História Tentação sem limites - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Cameron Dallas, Flavia Pavanelli, Magcon, Taylor Lautner
Personagens Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Exibições 112
Palavras 4.493
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 17 - Capítulo 17


Fanfic / Fanfiction Tentação sem limites - Capítulo 17 - Capítulo 17


Flavia
O celular que Cameron havia comprado para mim estava em cima do bar da cozinha quando saí
do meu quarto. Era a terceira vez esta semana que ele o deixava em algum lugar para que eu
encontrasse. Desta vez, tinha um bilhete preso a ele.
Peguei o papel.
Pense no bebê. Você precisa disto para emergências.
Foi um golpe baixo. Sorrindo, peguei o celular e o pus no bolso. Ele não ia desistir enquanto
eu não aceitasse. Hoje era a minha segunda consulta com o médico. Eu tinha avisado a Cameron
sobre a consulta no nosso terceiro encontro, na segunda-feira à noite. Ele estava totalmente
determinado a sair comigo a semana inteira. Na noite anterior, eu implorei que ficássemos em
casa assistindo a um filme. O recado tinha sido dado. Todo mundo na cidade nos vira juntos.
Tinha certeza de que todos estavam cansados de nos ver juntos a esta altura. Essa ideia me fez
sorrir ainda mais.
Tirei o celular do bolso de novo. Eu me esquecera de lembrar a Cameron sobre a consulta de
hoje na noite anterior. Agora podia ligar para ele. O nome dele era o primeiro da minha lista
de favoritos. Não fiquei surpresa. Depois de três toques, ele atendeu.
– Oi, ligo para você daqui a pouco. – A voz de Cameron estava com um tom incomodado.
– Tudo bem, mas... – Comecei a dizer quando ele abafou o telefone para falar com outra
pessoa.
O que estava acontecendo?
– Você está bem? – disparou ele.
– Estou, sim, mas...
– Então ligo daqui a pouco. – Ele me interrompeu antes que eu pudesse terminar e desligou.
Fiquei ali sentada olhando fixamente para o telefone. O que havia acabado de acontecer?
Talvez eu devesse ter perguntado se ele estava bem. Como não me ligou nos dez minutos
seguintes, decidi que era melhor me arrumar para a consulta. Ele certamente ligaria antes que
fosse hora de sair.
Uma hora depois, ele ainda não havia retornado a ligação. Fiquei me perguntando se devia
ligar de novo ou não. Talvez ele tivesse esquecido que eu havia ligado. Eu sempre podia
pegar o carro de Boo emprestado para ir ao médico. Na segunda-feira, quando falei sobre a
consulta, ele parecia empolgado com a ideia de ir junto. Eu não podia simplesmente excluí-lo.
Liguei mais uma vez. O telefone tocou quatro vezes.
– O que foi? – A voz de Sie me assustou.
Ele estava na casa da Sie?
– É, hum... – Eu não sabia o que dizer a ela. Não podia contar sobre a minha consulta. – Cameron
está aí? – perguntei, nervosa.
Sie deu uma risada seca.
– Inacreditável. Ele disse que ligaria de volta. Por que você não dá um espaço para ele?
Cameron não gosta de carência. Ele está visitando a família. Minha mãe e meu pai estão aqui e nós
estamos nos aprontando para um almoço de família. Quando ele quiser conversar com você,
ele liga – falou e desligou em seguida.
Afundei-me na cama. Ele ia ter um almoço de família com a irmã e a mãe dele e o meu pai.
Tinha sido por isso que ele havia desligado o telefone na minha cara? Não queria que eu
soubesse que estava com eles. O almoço de família deles vinha antes de mim e do bebê. Era o
que eu esperava, mas ele vinha sendo tão doce e protetor. Eu estava sendo carente? Eu não era
uma pessoa carente, mas havia me transformado em uma. Não havia?
Eu me levantei e deixei o telefone em cima da cama. Não o queria mais. A voz odiosa de
Sie ao me dizer que eles estavam almoçando tinha me magoado. Peguei a bolsa. Podia muito
bem ir caminhando até a administração para pegar o carro da Boo emprestado.
