História Terrário n 6 - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Vida
Exibições 6
Palavras 2.335
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá pessoinhas!
Faz um bom tempo que não posto uma fic e resolvi voltar com algo original. Vou tentar me aproximar o máximo possível de vidas comuns e do cotidiano; estava a fim de uma hist com uma coisa mais "real" kkkkkkkkkkkkk
Mas, claaaaaaro que ainda terá aquelas coisinhas básicas que só acontecem em fics, ok?
Espero que gostem e comentem o que acharam!
~AnaW

Capítulo 1 - Anne


O veículo deslizava pelas ruas sem muito acelerar. As árvores corriam lá fora como borrões para quem estava dentro do carro. Não chovia, mas o sol também parecia meio tímido, escondendo-se atrás de algumas nuvens, colorindo o céu num tom de rosa e lilás típico do fim de tarde.

Para a surpresa da jovem que admirava tudo isso do banco de trás do taxi, o carro dobrou outra esquina. Ele seguiu em um solavanco falho, e finalmente parou em frente ao local que ela chamaria de nova casa. Ela lançou um olhar curioso para fora e sorriu consigo mesma, animada com aquela nova vida que começaria.

Anne deixou o carro com uma mala e uma mochila de costas. Ele partiu rápido, seguindo até o fim da rua e sumindo pela esquerda. A morena aproximou-se do interfone, seus cabelos lisos seguindo o movimento. Ela analisou-o por um momento e finalmente tocou o número seis. Um frio correu por sua espinha, e ela mordeu o lábio inferior. “Isso é tão legal!”, ela pensou consigo mesma, como uma criança que acaba de chegar em uma loja de brinquedos.

Não a culpemos por suas fantasias, caro leitor. A garota tinha suas razões por ter criado seu próprio “mundo cor de rosa.” Agora, finalmente, ela teria um nova oportunidade em sua vida, queria conhecer novas pessoas; só de pensar em fazer novas amizades se sentia mais animada ainda.

Ela olhou ao redor, enquanto ainda esperava. A vizinhança estava tranquila, e parecia sempre ser assim. Haviam poucos carros estacionados, e nenhuma pessoa passava por ali. Prédios com poucos andares estendiam-se por toda aquela rua, tal como aquele que estava à frente dela agora. Este por sua vez tinha paredes amarelas, janelas e varandas intercaladas, trabalhadas com madeira escura envernizada. Anne avistou uma escada na lateral do prédio de três andares, e, do outro lado, um espaço que ela julgou ser para estacionar carros. Grama verde, flores coloridas e uma árvore de porte baixo cobriam a frente da construção, e ela podia jurar que havia uma árvore bem mais alta na parte de trás.

Depois de analisar todo o espaço, esticando-se seu pescoço e virando-se de um lado para o outro, ela percebeu que estavam demorando demais para abrirem a portão. Anne apertou mais uma vez o interfone, e mais uma vez, e outra. Ninguém apareceu.

Sua fantasia se desfez um pouco naquele instante.

- Olá? – ela gritou, enfiando a cabeça entre as grades esbranquiçadas. – Tem alguém ai?

Repentinamente, a porta da frente se abriu. Um mulher na faixa dos quarenta anos colocou o rosto para fora e estreitou os olhos.

-Quem é? – ela gritou em resposta.

- Sou Anne, a nova moradora do seis.

- Do seis? Está sem a chave?

- Ahn... sim. Eu cheguei agora.

- Ai, meu Deus. – a mulher reclamou, finalmente saindo e caminhando até o portão. Ela mancava da perna direita, e procurava uma chave entre as várias que trazia presas em um chaveiro gasto. – Aquelas meninas não servem nem para receber suas novas inquilinas. Vamos, meu bem, entre.

Ela abriu o portão e deu espaço para a garota. Um caminho entre a grama se estendia a frente dela, e Anne se apressou em colocar suas coisas para dentro. A mulher trancou o portão e se virou para ela.

- Me chamo Maria. Moro no dois. Deu sorte de eu estar em casa hoje. Iria ter ficado ai plantada por muito tempo.

Anne se perguntou mentalmente se suas novas companheiras eram festeiras ou algo do tipo. Não se lembrava do proprietário ter dito algo assim, e ela duvidava que ele diria se elas de fato fossem. Ela não sabia ao certo se se daria bem em um ambiente de “drogas, sexo e rock’n roll”.

- Vamos entrar? – Maria perguntou, tirando a outra dos próprios devaneios.

- Claro.

Ambas seguiram para dentro do prédio, só que dessa vez pela escada lateral. Anne supôs que a mais velha morava no andar de baixo, e confirmou suas suspeitas quando perguntou a mesma. A mala era arrastada de degrau a degrau. Uma pausa entre esses era feita para o acesso ao segundo andar, num corredor bem iluminado que se estendia até pouco mais a frente.

- O seu fica um pouco mais em cima. Venha.

