História Tententender - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Xiumin
Tags Baekhyun, Chanbaek, Chanyeol, Hunhan, Tententender
Exibições 1.440
Palavras 6.744
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


ps: a capa do capítulo foi o word tentando depositar inocência á narração de lemon do Baek no último cap. q

Boa leitura, seus lindos!

Capítulo 6 - O céu desabou sobre a gente.


Fanfic / Fanfiction Tententender - Capítulo 6 - O céu desabou sobre a gente.

❝ Capítulo 6 – O céu desabou sobre a gente.❞

✧✧✧

Naquele instante, eu me sentia uma sacola furada, uma embalagem de Bis vazia em cima da mesa, uma latinha oca, um objeto descartável. E chegava a ser contraditório pensar em como ele havia me usado, como havia levado minha confiança na brincadeira e utilizado de uma rede social para bagunçar com tudo que eu sentia.

Eram muitas coisas para se sentir que nunca, em hipótese alguma no passado eu imaginaria admitir o quão os efeitos eram nocivos. Mas incrivelmente o passado não se mostrava ser mais forte do que esse novo Baekhyun, sentado entre Chanyeol e sua ex, tentando não puxar os próprios cabelos pelo barulho irritante que Xiumin fazia com os garfos sobre o prato enquanto estávamos na mesa comendo a famosa macarronada de Luhan.

Todos estavam em silêncio, como se o ambiente traduzisse extremamente bem a tensão que estava entre meu corpo e o de Chanyeol quase recostado á mim pela mesa ser pequena.

Pensativo, remexi a comida com o garfo. Quando lancei meu olhar para Xiumin, ele sorriu de canto como uma raposa, com o famoso olhar que dizia “Eu te avisei!”.

Bufei baixo e Chanyeol reparou que algo me incomodava, já que capturou meus dedos com uma das mãos por debaixo da mesa e apertou minha pele, pedindo silenciosamente que eu virasse minha atenção á ele. Não correspondi o contato e ele soltou os dedos como se tivesse desistido, temendo piorar a situação.

― Isso está bom demais. ― Comentou Xiumin apontando para a própria comida, com a cena irritante dos cantos da boca lotados de molho de tomate.

― Obrigado! ― Luhan respondeu.

― Ele é o melhor cozinheiro do mundo. ― Sehun ressaltou com uma voz de orgulho.

Olhei para ele e Sehun tinha aquele brilho no olhar ao elogiar o marido, aquele olhar que vemos em poucos casais do mundo e que nos dá a impressão que apesar do que nossa mente passa anos tentando convencer que o verdadeiro amor não existe, chega no milésimo de segundo antes de acabar o round em que sentimos nosso corpo se arrepiar ao ver que ainda há esperança.

Pisquei os olhos sem graça, tentando me redimir do pensamento. Por que eu me importava? Eu sempre fui o cara que era jogado porta á fora por sempre fazer coisas erradas, por magoar e quebrar corações sem me importar com os ressentimentos, pois eu sabia que bem no fundo, eu acabaria os esquecendo na primeira noitada que eu passasse dando uns pegas em um desconhecido numa balada qualquer.

― Realmente está tudo ótimo. ― A voz feminina cortou o diálogo. ― Estou pensando em voltar pra cá, morar com vocês só pra ter a sorte de comer uma comida que não seja pizza todos os dias. Na Rússia, era só isso que eu comia, acreditam? ― Ela me cutucou no braço, mostrando a simpatia e eu tentei dar meu melhor sorriso.

Para dizer a verdade, eu não sentia que a culpa fosse dela, e fazia questão de mostrar isso quando Chanyeol tentava contato visual comigo. Eu iria arrancar todos os fios de cabelos daquele rapaz alto e irritantemente controlador, eu pegaria aqueles óculos dele que vivia com marquinhas de respiração ou digitais e esconderia no lugar inimaginável só para ver se ele acharia gostoso ser enganado também.

― Morar com a gente? ― Luhan se assustou. ― Não, não! Esta casa já está lotada demais, eu estou me achando dono de uma pensão, fora que Xiumin agora resolveu nos visitar quase todos os dias e eu não aguento mais cozinhar pra tanta gente que...

Olhei para Luhan e vi Sehun mostrando os dentes branco num sorriso sem graça enquanto tinha uma das mãos tapando a boca do marido, cessando-o de continuar com os desabafos.

― Ninguém vai se mudar pra cá, não precisa se preocupar, Luhan. ― Chanyeol comentou do nada, e todos ao nosso redor o olharam como se ele tivesse dito um daqueles palavrões feios que geralmente mães não perdoam.

― Chanyeol! ― Xiumin chamou em reprovação.

― Termine de comer, Uzumi, eu te darei uma carona e pagarei um hotel para passar a noite se for preciso. ― Ele completou.

― Mas, Chanyeol...

Antes de ela conseguir terminar a frase, ele se levantou com o prato em mãos num só movimento, deixou-o sobre a pia e foi direto para o quarto, sem olhar para trás.

Meus olhos se apertaram junto ao suspiro baixo. Escondi minhas mãos no colo, sem saber como reagir. Ele estava ciente da grande parte do motivo de meu incômodo.

Quando Luhan, Sehun e Xiumin saíram da mesa, Uzumi sentou-se ao meu lado e eu só percebi que ela tinha o feito quando a tosse forçada ressoou pelo cômodo.

