História Terra e Mar, o Pacto - Capítulo 29


Escrita por: ~

Postado
Categorias Saint Seiya
Personagens Afrodite de Peixes, Aiolia de Leão, Aioros de Sagitário, Aldebaran de Touro, Camus de Aquário, Hyoga de Cisne, Ikki de Fênix, Mascára da Morte de Câncer, Miro de Escorpião, Mu de Áries, Personagens Originais, Poseidon, Saga de Gêmeos, Saori Kido (Athena), Seiya de Pégaso, Shaka de Virgem, Shion de Áries, Shura de Capricórnio
Tags Atena, Cavaleiros De Ouro, Marinas, Poseidon
Exibições 39
Palavras 6.915
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olaaaaa leitores...
Depois de quase um século sumida, aqui estou eu novamente,
Peço desculpa por demorar tanto a postar mas realmente estava sem tempo. Agora que tenho mais algum livre, tentarei ser mais assídua nas pastagens, ainda assim não prometo nada.
Enfim, não vos prendo mais. Boa leitura

Capítulo 29 - Infortúnios


Fanfic / Fanfiction Terra e Mar, o Pacto - Capítulo 29 - Infortúnios

                A noite ainda escondia as terras de Esparta do sol, quando Ícaro finalmente decidiu voltar as instalações do seu batalhão. Caminhava calmo e sereno, completamente perdido na sua cabeça, apos aquele encontro um tanto traumatizante com Hécate. Jamais imaginária que as palavras conseguiam ferir mais do que uma arma, tendo vontade de arrancar as suas entranhas devido ao vazio que sentia.

- “Apenas queria sentir. Sentir o teu brilho na minha pele e deixa-lo aquecer um pouco o meu coração.” – Os olhos do tigre fecham-se enquanto caminhava, deixando que aquelas simples palavras inundassem a sua mente, como se tivessem sido trazidas pela brisa, que ligeiramente passava no seu cabelo.

- Ícaro!! – Uma voz rouca e altiva arranca o tigre dos seus pensamentos.

                Ao escuta-lo, respirou fundo e fechou os olhos, procurando alguma paciência para uma conversa. Como se nada tivesse acontecido, o tigre coloca o seu costumeiro sorriso psicopata e volta-se para o dono daquela voz, que certamente, infernizaria a sua vida por alguns minutos.

- Vossa divindade… - Assim que se volta, Ícaro faz uma leve reverência a Ares, não podendo deixar de enfatizar todo o seu sarcasmo. – Em que lhe posso ser útil?

- Deixa-te de sarcasmos, Ícaro… - Rispidamente, o deus responde e aproxima-se dele. – Ambos sabemos que a ultima coisa que querias era ser incomodado por mim!

- Como pode ser tão insensível, meu senhor? – O tigre abre os braços, mostrando indignação por causa das palavras que acabara de ouvir, contudo o sorriso matreiro e sarcástico permanecia em seu rosto. – Assim fere os meus sentimentos… Eu dava a minha vida por si!

- E desde quando tens sentimentos, Ícaro? – O deus simplesmente arqueou a sobrancelha enquanto o fitava, recebendo um sorriso de canto de Ícaro como resposta a sua pergunta. Não pode deixar de reparar no corte fundo na mão do tigre, o qual lhe suscitou algum interesse. – O que aconteceu com a tua mão?

- Refere-se a isto? – Ele mostra a mão, tentando passar um semblante descontraído, porém o seu sangue gelou ao ser interrogado sobre aquele corte, que fizera em homenagem a senhora dos seus pensamentos. – Estive a brincar por aí…

                O deus olhou um tanto desconfiado para ele, porém o sorriso malicioso que Ícaro usara ao dizer aquilo, fez o deus acreditar naquelas palavras, pois sabia bem o que elas significavam, mesmo que desta vez não dissessem a verdade. Aquele seu soldado podia ser louco, mas em todos batalhões era dos poucos que nunca lhe havia mentido, portanto não havia do que desconfiar agora, mesmo que toda a história da ressurreição dos berserkers ainda suscitasse alguma curiosidade. 

- Certo! Só espero que não comeces a deixar uma trilha de corpos por aí. – O Deus adverte-o. – A última coisa que quero é ter problemas com os povos que habitam neste lugar…

- Oui chefinho… Pode ficar tranquilo.

- Sei. – Ainda a olha-lo de canto, Ares volta a caminhar, passando pelo tigre que se mantinha de cabeça erguida, enquanto sorria como um verdadeiro louco. – Informo-te que amanha almoçarás comigo no palácio. Tenta não te atrasar, há umas coisas que preciso falar contigo.

- Fique descansado, vossa divindade. Não falharei o almoço… - o russo engoliu em seco ao ser intimado daquela forma pelo próprio Ares, contudo respirou aliviado quando este desapareceu nas sombras, seguindo também ele o seu caminho até casa.

oooooooooooOOoooooooooo

Santuário de Athena – 6h da manhã

                Os primeiros raios de sol começavam a iluminar as belas praias aos pés do santuário, mostrando o solitário Kanon completamente perdido em sua mente, enquanto preparava um barco. Este tinha como missão, reunir o restante exército marina, disperso por Atlântida e trazê-los para ali, onde seriam mais uteis.

- Bom dia, alegria… - A voz alegre de Miranda, retira o general dos seus devaneios.

- B-bom dia… - Surpreso por ver aquela marina ali, ergue uma sobrancelha. – Hmm pelo que estou a ver, és tu quem vai comigo…

                Um certo tom de desânimo, na voz de Kanon, foi sentido por Miranda que não pode conter um certo sorriso malicioso. O convivo com Chanter havia feito florescer nele um certo carinho por ela, que consequentemente havia gerado uma certa esperança de que tivesse sido ela a escolhida para o acompanhar. Contudo, quem se apresentava diante dele era a soldado de Manta Raia e não a capitã de Leviatã, o que originou uma certa revolta em seu ímpeto.

