História Teoria do caos - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Sasuke Uchiha
Tags Hinata, Sasuhina, Sasuke
Exibições 164
Palavras 7.727
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela
Avisos: Estupro, Sadomasoquismo, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Primeiramente e unicamente #ForçaChape

Uma madrugada triste.

Esse capítulo seria postado às 22:00, como de costume, mas optei em postar ao início da quarta-feira, realmente não faz muita diferença devido a tragédia brutal que assolou a todos os brasileiros nesse fatídico 29/11/2016. Independente de sermos fãs ou não do futebol, somos acima de tudo humanos. O que ocorreu nesse dia manchado, não foi apenas uma ferida nacional, mas sim um sonho de pessoas jovens e repletas de alegrias, de incontáveis famílias desoladas, de milhares de torcedores, como também de cada ser humano ao redor do mundo.

Como dito em Harry Potter, e acho que todos aqui conhecem: " Embora venhamos de lugares diferentes e falemos línguas diferentes, nossos corações batem como um só. "

Ergam suas varinhas, pois hoje boas pessoas se foram!

Capítulo 17 - Obsession


 





  " Obito, eu te mato. "
 

 

O olhar, nesse instante mais impaciente do que quando chegara, deixava evidente toda a raiva contida que percorria seu corpo. Estava esperando frente aqueles portões por mais de duas horas, horas gastas apenas ficando apoiado na lataria do automóvel de tom azul escuro. O terno permanecera do lado de dentro enquanto mantinha os braços cruzados e as mangas da camisa dobradas, olhava de segundo em segundo o relógio de ouro ao pulso se perguntando como fora tão idiota em seguir conselhos de Obito. Também não poderia alertar ao segurança da guarita, afinal acabaria gerando especulações e comentários, sendo assim, acabava esperando a boa vontade de Hashirama em sair por aquele lugar.


  Revirou os olhos notando a saída constante de algumas pessoas, poucas eram conhecidas por manterem evidência na televisão e cinema, outros eram apenas trabalhadores do ambiente. Estava tarde, mas não havia problema, afinal Mei passaria alguns dias na casa de sua mãe como disse, então não precisaria arrumar satisfações estúpidas. Pensamentos assassinos para com Obito se faziam cada vez mais presentes. Conhecendo o Senju, o mesmo ainda deveria estar dentro de seu escritório resolvendo assuntos triviais, afinal o automóvel prateado dele ainda lustrava a costumeira vaga abaixo da árvore de grandes galhos.
 

 

-- Impossível.

 

 

Quis desacreditar, mas amava demais seus olhos para aceitar que estariam errados, certa arrogância na verdade, mas também não negaria assim o ser. O sussurro saíra incrédulo por seus lábios, ainda mais na mente que agora rasgava em meio ao caos pela cena. Hashirama, vestindo sua típica camisa social despojada e cabelos amarrados após o trabalho, saía pela porta calmamente e regado a sorrisos, ao lado de ninguém menos que a pessoa que sempre o devotou amor nítido desde o primário.

 

Mito, a garotinha que constantemente percorria os caminhos do moreno quando pequeno, sempre atrás da atenção de Hashirama, buscando que ao menos um dia ele pudesse desvirtuar para si metade da atenção que depositava em Madara corriqueiramente. Seu peito parecia bater mais rápido e nem ele mesmo aceitava, bateu a porta do automóvel se escondendo dentro daquele fumê escurecido. Fincou os dedos no volante com os olhos atônitos, não que estivesse com ciúmes, era apenas a consequência do choque momentâneo. Hashirama fora canalha e não perdeu tempo. Talvez premeditasse isso quando fizera aquele espetáculo dramático, quisesse realmente se livrar daquela relação unilateral, para enfim adentrar em algo com a ruiva milionária, consequentemente tendo o próprio Uchiha como platéia do casal nessa noite gelada.


  Respirou fundo. Como foi tão idiota?










  O belo automóvel fosco e alarmante denunciava a chegada de alguém bastante endinheirado naquela região. Mesmo sendo um ator conhecido na atualidade, Naruto ainda era bastante humilde e reservado nessas questões, gostava do simples e nem mesmo fazia caso para coisas de grande escala. Mantinha sua residência até um pouco longe das ruas mais abastadas de Tokyo, normal, como qualquer outra casinha americana em tons pastéis, como se o próprio Uzumaki houvesse cuidado da tintura.

  Contudo, Sasuke nunca se importou em deixar sua extravagância evidente, ainda mais optando em usar sempre o mesmo lamborghini fosco e de rodas cromadas. Trancou o automóvel o deixando na calçada enquanto andou até a porta apertando a campainha de som cômico e até mesmo crível, sendo a dona daquela casa Sakura. Prontamente ao entrar fora recepcionado por Kurama, que sempre acabava pulando sobre o Uchiha. Abraçou a Haruno escutando os comentários largos dela sobre como era importante que o mesmo passasse na residência do casal mais vezes, em seguida trocou suas costumeiras farpas com o melhor amigo sentando na mesa de jantar.

 

Nunca fora desconhecida a falta de socialização por parte dele, sempre zelando por ambientes mais quietos e silenciosos, coisas que mantivessem sua sanidade e serenidade constante. Nunca de fato entenderam como acabaram sendo amigos, afinal tanto ela quanto o loiro eram escandalosos por natureza, sempre sendo apartados pelo moreno desde a época primária.



     -- E a vida a dois? -- Passou as mãos pelas mangas enquanto sentou na mesa junto do casal. O estômago parecia apertar vendo a refeição, afinal sua situação não vinha sendo das melhores, sempre comendo enlatados ou coisas prontas. Salvo apenas o episódio na casa de Hinata e o jantar no restaurante que teve também ao lado dela. Deslizou os dedos pelos lábios, caso não o conhecesse bem, Naruto diria que vira um sorriso natural escorrer na face do amigo.

    -- Contas, cansaço e trabalho. -- O loiro comentou observando os gestos do amigo, não era tão perspicaz, mas diria que esse Sasuke era o mais próximo que vira há muito tempo do antigo. -- Mas ainda continua sendo a melhor maneira de se viver.

      -- Vocês são melosos demais.

    -- Você que é muito frio. Mas direto ao ponto. -- Sasuke elevou o olhar até a rosada que deu um sorriso com o comentário do esposo. Realmente não pensou que passaria despercebido, mas não achou que ele fosse tão direto. Mas era meio óbvio que algo estaria acontecendo, nos últimos meses lembrava de ter recusado mais de dez convites de jantar por parte deles. Sempre ganhando comentários chateados por parte do amigo. -- Que foi? Bem óbvio que não veio por saudades, seu desalmado.

