História The Ascent. - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Bruxas, Fadas, Guardioes, Lobisomens, Princesa, Principe, Vampiros
Exibições 5
Palavras 6.066
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Magia, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Sobrenatural, Terror e Horror
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - Capítulo 12


—Ah, a amável Sophia. Que prazer finalmente lhe rever.

Eu estava em uma sala escura. A única fonte de luz que havia nela era uma pequena vela atrás do homem que estava falando comigo. Eu podia ver apenas sua silhueta, já que a luz estava contra ele. Tentei me levantar a cadeira em que eu estava, mas eu não podia.

Eu estava amarrada.

Senti minha respiração acelerar. Eu estava lentamente começando a ter um de meus ataques de pânico, o que é normal em uma situação como essa, suponho.

—Quem é você?- eu consegui sussurrar. Eu estava tentando ver algo além de sua silhueta. A luz da vela bruxuleou enquanto ele se aproximava de mim, e algo em sua mão cintilou. Ele se ajoelhou na minha frente, encostando a lâmina gelada em minha perna nua.

—Ora, Tessa, você já me viu antes. Mas isso não vem ao caso. Eu preciso que você me faça a gentileza de me ajudar a fazer um velho amigo meu voltar a vida. Você vê, é para o bem de todos. E acho que vai lhe interessar muito me fazer esse favor.

Suguei o ar com força quando percebi o que ele possivelmente era.

—Você é um Giovanni. - eu cuspi- nunca, na minha vida te ajudaria. Não depois do que fizeram com a minha família!

Ele deu um profundo suspiro dramático estalou os dedos, fazendo o quarto se encher com um luz cegante.

Depois que a minha visão se ajustou, pude ver o quarto moderno em que eu estava, vestida apenas com a camisola em que eu dormi. E melhor ainda, eu pude ver o homem que estava falando comigo, com seu cabelo castanho acobreado e olhos verdes.

–Bom, se é essa a sua resposta agora, não há nada a fazer. - ele disse se levantando e indo atrás de mim, colocando as duas mãos em meus ombros. - Mas devo dizer que não fomos nós quem os matamos, ele era na verdade um dos únicos que sabiam sobre o que realmente somos. Tenho certeza que encontrará tudo isto naquele diariozinho que ele carregava por toda parte.

A mão dele tracejou minha clavícula.

–Não farei nada para você, pode guardar suas mentiras para outra pessoa. - eu consegui dizer, minha, minha voz quebrando.

—Bem, não esqueça de mandar lembranças à James.

Ele então suspirou novamente. E passou a lamina pela minha garganta.

O que me fez acordar gritando, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Logo que percebi que estava não estava morta eu comecei a ter um ataque de pânico. Não por achar que eu havia morrido, mas por saber que o sonho era muito real, tão real quanto os que eu tinha com James.

Eu não conseguia respirar. Eu tentei apertar a campainha que traria Lizbete até meu quarto, , mas eu não conseguia achá-lo, mesmo sabendo que ele estava na lateral do meu criado mudo. Eu tentei forçar o ar à entrar, mas não conseguia. Ah meu deus, eu continuava a pensar num ciclo sem fim, E se o que ele falou for realmente verdade?

Minha visão estava borrada pelas lagrimas que por algum motivo estavam caindo. Por isso, quando houve um estrondo na direção da porta eu não pude ver o que era.

Não até que a pessoa que provavelmente a arrombou se sentou na minha cama, falando meu nome, um braço envolvendo minhas costelas. Apenas com o toque de James eu comecei a me acalmar.

—Tess. — ele murmurou com sua boca pressionada em meu ouvido — Não é nada, Tess, siga minha respiração. Você está bem, está tudo bem.

A voz dele teve como sempre o efeito de me acalmar. Eu podia sentir o peito de James se movendo atrás de mim, seu coração batendo firmemente em minhas costas. E sem ao menos perceber, eu estava respirando normalmente. Ele beijou o topo da minha cabeça enquanto seus braços me seguravam com força. Eu me virei e o abracei corretamente, enfiando meu rosto em seu pescoço, apenas sentindo o cheiro dele.

