História Terrário n 6 - Capítulo 2


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Tags Vida
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá pessoinhas! Resolvi adiantar o capítulo dois, pq sim u.u
Espero que gostem ^^
~AnaW

Capítulo 2 - Melanie


A ruiva caminhava pela velha calçada, desviando das eventuais rachaduras que encontrava. Tinha uma leveza natural, como quem flutua, o que levava a poucos ruídos durante suas passadas apressadas. Ela cantarolava uma música qualquer, e ainda matinha um sorriso fino nos lábios. Melanie estava feliz, como quase sempre se mantinha.

Uma bolsa capanga, uma blusa de mangas esverdeada, calças jeans e uma bota marrom de cano curto. Aquela era o seu look do dia. Depois de ter sido acordada bruscamente, ela não teve muita cabeça para pensar no que vestir para sair naquele fim de tarde. “Use mangas para evitar o frio e leve uma bolsa grande, onde possa enfiar tudo que é seu”, ela pensou, ainda enquanto tomava banho à trinta minutos atrás.

Ela dobrou uma esquina, desviando de um ciclista, que passou por ela apressadamente. A música que murmurava estava quase no fim quando alcançou o Café Girani’s. A jovem adentrou o ambiente, sendo muito bem recebida pelo cheiro de croissants quentes.

- Boa tarde, monsieur Girani. – ela se dirigiu ao recepcionista do local, lançando-lhe um sorriso aberto. O homem de aparentes cinquenta anos, bigode curto e sobrancelhas grossas sorriu para a garota também.

- Bonjour, srta. Veio se encontrar com suas amigas, suponho.

- Exatamente. Elas já chegaram?

- Já sim. Estão lhe aguardando na mesa de sempre. Fique à vontade.

- Muito obrigada, monsieur. – ela brincou com o sotaque francês.

Melanie se dirigiu para uma mesa mais ao fundo, que ficava de frente para a vitrine da loja, revelando a rua movimentada lá fora. Duas garotas já estavam sentadas à mesa, e a ruiva sorriu mais uma vez ao ver suas amigas.

- Olá, moças. – ela disse, sentando-se na cadeira desocupada e cruzando os braços sobre a mesa.

- Está atrasada. – a garota de cabelos rebeldes e cacheados disse. Seu nome era Hailee, uma jovem mulher de corpo escultural e uma típica risada escandalosa.

- Desculpe. Estava recebendo a nova moradora.

- E ela iria chegar hoje? Pensei que fosse só semana que vem. – Laura, a terceira à mesa, disse. Esta tinha cabelos caramelos, olhos escuros e, como informação bônus, um namorado para lá de bonito.

- Não, ela chegou no dia certo. Eu que me esqueci do horário. – Melanie esclareceu. Ela percebeu que as outras já comiam, e fez uma cara de decepção. – Não me esperaram para pedir?

- Estávamos famintas. Fomos para a faculdade hoje, lembra? Só você faltou para ficar em casa... fazendo nada. – Hailee arqueou as sobrancelhas.

- Não é verdade. – ela fez sinal para uma garçonete. – Eu fiquei em casa atualizando minhas séries.

As outras reviraram os olhos, enquanto a recém chegada fazia seu pedido: um delicioso croissant de chocolate e uma garrafa de água com gás.

- Mas então? O que tinha de tão urgente para marcarmos de vir aqui hoje?

- O que tem virmos aqui hoje?

- Só costumamos vir aqui durante a semana, que é quando a senhorita não está namorando.

Laura pensou em argumentar, mas rapidamente percebeu ser uma causa perdida. De fato, os fins de semana eram dedicados ao seu homem perfeito.

- Tudo bem. Mas eu o dispensei hoje. Tinha uma coisa para te contar. – ela pegou o copo a sua frente e seu um gole na bebida dentro dele. Melanie pode ver que ela sorria por detrás do vidro.

- Só para mim?

- Eu já sei o que é. – Hailee disse, depois de engolir o que estava em sua boca.

- Estão me excluindo das fofocas?

- Você só vai ficar sabendo agora porque faltou à aula.

- Tá... Mas o que é?

Laura pousou o copo na mesa e pigarreou, antes de mostrar a mão direita. Um anel de brilhantes descansava suavemente sobre o dedo anelar da garota.

- AI MEU DEUS! Você vai se casar! – Mel disse, tomando a mão da outra para si. O anel era lindo, e estava ainda mais valorizado pelas unhas recém pintadas.

- Sim! Ainda não definimos data, mas o pedido foi feito, então...

- Porque não me ligou para contar? É uma notícia bem grande! Laura, você vai casar. Casar! Juntar os trapos, constituir família, morar na mesma casa que um homem.

            - Ai, está bem, está bem. Quando eu for ter um filho, você vai ser a primeira a ficar sabendo. Agora, vamos ao que interessa: vocês vão ser madrinhas. Tcha-ram!

            Melanie arregalou os olhos e apertou a outra num abraço, enquanto ambas gritavam. A ruiva não conseguia ficar zangada com os outros por muito tempo. Hailee olhou para elas como se ambas fossem alienígenas.

            - Pelos Deuses, parem de gritar! Estamos em público! – ela lançou um guardanapo amassado contra as garotas, que voltaram aos seus lugares rindo.

            - Ai, que legal! Tenho que providenciar um vestido, marcar com o cabelereiro, o que você vai querer de presente? Tem que ser algo mais caro, afinal, serei madrinha e... – Melanie começou, não pausando para respirar.

            - Calma, Mel. Como já disse, ainda nem marcamos a data e ele também nem falou com meus pais. Temos muito o que ver antes da cerimônia.