                Por seu lado, a ruiva apenas analisava-o, achando graça a tudo aquilo. Já não conseguia mais ouvir o nome “Kanon”, pelo simples facto de que Chanter não parava de falar dele, desde que ele a ajudara a preparar o julgamento.

- Fica tranquilo!! Vai ter uma pessoa bem mais chata que eu para alegrar a sua viagem a Atlântida. – Despreocupadamente, Miranda abre os braços e encolhe os ombros. – Uma pessoa que para não variar está atrasada. Aquela precisa de pedir autorização a uma perna para mexer a outra…

- Espero bem que essa pessoa, a qual te referes, não seja eu… - Chanter finalmente aparece, mostrando-se insatisfeita pelo comentário da amiga, principalmente em frente ao Kanon.

- Bom dia também para ti, cara colega… - A ruiva não consegue conter o riso, perante a cara amiga, que mais parecia fulmina-la com o olhar.

- Vamos Kanon? Creio que já estamos a ficar atrasados… - Ignorando Miranda, Chanter sobe para o barco, sorrindo para o general.

- Bem, então tenham boa viagem sim? Tragam lembranças… Ahahahah. – A ruiva não pode deixar a piada escapar e logo dá costas, continuando a sua corrida matinal pela costa.

                O barco logo zarpou, comandado por Chanter que colocou um copo com café ao seu lado, para a ajudar a despertar mais depressa. Despreocupadamente, Kanon vai ate a parte traseira do barco, onde se deita a descansar um pouco, olhando o céu que apresentava algumas nuvens escuras.

oooooooooooooOOoooooooooooo

Santuário de Athena – 7h da manhã

                Ainda meio a dormir, Milo caminhava atrás de Camus para a floresta. Este havia-o arrancado da cama para um treino matinal.

- Porque não chamaste a tua namorada ou a tua discípula? – Pergunta Milo a esfregar um olho para espantar o sono.

- Preciso de treinar com alguém a minha altura… - Responde Camus friamente. – Além disso, com a guerra a…

- Pára aí meu… Já não posso mais ouvir falar dessa guerra. – O escorpiano responde secamente, mais parecendo que despertara num ápice. – Será que vai haver mesmo? E se for bluff do Ares para nos assustar?

- Não me parece que tenha sido… - O aquariano senta-se num rochedo a atar algumas ligas a volta das suas mãos. Aquele era um assunto que o preocupava, não só pelo histórico das batalhas antigas, mas também porque agora tinha mais a perder do que antes. – Se ao menos Shion ou Poseidon falassem… Talvez assim pudéssemos ficar mais bem preparados…

- Eu acho que a gente se está a focar na pessoa errada. Ou melhor, no deus errado…

- Como assim, Milo?!

- A história que Kenzi contou, está na minha cabeça até hoje… Depois apareceu aqui o irmão dela. Um tipo que é uma verdadeira incógnita… - Milo olha Camus, mordendo o lábio inferior por causa daquele puzzle que ele não conseguia montar. – Acho que a única pessoa que nos podia esclarecer não vai dar as caras…

- Hécate?! – Surpreso com aquela constatação, o aquariano ergue uma sobrancelha.

- A mim, está me a querer parecer que ela é a única que sabe de tudo. Shion esconde alguma coisa, Poseidon está a armar-se em parvo e Athena, bem essa não se lembra de nada mesmo… - O escorpiano fecha os seus punhos, ao pensar na pior das possibilidades. – Se realmente houver uma guerra, eu sei que vamos ganhar. O que me preocupa não é a guerra e sim o que nos vai custar…

- Idem, meu amigo… Idem. – Ainda a pensar naquelas palavras, Camus levanta-se e coloca-se em posição de ataque. – É por isso que temos de dar tudo, porque de certeza que o nosso melhor não vai chagar…

                O treino de ambos inicia-se de baixo das árvores daquela floresta, que de certo modo os protegia do tórrido calor grego. Era possível denotar a preocupação em ambos, mesmo que esta fosse personificada de maneiras diferentes. Contudo, ambos tentavam focar-se ao máximo e aproveitar um pouco da companhia um do outro.

oooooooooooOOoooooooooo

Atlântida – 10h da manhã

- Aaaah Kanon, sê sincero… Nunca, mas mesmo nunca te apaixonaste? – Chanter questiona-o, em tom de brincadeira.

- Não, nunca apareceu aquela. – Meio envergonhado, Kanon coça a cabeça. – Apenas tive aquelas coisas de momento e tal…

- Hum hum… Vocês homens são todos farinha do mesmo saco…

                Ambos caminhavam despreocupadamente por Atlântida, enquanto conversavam. Porém, algo despertou Kanon para a realidade, que pára de repente, segurando o braço de Chanter para que esta não avançasse.

- Que foi? – Completamente apanhada de surpresa, a loira olha o general, curiosa.  

- Este silêncio! Não é normal por aqui… - Ele olha a volta, vendo tudo deserto e achando estranho, pois nem na altura que ele “governava” aquele lugar, ele era assim tão quieto.

                Cautelosamente, ambos começaram a vasculhar os cantos do reino dos mares, ate que no átrio do Pilar Central, encontraram todo o exército desacordado. Levantando ainda mais a guarda e o cosmos, começaram a andar por entre os soldados, vendo que alguns deles começavam a recuperar a consciência.

- James… - Ao ver um conhecido seu, Chanter aproxima-se dele, tentando entender o que havia acontecido ali, sendo prontamente acompanhada por Kanon. – Que aconteceu?

- Chanter?! – O soldado fica espantado ao vê-la ali, mas ainda assim contente. – A minha cabeça dói.

                O jovem leva as mãos a cabeça, desejando que toda aquela dor que sentia se dissipasse. Este possuía cabelos curtos e repicados, com um tom liláceo. Os seus olhos eram de um azul cativante, extremamente claros, encaixando perfeitamente com o seu fino rosto de pele clara.