    -- Quanto rancor, dobe. -- Deu uma meia risada manuseando o talher até os labios. Estava delicioso. -- Mas sempre sou direto. O motivo de ter vindo aqui, é que estou com um problema muito pessoal em mãos, e ele envolve Hinata.

      -- Hina... Hinata? -- Seu olhar cruzou o esmeralda da Haruno vendo que a mesma demonstrou certo espanto e receio. Desviou afeição até a louça enquanto Sasuke apenas olhou o loiro meio desentendido, mas afinal ele sempre era assim. -- Somos amigos, qual o problema?

     -- Soube disso.

     -- Então, o que é?

     -- Bom, eu nunca sei como tratar desses assuntos. É sobre o meu descontrole. -- Sasuke passou a mão pela nuca afagando os fios e ganhou os olhares vidrados por parte de ambos. Sabiam que o Uchiha nunca falava sobre esse assunto em suas consultas com Kakashi, eram confidentes dele nessa questão. -- Tivemos um envolvimento em uma noite, eu quase perdi o controle das minhas ações e... entendam, não quero machucá-la. Mas não consigo me controlar.

 

 

Os ombros do moreno pareceram deixar um grande peso sair, olhou a estampa daquela toalha passando as mãos pelos cabelos na medida que acabava se perdendo em pensamentos cruéis que sua mente acabava impondo por certas lembranças. Cada palavra, cada erro. Toda a carga que aquilo emanava poderia ser sentida pelo casal diante dele, eram os únicos a quem ele poderia manter e confiar tudo isso, ao menos sem que o julgassem ou o afundassem ainda mais em seu abismo interno.

 

Lembranças manchadas de obsuridade, realmente Naruto e Sakura entendiam e conheciam até onde o Uchiha permitia, mas existia uma infinidade de outras coisas. Mas o que eles sabiam era o necessário nesse instante. Samui fora a mulher que mais marcou todo o seu histórico, tanto por ser o contrato que mais durou em sua carreira de curta duração, como a que influenciou toda a sua vida desde então. Jamais usaria de artifícios que pudessem ferir o interior da mulher, isso é, ao menos não por sua culpa. Afinal, a bela loira de olhos azulados passou a morar em sua casa, exigir atenção redobrada e sessões extensas de submissão árdua e humilhante, se tornou uma escrava tão flegelada por seus próprios demônios pessoais, que acabara por adquirir uma doença rara, mas que soava normal e corriqueira dentro do meio BDSM. " Síndrome de Estocolmo. "



         -- Sasuke. -- Limpou a garganta voltando sua atenção para a Haruno, realmente acabou fugindo em meio a pensamentos e lembranças. -- Lembra como aconteceu quando Hanabi descobriu, não lembra? Então só tenho um conselho, conta toda a situação de uma vez pra Hinata, eu garanto que ela entenderá.

            -- Você não entenderia.

-- Precisa dar um basta nisso, Teme! -- Naruto tomou a palavra cortando o excesso de lamúrias do mais velho. Realmente sabia que o mesmo sofria sintomas da depressão, mas vê-lo a cada dia daquela maneira, acuado e covarde, acabava trazendo uma certa raiva. Ainda mais quando era justo Sasuke quem fora seu espelho quando mais novo, queria ser como ele, forte como ele. Sendo assim, ver o que ele se tornou, isso era horrível. -- Isso não é uma doença, não é contagioso ou doentio! Conhecendo Hinata eu sei que ela entenderá, vai se assustar, mas qualquer um no lugar dela se assustaria. Mas precisa entender que o importante é a sinceridade, acima de tudo, precisa falar antes que isso se torne uma situação enorme.

-- Quando eu sinto... não sei dizer ao certo, mas é como se meu corpo agisse por conta própria, se torna incontrolável, odiria acabar a machucando. -- Manteve o tom ajudando Naruto a retirar a louça da mesa. -- E mesmo não sendo uma doença, ainda acaba sendo prejudicial para pessoas que não são desse meio. Ou esqueceu como a Hana acabou ficando após experimentar essa relação? O único diferencial é que ela era bem forte.


      -- Estranho, geralmente a mais velha costuma ser mais forte. -- O Uzumaki comentou ganhando um soco imediato no ombro quando voltara até a sala. Sakura mantinha uma expressão assassina como Kushina em seus picos de raiva, coisa constante sendo Naruto tão parecido quanto Minato.

      -- Mais velha?

     -- Hinata é mais velha que Hanabi! -- O tom de voz alto e desconexo para a situação partiu da Haruno sorridente e devidamente sem graça. Naruto passou a lavar a louça mantendo a cabeça baixa e sabendo que novamente pisou na bola quanto a identidade da Hyuuga mais velha. -- Sabe como o Naruto é! Fala cada coisa!

     -- Entendo. -- Sakura se colocou ao lado do marido ajudando na louça enquanto Sasuke permaneceu parado na barra da porta com os braços cruzados. Olhou novamente o relógio e passou a mão pelo rosto pensando nessa situação, para sorte do loiro, suas preocupações eram muitas para focar nas pérolas aleatórias que o amigo soltava. -- Enfim, obrigado pelo jantar. Preciso chegar de uma vez em casa, amanhã tenho assuntos da empresa.

     -- Não faz besteira, teme. -- O loiro sorriu secando um prato enquanto a Haruno abraçou o moreno. Sabia da situação dele, então qualquer interação com o mesmo acabava sendo algo especial, ainda mais sabendo que dificilmente ocorreria novamente em curto período. -- Se cuida.

     -- Não é como se fôssemos iguais.



  Sasuke emitiu um sorriso ao atravessar a porta. Geralmente poucas pessoas entendiam as coisas que falavam um ao outro, como essa pequena frase que o moreno dissera. Sempre foram muito amigos, mas nada ao estilo convencional. Rivalidade era o que existia entre ambos, mas acima de tudo o respeito e amizade, o mais velho nunca fora muito expressivo e afetivo para retribuir em tais palavras, mas essa frase significava que haveria um amanhã, que mesmo não admitindo, também gostaria que o mesmo se cuidasse.

  Desceu a pequena escada daquele jardim que terminava numa bela cerca branca, a mesma pintada pela Haruno. Seguiu até o carro debaixo da leve chuva que se iniciava nessa noite de ventos calmos mas ainda congelantes. Seus dedos apertaram o volante enquanto dificilmente qualquer movimento se encontrava na rua. Seus complexos eram realmente muitos, mas ao menos essa noite tentaria dormir sem que eles o impedissem de ao menos fechar os olhos.