            - Ok. – a jovem respondeu, mas ainda mantinha um sorriso radiante no rosto. – Pelos Deuses, um casamento...

            As outras riram da expressão da amiga, e as três voltaram a comer. Hailee e Laura conversavam sobre as aulas, enquanto Melanie tentava entrar na conversa, por mais que estivesse perdida no assunto. Quando terminaram, cada uma pagou sua respectiva conta e elas deixaram o local ainda comentando o futuro casamento. Laura estava bem tranquila com relação a isso, enquanto Hailee parecia indiferente. A única realmente animada era Melanie. Parecia que ela quem era a noiva.

            - Mas, vocês não se acham novos demais para casarem? – Hailee perguntou em um momento.

            - Talvez. É por isso que não estamos com tanta pressa em organizar as coisas.

            - Eu acho bonitinho jovens se casando cedo... – Melanie comentou, acanhada. – Ainda mais quando o casal tem a cabeça no lugar como vocês.

            - Falou a garota que nunca nem beijou na boca.

            Melanie mostrou a língua para Hailee e essa somente ergueu a sobrancelhas para ela.

            - Sinto informar, Mel, mas Hailee está certa. – Laura disse, divertindo-se internamente com a expressão horrorizada da outra. – No quesito relacionamentos, você não tem experiência nenhuma. Aliás, você é muito inocente em qualquer quesito.

            - Mas eu sei algumas coisas...

            - E aprendeu onde? Em uma série? Um filme? Tudo ali é muito bem planejado, jovenzinha. – a loira cruzou os braços. – Na vida real, a coisa é bem mais complicada. Só arranjando alguém para entender.

            Melanie fitou os próprios pés, enquanto ainda caminhava. Havia perdido aquela pequena batalha. Realmente, não sabia muita coisa sobre o que era estar com alguém. Mal sabia algo sobre o sexo oposto! Ela nunca se relacionou muito com garotos, e eles não pareciam interessados em juntar-se a ela. Tudo o que ela sabia sobre eles havia aprendido em (pega no flagra) filme, séries e nas aulas de biologia. Entretanto, dizer que ela nunca havia se interessado pelo universo masculino era um equívoco também. Ela tinha vinte e um anos; claro que já tinha se interessado por alguém na vida. Mas, ficou somente no interesse. A timidez e a falta de interesse em socializar-se nunca foram bons aliados.

            - Porque não arranja um namorado esse ano?

            Ela encarou Hailee, que esperava uma resposta para sua pergunta.

            - Um namorado...? Na faculdade?

            - É, aproveita o novo semestre e vê se arranja alguém. O que acha? – ela deu-lhe uma cotovelada nas costelas, sorrindo maliciosamente. Laura só observava, achando graça da inocência da ruiva.

            - Não sei se quero. Namorados exigem muita atenção.

            - Parece alguém falando em adotar um filhotinho. Vamos, Mel. Sua vida está passando. Você nunca fez nada muito... radical. Aliás, ter um namorado não é radical. A não ser que ele seja do tipo que gosta de “viver intensamente”, mas você não faz o tipo que ficaria com alguém assim.

- E eu faço que tipo?

Hailee a fitou de cima abaixo, e ela continuou esperando uma resposta.

- Sei lá. Você nunca falou sobre isso. – ela deu de ombros. – Mas, não quer experimentar coisas novas? Se arriscar um pouco talvez? Um namorado seria um bom começo para sair de sua zona de conforto, não acha?

            Melanie ia continuar argumentando, mas foi interrompida pela buzina de um carro vermelho que se aproximava. Era o noivo de Laura, que abaixou o vidro do motorista e sorriu para as moças. Os olhos da loira brilharam, e Melanie achou aquilo curioso e fofo.

            - Olá, querida. Olá, meninas. – ele disse.

            - Já está chamando de querida. – Hailee sussurrou para Melanie, enquanto Laura dava um selinho no rapaz.

            - Olá, amor. Porque está aqui?

            - Vi vocês passando e pensei em dar uma carona. Tenho que ir na sua casa mesmo, esqueceu?

            - Claro que não. – ela sorriu, já prevendo que ele falaria com os pais dela. A loira virou-se para as outras e balançou a cabeça em direção ao carro. – Querem carona?

            - Eu aceito. Passei o dia inteiro em pé e meus pés estão me matando. – Hailee disse, já dirigindo-se para o banco de trás.

            - E você, Mel?

            - Eu? Ah, não precisa. Vou a pé mesmo. Estou perto de casa, e tenho que passar para comprar comida para fazer um jantar para a nova inquilina. Podem ir.

            - Tudo bem, então. – Laura disse, dirigindo-se ao banco do carona. – Ah, não se esqueça. Quem cala, consente. Então, você aceitou o desafio de arranjar alguém. Boa sorte!

            -Tchau, Melanie! – a noivo dela disse, e deu partida antes que ela pudesse responder aos dois.

            Melanie ficou parada ali por um momento, sentindo contrariada. “Será um milagre tão grande assim se eu arranjar alguém?”, ela pensou, e se sentiu triste por um momento. Um sentimento pesado de inutilidade se abateu contra ela. Se é que arranjar uma pessoa se encaixa no quesito de utilidade.

A rua ainda estava movimentada, por mais que já tivesse escurecido. Ela procurou por estrelas no céu, mas não as encontrou. Seria um ótimo consolo. Um suspirou escapou de seus lábios, e em seguida um sorriso simples se formou ali.

            - Tudo bem, então. – ela disse para si mesma. – Mas, antes, vamos comprar algo para o jantar!

            A animação voltara. Saltitante, ela subiu a rua a procura de um mercado que ainda estivesse aberto. 



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