o pai de seu primo, aquele a quem ela considerava como um irmão mais velho, mais uma pessoa que ela amava com todo seu coração e alma. Poderia destruir a vida dele ao contar sobre os abusos? Ela não sabia.

Apenas tinha a certeza de que Neji jamais seria o mesmo depois que soubesse de toda a verdade.

Hinata levantou com pressa e respirou fundo, acalmando a si mesma e regularizando sua respiração.

– Neji, eu... – a euforia na voz de Hinata deixou bem claro para eles que ela queria contar alguma coisa. Hizashi enrijeceu o corpo e a olhou espantado.

 

Ela não contaria, ou contaria? Ele pensou.

Sem pensar direito, segurou no braço de Hinata e a moveu até a cama novamente, com desespero.

– Você não está se sentindo bem, não é mesmo? É melhor ficar deitada, eu peço para a empregada trazer seu almoço aqui no quarto, ok? Agora, deite-se, por favor. – nem mesmo o tom calmo e gentil fez com que ela se acalmasse.

Ela não ficaria bem até que ele se afastasse.

Ele ameaçava silenciosamente no aperto em seu braço para que ela não contasse nada para Neji.

Ela queria mais do que nunca gritar toda a dor do seu coração, mas não conseguia destruir outro, o fato de saber que acabaria com a vida de seu primo a impedia de se libertar das garras de seu abusador.

E Hizashi... ele seria apenas mais um homem dentre tantos que abusaram de suas parentes indefesas, com a justiça falha era capaz de ele nem ficar preso, qual garantia ela tinha de que ele sairia para sempre de sua vida?

Ele nunca se mostrou preocupado com o que aconteceria se seu filho, quem ele sempre mostrava amar incondicionalmente, descobrisse o que o pai era capaz de fazer.

Os olhos perolados desviaram-se de Hizashi em direção a Neji. O coração de Hinata contraiu ao pensar na dor que causaria a seu primo. Ele já estava desconfiado, mais um empurrão e realmente acharia que algo estava errado.

– Tudo bem. – ela respondeu, por fim. Hizashi relaxou a postura ao ter a certeza de que ela não falaria nada. – Avise que almoçarei em meu quarto, por favor. Enquanto isso irei me vestir. Neji, você queria alguma coisa? – ela perguntou. Hizashi saiu apressado do quarto, sem pronunciar uma única palavra a mais.

Neji assentiu rapidamente.

– Sim. – aproximou-se, ainda desconfiado. – Eu queria fazer umas pesquisas no seu computador. Posso?

– Claro. – ela sorriu tentando esconder o nervosismo de minutos atrás. Por um segundo, ela notou a presença de seu diário ao seu lado na cama e mais do que depressa, ela o pegou levantando da cama e guardando-o em seu guarda-roupas. Ela virou-se para trás e forçou um sorriso, rezando para que ele não suspeitasse.

Ele a olhou confuso, estranhando a forma como ela ficou tensa com aquele caderno. Ele nunca a havia visto com ele antes. Hinata sempre fazia questão de estudar no jardim de sua casa, pois ela dizia que lá conseguia se concentrar com facilidade, e Neji sempre a ajudava com os exercícios que a mesma não conseguia concluir.

– Bom... eu... – ele inclinou a cabeça para o lado, sem saber o que dizer, apenas apontou sugestivamente para a mesa do computador.

Ela anuiu com um rápido balançar de cabeça.

– Vou me vestir ali no banheiro. – avisou, passando por ele como um foguete. Estava com vergonha, ainda tentava controlar as batidas do coração e fazer o pânico dos seus olhos lhe abandonar.

Ao ouvir o som da porta se fechando, Neji direcionou seus olhos até o guarda-roupas, onde estava o diário. Não que ele fosse o tipo de parente que invade a privacidade de Hinata, mas a primeira coisa que passou por sua cabeça era que ela poderia estar sendo iludida por algum garoto, e por mais que se sentisse mal em investigar as coisas dela, ele precisava faze-lo.

Hinata andava tão estranha, ele precisava descobrir qualquer coisa que lhe indicasse o que estava acontecendo com ela, ele já havia dado uma stalkeada nas redes sociais da prima e não achou nada, na verdade parecia que ela nem as acessava.

Ela era como uma irmã mais nova e a protegeria até o fim, independente do que fosse, ou quem fosse. Então não seria tão ruim invadir o espaço pessoal dela né?

Tímida como era, ela não falaria se ele simplesmente perguntasse.

Sem pensar duas vezes, caminhou até o móvel e o abriu.