Dei um sorriso fraco e a garota me correspondeu com os dentes brancos. Ela era linda, não tinha como Chanyeol esquecê-la facilmente e largar tudo, sendo sincero comigo acima de tudo. Era isso! O que eu estava pensando? Que o transformaria em gay de um dia para outro? Isso não existia! Eu poderia muito bem estar servindo como experiência pra ele, ainda mais ao saber que Chanyeol e Jon eram a mesma pessoa e assim, talvez, eu servisse como prova para que ele se autoencontrasse.

Ela continuava a me fitar sem dizer uma palavra e conforme o silêncio continuava, não consegui segurar o nervosismo.

― Está apaixonado por ele, não é? ― Uzumi perguntou do nada com a voz serena.

Puta que pariu! Desde quando eu, o rei da conquista era tão óbvio assim?

― Oi? Da onde tirou isso?

Ela sorriu.

― É difícil não se apaixonar por ele. Chanyeol é misterioso, é lindo com óculos e por debaixo dele. É o nerd mais atraente que eu conheço, então sim, é claro que você se apaixonou por ele.

Entortei os lábios.

― Estou brincando. ― Ela me empurrou no ombro com uma das mãos e eu fiquei surpreso com a intimidade. ― Xiumin me contou, eu não sou tão boa assim no gaydar como você.

― Eu mato aquele desgraçado. ― Resmunguei.

― Não deveria. Fui eu quem insistiu em saber se Chanyeol estava solteiro ou não, porque ainda achava que tinha alguma chance com ele.

― Como assim? ― Questionei-a.

― Antes de terminarmos, Park Chanyeol se assumiu bissexual e disse que precisava ser sincero porque aquilo estava o matando ― Ela explicou. ―, e bom, como eu teria uma viagem semanas depois, resolvi dar um tempo para que ele pudesse refletir sobre ele mesmo.

― E diz isso naturalmente, como se não fosse nada? ― Meu tom de voz havia aumentado.

Ela desviou a atenção, claramente afetada.

― Desculpa, mas... ― Levantei-me. ― você tem noção de como ele ficou? Sabe, eu posso até não ter estado aqui quando isso aconteceu e não entender completamente que você sofreu uma grande desilusão com a revelação dele, mas é nítido que quem mais sofreu com isso foi o Chanyeol. Ele precisava de alguém ao lado dele, alguém que o confortasse quando uma revelação tão importante como essa foi dita, eu vejo como ele é carente mesmo sem dizer nada, vejo o quão a sua ausência devastou ele por sumir e não dizer nada.

― Olha ― ela se levantou e ficou de frente para mim ―, eu sei que estraguei tudo, mas o que eu poderia fazer se ele não tinha certeza do que queria?

― Cara! ― Tentei rir de nervoso, mas meus olhos acabaram se arregalando de raiva. ― Bissexualidade não é incerteza, não é algum tipo de confusão entre qual roupa usar ou qual sabor de chocolate escolher. Park Chanyeol não estava incerto, ele estava sendo sincero com você, coisa que ele não foi comigo.

― Eu não quis dizer isso. ― Ela piscou os olhos rapidamente.

― Como assim não fui sincero com você? ― Chanyeol surgiu na porta da cozinha e eu fiquei sem reação, sem coragem o suficiente para virar o corpo e encará-lo.

Não! Olhar dentro dos olhos de Chanyeol estava sendo um grande desafio pra mim ultimamente.

Eu estava a ponto de gritar, pressionei-me no lugar para tentar me segurar e não explodir a pouca paciência que ainda existia em mim. Provavelmente aquele estresse todo me acarretaria rugas mais tarde.

― Do que vocês estão falando? ― Luhan surgiu no mesmo cômodo que nós três.

Droga! Fechei os olhos.

― Já chega! ― Virei para eles alterando o tom da voz. ― Já chega de tudo isso. Pare de mentir pra mim, Chanyeol, você achou que o que? Que seria possível se esconder por detrás de uma conta falsa pro resta da sua vida?

Chanyeol instantaneamente perdeu a cor de seu rosto, mostrando-se bem entendido do que eu me referia.

― Eu não sou idiota. Posso até ser um imbecil por sempre achar que vou encontrar o amor na próxima rua, mesmo só tomando decisões egoístas, mas... ― Meu suspiro saiu pesado. ― eu realmente não esperava isso de você.

Se Chanyeol tinha a intenção de dizer algo, naquele instante as palavras pareceram não sair, ele apenas entreabriu os lábios, mas não havia mais salvação.

― Alguém, por favor, pode me explicar o que diabos está acontecendo aqui? ― Luhan estava confuso.

Eu estava a ponto de chorar enquanto fitava os olhos perdidos de Chanyeol.

― Isso não daria certo, Chanyeol. ― Ignorei Luhan e ditei firme, tentando segurar o choro. ― Nós nunca daríamos certo.

Park Chanyeol não revidou, ele não se opôs ao que eu afirmava e isso me deixou ainda mais irritado, afinal, isso poderia muito bem ser um sinal de que ele também não acreditava no “nós” que eu me referia, que tinha tanto medo quanto eu de arriscar por esperança em algo que se espatifaria no ar em apenas alguns meses.

Ignorei Luhan quando atravessei a cozinha e sai em passos ligeiros, deixando-o para trás junto á Sehun e as perguntas que me gritavam de longe. Eu não queria responder nada naquele instante, tinha perguntas demais em minha própria mente para me importar com as de outros.