- Que aconteceu rapaz?! – Pergunta Kanon de forma invasiva.

- Foi tudo muito rápido… Estávamos a fazer a ronda pelos pilares, quando sentimos barulho no pilar do Pacifico Norte…

- Quando foi isso? – Chanter pergunta ansiosa.

- Ontem a noite… - O rapaz olha para cima, vendo a claridade e supondo que já era de manhã. – Eu e mais dois soldados entramos no pilar e vimos um homem lá a remexer nuns livros antigos e empoeirados. Quando tentamos detê-lo, ele correu para um dos corredores e fugiu por uma das janelas traseiras do pilar. Soltamos o alerta de invasão e logo o exercito todo começou a correr atrás dele. Por sorte, conseguimos encurrala-lo aqui, mas do nada as luzes apagaram-se… Não lembro de mais nada.

                Perante aqueles factos, Chanter e Kanon olharam-se sem saber o que dizer. Tudo aquilo era muito estranho.

- Temos de voltar para Atenas… - Kanon dá costas e começa a andar para a saída de Atlântida. – Reúnam todas as tropas, partimos daqui a quinze minutos. 

                Sem perder tempo, Chanter e James começaram a acordar os restantes marinas, para que estes os acompanhassem. No fundo, a capitã sentiu-se um pouco frustrada com aquela situação. Durante a viagem com Kanon, parecia que nada mais existia, apenas eles os dois e o imenso oceano. Contudo, aquela situação viera deitar por terra qualquer esperança de um pouco mais de proximidade com ele durante as próximas horas.

Santuário de Athena – 12h

O vento soprava calmo por entre as folhas das árvores, que se estendiam aos pés da escadaria de Aires. Mu e Shaka encontravam-se deitados no telhado daquela casa, onde comtemplavam o esplendor do céu azul sobre as suas cabeças. Contudo, havia algo que incomodava o virginiano, um mau pressentimento que inundava a sua alma há já alguns dias. Este encontrava-se em silêncio, o que suscitou uma certa curiosidade ao amigo, embora soubesse que Shaka nunca fora de grandes conversas. Foi então, que subitamente, o loiro levanta-se e fica a olhar para as árvores, que escondiam de certo modo o caminho que dava acesso as doze casas.

- Que se passa? – Pergunta Mu apreensivo.

                Todavia, o virginiano nada respondeu e apenas levantou-se, descendo para a entrada da casa de Aires. Dois estranhos, cujos seus rostos eram cobertos pelo capuz da capa que portavam, revelaram-se diante dele e um cosmos frio subitamente inundou toda aquela casa, arrepiando grosseiramente o defensor da casa de virgem.

O ariano não demorou a descer do telhado, colocando-se ao lado do amigo. Este permanecia de cabeça erguida, mostrando aqueles dois estranhos uma certa imponência. Analisou minuciosamente os dois, chegando rapidamente a conclusão que se tratava de um homem e de uma mulher, que mais pareciam ter sido retirados de um filme alusivo ao seculo XIX.

- Exijo que abram caminho para que eu possa passar! – Uma voz feminina ecoou na casa de Aires, fazendo os ossos daqueles dois cavaleiros estremecer.

- Não!! – Mu dá um passo em frente, cruzando os braços. – Só depois de saber a vossa identidade.

- Não te devo nada, ser inferior!! – Responde a mulher, mantendo o mesmo tom de voz altivo.

- Mu!! – Shaka toca no braço do companheiro, porem este nem lhe presta atenção.

- Está a falar com um cavaleiro de ouro de Athena, logo exijo respeito. – O ariano ofende-se com aquelas palavras e não tarda a chamar a sua armadura, que rapidamente envolve o seu corpo. – Se deseja passar por esta casa, terá de me matar primeiro.

- Mu!!! – Mais uma vez, o virginiano chama o amigo, sendo novamente ignorado.

- Tal feito, está ao alcance de um simples estalo de dedos meu, cavaleiro. – Por baixo do capuz, foi possível ver um ligeiro sorriso de canto, que passava unicamente malvadez.

- MU!!!!! – Irritado, Shaka puxa-o para trás, fazendo-o voltar-se bruscamente para si.

- Que foi Shaka?!

- Mais respeito, estás diante uma deusa!!

                O ariano olhou rapidamente para ela, de cima a baixo, sentindo o seu corpo paralisar. Rapidamente ligou todos os pontos daquela conversa e o porque do seu companheiro de armas ter ficado calado perante tudo aquilo.

A suposta deusa apenas abre os braços e uma neblina negra invade aquela casa. Os pilares da mesma começaram a estremecer, devido ao incrível poder dela, que era suficiente para abalar o solo mesmo por baixo dos seus pés, sem grandes esforços.

- “Deixem-na passar!!” – A voz de Poseidon inundou a mente dos dois, que não tiveram outra solução senão obedecer-lhe.

Enquanto a deusa e o homem, que a acompanhava, subiam categoricamente as escadas das dozes casas, os restantes cavaleiros de ouro e Generais Marinas logo foram atrás, mesmo que não tivessem ordem para tal.

oooooooooooOOoooooooooo

                As pesadas portas do décimo terceiro templo são abertas por Saga, que faz questão de se prontificar na esperança de poder ver quem eram aqueles desconhecidos, contudo seu esforço foi vão, pois o capuz escondia completamente o rosto de ambos. Mesmo no início do longo tapete vermelho, os dois desconhecidos apresentam-se diante da chefia do santuário e lentamente, a mulher levou a mão ao seu capuz e o retirou. Um longo e vasto cabelo negro cacheado, preso majestosamente atrás da sua cabeça, que mais fazia lembrar uma magnífica cascata, logo lhe caiu sobre os ombros. Os olhos azuis oceânicos prenderam-se instantaneamente aos do deus dos mares. O longo e pesado silêncio entre os dois fez os presentes entreolharem-se, sem nada entenderem, enquanto cada um assumia as suas posições ao lado dos deuses.

