História Tentação sem limites - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Cameron Dallas, Flavia Pavanelli, Magcon, Taylor Lautner
Personagens Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Exibições 111
Palavras 3.413
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 6 - Capítulo 6


Fanfic / Fanfiction Tentação sem limites - Capítulo 6 - Capítulo 6


Cameron
Foram três semanas, quatro dias e doze horas desde que eu a vira pela última vez. Desde que
ela destruíra o meu coração. Se eu estivesse bebendo, culparia o álcool. Devia ser uma ilusão
desesperada. Mas eu não tinha bebido. Nem uma gota. Não havia como confundir Flavia. Era
ela. Realmente estava aqui. Flavia estava de volta a Santa Monica. Estava de volta à minha vida.
Dirigi durante cinco horas ontem à noite por toda a cidade atrás de Boo, esperando que ela
me levasse até Flavia. Mas não encontrei nenhuma das duas. Voltar para casa e admitir a
derrota foi doloroso. Convenci a mim mesmo que Boo ainda estava em Sumit com Flavia.
Que talvez sua mensagem de texto tivesse sido mandada quando ela estava bêbada, nada mais.
Fiquei zonzo ao vê-la. Ela estava mais magra e não gostei disso. O som da sua voz quase me
fez cair de joelhos. Meu Deus, como eu sentia falta da voz dela.
– Flavia... – disse, por fim, morrendo de medo de afastá-la de mim simplesmente por falar.
Ela levantou a mão e ficou segurando uma mecha dos cabelos. Estava nervosa. Não gostei do
fato de que eu a estava deixando nervosa. Mas o que eu poderia fazer para facilitar as coisas?
– Podemos conversar? – perguntou ela baixinho.
– Sim. – Dei um passo para trás para deixá-la passar. – Entre.
Ela fez uma pausa e olhou para mim enquanto entrava na casa. O medo e a dor que vi no seu
olhar fizeram com que eu me recriminasse. Ela fora magoada ali. O mundo dela fora destruído
na minha casa. Merda. Não queria que ela se sentisse assim em relação à minha casa. Não
quando também havia tantas boas lembranças ali.
– Você está sozinho? – perguntou ela. Olhou de novo para mim.
Ela não queria ver a minha mãe ou o pai dela. Agora eu entendia. Não era a casa.
– Eu os obriguei a sair no dia em que você foi embora – respondi, olhando com cuidado para
ela.
Ela arregalou os olhos. Por que isso a surpreendia? Ela não havia entendido? Ela vinha em
primeiro lugar. Eu tinha falado isso naquele quarto de hotel.
– Ah. Eu não sabia... – disse ela baixinho. Nós dois sabíamos que ela não sabia porque havia
me excluído da sua vida.
– Sou só eu aqui... a não ser pelas visitas eventuais do Nash.
Ela precisava saber que eu não havia seguido em frente. Eu não estava seguindo em frente.
Flavia entrou na casa e eu cerrei os punhos ao sentir o seu perfume familiar a acompanhando.
Quantas noites eu passei ali sonhando vê-la voltar para a minha vida. Para o meu mundo.
– Quer beber alguma coisa? – ofereci, pensando no quanto eu queria, na realidade, implorar
para que ela conversasse comigo, ficasse comigo e me perdoasse.
Flavia balançou a cabeça e virou-se para me olhar.
– Não, estou bem. Eu... eu só... eu estava na cidade e... – Ela franziu o nariz e eu fiz um
esforço enorme para conter a vontade de estender a mão e tocar no rosto dela. – Você bateu no
Cain?
Cain. Merda. Ela sabia sobre Cain. Ela estava ali para falar sobre Cain?
– Ele perguntou coisas que não deveria ter perguntado. Disse coisas que não deveria ter dito
– respondi entre os dentes cerrados.
Flavia suspirou.
– Só posso imaginar – murmurou, balançando a cabeça. – Sinto muito que ele tenha vindo
aqui. Ele não pensa direito. Só age por impulso.
Ela não estava defendendo ele. Estava se desculpando por ele. Ela não tinha por que fazer
isso. Aquele imbecil não era responsabilidade ou culpa dela.
– Não se desculpe, Flavia. Isso me deixa com vontade de sair correndo atrás dele –
resmunguei, sem conseguir controlar a minha reação.