Entrei no quarto de Chanyeol e retirei minhas roupas de seu armário, socando-as dentro da mala que eu havia guardado debaixo da cama do Park, numa pressa que não havia sentido até então. Eu ainda sentia o cheiro de perfume dele naqueles últimos minutos, preso em seu jogo de cama, preso ao ar, preso em mim. Nos segundos restantes, passos próximos de sair de vez do quarto, eu senti algo ainda mais forte, quase como uma pontada no coração, tentando puxar minhas pernas de volta para dentro. O que aconteceria, um infarto, por acaso?

Mas eu não podia ficar, porque metade de mim estava explodindo por Chanyeol ter me feito de bobo e a outra metade estava gritando na minha orelha que ele não merecia alguém como eu, que nunca soube amar direito, que nunca soube valorizar um único sentimento que poderia me dar a felicidade que eu tanto procurava em desconhecidos.

Saí com as malas prontas e parei quando notei que todos estavam reunidos, em silêncio na sala.

― Muito obrigado, Luhan, pela estadia. Prometo que conversamos depois.

― Baekhyun, a gente pode...

― Depois. ― Interrompi Luhan. ― Preciso pensar por alguns dias, não tem como te explicar tudo isso se nem eu mesmo sei o que está acontecendo comigo. ― Abri a porta para sair daquele apartamento sem me despedir, sem deixar meu último adeus já que este não parecia importar quando palavras me enchiam.

Eu não consegui descer as escadas sem que a mala caísse de minha mão e eu precisasse pausar a decida para respirar. O que estava acontecendo? Porque eu sentia tanto? Logo eu, que confiei ao meu coração a missão de não sentir nada. É! Eu estava sentindo. Sentia-me roubado por palavras, conquistado com mentiras, usado por meio de uma brincadeira, mas eu sabia que anteriormente havia feito o mesmo com muitos por aí e talvez, só talvez, Chanyeol fosse uma vingança de mau gosto do meu destino.

 

Os dias haviam se passado, meu celular já nutria um total de cinquenta chamadas perdidas de Luhan e mais de duzentas mensagens de Chanyeol. Eu havia bloqueado Jon no Tinder, não havia porque me iludir que não era Chanyeol por trás daquelas cantadas baratas e desabafos aleatórios, como se ele sempre estivesse esperando pela próxima revelação que eu daria e usado isso ao favor dele.

Até que em uma quarta-feira, enquanto eu voltava do trabalho, eu o vi. Ele estava sentado no chão, próximo a porta do quarto do hotel em que eu estava hospedado.

O Park estava com uma sacola em mãos, continuava como sempre encantador mesmo com a roupa despojada.

― Pode me dar licença? ― Parei em frente á ele.

Chanyeol apenas encarou meus sapatos antes de subir a atenção para cima, até meu rosto e se levantar dando um gemido que provava que estava ali há um bom tempo á minha espera.

― O que faz aqui? ― Questionei-o.

Chanyeol ergueu a sacola em minha visão, apontando-me com ela.

― Trouxe comida japonesa, a segunda temporada de Black Mirror e a primeira de The Suits. Não vai me convidar para entrar?

Essa não! Era uma proposta boa, mas eu tinha que resistir.

― Se eu quiser assistir, eu baixo pela internet, tá legal? Por que se deu ao trabalho de gravar tudo num DVD e trazer até aqui? ― Driblei-o e coloquei minha atenção na fechadura apenas para não ter que fitá-lo. ― Poderia muito bem ficar usando perfis falsos como faz nas redes sociais e encontrar alguém melhor do que eu.

― Luhan sente sua falta. ― A voz havia saído baixo, mas audível.

As chaves pareciam terem sumido dentro de meu bolso e quanto mais eu procurava, mais minha garganta se embolava.

― Sehun e Xiumin sentem sua falta.

Encontrei as chaves e quando esta se encaixou na fechadura da porta, senti um alívio passear pelo meu peito.

Abri a porta e não dei passagem para Chanyeol, fiquei a ponto de fechá-la, até que ouvi os dizeres:

Eu sinto sua falta.

Já chega disso, eu estou cansado! Voltei á porta, abrindo-a, encarei Chanyeol nos olhos e o respondi:

― Então por que não me impediu? Droga! Eu nunca quis tanto que alguém me impedisse como quis naquele dia, Chanyeol. Tem noção do que fez comigo? Tem noção do que me tornou?

― Eu não te tornei em nada, você é assim, sempre foi assim.

― Não, não! ― Ri á toa. ― Eu não sou de acreditar no amor, eu quebro o coração das pessoas, eu as deixo sem olhar para trás, sou eu quem dá o primeiro adeus em forma de decepções, eu sou o pior cara que meus ex-namorados já tiveram a infelicidade de conhecer.

― Baekhyun, isso é mentira.

― Não, Chanyeol, você acha que me conhece, mas não sabe nada sobre mim. Eu tenho trinta anos, sou bem mais velho que você, sei muito bem do que estou falando.  Quer se destruir? ― O apontei convicto. ― Quer mesmo destruir a sua vida apostando num cara como eu? Foda-se se me sinto magoado, estou acostumado á isso, mas pela primeira vez eu não quero que você seja magoado. Porque com os outros é diferente, mas com você é igual, é igual como se estivesse magoando o meu “eu” de anos atrás, o início de minha caça ao amor. Entende que você será o mais prejudicado dessa história?

