História Tentação sem limites - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Cameron Dallas, Flavia Pavanelli, Magcon, Taylor Lautner
Personagens Cameron Dallas, Flavia Pavanelli
Exibições 110
Palavras 3.926
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 8 - Capítulo 8


Fanfic / Fanfiction Tentação sem limites - Capítulo 8 - Capítulo 8


Cameron
Flavia saiu do apartamento de Bruna com um copo de café antes que eu pudesse saltar do
carro. Abri a porta e saí da picape. Ela estava com os cabelos soltos, caindo sobre as costas.
Eu adorava os cabelos dela assim. Usava um short que mal cobria as suas pernas e iria
dificultar a minha concentração enquanto dirigia. Eles subiriam pelas coxas. Tirei os olhos
das pernas dela e me fixei no seu olhar firme. Ela dava um sorrisinho forçado.
– Trouxe um pouco de café, já que você saiu da cama tão cedo por minha causa. Sei que não
gosta de acordar cedo.
Sua voz era insegura e suave. Seria a minha missão mudar isso nessa viagem. Queria que ela
voltasse a se sentir confortável ao meu lado.
– Obrigado – falei, com um sorriso que, esperava, a tranquilizasse e abri a porta do carona
para ela.
Não havia conseguido dormir desde as três da manhã. Estava ansioso. Já devia ter tomado
uns dois bules de café. Mas não diria isso a ela. Flavia tinha me levado café. Um sorriso
verdadeiro tomou conta dos meus lábios quando fechei a porta e segui de volta para o banco
do motorista.
Flavia segurava uma garrafa de água que também tinha trazido perto da boca e estava
tomando pequenos goles quando olhei para ela.
– Se quiser ouvir música, prometi que a deixaria escolher – lembrei a ela. Ela não se mexeu,
mas um sorriso se insinuou em sua boca.
– Obrigada. Estou bem agora. Você pode ouvir alguma coisa, se quiser. Preciso acordar
primeiro.
Eu não queria saber do rádio. Só queria conversar com ela. Não importava sobre o quê. O
importante era conversar.
– E então, qual é o plano? Cain sabe que você está indo buscar as suas coisas? – perguntei.
Ela se remexeu no assento e eu me obriguei a manter os olhos na estrada e não em suas
pernas.
– Não. Quero explicar tudo para ele e para a avó dele, a Vovó Q. Também preciso
convencê-lo a vender a minha picape e me enviar o dinheiro. Ela não vai conseguir fazer o
caminho de volta para cá. Está muito detonada.
A picape dela era velha. A ideia de que ela não estaria mais andando por aí naquilo era um
alívio. Mas também não gostava da ideia de ela não ter carro. Eu ainda não sabia como eu ia
dar um jeito nisso. Ela jamais aceitaria que eu lhe comprasse um. Talvez a picape dela
pudesse ser consertada e ficar mais segura.
– Eu posso levá-la a uma oficina enquanto você estiver arrumando as coisas. Talvez só
precise de alguns ajustes.
Flavia suspirou.
– Obrigada, mas não precisa se incomodar. Cain já fez isso. Ele mandou consertar para que
eu pudesse andar com ela pela cidade, mas disse que era um quebra-galho. Precisa de muito
mais e eu não posso pagar.
Apertei a direção com mais força. A ideia de que Cain vinha cuidando dela me deixava
maluco. Eu detestava que ele houvesse levado a picape dela à oficina. Que a família dele a
tivesse ajudado quando ela mais precisou. Minha família havia ferrado com a vida dela. E eu
não estava ao seu lado quando ela precisou de ajuda.
– Então você e o Cain estão...?
Que merda eu estava perguntando? Se eles estavam o quê? Porra. Eu não queria saber isso.
– Nós somos amigos, Cameron. Fomos amigos a vida inteira. O que eu sinto em relação a ele não
mudou.
Soltei um pouco a direção e passei as palmas das mãos suadas na calça jeans. Merda, ela me
deixava maluco. Se eu queria que ela voltasse a se sentir confortável comigo, precisava me
acalmar. Não encher o Cain de porrada quando o visse seria um bom começo.
Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, Flavia se inclinou para a frente e ligou o rádio.
Encontrou uma estação de música country no meu rádio por satélite, recostou-se no banco e
fechou os olhos. Eu havia me intrometido demais. Ela estava pedindo educadamente para eu
calar a boca. Entendi a dica.
Trinta minutos de silêncio se passaram até que o meu telefone tocou. O nome de Sie
apareceu na tela do meu painel. O maldito iPhone estava conectado ao meu carro.
Normalmente, isso facilitava as coisas e me deixava com as mãos livres. Mas Flavia ver o
nome de Sie não foi legal. Eu não queria uma lembrança. Meu plano era que aquele dia fosse
isento de lembranças. Cliquei “Ignorar” e o rádio voltou a tocar.
Não olhei para Flavia, mas senti os olhos dela em mim. Foi muito difícil não me virar para
ela.
– Você podia ter falado com ela. É sua irmã – disse Flavia, tão baixinho que eu quase não
ouvi por causa da música.
– É, mas também representa coisas em que eu não quero que você pense hoje.
Flavia não parou de olhar para mim. Eu estava fazendo o máximo de esforço para manter a
situação casual. Parar o carro, segurar o rosto dela e dizer o quanto ela era importante para
mim e o quanto eu a amava não era o que ela estava precisando naquele momento.
– Eu estou melhor, Cameron. Tive tempo de processar tudo e lidar com a situação. Vou ver a
Sie no clube. Estou preparada para isso. Você está me ajudando hoje. Poderia estar fazendo
qualquer outra coisa, mas escolheu tirar o dia para me ajudar. Não quero impedir que atenda
telefonemas de pessoas de quem você gosta. Não sou feita de açúcar.
Porra. O plano de manter a situação casual e simples tinha oficialmente fracassado. Parei no
acostamento em um rompante. Mantive as mãos longe dela, mas voltei toda a minha atenção
para Flavia.
– Eu escolhi levar você hoje porque não há nada que eu queira mais do que estar perto de
você. Estou fazendo isso porque sou um homem desesperado que vai enfrentar o que quer que
seja por você. – Fui vencido e estendi a mão para passar o polegar no rosto dela e então nos
seus cabelos, que me fascinavam desde a primeira vez que eu pusera os olhos nela. – Eu faço
qualquer coisa. Qualquer coisa, Flavia, só para ficar perto de você. Não consigo pensar em
mais nada. Não consigo me focar em mais nada. Então nunca pense que você está sendo
inconveniente. Quando precisar de mim, estarei aqui.
Parei. Estava parecendo patético até para mim mesmo. Afastei a mão da cabeça dela, engatei
a picape e voltei para a estrada.
Flavia não disse nada. Eu não a culpava. Eu parecia um maluco falando. Ela provavelmente
estava com medo de mim agora. Caramba, até eu estaria.
Flavia
Meu coração estava batendo tão forte que eu tinha certeza de que ele podia ouvir. Aquela
tinha sido uma péssima ideia. Estar perto dele me deixava muito confusa. Era fácil esquecer
quem ele era. Ele me tocar, ainda que só o meu rosto, me deu vontade de chorar. Eu queria
mais do que aquilo. Sentia saudade dele. De tudo o que lhe dizia respeito. E estaria mentindo
se dissesse que a ideia de estar tão perto dele o dia todo não havia me mantido acordada a
maior parte daquela noite.
Como eu não disse nada, Cameron aumentou o volume do rádio de novo. Eu devia falar alguma
coisa, mas o quê? Como reagir àquilo sem simplesmente causar mais dor a nós dois? Dizer a
ele que sentia saudade dele e que também o queria não facilitaria as coisas. Só seria mais
difícil.
Desta vez, quando o telefone tocou, a tela do painel do carro dele exibiu o nome “Nash”.
Cameron apertou um botão e atendeu.
– Oi.
Arrisquei olhar para ele, já que o seu foco não estava mais em mim. As rugas de
preocupação em seu rosto me deixaram triste. Não queria que elas estivessem lá.
– É, estamos a caminho – respondeu Cameron ao telefone. – Não acho que seja uma boa ideia.