- Hécate!! – O pronunciar daquele nome, fez instantaneamente um borburinho levantar-se naquele templo. – Finalmente decidiste dar a cara?!

- A quanto tempo querido… - Um sorriso de canto, que revelava uma certa malicia, desenhou-se nos lábios da deusa, que encarava religiosamente Poseidon. – Imagino que tenhas tido saudades minhas… Tenho pena que meu mentor, que aliás era teu irmão, nunca tenha aprovado nossa relação. Vai-se lá saber, não é meu caro?

- Hades sempre foi um idiota, com a mania que tinha o rei na barriga. – O deus dos mares responde secamente, ao aperceber-se do tom de ironia nas palavras de Hécate.

- Assim como todos os deuses, não é mesmo? – A deusa levou a mão ao laço da sua capa e desfê-lo, deixando que esta caísse no chão, aos seus pés.

- A sua mania de se achar superior, foi a sua ruina. – O tom de voz do deus altera-se, tornando-se mais ríspida. – Nem tentes compara-lo com outros deuses.

- Porque não? – Hécate sorri de canto, erguendo uma sobrancelha. – Cada um dos deuses, principalmente os do olimpo, acham que são superiores a tudo. Tu inclusive, querido. Portanto, tua presunção será também a tua ruina, um dia.

                As sábias palavras da Deusa fizeram o silêncio entre os dois instaurar-se, pois no seu íntimo, Poseidon partilhava da mesma opinião. Porem o seu ego, impedia o deus de ver com clareza aquilo que Hécate sempre pregara. Ela que era considerada como um oráculo ambulante e a qual nunca devia ser levada na brincadeira, pois suas palavras podiam ser mais mortíferas que serpentes.

Calmamente, ela começou a caminhar por aquele tapete vermelho, que rapidamente a levou ao encontro de Athena e Poseidon. A cor ametista da sua armadura reluzia intensamente e num ápice, uma chama formou-se na sua mão direita, onde uma foice de lâmina afiada apareceu. Os guerreiros ficaram em alerta perante a agressividade que aquela deusa emanava. A parte superior da armadura era ornamentada por uma corda, que passava por trás do seu pescoço. As duas pontas da corda juntava-se no centro do seu peito e rodeavam um cristal de ametista, que continha uma chave negra no seu interior. As pontas dessa corda, voltavam a separar-se, passando a rodear o tronco da deusa, fechando-se apenas em um nó, quando se encontravam na sua cintura. As ombreiras eram longas, pontiagudas e agressivas, tendo apenas como adornos alguns fios prateados nas extremidades. Duas serpentes prateadas, envolviam os seus braços, caiando de boca aberta sobre as costas das suas mãos. Um vestido branco, caia-lhe ate aos pés. O resto da armadura encaixava perfeitamente sobre ele e tal como as ombreiras, apresentava-se ornamentado por entalhes prateados nas extremidades.

A bela armadura roxa e prateada da deusa era completada por dois punhais, perfeitamente encaixados na armadura, um de cada lado da sua cintura. O telintar das pesadas botas sova imponente a cada passo, mas mais impressionante ainda, era a foice na sua mão direita. A lâmina brilhava intensamente, de tão afiada e o cabo negro, pontiagudo e agressivo, mais parecia ter sido esculpido pela Morte em pessoa.

A bela deusa da magia pára diante dos dois deuses, olhando Athena de cima a baixo. Um olhar de desdém ficou mais que visível.

- Nem consigo acreditar que algum dia tive algum tipo de envolvimento contigo, Poseidon… - O olhar da deusa, desvia-se instantaneamente para o deus, que permanecia calado, perante a altivez dela. – Acho que cais-te verdadeiramente na decadência ao aliares-te a coitadinha do Olimpo….

- O que queres daqui Hécate?! – Poseidon logo corta, de forma áspera, os ataques venenosos de Hécate, algo que a faz sorrir de canto. – Certamente que não saíste do teu esconderijo só para vires aqui ofender a Athena…

- Nossa, até que tu és inteligente golfinho… - A ironia de Hécate irritava profundamente Poseidon. A deusa caminha até a entrada, novamente, onde permanecia o homem que a acompanhava. Ao chegar perto dele, sorri e olha os dois deuses. – Na verdade, eu vim aqui trazer-vos a melhor arma para ganhar esta guerra.

                O silêncio abateu-se no salão, ouvindo-se apenas o som dos saltos de Saori, que descia categoricamente a meia dúzia de escadas de acesso ao trono, caminhando posteriormente ao longo do tapete vermelho, até ficar bem próxima de Hécate, encarando-a.

- Como se atreve a fazer isto connosco? – Começa Saori, demonstrando um pouco de repugnância em seu olhar.

- Isto o que, querida? – Hécate perde o sorriso e começa a analisar cada traço da deusa da sabedoria.

- Nós tínhamos ganho aquela guerra, nós tínhamos conseguido acabar com Ares. E agora graças a si, vejo novamente a Terra ameaçada. – Saori não poupa no tom azedo ao falar com Hécate, algo que a deixa descontente. Por seu lado, Poseidon, que conhecia Hécate melhor que ninguém ali, decide aproximar-se das duas. – Se não tivesse ajudado Ares a reerguer-se nada disto era necessário…

- Não fales do que não sabes, Athena… - Fala a deusa da magia entre dentes.

- Primeiro alias-te ao Ares e agora vens trazer presentes, Hécate? – Completa Poseidon, assim que alcança Athena.

- Exatamente!! Tu és doente e completamente insana. – Finaliza Athena.