― Não, Baekhyun, eu não entendo. Como pode achar que vou me arrepender de algo que nós nem... deixamos acontecer.

― Aconteceu sim! Aconteceu e está fadado á confusão.

― Entra no Tinder!

― O que?

― Eu disse para abrir o seu perfil no Tinder.

― Eu desativei.

― É só me desbloquear, não adianta mentir que eu vi pelo celular do Xiumin que você continua com seu perfil ativo.

― Andou me stalkeando? ― Semicerrei os olhos.

― Não tenho culpa se o Xiumin ficava me enchendo o saco o dia inteiro, alegando que você está me traindo. Aliás, eu também deveria estar bravo com você. Desde quando uma transa vale o especial do frango frito onde Xiumin trabalha? ― Ele sorriu largamente.

Fodeu!

― Como descobriu? ― Perguntei, sem graça.

― Ele me contou.

― Aquele fofoqueiro do caramba!

― Eu sei que isso é complicado. Posso ter só dezoito anos, mas entendo muito bem pelo que teríamos que passar, é só que... ― Ele suspirou. ― não quero me arrepender por te deixar escorregar das minhas mãos. Eu só não corri atrás de você aquele dia porque fiquei assustado, fico sem reação quando meu escudo cai, foi bem assim com a minha ex-namorada, mas não quero que se repita com você. Abra seu Tinder e leia minhas mensagens. Eu levarei isso comigo ― Levantou a sacola. ―, até que esteja com o coração acessível como o meu está. Eu sempre estarei esperando, mesmo com as séries horrivelmente dubladas por vozes finas, mesmo depois de nosso personagem principal morrer, mesmo depois da série ser cancelada.

Sorri fraco.

― Mesmo depois que esse sorriso morrer. ― Chanyeol segurou meu queixo com um dos dedos e eu senti meu corpo se alvoroçar. Era como se este ativasse o alarme de perigo á frente. ― Porque mesmo depois que esse sorriso morrer, eu quero fazer de tudo pra recuperá-lo.

Tentei dizer algo, mas Chanyeol evitou, fazendo com que eu ficasse imóvel ao percebê-lo se aproximar, deixar um rápido selar em meus lábios e sair de minha visão, rápido demais para que eu conseguisse formar uma frase e admitir que eu desejava que ele voltasse e ficasse. Que ele ficasse sempre.

 

Há quase uma hora eu fitava meu celular á alguns centímetros de distância de mim, em cima do colchão. Suspirei fundo uma, duas vezes, mas incansavelmente minha mente voltava a me torturar, tentando me convencer de que eu precisava me render a curiosidade de saber o que Chanyeol havia me enviado.

Impaciente, capturei o celular em mãos, desbloqueei e entrei no Tinder. Eram um total de setenta mensagens. Mas as que mais me chamaram atenção foram as que ele dizia ser covarde, daqueles tipos de figurantes de série que mal conseguem dizer a própria fala, que aparecerem de vez em quando e não tem muita importância no cenário de fundo. Ele disse, separando muitas das frases como se estivesse se colocando pra fora, que não via graça em si mesmo durante muito tempo, mas que se sentiu sortudo ao me conhecer. Contudo, Chanyeol explicou não ter me conhecido quando eu me mudei pro apartamento de Luhan.

Eu sei o que vai dizer

Vai dizer que eu te vi como alguém experiente

Me ensinando muito do mundo que nunca ousei conhecer

Vai dizer que nós dois juntos não passamos de uma aventura

Mas, Baekhyun, eu sou apaixonado por você desde a primeira foto que Luhan emoldurou na sala dele

Sou apaixonado pelas histórias engraçadas desde que Luhan adorava contá-las no jantar, rindo do amigo louco que vc era

Sou apaixonado pelo modo como era livre desde que ligou para o Luhan e eu ouvi pela linha de outro telefone, com essa sua voz cativante, os casos de amores de suas noitadas anteriores

Sou apaixonado por você desde que tocou os pés no mesmo cômodo que eu e provou que o sentimento que eu tinha não era loucura da minha cabeça

Fazia sentido me apaixonar por você

Pela primeira vez em anos, fez todo sentido gostar de um cara, de um desconhecido

Fez sentido ter o coração batendo rápido só de te ouvir citar meu nome

Fez sentido porque...

Eu não sei,

Deve ter sido porque era você.

Me dê uma chance

Me dê uma chance de começar do zero

Eu sei que estranhou o fato de eu estar no shopping com minhas colegas de sala, meses atrás

Xiumin me contou que ficou com ciúmes

Mas não precisava ficar, pois na verdade, fiz isso porque precisava de conselhos

Conselhos de como me vestir melhor só pra conquistar a criatura que é caidinho por um crush na moda

Sim, Baekhyun!

Eu tinha planos de contar que o Jon na verdade era eu

Eu iria te chamar pra um encontro e contar tudo

Mas acabou nessa confusão, nessa distância agonizante de nós dois

E agora, percebo que eu nunca me senti tão certo na minha vida

Se estiver disposto a ser certeza comigo, encontre-me na quarta-feira ás 17:00hrs na cafeteria que fica dois quarteirões depois da casa do Luhan

Eu estarei esperando.”

 

Olhei para o relógio e este marcava seis horas da tarde. Droga, droga!

