História Terras selvagens - Capítulo 22


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Categorias Originais
Tags Drama, Fantasia, Magia, Mundo Paralelo, Romance
Exibições 18
Palavras 2.125
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Fluffy, Hentai, Josei, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Um péssimo dia, o fim dos bons momentos

Capítulo 22 - O som do lamento


Quando arrastou-se da cama pela manhã ainda sentia-se sonolento e mais do que cansado, no entanto,  Seth obrigou-se a levantar. Então olhou para a janela e soube imediatamente que mais tarde iria cair a primeira neve do ano, o céu estava enegrecido e o tempo repentinamente parado. Por um curto momento, sentiu como se o clima fosse um espelho do que experimentava.

Olhou então para a figura miserável de Mist que também tinha já se levantado e seu humor melhorou levemente. Não deixava de ser engraçado a bola de pelo que ela se transformava a fim de se manter aquecida.

Apesar de ter feito tudo ao seu alcance para elevar a temperatura do quarto, sua mulher ainda se encontrava enrolada sobre várias camadas de peles e durante a noite sentia ela tremendo perto de si. Ao menos tinha parado de sangrar pelo nariz, refletiu preocupado. Agora, ele sabia com toda certeza, ela iria sofrer um pouco mais, assim que a primeira rajada de neve caísse.

 “Ainda com frio? ” Perguntou apenas para ouvir sua voz.

Ela lhe lançou um olhar atroz. Seth parecia completamente à vontade em tal clima. Era irritante a forma com que ela era apenas a afetada, “morrendo, na verdade” respondeu na voz rouca ainda do sono.

Sua expressão relaxou, divertido por ela, “venha cá” disse oferecendo os braços. Mist piscou com tal pedido, um pouco surpresa. Seth estava mais calado que o habitual e ela queria dá a ele seu próprio tempo, não exigindo saber o que estava acontecendo.

Mas sua expressão tinha tal sentimento de carinho que ela não hesitou e caminhou para seu colo, estabelecendo junto com seu manto.

Seth embalou sua forma e sim, ela tinha se sentindo imediatamente aquecida.

“Melhor? ” Indagou colocando o queixo sobre sua cabeça.

Ela acenou que sim.

Deixando apenas ser abraçada era algo tão bom. Ambos tinham perdido um ao outro nesses últimos dias, desde que seu irmão partira, Seth descobriu que seu trabalho dobrara, chegavam cada vez mais pedidos de dispensa dos representas do reino no sul, além de tentar manejar a distribuição de alimentos pelo norte, tentando evitar a concentração apenas nas regiões mais próximas, as enviando para o interior afim de apaziguar os ânimos exaltados da segunda e terceira casta.

“Agora eu tenho que ir” Seth disse após um momento, depositando um leve beijo em sua cabeça, o dia iria começar e ele tinha uma audiência marcada com seu pai, algo que ele gostaria de evitar a todo custo, porém sabia que não possuía meios de fugir e como uma ferida, quanto mais rápido fosse tirada, melhor.

Mist se enrijeceu, lembrando de mais um dia em ter que fingir estar tudo bem com a mãe dele e com sua família. Aquilo a estava consumindo.

“Eu gostaria de conhecer um pouco mais da cidade" falou em uma maneira de não fazer obvia a forma que queria ficar longe de sua sogra.

“Tem certeza?” Perguntou surpreso e então apontou para janela e sua fraca luminosidade “irá fazer bastante frio hoje”.

“Não importa, eu realmente gostaria de sair”

Seth pareceu pensar um pouco, “hum... é bastante grande, mas você poderá levar um servo com você”. Ele pode então sentir o momento em que ela se enrijeceu, sabia bem que havia algo perturbando ela. Quando ela tentou se levantar ele a segurou, “Ouça Mist,” começou lentamente, de modo que ela entendesse de uma vez por todas, “ eu sei que ainda é desconfortável para você, mas entenda: este é um trabalho! Ser servo, um empregado é algo que eles fazem para ganhar a vida, não é como se ser um servo significasse que as pessoas estão sendo escravizadas! ”

Ela mordeu o lábio inferior, mas logo soltou um breve suspiro “eu- eu sei” disse após um momento, “mas isso não significa que isto é certo Seth, estas pessoas estão passando fome, mesmo recebendo seus soldos, há gente morrendo por ai, de fome, além das revoltas populares”

“E você obviamente acha que isso é culpa nossa? ” acusou, “Há um conflito externo, onde estão sendo envolvidas diversas variáveis e em nada disso a nossa casta tem culpa”

“Eu não vejo assim, vocês administram esse país e esse reino! Isso por acaso é culpa do sul? Por querer uma melhor forma de vida, de querer liberdade em negociar com quem quiser?"