                Os cavaleiros e marinas presentes, logo elevaram os seus cosmos, prontos a atacar a deusa da magia, pois para eles, tudo aquilo não passava de uma armadilha, enviada por Ares. Contudo, a temperatura do local cai abruptamente e uma energia pesada começa a circundar os guerreiros. Os olhos de Hécate refletiram um brilho vermelho que logo veio seguido por um ataque contra Athena. Esta viu o seu pescoço ser agarrado pela mão da deusa da magia, que mais parecia soltar fogo pelo olhar. O homem que a acompanhava, logo a puxou para trás e Poseidon colocou-se entre as duas deusas, para proteger Athena.

- Tu não passas de uma deusa inútil, Athena. Uma deusa que nem é capaz de se defender sozinha, mesmo tendo a armadura mais artilhada do Olimpo. Devias ter vergonha nessa cara. – A voz de Hécate ecoou fortemente por aquelas paredes.

- Vergonha na cara? Eu? – Pergunta Saroi sarcasticamente. – Não me faça rir. Foi a senhora que libertou o mal sobre a Terra. E eu que tenho de ter vergonha na cara?

- Rrrrr… - Hécate cerra os dentes e os punhos, olhando a representante de Athena com raiva. – Tu és uma inútil, todos vocês são. Eu fui capturada por Ares, torturada e humilhada… Todos viram que eu desapareci mas ninguém fez absolutamente nada para me encontrar. Nem mesmo Hades, que falava que eu era como uma filha para ele, foi capaz de mexer uma palha para me encontrar… Apenas se preocuparam comigo, quando a coisa começou a ficar feia para o vosso lado… E agora querem o quê? Justiça? Ajuda?

                Numa coisa Hécate tinha razão, ninguém se incomodara em procura-la quando ela desapareceu, algo que fez Poseidon refletir. Apesar de Kenzi ter contado o que havia acontecido, ouvir agora da boca da própria Hécate era completamente diferente, era como se milhares de flechas os atingissem e de modo algum lhe podiam tirar a razão.

Sem mais paciência para aqueles jogos, a deusa da magia ergue a sua mão e lança sobre os dois deuses uma rajada de cosmos, que atira os para perto do trono. Os guerreiros presentes logo tentaram proteger os seus deuses, mas antes que pudessem mexer-se, milhares de finos fios envolveram os seus corpos, imobilizando-os e rasgando a pele daqueles que se tentassem mexer.

- Mas que raio é isto? – A voz de Lenora ecoou, ao ver o seu corpo completamente envolvido por aquela armadilha.

- Pára com isso Hécate!!! – Poseidon levanta-se rapidamente, ao ver o que ela havia feito. O cosmos do deus começa igualmente a elevar-se, contudo isso não intimidou a deusa da magia.

- Não!! Agora, tu e todos os deuses vão ouvir tudo aquilo que eu tenho para dizer. – A voz imponente dela fez Poseidon encara-la curioso. – Todos vocês pensam que são o centro do mundo. Que tudo aquilo que vocês fazem têm um propósito nobre. Pois bem, não tem nada de nobre todas guerras que provocaram ate agora. Não foi para isto que eu me juntei aos deuses do olimpo e aceitei guardar um bem tão precioso quanto o equilíbrio que nos mantem aqui. Não foi para isto que eu lutei ao vosso lado contra os Titãs!!

                Os guerreiros entreolharam-se, curiosos para saber o que ela tinha mais a acrescentar a tudo aquilo, pois uma coisa era certa, nunca ninguém parara para ouvir a versão dela. O deus dos mares apenas ficou estático ao ter presente memórias antigas, ao lembrar-se da lealdade que ela prometera a eles e por ter sido ela a grande causadora da ruina dos Titãs, naquela maldita guerra pelo controlo do Universo. Sem ela, talvez nada daquilo teria sido possível, pois havia sido ela quem colocara ordem em tudo aquilo.

- Então querido? O gato comeu-te a língua? Ou será que foi preciso eu refrescar-te a memória? – Pergunta Hécate agressivamente.

- Isso não tem nada a ver com o presente, sua maluca… - Pronuncia-se Athena, enquanto se levantava.

- Ai não? E o que sabes tu sobre isso? Estavas lá por acaso? – Perante o silêncio da outra deusa, Hécate sorri de canto. – Bem me parecia. Se não fosse eu, todos vocês estariam na miséria. Já algum de vocês se perguntou porque existe um equilíbrio e o porque de ele ter de ser guardado? Claro que não, pois é melhor viver na ignorância e sobre as minhas costas. Mas se preguntarem a Zeus, talvez ele tenha a resposta.

- O que o meu pai tem a ver com isso? – Pergunta Athena, um tanto surpresa.

- “A temida por Zeus!!” – Aquelas palavras vêm a mente de Shion num ápice. Sabia que aquela deusa era conhecida por muitos nomes, mas aquele era o único que ele nunca entenderá. – “O que escondes tu Hécate? O que pretendes com tudo isto?”

                A mente do ariano fervelhava de perguntas, porém não se pronuncia, pois aquela discussão não lhe dizia respeito. Contudo, aquela deusa sempre lhe suscitara um certo interesse por pouco se saber sobre ela.

- A seu tempo saberás Athena. Ao invés de andares aí a pregar uma de boa samaritana, devias era prestar mais atenção aos bravos guerreiros que te protegem. Que são lindo, diga-se de passagem. – Hécate começa a caminhar por entre os cavaleiros de ouro presos, passando levemente a mão sobre o queixo de Milo. O olhar dela pousa diretamente sobre o dele, fazendo-o engolir em seco enquanto um arrepio percorreu rapidamente o seu corpo devido ao toque. O cavaleiro de Escorpião ficou totalmente sem reação, ao ver a sua alma ser analisada por ela. Sem dar grande importância a ele, a deusa segue o seu caminho, de encontro aos outros dois deuses, novamente. – Mas enfim, já que preferes sacrificar a vida desses bravos homens, aqui tens uma guerra, toda só para ti…

- Eu nunca quis guerra, meu único objetivo é defender a Terra de loucos como tu… - Defende-se Athena.