“Fácil falar...”, a garota pensou, voltando a arrastar a grande coisa marrom. Mais uns bons degraus acima, elas finalmente alcançaram o suposto andar. Anne já respirava com dificuldade, amaldiçoando-se mentalmente por ser tão sedentária. As duas caminharam pelo corredor e pararam na porta do meio. Um número seis brilhava, dourado, na porta de madeira a frente delas. A mais velha adiantou-se, e, assustando a garota, bateu na porta nada sutilmente.

- Hey, tem alguém em casa? – ela gritou contra a porta. – Venham receber sua nova inquilina! Pelos Deuses...

Anne ainda estava com os olhos arregalados quando começou a ouvir ruídos vindos de dentro do apartamento. Depois de um estrondo mais forte e do tintilar de chaves batendo contra a maçaneta, a porta se abriu. Uma garota de cabelos ruivos totalmente bagunçados revelou-se do outro lado, com o rosto salpicado de sardas inchado e amassado, como quem acaba de acordar de um sono profundo. Sua blusa de tecido fino estava amarrotada, e ela usava meias listradas.

- O que aconteceu? Tem reunião hoje? – ela perguntou, sua voz soando preguiçosa.

- Claro que não! Ainda estamos no meio do mês, garota! – Maria exaltou-se mais uma vez. – Vim aqui trazer sua nova inquilina, que estava esperando a um bom tempo lá fora.

Anne pensou em dizer que não fazia tanto tempo, enquanto mantinha um sorriso falho no rosto e era analisada pela outra que a encarava de cima abaixo. A ruiva pareceu finalmente acordar e arregalou os olhos castanhos, depois de coça-los com as costas da mão.

- Meu Deus! Você já chegou?! Não chegaria as 17hrs00min?! – ela perguntou, dirigindo-se a Anne.

-Sim... E são 17hrs00min. – a outra respondeu, sentindo-se intimidada.

- Ah... Jura? -  a ruiva pareceu confusa. – Está bem então... Entre, vou lhe apresentar a casa. Obrigada, Maria. Você foi de muita ajuda.

-Me chame de senhora.

-Claro, claro.

A ruiva ajudou Anne a colocar suas coisas para dentro depressa, como se estivesse temendo que a outra pudesse reclamar de mais alguma coisa. Ela fechou a porta, suspirou e voltou-se para a morena com um sorriso acolhedor no rosto.

-Seja bem-vinda. Me chamo Melanie, mas pode me chamar de Mel para facilitar. – ela disse, animada. Ela soava como alguém sociável e extrovertido, fazendo Anne sentir-se mais confortável do que com a senhora de antes.

- Me chamo Anne. – ela respondeu, retribuindo o sorriso.

- Ah, eu sei. Fomos avisadas. Sempre que alguém novo vem, a gente fica sabendo um pouco como a pessoa é. Você não fez uma entrevista antes de vir?

-Sim.

-Então. A gente ficou sabendo de parte dela.

O sorriso da morena falhou um pouco, mas ela logo se recompôs. Temia como ela ficara sendo conhecida entre suas novas companheiras de apartamento. Ela pediu mentalmente que tivessem feito uma boa apresentação dela.

- Bem... – Mel continuou, quebrando o breve silêncio. – pode ir entrando. A gente costuma deixar os sapatos nesse armário quando chegamos para não sujar a casa. A sua é a quarta prateleira dentro dele, e tem um espaço para guarda chuva ou coisas do tipo ai também. Mas tudo bem se entrar com os sapatos. Só certifique-se de que não sujou nada. – ela lançou uma piscadela a morena.

Anne assentiu, depois de olhar o armário que estava ao seu lado. Ele era comprido, mas pouco largo, e, quando a garota o abriu, uma prateleira vazia esperava para receber seus sapatos. Ela abaixou para desamarrar os cadarços dos tênis, e os deixou já bem posicionados no interior do armário. A garota levantou-se e finalmente deu uma boa olhada ao redor.

Depois que se adentrava a porta, você se deparava com um corredor mais apertado e curto, com o armário a esquerda e uma parede lisa a direita. Ao fim deste, dois degraus davam para a sala, aonde um sofá de canto grande com várias almofadas estava. Era um ambiente mais baixo, com duas estantes com vasos de plantas, porta retratos e demais decorações, além de um hack com uma televisão. Depois de mais dois degraus, só que agora altos, você se deparava com uma pequena cozinha, contendo somente o básico: armários, fogão, uma pia, uma mesa de jantar retangular, uma geladeira, outros eletrodomésticos e uma bancada. Anne reparou que tudo era bem posicionado e arrumado, o que surpreendeu a jovem.

- Bem legal não é? – Mel perguntou, ainda ao lado da jovem.

- É, bem legal mesmo...

- É... Ah, as apresentações! – a ruiva disse, e logo em seguida limpou a garanta, começando um discurso que parecia bem planejado. – Perguntas ao final do tour, por favor. Esse é o apartamento número seis do Edifício Dente-de-leão. Ao total, existem quatro garotas, contando com você, morando aqui. Somos todas ocupadas com faculdade, trabalho e afins, e esse é o nosso objetivo aqui: cumprir nossas atividades, conquistar nossa independência e finalmente alcançar nosso sonhos. – uma pausa dramática, que arrancou um riso da morena. Mel se dirigiu até o canto direito da cozinha, aonde havia uma porta de correr branca. Ela a puxou com movimentos exagerados, revelando a área de limpeza. Uma máquina de lavar, um varal de teto, armários suspensos e um tanque se apertavam naquele pequeno espaço. Ao fundo, uma grande janela iluminava e ventilava bem o ambiente.