Ligo para você quando voltar. – Ele cerrou o maxilar e eu soube que o que quer que Nash
estivesse dizendo o estava deixando irritado. – Eu disse que não – resmungou e encerrou a
ligação antes de atirar o telefone no porta-copos.
– Tudo bem com você? – perguntei sem pensar direito.
Ele virou a cabeça para mim. Era como se estivesse espantado pelo fato de eu estar falando
com ele.
– Sim. Tudo bem – respondeu, em um tom muito mais calmo, então voltou os olhos para a
estrada.
Esperei alguns minutos e decidi fazer algum comentário sobre o que ele me dissera. Se eu
não começasse a falar sobre isso com ele, sempre teríamos aquele silêncio estranho entre nós.
Mesmo que eu fosse embora em quatro meses e nunca mais o visse... não, eu o veria de novo.
Eu teria que vê-lo, não teria? Será que eu poderia mesmo nunca contar a ele sobre o bebê?
Afastei esse pensamento. Ainda não tinha ido ao médico. Pensaria nisso quando chegasse o
momento. Naquela manhã eu vomitara de novo ao abrir o compactador de lixo e sentir um
resquício do cheiro de peixe frito que Jace jogara fora na noite anterior. Eu não era tão
sensível normalmente. O chá quente de gengibre que eu estava tomando quando Cameron foi me
buscar havia acalmado o meu estômago. Eu podia fingir que aquele teste de gravidez estava
errado ou encarar a realidade.
– Sobre o que você falou... eu, hum, não sei bem como responder àquilo. Quero dizer, sei
como me sinto e gostaria que as coisas fossem diferentes, mas elas não são. Eu quero que a
gente... quero que a gente encontre um jeito de ser amigos... talvez. Eu não sei. Isso parece tão
esquisito. Depois de tudo – parei, porque a minha tentativa de conversar com ele estava sendo
um caos.
Como nós poderíamos ser amigos? Foi como tudo aquilo tinha começado e ali estava eu,
apaixonada e grávida de um homem com quem eu não podia ter um futuro.
– Eu serei o que você me deixar ser, Flavia. Só não me tire da sua vida de novo. Por favor.
Assenti. Tudo bem. Daria um tempo àquela história de amizade. Depois... depois eu contaria
a ele sobre a gravidez. Ou ele sairia correndo, ou iria querer fazer parte da vida do nosso
bebê. De qualquer maneira, eu precisava de tempo para me preparar. Porque não deixaria meu
filho ter qualquer coisa a ver com aquela família. Nunca. Isso estava fora de cogitação. Eu
odiava mentirosos... mas estava prestes a me tornar uma por um tempo. Desta vez, era eu quem
tinha um segredo para guardar.
– Tudo bem – respondi, mas não disse mais nada.
Meus olhos estavam ficando pesados. A falta de sono da noite anterior e o fato de que eu não
podia tomar cafeína para me despertar estavam me pegando. Fechei os olhos.
– Calma, doce Flavia. Sua cabeça estava caindo para a frente e você iria acabar com um
baita torcicolo. Vou só deitar o seu encosto.
Um sussurro profundo e quente soprou no meu ouvido e eu estremeci. Eu me virei para ele,
mas estava tão sonolenta que não consegui despertar por completo. Algo suave roçou meus
lábios e eu caí no sono de novo.
– Você precisa acordar, dorminhoca. Estou aqui, mas não faço ideia de para onde ir.
A voz de Cameron, acompanhada por um apertão suave no braço, me despertou. Esfreguei os
olhos e os abri. Estava deitada. Olhei para Cameron e ele sorriu.
– Não podia deixar você ficar com o pescoço caído. Além disso, estava dormindo tão
profundamente, que quis que você se sentisse mais confortável.
Ele soltou o cinto de segurança e se aproximou de mim para apertar um botão na lateral do
meu assento. O encosto voltou devagar à posição normal e eu vi o sinal de trânsito de Sumit,
no Alabama, à minha frente.
– Sinto muito. Dormi o caminho todo. Deve ter sido uma viagem muito chata.