E o encontrou, jogado ao lado de perfumes e maquiagens. Pegou-o e fitou discretamente a porta, certificando-se de que ela não sairia para fora. Com pressa, colocou o caderno por dentro de sua calça, ajeitando-o cuidadosamente para que ela não percebesse o volume estranho. Para sua sorte, a blusa que estava vestindo era grande e larga, o que facilitou em esconde-lo.

Saiu a passos largos do quarto e entrou no seu, logo ao lado do de Hinata. Trancou a porta e sentou-se no chão, retirando o diário.

Odiava-se por estar fazendo aquilo, mas deixou os pensamentos de lado e procurou manter o foco no que estava escrito naquelas folhas.

Não havia nenhuma descrição do que se tratava o conteúdo. Quando seus olhos encararam as primeiras linhas, sentiu sua respiração falhar.

‘’Eu o odeio. Com todas as minhas forças, com toda a minha alma corrompida. A minha alma clama para livrar-me de seus abusos. Cada vez que ele encosta suas mãos imundas em mim sinto como se eu estivesse perdendo um pouco de mim, como se aos poucos eu deixasse de ser quem sou. E a cada investida, seus toques ficam mais bruscos, violentos, sinto como se ele quisesse me quebrar ao meio. Partir-me em mil pedaços, assim como está o meu coração. Eu quero denuncia-lo, por tudo o que faz comigo. As vezes sinto vontade de destruí-lo com minhas próprias mãos.

Mas, sempre que olho para meu primo, sinto como se eu estivesse prestes a aniquilar a sua vida, ao invés do homem que aniquilou a minha.

Eu sempre achei que ele me protegeria. Especialmente quando se juntava a mim no parque para brincarmos juntos. E, mais especialmente ainda quando, antes de eu ir dormir, ele entrava em meu quarto e beijava minha testa, dizendo que eu sempre seria a princesinha dele e que ninguém me faria mal.

Eu fui tola de acreditar em suas palavras, quando na verdade, ele que me corrompeu, ele que fez com que eu me sentisse suja e impura desde que abusou de mim, levando consigo minha inocência.

Eu o abomino. Para ele, a morte seria o mínimo dos castigos por seus pecados.

Sei que estou errando em não contar para ninguém sobre o meu sofrimento diário pois meu medo de acabar com minha família é maior que toda a dor que guardo em meu coração, no entanto, nessas poucas linhas, encontrei um pequeno modo de desabafar o quanto odeio Hizashi Hyuuga...’’

Os pulmões procuravam a todo custo puxar o ar para dentro. Inspirou, aspirou, leu mais uma vez as últimas palavras, certificando-se de que seus olhos não estavam enganados e que não era sua cabeça lhe pregando peças.

Levou sua mão até seu peito, sentindo uma dor invadindo seu coração de forma descomunal.

Não, não, não... sussurrou incansavelmente, tentando convencer a si mesmo de que era loucura o que estava lendo. Que sua mente estava tentando lhe pregar uma peça.

Seus olhos arderam ao pensar em tamanha atrocidade, e que não viera de um estranho, mas sim, de seu próprio pai.

 

 

                                                               [.......]

 

Sentados no sofá da sala, Sasuke pôde contemplar a beleza de sua namorada enquanto ela permanecia atenta ao seriado que passava na televisão. Não se lembrava de quando fora a última vez que parou para prestar atenção nos traços delicados do rosto feminino, tampouco, no sorriso largo e apaixonante. Fazia tempo que sentia saudades de estarem tão próximos um do outro como se encontravam naquele momento.

Estivera sempre preocupado com seus problemas, que esqueceu da calmaria que Sakura lhe dava.

Mas por dentro, ele mal imaginava o quanto ela estava segurando-se para não virar em sua direção e lhe revelar toda a verdade. Ela estava tendo um autocontrole admirável por conseguir fingir tão perfeitamente estar concentrada assistindo, quando tudo o que queria era falar que estava grávida. Que em sua barriga estava crescendo um fruto do amor de ambos, uma parte deles que em breve viria ao mundo e no que dependesse dela, jamais lhe faltaria amor e atenção.

Porém, como toda gravidez não planejada, ela temia o que poderia acontecer quando seus pais soubessem, assim como os de Sasuke. Eram jovens, com um futuro imenso pela frente, e um filho requer muito mais que palavras.

Ela não sabia como contar e nem qual seria a reação de Sasuke ao saber. Ele ficaria ao seu lado, certo? Ele já provará inúmeras vezes o quanto a amava, mas depois de uns tempos, notando o quão distante ele estava, culpava-se por duvidar de seu amor. Sentia que algo estava errado, que ele escondia alguma coisa e que se esforçava para não a contar, ela só não sabia o quê.

Estava decidida que falaria sobre a gravidez e independente de ele apoia-la ou não, ela teria a criança. Nem que por acaso fosse expulsa de casa, mas jamais se submeteria a aborto.