– Foi por culpa minha que ele veio aqui, Cameron. Por isso estou me desculpando. Eu o deixei
chateado, ele deduziu que foi por sua causa e veio correndo até aqui tomar satisfação antes de
resolver as coisas comigo.
Resolver as coisas com ela? Que porra o Cain precisava resolver com ela?
– Ele precisa ficar longe de mim. Se ele chegar a...
– Cameron. Calma. Cain e eu somos velhos amigos. Nada além disso. Eu disse a ele algumas
coisas que eu precisava ter dito muito tempo atrás. Ele não gostou. Foi cruel, mas eu precisava
dizer. Estava cansada de proteger os sentimentos dele. Ele me pressionou demais. Foi só isso.
Respirei fundo, mas não adiantou. Minha cabeça começou a latejar.
– Você veio vê-lo? – Eu precisava saber se era por isso que ela estava ali. Se aquilo não
tivesse nada a ver comigo, meu coração precisava saber.
Flavia caminhou na direção da escada em vez de ir para a sala de estar. Percebi isso. E
compreendi. Ela podia ter entrado na minha casa, mas não conseguia encarar as coisas. Ainda
não. Talvez nunca conseguisse.
– Talvez ele tenha sido a minha desculpa para entrar no carro com a Boo. – Ela fez uma
pausa e deu um suspiro. – Mas ele já havia ido embora quando cheguei aqui. Fiquei por outros
motivos. Eu... eu precisava falar com você.
Flavia tinha vindo falar comigo. Já fazia tempo suficiente? Usei cada centelha de força de
vontade que possuía para ficar parado e não a tomar nos meus braços. Não me importava o
que ela tinha a dizer. O fato de que ela queria me ver era suficiente.
– Que bom que você veio.
Ela franziu levemente a testa, mas não olhava para mim.
– As coisas ainda não mudaram. Não consegui parar de pensar. Eu nunca vou conseguir
confiar em você. Nem se eu quiser. Não consigo.
Que porra ela queria dizer com aquilo? O latejar na minha cabeça só piorava.
– Estou indo embora de Sumit. Não posso ficar lá. Preciso dar um jeito na minha vida
sozinha.
O quê?
– Você vai morar com a Boo? – perguntei, imaginando se eu ainda estava dormindo e
aquilo era um sonho.
– Eu não ia, mas conversei com a Boo hoje de manhã e pensei que talvez, se eu visse você,
conversasse com você e encarasse... isto, eu poderia ficar com ela por um tempo. Não seria
algo permanente. Eu iria embora em uns dois meses. Só até ter tempo de decidir o que fazer
em seguida.
Ela ainda estava pensando em ir embora. Eu precisava mudar isso. Teria dois meses se ela
ficasse ali. Pela primeira vez desde que ela me disse para sair do quarto do hotel, tive
esperança.
– Acho que você tem razão. Não tem por que tomar uma decisão apressada tendo uma
alternativa bem aqui.
Ela poderia ficar na minha casa de graça. Na minha cama. Comigo. Mas eu não poderia
oferecer isso. Ela jamais concordaria.
Flavia
– Vou voltar a trabalhar no clube. Nós... hum... vamos nos ver de vez em quando. Eu
procuraria um emprego em outro lugar, mas preciso do salário que me pagam lá.
Estava explicando isso mais a mim mesma do que ao Cameron. Não sabia ao certo o que iria
dizer quando chegasse ali. Só sabia que precisava encará-lo. No começo, Boo havia
implorado que eu contasse a ele sobre a gravidez, mas depois que ficou sabendo o que tinha
acontecido com o meu pai, Sie e a mãe dela naquele dia, ela não ficou mais tão fã do Cameron
como antes. Concordou que não havia por que contar nada a ele no momento.
Criar coragem para voltar àquela casa depois da forma como eu havia saído apenas três
semanas e meia antes foi difícil. A esperança de que o meu coração não reagiria quando eu
visse o rosto de Cameron foi inútil. Meu peito ficou tão apertado que foi surpresa eu ter
conseguido respirar. Quanto mais falar. Eu estava grávida do bebê dele... do nosso bebê. Mas
as mentiras. A traição. Quem ele era. Tudo isso evitou que eu dissesse as palavras que ele
merecia ouvir. Eu não podia. Estava errado. Eu estava sendo egoísta e sabia disso. Mas não
mudava nada. Aquele bebê que eu estava carregando talvez nunca viesse a conhecê-lo. Eu não
podia permitir que o que eu sentia por ele atrapalhasse as minhas decisões em relação ao
futuro... ou ao futuro do bebê. Meu pai, a mãe de Cain e Sie jamais seriam parte da vida dessa
criança. Eu não permitiria isso. Não poderia permitir.