Estava suando quando cheguei aos escritórios. Definitivamente não estaria com boa
aparência na consulta. Mas isso não tinha importância. Era o menor dos meus problemas. Subi
a escada da entrada e encontrei Darla saindo.
– Você não trabalha hoje – disse ela ao me ver.
– Eu sei. Preciso pegar o carro da Boo emprestado. Tenho uma consulta médica em Destin
que eu... havia esquecido.
Eu detestava mentir, mas não suportaria contar a verdade.
Darla me avaliou por um instante, enfiou a mão no bolso da calça e tirou a chave.
– Leve o meu. Vou ficar aqui o dia todo. Não preciso dele.
Quis abraçá-la, mas me contive. Não sabia ao certo se ela ficaria confortável com esse tipo
de reação a uma simples consulta médica.
– Muito obrigada. Vou abastecê-lo – garanti.
Ela fez um aceno com a mão para que eu saísse. Desci a escada da entrada rapidamente e
entrei no Cadillac dela para seguir até Destin.
O trânsito não estava ruim. Eu só precisei esperar quinze minutos até que me chamassem
para a sala de exames. A enfermeira era toda sorrisos para mim.
– Como você só está com dez semanas, para ouvir o coração do bebê vamos precisar fazer
um ultrassom. Você vai ouvir as batidas do coração e ver um pouco do bebê lá dentro.
Eu ia ver o meu bebê e ouvir o seu coração batendo. Aquilo era real. Nas poucas vezes em
que havia imaginado esse dia, eu não estava sozinha. Sempre imaginei que alguém estaria
comigo. E se não encontrassem o coração batendo? E se houver alguma coisa errada? Eu não
queria estar sozinha para isso.
O médico entrou com um sorriso reconfortante no rosto.
– Você parece apavorada. Este é um momento feliz. Todos os seus sinais vitais estão bons.
Não precisa ficar tão nervosa. Agora, deite-se.
Fiz como ele me instruiu e a enfermeira apoiou as minhas pernas nos estribos da mesa.
– Você ainda não tem tempo de gravidez suficiente para fazermos o exame externamente e
conseguirmos ver ou ouvir o bebê. Precisamos fazer um ultrassom transvaginal. Não dói. Você
só vai sentir uma pequena pressão do aparelho, só isso – explicou a enfermeira.
Não olhei para eles. A ideia de ele enfiar um aparelho dentro de mim só piorou a situação.
Fiquei focada na tela.
– Muito bem, lá vamos nós. Calma, fique parada – instruiu o médico.
Fiquei olhando para a tela em preto e branco, esperando pacientemente por alguma coisa que
se parecesse com um bebê. Um pequeno som de batidas encheu o ambiente e tive a sensação
de que o meu coração havia parado.
– Isso é...? – perguntei, subitamente sem conseguir dizer mais nada.
– É, sim. A batida está certinha também. Forte e ritmada – respondeu o médico.
Fiquei olhando fixamente para a tela, e a enfermeira apontou para o que se parecia com uma
pequena ervilha.
– Ali está ele ou ela. Tamanho perfeito para dez semanas.
Eu não conseguia engolir com o nó que tinha na garganta. Lágrimas rolaram pelo meu rosto,
mas eu não me importei. Simplesmente fiquei lá paralisada, olhando para o minúsculo milagre
na tela enquanto a batida do seu coração preenchia a sala.
– Você e o bebê estão muito bem – disse o médico ao tirar lentamente o instrumento de
dentro de mim.
A enfermeira me ajudou a me levantar.
– Um pouco de corrimento manchado de sangue é perfeitamente normal depois deste
procedimento, então, não se assuste – avisou o médico, levantando-se e indo até a pia para
lavar as mãos. – Continue tomando as vitaminas pré-natal e volte em quatro semanas.
Assenti. Ainda estava estupefata.
– Aqui está – disse a enfermeira, entregando fotinhos do meu ultrassom.
– São minhas? – perguntei, olhando para as imagens do meu bebê.
– Claro – respondeu ela em um tom divertido.
