História Thankful - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Ação De Graças, Desabafo, Minha Vida, Narrativa
Exibições 23
Palavras 1.738
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Fluffy, Lírica

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oi! Não me perguntem o motivo pelo qual eu estou postando um monólogo meu de ação de graças dois dias depois do dia de ação de graças. Eu posso. Beijos no coração.
Isso aqui... Não é sobre ninguém. Acho que é só uma coisa ou duas que eu precisava tirar de mim, sabe? Precisava dizer isso à mim mesma. Então, é uma análise sobre a minha vida, e não é minha intenção dizer a ninguém o que fazer ou coisa do tipo.
Queria dizer que vou sumir daqui, e, bem, não estou triste. Amo muito vocês, e ninguém tem nada a ver com isso, além de mim mesma. Eu estava sugando minha vida aqui, sabe? Um tempo longe vai me fazer muito bem. Pra entender melhor a minha situação, se vocês por acaso quiserem, eu sugiro que leiam as OS "Aprisionada" e "Liberta" da @felomenal. Elas descrevem bem.
Bom, gente, era isso. Um beijo no coração. Amo todos vocês. Muito, muito mesmo. Fiquem bem. Stay alive |-/

Capítulo 1 - Capítulo Único


Bom… Eu nunca sei como começar essas coisas direito. Há tanta coisa que eu quero dizer! Primeiro, acho, vou começar explicando o motivo pelo qual eu estou escrevendo um monólogo meu de ação de graças dois dias depois do Dia de Ação de Graças em si. Sendo que nós, brasileiros, nem comemoramos ele na última quinta-feira de Novembro. E porque eu não estou postando isso como um jornal.

O primeiro motivo é: eu sou louca!

O segundo motivo: não sei, senti que precisava esclarecer algumas coisas… pra mim mesma, principalmente. E gostaria de compartilhar meus pensamentos com vocês. E sempre achei os jornais um tanto… não sei, meio sem sentido, talvez? Nunca me entendi muito bem com eles, e sempre me pareceram ter um alcance um tanto limitado. Enfim.


Eu tive momentos sombrios na minha vida, vários deles. Eles, muitas vezes, surgiam um atrás do outro, me fazendo sentir que a vida não tinha um sentido, e que eu não tinha motivo nenhum para continuar lutando. A vida foi muito, muito difícil, desde o começo. Eu sofri na escola, quando tive apenas uma amiga até a sétima série, e todos (quando eu digo todos, é todos, mesmo) os outros alunos do meu turno zombavam de mim o tempo inteiro, e eu voltava para casa e chorava, e ouvia dos outros que eu tinha que aprender a me defender. Não foi fácil quando eu comecei a usar a internet como válvula de escape, e acabei trancafiando a mim mesma nesse mundo irreal, adoecendo nele durante muito tempo e quase destruindo tudo o que tínhamos construído em família e com nossas vidas. Principalmente com a minha própria. Não foi fácil quando eu fui bruscamente arrancada do meu vício e jogada na vida real, sendo obrigada a viver como… um viciado sem poder usar suas drogas. Não foi fácil quando eu descobri que tinha ferido todos à minha volta e que eu estava errada, que tinha perdido a confiança de todos que eu amava e que tinha deixado neles cicatrizes que não iam curar tão facilmente (embora, talvez alguns deles pudessem ter se esforçado mais para me perdoar). Não foi fácil quando eu vi as garotas ao redor de mim saindo, indo à festas, namorando com vários garotos, um atrás do outro e me esquecendo. Não, houveram muitas outras dessas coisas, e nenhuma delas foi fácil. Nem perto disso. Mas agora eu paro e penso: será que eu seria quem sou, será que eu seria tão forte, tão… eu, se não tivesse passado por cada uma delas? O que eu seria sem meus erros? Que tipo de pessoa eu seria se não tivesse nada no passado para me ensinar como viver meu presente? Eu sou muito grata por cada momento de dor, cada erro, cada tropeço. Cada barreira que eu tive de transpassar. Cada lágrima que saiu de mim, cada pequena partícula desse meu passado.