– Claro, claro. Trabalhar no clube rende uma boa grana. – Ele parou de falar e passou a mão
pelos cabelos. – Flavia, nada mudou. Não para mim. Você não precisa da minha permissão.
Isso é exatamente o que eu quero. Ter você aqui de novo. Ver o seu rosto. Meu Deus, gata, eu
não consigo fazer isso. Não consigo fingir que não estou empolgado por você estar na minha
casa agora.
Eu não conseguia olhar para ele. Não agora. Não estava esperando que ele dissesse aquelas
coisas. O que eu esperava era uma conversa nervosa e tensa. Era isso que eu queria. Meu
coração não iria suportar nada diferente.
– Preciso ir, Cameron. Não posso ficar. Só queria ter certeza que você não se importaria de eu
ficar na cidade. Vou manter distância.
Cameron se mexeu tão rapidamente que eu não me dei conta até ele estar de pé entre mim e a
porta.
– Por favor, me desculpe. Eu estava tentando ser legal. Estava tentando ser cuidadoso, mas
não consegui. Vou melhorar. Prometo. Vá para a casa da Boo. Esqueça o que acabei de
dizer. Vou me comportar. Prometo. Só... só não vá embora. Por favor.
O que eu podia dizer em relação àquilo? Ele conseguiu fazer com que eu sentisse vontade de
tranquilizá-lo. De lhe pedir desculpas. Ele era um perigo para as minhas emoções e o meu
bom senso. Distância. Nós dois precisávamos de distância. Assenti e passei por ele.
– Eu... hum... a gente se vê por aí. – Consegui grunhir antes de abrir a porta e sair da casa.
Não olhei para trás, mas sabia que ele estava me observando ir embora. Foi o único motivo
pelo qual eu não saí correndo. Espaço... nós dois precisávamos de espaço. E eu precisava
chorar.
Foi como se ele soubesse que eu estava a caminho. Eu já havia decidido ir direto para o
salão de jantar procurar por Jimmy. Achei que ele saberia onde encontrar Woods. Mas Woods
estava esperando por mim de pé quando abri a porta dos fundos do clube.
– E ela está de volta. Sinceramente, não achei que você iria voltar – disse Woods enquanto a
porta batia atrás de mim.
– Por um tempinho só – comentei.
Woods piscou um olho e acenou com a cabeça na direção do corredor que levava ao
escritório dele.
– Vamos conversar.
– Está bem – concordei, indo atrás dele.
– Boo já me ligou duas vezes hoje. Queria saber se eu já tinha conversado com você e
garantir que você havia conseguido o seu emprego de volta – falou Woods ao abrir a porta do
escritório e segurá-la para que eu entrasse. – Eu só não esperava pela ligação que recebi há
dez minutos. Fiquei surpreso. Pela forma como você saiu correndo daqui há três semanas
deixando o Cameron totalmente arrasado, não esperava que ele fosse ligar para pedir por você.
Não que ele precisasse fazer isso, é claro. Eu já havia concordado em devolver o seu
emprego.
Parei e olhei para ele. Eu escutei direito?
– Cameron? – perguntei, quase temendo ter imaginado aquele comentário.
Woods fechou a porta e recostou-se na frente da sua mesa de trabalho, de madeira lustrosa e
aparência cara, cruzando os braços. O sorriso de quando eu cheguei havia desaparecido.
Parecia mais preocupado agora.
– Sim, Cameron. Eu sei que você descobriu a verdade. Jace me contou parte da história. O que
ele sabe, pelo menos. Mas eu já sabia quem você era. Ou quem Cameron e Sie achavam que você
era. Eu lhe avisei que ele escolheria ela. Ele já estava escolhendo ela quando dei aquele
aviso. Você quer mesmo voltar para tudo isso? O Alabama é tão ruim assim?
Não. O Alabama não era tão ruim assim. Mas ser mãe solteira aos 19 anos e sem família era
muito ruim. Isso, porém, não era algo que eu iria dividir com Woods.
