História Teoria da roupa amassada - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Haechan, Mark
Tags Comedia, Fluffy, Madeinsono, Markchan, Markhyuck, Nct, Oneshot
Visualizações 190
Palavras 1.961
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Meu bloco de notas é um lugar cheio de nonsenses e teorias da conspiração envolvendo apontadores e barras de chocolate meio amargo. Essa fic é fruto de uma epifania que eu tive no meu último aniversário e que descansou num documento aleatório no meu bloco de notas até o dia em que eu, zureta das ideias numa madrugada qualquer, decidi que seria uma ótima ideia escrever algo a partir de um dos meus momentos de insânia. Estranhamente, eu gostei muito do resultado final e essa é uma das fanfics que eu mais gostei de escrever, talvez porque ela provavelmente só faz sentido na minha cabeça.
De qualquer forma, dedico pra Mari e pra minha maior e eterna vítima: o bloco de notas.
Enjoy

Capítulo 1 - Maracujá de gaveta



 

— Tudo bem, Donghyuck? – resmungou Mark do outro lado da linha com a voz rouca meio cagada de quem acabou de acordar. Eu reviraria os olhos se fosse desses. É óbvio que se eu liguei às quatro da manhã é importante, né, animal. – Aconteceu alguma coisa?

Tudo bem, eu preciso explicar tudo com calma, desde o começo, ou ele não vai entender nada. Preciso soar convincente também. Algo tipo... desenhos de criança? Acho que ele não vai entender se eu explicar normalmente. Precisa ser algo simples, tipo um desenho. Tipo aquele desenho do porco com cara de pinto ou...

Ah, desisto.

— Donghyuck? Você ‘tá aí?

(Pausa dramática para juntar fôlego.)

— Eu ‘tô.

— Eu fiz alguma coisa? – ele perguntou meio resmungando, meio ressuscitando. 

Não sei...? 

— Me diz você. Você fez algo? 

Ele raciocinou um pouco antes de responder.

— Acho que não. 

Suspirei um pouco mais aliviado. — Ainda bem. 

Ele soltou uma risadinha. Não sei de que parte do inferno eu tirei forças para não rir junto, mas creio que foi da parte para a qual eu iria caso acordasse meus pais a essa hora da madrugada.

— O que aconteceu, bebê? – Mark perguntou todo carinhosinho. Me afastei um pouco do telefone com a frase “OK, se ele não fez cagada, eu me chamo Morgan Freeman” flutuando no ar à minha frente no meio daquele breu que era o meu quarto. 

Depois eu descubro o que foi. Agora não é hora de DR.

— Meu Deus do céu, Mark. Você sabe ser uma gracinha, mas “bebê” é tão cafona. 

Ele riu de novo, agora soando como uma pessoa propriamente viva. 

— ‘Tá bom então, mozão.

Sangue de bode escorrendo na parede em forma de pentagrama.

— Volta pro bebê, por favor.

— Seu pedido é uma ordem – disse Mark. Tive a leve impressão da situação estar saindo do meu controle. – Ligou porque queria que eu cantasse pra você dormir, foi? Minha garganta ‘tá meio merda, mas se ignorar os catarros, dá pra cantar.

Infelizmente, não. Mas fiz questão de anotar “Obrigar o Mark a cantar pra eu dormir” na minha mão com a caneta que estava em cima do meu criado-mudo. Se bem que não seria bem obrigar, porque ele sempre faz tudo com tão boa vontade que faz eu pensar que eu sou ruim mesmo.

Imagino que tipo de merda o Mark fez em outra vida pro karma ter me jogado pra cima dele. Já eu claramente era um vencedor do Nobel da paz. 

— Não me dê ideias se você não vai cooperar, Mark Lee. 

— Quem disse que não?

É por isso que eu te amo.

— A conversa ‘tá ótima, mas é que eu ‘tô ficando sem crédito e nem falei o que eu queria falar.

— Não pode ser amanhã? Eu ‘tô morrendo de sono.

— Se for esperar até amanhã, eu já vou ter esquecido.

— Desliga e me liga de novo, então. A cobrar mesmo.

— OK. ‘Pera aí.

(Pausa pra desligar e ligar outra vez.)

— Oi de novo – ele disse num tom suave. Minha mente já completou automaticamente com um “Oi, tenho interesse”. 

— Olá, olá. – Organizei um pouco as ideias dentro da minha cabeça antes de continuar porque, bom, eu ‘tava gastando os créditos do meu namorado e isso não é lá muito legal. Não é todo dia que eu tenho grana pra pagar um 3G forreca que seja. Eu entendo o drama perfeitamente, logo tinha que ser o mais direto possível. 

— Então?

— Eu ‘tô com 17 anos, né, cara...

— Você já não tinha 17?

— Não, eu fiz 17 hoje. ‘Tô fazendo ainda, no caso.

— Ué, mas você dizia que tinha 17.