     -- Que impasse.









  O amanhecer era calmo em meio a cidade, tanto por ainda ser bastante escuro, quanto pela chuva fina que se perpetuou durante toda a madrugada silenciosa. O despertador de pronto alertou o início de mais um dia quando fora rapidamente parado pela mão de Hikari, que automaticamente lançou as cobertas ao lado da cama levantando com pressa. Seis da manhã. Horário exato e cravado pelo burburinho que aumentava gradativamente nos arredores, pessoas caminhando a suas rotinas.

 

  O cômodo principal da mansão era bem grande, ainda mais por não dividir com ninguém na maior parte das noites. Não que fosse ruim, adorava não ter Hiaishi por perto, afinal o mesmo passava suas noites em um apartamento afastado dos holofotes, onde satisfazia seus fetiches e tentações com qualquer garota de programa que alugava para seu alívio. Conhecia até mesmo o endereço de sua casa de prostituição em Shinagawa, afinal, quando ainda não havia esbarrado com Shusui, costumava ser a esposa sofrida que permanecia calada sabendo de todas as coisas ocorridas e impostas. Entretanto, nessa manhã, havia acordado com o único intuito de se vestir e rumar até o hospital onde seu verdadeiro amor estava.



     -- Ohayo.


  Sussurrou alinhando os cabelos da mais nova. Sem dúvida alguma o casamento com Hiaishi fora um fracasso, salvo apenas suas duas pedras preciosas cujo foram ressalvas na situação, Hanabi e Hinata. Evidente que sua relação com a caçula estava flagelada pela constante influência que o patriarca colocava nela. Como também nem mesmo existia resquícios de ligações com a primogênita. Odiava Hiaishi, sempre o odiaria por ter ameaçado sua vida quando tentara encontrar a mais velha.

 

  Caso não fosse Neji, fatalmente estaria vivendo na miséria, mas quando suas tentativas de encontrar Hinata quase foram descobertas, fora o perolado quem omitiu tudo alegando ser ele quem cuidava da Hyuuga. Hinata nunca soube, nem ao menos fazia idéia do quanto sua mãe tentava, buscava meios, qualquer chance de lhe ajudar ou vê-la novamente. Tudo perdido, quando enfim Hiaishi soube, acabou por lhe dar um ultimato.

 

  " Caso fosse atrás da primogênita, teria que perder qualquer contato com Hanabi, a deixando sozinha e sob os cuidados do pai na mansão Hyuuga "

 

  Entre a cruz e a espada. Fora essa a situação em que ela se encontrou quando isso ocorreu, afinal sendo mãe, como poderia escolher entre uma outra filha? Deixou então sua primogênita sob a tutela de Neji, confiando que o mesmo a guiaria pelo caminho certo. Podendo também cuidar a caçula, afinal deixando a mesma unicamente com o pai, correria riscos de jamais reconhecer o caráter da filha que criou.



     -- Eu te amo tanto. -- Sorriu beijando a testa da Hyuuga que, em silêncio, permanecia escutando as palavras da mãe. Todas as manhãs Hikari repetia esse gesto, quebrando o coração gelado que a garota tentava manter para impressionar o patriarca. No fim das contas, jamais poderia ser a garota ideal que Hiaishi queria, sempre teria um pouco da mãe. -- Meu sonho era ver você e a Hina juntas outra vez.


  Continuou alguns minutos naquela mesma posição. Mesmo que diariamente Hanabi acabasse se tornando aquilo que Hiaishi queria, sabia que no fundo ainda era aquela menina doce que cantava pela mansão e passava horas nas aulas particulares de piano. Gentil, mesmo que mais truculenta que a primogênita. Passou os dedos pelos olhos, estavam vermelhos pela vontade de chorar. Se levantou e rumou até a saída da mansão, se despediu da governanta entrando no automóvel parado frente ao motorista, que rapidamente se dirigiu até o hospital. Passaria o resto desse dia ao lado de Shisui, também como a madrugada.

  Passou o saguão obtendo grandes olhares, mas a ética profissional os impedia de expor aquilo. Saudou Kagami que permanecia sentado na poltrona de cor gelo, até mesmo alertando que o mesmo poderia seguir para sua casa. Deveria estar extremamente exausto por ter ficado tanto tempo sozinho naquele ambiente. Colocou o casaco no encosto do sofá e sentou na cadeira de matal ao lado do Uchiha sonolento. Deslizou os dedos sobre os dele enquanto sorria repleta de lágrimas presas, olhos vermelhos e garganta embargada. Queria tê-lo ao seu lado o mais rápido possível, o carinho, a completude, a segurança.



     -- Nós vamos nos casar, meu amor... não vamos?








     -- Por mais que doa, eu ainda quero ele!
 

 

  Hinata mantinha o olhar sobre a ficha da mulher que, nesse instante, permanecia há alguns metros de onde estava. Obviamente a situação de Samui era delicada, ainda mais pelo fato da mesma quase implorar para que a consulta fosse marcada o mais rápido possível. Era nítido o conflito interno que existia naquele rosto coberto pela frieza de atitudes que ela insistia em transparecer. Respirou fundo dentro daquela sala de clima pesado, o assunto também não era dos mais convencionais, afinal na maioria, pessoas buscavam seu consultório por exaustão conjugal, ou stress pessoal. Muitas empresas de Tokyo designavam trabalhadores para ela, afinal o Japão no todo, se mantinha no topo do ranking de uma mortalidade peculiar ao redor do mundo.


  O termo " Karoshi ", cuja causa era o excesso de trabalho, passou a ser bastante recorrente nos últimos anos, quando então se tornou algo bem corriqueiro em todos os arredores do país. Afinal, o mundo por inteiro apreciava o esforço e brilhantismo dos japoneses em seu trabalho, sua dedicação e tudo o que mantinha o território como a atual terceira maior potência econômica do mundo. Entretanto, o lado mais entristecedor dessa questão acabava sendo pelo fato do país ser tão competitivo e repleto de obrigações desgastantes, tais como a busca exacerbada em atender tanto a cultura quanto a demanda. Operários e assalariados, na maior parte dos casos, cometiam suicídios constantemente, uma vez que acabava soando normal chegar em uma empresa e vislumbrar um homem caído e morto devido ao acúmulo de stress e cobranças impostas diariamente.