– Voltar para cá não é nada fácil. Encontrar com todos eles também não vai ser. Mas preciso
pensar no que vou fazer. Para onde vou. Não há mais nada para mim no Alabama. Não posso
ficar lá fingindo que há. Está na hora de eu encontrar uma nova vida. E Boo é a única amiga
que eu tenho. Minhas alternativas de lugares para onde ir são um pouco limitadas.
Woods arqueou as sobrancelhas.
– Ui. O que eu sou? Achei que fôssemos amigos.
Sorrindo, me aproximei e fiquei parada atrás da cadeira na frente dele.
– Nós somos, mas, bem... não amigos íntimos.
– Não por falta de esforço meu.
Dei uma risadinha e Woods sorriu.
– É bom ouvir isso. Senti sua falta.
Talvez voltar não fosse tão difícil.
– Pode ter o seu emprego de novo. Não tive sorte com garotas de carrinhos e o Jimmy ainda
está de mau humor com isso. Ele não se sai bem com as outras. Sente sua falta também.
– Obrigada. Mas preciso ser sincera com você. Pretendo ir embora em quatro meses. Não
posso ficar aqui para sempre. Eu...
– Tem uma vida para tocar. Sim, já sei. Você não pretende fincar raízes em Santa Monica.
Entendi. Por qualquer que seja o período de tempo, o emprego é seu.
Cameron
Bati mais uma vez antes de abrir a porta da casa de Sie e entrar. Vi o carro dela estacionado
do lado de fora. Sabia que ela estava ali. Só queria anunciar minha entrada. Uma vez, cometi o
erro de não bater antes e acabei vendo a minha irmãzinha montada no colo de um cara. Quis
jogar água sanitária nos olhos depois daquela experiência.
– Sie, está na hora. Precisamos conversar.
Eu a chamei e fechei a porta atrás de mim. Entrei na sala de estar. O barulho de mais de uma
voz sussurrada e passos vindo da suíte quase me obrigaram a dar meia-volta e ir embora, mas
eu não ia fazer isso. Aquilo era mais importante. O convidado dela tinha que ir para casa
mesmo. Já passava das onze.
A porta do quarto dela se abriu e se fechou. Interessante. Quem quer que estivesse ali ia
ficar. Teríamos que ir conversar na varanda. Eu não falaria sobre a Flavia na frente de mais
ninguém. Provavelmente eu conhecia o cara que estava naquele quarto. Seria o único motivo
para ela mantê-lo escondido.
– Já ouviu falar em ligar antes de aparecer? – reclamou Sie ao entrar na sala de estar
vestindo um robe curto de seda. Estava cada vez mais parecida com a nossa mãe.
– Está quase na hora do almoço, Sie. Você não pode manter o cara na cama o dia todo –
respondi, abrindo as portas que levavam à varanda com vista para o golfo. – Preciso
conversar com você e não quero que seu amiguinho nos escute.
Sie revirou os olhos e saiu atrás de mim.
– Engraçado como tentei falar com você durante semanas e agora que você quer conversar
chega invadindo a minha casa como se eu não tivesse vida própria. Eu pelo menos ligo antes.
Ela estava começando a falar parecido com a nossa mãe também.
– Este apartamento é meu, Sie. Posso entrar quando bem entender.
Tive que lembrá-la disso. Ela ia sair de lá na metade de agosto para voltar para a
fraternidade em que morava e para o curso universitário pelo qual ainda não havia se
decidido. Para ela, a faculdade era uma função social. Ela sabia que eu pagaria as despesas e
as mensalidades. Sempre cuidei de tudo para ela.
– Que sarcástico. Do que se trata isso tudo? Ainda não tomei café.
Ela não tinha medo de mim. Eu não queria tivesse, mas estava na hora de ela crescer. Eu não
ia deixar que expulsasse Flavia. Em um mês, Sie teria partido. Normalmente, eu também. Mas
não naquele ano. Continuaria morando em Santa Monica. Minha mãe teria que escolher outro lugar
para ficar. Não teria aquela casa de graça pelo resto do ano.
– Flavia voltou – falei, por fim.
Eu tivera tempo o suficiente para ver as coisas de outro ângulo. Não achava mais que Sie
era a vítima da história. Quando criança, sim, mas Flavia também era. Sie ficou tensa e seus
olhos faiscaram com um ódio que pertencia ao pai dela, não a Flavia.