Não adianta nada ficar pensando e remoendo sobre ele. Tento, agora, esquecer as coisas ruins, levar apenas todo ensinamento que eu puder tirar, apenas guardar comigo as lembranças boas. Pois o passado não muda. Se aconteceu, teve algum motivo para isso, e não há, não haveria nada, absolutamente nada no mundo inteiro que pudesse ter mudado isso. Eu tento aceitar, e seguir em frente. Perdoar tudo e todos que tiverem de ser perdoados, por mais forte, por mais profunda que tenha sido a cicatriz que deixou em mim. Por mais horrendo que tenha sido o crime, o erro que cometeu. A raiva, o ressentimento… fazem mal para mim mesma. E não é meu dever aqui julgar, de qualquer forma. Nenhuma pessoa, nenhum ato, nada. Não foi para isso que eu vim. Eu vim para amar os outros, para cuidar deles. Eu sinto que essa é minha missão.

Diga o que quiser, pense o que quiser pensar sobre Deus, mas eu creio fortemente Nele. Eu nunca fui exatamente a pessoa mais religiosa, pelo menos não até dois anos atrás.


Quando eu estava no meu período de… abstinência. Acho que podemos chamar assim. Nunca tive total certeza de que Ele existia, e muitas vezes várias coisas me fizeram questionar se valia à pena continuar numa religião da qual eu duvidei muitas vezes. Então minha vida mudou. Esse período de abstinência foi um dos piores da minha vida, um verdadeiro inferno. Foi quando eu fui convidada por uma amiga para um grupo de jovens cristãos que se reuniam com o objetivo de ajudar os necessitados. Não só com comida e roupas, mas com orações e, principalmente, oferecendo amor e amizade. Devo confessar que fui ao meu primeiro retiro com o objetivo de deixá-la feliz, e prometi a mim mesma que passaria o fim de semana lá e depois simplesmente decidiria não fazer parte do grupo. Mas a vida é um negócio estranho, e a gente nunca sabe o que há por vir. Eu acabei me sentindo em casa, me senti tão feliz, tão aconchegada e tão amada que sinto as lágrimas brotando só de lembrar. O amor, a felicidade, a emoção daquele lugar, um monte de jovens iguais a mim, jovens como você,  partilhando suas semelhanças e diferenças uns com os outros, reunídos para rezar, cantar, trocar ideias e ajudar o próximo… vocês não fazem ideia do quão chocada eu fiquei. Em ver que estava todo mundo deixando as festas, ou coisas assim, de lado, pra passar um fim de semana renovando o lado espiritual. Eu não conseguia entender, nem acreditar. Achei aquilo o máximo. E todos que estavam ali, até mesmo os novatos como eu, fizeram de tudo para que todos se sentissem em casa. E eu senti, por mais idiota que você possa achar, senti Deus ali comigo. Senti que todos os meus antigos erros não importavam mais, e aquilo significou o mundo para mim. O peso que eu carregava, a dor que eu sentia era imensa, e sentir aquilo tudo sair dos meus ombros simplesmente não teve preço. E também senti o quão abençoada eu era. Eu tinha uma família. Eu tinha uma casa. Eu ia à escola. Eu tinha amigos que se importavam comigo. Eu tinha comida para comer todos os dias, e tinha condições financeiras para viver uma vida confortável e ainda me dar a alguns luxos. Eu simplesmente parei de pensar tudo de uma maneira negativa, e isso fez toda a diferença. Talvez estivesse na minha cabeça o tempo todo, mas eu passei a enxergar em tudo um motivo para agradecer, e a vida ficou feliz. Por que, afinal, havia tanta gente em uma situação pior, e que não estava reclamando. Por que motivo eu, que tinha tudo, iria reclamar?