—James, —eu disse, com a voz trêmula — Obrigada.

A luz que entrava pelas portas da minha varanda iluminou seu rosto, e eu fiquei maravilhada como sempre com o quão bonito ele era. O maxilar forte, o nariz reto, o cabelo bagunçado e os olhos, os olhos extremamente prateados que me refletiam como o mais claro espelho.

E além dessa beleza toda, ele estava apenas vestido com uma calça de moletom. O que fazia eu sentir muito bem seu peitoral se pressionando contra o fino tecido de minha camisola.

— Nunca mais me assuste desse jeito. — ele disse, tomando meu rosto entre as mãos. — Estamos entendidos?

Eu assenti fracamente com a cabeça, absorvendo o toque dele. Nem ao menos me dei ao trabalho de explicar que eu não tinha escolhido ter um ataque.

—Eu senti sua falta. — eu murmurei estupidamente, sem conseguir controlar minha boca grande, o que me rendeu um de seus sorrisos especiais, do tipo que criavam covinhas em suas bochechas.

E então ele me beijou. Eu me sentei em seu colo, de frente para ele, para poder beija-lo melhor. Suas mãos percorriam possessivamente meu corpo, me fazendo estremecer. O beijo estava mais profundo do que nunca, e a cada toque eu sentia um pequeno choque. Quando eu me afastei para tomar ar, ele continuou me pressionando contra si, o que não era uma coisa muito calmante, considerando as sensações que estava me causando. Contra minha vontade, eu sai de cima dele, me sentando em sua frente sem tocá-lo.

—O que te apavorou tanto? — ele perguntou normalmente., o que era completamente injusto já que eu ainda estava ofegante pelo beijo.

Encarei a lua pela porta que dava para minha pequena sacada. Era uma noite estrelada, com uma brisa fresca soprando levemente as folhas da floresta ao nosso redor. Se nada houvesse mudado em minha vida, a essa hora Carolinne e eu estaríamos provavelmente sentadas na praia fofocando, como sempre fazíamos. Ela iria falar quem beijou quem, e eu faria meus comentários.

Mas esses tempos estão no passado, e agora eu tenho que aprender a governar e a Carolinne é uma bruxa, eu disse a mim mesma, não adianta pensar no passado.

Virei-me para James, prestes a abrir minha boca para informa-lo do meu sonho com o cara dos olhos verdes quando uma sensação percorreu meu corpo. Por algum motivo, eu não devia contar a ele. Sempre que eu tenho essa sensação e a ignoro, alguma coisa ruim acontece. Eu a tive quando conheci Charles.

—Sonhei com o acidente — eu menti, olhando para minhas mãos enquanto o vento balançava minhas cortinas.

—Você precisa descansar, Sophia. —ele disse acariciando meu rosto.— Amanhã será um dia cheio. Não pense no que já passou.

Ele me puxou para si, deitando minha cabeça em seu peito. Culpa por ter mentido para ele me atingiu, ele que era sempre meu abajur, afastando a escuridão. Assim que ele começou a cantiga de sempre eu adormeci, escorregando para um sono sem sonhos.

Quando acordei, James não estava mais ao meu lado, o que era de se esperar, já que Lizbete teria um ataque se o visse ali. Tomei um banho e olhei o quadro que havia atrás de minha porta, constatando que eu não teria uma reunião com o Conselho. Ah, que sorte a minha!

Fiz uma careta e toquei o botão que avisaria Lizbete que eu estava pronta para ela me arrumar. Quando ela chegou no meu quarto, eu estava com o cabelo seco e liso. Ela me olhou e sorriu consigo mesma.

—Bom dia prin... Sophia. —ela apenas não me chamou de princesa quando viu a careta que eu fiz.

E então ela começou com a fofoca matinal. Caspian estava em muitas delas, mas eu não prestei atenção. Minha mente ficava saltando para o terrível sonho. O Giovanni parecia estranhamente familiar, mas eu sabia que isto não era possível. Assim como eu sabia que se houvesse um diário escrito por meu pai, certamente eles teriam me entregado ele, assim como o da minha mãe.