Ela então conseguiu se erguer, contrariada pelo que ele estava falando, “essa casta é a que governa o país, administra... como esse conflito não é culpa dela? E quer saber, eu não concordo com isso, não concordo com esse sistema de casta, acho uma forma apenas válida de legitimar uma desigualdade criada por vocês mesmo!” declarou um pouco mais alto do que deveria, mas finalmente expondo algo que a consumia desde que chegara.

Seth a encarou estupefato, “pensei que havíamos superado isso! ” Rebateu com desgosto.

“Eu não estou discutindo com você, apenas falando do que eu vejo a partir daqui” respondeu contrariada e cruzando os braços sobre o peito, “Eu vejo que a nossa cultura está sendo julgada injustamente, nos fazendo de criminosos onde não somos!”

 “Não “nossa” Mist” Seth se ergueu, também com raiva a dor de cabeça voltando de maneira mais intensa, “eu preciso que você entenda de uma vez por todas, você não é do sul, não tente defender qualquer tipo de postura, querendo ou não, você faz parte desta casta agora, assuma responsabilidades como tais! ”

Mist chiou “Não fale comigo nesse tom! ” Apontou para seu peito.

“Então tenha outra postura, você continua agindo como se pertencesse ao sul, Você agora pertence aqui!”

“Como... como você...Esse não é o ponto! Não estou defendendo o que é meu ou não. Estou falando de pessoas que estão morrendo de fome” ela continuou sinceramente indignada, “Há pessoas morrendo lá fora, e eu não vejo Seth nada nesse palácio que prove que toda comida, todo alimento chegue diretamente para cá, antes das outras castas”.

“Sim, Mist nós temos alguns privilégios, mas também pagamos mais caro por isso. Ou você acha que simplesmente pegamos e roubamos os alimentos das pessoas mais pobres?” Questionou impaciente.

Ela cruzou os braços sobre o peito, “Roi havia me avisado, tinha me dito que...” ela começou dizendo.

Seth não podia acreditar no que ouvia, seu sangue ferveu, “não fale o nome desse homem...”

Mist o encarou desafiante, “ele havia me dito que vocês eram como sanguessugas...”

“Você escuta o que está dizendo?” Seth gritou, finalmente perdendo a cabeça, “significa que eu sou assim também, é isso que quer dizer?”

Ela recuou um passo assustada por ele, “Não você, mas sua mãe...”

“Por favor, não envolva a minha família sobre isso” ele disse levando as mãos sobre os cabelos, exasperado.

“não envolver? Como posso não fazer isso se a todo momento eles estão dizendo coisas para que eu funcione melhor. Me vigiam, apontam o dedo para mim. Não tente me enganar Seth, eles claramente não gostam de mim!”

“claro que eles fazem isso, você faz com que tudo seja tão obvio Mist!” Reclamou quando lembrou da forma com que ela se comportava perto da mãe, “ a sua indisposição crescente, seu jeito de ser...”

Mist ficou chocada e ainda, bastante magoada, “meu jeito de ser nunca foi um problema para você!” acusou com raiva.

“Claro que não é” ele viu que tinha sido entendido errado, “mas quando estamos apenas nos dois, em casa era diferente. Aqui você deve se comportar como uma mulher do norte”

“Por que, eu não sou boa o suficiente? Pois eu sinto muito” ela gritou para ele e se virou querendo fugir daquela briga idiota.

“Isso não é reposta! Mist não me vire as costas quando eu estiver falando com você” Seth a puxou pelo braço para que olhasse para ele “você não vê?! As pessoas, Mist, só estão procurando um culpado para tudo isso que está acontecendo e você é a pessoa mais próxima que eles podem fazer isso! Facilmente um bode expiatório!”

“Eu não tenho culpa de ser diferente de vocês! Não posso mudar minha cor, meus cabelos, meus olhos, eu sou quem sou!"

 “Não estou falando sobre isso” ele sussurrou entre os dentes.

“É|!” ela respondeu mais alta, “Eu sou o que vocês não querem, e tudo o que eu já fiz aqui não é o suficiente!”

Ele apertou a mandíbula com força, “Talvez se você saísse desse seu pódio onde você é melhor que as outras pessoas, você conseguiria se comportar melhor!”