– Eu fiquei com o controle do rádio, então não foi nada mau – respondeu Cameron com um
sorriso irônico, olhando para o sinal. – Para onde eu vou daqui?
– Siga em frente até ver uma grande placa vermelha de madeira anunciando “Produtos
frescos e lenha à venda” e vire à esquerda. Vai ser a terceira casa à direita, mas fica mais ou
menos três quilômetros depois de entrar na estrada. Depois de mais ou menos uns quatrocentos
metros, acaba o asfalto.
Cameron seguiu as minhas orientações e não falamos muito. Eu ainda estava acordando e um
pouco enjoada. Não havia comido nada. Tinha biscoitos salgados que a Bruna me dera na
bolsa, mas comer um deles na frente do Cameron seria uma má ideia. Se eu passasse mal, poderia
deixá-lo desconfiado.
Quando paramos na porta da garagem da casa da Vovó Q, eu estava suando frio. Vomitaria
se não comesse alguma coisa. Abri a porta para sair antes que Cameron pudesse ver o meu rosto.
Provavelmente devia estar pálida.
– Quer que eu vá com você ou é melhor esperar aqui? – perguntou Cameron.
– Ah, hum... talvez seja melhor você ficar aqui – respondi ao ver a caminhonete do Cain
estacionada.
Não queria que Cameron e Cain brigassem de novo. Também não confiava em Cain para ficar de
bico fechado sobre o teste de gravidez. Fechei a porta do carro e segui na direção da casa.
Cain abriu a porta de tela e saiu antes que eu chegasse ao primeiro degrau. A expressão no
seu rosto era uma mistura de preocupação e raiva.
– Por que ele está aqui? Ele trouxe você para casa, agora pode ir embora – resmungou Cain,
olhando para Cameron atrás de mim.
É, tinha sido uma ótima ideia Cameron ficar no carro. Senti o estômago embrulhar e lutei contra a
náusea.
– Ele vai me levar de volta. Acalme-se, Cain. Você não vai brigar com ele. Você é meu
amigo. Ele é meu amigo. Vamos conversar sobre isso lá dentro. Preciso pegar minhas coisas.
Cain deu um passo para trás e me deixou passar, então me seguiu para dentro da casa,
batendo a porta atrás de si.
– O que quer dizer com “levar de volta”? Aquele teste deu positivo? Você vai voltar para
ele agora, mesmo depois de ter sido tão magoada a ponto de voltar para cá arrasada três
semanas atrás? Eu vou cuidar de você, Flavia. Sabe disso.
Levantei a mão para que ele parasse de falar.
– Uma coisa não tem nada a ver com a outra, Cain. Ele é um amigo que me deu uma carona.
Sim, nós fomos mais do que isso antes... aconteceram coisas, mas agora não estão mais
acontecendo. Eu não estou correndo para ele. Vou reaver meu emprego em Rosemary e ficar
morando com a Bruna por um tempo. Depois vou para outro lugar recomeçar a vida. Só não
posso continuar aqui.
– Por que não pode ficar aqui? Caramba, Flavia, eu me caso com você hoje mesmo. Sem
perguntas. Amo você. Mais do que a minha própria vida. Você tem que saber disso. Pisei na
bola quando éramos mais novos e aquela história com a Callie não significa nada para mim.
Ela é só uma garota que me distrai. Você é tudo o que eu quero. Venho lhe dizendo isso há
anos. Por favor, me escute...
– Cain, pare com isso. Você é meu amigo. O que nós tivemos acabou há muito tempo. Eu
flagrei você fazendo coisas que não devia com outra garota. Naquela noite, tudo mudou. Amo
você, mas não estou apaixonada por você e nunca mais estarei. Preciso arrumar as minhas
coisas e tocar a minha vida.
Cain deu um soco na parede.
– Não diga isso! Essa história não acabou. Você não pode fugir assim, sozinha. Não é
seguro! – Ele fez uma pausa. – Você está grávida?
Não respondi. Fui até o quarto onde estava hospedada e comecei a arrumar a minha mala.
– Está? – insistiu ele, me seguindo até o quarto.
