História Tente não se apaixonar - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Amizade, Amor, Amor Não Correspondido, Apaixonar, Desejo, Não, Paixão, Romance, Tente
Visualizações 38
Palavras 3.463
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Visual Novel
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Amorecos, pois bem! Se acostumem a nova regulagem de capítulos. Sim, eu sumi por um tempo, mas eu já havia me explicado a vocês. Agradeço por cada comentário e as mensagem privadas que são a coisa mais fofa. Eu fico muito, muito, muito feliz!!!
Espero que continuem a se apaixonar... Boa leitura!♥♥♥

Capítulo 14 - Chapter 12


Ufa! Finalmente as avaliações semestrais haviam acabado. Depois de quase duas semanas de estudo e provas seguidas com temas diversificados, teríamos um merecido descanso.

Durante esse tempo minhas aulas com Thomas sofreram uma pausa, ambos tínhamos que nos concentrar realmente nos estudos essa semana. O que foi bom, se considerar que eu ainda achava estranha toda a situação entre nós.

Aquela noite havia sido agradável, ficamos acordados até quase o Sol se por, vendo filmes de comédia e um, contra a minha vontade, de terror. Ele não tocou no assunto do beijo, e eu fiz a mesma coisa. Foi um impulso, e aconteceu. Mas acima de tudo ele é meu amigo, e estava empenhadamente me ajudando com Daniel.

– Ei, você é a Anabelly, não é? – Uma garota ruiva se aproxima de mim.

Olhei em busca da voz. Ela era alta, minha altura com um bom salto, na verdade. Os olhos tinham um brilho esverdeado, apesar de serem castanhos. A ruiva sorria amigavelmente para mim, e depois de alguns minutos reconheci sua fisionomia de algum lugar.  Das aulas no laboratório, eu acho.

– Hum... Sim, sou.

– Prazer, meu nome é Ashley. Você tem aula de Biologia agora, não é? Podemos ir juntas se você não se importar. – Ela questionou enquanto conferia em meus horários a próxima aula.

– Prazer. Ah... por que está falando comigo?

A minha pergunta saiu mais grosseira do que deveria, mas as pessoas não costumavam me parar nos corredores e falarem comigo. As coisas realmente mudaram depois que Thomas chegou, mas isso ainda era uma novidade.

Por sorte, ela sorriu.

– Como assim?

– É que eu não sou muito de fazer novas amizades, e muito menos de conhecê-las no corredor. – Ela arqueou as sobrancelhas. Eu consegui ser mais antipática que antes. – Certo. Me desculpe. Eu não quis dizer isso.

– Tudo bem. – Ela abre novamente um sorriso. – Olha, você sempre foi muito na sua. Nunca te via em festas ou em algum lugar que não fosse isolada na primeira carteira da classe. Eu já pensei em falar com você em um dos treinos de Football, mas você sempre parecia encantada demais com o esporte.

Ah, claro. O “esporte” estava mais para Daniel Doyle.

– É... – Concordei. – Se você ainda quiser ir comigo para a aula, seria ótimo.

– Então, vamos.

Nós tínhamos algumas aulas juntas desde seu segundo ano aqui. Principalmente, extracurriculares como a de pintura no ano passado. Ashley havia se mudado para Spring Falls há mais o menos três anos, anteriormente ela morava em Marion, Indiana. Ela me contou como sentia saudade das árvores e dos rios. No inverno, ela e seu irmão Henry patinavam em cima da película congelada do rio que ficava atrás da fazendo de seus pais.   

Como eu sabia de tudo isso? Bom, ela era bem comunicativa.

Sinceramente, achei bem estranho o fato de fazer novas amizades, ainda mais com uma garota. Embora não colecionasse muitos amigos, sempre fui pior em ter amigas meninas. Nos primeiros anos que me mudei para cá, antes de conhecer Daniel, eu tinha apenas um colega de classe que eu conversava por mais de cinco minutos. Mas Josh se mudou para Washington um ano depois.

Pela primeira vez na vida o que menos fiz foi prestar atenção na aula. Eu e Ash – como ela insistiu ser chamada– conversamos sobre todos os tipos de assunto. Não falamos de assunto como maquiagem, moda e fofocas. O mais incrível é que a conversa toda girou em assuntos que eu conhecia e me sentia confortável, como livros, Aspirações e até filmes.

– Quando eu morava em Marion, o The Fire fez um show ao vivo, com as músicas novas do álbum One More Day. Foi incrível!

Sorri, empolgada. Eu também adorava essa banda, mas nunca havia ido a um show deles.

Sinto meu telefone vibrar.