- Mentira! Tudo um monte de mentiras… Se tu ou outro deus qualquer não quisesse guerra, jamais teriam criado exércitos. Envergonhem-se!! Tu queres salvar a Terra, anteriormente Poseidon queria “limpa-la” e Hades purifica-la. E isto sempre aconteceu por milénios sem fim. Para não falar dos outros deuses que davam uma de dementes e volta e meia invadiam a Terra. No meio de tudo isto, era sempre eu que me sacrificava. No meio de tantas vítimas, Hades deixou de ter servos suficientes para guiar as almas dos mortos, tendo eu que me sacrificar para iluminar o caminho daquelas pobres almas para o submundo. Todos os espojos dessas vossas guerras santas, completamente inúteis, sempre sobram para eu limpar… - A voz de Hécate começa a elevar-se, devido a revolta que a consumia por milénios. – Todas essas guerras inúteis, sempre mexeram com a fragilidade do equilíbrio que eu guardo e se não fosse eu, recorrendo ao meu cosmos e a minha magia, tudo isto já estaria perdido. Para melhorar, a última guerra santa travada por ti, trouxe mais miséria do que felicidade Athena.

- Isso não é verdade. Eu sacrifiquei-me pelo bem de todos… - Responde a deusa indignada.

- Por acaso já te perguntas-te o que aconteceu com as almas que estavam no submundo?

- Como assim? – Saori fica confusa.

- Passo a explicar, querida… Entre este mundo e o mundo dos mortos, existe um véu que os separa. Quando alguém morre, vai deste mundo para o outro e posteriormente é encaminhado para o submundo. Contudo, Hades morreu e o submundo morreu junto com ele. Então o que acontece com as almas? – A deusa da sabedoria apenas arregala os olhos, perante as constatações de Hécate – Pergunta de 1 milhão de Euros…

- Ficam presas no véu… - A voz de Saori sai baixa, ao aperceber-se da asneira que tinha cometido a cinco anos atrás.

- Boa, afinal não és tão burra quanto eu pensava… - Hécate bate palmas, sarcasticamente. – Ficam presas no véu, um autêntico purgatório. E a quem achas que ficou entregue a missão de zelar por ela? Exatamente, a mim. Sou eu que escuto os seus lamentos, todo o santo dia e toda a santa noite, a mais cinco anos. Mais uma vez, tenho um tormento nas minhas costas graças a vocês. E ao contrário do que pensam, doí-me o coração, nada poder fazer para ajudar estas pobres almas perdidas.

- Eu nunca pensei que… - Athena fica perdida ao tomar conhecimento daquele pormenor, que aos olhos de muita gente, não tinha qualquer importância.

- Exatamente Athena, esse é o problema. Tu nunca pensas nas consequências posteriores… - Hécate a interrompe sem piedade. – Mas tem mais, muito mais… Por séculos, meus servos foram presos, torturados e mortos. Onde estavas tu nessa altura? Onde estava a deusa que jurou proteger os pobres e indefesos humanos? Centenas de pessoas foram mortas, afogas ou queimadas, acusadas de praticar bruxaria ou artes magicas. Onde está a justiça nisto?! RESPONDE ATHENA!!

                Num ato de impulso, a deusa da magia larga a sua foice, símbolo da sua imponência, e agarra o braço de Saori quando se exalta, totalmente inconformada com todas as injustiças que ela já havia sofrido a custa dos outros deuses. Os cavaleiros, que ainda permaneciam presos, ficam aflitos ao ver a cena e nada poderem fazer para ajudar a sua deusa, no entanto, Poseidon intervém de rompante, agarrando o pescoço de Hécate, empurrando-a para trás.

- Não te atrevas a tocar nela novamente… - Fala o deus, soltando fúria pelo olhar.

                Ao sentir-se sufocada, pela forte mão de Poseidon, a deusa da magia rapidamente tentou chegar a um dos punhais, que portava na cintura. Assim que o conseguiu agarrar, tentou desferir um golpe sobre o deus dos mares, porém este rapidamente a solta e se esquiva, ao ver que ela havia consigo agarrar aquela arma mortífera, que ele tão bem conhecia. No preciso instante que Poseidon larga Hécate e se afasta, o punhal abre-se como um leque, contendo extremidades afiadas e pontiagudas, que ainda conseguiram cortar alguns fios de cabelo dele.

                Os dois olharam-se com ódio, contudo Poseidon sentiu um peso no seu coração. Aquela não era a nobre Hecate que ele conhecera, mas sim uma espécie de personificação do mal. De certa forma conseguiu entender toda a sua revolta, a angústia e a desilusão pelas quais passara. A deusa da magia havia-se aliado ao Olimpo convicta que os ideais deles eram melhores que os dos Titãs, algo que apenas aconteceu no início dos tempos.

- Tu não prestas Hécate…

- E tu nunca foste melhor, meu querido… - A deusa massajava o seu pescoço, olhando Poseidon com ódio. O leque fecha-se e assume novamente a forma de um punhal, o qual ela aponta ao deus. – Todos vocês irão pagar pelo que me fizeram passar por todos estes anos, pelo fardo que carrego, mas sobre tudo por terem mexido comigo quando eu estava sossega. Ares em breve provara do seu veneno e vocês, aaah vocês não perdem pela demora.

                Assustada com tudo aquilo, Athena abraça Poseidon, o qual a recebe e aconchega em seus braços. Já o semblante de Hécate havia mudado completamente. O deus dos mares logo se arrependeu de ter mexido com ela e de ter feito aquelas acusações. Conhecia aquela deusa bem demais e sabia que nada do que ela fazia era ao acaso. Se ate Ares ela tinha em suas mãos, era porque algo grande estaria para vir e todos eles seriam apanhados no meio do furacão. No entanto, era quase impossível ler alguma coisa nos olhos dela ou na sua postura.