“Bem, por que eu faria isso? Onde claramente todos me odeiam e eu não posso dá um passo sem que venham para cima de mim? ”

“Você não faz ideia de quem são meus pais Mist, do que eles podem fazer, é por isso que peço para que...”

“seja menos eu mesma?” Desafiou, pondo as mãos na cintura.

Seth fechou os olhos com força e cerrou os dentes, “é, é isso mesmo. Talvez seja melhor que você mude um pouco!”

Mist mordeu o interior da boca, “ótimo então!” argumentou e deu as costas para ele.

“Ótimo!” Seth devolveu, também cruzando os braços e se virando contra ela.

Perfeito como esse dia começou, ele pensou com raiva e então saiu do quarto, batendo a porta atrás de si.

A vontade que Mist tinha era a de chutar algo bem forte, gritar, ou então, quem sabe, sair correndo daquele lugar.

Ela fungou, mas cravou os dentes sobre os lábios afim de lhe impedir de chorar.

Vestiu-se sem a ajuda da serva e estava determinada a ir para cidade quando foi avisada que haviam compromissos a serem cumpridos pelo dia. Ela pensou em sair do mesmo jeito, iria sem servo, sem companhia, era uma pessoa independente, sempre fora, então mostraria para Seth que ela não ligava a mínima para o que pensavam dela. Havia tentado se adaptar, realmente, mas o que ganhara em troca?

Aproveitando a onda de raiva que sentia, saiu do castelo determinada a conhecer a cidade.

Desceu as extensas escadarias, mas descobriu que para sair teria que ter uma permissão, aparentemente alguns saques tinham ocorrido logo cedo e estaria perigoso do lado externo.

“sinto muito senhora, não podemos deixar nenhuma mulher sair no momento, alguns guardas estão pela cidade afim de garantir a ordem, mas não há certeza de segurança” o soldado que guardava a entrada lhe informou.

Mist mordeu o lábio inferior, o vento soprava forte e ela se encolheu mais ainda. Não queria voltar, não queria outro dia naquele lugar.

“O que está acontecendo por aqui?” Mist escutou uma voz fina e baixa atrás de si e imediatamente um arrepio correu pela sua espinha juntamente com uma sensação de mau agouro.

Virou e se viu diante de Eleonor.

A mãe de Seth estava sozinha, uma pesada manta a envolvendo, mas não olhava para Mist, mas sim para o soldado.

O homem pareceu confuso por um momento, “Senhora, estava apenas informando a ordem do dia para que ninguém saísse sozinho ou sem autorização” disse hesitante.

E então finalmente ela se voltou em sua direção. Mist ergueu o queixo desafiante, apesar do batimento acelerado do coração.

“Felizmente eu consegui apanha-la antes que cumpra seu objetivo” falou para Mist, mas sem demonstrar emoção alguma, “acho que precisamos conversar, queira me acompanhar” falou, mas não foi um pedido, “por favor, desculpe pelo incomodo, minha filha não sabia que não poderia sair desacompanhada” disse para o soldado e pondo-se a andar.

Sem mais opção Mist respirou fundo e passou a seguir a sogra, de repente tendo a visão de si mesma como um animal indo para o matadouro. Mas resolveu não se abalar, mesmo que por dentro estivesse tremendo. O que era a força dessa mulher que a deixava nesse estado?

A seguiu silenciosamente até seus próprios aposentos a uma parte do castelo que nunca havia ido. Sua câmara privada era um pouco maior do que a dela mesma, mais ainda era ricamente decorada, cortinas, almofadas, travesseiros em tons escuros e uma tapeçaria rica, cobrindo todo o aposento.

Mas não ficaram ali, seguiu ainda até seu próprio escritório onde finalmente Mist foi convidada a tomar assento. Eleonor tomou o lugar a sua frente.

Os olhos azuis gelo a encontram e ela sentiu um desejo intenso de desviar o olhar para qualquer outro lugar, e sem querer acabou olhando para as mãos que repousavam no colo, como se tivesse feito algo de errado, mas ela não tinha, era importante se lembrar que não tinha feito nada de errado!

“Eu acho que chegou a hora de você tomar conhecimento de algumas coisas Mist” a mulher mais velha declarou, “Olhe para mim enquanto eu estiver falando para você” ordenou e Mist a encarou com toda a coragem que possuía.

A boca de Eleonor curvou-se levemente para cima, mas o sorriso não lhe chegava aos olhos.


Notas Finais


Um pouco dramático.

Claramente o próximo capitulo será uma continuação direta :D


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