 “Fico feliz que esteja fazendo novas amizades, linda. Acho que já podemos voltar aos nossos projetos. Hoje, às 19h. Te pego na sua casa.” – T.

Olho, atônita, para os lados. Ao passo que procurava discretamente com os olhos pela sala e pela janela, observando se o via no jardim, o vi parado perto da porta. Eu sorri. Ele acenou para mim com aquele sorriso típico dele. Céus! Hoje ele estava particularmente lindo.

Algumas pessoas observaram a cena, inclusive Ash que estava do meu lado com um sorriso largo e malicioso.

– Namorado? – Ela perguntou.

– Eu não... ele é meu... a gente... – Me embaralho rubra como um pimentão enquanto inutilmente tento me explicar. Meu cérebro ainda tentava voltar as suas funções normais.

De qualquer forma, eu ainda não tinha pensado na resposta para essa pergunta. Não éramos exatamente amigos, Thomas começou a me ajudar por compaixão, o que é muito triste de pensar. E então, nós beijamos. O que eu diria ela o a alguém que me questionasse a mesma coisa? Ah, ele é meu professor de paquera.

Olhei para Ashley. Ela me fitava como uma mãe que pega o filho caçula fazendo arte.

– Claro. Eu entendi.  São só amigos. – Opto por assentir. – Mas ele deve ser bem especial, um sorriso desses não surge em uma garota por qualquer um.

Como assim um sorriso desses não surge em uma garota por qualquer um? Sorriso é sorriso. E o meu foi bem normal.

– Srta. Brandler, já que está tão animada com a aula, poderia nos dizer por que a região não-codificante do DNA pode ser responsável pelas diferenças marcantes no fenótipo? – A Sra. Meireles indaga a Ash.

Ela sabia que provavelmente Ashley não sabia a reposta para sua pergunta. Observei a ruiva ao meu lado ficar levemente rubra e abrir a boca sem dizer uma palavra. Sempre achei deplorável como alguns educadores simplesmente constrangem alguns alunos sem o menor motivo. Claro, ela não estava exatamente calada e concentrada nas aulas, mas a Chloe Peterson também não.

– Bom, já que não sabe responder talvez deveria...

– Porque... – Interrompi-a. – As informações que, é... – Suspiro. Os olhos negros da professora me encararam em desafio. – Apesar de as informações não serem traduzidas em sequências de aminoácidos, elas acabam interferindo no fenótipo.

Houve um silêncio. Ash soltou o ar preso, aliviada. Enquanto eu sentia minhas bochechas queimares e vários olhares sobre mim. Por que eu fiz isso? Acredito fielmente que algumas dessas pessoas aqui presentes jamais haviam escutado o som da minha voz.

– Exatamente, Srta. Meyer. – Ela abriu um sorriso por fim. – Obrigada.

Durante o resto das aulas fiquei calada. Eu não disse mais um pio e não fiz anda além de admirar o desinteressante quadro negro. Já havia sido muita experiência para um dia.

Como habitualmente, após o fim das aulas, os alunos estavam prontos e eufóricos para mais um jogo de Football. As arquibancadas se enchiam rápido, e as líderes de torcida se juntavam ao lado do campo tentando formar o símbolo de Westers School.

Daniel estava lindo no novo uniforme ainda limpo de Quarterback. Isso mesmo, agora ele é o Quarterback. Depois de uma série de teste entre ele o outro jogador muito habilidoso do time, Dani foi escolhido e agora ostentava o lindo casaco vermelho e branco com as inicias QB toda vez que passeava pelos corredores.

Me sentei em um lugar distante da arquibancada onde não havia ninguém, coloquei minha mochila ao meu lado e fitei o campo a procura de Daniel que ainda se aquecia no canto esquerdo.

 Thomas estava em aula agora, mais precisamente em uma enfadonha aula de Química, como ele mesmo chamou quando me enviou outra mensagem para confirmar nosso encontro hoje a tarde em sua casa.

Sinto uma pessoa se sentar ao meu lado. Torcia a cabeça me deparando com a cabeleira ruiva de Ashley. Nós havíamos no separo nos segundo tempo, quando ela tinha uma linda aula de Filosofia e eu um terrível teste surpresa de Espanhol.

– Sabia que te encontraria aqui. – Ela comentou enquanto retirava um sanduiche da mochila. – Ah, obrigada por hoje. A Sra. Meireles sabe ser bem grossa quando é contrariada ou interrompida. Você me salvou de uma bronca. – Eu sorri em resposta. – Aceita? – Ela aponta para mim o sanduiche marrom que comia.

Abro uma pequena careta. – Não, obrigada.