                O braço da deusa da magia move-se da esquerda para a direita e água é jogada bem aos pés dos dois deuses, que somente dão um passo para trás ao serem pegos de surpresa. Ela sorriu de canto e olhou os dois, ainda braçados, friamente. Ver a postura dos dois soberanos cair por terra, apenas alimentava o seu ego e a sua sede de vingança. 

- Sobre vocês, minha maldição cairá. Que a deusa da sabedoria sejas infligida a dor da perda, o desgosto dos infortúnios da guerra. Que esta seja punida, que o seu coração fique completamente desfeito enquanto vê cada um de vocês cair para salvar uma vida tão inútil quanto a dela. Mas que esse coração quebre de vez, ao ver a pessoa que ela mais ama perecer aos seus pés – A deusa olhou cada um dos cavaleiros ali presentes, que mais pareciam paralisados pelas palavras dela, como se a sentença de morte deles, tivesse acabado de ser assinada. – Que a noite mais fria seja aquecida pelo vermelho que sustenta a vida daqueles que ela mais ama.

- Por favor não, Hécate… - Lavada em lagrimas, Athena larga Poseidon e ajoelha-se diante da morena que nem lhe presta atenção.

- Tenho pena por vocês, bravos guerreiros. Tudo isto poderia ter um fim diferente… - O tom de voz de Hécate altera-se, ficando um pouco mais suave enquanto falava para os dourados.

                Contudo, nenhum deles abriu a boca para proferir uma única palavra. Na cabeça deles, tudo aquilo teria solução, se realmente as palavras de Hécate fossem verdadeiras. A esperança sempre seria a última coisa a morrer. Já Poseidon, não retirava os olhos da poça de água aos seus pés, como se pudesse ver alguma coisa nela, alguma coisa que ele não entendia bem o que era.

- Já tu, Poseidon… - Ao ouvir seu nome, vindo da boca de Hécate, o deus gela e desprende a sua atenção da poça, apontando rapidamente o seu tridente ao pescoço dela. Esta apenas sorri de canto, vendo a ponta do tridente quase a encostar na sua garganta.

- Não me obrigues a isto… - Suplica Poseidon, temendo aquilo que poderia sair da boca dela.

- Tsc, Poseidon. Olha bem a poça… Eu nem preciso proferir a maldição. Ela já está a ser traçada pelas minhas queridas companheiras, as Moiras. O teu destino está mais do que selado e não há nada que tu possas fazer quanto a isso. Olha a poça de água entre nós… - Perante as palavras da deusa, Poseidon olha para baixo e vê as três moiras a tecer os destinos. Ao olhar nos olhos de Hécate, o deus não viu mentira neles e respirou fundo, como se pedisse silenciosamente para que ela falasse a maldição. – Três facadas atingirão o teu peito a sangue frio. A tua queda não acontecerá com elas mas sim por causa delas. Ao terceiro cantar da coruja, a primeira facada será empregue…

- Eu irei atrás de ti, nem que seja até ao inferno… - Poseidon nem deixa Hécate terminar de proferir a maldição, de tão cego de raiva que se encontrava.

- Não vais não, Poseidon… Se eu morrer, algo bem pior que Ares caíra sobre vocês e tu sabes bem quem é… Eu preciso unicamente de mim própria, já vocês precisam de mim para continuarem com essa vossa vida patética. - Um sorriso de canto desenhou-se nos lábios de Hécate, que afasta com o punhal o tridente e lentamente começa a caminhar para trás. – Vocês queriam guerra, pois aqui a têm. Mas desta vez, ela será jogada segundo a minhas regras. Que vença o melhor…

                Ao dar costas aos dois deuses, ela vê o homem que havia trazido consigo. Aquele havia sido o seu único propósito na sua visita, mas acabou por se exceder devido a constante troca de farpas entres os três. Sem piedade, ela agarra o braço do pobre homem e atira-o de qualquer maneira aos pés de Poseidon, o qual cai mesmo em cima da poça de água, desfazendo as imagens que apenas o deus conseguia ver.

- Que isto sirva de lição a todos vocês. – Hécate olha rapidamente para cima, como se estivesse a transmitir um recado a Zeus. – A brincadeira acabou…

                Ao dar costas, Hécate lança para o chão um pó e como por magia ela transforma-se em dezenas de corujas, que rapidamente desapareceram no horizonte. Imediatamente, os fios que prendiam os cavaleiros desfazem-se e estes caem desamparados no chão. Completamente desolada, Athena continuava no chão a chorar copiosamente, temendo que as suas ações passadas lhe roubassem os seus preciosos cavaleiros novamente. Não podia deixar de dar razão a Hécate, pois tudo o que ela falara era a mais pura verdade, por mais que custasse engolir tal facto. A deusa da sabedoria, jamais havia pensado nas consequências dos seus atos durante uma guerra, pois tudo o que importava era salvar a Terra. Contudo, aquele mundo em que viviam não era o único que existia e por causa da sua última guerra santa, o mundo dos mortos havia sido atingido de uma forma brutal.

                Já Poseidon paralisou. Ficou apenas a ver as corujas desaparecer no horizonte, sem mexer um único dedo para a deter. Sabia que era inútil travar uma guerra contra ela, pois o destino não se alteraria e o verdadeiro mal poderia abater-se sobre eles. Uma guerra contra ela estaria perdida, quer ganhassem ou perdessem. Por momentos pensou em procurar as Moiras e suplicar que alterassem a sua sina, contudo logo se lembrou que era a Hécate que elas deviam lealdade, pois havia sido ela que as havia salvado do seu pai e protegido ate hoje.

- Que porcaria foi esta? Uma deusa de TPM… - Irritado, Aphrodite levanta-se, ajeitando os seus cabelos.

- Que poder incrível… - Solta Aiolos no ar.