A não ser, disse uma vozinha na minha cabeça, que houvesse lá algo que o conselho não gostou e quis esconder. Algo que os prejudicasse. Seu pai provavelmente o escondeu.

Eu disse à vozinha para calar a matraca.

Assim que Lizbete terminou de arrumar meu rosto, ela me enfiou em um jeans escuro e camiseta de manga comprida lilás, com botas sem salto aquecendo meus pés. Ela se despediu de mim com um “Divirta-se”. O que comprova que o povo daqui é pirado. Como eu devo me divertir quando eu provavelmente vou ter que ver Caspian matar alguma outra coisa?

Assim que sai no corredor encontrei os olhos verdes de meu pai me encarando. Pareciam exigir algo, me desafiando. Dei um suspiro profundo, tocando meu pescoço onde o homem havia passado a lamina. Se ele estivesse realmente falando a verdade, tudo iria mudar por aqui. Eu decidi então que eu iria ter que procurar o diário.

Fui em direção a o salão e praticamente trombei com Carolinne.

–Oi pra você também, furacão. Pra quê a pressa?- ela disse, ajeitando o cabelo loiro por cima de seu ombro. Rolei os olhos para ela e não disse nada.

Nos duas descemos até o salão, onde todos se levantaram assim que eu pisei lá. Caspian estava lá e me chamou com a mão. Ele estava tomando sorvete, o que não é muito bom. Principalmente com esse friozinho. Eu me sentei ao lado dele e olhei em volta do salão, procurando James. Ele sempre estava aqui nessa hora. Bem, visivelmente hoje ele resolveu não aparecer.

Linne, sentada ao meu lado, tagarelava sobre as coisas lá em casa. Eu não prestei atenção, já que eu tentava não pensar muito nisso para não ficar triste. Mas assim que a frase dela foi parada no meio subitamente, não pude evitar olhar o que ela estava olhando. Era Klaus.

Rolei os olhos. É claro que Carolinne não podia ver um garoto bonito. Para falar a verdade, não sei como ela não havia dado em cima de James ou Caspian.

–Quem é esse? - ela disse agarrando meu braço enquanto eu colocava ketchup na minha omelete, o que estava me rendendo sorrisinhos irritantes vindo de Caspian. Mas eu nem ligo, aquela omelete tava completamente sem sabor. Até parece que o povo daqui não sabe o que é sazon.

–Hm? Ah, é Klaus. Ele tá no Conselho comigo. - estreitei meus olhos pra ela então, já que eu conhecia muito bem a jogada de cabelo que ela deu. Suspirei e acenei para ele. Ela nem precisou me pedir, eu a conhecia bem demais.

–E ai princesa, tudo bem? - Ele deu um tapinha leve no topo da minha cabeça, como se eu fosse um cachorro. Ele se sentou na frente de Carolinne, que estava toda sorrisos para ele. Eu apresentei os dois um para o outro e deixei Linne com seu flerte. Acho que se eu prestasse atenção vomitaria.

Caspian se inclinou para perto de mim.

–Onde o James se meteu? - ele disse numa voz neutra demais. Estreitei meus olhos para ele.

–Eu não sou, - eu comecei a dizer, soando levemente defensiva. - grudada nele pelo quadril, caso você não saiba. E ele que tem que saber onde eu estou a toda hora, não o contrario.

Ele apenas bufou. -Caso você não tenha notado, os Anciões sumiram também.

Eu só olhei para ele.

–E...?

–Deus, Thereza, use o cérebro. Eles estão tramando algo.

Rolei os olhos para ele. Ele estava bonito hoje, com uma camiseta branca e calças jeans normais. Seu cabelo castanho estava levemente ondulado.

Sacudi minha cabeça para parar de pensar nisso.

–Caspian, eu tenho certeza de que eles não estão tramando algo. E se estiverem eu pergunto pro James e ele me conta, fácil-fácil.