Dei um pulo da cama e vesti o primeiro blazer que encontrei. Sai ás pressas, quase caindo nos degraus da escada enquanto tentava ajeitar a jaqueta jeans no corpo. Foda-se meu cabelo desarrumado ou se este ficasse ainda mais bagunçado conforme o vento batia nas minhas madeixas, ao andar pelas ruas impaciente, atrás de algum táxi. Só quando encontrei um táxi que entendi o que era desespero ao ver que o trânsito estava caótico, como se o mundo inteiro estivesse cogitando a possibilidade de atrapalhar minha ida até aquilo no qual eu sempre fugi, aquele no qual eu nunca imaginei encontrar e desejar ficar.

Quando estava próximo, mandei o táxi parar e o paguei a viagem. Sai em disparada, sem me importar que batesse com alguns ombros conforme corria pela praça, em busca da cafeteria que Chanyeol havia citado na mensagem.

Ao longe, quando notei a figura sentada numa das mesas vazias do local, minhas pernas pararam e tremeram ao mesmo tempo. Park Chanyeol parecia ansioso, abrindo e virando o cardápio a todo o momento, olhando para os lados como se tivesse perdido algo e nunca desejei tanto que seus olhos estivessem realmente me procurando, me caçando pra não soltarem mais.

Caminhei tentando respirar e recuperar o fôlego, elaborar as palavras certas e apagar de mim toda a segurança que mantive durante anos. Tentei me acalmar, mas conforme eu estava mais próximo de conseguir a atenção do maior, mais minhas mãos soavam e eu me sentia diminuído.

Subi dois degraus, ajeitei a jaqueta no corpo, suspirei fundo e esperei. Chanyeol elevou o olhar e se deparou comigo, ao lado da porta, estático e com a expressão séria. Era a primeira vez que eu me sentia tão nervoso.

O Park levantou num assombro, deixando o cardápio de lado e me fitou mesmo de pé, pedindo com uma das mãos que eu viesse e me sentasse ao lado dele. Droga, a mesa era tão pequena e tão fadada a me fazer sentir o cheiro dele que eu tive vontade de desistir e sair correndo!

Caminhei e me sentei na cadeira, ainda analisando o visual diferente que Chanyeol tinha como roupa. E tudo se encaixou. O cabelo estava mais liso e ajeitado, as roupas mais estilosas e de pano distinto das que ele costumava usar na rotina que eram semelhantes a um pijama. Ele estava longe de sua imagem habitual, realmente se empenhou em parecer o máximo que pode com um cantor de pop famoso e os olhares de outras garotas ao nosso redor provava que ele havia conseguido atingir seu objetivo com determinação.

Os olhos não carregavam os óculos de sempre, os lábios estavam mais vermelhos que o normal e as pulseiras no braço combinavam com o resto dos detalhes metálicos nas roupas.

― O que achou? ― Chanyeol se referiu a si mesmo.

― Diferente. ― Engoli seco, abraçando meu próprio corpo, com os cotovelos sobrepostos á mesa. ― Ficou mesmo me esperando durante uma hora?

Chanyeol abaixou o olhar, tentando se desviar do meu, remexendo nos guardanapos da mesa.

― Você apareceria, eu sei que viria.

― Chanyeol! ― Retruquei, sentindo meu sangue ferver. ― Não percebeu ainda com quem está lidando? Eu não sou feito pra esse tipo de romance de série, não dá, entende? Não posso te prometer o mundo como muitos caras por aí, não seria justo.

― Então o que está fazendo aqui?

Aquele pergunta me deixou sem fala por alguns segundos.

― Baekhyun ― Ele riu sarcástico. ―, você não está mentindo apenas pra mim ao dizer isso, mas pra você mesmo. Acha que ninguém deseja amar verdadeiramente outro alguém? Não me venha com essa!

Tentei sorrir, tentei ser mais forte que aquela afirmação.

― Você não me conhece, droga! ― Tentei sussurrar, mas era como se as palavras gritassem na minha garganta.

― É por isso que eu estou aqui. ― Ele deixou os guardanapos e me encarou. ― Porque quero te conhecer, quero ter a vida inteira pra isso.

Arregalei os olhos. O que aquele garoto estava dizendo?

― Você não entende. ― Apertei o meu rosto, como uma criança. ― Eu tenho a droga de trinta anos nas costas e você dezoito, eu vou... vou destruir o futuro que você tem.

― Foda-se! Quero que se dane o meu futuro, não vou deixar que nada importante pra mim se vá novamente, Baekhyun. Quer ir pra outro país? Vá, mas eu estarei junto de você.

― Vai me perseguir agora?

Chanyeol arrastou a cadeira mais pra perto e nossos braços se recostaram.

― Vou, mas não aqui, como estou agora ― Ele apontou o dedo indicador em meu peito. ―, vou te perseguir aí dentro. Porque eu sei, no fundo eu tenho certeza que mexi com você, nem que seja um pouquinho. Nega, nega olhando dentro dos meus olhos que não sentiu nada.

Tentei dizer algo, mas apenas meus lábios se entreabriram e nenhuma palavra saiu.

― Viu? Você pode negar a si mesmo que não, mas os nossos beijos diziam outra coisa. Última chance: quer ou não me conhecer de verdade? Nós temos todo o tempo do mundo para aprender juntos tudo sobre esse sentimento.

Mordi o lábio e suspirei.