  Entretanto, Samui não mantinha a linha de raciocínio lógico de um operário exausto pelo acúmulo de obrigações, nem ao menos um parecer semelhante as pessoas vítimas de traumas comuns que ocorriam nas academias abusivas de estudos. Era acuada, mesmo que mostrasse certa frieza e segurança na aparência, acabava deixando nítida sua destruição interna quando o assunto acabava se mantendo com palavras mais ávidas. Possuindo até, em alguns pontos, características semelhantes a uma vítima que sofre sintomas de " Hikikomori ", outra grande causa de seu consultório estar sempre cheio, afinal esse problema estava se alastrando na sociedade japonesa dos últimos anos e preocupando familiares. Mantinha uma espécie de barreira, como uma lavagem cerebral, onde fora ensinada a se submeter e ser tratada como nada.



     -- E na sua concepção, esse modo de viver. -- O olhar brando da Hyuuga cruzava ao devastado da loira sentada e de cabeça baixa, como de costume. Samui estava ainda pior que na tarde anterior. -- Isso contribui coisas boas em sua vida? Transmite uma sensação de felicidade real? Ou apenas ilusória e solitária?

     -- Doutora, a resposta é óbvia.

     -- Então ela é acompanhada de uma réplica ainda mais óbvia. Se isso te destrói, por que continuar? -- Samui respirou fundo apertando as unhas na carne das coxas. Sentia todo seu corpo ansiar pela dominação, fora acostumada a isso, ensinada a aceitar tudo. Quando Sasuke anulou o acordo, tudo aquilo no qual se apegou fora quebrado, deixando apenas uma vida fadada ao afastamento e reclusão. O amava, amava a maneira como era dele, como aprendeu a se submeter somente ao corpo dele e suas ordens. O mesmo se casou, lhe esqueceu, nem ao menos a procurou novamente.

     -- Eu o amo de todo coração!

     -- O amor não é um precesso unilateral ou coagido, é, acima de tudo, necessária a reciprocidade. Talvez ele não a ame na mesma intensidade e nem possa retribuir o que sente. Isso que criou pode ser apenas o seu medo materializando um meio de satisfazer as próprias necessidades em ser amada...

     -- Nós nascemos um pro outro, ele me ama! -- Samui sorriu descendo os dedos pela barriga lentamente. -- Meu sonho é ter um filho dele. Quando voltarmos a ser um casal, eu serei mamãe, tenho certeza!



  O olhar perolado cobria o belo corpo da mulher. Mantinha leves tremores enquanto os olhos acabavam vidrados no tapete de belas cores, como uma pessoa em abstinência. Respirava com certa dificuldade, como se estivesse sufocada naquele ambiente. Lembrava da sensação magnífica que partilhou ao lado de seu dominador, o amor que sentia toda vez que ele usava seu corpo de maneira bruta ou cuidadosa, cada ordem, cada palavra, cada situação humilhante a qual obedecia sentindo prazer. Todas as sessões longas e prazerosas que seu corpo experimentou naquele quarto escuro onde passavam horas. Sasuke era seu, tinha que ser e independente do que dissessem, sempre seria.

  O celular da Hyuuga brilhou naquela sala enquanto vibrou na mesa de madeira, alertando enfim o final da consulta. Observou a maneira como Samui mordiscava os lábios abaixando a cabeça quando encontrava seus olhos, como se esperasse uma ordem sua para enfim sair pela porta, além de ter nítido medo em manter contato visual. Como um animal adestrado, isso era de certa forma assustador aos olhos perolados e ainda desentendidos sobre a possível causa. Certamente o que ocorreu com ela fora algo forte, durante o horário de consulta manteve a identidade dessa pessoa guardada a sete chaves, mas não escondeu em momento algum sua estranha obsessão em tê-lo, como se fosse unicamente seu.



     -- Nossa consulta se repetirá daqui dois dias. -- Hinata engoliu seco ao olhar o sorriso perdido da loira que deslizava o indicador pela barriga sussurrando certas palavras, subia a unha numa leve carícia pela camisa fina e dava efêmeros sorrisos. Isso acabaria não sendo um problema seu, caso ela continuasse a agir de maneira tão desconexa e suspeita, certamente acabaria sendo mandada a uma clínica se psiquiatria. -- Pense sobre nossa conversa, Samui. Merece um amor recíproco, não um sentimento forjado pelo próprio desespero em ser retribuída.

     -- Hinata-san, posso te chamar assim?

    -- Claro. -- Hinata emitiu um meio sorriso. Estranhou também a forma manhosa como ela falara, talvez fosse impressão sua, mas paraceu ter certo medo ao perguntar.

  -- Ele me ama! Um dia seremos uma família. -- Pontuou levantando e alinhando a saia que usava, realmente não seria difícil para uma mulher como ela arrumar um belo homem que sentisse tudo de igual modo. Mas então, qual seria o motivo por trás de tudo isso? -- Mesmo que demore, ele será só meu, pra sempre.



  Passou o fino casaco pelos ombros, saindo do consultório abaixo do olhar compenetrante da Hyuuga calada, não que fosse algo grandioso, mas essa declaração por parte dela soou bastante possessiva e assustadora. Bateu as folhas na mesa alinhando a ficha da mulher, deixaria tudo cuidadosamente separado, afinal essa questão estava meio intrigante, caso acabasse excedendo seu papel, mandaria imediatamente para a clínica psiquiátrica de Tokyo.

  O horário não era dos melhores, após as consultas, todo o cansaço parecia se formar ainda mais, além é claro da última ter sido bastante melancólica. Talvez Shino estivesse sendo ameaçado no posto de horário mais conturbado. Realmente Samui acabou lhe deixando com certos pensamentos nesse fim de tarde, talvez estivesse sofrendo agressões, ou até mesmo vivendo em um relacionamento abusivo. Contudo, a mesma tratou o assunto com muita restrição de detalhes, certamente deveria manter outras sessões para então poder julgar ou criar expectativas quanto a isso. Além do quê, após as coisas que ela disse no final da sessão, o estado de saúde mental dela também poderia ser bem questionável.

  De fato isso era um novo problema em sua carreira, mas o que parecia ganhar terreno em sua mente a cada minuto era a falta de Sasuke nesse dia, afinal a única consulta que não aconteceu fora justamente a dele, às duas da tarde. Talvez fosse apenas consigo, até porquê Kakashi não lhe mandaria um paciente faltoso, tampouco fazia sentido a preocupação de Sasuke em ter auxílio psicológico enquanto faltava a todas as consultas. Mas se tratando do Uchiha, nada fazia sentido. Shizune havia sido liberada enquanto apenas a Hyuuga permanecera guardando os papéis que felizmente terminara cuidar ao olhar o celular. Fechou as janelas do ambiente e trancou a porta de madeira da sala, observou se todas as coisas estavam em seu devido lugar antes de trancar tudo e cruzar o corredor até o elevador.