– Obrigada – falei, olhando em cada uma delas para a pequena ervilha que eu sabia que
estava viva dentro de mim.
– De nada. – Ela deu um tapinha no meu joelho. – Você pode se vestir agora. Está tudo
ótimo.
Assenti e sequei mais uma lágrima que rolava pelo meu rosto.
Cameron
–Onde ela está, Boo? – perguntei, saindo do quarto de Flavia com o celular dela na mão.
– Ela deixou o telefone aqui.
Boo fez uma careta para mim e bateu a porta do armário da cozinha.
– O fato de você não saber onde ela está só me faz odiá-lo ainda mais.
Qual era o problema dela? Eu tivera um dia infernal. Ter dito para a minha mãe que ela
precisava encontrar outra casa para morar e depois que ia pedir a Flavia em casamento fez
todo mundo pirar. Bem, nem todo mundo. O pai da Flavia pareceu tranquilo em relação a tudo.
Sie e a minha mãe enlouqueceram. Passamos várias horas gritando uns com os outros e fiz
ameaças que pretendia manter. Sie deveria ir embora para a faculdade na segunda-feira.
Ficaria fora até as férias de inverno e eu tinha certeza de que ela iria para Vail com os amigos.
Era o que fazia todos os anos. Eu normalmente ia também, mas não desta vez.
– Passei as últimas quatro horas aturando a minha mãe e a minha irmã. Botar Georgianna
para fora de casa e dizer a ela e a Sie que pretendia me casar com Flavia em casamento não
foi uma briga fácil. Então, me perdoe se preciso de ajuda para me lembrar de onde a Flavia
está!
Boo bateu com a garrafa d’água no bar e sua expressão de raiva ficou mais parecida com
um ar de desagrado. Pensei que fosse ficar feliz depois que soubesse que eu ia pedir Flavia
em casamento. Pelo jeito, não.
– Espero que você não tenha comprado um anel. – Foi a única resposta dela.
Estava cansado daqueles joguinhos.
– Onde ela está? – rugi.
Boo espalmou as duas mãos em cima do bar e se inclinou para a frente fazendo uma cara
furiosa que eu não sabia que ela era capaz de fazer.
– Vá. Para. O. Inferno.
Porra. O que eu tinha feito?
A porta se abriu e Flavia entrou sorrindo, até o seu olhar cruzar com o meu.
Então o sorriso dela estremeceu. Ela estava com raiva de mim também. Isso não era nada
bom.
– Flavia – falei, indo na direção dela.
– Não – disse ela, recuando e levantando as duas mãos para me impedir de me aproximar
mais.
Ela segurava alguma coisa. Pareciam fotos. Por que ela estava segurando fotos? Era alguma
coisa do meu passado? Ela estava furiosa por causa de alguma garota com quem eu havia
ficado uma vez?
– Isso é o que eu estou pensando? – perguntou Boo, me empurrando para fora do caminho e
correndo para Flavia.
Flavia fez que sim e entregou as fotos a ela. Boo tapou a boca.
– Ah, meu Deus. Você ouviu o coração batendo?
Ao escutar as palavras “coração batendo”, tive a sensação de que meu peito estava sendo
rasgado ao meio.
Entendi tudo. Era quinta-feira. O dia da consulta de Flavia. Ela tinha me ligado para lembrar
e eu desligara na cara dela.
– Flavia, que merda, gata, sinto muito. Eu estava com a minha...
– Sua família, eu sei. Sie me disse quando liguei de novo. Não quero ouvir as suas
desculpas. Só quero que vá embora. – A voz dela estava indiferente, sem qualquer emoção.
Ela voltou a prestar atenção às imagens e apontou para alguma coisa.
– Bem ali. Acredita que está dentro de mim?
Boo voltou a expressão furiosa para a imagem e o seu rosto foi tocado por um sorriso
suave.
– Que incrível.
As duas estavam ali paradas olhando para as imagens do meu bebê. Flavia havia escutado as
batidas do coração dele hoje. Sozinha. Sem mim.
– Posso ver? – perguntei, com medo de que ela me dissesse não ou, pior, me ignorasse.