― Certo! ― Ele se levantou. ― Eu já sei o que isso significa. Vou trocar essa droga por uma calça larga e uma camiseta de algodão que eu não aguento mais isso, me sinto sufocado.

Olhei para minhas próprias mãos, pensativo. Fiquei na mesa e só senti a sombra de Chanyeol passar sobre mim, saindo em passos brandos de minha presença.

Quando levantei o olhar e o vi sair da cafeteria, afastando com suas costas largas de minha visão, meu coração se apertou numa agonia desigual. Eu apertei meus dedos uns nos outros e finquei os dentes no lábio inferior.

― Senhor? Está tudo bem?

Virei-me e o garçom me olhava estranho.

― Está chorando, Senhor?

― Que?

― Eu perguntei se está chorando.

Olhei o meu reflexo no vidro e lá estavam elas, lágrimas que escorriam dos cantos dos meus olhos e a visão embaçando-se.

― Eu estou... chorando?

― Precisa de algo? ― O desconhecido me questionou.

― É, eu acho que preciso sim! ― Me levantei e corri para fora da cafeteria.

Alguns passos dali, bati meu próprio corpo contra o de alguém. Olhei para entender quem se tratava e era Joe, meu ex-namorado. Ele arregalou os olhos ao me notar.

― Baekhyun? Byun Baekhyun? ― Me chamou como se estivesse vendo um fantasma. ― Caralho! É você mesmo.

Voltando a estaca zero, não, não!

Joe segurou meus braços quando tentei desviar dele, percebendo minha agitação. Eu tentava procurar entre os ombros dele a imagem de Chanyeol ainda naquele mesmo quarteirão.

― Onde está indo? Pra que a pressa? Precisamos conversar, há tanto tempo não nos vemos.

― Droga! Saia da minha frente. ― Bati as mãos contra o peito dele e ele buscou meus olhos com os dele.

― Está chorando? Desde quando Baekhyun chora?

― O que você quer, hen? ― O empurrei. ― Jogar na minha cara o quanto sou um desumano com um coração de gelo?

― Seria uma boa. ― Ele sorriu em deboche. ― Mas não há porque se castigar assim. Me conta, o que você fez dessa vez? Quem magoou?

Eu mesmo ou a Park Chanyeol, qual opção escolher primeiro?

― Eu não estou com cabeça pra conversar com o passado nesse momento. Sei que o que fiz com você foi errado, sei que mereço mais do que isso que sinto, mas essa não é hora para jogar na minha cara a sua vingança indireta.

― Vingança? Nem se você se apaixonasse de verdade saberia como é se sentir... opa! ― Riu soprado. ― Não vai me dizer que você...

Revirei os olhos e ele riu novamente.

― Caralho!

― Besta!

― Isso deveria sair no jornal de tão surpreendente que é. Vamos fazer uma festa, tudo por minha conta, o nome será “Finalmente Baekhyun está experimentando como é ser trouxa”.

Funguei e passei os dedos embaixo dos olhos. Eu me sentia um lixo, ele poderia adicionar isso no nome da festa também.

― Quer beber alguma coisa? Pode tentar esquecê-lo comigo, como nos velhos tempos em que me usava, se lembra?

― Qual o seu problema, Joe? ― O fitei com o olhar pressionado. ― Eu te chifrei com seu primo, sabe o que isso significa, certo? Ir contra sua confiança depositada em mim, mentir pra você, ser um idiota, e todas as burrices que nossos dedos não conseguiriam contar. Eu não mereço estar com você numa mesa, o contando o quanto eu estou fodido.

― Baekhyun, todo mundo precisa de uma segunda chance.

Fiquei em silêncio e ele se aproximou, a ponto de me beijar.

― Até mesmo pessoas cegas como você. ― Sussurrou.

Eu estava a ponto de empurrá-lo para longe quando outra pessoa fez isso e com a força brutal, Joe foi parar no chão, caído como se fosse uma pena.

Chanyeol apareceu ao meu lado, encarando Joe de cima como se tivesse em chamas.

― Como ousa?

Segurei Chanyeol e Joe se levantou de uma só vez, abonando um soco na boca de Chanyeol, mesmo comigo ali, entre ambos. O maior cambaleou bem devagar e levantou a mão para se vingar de Joe, contudo, eu segurei o maior a tempo.

Meu ex-namorado me fitou, passou o dedo sobre o canto dos lábios e antes de se virar e sair, disse-me em tom de provocação:

― É bom que ele seja melhor do que eu na cama.

Soltei Chanyeol e fui atrás de Joe, virei-o pelos ombros e depositei não um soco, mas um pontapé bem em suas regiões íntimas. Meu ex gritou de dor.

― Ele me fez gozar várias vezes numa só noite, se quer saber― Eu disse á ele. ―, diferente de você que nem nas preliminares era bom, seu idiota.

Ouvi Chanyeol rir de fundo.

Depois de Joe desaparecer de nossa visão, eu percebi o que estava óbvio ali. Chanyeol havia voltado.

― Achou que eu iria embora? ― Chanyeol se aproximou de mim, cutucando meu corpo com os ombros enquanto tinha as mãos dentro dos bolsos da calça. ― O quão ficou desesperado? Pouco, médio ou muito?

Fiz um leve bico, tentando disfarçar.

― Como foi a sensação, Baekhyun? Vai logo, admite que ficou mais ansioso do que quando saiu a segunda temporada de Under The Dome, ou quando foi anunciado que a Nina Dobrev voltaria para The Vampire Diaries.