– Ah, a quem estou querendo enganar? Esse sanduíche está horrível. – Ela embrulha novamente o alimento. – Se quer uma dica, nunca misture pão integral, carne de soja e atum. – Gargalho com sua atuação. – Você é bem legal, sabia? Devia ter tomado coragem e ido falar com você antes. A maioria das garotas daqui está mais preocupada no tamanho do decote do que em qualquer outra coisa. – Ela aponta discretamente para as lideres de torcida.

– Você também é bem legal. E, foi um prazer conhecê-la. – Eu disse ao me levantar, como forma de despedida.  Já eram quase 18h, logo Thomas iria me pegar em casa para mais uma de nossas aulas.

– Você já tem que ir? – Assinto. – Tudo bem então, nós vemos depois?

– Claro! Até mais.

Quinze minutos de caminhada se seguiram, e logo já estava em casa. Aproveitei que estava sozinha para requentar o bolo de carne no forno enquanto subia para tomar um banho.

– Já chegou, Ana? – Ouvi a voz de Oliver no andar de baixo enquanto calçava minhas sapatilhas. Pego uma jaqueta e desço para o andar de baixo. – Chegou há muito tempo, querida? – Perguntou ele, ao pegar uma das maças exibidas na cesta da bancada.

– Não, praticamente acabei de chegar. Só subi para tomar um banho. Thomas vai passar aqui pra me pegar daqui a pouco.

– Entendi. Ele é um bom garoto, gosto dele. – Oliver morde o fruto avermelhado que havia pegado. – Vocês estão saindo ou algo do tipo?

Ele estava tentando ser jovial, Oliver dizendo expressões como saindo era, no mínimo, engraçado. Parecia um português tentando falar inglês.

– Ah, a gente... – Sou interrompida pelo toque da companhia.

Oliver sorriu. – Deve ser ele, vá atender.

Caminho, contrariada com a impossibilidade de me explicar. Abro a porta e me deparo com aquele moreno fatal de jaqueta de couro. Seus cabelos estavam arrumados na bagunça organizada mais linda que já vi, a camisa era simples, branca, enquanto o par de jeans era negro como a noite. É impressão minha ou seus olhos estão ainda mais azuis?

– Oi, linda. – Ele beijou minha bochecha.

Ótimo, voltamos ao linda. Reviro meus olhos mentalmente.

Sorri. – Oi, Thomas.

– Não vai convida-lo para entrar, Ana? – Ouço a voz de Oliver vinda do outro cômodo. Abro passagem para Thomas e o mesmo parte em direção à cozinha.

– Oi, Sr. Meyer. É um prazer revê-lo. – Ele salda, simpático.

– O prazer é todo meu, Thomas. Fico feliz que esteja tirando essa corujinha de casa. – Oliver comenta apertando paternalmente meu nariz. Sinto minhas bochechas esquentarem.

– Acho que já podemos ir, não é? – Disse para Thomas, constrangida.

– Claro, eu...

– Você estava indo comer isso, querida? – Oliver remexe meu prato requentado de bolo de carne, interrompendo Thomas.

– Ah, é, estava.

– Não devia ficar comendo coisas assim, Ana. E o pior é que você está desde o almoço sem se alimentar. Vai acabar passando mal por aí. – Oliver disse preocupado.

Pego o prato de suas mãos e levo para a pia, longe dos olhares acusativos dele e de Thomas. Que já me olhava com o rosto bonito levemente fechado.

– Tudo bem, eu como uma fruta ou algo quando voltar. – Garanti.

– Não. Nada disso, baixinha. – Thomas intervém. – Pode deixar Sr. Meyer, eu mesmo cuido para que ela se alimente corretamente hoje.

– Se é assim, tudo bem! – Oliver disse sorrindo com gosto. – Mas não volte muito tarde, querida.

Eu assenti e finalmente saímos de casa indo em direção ao modelo clássico e preto estacionado perfeitamente na porta da minha casa. Thomas – como sempre – abriu a porta do passageiro antes de dar a volta no automóvel, entrar e dar partida.

– “Eu mesmo cuido para que ela se alimente corretamente hoje.” – Provoco, prendendo um sorriso.

– Se eu fosse você, baixinha, não debocharia. Eu disse, e vou cumprir. – Ele repuxa o canto dos lábios. Ele e esse típico sorriso de lado...

Alguns minutos depois e o carro para em frente a grande casa Marfim. O ambiente estava silencioso como na maioria das vezes, não havia movimentos e o único som audível era o do regador de grama automático. Era estranho, mesmo a noite seus pais não se encontravam em casa.

– Seus pais estão trabalhando? – Sento-me no grande sofá cinza chumbo, assim que adentramos a residência.