— Modo de dizer. Carroça antes dos bois. Viagem no tempo. 

Aí ele fez uma pausa com um digníssimo “hmmmmmm” reflexivo, antes de concluir com: — Ah, saquei.

— A propósito... Você esqueceu que hoje era meu aniversário, né?

— ...Esqueci

— Sabia.

— ‘Tá bravo?

— Nem um pouco. Eu só lembrei do meu aniversário porque o Facebook me lembrou mesmo.

— Aconteceu comigo também.

Ah, o drama adolescente da desilusão numérica. Finalmente estávamos chegando em algum lugar.

— Desilusão com números, entendo bem. Mas, então. Era sobre isso que eu queria falar – eu disse, agora satisfeito porque poderia provar meu ponto.

— Números?

Exatamente.

Eu quase conseguia vê-lo franzindo as sobrancelhas, tentando calcular minhas próximas falas.

— O que tem a ver você ter 17? – ele perguntou e eu suspirei, quase decepcionado.

— Tem tudo a ver. Eu nasci há 17 anos, Mark. Quase duas décadas. Tem até um grupo chamado Seventeen.

— Eu ainda não entendi.

Mas hoje ‘tá difícil, hein.

— Dezessete anos, Mark! Eu ‘tô sentindo o peso da idade. Isso é uma crise de meia idade.

Meu namorado soltou uma risadinha contida e eu me contive para não xingá-lo de um nome nada bonito.

— Achava que as pessoas tinham isso por volta dos quarenta – ele retrucou.

— Dezessete é quase metade de quarenta – argumentei impassível, disposto a vencer qualquer discussão.

— ...Válido.

Ponto pra mim.

— Continuando. Eu ‘tô com medo.

— De envelhecer?

— Sim.

— Eu acho que você vai ser um coroa bem apessoado – disse Mark Lee, 18 anos e linguajar de 72 tentando ser descolado.

— Eu até riria disso se não estivesse surtando aos poucos.

— O que tem de tão ruim em envelhecer, amor? 

A essa altura da conversa, eu já estava sentado na beira da cama, entretido em brincar com meus chinelos no chão. Minha vontade era calçá-los e ir morar na praia e viver da minha arte porque, francamente, discussões assim sempre me deixavam reflexivo demais para o meu gosto.

— Tudo. Eu sou quase maior de idade. Aí vem tudo pra cima de mim como uma saraivada de fogo – respondi sem muita enrolação.

— Tudo tipo?

Suspirei, passando a enumerar nos dedos a lista de frustrações da minha futura vida adulta:

— Faculdade, vestibular, carteira de motorista, trabalho. Estabilidade financeira e emocional. Não poder mais entrar na piscina de bolinhas. – O último item era o mais importante, diga-se de passagem.

— Mas você já não pode mais, Donghyuck.

Não arruíne meus sonhos, Mark.

— É aí que está! – exclamei indignadíssimo. — Eu já estou sendo consumido pela vida adulta. A começar pelas minhas roupas.

— Vai me dizer que comprou um terno de risca de giz igual aos do meu pai – o tom de voz dele parecia quase cauteloso.

— Não cheguei nesse ponto, ainda. Mas eu estou me preocupando se minhas roupas estão passadas.

— Isso não é normal? – perguntou meio alheio ao que eu quis dizer. Bufei, tentando pensar numa forma de facilitar a comunicação.

— Mark, presta atenção. Acompanha o meu raciocínio.

— OK.

Não que tenha funcionado muito.

— A nossa sociedade evita tudo que lembra rugas ou coisas velhas, como maracujás, por exemplo, que ficam guardados na gaveta para não termos que encarar a realidade de que rugas são sinal de amadurecimento.

Ao contrário do que pensei, Mark não riu; pelo contrário, parecia sério e confuso, assim como em 99% do tempo.

— Maracujá é o quê, mesmo? – foi o grande questionamento dele depois de todo o meu falatório. 

— Uma fruta.

— Eu já comi isso?

Mark com M de Memória Horrível e Meia.

— O maracujá em si, não, mas tomou um suco disso na vez em que a gente foi naquela lanchonete de comida exótica que inaugurou no shopping – expliquei tentando reavivar as lembranças de peixe dourado dele. Funcionou.

— Aquele suco que me deu sono?

— O próprio.

— Ah, é. Tinha uma foto daquilo no cardápio. Era todo enrugado, parecia um c...

— Foca no assunto, Mark. Sério.

— Foi por causa da atendente que você começou a falar “maracujá de gaveta”, não foi?

— Foi sim. Achei a expressão engraçada. E bem útil, por sinal. Brasileiros falam coisas estranhas.

— Concordo. E acho que agora estou entendendo a parte da gaveta.

Me joguei na cama novamente, por pouco não derrubando o celular longe. A gravidade e o tempo são os maiores inimigos do homem, junto com as provas de física e química.

