História Termos Cruéis - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Saint Seiya
Personagens Albafica de Peixes, Manigold de Câncer
Tags Albafica, Cavaleiros Do Zodiaco, Manigold, The Lost Canvas
Visualizações 175
Palavras 1.937
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Luta, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello!
Ultimamente tenho me concentrado mais em fazer fics envolvendo os bias do K-Pop, então essa é a primeira do gênero que eu posto por aqui :
Espero que gostem.

Capítulo 1 - Xxx Capítulo Único xxx


Sentado na escadaria que levava ao Coliseu de treinamento, Albafica de Peixes observava os outros Cavaleiros de Ouro treinando, o rosto em sua costumeira expressão estoica que não dava qualquer pista do que passava por detrás daqueles olhos azuis.

Notava como Kardia parecia se divertir aquela manhã lançando suas agulhas a esmo contra Dohko, que tentava conter os ataques a tempo e lançar seu golpe principal, Cólera dos Cem Dragões, contra seu adversário. Regulus parecia estar ansioso para que o duelo entre ambos os Cavaleiros terminasse e ele pudesse desafiar o escorpiano a uma luta e supera-lo em suas técnicas.

Albafica nunca poderia fazer parte daquilo sendo o Cavaleiro de Peixes, havia o infortúnio do seu sangue venenoso e que um pequeno ferimento ocasionado por um treinamento inocente seria capaz de pôr todos em risco de morte; além de que seus golpes eram voltados em sua maioria a infectar seu inimigo com o poderoso veneno que corria em suas veias ou que havia em suas rosas malditas.

O preço de ser um Cavaleiro era alto demais para um Santo de Peixes, a enormidade da solidão por ser privado de interações ou proximidade humana para que não acabasse colocando a outrem em risco, nunca se permitindo ser próximo o bastante de qualquer outro para que não se esquecesse do perigo que era ou que a pessoa em questão ignorasse que até seu aroma levemente adocicado podia ser perigoso.

Não, Albafica não podia entrar em uma roda de conversas como a maioria deles se encontrava; rir das tolices proferidas por Kardia e Dohko, criar vínculos com os seus companheiros de armas. Albafica sempre seria uma sombra distante, um observador das interações humanas a sua volta sem nunca poder se aproximar verdadeiramente de alguém. O pisciano trocava palavras com os outros Cavaleiros apenas quando precisava passar por suas casas, e sendo o guardião da última delas, tinha que passar por todas antes de alcançar a sua ou deixar o Santuário para uma missão. Talvez a pessoa por quem fosse mais próxima dos Santos de Ouro fosse Shion de Áries, mesmo que não fossem amigos.

Também havia as raras vezes em que o Mestre Sage ordenava-lhe que fosse a missões sob a companhia de alguns dos outros Cavaleiros, quando cosmo energias suspeitas eram detectadas e houvesse a possibilidade de alguma atividade maligna dos espectros estarem sendo cometidas; oportunidades onde era obrigado a trocar mais que algumas palavras com outros dos Santos e perceber que não possuía talento para conversar.

– Tentando ganhar o prêmio de mais antissocial do Santuário, Albafica? – Inqueriu uma voz rouca e irônica particularmente familiar que fez seu coração se apertar. – Esse ano eu tenho certeza que consegue, já que Dégel está fora da corrida pelo ouro.

Albafica voltou seus belos olhos azuis, tão sólidos e inescrutáveis quanto sempre, para o rapaz de cabelos azuis escuros curtos e arrepiados, que se sentou ao seu lado a uma distância perigosa demais para o bem do canceriano, em seus lábios jazia aquele sorriso sardônico habitual que exibia os dentes brancos e fazia seu coração bater descompassado.

Desde uma missão que tiveram que ir juntos para combater os Santos Negros, Manigold vinha acreditando que o fato de terem conversado um pouco lhe dava a permissão para importunar Albafica sempre que desejasse, mesmo que na maior parte do tempo tudo que o pisciano fizesse fosse o olhar com uma expressão neutra e ordenar que saísse de sua casa antes que encontrasse a morte por envenenamento que ele parecia buscar.