Ele ri baixo, ironicamente. – Como sempre, não é?

Eu me sentia mal por toda essa relação dele com os pais. Thomas é o tipo de garoto que não deixa as claras suas emoções, mas eu sabia que ele se incomodava e sentia falta da presença dos pais. E sabia também que ele nunca admitiria isso.

– Ah, meu estômago já está reclamando aqui. – Disse em tom de brincadeira na tentativa de aliviar o clima.

Ele sorri, balançando a cabeça em sinal de desaprovação.

– Eu não deveria lhe dar o prazer de aproveitar meus dotes culinários depois de sua desconfiança sobre as minhas habilidades. Você duvidou de mim, baixinha. Isso não se faz.

– Em minha defesa, você nunca havia experimentado pipoca com brigadeiro antes de me conhecer. – Disse séria, tentando me defender, mas ele gargalhou.

– Isso sequer é um argumento.

Sorri ao me levantar e caminhar em direção à cozinha. Me sento em um dos bancos, perto do mármore escuro, e apoio as mãos em cima dele, esperando.  Thomas me encara pelo canto dos olhos, levemente surpreso antes de abrir um sorriso surpreso e se locomover até a cozinha.

Já na cozinha assisto a maravilha que é ver Thomas Crawford cozinhar. Ele cortava minunciosamente cada legume – batatas, cenouras, aspargos, entre outros –. Meu olhar queimava sobre ele, que executava cada movimento com destreza e confiança. Os músculos dos seus braços saltavam com alguns movimentos, e em uma ida a uma prateleira mais alta a ponta de sua camisa subiu, revelando o músculo marcado dos seus quadris. Abaixo os olhos e fito atenciosamente minhas próprias mãos.

O que está acontecendo comigo?

– Que surpresa! – Ele chama minha atenção me fazendo olhar novamente para cima.  – Você não tocou no tema da nossa aula de hoje. É sempre tão animada.

– Já que você insiste e está doido para me contar, pode falar. – Disse após apoiar o queixo sobre as minhas mãos.

Ele ri. – Você anda muito engraçadinha, Srta. Meyer. – Thomas me entrega-me uma colher coberta por um molho branco.  Coloco o creme em minha boca e me sinto no céu... Divino! Ele me encara com as sobrancelhas erguidas, arrogantemente esperando um elogio. Deus sabe como aquilo estava bom, mas pecado maior seria inflar seu ego ainda mais.

– Razoável. – Eu disse por fim, e ele sorriu– um sorriso enorme que deixou claro que ele sabia que eu estava mentindo.

– Então, nossa aula de hoje vai ser moleza pra você, baixinha. – Ele continua, retomando nosso assunto principal.  – Aula 5: Seja simpática e divertida, ele não vai querer mais sair de perto de você!

Arqueei minhas sobrancelhas assim que escutei o título da aula.

 – Ah... posso saber como pretende me ensinar isso?

– Olha, essa aula é diferente das outras já que você possui essa qualidade prévia. O ponto é que quando se quer conquistar alguém, normalmente, e sem esforço, nos tornamos mais simpáticos e abertos. – Ele explicou, pacientemente. – Pensa bem, você já deve ter reparado que quando uma pessoa que você tem um carinho especial fala com você, é como se seu celebro fosse programado pra ser o mais agradável possível. Esse movimento inconsciente quase quadriplica quando, essa pessoa em questão, é o seu alvo de flerte.

– Isso explica como o Daniel fica quando está perto da Chloe. Ele sempre sorri e fica tão simpático e atencioso que... – Reviro meus olhos. – Eu meio que queria ser ela, pelo menos por um instante. Poder sentir toda aquela atenção, sabe?

Os olhos azuis fulminantes me encaram.

– Eu não entendo, Anabelly. – Ele disse enquanto eu dava a volta pelo balcão de mármore. Olho para baixo envergonhada. – Sabe, você poderia conquistar tantos garotos e não entendo o porquê de querer aquele loiro aguado. Ele não é bom o bastante pra você. – Thomas põe as mãos em meus ombros assim que fico frente a frente com ele.

– O que é bom o bastante pra mim, Thomas? – Perguntei fitando seus olhos azuis que se encontravam sérios, tão concentrados que pareciam ler minha alma.

Por um tempo, talvez mais minutos do que deveríamos, nos olhamos como se um olhar fosse o ímã para outro.  Como se aqueles topázios azuis fossem o ponto da atração mais poderoso que a gravidade para me manter ali naquele segundo. Minha pele formigava e minha respiração não se decidia se permanecia lenta, pesada ou acelerada. Meus sentidos sempre ficavam no máximo quando ele estava por perto. E seu perfume só piorava a situação.