Seus pais eram muito rigorosos, tradicionais. Eles mal sabiam que sua filha já havia perdido a pureza com o namorado, e isso, por mais que ela achasse que eles entenderiam por ser algo normal nos dias em que vivem, Sakura sabia que no fundo eles ficariam decepcionados. Sua mãe costumava conversar com ela, dizendo que ela seria uma noiva linda no dia que fosse se casar.

Na igreja, de véu e grinalda, a cauda longa do vestido branco e a inocência.

Inocência que já não possuía mais.

Em nenhum momento Sasuke a forçou ou a pressionou a entregar-se para ele. Tudo o que fez e continua fazendo por ele, é somente por amor. E jamais iria se arrepender por ter tomado tal atitude.

Não fora no calor do momento, muito menos planejado. Apenas aconteceu.

E ela sempre sentia um frio gostoso percorrendo seu corpo ao lembrar-se do quanto sua noite naquele dia fora maravilhosa e inesquecível, para ambos, inclusive.

Percebendo que Sasuke não parava de encara-la, ela moveu sua cabeça lentamente em direção a ele. Suspirou fortemente e sorriu.

– Você conseguiu passar aquelas músicas para o pendrive? – ela perguntou. Ele franziu o cenho, tentando se lembrar.

Ergueu as duas sobrancelhas para cima quando recordou sobre o que ela estava se referindo.

– Claro. Está lá no meu quarto, vou pegar. – avisou, dando-lhe um beijo na bochecha antes de levantar.

Ela precisava de mais alguns minutos para se preparar, quando ele voltasse, contaria tudo de uma vez. Já não aguentava mais guardar para si. Estava feliz e ao mesmo tempo, com medo e receio. Mas não fugiria. Não se deixaria amedrontar.

Sasuke subiu os degraus da escada. O andar de cima estava escuro, apenas a luz que atravessava a porta entreaberta do quarto de seus pais iluminava o caminho. Seu quarto ficava logo à frente.

Cessou seus passos e parou ao lado da porta. Seus pais quase nunca esqueciam de trancar a porta, principalmente de noite. Estranhando aquilo, ele inclinou a cabeça para frente, para ver o que estava acontecendo. Não fora preciso chegar mais perto para ouvir as vozes baixas e irritadas, com certeza brigando mais uma vez.

Ele sabia que não demoraria muito para que os sussurros aumentassem, e logo se transformassem em gritos, e seu maior medo era de que Sakura pudesse escuta-los.

Olhou para dentro do quarto e viu seu pai segurando no braço de sua mãe, enquanto ela agarrava a blusa dele, sacudindo-o para a frente e para trás.

Não conseguiu escutar com clareza o assunto da briga, apenas ouviu quando sua mãe sussurrou um pouco alto algo sobre brigarem na justiça. Não entendeu as palavras.

Sentiu a raiva invadindo seu corpo, assim como toda vez que os via brigando. Ele sabia que aquela mão segurando o braço de sua mãe logo se chocaria contra a face dela. Sentia-se tão inútil, tão fraco. Suas pernas não obedeciam a sua vontade de ir até lá e tirá-lo de perto dela.

Os olhos negros fecharam-se com força, sentindo o canto deles arder juntamente com o aperto no peito.

Novamente covarde. Novamente com medo.

Novamente, correndo para longe da realidade que lhe assombrava.

Moveu seu corpo de volta até a escada e parou, colocando a mão sob a boca e procurando acalmar seus batimentos e regularizar sua respiração acelerada.

Precisava tirar Sakura dali o quanto antes. Ela não poderia saber sobre as agressões. Jamais!

Isso envolvia muito mais do que pensava. Se ela soubesse, não pensaria duas vezes antes de denunciar seu pai, e por mais que o odiasse, não podia negar que ainda tinha esperanças de que ele mudasse... um dia, talvez.

Acreditava que almas pecaminosas e cruéis como ele ainda tinham salvação, e que Deus os perdoariam se demonstrassem arrependimento sincero. Fora o que sua mãe lhe ensinou quando era pequeno, mas essa regra não se aplicava a seu pai naquele momento.

Quanto mais o tempo passava, mais ele se mostrava inflexível a seus atos.

Apressado, ele desceu as escadas com desespero.

Sakura o olhou confusa quando ele parou em sua frente e sem dizer uma única palavra, puxou-a pelo braço, guiando-a até o lado de fora.

– Sasuke, o que houve? – perguntou assustada e confusa.

Ele olhava para os lados, angustiado. A boca entreaberta puxando o ar para os pulmões, passou as mãos no cabelo.

– Não podemos ficar lá dentro. – ele respondeu, pouco importando se seu tom de voz saiu falho.