     -- Que deselegante, doutora. -- Seus lábios contraíram a medida em que os passos aumentaram atrás de seu corpo, logo que cruzara a saída do grande edifício comercial. O tom rouco e sugestivo saíra o suficiente para que ouvisse, mesmo em meio ao barulho de automóveis na pista molhada. -- Saindo assim de fininho, sem cumprir a tabela de horários. Isso não é muito profissional, ainda mais pra alguém tão centrada. Sabia disso?

     -- Uchiha-san. -- Hinata segurou a alça da bolsa com mais força enquanto ganhou um arquear de sobrancelha do mesmo, mas ainda sorriu com altivez e segurança, olhando o moreno parado e vestido de maneira bastante informal, ainda mais levando em conta que constantemente ele estava usando terno e gravata. Somente uma jaqueta preta e jeans, algo bastante comum para alguém tão preocupado. -- Parado aí há quanto tempo?

     -- O necessário. -- Sasuke disse em um suspiro, voltando o rosto para a Hyuuga plantada rente ao fim da calçada. -- Mas pelo visto esqueceu meu nome.

     -- Não posso ser informal falando com pacientes, que dirá perto do consultório.

     -- Então agora eu sou apenas um paciente? -- Sasuke deu um sorriso carregado de maldade enquanto rumou até a perolada. Hinata engoliu seco escutando aquilo, caso alguém escutasse isso estaria em maus lençóis. O moreno finalmente parou diante do corpo da Hyuuga enquanto manteve o contato visual e deixando evidente a expressão sugestiva. -- Outro caso? Usa o meu corpo quando quer e fica por isso mesmo? Que maldade, dona Hinata.

     -- Quer falar baixo?

-- Podemos conversar a sós? -- Sussurrou olhando aqueles lábios avermelhados, realmente estava tentado a beijá-los naquela calçada, mas sabia da situação dela, tinha uma reputação e um consultório para cuidar. -- Ou pensou que se livraria de mim hoje?


     -- Seu horário estava marcado, duas horas.

     -- Então a senhora me iludiu? -- Elevou o tom propositalmente ganhando um apertar rápido da mesma em sua mão e lábios. Hinata o olhava quase o trucidando enquanto o mesmo sorria de maneira contida. -- Pensei que era um paciente especial.

     -- Quer me matar de vergonha? -- O sussurro da menor era cheio repreensão, mas também acompanhado do rubor que tomava o rosto dela. Largou o moreno olhando para os lados enquanto o mesmo alinhou a jaqueta passando os dedos pela cabeleira negra, ainda com o típico sorriso de canto. -- Que seja, vamos.



  O moreno mordiscou os lábios em contrapartida ao aliviar de ombros por parte da menor, afinal as pessoas estavam começando a olhar, até o porteiro do edifício. Se pôs ao lado do moreno até que o semáforo fechou dando espaço que ambos atravessassem a estrada larga. O automóvel da perolada estava no estacionamento, mas não entendeu o porquê de Sasuke não ter vindo dirigindo, afinal seu carro era extremamente chamativo para não ter achado visualmente.

 

  O que era antes um céu nublado, agora deixava espaço para um fim de tarde escuro e regado a lâmpadas luminosas, todas essas que tomavam as calçadas em postes de ferro grandes. Somente atravessaram duas ruas até chegar em um Café de movimento razoável para o horário, escolheram uma mesa ao fundo enquanto a música francesa na voz feminina soava baixa em todo o ambiente, uma espécie de marca do estabelecimento. Hinata se manteve quieta durante o curto trajeto, estava um tanto pensativa, isso fora notório desde o momento em que ele a viu saindo do edifício totalmente desmazelada quanto ao que se passava. Sentou enquanto colocou a bolsa na lateral da cadeira onde sentara, a estrutura do ambiente era agradável, mesas de madeira cobertas em uma espécie de quiosque, o que era ótimo levando em conta a pouca chuva. Sasuke entrou rapidamente e fez os pedidos, deixando a Hyuuga parada ao lado de fora, enquanto pensava na conversa que tivera ao lado da loira nessa tarde.



     -- Está se sentindo bem? -- Sasuke sentou perto da Hyuuga que olhava um ponto nítido ao se manter perdida em pensamentos. Realmente estava preocupada com a situação de Samui, sabia perfeitamente que esse tipo de trabalho não deveria ser levado para casa, até mesmo seu mentor Hatake Kakashi costumava frisar isso. Entretanto, era de certa forma preocupante, afinal conhecia os extremos casos de " Kodokushi " envolvendo pessoas abandonadas no Japão, moradores que viviam solitários e esquecidos pelos demais. Certo que, no tocante aos números, a maior parcela de vítimas costumavam ter entre trinta e sessenta anos, contudo, uma pessoa jovem abandonada e afetada pela solidão, acabava sendo uma potencial vítima para essa morte no decorrer dos anos. -- O que houve?

     -- Questões do trabalho. -- Hinata retrucou de maneira automática ao se perceber totalmente perdida. Olhava a pouca chuva molhando o asfalto e as calçadas de concreto enquanto percebeu ter toda a atenção de Sasuke sobre si, coisa que prontamente lhe causou certo calor facial. -- Mas então, vamos começar?

     -- Pode começar me contando sobre isso.

     -- O paciente é você. -- Não escondeu o sorriso fraco ao escutar o modo natural em que ele tentou reverter a situação. Sabia que sua relação profissional com Sasuke estava longe de existir, afinal não era apenas um paciente fora do convencional, era, acima de tudo, o homem com quem dormira. Olhou novamente, agora com mais precisão graças a maneira incisiva como ele se colocou mais perto.

 

     -- Não quero falar sobre meus problemas. -- O moreno deslizou os dedos calmamente pela mesa de madeira até tocar sua mão de maneira superficial sobre a dela. O olhar da menor caiu meio segundo e voltou ao dele rapidamente, como se tentasse esconder os próprios movimentos.


     -- Então por que me trouxe aqui?

     -- Queria passar um tempo com você. -- O engasgar escondido tomou a Hyuuga que virou o rosto abruptamente, tentando esconder o rubor e não encarar os olhos dele. Sabia que essa situação não poderia continuar, mesmo que seu corpo reagisse ao dele da maneira mais estranha e passível, ainda era evidente que além de manchar sua reputação, ainda soava canalha por se aproveitar do antigo marido da irmã. -- Hoje, eu sou seu ouvinte.