– Eu acho que a massa já está no ponto. – Ele disse se afastando e desligando a panela.

Por que isso acontecia? Nem com Daniel, eu sentia meu corpo ficar desse jeito. Meu coração acelerava tanto quando ele estava perto que eu tinha medo que ele pudesse escutar. E eu não sou a pessoa mais experiente em amizades, mas a gente... Talvez, devêssemos nos concentrar mais em nossas aulas, esse pode ser o problema.

– O quê? – Sou despertada pelo som de sua voz.

Parabéns, Anabelly! Distraída de novo.

– Eu perguntei como você prefere o molho. – Ele repetiu com as sobrancelhas franzidas.  – Está tudo bem, Ana?

– Está, claro. Eu prefiro o molho na massa, por favor. – Respondi. – E então, vamos para a parte: “Ele não vai mais querer sair de perto de você”? – Retomo a aula com um pequeno sorriso que foi retribuído por outro dele.

– O.K. Vamos lá! – Thomas começa a montar os pratos. – Você já reparou que por mais felizes que estejam em um relacionamento, os homens sempre querem fazer outros tipos de programas? Não importa o quanto seja prazeroso um cinema, um jantar a dois ou apenas um piquenique no parte, eles não abrem mão de uma noite com os amigos, um jogo de cartas ou o famoso treino de Football.

– Acho que isso é inevitável, não é? – Torço o nariz. – É o mesmo que um dia de garotas ou, imagino, que uma tarde no salão de beleza.

– Sim, claro. – Ele concorda, decorando presunçosamente o prato com uma folha de coentro. – Mas a questão é que vocês não precisam fazer com que o outro seja excluído desse tipo de atividade. Claro que existem particularidades. Há casais que preferem e até precisam de atividades separadas.  E há também outras atividades que devem ser feitas excepcionalmente separados. Mas quando você está se empenhando em conquistar alguém, você de fato ganha uns bons pontos quanto tenta se incluir em atividades como essas. – Thomas coloca o delicioso molho branco em ambos os pratos. – Essa é uma lição não só para conquistar alguém, mas é também uma boa forma de levar um relacionamento. Imagine que uma vez sequer, ao invés de simplesmente reclamar que ele está indo jogar com os amigos, você se oferecesse espontaneamente para ir ver o jogo e torcer por ele. Nós homens evoluímos bastante, mas quando se trata de sermos admirados, nos sentimos um Alfa.

– Isso, de fato, é uma boa maneira de se aproximar de alguém.

– Então, você só tem que, às vezes, se encaixar em algumas atividades que ele goste. – Ele disse entregando-me o lindo prato montado perfeitamente com uma porção de massa, coberta pelo molho branco e decorada perfeitamente por uma folha de coentro. – E te garanto, se a experiência for mesmo agradável para ambos, quando ele a realizar novamente, mesmo sem você por perto, ele vai pensar em você.

– Eu meio que faço isso. – Assumo envergonhada. – Digamos que eu não seja muito fã de Football, mas estou sempre presente nos treinos e jogos.

– Então ponto pra você, gabaritando a lição antes da prova. – Ele sorriu, remexendo em algo no forno e lodo sentando-se ao meu lado.

Nós comemos a refeição em um silêncio confortável. Não preciso sequer dizer que a comida estava maravilhosa. Ele realmente sabia cozinhar bem, principalmente quando o assunto eram massas e molhos.

Logo após acabarmos, insisti em lavar a louça já que não ajudei em nada no jantar. A contragosto, ele acabou aceitando enquanto fuçava a geladeira, forno e novamente os armários.

Assim que termino de lavar e secar a pequena bagunça, viro, me deparando com dois pequenos pratos decorados com alguma sobremesa. Massa quebradiça, creme, frutas vermelhas... Cheesecake?

– Como conseguir sair tão rápido para comprar essas sobremesas? – Perguntei divertida com as mãos na cintura.

– Engraçadinha. – Ele disse, se aproximando de mim que estava encostada no balcão da pia.

– Que foi? – Perguntei com as sobrancelhas arqueadas. – Não estou desmerecendo seu trabalho. Afinal, você até conseguiu decorar a taça direitinho.

Thomas, já perto o bastante, não disse mais nada. Ele apenas se aproximou com o sorriso de lado sem deixar a sua face, e faz a última coisa que pensei que ele faria naquele instante.

 

 


Notas Finais


Gostou? Não se esqueça de me dizer o que estar achando. É muito importante, e vou ficar muito feliz em saber.
~Meri♥


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...