― Por que eu ficaria ansioso?

― Você não sabia como iria ser, não é? Como seria a partir de agora, com um coração partido, ao invés de partir algum alheio por aí.

Exatamente. Droga, exatamente!

― Me ama?

Não responde. Baekhyun, não responde. Continua desviando o olhar, fica fácil fugir assim. Sempre foi dessa forma: eu não me importava com partidas, eu deixava que eles se fossem, que me mandassem embora, que não voltassem. Espera! Eu havia quebrado esse quesito também, já que não tinha ido atrás de Chanyeol e realmente adorado em ver que ele continuava ali.

O encarei e deparei-me com o lábio de Chanyeol cortado e o sangue escorrendo.

― Caralho! ― Gritei. ― Seu lábio está sangrando.

Ele se assustou.

― Caralho, Chanyeol, seu lábio está sangrando pra cacete!

O Park colocou o dedo para testar e olhou para a própria pele, percebendo que eu realmente estava falando a verdade.

― Jesus amado, chama uma ambulância! ― Ele buscou apoio com o corpo e só quando se recostou á um muro baixo que percebi estar mais relaxado.

― Meu celular não está aqui. ― Comentei ao notar meus bolsos vazios.

― Como alguém não anda com o próprio celular?

― Me dá o seu que eu ligo pro Sehun vir nos buscar.

Chanyeol mostrou os dentes num sorriso esbanjado.

― Esqueci!

Revirei os olhos.

― E ainda tem a cara de pau de falar de mim.

Puxei um pedaço de minha camiseta de baixo e não me importei que esta tivesse rasgado. Chanyeol tentou me impedir com algum sermão, mas era tarde demais. Embolei o pano, fazendo um montante do tamanho da palma de minha mão, logo após, coloquei o item macio acima do canto dos lábios do Park. De primeira ele reclamou de dor, mas logo se acostumou.

Retirei por alguns segundos e soprei o local. Chanyeol fitou meus lábios e eu me senti envergonhado.

― Me faça respiração boca a boca, anda! ― Me apontou o lado limpo da boca.

Sorri.

― Você não se afogou, não se faça de idiota!

― Vamos! Eu preciso de um beijinho, sinto saudades.

― Deveria ter pensado nisso antes de inventar o Jon.

Apertei o pano na boca de Chanyeol e ele retrucou.

― Não seja assim, eu só fiz aquilo porque não tinha coragem de chegar em você. Tinha certeza que não aceitaria alguém como eu, todo nerdzão, quando você saia só com bombadão, olhos azuis e geba grande.

Ri.

― Isso é verdade, mas acho que aconteceria de qualquer forma.

― O que aconteceria? ― Ele deu um sorriso astuto.

Opa! Acho que acabei de cair na armadilha de Park Chanyeol.

Pisquei rápido e me concentrei em secar o sangue do lábio dele. Instantaneamente, Chanyeol segurou meus dedos com os dele e me obrigou a olhá-lo.

― Passa o resto da vida comigo? Eu sei que... ― Parou, pensativo. ― que sou só eu, mas eu quero ser um só eu com você do meu lado.

― Você foi o primeiro cara que foi embora e eu quis tanto que ficasse. É sério! ― Ri sem jeito, piscando os olhos ligeiramente. ― Quando saiu da cafeteria, achei que eu conseguiria seguir em frente, que seria fácil me levantar e preferir correr atrás do próximo da fila, escolhendo uma boa balada pra ir, mas eu não conseguia nem me mexer direito, minha mente só dizia: corre atrás dele, vai lá, ainda dá tempo, como se ainda houvesse tempo pra caramba.

― E há! Eu estou aqui pra te dizer que há o tempo que quisermos.

― Eu sou chato pela manhã.

― Eu sei!

― Sou ciumento ás vezes.

― Eu também sou.

― Vai estar ao meu lado mesmo depois que eu assistir todas as temporadas de Supernatural e ter a coragem de repetir? O que é muito tempo.

Chanyeol riu.

― Vou estar ao seu lado, mesmo na milésima temporada.

― Mesmo se mais um personagem importante de The Walking Dead morrer?

― Isso acontece direto, já me acostumei. Mas bom... mesmo se todos morrerem, eu estarei ao seu lado.

― Uau! ― Zombei. ― Matar personagens de sua série preferida, isso sim é amor verdadeiro.

Chanyeol alargou um sorriso e me puxou pela jaqueta, dando um rápido selar em meus lábios. Quando tentei um beijo mais intenso, ele me cortou.

― Ai! Meu lábio.

― Desculpe. ― O abracei pelos ombros, na ponta dos pés entre as pernas longas de Chanyeol que tinha a cintura recostada ao muro e as costas agachadas para ficarmos na mesma altura.

Chanyeol suspirou o cheiro de meu pescoço.

― Eu nunca mais irei mentir sobre algo tão sério, Baekhyun, eu prometo.

― Na verdade... ― Me afastei e o encarei. ― seria legal ir pra cama com o Jon. Todas aquelas fotos eram suas?

Ele assentiu.

― Como isso é possível? Tudo em você era enorme. Os músculos, o peitoral... a geba nas nudes. ― Arregalei os olhos ao percebê-lo fazer uma careta de desgosto. ― Eu não quis dizer que tudo em você seja pequeno, não é isso! ― Completei aos sorrisos.