  Realmente perdera totalmente a coragem, estava decidido a contar a situação para Hinata, falar de uma vez o que passava em sua mente, contar sobre o algoz que retirava seu sono, como também aliviar o próprio peso que tomava seus ombros. Contudo, mesmo não havendo nada existente entre ambos, sentia que ainda não era o momento propício para abranger esse assunto, mesmo que não houvesse algo que de fato o impedisse. Percebeu que a mesma passou os dedos pelos cabelos, gesto que fatalmente o cativava, ver aqueles fios azulados caindo pela camisa era algo tão simples e atraente, coisas naturais que fixavam sua atenção. Manteve a mão ainda perto da dela, aproveitando para então segurar lentamente os finos dedos dela com um olhar compenetrante, seguido do esquentar interno por parte da menor.


     -- Sabe que é antiético.

 

     -- Ninguém precisa saber. -- Hinata sorriu envergonhada por encarar tanto o rosto dele, mas isso soava inevitável, afinal aqueles cabelos negros caindo sobre o rosto branco era o contraste mais atraente que ela poderia admirar. Respirou fundo quando sentiu o mesmo comprimir suas mãos de maneira aconchegante enquanto percebia os olhares sobre ambos, cada pessoa que cruzava a cerca de madeira do estabelecimento acabava os olhando. Certamente, todos deveriam pensar que ela não passava de outro caso, afinal Sasuke, antes de ser motivo de piada, era considerado o homem mais cobiçado de todo Japão. -- Além do quê, até mesmo a melhor psicóloga precisa desabafar.


     -- Uma paciente da qual tratei essa tarde. Eu realmente estou pensativa quanto a isso, ela apresenta sérias características de uma vítima de relacionamentos abusivos. -- Hinata comentou mantendo a atenção no rosto dele, caso não estivesse tão atenta as próprias palavras, acabaria mais envergonhada do que estava.

     -- Isso realmente te preocupou. Está bem abalada.

     -- Bem, além de profissional eu sou uma mulher. Casos de violência doméstica e agressão feminina acabam me afetando, ainda mais por ser uma situação em que não estou acostumada. Passo a maioria do tempo tratando de operários que sofrem acúmulo de stress, ou cônjuges cansados de suas relações, como também jovens que sofrem de isolamento extremo. -- O comentário da menor saiu acompanhado do sorriso tímido que nasceu nos belos lábios do Uchiha, o mesmo que sumiu rapidamente negando ter existido. Não diria abertamente, até porquê era ruim com elogios, mas Hinata era absurdamente linda falando em demasia. -- Sasuke?

     -- Quem é? -- Balançou a cabeça de maneira quase impercetível quando se pegou olhando demais aqueles lábios rubros, era quase que hipnotizante vê-los se mexendo quando a mesma falava.

     -- Sabe que não posso falar.

     -- Tem razão. Mas sobre esse assunto, tenho certeza que sabe disso mas é sempre bom ressaltar. Você pode ajudar até onde ela permitir, não precisa se preocupar mais que o necessário quanto ao assunto, até porque, caso não consiga ajudar, isso pode acabar pesando na sua consciência. Mas se não puder mudar isso, a culpa não é sua. -- Sorriu tentando passar certa calma para ela, mas ainda pensativo quanto a própria situação. Conseguia ver pelos olhares de cada pessoa que cruzava a entrada, era nítida a percepção que deveriam ter os vendo juntos. Contudo, guardando esse segredo profundo, sabia perfeitamente que nem perto disso chegaria.

     -- Sempre é bom lembrar disso, arigatô.



  O sorriso abriu quase que de maneira iminente ao escutar aquilo, afinal conhecia a reputação dos Uchiha, como também certos trejeitos de Sasuke nesse pouco tempo. Dificilmente agiam com naturalidade, ou qualquer espécie de compaixão. Sentiu sua mão sendo contornada pela dele enquanto o aproximar daquele rosto sobre o seu causou quentura. Suas pernas entravam em contato com as dele sentindo aos poucos o roçar do jeans em sua meia calça, olhou novamente para o rosto dele enquanto a vermelhidão facial crescia. Talvez fosse realmente sua culpa aquele deslize de outra noite, tudo o que decorreu disso era parcela de seu erro.

  Mas realmente se arrependia?

  Olhou brevemente seus dedos entre os dele enquanto o rosto do moreno cobriu o seu, era viciante, talvez o fator de culpa correndo em sua veia também ajudasse a sensação de impunidade e proibição. Sasuke apenas parou o rosto próximo ao seu enquanto seus olhos praticamente fechavam contra a própria vontade, cada lembrança do sabor que aqueles lábios possuíam era uma queda absurda, tinha de manter o foco, sua reputação, a carreira que tanto batalhou para conquistar. Caso um envolvimento com Sasuke acabasse vindo à tona, tudo o que ganhou seria lançado ao ralo.



     -- Não posso... -- O sussurro indeciso partira dos lábios da menor que ainda se manteve parada com o olhar dele a centímetros do seu. O vento daquele fim de tarde cobria sua face mas não amenizava em nada a febre que era ter aqueles lábios tão próximos. -- Desculpe, não posso.

     -- Não pode, ou não quer? -- Deslizou os dedos pela lateral do rosto dela enquanto a mesma abaixou o olhar perolado tentando encarar a madeira da mesa, mesmo que não houvesse nada de interessante naquilo. -- Se disser que não quer, eu entenderei.

     -- Eu... eu não... não posso.

 

     -- Hinata, precisa ser mais convincente... porque... -- Sussurrou correndo os dedos até as pernas cobertas pela meia calça fina, região que sobressaía pela saia lápis que a mesma usava. Tocou o nariz na bochecha da menor percebendo o arrepio que a tomava, coisa agradável visualmente, ainda mais ao descer as mãos pelo pescoço branco e afastando aquela gola de camisa, se deparando então com as várias marcas que deixou na região. -- Porque não parece nada segura. Ou está mentindo?


     -- Men... Mentindo?

     -- Você pode fazer isso, só está com medo. -- Sua mão subia calmamente pelas pernas da menor sentindo o leve espasmo que a mesma relevou quando sua mão subiu até o fecho dourado da saia, apenas um toque sugestivo e carregado do sorriso sacana que ele dera rente aos seus lábios. -- Tem medo de gostar, não é?

 

     -- Não é verdade!


     -- Então mostra que eu to errado, doutora.