– Não diga nada. Deixe-me falar primeiro ou vou botar o seu amiguinho para fora do meu
apartamento. Eu estou no comando aqui, Sie. Nossa mãe não tem nada. Sou eu que sustento
vocês duas. Nunca lhe pedi nada. Nunca. Mas agora vou pedir... não, vou exigir que você me
escute e que atenda às minhas condições.
Em instantes, a raiva de Sie havia sumido. Agora eu tinha a garotinha mimada me encarando.
Ela não gostava que lhe dissessem o que fazer. Não podia culpar a minha mãe pelo seu
comportamento, não completamente. Eu fazia isso também. O excesso de compensação tinha
estragado Sie.
– Eu a odeio – sussurrou Sie.
– Eu falei para me ouvir. Não pense que estou blefando, Sie. Porque desta vez você ferrou
com uma coisa de que eu gosto. Isso me afeta, então me ouça e cale a boca.
Ela arregalou os olhos, chocada. Eu nunca tinha falado com ela daquele jeito, então eu
mesmo fiquei um pouco surpreso. Ouvir o ódio na voz dela direcionado a Flavia havia me
deixado muito furioso.
– Flavia vai ficar com Boo. Woods devolveu o emprego dela. Ela não tem nada no
Alabama. Não tem ninguém. O pai que vocês duas dividem é um imprestável. Para Flavia, ele
poderia muito bem estar morto. Ela voltou para descobrir onde se encaixa e o que fazer
depois. Estava fazendo isso antes, mas quando a verdade veio à tona, seu mundo desmoronou
e ela fugiu. É uma porra de um milagre que tenha voltado para cá. Eu a quero aqui, Sie. Você
pode não querer ouvir isso, mas eu a amo. Nada vai me impedir de garantir que ela fique bem,
que esteja segura e que ninguém, e eu realmente quero dizer ninguém, nem mesmo a minha
irmã, faça com que ela se sinta indesejada. Você vai embora logo. E pode continuar com o seu
ódio mal direcionado se quiser, mas um dia espero que cresça o suficiente para se dar conta
de que só existe uma pessoa a ser odiada nessa história.
Sie afundou em uma das espreguiçadeiras que mantinha na varanda para ler. Eu a amava
também. Eu a protegera durante toda a vida. Dizer aquilo e ameaçá-la era difícil, mas eu não
poderia deixar que ela continuasse magoando Flavia. Precisava acabar com aquilo. Flavia
nunca me daria outra chance enquanto Sie estivesse atormentando a sua vida.
– Então você está escolhendo Flavia... – sussurrou Sie.
– Não é uma competição, Sie. Pare de agir assim. Você já tem seu pai. Ela o perdeu. Você
ganhou. Agora deixe as coisas como estão.
Sie levantou o rosto e havia lágrimas em seus olhos.
– Ela fez você me odiar.
Maldito drama de merda. Sie tinha uma novela na cabeça.
– Sie, me escute. Eu amo você. Você é a minha irmãzinha. Ninguém pode mudar isso. Mas
eu estou apaixonado pela Flavia. Isso pode ser um golpe enorme nos seus planos de conquistar
e destruir, mas, querida, está na hora de resolver os problemas com o seu pai. Ele voltou há
três anos. Preciso que você supere isso.
– E quanto à família estar em primeiro lugar? – perguntou ela, com a voz embargada.
– Não comece com isso. Nós dois sabemos que pus você em primeiro lugar a vida toda.
Sempre que precisou de mim, eu estive ao seu lado. Mas somos adultos agora, Sie.
Ela secou as lágrimas que escaparam dos seus olhos e se levantou de novo. Eu nunca
conseguia saber se as lágrimas dela eram reais ou falsas. Ela era capaz de ligá-las e desligá-
las à vontade.
– Tudo bem. Talvez eu volte para a faculdade mais cedo. Você não me quer aqui mesmo.
Você a escolheu.
– Eu sempre vou querer você por perto, Sie. Mas desta vez quero que você seja legal. Pense
em outra pessoa para variar. Você tem coração. Sei disso. Está na hora de usá-lo.
Sie se empertigou.
– Se a conversa já terminou, você pode, por favor, ir embora do seu apartamento?
– Sim, já terminou – respondi, voltando para dentro.
Sem dizer mais uma palavra, saí pela porta da frente. O tempo agora iria dizer se eu
precisaria levar minhas ameaças até o fim para ensinar uma lição à minha irmã.
Esperava sinceramente que não.
 



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