— Beleza então, continuando – resmunguei, irritado comigo por ser tão enrolado. – A sociedade também despreza o queijo brie, mas pelo menos nesse caso faz sentido, porque quem caralho come queijo mofado a preço de um rim?

— Eu nunca nem tinha ouvido falar nesse queijo, pra falar a verdade.

— Pois é, pra você ver a falta de visibilidade. – Usei a deixa como pretexto para expor meu repertório cultural, na verdade. — Outra coisa que é malvista são as roupas amassadas. ‘Tá acompanhando?

— ‘Tô.

— Há um monte de tratamentos estéticos que propõem uma pele mais fina, jovem e revitalizada, lisinha. Blá, blá, blá. – O grande problema de formular um argumento: não ter maturidade nem paciência o suficiente para se expressar decentemente. — O plot twist da coisa toda é: roupas de tecidos finos amassam com facilidade. E mais: os amassados lembram rugas. Aí as pessoas passam as roupas, porque quem quer parecer velho? Onde já se viu, ter roupas com rugas. Que absurdo.

(Silêncio.)

— ...Você passou o dia inteiro pensando nisso?

Soltei uma risadinha sem graça.

— Na verdade, eu comecei a pensar nisso antes de dormir. Eu estava quase dormindo, mas aí minha cabeça começou a rodar em torno desse assunto e eu resolvi te ligar porque você sempre sabe o que fazer – confessei.

— Hm... 

— Hm?

— Acho que o melhor é não se importar muito se as suas roupas estão amassadas ou não – foi a conclusão de Mark depois de uns bons minutos pensando sobre.

— E enfrentar a repressão?

— Que se dane o sistema.

— Nunca pensei que a pilha de roupa suja em cima da minha cadeira resultaria num plano anarquista.

— Nós somos a revolução.

Te Amo com A de Anarquia.

— Desculpa por isso. Você deve estar sem internet a essa altura – murmurei, o sono finalmente dando as caras.

— Meu celular tem linha. Pra eu me foder, só no final do mês.

— Burguesia é foda, viu – debochei.

— Burguesia anarquista – Mark corrigiu. 

— Pelas rugas e pelo direito de envelhecer, eu voto sim.

— Pelo me deixa dormir, pelo amor de deus, porque eu não aguento mais de tanto sono, eu voto sim.

— Desculpa. Eu não deveria te perturbar de madrugada com esse tipo de coisa retardada, eu sei.

Me enrolei entre os cobertores, ficando só com a cabeça e a mão que segurava o telefone expostos.

— Tudo bem, amor. Eu gosto quando você fala as coisas que você pensa.

— Mesmo se envolver o Naruto pelado?

Exceto nesse caso – ele disse e eu quase gargalhei alto, usufruindo do máximo do meu autocontrole para não rir.

— Então tudo bem. Você não cansa de ser o genro que a minha mãe pode vir a querer um dia? – eu disse sorrindo um pouco, bem pouquinho, quase nada. 

— Nem um pouquinho. 

Ou talvez muito.

— Preciso me empenhar melhor no meu papel de bom namorado. Vou deixar você dormir. 

— Obrigado, porque eu ‘tô vendo bichinhos brilhantes no teto já.

— É sono ou é maconha com LSD?

— Sono. E fome.

Senti minha barriga roncar. Casal que ataca a geladeira unido, permanece unido.

— Vou comer algo antes de dormir também, falando nisso – decidi. — Enfim. Boa noite, mozão.

Você não começa. Boa noite, Donghyuck-ah. E feliz aniversário – disse Mark com seu tom de voz mais afetuoso. 

— Valeu.

— ...E o seu presente já ‘tá comprado. Amanhã, ou melhor, hoje quando amanhecer, a gente sai pra fazer alguma coisa pra comemorar. Aí eu te entrego e faço toda a declaração de amor que você merece. 

Aí sim, meu patrão.

— Agora sim eu dei valor. Então vai dormir logo, porque aí amanhece mais rápido – apressei, sentindo meu coração batendo um tantinho mais rápido.

— Você ‘tá sem graça, né?

Odeio ser um livro aberto.

— ‘Tô.

— Amo você.

— Vai dormir, Mark Lee.

— Não sem as palavrinhas mágicas – teimou com a voz arrastada.

— Ai, que saco.

— Errou.

Ai, que saco vezes dois.

— Também te amo, chuchuzinho.

— Vou ignorar a última parte. Até amanhã.

— Que no caso é hoje.

— Exato.

(Silêncio.)

Hmmm... Mark?

— Sim?

— Da próxima vez, a gente vai debater sobre o tempo.

Ai, Jesus.


Notas Finais


Eu sou o maracujá e vcs?/??

Beijos, abraços, um montão de sushi, favoritos, comentários... Enfim. Toda manifestação de amor é mais do que bem-vinda.
Um bjo, um queijo
Té mais


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