–Se você diz. - ele disse com um suspiro, enfiando uma colherada de sorvete na boca. Ele se inclinou para frente de repente e afastou uma mecha de cabelo do meu rosto que havia caído quando eu abaixei minha cabeça para comer. - Você fica bonita com seu cabelo solto assim, ressalta seus olhos.

Eu fiquei presa no olhar dele. A mão dele deslizou para a minha bochecha me arrepiando. Os olhos dele eram tão penetrantes, me olhando daquele jeito. Senti minha cabeça inclinando para sua mão, nossos olhos travados. O toque dele me enviava leves choques.

Então Carolinne pigarreou e eu me afastei dele tão rápido que eu fiquei zonza.

–Então, Caspian, - eu disse com minha voz meio desigual. - O que vamos fazer hoje?

Ele me encarava com um olhar divertido. - Iremos treinar, o que acha?

Dei de ombros. Eu não ligava muito. Virei meu olhar na direção de Carolinne que conversava animadamente com Klaus sobre a inquisição ou algo assim. Acho que ela não iria sentir minha falta se eu fosse treinar com ele.

–Quer ir agora? -eu perguntei e recebi um olhar grato de Linne. - Tenho certeza de que Klaus ficaria mais do que feliz em mostrar o castelo para Linne.

–Ficaria honrado. - respondeu Klaus, lançando-lhe um sorriso galanteador.

Carolinne corou de felicidade e eu rolei os olhos. Não importa o lugar, Linne sempre irá flertar.

Eu percebi enquanto eu saia com Caspian da sala que eu estava feliz por Linne. Klaus era definitivamente um cara legal. Se eles ficassem juntos, Linne passaria ainda mais tempo aqui no castelo. Me perguntei se Nicholas ficaria contente com isso. Depois me lembrei que Nicholas não era o rei do castelo e pouco importava a opinião dele.

Mas, bem, para o conselho pouco importava a minha opinião.

Olhei de esguelha para Caspian, que fumava seu cigarro como sempre. Mais uma vez pensei que se eu me casasse com ele eu teria voz dentro do meu próprio conselho. Parecia que essa iria ser a única forma de eu virar a primeira cadeira no futuro próximo. Ele me pegou olhando para ele e arqueou uma sobrancelha.

–O quê? - perguntou simplesmente.

Corei violentamente e olhei ao redor. Estávamos na floresta ao redor do castelo. Eu havia o seguido até aqui sem nem ao menos perceber. Eu olhei alarmada a minha volta, sem saber onde eu estava direito.

–Onde você está me levando?

Ele me deu um de seus sorrisos preguiçosos. -Na minha cabana, quero te mostrar uma coisa.

Minha vez de levantar minhas sobrancelhas. Mas eu não disse nada e apenas o segui. Andamos apenas mais alguns segundos e eu me vi parada em frente a uma pequena cabana que era destinada a visitantes do castelo. Eu não sabia que ele estava ficando aqui, longe da criadagem do castelo, já que eu havia assumido que ele parecia do tipo que gosta de ser servido. Percebi que eu realmente não sabia quase nada sobre ele e já estava pensando em casar com ele.

Ele entrou e logo acenou para eu segui-lo. Diferente da cabana de James na floresta privada ao redor do Parque Jean-Louis, essa cabana tinha apenas um quarto. Era bem simples e aconchegante, para falar a verdade. Confortável. Havia uma grande lareira no canto, e em cima dela tinha uma televisão, de frente para o sofá. No outro canto ficava uma pequenina cozinha, sem separação por paredes, com uma pequena mesa e uma geladeira minúscula. Não havia fogão, já que ele sempre comia no castelo.

Ele se moveu até a porta fechada de seu quarto e me deu uma olhada por cima de seu ombro. Você vem ou não? Eu quase podia o ouvir pensando. Mesmo não querendo entrar no quarto dele, já que parecia ser pessoal demais, eu o segui. Ele foi direto para a cômoda que ficava no canto a janela e eu me sentei na cama dele. Eu estava cansada de ficar de pé, e ainda estava morrendo de sono. Ele remexeu em alguns livros até achar o que queria. Ele me entregou um livro grosso com a capa verde com DRAGOMIR escrito em dourado.