  Imediatamente o peito da menor desalinhou pelos batimentos tão rápidos, estava quente, suas pernas sentiam as mãos dele de maneira contida, mas estranhamente agradável. Palavras fugiam de sua cabeça devido o cansaço dessa tarde, como também essa proximidade cruel e provocante que era mantida entre seus lábios e os dele. Por um segundo, todas as memórias daquela noite inundaram sua mente, estando com o corpo dele sobre o seu e observando aqueles olhos indecifráveis, acompanhados do calor que os faziam se derreter naquele quarto. Estremeceu lembrando também de onde estava, a excitação que era ter Sasuke diante de seu corpo e visivelmente desejoso por toques e carícias, carentes dos lábios um do outro.

  O aperto em sua coxa causou certo arrepio, acompanhado da iminente busca dos dedos finos da menor pela gola da jaqueta que cobria o corpo do moreno. Todo o restante daquela pouca distância fora suprida enquanto Hinata, parada e vermelha, apenas olhou o rosto provocante do moreno, culminando então no selar calmo que Sasuke causou ao contornar sua mão pela cintura da menor. Pressionou os dedos causando um gemido quando desalinhou a camisa sedosa a tirando de dentro da saia, para então agarrar a pele gélida da menor nessa tarde. O corpo da Hyuuga tremia automaticamente mediante aos toques castos que desciam sua saia até subir suas costas, coberto ainda pelo sabor dos lábios quentes espremendo os seus, tremia até mesmo por lembrar que estava encostando seus lábios nos dele. Suas mãos subiam a gola da jaquela empurrando a mesma para afundar a unha na nuca dele, contornava o pescoço e destilava os fios negros entre os dedos.

 

  Os gemidos soavam baixos e cáusticos pelos lábios da menor, como também suas pálpebras tremulavam ao afundar outra vez sua língua na boca quente, os sons úmidos supriam o silêncio antes ocupado pela música baixa, a saliva que se misturava a sua com o sabor arrebatador que arrepiava cada poro ao longo de seu corpo. O fôlego acabava faltando enquanto afastavam os lábios meio segundo, ainda viciados com a repetição constante dos movimentos e trocas labiais. Lembrava de tudo, o suor, o calor, o corpo dele sobre o seu, os gemidos roucos em seu ouvido enquanto sentia a penetração quente que preenchia seu interior, as ordens que ele dava em seu ouvindo ao distribuir os lábios molhados por seu dorso, costas, pernas, sua intimidade.


  Hinata segurou o gemido na garganta quando os dedos dele subiram vagarosamente suas costas, a firmeza da pressão em sua carne descendo lentamente até agarrar seus cabelos azulados em meio aos beijos. Arqueou rapidamente as costas enquanto sentia o braço dele cruzar toda sua camisa que ficara mais apertada contra os seios, agora suprimidos contra o corpo que esfregava e desalinhava toda sua camisa a amarrotando. Sasuke deslizava sofregamente a mão pela perna da menor, ora apertando em meio a pressão, ora apenas deixando carícias, causando o aperto de pernas da mesma como resposta, queria amenizar a carga tensa que cruzava suas coxas chegando a intimidade. Causava quentura, esquentava a região interna das coxas causando arrepio, despertando a intimidade que aflorava aos poucos.


     -- Ér... boa noite. -- No instante em que a voz doce da atendente cortou os sons úmidos, Hinata e Sasuke se afastaram de maneira rápida até extremidades de cada lateral, lembrando naquele instante que estavam em público. -- Desculpe, o pedido de vocês está aqui.

 

     -- Obrigado. -- Sasuke emitiu um sorriso constrangido enquanto Hinata mantinha a coloração facial igual a de um tomate. O olhar da atendente era fixo sobre o moreno, mesmo por lembrar de quem se tratava, como também pela beleza inegável que ele possuía, ganhando apenas o gesto da perolada em limpar a garganta. Saiu da frente de ambos quase que correndo, Sasuke quase não escondia o sorriso vendo a Hyuuga tentar a todo custo arrumar as roupas.


     -- Jamais voltarei aqui. -- Hinata sussurrou ruborizada e arrumando a meia calça e a saia, toda sua roupa estava desalinhada, como também sua mente uma bagunça por ter se deixado levar naquele Café.

 

     -- Precisa se acalmar. -- O moreno sorriu retirando a embalagem do canudo o colocando no copo de vidro frente ao seu corpo, optou por sua costumeira escolha de bebiba fria, mista a chocolate amargo e cafeína. -- Quer dizer, é bem provável que agora perca sua reputação e afins, mas nada demais. Imagina o alvoroço quando descobrirem que uma psicóloga reconhecida nacionalmente vem se aproveitando de um pobre paciente indefeso.


     -- Seu idiota. -- Sussurrou não conseguindo disfarçar o sorriso bobo, mesmo que soubesse sobre isso ser verdade. Pegou o copo de café enquanto percebia constantemente a moça olhando sua mesa pelos vidros do estabelecimento. Em sua cabeça corria uma única coisa, para Sasuke seria fácil ser visto em mais um caso, afinal, além da sociedade japonesa ser bastante machista, também existia o fato do mesmo ser um grande conquistador na horas vagas. Certamente, caso um envolvimento saísse na mídia, o milionário despreocupado não teria de dar satisfações a ninguém, diferente da psicóloga que fatalmente seria hostilizada. -- Vamos comer de uma vez, tenho uma reunião essa noite.

 

     -- Vamos fazer o seguinte. Você come agora, depois eu como outra coisa mais gostosa. -- O comentário debochado seguido do aperto em sua perna quase culminou na queda daquela cadeira acolchoada. Quase engasgara com o café aos lábios, ganhando então a risada maldosa do moreno que bebericou sua bebida. -- O quê Soou muito vulgar?


     -- Para de falar essas coisas!

     -- Não reclamou quando eu...

     -- Sasuke-kun!

 

 

  Tapou a boca do moreno sentindo a carícia labial que o mesmo causou em sua carne, sorrindo debochado e passando a mão por sua cintura. Ruborizou tendo o braço do mesmo envolvendo seu dorso enquanto comia, constrangedor, mas ao mesmo tempo passava certa segurança e sensação de calma. Não sabia perfeitamente o que existia com ele, mas era óbvio que uma relação depaciente e doutora estava longe de ser com tantos toques. Talvez Sasuke quisesse estampar outra conquista amorosa, ou apenas extravasar a angústia que seu casamento sofreu. Certamente jamais o perdoaria caso fosse qualquer uma dessas alternativas, mesmo sabendo que não eram um casal, que ele não possuía obrigações sentimentais consigo.


