História The 5th Wave - Capítulo 11


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Categorias A 5ª Onda
Personagens Ben Parish, Cassie Sullivan, Coronel Volsh, Coronel Vosch, Dumbo, Evan Walker, Flinstone, Lisa Sullivan
Tags A 5ª Onda, Drama, Ficção, Livro, Romance, Suspense
Visualizações 17
Palavras 1.514
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Capítulo 10


  Acho que agora preciso falar sobre Sammy. Não sei bem como chegar lá. 

Lá sendo aquele pequeno trecho ao ar livre, onde o sol beijou minha face arranhada quando escorreguei de sob o Buick. Aquele pequeno trecho foi o mais difícil. O trecho mais longo do universo. O trecho que se estendia por milhares de quilômetros. 

Lá sendo o local na estrada em que me virei para enfrentar o inimigo que não podia ver. 

Lá sendo a única coisa que evitava que eu enlouquecesse totalmente, a coisa que os Outros não foram capazes de tomar de mim depois de terem me tirado tudo. 

Sammy é a razão pela qual não desisti; por que não fiquei debaixo daquele carro e esperei pelo fim. 

A última vez em que o vi foi pela janela traseira de um ônibus escolar. Sua testa pressionada de encontro ao vidro. Acenando para mim. E sorrindo. Como se ele fosse para uma viagem de campo: entusiasmado, agitado, nem um pouco temeroso. Estar com todas as outras crianças ajudou. E o ônibus da escola, que era tão normal. O que é mais comum do que um enorme ônibus escolar amarelo? Na verdade, tão normal, que vê-lo entrando 110 campo de refugiados após os quatro meses de horror foi chocante. Foi como ver um McDonald's na Lua. Totalmente esquisito e louco, algo que simplesmente não deveria estar acontecendo. 

Estávamos no campo somente há algumas semanas. Das cerca de 50 pessoas ali, nós éramos a única família. Os demais eram viúvos ou órfãos. Os últimos com os familiares, estranhos antes de chegar ao campo. O mais velho provavelmente tinha cerca de 60 anos. Sammy era o mais novo, mas havia outras sete crianças, nenhuma com mais de 14 anos, exceto eu. 

O campo situava-se a 30 quilômetros a leste de onde vivíamos, aberto na floresta durante a 3ª Onda para a construção de um hospital de campanha depois que os da cidade tinham atingido a capacidade total. Os edifícios foram erguidos apressadamente, feitos de madeira serrada à mão e zinco recuperado. Uma ala principal para infectados e um barracão menor para os dois médicos que cuidavam dos moribundos antes que eles, também, fossem derrotados pelo Tsunami Vermelho. Havia um jardim de verão e um sistema que captava água da chuva para banhos, limpeza e consumo pessoal. 

Comíamos e dormíamos 110 edifício grande. Cerca de 600 pessoas haviam sangrado até a morte ali, mas o chão e as paredes tinham sido lavados com cloro,e os catres em que tinham morrido, queimados. O cheiro ainda lembrava levemente a Pestilência {algo parecido com leite azedo), e o cloro não tinha removido todas as manchas de sangue. Havia desenhos de minúsculos pontos cobrindo as paredes e longas manchas em forma de foice no chão. Era como viver em uma pintura abstrata em 3-D. 

O barracão era uma combinação de depósito e esconderijo para armas.Legumes enlatados, carnes embaladas, grãos, farináceos, tecidos etc., e gêneros de primeira necessidade, como sal. Revólveres, pistolas, semiautomáticas, até algumas pistolas de sinalização. Todos os homens estavam armados até os dentes:era a volta do Velho Oeste. 

Um fosso raso foi aberto a algumas centenas de metros no interior da floresta, atrás do conjunto. O fosso servia para cremar corpos. Não tínhamos permissão para ir até lá, portanto, naturalmente, eu e algumas das outras crianças mais velhas fomos. Havia esse garoto estranho que chamavam de Brilhantina,provavelmente por causa de seus cabelos longos e penteados para trás com gel.Brilhantina tinha 13 anos e era um caçador de tesouros. Ele realmente andava entre as cinzas para recuperar joias, moedas e qualquer coisa que considerasse valiosa ou "interessante" Ele jurava não agir dessa maneira por ser doido. 

— Essa é a diferença agora — ele dizia, soltando uma risadinha de desdém, examinando sua última aquisição com as unhas sujas, as mãos enluvadas com o pó cinza dos restos mortais das pessoas. 

A diferença entre o quê? 

  — Entre ser o Homem ou não. O sistema de troca de mercadorias está de volta, garota! — ele disse, erguendo um colar de diamantes. — E, quando tudo acabar, exceto pelos gritos, as pessoas com as coisas boas vão dar as cartas. 

A ideia de que eles queriam matar todos nós ainda não era algo que tinha ocorrido a ninguém, até mesmo aos adultos. Brilhantina considerava-se um dos americanos nativos que vendeu Manhattan por um punhado de contas, e não um pássaro Dodô, o que estava muito mais perto da verdade. 