Mas eu acabei deixando minha espiritualidade um pouco de lado… e quase afundei de novo. Agora, creio que eu esteja perto da margem, mas ainda estou lutando para me manter à tona. Eu tinha começado com os pensamentos ruins de novo, e deixei que eles me dominassem. Deixei que a tecnologia tomasse conta, e então passava o dia reclamando de tudo e não fazendo nada para mudar isso. Eu fui uma pessoa bem horrível durante esse tempo, e peço mil desculpas a todos que incomodei, feri com isso.


Esses dias me ocorreu um pensamento que me deixou bastante envergonhada comigo mesma. A gente sempre pensa que se a nossa vida fosse igual à de tal pessoa, ela seria melhor, não é? “Se eu tivesse só o dinheiro de tal celebridade, minha vida seria melhor.” “Se eu fosse um pouco mais como tal pessoa, eu seria mais feliz.” “Se eu tivesse um só poder daquele super-herói, as coisas seriam tão mais emocionantes!” Mas então… eu pensei em quem não tem nada. Naquele pai de família desempregado, naquela criança que não pode estudar, que é obrigada a trabalhar em vez de brincar ou de quem os coleguinhas querem distância. Em quem não tem dinheiro pra pôr comida em casa e dar uma vida melhor pra família, mesmo trabalhando tanto. Naquele ser humano que é discriminado. Em quem teria uma vida toda pela frente mas está em uma cama de hospital ou bastante doente. Quantos deles não dariam tudo, quantos deles não dariam o mundo para ser um pouquinho mais como nós? Para ter nossa saúde, nossas condições, nosso alimento, nossa liberdade. Isso me deixou com tanta vergonha de mim mesma, por muitas vezes dizer que minha vida é um lixo e por deixar que eu acreditasse nisso. Eu ainda me esqueço de agradecer por tudo quando eu acordo, mas eu tento, e isso me faz bem. Agradecer pela manhã que eu tive a oportunidade de conhecer, pela noite anterior. Pela minha casa, pela minha família, pela minha vida. Pelo alimento, pelo dia novo que estou vivendo. Por respirar. Por todas as pessoas que eu amo. Por qualquer coisa que eu possa agradecer.


A vida… é uma coisa maravilhosa. É o maior presente que já recebi. E eu estou aqui por algum motivo. Acredito nisso. Eu não estou sozinha, sei que não, e há algo esperando por mim bem lá na frente. Vai ser difícil? Vai, mas o que não é difícil não vale coisa alguma. Como eu disse, eu sei que não estou sozinha, e estou aqui para servir. O que vier, eu vou aceitar de bom grado. Enquanto isso, vou tentar aproveitar o máximo que eu puder da vida, pois sou muito grata a tudo. Eu sei que é difícil, extremamente difícil de pôr em prática o que vou dizer agora… e eu sou a prova viva disso. Mas pensamentos negativos nunca ajudaram ninguém. É muito árduo de manter a mente feliz e não perder as forças às vezes, mas tente sempre pensar em algo bom, sim? Eu não sei dizer porque tanta gente sofre. Porque tanta gente morre. Porque tantos brigam. Não sei, é complicado, e não acho que alguém vá entender algum dia. Mas enquanto isso eu posso fazer o que está ao meu alcance, e pensar alegre. Eu não estou sozinha, e você não está sozinho também. Lembre disso.


Então, sou grata… não só pelas coisas boas, mas pelas coisas ruins. É verdade quando dizem que não é possível ser feliz sem ter sido triste. Porque quase sempre, em algum momento da vida, nós olhamos para trás e notamos que éramos felizes e não sabíamos. Por isso eu sou grata por tudo, tudo, tudo. E sou grata por ter conhecido vocês. Muito obrigada por terem me deixado fazer parte de suas vidas!


Notas Finais


Quero muito que vocês ouçam isso, também: https://youtu.be/V21whF95xT4


Obrigada! ❤


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