– Já disse para não ficar tão próximo de mim, Manigold – lembrou-lhe em um tom suave e repreensivo, voltando sua atenção para o treinamento enquanto arrastava seu corpo para longe do outro, impondo uma distância de mais ou menos um metro e meio. – Não quero ter que pedir desculpas ao mestre pela sua eventual morte só porque você é inconsequente demais para entender o perigo.

Manigold abanou a mão com descaso.

– Não seja tão preocupado! Não sou assim tão sensível, Alba.

Albafica voltou seu rosto para o rapaz e ergueu uma sobrancelha para aquele apelido particularmente ridículo que Manigold o colocara, mas este apenas abriu um sorriso que era tanto de divertimento quanto de ironia e fez os seus olhos brilharem como joias. 

Mesmo que a expressão de Albafica não tivesse se alterado, o Cavaleiro de Peixes sentiu um leve gelar em seu estômago com aquela bela imagem de seu companheiro de armas, e essas sensações inapropriadas andavam se tornando cada vez mais frequentes a cada ocasião que era exposto a sua presença.

Algo mudou em seu interior desde que tivera que passar tanto tempo na companhia de Manigold naquela missão contra os Santos Negros, um sentimento de insatisfação começou a incomoda-lo; algo que Albafica não queria analisar com profundidade, mas que ainda assim lhe trazia um gosto ruim à boca com a realidade amarga de sua existência – embora gostasse daquele ser implicante, o pisciano nunca poderia ser mais do que um conhecido para o italiano, não podia criar qualquer vínculo que fosse deixar Manigold ainda mais despreocupado do que já era com o veneno poderoso que corria em suas veias. 

Antes que qualquer pensamento indevido viesse a passar por sua cabeça envolvendo o canceriano, desviou seus olhos para o treinamento dos outros Cavaleiros, onde Aldebaran se divertia de braços cruzados com o comentário de Regulus sobre o treino de El Cid e seus pupilos.

– Talvez você se preocupe quando vomitar o próprio sangue – foi o que Albafica respondeu.

– Você não está ferido, então não é necessária tanta precaução, Alba. Você tem que aprender a relaxar mais, tanto estresse desnecessário vai trazer rugas pra esse seu rostinho bonito.

A testa de Albafica se franziu em insatisfação ao comentário do outro, ele trazendo seu olhar de volta para o implicante ao seu lado, que ainda detinha em seus orbes aquele brilho ardente de humor como se o mundo fosse o seu parque de diversões. Manigold não aparentava temer a nada e a ninguém, parecia ver o mundo como uma piada interminável e como se tudo fosse motivo de chacota. Tentou ignorar aquela estranha dor no peito que sentia toda vez que o olhava daquela maneira analítica, não querendo pensar muito sobre ela.

Era inconveniente para o Cavaleiro de Peixes que não conseguisse simplesmente olhar para o canceriano da mesma maneira que via os outros, no mínimo da mesma forma que via Shion. 

– Só porque você é inconsequente não quer dizer que eu também deva ser, Manigold – retrucou.

Os lábios de Manigold se esticaram em um sorriso matreiro, e ele se inclinou entre o espaço que os separavam como se fosse lhe segredar alguma informação de extrema importância. 

– Você tem o poder de me fazer desejar ainda mais a inconsequência – e lambeu o lábio inferior de maneira lenta e desavergonhada.

Albafica sentiu o rubor começar a colorir suas bochechas claras com aquele flerte óbvio, enquanto os olhos de Manigold se mantinham sustentando os seus, perfurando-os como nenhum outro foi capaz de fazer.

Era estranho para o pisciano como aqueles olhos que detinham um ardente brilho tóxico podiam ser expressivos, dizendo-lhe cada mínima má-intenção que tinha para com o guardião da décima segunda casa, e isso deixou o pisciano ainda mais desestabilizado com a situação inesperada em que se encontrava.

Albafica nunca poderia imaginar que o canceriano o desejasse daquela maneira. Que o desejasse daquela maneira tão semelhante a que ele o desejava, mas que se impedia de pensar a respeito. Daquela maneira inadequada e errada, mas mesmo assim tão provocante; e a descoberta fez uma comichão ardente subir por seu ventre e ir direto para a sua barriga – Manigold estava sempre despertando sensações novas e isso realmente incomodava Albafica. 

Seu coração batia descompassado, o rosto impecável do Cavaleiro de Peixes evidenciando sua surpresa e enrubescendo mais a cada minuto enquanto lia cada uma das intenções pervertidas de Manigold brilhando em seus olhos como um fogo que foi capaz de aquecer a pele do pisciano.