- Gostosa é a palavra correta… Eheheheh… - Pronuncia-se Mascara da Morte, dando uma leve cotovelada em Milo que nem reage a brincadeira do amigo, o qual ele estranha. – Que te aconteceu venenoso?

- Milo!!! Estás bem? – Aiolia que nota uma certa palidez no seu rosto, coloca a mão no seu ombro, procurando alguma reação da parte dele.

                O escorpiano estava realmente pálido e apático, fixando um ponto no vazio. Mais parecia que a sua postura travessa e brincalhona havia sumido do seu corpo sem deixar qualquer rasto.

- Deixem-no… Se ele tiver algo a dizer, a seu tempo ele falará. – Entrevem Shaka, que logo desconfia que a deusa lhe havia feito ou mostrado alguma coisa.

- Não Shaka. Olha bem o estado dele… - Intervém Camus indignado. – Milo, olha para mim… Milo!!

                O aquariano tentava a todo o custo despertar o amigo daquele transe, mas sem qualquer sucesso. Ao ver aquela cena, Valentine aproxima-se, ainda a massajar os braços por causa das dores da sua prisão. Ela podia não ser a pessoa mais próxima dele, mas ambos partilhavam uma ligação de amizade bem forte. Assim que ela pousou a sua mão sobre o rosto do escorpiano, logo foi abraça por este que caiu num pranto inexplicável.

- Calma Milo, o que aconteceu? – Ambos desabam no chão, onde Valentine o abraça na esperança de o acalmar.

                Algo que o escorpiano lhe sussurrara ao ouvi fez a loira arregalar os olhos e o olhar assustada. Os cavaleiros que assistiam toda aquela cena ficaram apenas confusos, desejosos por saber o que Milo lhe havia dito.

- Promete-me Val… - Este olhou nos olhos dela suplicante.

- E-eu… E não te posso prometer isso, Milo…

                Antes que a conversa se alongasse mais, a voz do deus ecoou pelo salão. Apesar do aglomerado de cavaleiros a volta do escorpiano, este nem se apercebera do que acontecia, pois suas atenções estavam completamente colocadas no homem aos seus pés.

- MOSTRA-TE SER DAS TREVAS!!! JÁ!! – A voz imponente do deus atraiu a atenção de todos os presentes, chegando mesmo a dar calafrios em alguns.

                Lentamente, o homem levantou-se do chão, completamente molhado por ter sido atirado para a poça de água por Hécate, ficando de joelhos a frente do deus. Enquanto tudo aquilo decorria e sem perder o foco dos acontecimentos, Shion ajudou Athena a levantar-se, onde ela ainda permanecia em prantos.

- “Hécate devia ser nomeada como a deusa da discórdia e não da magia!” – Shion pensa, ao passar rapidamente os olhos por aquele salão.

                O homem, ajoelhado em frente a Poseidon, retirou o seu capuz, deixando que os seus longos cabelos caíssem sobre os seus ombros. Este olhou o deus bem nos olhos dele. Naquele momento, Poseidon pareceu paralisar ao ver tal personagem a sua frente, mais parecendo que via uma assombração. O mesmo aconteceu com Shion, que quase deixou cair a deusa enquanto a ajudava a levantar. Quanto ao Dohko, apenas assobiou, prevendo que treta da grossa estaria por vir, caso contrário aquele senhor não estaria ali e sem dúvida alguma, que ele era mesmo a melhor arma para vencer aquela guerra.

                Os restantes cavaleiros apenas se entreolharam, pois nunca haviam visto tal pessoa na vida. Contudo, no lado marina a coisa era diferente pois aquele homem lembrava em muito alguém que eles haviam conhecido. Valentine, que assistia tudo de longe, ficou hipnotizada com a imagem que tinha a sua frente, uma imagem que a deixou mais do que confusa.

- “Baian?” – Aquele nome ressoou na sua cabeça, pois cada traço do rosto daquele homem era igual ao do seu mestre. Contudo, o que a deixou confusa foi a cor dos olhos e do cabelo, algo que ela ainda tentava assimilar na sua mente.

- É para mim um prazer poder servi-lo novamente, senhor Poseidon…

Continua… 


Notas Finais


Bem, antes de mais, espero que tenham gostado do capitulo. Andei com esta cena na cabeça por muitos meses e não pude deixar de perder a oportunidade de a escrever. Espero não ter desiludido as expectativas de ninguém, se o fiz, peço desculpa.
Agora, vamos aqui a alguns factos importantes. Fiz uma pesquisa ligeira sobre a deusa Hécate na Internet (fonte não muito confiável, eu sei) e encontrei umas quantas coisas interessantes que decidi usar na fic. Esta deusa era realmente conhecida por muitos nomes ( "http://oficinadasbruxas.com/deusa-hekate/"; neste site encontrei aquilo que eu acho serem todos os seus nomes, se é ou não, não sei) e temida em várias religiões. Segundo algumas fontes, esta havia tido um caso com Poseidon na mitologia, tinha Hades e Persefone como seus mentores, possuía a chave do submundo, entre muitas outras coisas. Mas o que realmente me suscitou mais interesse sobre ela foi o facto de ela ter salvo as Moiras do pai, o Deus Caos. Enfim, pouco se sabe sobre esta deusa, pois por ser mulher e ser detentora de um grande poder foi abafada ao longo da história. Mas não fica por aqui. Descobri também que ela ajudou os deuses do Olimpo na batalha contra os Titãs. O universo foi dividido entre Zeus, Poseidon e Hades, não sobrando nada para ela, contudo foi lhe concedido o domínio sobre os três reinos, podendo ela assim entrar e vaguear por onde ela quiser.
Bem, não me vou alongar mais aqui, se tiverem interesse, basta fazerem uma pesquisa rápida.
Obviamente que adaptei muitas coisa que encontrei a fic e espero sinceramente que fic bom e que apreciem.
Sem mais a transmitir me despeço. Ate ao próximo capitulo.
Bjnhs aquáticos ;)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...