  Contudo, esse fim de tarde não poderia ser mais agradável. Olhava a pouca chuva banhando as calçadas, as colorações engraçadas de guarda-chuvas pelas ruas, os prédios escorrendo água como as árvores balançando bastante pelos ventos rápidos e congelantes. O barulho calmo da música francesa seguida da entrada corriqueira de mais clientes naquela região. Se mantiveram em silêncio alguns minutos, ela pensando no que existia ali, ele pensando nela e em como reagiria caso soubesse do que tinha a contar.


     -- Mas então, paciente. -- O silêncio rápido fora cortado pela voz da menor, que era até mesmo sentida corporalmente por estarem tão perto e praticamente agarrados naquela mesa. O moreno sorriu com o tom usado por ela. Namorados? Somente amigos? Talvez tudo, talvez nada. Não era nada que pudesse ser nomeado até então, apenas um envolvimento sexual seguido de uma estranha calmaria e aconchego que sentiam estando juntos. Tanto ela, que mesmo se enganando ainda sentia a sensação agradável, quanto ele, que gostaria apenas de mais um dia calmo em meio a sua diária e habitual batalha de pensamentos e lembranças. -- Como foi seu dia?

     -- Nada fora do normal, Madara passou a maior parte da manhã descontando a raiva em cada um. Em compensação, acabou liberando todos mais cedo, a criatura estava bem atacada.

     -- Não deve ter feito as coisas direito.

 

     -- Gosta de me provocar. -- Sentiu o aperto gostoso na cintura enquanto o mesmo mordiscou seu pescoço. Estava quase arfando, era tão injusto que o ambiente fosse uma cafeteria pública, ainda pior estando situada na avenida mais movimentada que se deparava a um grande engarrafamento. Caso fosse um estacionamento vazio e escuro, estariam praticamente sem roupas nesse momento. -- Mas é o que acontece quando se trabalha pro ser humano mais bipolar que existe.


     -- Eu sei, eu tento ser psicológica de um igual.

     -- Muito engraçado. -- Comentou vendo a mesma comer. -- Sabe o que é ainda mais?

     -- O quê?

     -- Não estou dirigindo e você vai me dar carona nesse engarrafamento, doutora.

 








 

    

  O barulho da chuva se fizera mais evidente nas últimas horas. Os passos secos soavam naquela escadaria de incêndio escura, mesmo que tendo um elevador que o permitisse ser mais rápido. Queria pensar, deixar aquele sorriso estúpido ao menos sair de seu rosto, afinal não era assim, mesmo sendo amigável, nunca fora de manter a feição transparente para as demais pessoas. Contudo, fora difícil não cruzar com qualquer pessoa ao longo do caminho e deixar de esboçar sua bela arcada sob a água gelada do céu.


  Segurava a jaqueta molhada entre os dedos sabendo que Hinata acabaria o matando na próxima vez em que o visse, afinal por sua culpa ela estava atrasada para a reunião que teria. Acabaram pegando um engarrafamento bastante demorado, certamente a perolada estaria ainda saindo da avenida. Subiu as escadas restantes e fechou a porta pesada de aço, se deparando então com o andar silencioso, costumeiro daquele edifício residencial. Luzes gradativas acendiam quando a sensação de presença se fazia evidente, iluminando então o restante do corredor.

 

  Puxou as chaves dos bolsos da calça molhada enquanto as rodou entre os dedos dando passos calmos, nesses momentos ele acabava se arrependendo de morar no último apartamento do andar. Talvez fosse aconselhável passar no outro, cuja utilidade era guardada a sete chaves, mas não teria muitos problemas deixando para vê-lo outro dia, estava trancado e ninguém entraria intentando roubar seus utensílios de domesticação. Olhou enfim a madeira envernizada de sua porta quando a última lâmpada do corredor se acendeu. Seus pés esbarraram em algo enquanto quase caíra segurando as mãos na maçaneta de aço, deixando a chave cair ao chão pelo susto. Seus olhos caíram, piso manchado a lama e molhado, o corpo machucado que, ainda acordado, deixava rastros de cansaço e parecia beirar ao desmaio.



            -- O que...


-- Sasu... Sasuke-kun... -- Seus olhos cobriram o corpo da mulher caída aos seus pés, sempre atraente como de costume, mas aparentando ter se machucado por estar tão suja e molhada. Terumi Mei, mulher de Madara, a mais bela e cobiçada madame de toda Tokyo, caída e agora desmaiada ao chão de seu corredor frio.


Notas Finais


Bom, durante o capítulo de hoje eu usei três tremos oriundos da Terra do Sol nascente, nosso querido Japão. Os japoneses tem o hábito de nomear certas causas em seu meio, não diferente de cada país no fim das contas. Enfim, resolvi deixar tudo escrito aqui, caso algumas pessoas tenham interesse no significado e descrição.

Também usei um termo de origem ocidental, " Síndrome de Estocolmo ", esse acaba sendo mais conhecido entre nós por acabar sendo mais recorrente em estórias e afins. Contudo, achei conveniente partilhar o conceito, para então acabar com dúvidas e esclarecer pessoas que ainda não conhecem o termo.



*Síndrome de Estocolmo = " Síndrome de Estocolmo é o nome normalmente dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor. "


*Kodokushi = " Kodokushi ou morte solitária, refere-se a um fenômeno cada vez mais recorrente no Japão de pessoas que morrem sozinhas e permanecem sem serem descobertas por um longo período de tempo. Isso decorre graças a um fator cultural, oriundo da maneira como certas pessoas vivem, pois em todo o Japão as pessoas abominam o hábito de incomodar seus parentes ou iguais. Sendo assim, acabam vivendo solitários e até mesmo descuidados, acabando por um trágico fim de silêncio e solidão. "


*Karoshi = " Karoshi, que pode ser traduzido literalmente do japonês como morte por excesso de trabalho, é a morte súbita ocupacional. Embora esta categoria seja abrangente, o Japão é um dos poucos países que relatam estes casos nas estatísticas em uma categoria separada, cada vez mais elevada no decorrer dos anos. As principais causas médicas das mortes pelo karoshi são: Ataque do coração e derrame devido a estresse. "


*Hikikomori = " Hikikomori é um termo de origem japonesa que designa um comportamento de extremo isolamento doméstico. Os hikikomori são pessoas geralmente jovens, entre quinze a trinta e nove anos, que se retiram completamente da sociedade, de modo a evitar o contato com outras pessoas. "



Gostaram do capítulo? O que acham que vai rolar hein?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...