Em vez disso, ela tirou as fotos da mão de Boo e as passou para mim.
– Esta coisinha que parece uma ervilha. É... o nosso bebê.
Estava relutante em chamá-lo de nosso bebê. Eu não podia culpá-la.
– O coração dele estava bem? Quero dizer, batia direitinho e tudo? – perguntei, olhando para
a imagem na minha mão.
– Sim. Disseram que está tudo bem – respondeu ela. – Se quiser, pode ficar com esta. Tenho
três. Mas gostaria que você fosse embora agora.
Eu não iria embora. Nem Bethy montando guarda me impediria de ficar. Eu diria tudo na
frente dela, se fosse preciso, mas me recusava a sair daquele apartamento.
– Minha mãe e o seu pai apareceram hoje sem avisar. Sie vai voltar para a faculdade na
segunda-feira. Minha mãe achou que eu também iria embora e voltou para passar o resto do
ano na casa. Eu lhe informei que não vou a lugar algum e que ela precisava encontrar outro
lugar para morar. Também falei a eles que iria ficar até você decidir para onde gostaria que
nos mudássemos. Que pretendia pedir você em casamento. – Fiz uma pausa e vi o rosto dela
ficar pálido. Não era a reação que eu esperava. – As coisas não saíram muito bem. Houve
gritaria. Horas de berros e ameaças. Quando você me ligou, eu tinha acabado de anunciar aos
três que vou me casar com você. Estava tudo uma loucura. Eu ia ligar de volta assim que
minha mãe e Abe estivessem no carro, saindo da cidade. Não queria que você tivesse que
encarar nenhum deles. Mas a minha mãe não se entrega facilmente. Sie arrumou todas as
coisas dela e foi para a faculdade hoje à noite. Está se recusando a falar comigo. – Parei e
respirei fundo. – Nunca vou conseguir lhe dizer quanto eu sinto pelo que aconteceu. O fato de
eu ter me esquecido da consulta de hoje é imperdoável. Continuo tendo que me desculpar com
você. Queria conseguir parar de estragar tudo.
– Você não ia almoçar com a sua família? – perguntou ela.
– Minha família? O quê? Não!
A tensão no corpo dela cedeu um pouco.
– Ah… – disse ela em um suspiro.
– Por que você achou que eu estava almoçando com eles? Eu não desligaria o telefone na sua
cara para ficar com eles.
– Sie – respondeu ela com um sorriso triste.
– Sie? Quando foi que você falou com ela? Passei a manhã toda com a Sie.
– Quando liguei de novo para você. Sie atendeu e disse que você não tinha tempo para mim
porque ia almoçar com a sua família.
Era bom que minha irmã estivesse mesmo a caminho da Costa Leste, porque eu a enforcaria
se pusesse as mãos nela.
– Você foi à consulta achando que eu havia trocado você e o nosso bebê por eles? Puta que
pariu! – Passei por Boo e puxei Flavia para os meus braços. – Você é a minha família,
Flavia. Você e esse bebê. Está me entendendo? Jamais vou me perdoar pelo que perdi hoje.
Eu queria estar lá para ouvir o coração batendo. Queria estar segurando a sua mão quando
você o viu pela primeira vez.
Flavia jogou a cabeça para trás e sorriu para mim.
– Sabe, pode ser uma menina.
– É. Eu sei.
– Então pare de chamar o nosso bebê de “ele” – respondeu ela.
Eu estava chamando o bebê de ele. Sorrindo, beijei a testa de Flavia.
– Podemos ir para o seu quarto para você me contar da consulta? Eu quero saber de tudo.
Ela assentiu e olhou para Boo.
– Você vai continuar fazendo cara feia para ele ou vai perdoá-lo?
Boo deu de ombros.
– Ainda não sei.
Flavia
As aulas recomeçaram e os veranistas foram embora. O clube tinha muito menos movimento
e, por conta disso, as gorjetas estavam em baixa. A coisa mais importante era que Cameron não
havia mais falado no pedido de casamento desde a noite em que me contara o que tinha dito à
mãe e à irmã dele e ao meu pai. Ele nunca mais sequer falou neles. Às vezes, eu me
perguntava se ele tinha mudado de ideia ou se eu havia imaginado tudo.