–É a história da sua família, estava na biblioteca de Andolovina e eu trouxe para te devolver. Não parecia certo ficando lá, já que tem a historia dos seus pais.

Eu ergui meus olhos para ele e sorri; ninguém havia se dado ao trabalho de me contar sobre a minha família.

–Eu não me sinto uma verdadeira Dragomir, sabia? - eu admiti, passando a mão pelo veludo da fita que era usada para marcar paginas. - Nem agora eu me sinto uma princesa. Eu me sinto como uma garota que mora no castelo, só isso.

Ele parecia surpreendido com minha confissão. Eu dei de ombros. Era a pura verdade. Eu me sentia como uma garota normal.

–Você é a última de uma linhagem de milênios, você é uma domadora da morte. Como você pode se sentir como uma garota normal?

–Não sei. É que a maioria das pessoas não me trata como uma princesa, como alguém que irá assumir o país. Na maioria das vezes é só como se eu fosse um enfeite. - eu abri o livro e vi a árvore genealógica. Vi John Dragomir e Sophia Reinaldi unidos por uma pequena cruz e meu nome ligado aos dois. - E eu acho que é isso mesmo que eu sou. O enfeite que eles mostram para os outros, apenas para dizer que, você sabe, eu estou aqui onde é devido. Salva depois de tantos anos, por conta deles.

–Eu te entendo, Sophia. - ele disse seriamente. Eu o olhei surpresa. Eu nunca havia dito isso a ninguém, mas era a verdade na minha nova vida aqui. E eu não podia entender como eu tinha contado tudo isso para ele. Deve ter sido por ter virado a pagina e visto a foto dos meus pais biológicos comigo bebe em seus colos. Ele deve ter visto meu olhar de espanto, já que continuou: - Meu pai... bem, não é muito carinhoso. Com ele era sempre ser perfeito ou ser perfeito. Ele queria ser o melhor em tudo. E nunca ligou para mim ou para minhas irmãs, apenas lembrava que existíamos quando queria se gabar da nossa perfeição. É isso que eu vejo o Conselho fazendo com você.

–Você tem irmãs?

–Sim, e um irmão. Mas eu não o considero, já que ele é um bastardo que meu pai teve com uma humana logo depois de eu nascer. Ele virou um vampiro e se transformou em um Guardião.

Ele se sentou ao meu lado da cama, meio virado em minha direção. A luz do quarto não estava ligada, então estava meio escuro ali, já que a floresta era densa ao redor da cabana e impedia a luz do sol de penetrar muito.

–Eu queria ter um irmão, ou irmã. - eu disse e coloquei uma mecha atrás da minha orelha. Caspian não estava olhando muito para mim. Parecia meio perdido em pensamentos. Eu não liguei pelo silêncio que seguiu, já que estar com ele se mostrou surpreendentemente confortável.

–Mas você iria perder seu direito ao trono, se tivesse um irmão. - ele disse.

–Não é como se fosse mudar muita coisa. Nós dois sabemos que eu nunca vou governar esse país, de qualquer forma.

Ele se inclinou em minha direção. -Vai, se casar-se com alguém. - olhou em meu rosto um pouco e sorriu. - eu sei que você estava considerando isso, Sophie.

–Eu nem te conheço. - eu resmunguei e ele bufou uma risada. Ele estava bem próximo do meu rosto, eu sentia o ar que saia de sua boca quando ele ria. Aqueles olhos violáceos me encararam.

–Desde quando isso foi um empecilho para o casamento? Sabe que se casar comigo eu não tentarei tirar seu direito ao trono. Eu não quero seu país, eu vou receber o meu logo. E eu tenho sangue de Dragomir o suficiente no meu sangue para dar continuidade a sua linhagem.

–Parece que você pensou nisso tudo. Andou conversando com Nicholas? - eu perguntei, me virando para ele sem notar que ele já estava bem perto. Isso me deixou a milímetros de sua boca.