― Tudo era questão de ângulo ― Ele sorriu. ― e um pouco de aplicativo para dar aquela valorizada.

― Cretino!

Sorrimos.

Chanyeol continuava com o canto do lábio avermelhado pelo sangue que ainda jazia presente, mas ainda assim ele se aproximou sem me tocar e centímetros de mim enquanto fitava-me a boca, pareceu se inundar em algo que gostava de enxergar através dos meus olhos.

― Não precisamos mudar algo, eu amo a forma como briga comigo o dia todo, mas a noite se deita abaixo de mim e geme meu nome. Não precisamos nos tornar aquele casal irritante, sem sal e moldurados em um só padrão, eu quero só ser como éramos desde o começo, porque foi isso que acendeu ainda mais o que eu sentia por você.

― Cala a boca, Chanyeol ― O interrompi aos sorrisos. ― e me pede logo em namoro.

Ele riu, claramente sem graça.

― Byun Baekhyun, quer dar match comigo na cama todos os dias? ― Me mostrou a palma da mão e eu proferi uma baixa risada com a cantada pouco criativa.

― Agora sim. ― Uni minha mão á dele e aos poucos entrelacei nossos dedos. ― Eu seria louco se não aceitasse.

Foi naquele momento, naqueles minutos em que caminhamos lentamente pela calçada com as mãos entrelaçadas, que percebi que era a forma mais bonita de Chanyeol mostrar, admitir ao mundo sua sexualidade, enquanto a minha era a prova de que eu tinha encontrado algo no qual realmente valia a pena me prender ao mesmo tempo em que me sentia livre.

Ao chegar à casa de Luhan, ele nos recebeu com inúmeros tapas, foi a primeira vez que não me importei de apanhar, pois a saudade me fez forte o suficiente para que eu ignorasse sua violência e o abraçasse, pedindo desculpas por sumir durante tanto tempo, sem explicações. Sehun apenas sorriu da forma simpática que sempre fora acostumado a ser, Xiumin por outro lado disse que não me daria o  especial de frango frito, mas eu acabei o dizendo que ele havia ajudado bem mais do que o colesterol alto que o prêmio daquela aposta daria. Ele havia dado um empurrãozinho para que eu encontrasse um amor não na porta ou na mesa de um restaurante, esperando-me como um garçom havia me dito certa vez sobre os velhinhos. Aquela aposta de certa forma me deu coragem de apenas agir e porque não, de acordar para a realidade e ver que não existe caminho melhor do que aquele que se é escolhido sem pressão e exigências.

Meu perfil no Tinder foi apagado no mesmo dia em que Chanyeol me pediu em namoro, e ele, o mesmo. Percebi também, ser apenas mais uma vítima do mesmo sentir que se ouve falar por aí e foi em questão de semanas para que eu e Chanyeol conseguíssemos alugar nosso próprio apartamento e admitir para nós mesmos que aquela sim era uma vida que no fundo, desejávamos desde sempre. Brigávamos pra caramba, claro, mas reconciliar e ter para onde voltar no final da noite era algo incomparável.

Não se tratava de idade, nível social, experiência em relacionamentos, quantidade de curtidas no facebook. Abranger não fazia parte do nosso plano, mas viver sim. Viver era emocionante, todos os dias seria como uma aventura e algo que um aplicativo jamais conseguiria explicar, pois quem sempre esteve nos guiando era o destino e eu tinha certeza que Park Chanyeol me alcançaria mesmo que não houvesse um perfil falso, uma aposta ou a divisão de quarto para nos unir. Eu acho que ainda assim ele chegaria e ficaria, porque ele era abrigo, aterrissagem, movimento, era meu lar para qual voltar, meu motivo para não partir e nem permitir que ele ao menos tentasse. Ele era confusão, deslumbro e felicidade, uma boa mistura a ser experimentada toda manhã ao acordar e deparar com a voz arrastada ditando-me um bom dia arrastado e um eu te amo antes de dormir. Park Chanyeol é e sempre será o amor sem a necessidade de tentar entender.

 

fim.


Notas Finais


A.CA.BOU.
Espero que tenham gostado desse final, pois deu bastante trabalho pra fazer, eu devo ter demorado mais de duas semanas pra conseguir escrever, era como se a ideia não conseguisse sair da minha cabeça em forma de palavras, foi um bloqueio terrível, mas é bom saber que venci isso e SOCORRO, ACABOU MESMO! ;v;
Mas vejam pelo lado bom: uma nova long está sendo elaborada com capítulos curtinhos e cheirando a Hora da Aventura, alguém conhece? Fora minha ABO's da vida. Quem quer? Quem?
Foi realmente uma delicinha escrever essa fanfic, mais um desafio pra minha listinha incontável de personagens que não tem nada haver comigo. q
Espero eu ter atingido as expectativas de vocês, estou imensamente feliz, pois não imaginava que esse plot chegaria á tantos favoritos, sei lá, eu comecei tão sem objetivo que, nossa, isso é lindo de se ver! Agradeço também á todos os comentários e a paciência de vcs para comigo, eu li tudo que escreveram, agora só falta as férias pra mim respondê-los. </3
Enfim, chega de papo furado, obrigado a cada um que chegou até aqui, vocês são incríveis.
Beijão e até uma próxima <3

Sobre meu primeiro livro: http://socialspir.it/7062851
Clinch vai voltar, eu prometo.


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