Se não fosse Boo me perguntar todas as semanas se Cameron havia tocado no assunto de novo,
eu acharia que aquilo era fruto da minha imaginação. Toda vez que eu respondia que não, ela
ficava mais e mais agitada. Sem falar que o meu coração doía um pouquinho mais. Temia que
ele tivesse pensado melhor e decidido que era um erro. Antes de ele ter mencionado o assunto
naquela noite, eu nem sequer me permitia acreditar que ele pudesse querer se casar comigo.
Imaginava que criaríamos o bebê com duas casas diferentes. Não me permitia pensar no futuro
com ele. Não era algo por que eu queria esperar.
Minhas horas estavam diminuindo por conta da queda do movimento e comecei a me
perguntar se eu precisava arrumar um segundo emprego. Não havia muita coisa para escolher
por aqui. Também era bem provável que Cameron não fosse aceitar a ideia muito bem.
Quando entrei no meu quarto, duas coisas me chamaram a atenção. Havia pétalas de rosas em
cima da cama e, no centro delas, um envelope com o meu nome escrito cuidadosamente na
frente. Peguei o envelope e o abri. O papel tinha uma textura sofisticada e o sobrenome Dallas
gravado em alto relevo na parte de cima.
Flavia, me encontre na praia.
Com amor,
Cameron
A caligrafia estranhamente perfeita dele me fez sorrir. Fui até o meu armário e peguei um
vestido leve branco com duas listras pretas. Se ele tinha planejado alguma coisa romântica na
praia, eu não ia aparecer usando as roupas de trabalho.
Depois de escovar os cabelos e retocar a maquiagem, saí pelas portas francesas que davam
para o golfo e desci até a praia. Cameron estava vestindo um short cáqui e uma camisa de botão.
Fiquei feliz por ter trocado de roupa. Ele estava de costas para mim com as mãos nos bolsos,
olhando para a água. Queria parar e admirar aquela cena, mas também estava ansiosa para vê-
lo. Ele havia saído na hora em que eu acordei naquela manhã.
Desci da trilha e pus o pé na areia. Exceto por nós dois, o lugar estava absolutamente
deserto. Embora não houvesse mais quase ninguém na cidade, ainda fazia sol e calor de 31
graus. Olhei para baixo e percebi alguma coisa na areia. Havia algo escrito, com um pedaço
de madeira atirado ao lado.
Parei e li em voz alta: “Flavia Pavanelli, quer se casar comigo?” Enquanto eu refletia sobre as
palavras, Cameron passou por cima delas e se ajoelhou na minha frente.
Tinha na mão uma caixinha que abriu lentamente, deixando um anel de diamante cintilar à luz
do sol poente. A pedra pareceu ganhar vida. Estava acontecendo. Eu queria aquilo? Sim. Eu
confiava nele? Sim.
Ele estava pronto? Eu não tinha certeza. Não queria que ele estivesse fazendo aquilo por se
sentir pressionado. Seria fácil estender a mão e pôr o anel no dedo. Mas era o que Cameron
realmente queria?
– Você não precisa fazer isso – obriguei-me a dizer olhando para ele.
Ele não falava com a irmã ou a mãe havia semanas. Por mais que não gostasse delas... não,
por mais que as detestasse, não queria ser o que ficaria entre ele e a família dele.
– Não, eu não preciso fazer nada. Mas quero passar o resto da minha vida com você. E com
ninguém mais.
Ele disse as palavras certas. Mas eu ainda tinha a impressão de que alguma coisa estava
errada. Ele não podia querer aquilo de verdade. Era jovem, rico e maravilhoso. Eu não tinha
nada a oferecer a ele. Eu o prenderia, mudaria o seu mundo.
– Não posso fazer isso com você. Não posso atrapalhar o seu futuro. Você pode fazer
qualquer coisa. Prometi que deixaria você fazer parte da vida do nosso bebê. Isso não vai
mudar quando achar que está pronto para ir embora. Sempre vou deixar você participar.