Papai tinha ouvido falar do campo algumas semanas antes, quando minha mãe começou a mostrar os primeiros sinais da Pestilência. Ele tentou convencê-la a ir, mas ela sabia que não havia nada que se pudesse fazer. Se ia morrer,queria morrer em sua casa, e não em algum falso hospital no meio da floresta.Então, depois, quando se aproximavam suas últimas horas, chegaram informações de que o hospital tinha sido transformado em um ponto de encontro,um tipo de local protegido para sobreviventes, longe o suficiente da cidade para ser relativamente seguro na próxima Onda, seja lá como ela fosse ocorrer(embora a melhor aposta estava em algum tipo de bombardeio aéreo), mas perto o bastante das Pessoas Encarregadas de descobrir quando viriam nos resgatar, se é que havia Pessoas Encarregadas, e se viriam. 

O chefe não oficial do campo era um militar aposentado chamado Hutchfield. Ele era um Lego humano: mãos quadradas, cabeça quadrada,maxilar quadrado. Usava a mesma camiseta apertada todos os dias, manchada com algo que podia ser sangue, embora as botas pretas sempre brilhassem como um espelho. Tinha a cabeça raspada (mas não o peito, nem as costas, fato que ele deveria levar em consideração). Era coberto de tatuagens. E gostava de armas. Duas no quadril, uma nas costas, no cós das calças, mais uma pendurada no ombro. Ninguém carregava mais armas do que Hutchfield. Talvez isso tivesse algo a ver com o fato de ele ser o chefe não oficial. 

Sentinelas nos viram chegando. Quando atingimos a estrada de terra que levava à floresta e ao campo, Hutchfield estava lá com outro sujeito chamado Brogden, Tenho quase certeza de que deveríamos notar o arsenal bélico pendurado em seus corpos. Hutchfield mandou que nos separássemos. Ele ia conversar com meu pai. Brogden ficou comigo e Sams. Eu disse a Hutchfield oque achava da ideia. Sabe, exatamente onde em seu traseiro tatuado ele deveria enfiá-la. 

Eu tinha acabado de perder minha mãe e não estava muito ansiosa com a perspectiva de perder meu pai. 

— Está tudo bem, Cassie — meu pai me tranquilizou. 

— Não conhecemos esses caras — argumentei. — Eles podem ser outro grupo de Dedos Moles, pai. 

Dedo mole era gíria para "bandidos com armas" os assassinos,estupradores, comerciantes de mercado negro, sequestradores e todo o tipo de malandro que surgiu durante a 3ª Onda, motivo pelo qual as pessoas formavam barricadas em suas casas e estocavam comida e armas. Não foram os alienígenas que nos incitaram a nos preparar para a guerra em primeiro lugar:foram nossos companheiros humanos. 

— Eles só estão sendo cautelosos — papai contra-argumentou. — No lugar deles, eu faria a mesma coisa. 

Ele me deu um tapinha, e eu o olhei como se dissesse: "Droga, meu velho,se me der outro tapinha condescendente..." 

— Vai ficar tudo bem, Cassie. 

Ele se afastou com Hutchfield, fora do alcance dos nossos ouvidos, mas ainda à vista. Isso fez com que me sentisse um pouco melhor. Puxei Sammy para perto de mim e fiz o melhor que pude para responder às perguntas de Brogden,sem socá-lo com a mão livre. 

— Como vocês se chamam? 

— De onde vocês são? 

— Alguém do seu grupo foi infectado?

  — Há alguma coisa que possam contar sobre o que está acontecendo? 

— O que viram?

 — O que ouviram? 

— Por que estão aqui?

 — Você está falando deste campo, ou está falando do aspecto existencial?— perguntei. 

O homem franziu as sobrancelhas, formando uma única linha dura, e disse: 

— Hã? 

  — Se você perguntasse antes de toda essa merda acontecer, eu diria algo como: "Estamos aqui para servir nossos semelhantes ou contribuir com a sociedade" Se eu quisesse bancar a espertinha, eu diria: "Porque, se não estivéssemos aqui, estaríamos em algum outro lugar," Mas, como essa merda toda aconteceu, vou dizer que é porque temos muita sorte. 

Ele me fitou com os olhos semicerrados antes de dizer, irritado: 

— Você é espertinha.  

  Não sei como meu pai respondeu a essa pergunta, mas, aparentemente,passou pela inspeção, porque nos permitiram entrar no campo com todos os privilégios, o que queria dizer que meu pai (mas não eu) pôde escolher algumas armas do esconderijo. Meu pai tinha uma opinião sobre armas. Não gostava delas, dizia que elas não matavam pessoas, mas facilitavam a tarefa. Agora ele não as considerava tão perigosas, mas sim ridiculamente inúteis. 

— Para que você acha que elas vão servir contra uma tecnologia milhares,se não milhões, de anos à nossa frente? — ele perguntou a Hutchfield. 

— É como usar um porrete e pedras contra um míssil tático. 

O argumento não funcionou com Hutchfield. Pelo amor de Deus, ele era um militar. O fuzil era o seu melhor amigo, seu companheiro mais confiável, a resposta a todas as perguntas possíveis. 

Não entendi aquilo na época. Mas entendo agora.    



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