Um desejo completamente inusitado de ser inconsequente surgiu em Albafica, de simplesmente diminuir a distância entre eles e deixar que o canceriano realizasse cada uma das coisas que seus olhos lhe diziam, de permitir que Manigold o conhecesse como nunca permitiu que ninguém conhecesse. Mais do que o seu mestre jamais saberia.

Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas as palavras se atropelaram em sua mente e tudo que fez foi piscar e piscar, deixando que sua respiração falha escapasse pelo espaço entre seus lábios rosados. Não sabia exatamente o que estava planejando dizer, talvez dar aquela autorização que nunca deu a ninguém para que Manigold se aproximasse, ou talvez dizer ao italiano que ele também lhe causava o mesmo anseio pela inconsequência.

Seu coração bateu mais forte...

Um coração que bombeava um sangue venenoso que o mataria em instantes.

Todas as sensações anteriores foram substituídas por um sentimento amargo que lhe tomou por inteiro, fazendo o rosto antes surpreso e afogueado de Albafica empalidecer e metamorfosear para uma seriedade severa; os orbes azuis que antes possuíam um inédito brilho líquido e fitavam os de Manigold com certa admiração chocada, de repente endureceram.

Ele levou seu olhar para longe, novamente consciente do lugar em que se encontravam, e fez com que seu cabelo azul escondesse suas feições e bloqueasse a imagem do outro Cavaleiro.

– Pois devia aprender a controlar melhor seus impulsos, Manigold – respondeu depois de um tempo, a voz melódica coberta de apatia.

Albafica se pôs de pé e se afastou do canceriano, sentindo uma mescla de amargura e irritação com os termos cruéis que acompanhavam aquela posição prestigiada de Santo de Ouro de Peixes. Aquele era um dos momentos raros em que o rapaz de cabelos azuis cerúleos amaldiçoava seu sangue tóxico, mesmo sabendo que não devia fazê-lo.

Não importava que Manigold correspondesse a seus sentimentos tão ferozmente quanto os dele, que os mesmos o consumissem tão intensamente quanto consumia o pisciano naquele instante; Albafica nunca seria capaz de tocar algo além de suas rosas.

Perguntou-se com certa exasperação o motivo do fardo ser maior para um Cavaleiro de Peixes. Oh, não, ele não se arrependia de maneira alguma de ter escolhido aquela vida, seu caminho sempre fora muito claro apesar dos infortúnios, e servir Atena sempre seria uma causa muito mais importante do que qualquer outra coisa no mundo; mesmo com os sacrifícios que, como Cavaleiro de Ouro e guardião da décima segunda casa do Santuário, ele deveria oferecer.

Não era segredo para ninguém que Kardia e Dégel tinham um relacionamento, estava claro que eles sequer tentavam esconder que estavam apaixonados, só de vê-los treinando na outra extremidade do Coliseu dava para notar o frisson entre eles. Os sorrisos suaves que o Santo de Aquário direcionava a Kardia e os olhares calorosos que o Santo de Escorpião lançava para Dégel, deixando-o por diversas vezes corado.

Relacionamento, tanto romântico quanto amigável, é algo que um Cavaleiro de Peixes nunca poderá ter. Não com tamanho obstáculo correndo por suas veias e exalando através de sua pele, não quando o menor descuido pode levar um alguém inocente direto para as terras de Hades sem qualquer intenção.

Suspirou baixo com resignação quanto ao caminho que escolhera trilhar, sabendo que no final de tudo, sendo um Cavaleiro, era realmente melhor desta maneira levando as grandes chances de morte que a vida como um guerreiro tão estimado trazia.

E embora Manigold não compreendesse por ser tão inconsequente e que uma parte de si desejava o ser, manteria-se firme. Ao menos o quanto sua tenacidade conseguisse, pois Albafica sabia que tal persistência não duraria tanto tempo com um canceriano tão teimoso e irresistível o perseguindo.

 


Notas Finais


Pois é, tentem não me matar porque sou uma pessoa maravilhosa, encantadora e muito amigável 'u'
Espero que tenham gostado da fic, apesar da bad e tal, e que me perdoem se ficou uma bosta xD
Até a próxima o/


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