Não respondi. Continuei focada nas minhas coisas.
– Ele sabe? O filho do astro de rock vai assumir a responsabilidade? Ele está mentindo, B. O
bebê vai chegar e ele vai fugir. Ele não vai conseguir dar conta. Um bebê não se encaixa na
vida dele. Você sabe disso. Caramba, o mundo todo sabe disso. Ele mesmo pode ser um astro
de rock. Vi a casa de praia onde ele mora. Ele não vai estar presente quando as coisas ficarem
difíceis. Esse tipo de gente não fica. Posso ter pisado na bola, mas não vou fugir. Sempre
estarei aqui.
Dei meia-volta.
– Ele não sabe, está bem? Nem sei se vou contar a ele. Não quero alguém para me salvar.
Posso fazer isso sozinha. Não sou uma inútil.
Ele começou a abrir a boca para argumentar quando a Vovó Q entrou no quarto. Eu não tinha
me dado conta de que ela estava em casa.
– Pare de implorar, Cain. Você fez a cama, rapaz, agora deite-se nela. Flavia seguiu em
frente. O coração dela seguiu em frente. Ela mostrou a todos nós que era capaz de estudar
enquanto cuidava da mãe doente e dela mesma.
Vovó Q então olhou para mim e um sorriso triste tomou conta dos seus lábios.
– Parte o meu coração que você tenha outro fardo como este para carregar ainda tão jovem.
Este quarto é seu, se precisar. Mas, se estiver decidida a ir embora, abençoo essa decisão
também. Apenas se cuide. – Ela se aproximou e me abraçou. – Eu amo você como se fosse
minha neta. Sempre a amei – sussurrou Vovó Q nos meus cabelos.
Senti os meus olhos se encherem de lágrimas.
– Eu também amo a senhora.
Ela deu um passo para trás e fungou.
– Não deixe de dar notícias – pediu, começando a se afastar. Então olhou de novo para mim.
– Todo homem merece saber que tem um filho. Mesmo que não vá fazer parte da vida dele, um
pai precisa saber. Não se esqueça disso.
Ela saiu do quarto, deixando Cain e eu a sós. Guardei as minhas últimas coisas na mala e
fechei o zíper. Levantei-a pela alça. Meu enjoo havia piorado. Cobri a boca com a mão.
– Merda, B. Você não pode fazer isso. Me dê isso aqui. Você não pode carregar peso. Está
vendo, você não pode fazer isso sozinha. Quem vai garantir que você está se cuidando direito?
O melhor amigo que eu tivera em toda a minha vida estava de volta e o cara maluco que
achava que estava apaixonado e prestes a sacrificar a própria vida havia desaparecido.
– Eu contei à Bruna. Ela sabe e eu estou tomando cuidado. Eu não estava pensando. Isso tudo
é muito novo para mim. E acho que vou vomitar.
– O que eu posso fazer? – perguntou ele, com um olhar de pânico no rosto.
– Biscoitos de água e sal ajudam.
Ele largou a mala e saiu correndo do quarto para buscar biscoitos. Voltou em menos de um
minuto com uma caixa e um copo.
– A Vovó Q ouviu você. Ela já estava com a caixa de biscoitos e um copo de refrigerante nas
mãos. Disse que isso vai aliviar o enjoo.
– Obrigada – falei, sentando na cama para comer um pouco.
Nós dois ficamos em silêncio. Minha náusea começou a diminuir e eu aprendi, por
experiência própria, que aquele era o momento de parar de comer. Se comesse demais,
passaria mal logo em seguida. Fiquei de pé e devolvi a caixa e o copo a Cain.
– Deixe aí. Guardo depois. – Ele pegou a minha mala. – Passe aquela caixa também. Você
não pode carregá-la – disse ele, pegando as coisas que eu não havia desencaixotado depois da
última mudança. Peguei a última sacola pequena e ele seguiu para a porta sem dizer mais
nada. Seguir atrás dele rezando para que não fizesse nenhuma bobagem quando visse Cameron.
Cain parou quando chegamos à porta de tela que levava à varanda. Depois de largar a mala,
virou-se para mim.