– Não diga mais nada. Eu juro, Flavia, que falta muito pouco para eu atirar você no mar. –
Ele se levantou e olhou fixamente para mim. – Nenhum homem jamais amou uma mulher tanto
quanto amo você. Nada está antes de você. Eu não sei o que mais preciso fazer para provar
que não vou decepcioná-la de novo. Não vou magoá-la. Você não tem mais que ficar sozinha.
Eu preciso de você.
Talvez aquilo não fosse certo e eu estivesse cometendo um erro, mas o que ele disse tocou
em pontos do meu coração que ele, de alguma maneira, ainda não havia conseguido tocar até
aquele momento. Tirei a caixinha da mão dele e peguei o anel.
– É lindo – falei. Porque era. Não era exagerado ou grande demais. Era perfeitamente
simples.
– Nada menos do que isso mereceria o seu dedo – respondeu ele, tirando o anel da minha
mão.
Então ele voltou a se ajoelhar e olhou nos meus olhos.
– Por favor, Flavia Pavanelli, você quer ser minha esposa?
Eu queria aquilo. Eu o queria.
– Sim – respondi.
Ele pôs o anel no meu dedo.
– Graças a Deus – sussurrou, então se levantou de novo e tomou minha boca num beijo
faminto.
Aquilo era real, e talvez não fosse durar para sempre, mas, por ora, era meu. Eu encontraria
uma forma de deixá-lo ir embora se ele quisesse. Mas eu o amava. Isso nunca iria mudar.
– Vá morar comigo – implorou.
– Não posso. Preciso pagar metade do aluguel – lembrei a ele.
– Eu paguei todo o aluguel por um ano. Cada centavo que você deu a Woods foi para uma
poupança com o seu nome. A mesma coisa aconteceu com o dinheiro de Boo. Agora, por
favor, vá morar comigo.
Queria ficar brava com ele, mas não consegui. Dei outro beijo nos seus lábios e concordei
com a cabeça.
– E, por favor, pare de trabalhar – acrescentou.
– Não – respondi. Eu não ia fazer isso.
– Você é minha noiva agora. Vai ser minha mulher. Por que quer trabalhar em um clube? Não
quer fazer outra coisa? Que tal ir para a faculdade? Não quer estudar? Tem alguma coisa em
que queira se formar? Não estou tentando tirar suas escolhas. Só quero lhe dar mais
alternativas.
Eu ia ser a mulher dele. A ficha começou a cair quando o fitei. Eu não precisaria desistir da
faculdade como havia feito com a escola. Eu poderia me formar e ter uma profissão.
– Eu quero isso. Só... só me deixe absorver tudo. Muita coisa acontecendo rápido demais –
falei, passando os braços ao redor dele.
Cameron
Flavia estava determinada a trabalhar as duas semanas de aviso prévio para Woods. Eu não
ia discutir. Ela tinha concordado com tudo o que eu havia pedido. Não ia forçar a minha sorte.
Sentei à mesa com o meu notebook e uma xícara de café e fiquei esperando a hora de ela sair.
Woods parou para conversar comigo por alguns minutos, mas, fora isso, a noite estava
tranquila. Quase todo mundo tinha deixado a cidade. Jace continuava por perto por causa de
Boo, mas eu não sabia se ele ia aguentar por muito mais tempo. Pude perceber a expressão
ansiosa em seus olhos outro dia, enquanto jogávamos uma rodada de golfe. Ele não estava
acostumado a ficar na cidade muito além do verão.
– Este lugar está ocupado?
Ergui o olhar e vi Meg sentando-se à minha frente. Eu não a encontrava desde o torneio de
golfe. Olhei para trás e vi Flavia enchendo o copo d’água de alguém, mas com os olhos em
mim.
– Está, sim – respondi, sem olhar para Meg.
– Eu sei que você está noivo da loura. Todo mundo sabe. Não estou aqui para dar em cima
de você.
Flavia sorriu para mim e voltou para a cozinha. Merda. O que aquele sorriso queria dizer?
– Ela está com um lindo diamante no dedo. Não tem nada com que se preocupar e sabe disso.