–Sim, - ele disse simplesmente. Seus olhos estavam olhando meus lábios. - Nicholas pretende nos ver casados de qualquer jeito.

–Mas eu não te amo. Não quero me casar com alguém que eu não amo. - eu não ligava que parecia cafona. Mas era a minha verdade. Eu não suportaria o casamento com alguém por quem eu não sinto nada.

–Sentimos atração um pelo outro, e nós certamente não nos odiamos. Isso pode evoluir para amor em alguma hora. - ele disse, todo pragmático.

Eu desviei o olhar, me sentindo corar novamente. - Eu não sinto atração por você.

O filho da mãe gargalhou diante da minha mentira. Não pude deixar de notar que ele realmente ficava lindo rindo daquele jeito. Parecia ter minha idade. Ele então subitamente se inclinou mais um pouco e me beijou.

Os lábios dele pareciam tensos no inicio. Assim como suas mãos que estavam segurando meus braços. Parecia que ele não queria fazer aquilo. Eu estava chocada demais para fazer algo como afastá-lo. Ele tomou minha quietude como encorajamento, e quando eu abri meus lábios para soltar uma pequena exclamação, sua língua deslizou para dentro da minha boca, se enrolando na minha. Ele acariciou minha língua com a sua e eu fui tomada pela reação natural de beijá-lo de volta. Minhas mãos fora de encontro com seu pescoço. O livro deslizou para fora do meu colo quando me virei em direção a ele, como se eu fosse um girassol e ele o sol. Um de seus braços abraçou minha cintura enquanto o outro se enrolava nos meus cabelos. Eu me sentia borbulhar por dentro. O toque dele me enviava leves descargas elétricas. Eu não estava pensando em James, pensava apenas em como eu apenas queria que Caspian não parasse de me beijar. Eu me sentia toda quente. Minha mão deslizou para o peito dele e eu senti suas batidas do coração. Ele me empurrou até eu ficar deitada com ele debaixo de mim.

Foi ele quem parou o beijo, mas não tirou seus braços do meu redor. Ele parecia surpreso, até mais do que eu. Ele estava levemente corado, assim como eu deveria estar.

–Isso não é atração?- ele disse sorrindo para mim. Um sorriso verdadeiro, não um metido.

Eu encostei minha cabeça no ombro dele e fechei os olhos com força. Deus, eu não devia tê-lo beijado dessa forma. Eu suspirei e senti o cheiro dele. Chuva, tabaco e sabonete. Era bom, estranhamente. -Você não devia ter feito isso, Caspian.

–Você gostou. - ele disse defensivamente.

–Bem, sim. Gostei, é verdade.

Eu saí do pescoço dele e o olhei nos olhos. Havia algo de diferente neles.

–Eu me surpreendi com a sua habilidade, Sophie. E com você ter me deixado te beijar. O que comprova o fato de que você sente, sim, atração por mim.

Eu me levantei e o encarei de cima. -Tanto faz, Alighieri. Ainda não quero me casar com você.

–Mas vai querer em breve.

O olhei feio. - Achei que me trouxe aqui para me treinar, não para abusar de mim.

Ele riu e saiu do quarto, me fazendo segui-lo como um pato. Ele se jogou no sofá e apontou para a janela. No parapeito dela havia cinco vasinhos de flores murchas. Bem, pelo menos não eram um animal morto novamente. Eu coloquei um deles no chão e me sentei em frente a ele, estilo índio. Joguei meu longo cabelo ruivo para trás, sentindo os olhos de Caspian sobre mim, e me concentrei. Foi fácil fazer a aura da planta aparecer diante de meus olhos, verde perto das partes mais saudáveis e vermelha nos lugares mais críticos. Fechei os olhos e dei uma longa respiração. Eu consigo, eu consigo...