– Você não precisa ir com ele. Eu disse que posso consertar isso. Você tem a mim, B.
Sempre teve a mim.
Cain acreditava no que estava dizendo. Eu podia ver em seu rosto. Se eu precisasse de um
amigo, sabia que Cain estaria lá. Mas ele não era salvador de ninguém. De qualquer maneira,
eu não precisava de um salvador. Eu tinha a mim mesma.
Ajeitei a sacola no ombro e pensei com cuidado em como explicar aquilo a ele mais uma
vez. Tentei de tudo. Ele não iria compreender a verdade. Falar sobre como ele havia falhado
comigo quando minha mãe estava doente e eu estava completamente sozinha só iria magoá-lo
ainda mais.
– Eu preciso fazer isso.
Cain soltou um grunhido frustrado e passou a mão pelos cabelos.
– Você não confia em mim para cuidar de você. Isso me magoa demais. – Ele deu uma risada
derrotada. – E por que confiaria, não é? Eu já decepcionei você antes. Com a sua mãe... eu era
um garoto, B. Quantas vezes preciso dizer que as coisas são diferentes agora? Sei o que quero.
Eu... meu Deus, B, quero você. Sempre foi você.
Senti um aperto na garganta. Não porque eu o amasse, mas porque me importava mesmo com
ele. Cain era uma parte importante da minha história. Ele estava na minha vida desde que eu
conseguia me lembrar. Diminuí a distância entre nós e peguei sua mão.
– Por favor, entenda. Eu preciso fazer isso. Preciso encarar. Eu tenho que ir.
Cain deu um suspiro cansado.
– Eu sempre estou deixando você ir, B. Você já me pediu isso antes. Eu continuo tentando,
mas está me destruindo aos poucos.
Um dia ele iria me agradecer por tê-lo deixado.
– Sinto muito, Cain. Mas tenho que ir. Ele está me esperando.
Cain pegou a mala de novo e abriu a porta com o ombro. Cameron desceu da picape assim que
nos viu.
– Não diga nada a ele, Cain – sussurrei.
Cain assentiu e eu o acompanhei até o último degrau. Cameron nos encontrou ali.
– Isso é tudo? – perguntou, olhando para mim.
– Sim – respondi.
Claramente Cain não queria entregar a mala e a caixa para Cameron. Um músculo no maxilar de
Cameron se mexeu e eu soube que ele estava fazendo um esforço muito grande para se comportar.
– Dê as coisas para ele, Cain – falei, cutucando-o nas costas.
Cain suspirou e deu a mala e a caixa ao Cameron, que a pegou e seguiu para a picape.
– Você precisa contar a ele – murmurou Cain quando se virou para mim.
– Eu vou contar. Preciso pensar.
Cain olhou para a minha picape.
– Vai deixar a picape?
– Achei que talvez você conseguisse deixá-la na oficina para vender. Conseguir uns mil
dólares por ela. Daí você poderia ficar com metade e me mandar a outra metade.
Cain franziu a testa.
– Eu vendo a picape, B., mas não vou ficar com dinheiro nenhum. Mandarei tudo para você
Não discuti com ele. Se ele fazia questão, eu aceitaria.
– Está bem. Mas pode dar pelo menos um pouco para a Vovó Q? Por me deixar ficar aqui e
tudo mais?
Cain ergueu as sobrancelhas.
– Você quer que minha avó vá até Rosemary lhe dar umas palmadas?
Sorrindo, me aproximei dele e, segurando seus ombros, fiquei na ponta dos pés e beijei-o no
rosto.
– Obrigada. Por tudo – sussurrei.
– Você pode voltar se precisar de mim. Sempre. – A voz dele ficou embargada e eu soube
que precisava ir embora. Dei um passo para trás e fiz um aceno com a cabeça antes de voltar
para a picape.
Cameron estava com a porta do carona aberta quando cheguei e a fechou atrás de mim. Notei
quando ele olhou de novo para Cain antes de se sentar à direção. Eu estava mesmo fazendo
aquilo. Deixando o que era seguro e dando o primeiro passo para encontrar o meu lugar no mundo.

 



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