“Você pode lavar suas roupas o dia que quiser, mas lembre-se de combinar com o resto das garotas para não haver choque de horários. Além disso, é sua responsabilidade recolher, passar e guardar suas próprias roupas. Principalmente suas calcinhas, mocinha.”

-Sim, senhora.

Mel assentiu, satisfeita. Ela seguiu pela cozinha, em passadas lentas e gestos delicados, como uma aeromoça ou uma guia de interiores.

-Continuando: aqui temos um quadro com as nossas regras e divisões de trabalho.  – ela apontou para um quadro negro a direita, com escritos em giz por todo ele. – Vamos ter que atualiza-lo com sua chegada, mas algumas coisas já estão definidas, como, o que você suja, você lava; o que você tira do lugar, você põe de volta; e blá blá blá. É só lembrar que você não mora sozinha e que um mínimo de organização é necessário. Ok?

“Escolha de palavras interessante”, Anne pensou, assentindo mais uma vez.

- Ótimo. Vou te apresentar os quartos agora. – ela seguiu para um corredor a esquerda, que tinha uma grande janela no final, com vasos de plantas decorando-a. – Duas portas a esquerda e uma a direita. A da direita, é o banheiro. Lembre-se de seca-lo depois do banho, não deixei calcinhas ou sutiãs pendurados na maçaneta ou dentro do box, e evite usar as coisas dos outros, porque... bem... acho que você entende, certo?

- Claro. – Anne respondeu, espiando dentro do banheiro. Ela reparou que haviam três cestas sobre a pia, com coisas diferenciadas dentro. Ela supôs que cada uma das garotas tinha a sua. “Tenho que comprar uma dessas para mim.”

- Tudo bem, então. Agora, aos quartos. A mobília é igual para ambos, então não faz muita diferença. Eu e a Young dormimos nesse – ela apontou para o primeiro. – e você e a Katy dormem nesse. Pode entrar, e ver. A casa é sua também a partir de agora.

Anne sorriu mais uma vez e adentrou o ambiente. A frente, havia uma cama suspensa, com uma escada de madeira que descia pela lateral direita. No lado oposto a escada e com uma parte debaixo da cama, estava a outra, bem arrumada com uma colcha branca sobre o colchão. Do lado direito a cama e ainda debaixo da cama superior, uma escrivaninha de canto já abarrotada de coisas se encaixava no espaço restante. A frente da cama inferior, outra escrivaninha estava posicionada, esta contendo somente um abajur vermelho. Para finalizar, um cabideiro de pé ao canto e na extensão da parede a esquerda, um armário alto e que aparentava ser bem espaçoso dividia espaço com uma janela redonda. O quarto em si era pequeno, mas parecia ter sido muito bem planejado.

- É ai?  Gostou? – Mel perguntou, parecendo curiosa.

- Sim. É perfeito.

- Não é tão grande mas tem o suficiente. Mas, já vou avisando, a Katy é bem espaçosa e levemente folgada. Qualquer coisa, corte as asinhas dela.

- Obrigada pelo conselho.

- Este foi de graça. Aproveite. Bem, eu tenho que sair agora. As meninas chegam um pouco mais tarde... Você ficará bem sozinha? – ela perguntou, acanhada.

- Claro. Pode ir. Eu me viro bem.  – Anne riu.

- Ah, ótimo. Pode ir se instalando então. E bem-vinda mais uma vez. – a ruiva disse, sacudindo as mãos com unhas bem pintadas.

- Obrigada. – a morena respondeu, vendo a outra se retirar para o banheiro.

Anne olhou em volta e suspirou de alívio. Era até melhor do que ela estava esperando. Julgou que a cama de cima era a sua, então largou a mala próxima ao armário e a mochila sobre a escrivaninha vazia. A jovem abriu a primeira porta do armário, e se deparou com roupas penduradas e dobradas por todo canto. Eram peças bonitas e que aparentavam ser caras. A morena sentiu-se intimidada mais uma vez, mas balançou a cabeça, procurando esquecer aquilo.

Ela se dirigiu para a outra porta, e, quando abriu, se deparou com o nada. Não haviam cabides, nem roupas; só espaços, gavetas e uma prateleira vazia. Aquilo trouxe um sentimento novo a garota, que estava acostumada com ambientes cheios de gente e sempre movimentados. O silêncio daquela casa a incomodava, mas ela esperava se acostumar logo a ele.

- Tudo bem, Anne. – ela sussurrou para si mesma, tentando confiar nas suas próprias palavras. Ela sorriu confiante e enfiou sua mala ali por enquanto. Se dirigiu para sua nova escrivaninha, abrindo sua mochila e puxando um bloquinho de lá. A morena sentou-se na cadeira de rodinhas amarela e começou a anotar as coisas que ela iria precisar comprar.



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