– O que? Por quê?

– Por nada, só não podemos. – limitou-se a dar mais explicações.

Ela ergueu a cabeça para cima e encarou o céu estrelado. Já estava farta de tantos mistérios, tantos segredos.

– Sasuke, o que está acontecendo? Faz meses que você vive como se estivesse em outra dimensão, desligado de tudo ao seu redor. – a voz baixa chamou sua atenção. Ele engoliu a seco. – Eu tentei, juro que tentei, mas você não facilita. A cada dia se afasta ainda mais de mim, cada vez mais triste e sempre quer ficar sozinho. O que aconteceu com você? – foi em direção a ele, pegando a face dele e segurando-a com as duas mãos.

Encostou sua testa na dele.

– Não é nada. Eu só precisava de um pouco de ar fresco, só isso.

Outra vez, lá estava ele desviando da verdade. Ocultando seu sofrimento e acumulando-o.

– Não acredito mais nisso, não mais. – ela balançou a cabeça para os lados, inconformada. Os olhos verdes marejaram mas segurou as lágrimas. Ambos ainda tinham muito o que conversar.

Por mais que doesse admitir, no fundo ela já sabia que o namoro estava acabado há muito mais tempo do que pensava. Já não eram os mesmos há meses. Faltava atenção, diálogo, sinceridade, não era apenas o amor a base de um relacionamento.

Talvez fossem jovens demais, ou quem sabe apressados demais. Apenas não sabiam mais se aquele namoro era o certo para suas vidas, independente do quanto se amassem, ou do quanto queriam estar juntos.

– Sakura...

– Eu tentei. – repetiu novamente. – Eu estou me sentindo muito sozinha, não sei o que está te atormentando, mas isso está te afastando de mim a cada dia que passa. Eu não aguento. Amo você, mas não posso continuar assim. Principalmente agora.

As palavras enfatizadas fizeram Sasuke olha-la com confusão.

– Como assim?

– Eu estou grávida.

Silêncio.

Franziu o cenho olhando-a espantado, os orbes negros analisando-a dos pés à cabeça, sem acreditar no que acabara de ouvir.

– Grávida? – sussurrou mais para si do que para ela. Sakura assentiu, deixando as lágrimas escorrerem sob sua face.

Sentiu tudo ao seu redor girar.

Pai? Eu vou ser pai? Perguntou-se internamente.

Ao mesmo tempo em que se sentia aterrorizado com a notícia, uma parte de si ficava feliz por saber que dentro de Sakura existe um pedaço dele, algo de bom que fora capaz de fazer.

– Eu ia contar antes, mas você estava sempre tão distante, sempre pensativo e nunca me dava atenção, nunca me contava o que estava acontecendo. Eu sei que você não tem culpa, ninguém tem. Tudo o que eu quis esse tempo foi que você se abrisse comigo e fosse sincero. Eu sempre te apoiei, não?

– As coisas não são como você pensa, Sakura. É muito mais difícil do que imagina.

– Então, você assume que há algo, não é? O que é? Você... se apaixonou por outra, ou não me ama mais, seja o que for, eu aguento a verdade.

– Não é nada disso, por Deus... – foi sincero, seu timbre de voz era aflito.

– Só não vou suportar continuar com todas essas dúvidas em minha cabeça. Não vou.

Ele, assim como ela, sabia o que tinha que fazer. Sasuke jamais contaria sobre os problemas que vivia em sua casa e Sakura jamais se conformaria em viver com meias-verdades. Assim como também, ela um dia se cansaria de viver com uma pessoa quebrada, que só pode lhe dar metade do que fora tempos atrás.

Seu egoísmo que não a deixava ir, se tornou uma obsessão que a aprisionou.

Ele faria o papel de pai, seria o pai que deixou de ter em sua vida, daria o amor que deixou de receber, e nunca, nunca agiria como o seu pai. Daria o que fosse preciso e seria um pai presente na vida de seu filho. Ele seria tudo o que o próprio pai deixou de ser.

Sasuke engoliu a seco e sentiu as lágrimas se formando no canto de seus olhos. Não estava preparado, mas era o que tinha que ser feito. Nenhum dos dois cederia, estavam cientes de que era o fim.

– Eu te amo, mas não posso continuar com a sombra do que fomos um dia. – ela sussurrou num fio de voz. – Sinto falta de como você era. Seus olhos, nariz e lábios, seu toque que costumava me acariciar, até a ponta dos seus dedos eu ainda consigo sentir.

– Mas como uma chama queimando, queimou e destruiu todo o nosso amor. Isso dói tanto, mas agora te terei como uma lembrança...

 

 

 


Notas Finais


Gostaram? Espero que sim <3
Tentarei não demorar muito, ok? Beijosss <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...