Quando abri novamente os olhos, a flor continuava igual. Eu reprimi um grunhindo e mentalmente imaginei os pontos vermelhos se transformando em verdes. Eu senti o suor frio se formando em minha testa com o esforço mental que eu estava fazendo. Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, a planta ficou ereta como que por mágica - o que podia ser mesmo.

Passando as costas da minha mão sobre minha testa, me virei para encontrar os estranhos olhos de Caspian me encarando avidamente, me fazendo sentir como se fosse um experimento cientifico.

–Esse até que foi fácil. Hmm, - ele se levantou e sentou na minha frente, examinando a planta recém-curada como se estivesse avaliando uma obra de arte. - eu estava pensando, será que você consegue fazer o inverso?

–O inverso? Como em matar a pobrezinha da planta? Pra que diabos eu faria uma coisa dessas? - eu podia sentir o franzido se formando entre minhas sobrancelhas, enquanto eu o encarava.

–Sophia, você não pode se defender curando as pessoas. Achei que você quisesse matar, não curar os inimigos.

Mordi meu lábio, subitamente nervosa. Eu certamente não estava pensando em realmente matar ninguém quando disse que queria ajudar. Eu não sabia nem se eu era capaz disso. Linne sempre zombou de mim por ser o que ela chama de hippie, mas eu nunca a levei a sério. Eu não sabia se eu queria matar ninguém.

Então a cena de minha tia sendo sugada até a morte, me mandando correr veio em minha mente. Se eu tivesse controle sobre o meu poder naquele momento, tenho certeza que eu usaria nele. Eu o mataria sem nenhuma hesitação. Meus olhos encontraram os de Caspian.

–Me mostre como.

Ele sorriu largamente e empurrou a planta em minha direção. - Se concentre em fazer a energia ficar negativa novamente, exatamente o contrário do que você fez primeiro.

Assenti levemente com a cabeça, olhando fixamente a planta. Com uma respiração profunda, me concentrei. Não foi difícil trazer a -aura- da planta a tona novamente, brilhando um verde claro quase transparente. Trinquei os dentes com o esforço de tentar o fazer sumir. Imaginei o verde sendo carregado pelo vento até mim, me enchendo com a vida que antes habitava a planta.

E funcionou. No momento que eu senti as ondas verdes me tocando, foi como se eu tivesse dormido por muito tempo e despertado completa e absolutamente bem. O mundo parecia mais brilhante, tudo parecia mais nítida. Era como se eu fosse uma televisão e alguém tivesse arrumado minha antena, me fazendo ver tudo mais claramente que antes. Não somente minha visão, mas meu ânimo melhorou, eu instantaneamente me senti ficando mais alegre. Eu olhei sorrindo para Caspian, que me encarava abertamente.

–Eu consegui! - Deus, fazia tanto tempo que eu não me sentia tão bem! Caspian se inclinou para frente e tocou meu rosto, sorrindo também.

–Você está brilhando, Sophia. Sua aura está toda... Dourada. É como se você estivesse parada na frente do sol.

Senti meu sorriso murchar um pouco.

–Isso é ruim?

Ele sacudiu a cabeça, a mão ainda em meu rosto. - Não, é lindo. Você é linda.

Eu sorri, corando. Eu sabia que eu não era uma coisa feia e horrível, mas corar era sempre a reação quando alguém me chamava de linda. Ele se aproximou mais, sua mão segurando minha bochecha. Sem nem ao menos perceber eu estava descansando minha cabeça nessa mão, nossos olhos ainda presos um no outro. Me lembrei do beijo mais cedo, e percebi que eu queria que ele me beijasse de novo. Ele parecia querer a mesma coisa, já que sua cabeça se aproximou da minha, fazendo ficarmos a centímetros de distância um do outro. Novamente, foi ele que acabou com a distância entre nós. Beijou-me mais ferozmente do que antes, me fazendo ter que afastar para poder respirar. Senti o sangue inundar minhas bochechas quando eu lembrei que eu meio que estava traindo James.

Ah, droga. Eu sou uma vadia.

–Eu... Caspian, será que dá pra parar de me encarar assim? Não ajuda muito, sabe.

Ele se aproximou novamente. —Não ajuda com o que?