Acalme-se, você está pirando por nada.
Desviei a atenção para Meg.
– Ela sabe que você foi a minha primeira mulher. Isso a incomoda.
Meg riu.
– Posso garantir que as lembranças que tenho da nossa experiência e a realidade que ela está
vivendo são completamente diferentes. Eu peguei o virgem cheio de tesão. Ela tem o
profissional experiente.
Olhei de novo para ver se Flavia tinha voltado. Não queria que ela ouvisse aquela conversa.
– Sente-se em outro lugar. Ela anda muito emotiva. Não quero que se aborreça.
Ninguém sabia ainda que ela estava grávida. Eu estava deixando Flavia decidir quando
contar às pessoas.
– Ela não é feita de vidro, Cameron. Não vai quebrar. Ela sabe que você a trata feito uma
boneca?
– Sim, eu sei. Estamos trabalhando nisso – respondeu Flavia, aproximando-se da mesa e
servindo mais café na minha xícara. – Acho que não fomos apresentadas oficialmente. Sou
Flavia Pavanelli.
Meg olhou assustada para mim e voltou-se para Flavia.
– Meg Carter.
– É um prazer conhecê-la, Meg. Quer beber alguma coisa?
Não era o que eu estava esperando. Não que não tivesse gostado, porque gostei. Significava
que eu a estava fazendo se sentir mais segura em relação a mim.
– Se eu pedir uma Coca Diet, ele vai bater em mim? – perguntou Meg.
Flavia riu e balançou a cabeça.
– Não. Ele vai se comportar. Prometo. – Então olhou para mim. – Está com fome?
– Estou bem – garanti a ela.
Flavia assentiu e voltou para a cozinha.
– Nossa, ela é muito gostosa. Cameron, acho que estou um pouquinho apaixonada por ela. Se
alguém vai amarrá-lo para sempre, é melhor que seja um pacote completo.
Sorri e tomei um gole do meu café. Dei mais uma espiada para a porta, esperando que Flavia
voltasse. Mal podia esperar para levar aquela bundinha sexy para casa.
Flavia passou toda a viagem de volta para casa se inclinando por cima do banco, beijando o
meu pescoço e mordiscando a minha orelha. Estava muito difícil manter a concentração ao
volante.
– Estou a ponto de parar no acostamento para comer a minha noiva gostosa se ela não parar –
avisei, dando uma mordiscadinha no seu lábio inferior quando ela me beijou perto demais da
boca.
– Isso parece mais uma promessa do que uma ameaça – provocou, deslizando a mão para o
meio das minhas pernas e segurando a minha ereção.
– Porra, gata, você está me deixando doido – resmunguei, apertando a sua mão.
– Se eu chupar o seu pau, você consegue manter a concentração e dirigir? – perguntou ela,
enquanto desabotoava minha calça jeans.
– É muito provável que eu enfie o carro em uma palmeira, mas no momento não dou a
mínima – respondi quando ela enfiou a mão na parte da frente da minha cueca.
Por sorte, não precisaríamos descobrir. Parei na entrada da casa e larguei o carro de
qualquer jeito. Quando Flavia abriu minha calça, meu celular tocou pela terceira vez. Eu o
tinha deixado apenas no modo vibratório, para que não nos perturbasse. Minha mãe havia me
ligado mais cedo enquanto eu esperava Flavia e não estava a fim de atendê-la. No instante em
que parou, recomeçou. Droga.
Ou desligava o celular ou teria que enfrentá-la. Como Flavia estava com o meu pau na mão, a
ideia de desligar parecia muito melhor. Olhei para baixo e vi um número de fora na tela. O
código de área era conhecido, mas não sabia quem estava me ligando.
– O que houve? – perguntou Flavia.
– Não sei, mas é alguém muito determinado.
Flavia parou de me tocar.
– Atenda. Vou me comportar por alguns minutos.
Atendi. Precisava me livrar de quem quer que fosse e levar minha garota para dentro de
casa. Mas antes que eu pudesse dizer alô, minha mãe começou a falar e o meu mundo foi
arrancado de baixo dos meus pés.
 



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