Engoli em seco. Eu nunca havia sentido atração tão rápido por uma pessoa. Só com James. Me afastei, me puxando com as mãos para trás. E o imbecil teve a audácia de me seguir.

–É sério Caspian. Eu nunca faço algo assim. Não saio por ai beijando pessoas que eu acabei de conhecer.

Tão logo falei percebi que estava mentindo. A primeira vez que James me beijou, eu o havia encontrado apenas uma vez. Mal sabia se ele estava querendo me matar ou não. Meu deus do céu, eu realmente virei uma vadia.

–Eu consigo perceber quando você mente, sabe? Sua aura muda. E além do mais, você cora. Adorável, realmente.

Me levantei rapidamente. Estava mais do que claro que a aula havia acabado, e eu queria fugir dele o mais rápido o possível. Eu caminhei em direção a porta quando notei que eu não saberia chegar ao castelo sem me perder. Desesperançosa, olhei para Caspian, que me encarava com aquele sorriso de quem sabia que ganharia um jogo. Eu realmente desejava que a porcaria do jogo não fosse eu.

Ainda sorrindo, se levantou. Ele abriu a porta para mim, e fomos andando pela floresta. Dessa vez eu notei o caminho que estávamos fazendo, e pude ver as longas árvores espiralando para cima, os bichos se escondendo quando nossos passos ruidosos quebravam o silêncio misericordioso da floresta. Assim que chegamos a ponta da floresta, pude ver o castelo em todo seu esplendor. Mesmo morando a algum tempo aqui, ele nunca falhava em me maravilhar. Me virei para Caspian novamente, que me encarava. Fique desconfortável pela milionésima vez. Colocou a mão na base da minha costa e me deu uma leve empurrada em direção a ele. Caminhamos até lá sem dizer nada, ele com sua mão ainda em minhas costas. Assim que chegamos a entrada do castelo, ele me parou. Quando me virei para dizer adeus a ele, ele baixou seu rosto, e me beijou novamente.

Eu fui pega de surpresa, mas vergonhosamente não fiz nada para para-lo. Esse, eu percebi, sempre foi minha maior fraqueza. Eu não posso ser beijada por alguém que eu sinto atração sem me derreter. Ainda mais quando a pessoa pega na parte da minha cabeça em que meu pescoço e meu crânio se conectam. Exatamente como ele estava fazendo.

Eu caí sobre mim então. Alguém podia nos ver! Trair James fora da vista de todos era uma coisa, mas assim, exposto para qualquer pessoa do castelo ver, era demais. Até mesmo para mim. Eu o afastei com um empurrão no peito, e nervosamente olhei ao redor. Ufa, ninguém a vista.

Estreitei meus olhos para ele.

–Por que diabos você fez isso, seu maluco? Alguém podia nos ver, e tirar conclusões muito erradas sobre isso!

Ele riu com uma graça que me fez odia-lo.

–Sophia, eu não fiz nada que você não queria. E, você se esqueceu de uma coisa.

–O quê? - eu disse toda trabalhada no mau humor. Ele me entregou o livro de minha família, ainda sorrindo, e deu no pé dali antes que eu o socasse. Ou pior, o beijasse de novo.

Repreendendo-me mentalmente, eu segui para meu quarto. Eu subi as escadas lendo, sem perceber toda a comoção ao meu redor. Cheguei lá em pouco tempo, e encontrei um James sentado, lendo um de meus livros. Meu sorriso quase cortou minhas bochechas. Eu tranquei a porta e me joguei em cima dele.

–Oi pra você também, Princesa. - ele disse rindo. James mudava completamente quando ria. Parecia jovem, sem nenhuma preocupação. Fica estonteantemente lindo. Eu acho que foi nesse momento que eu percebi que eu o amava. Verdadeiramente. E esse era o motivo pelo qual eu nunca aceitaria me casar com Caspian.

Enterrei minha cabeça em seu pescoço e fiz um som muito parecido com o de um cachorrinho feliz.

–Não me chame assim. - eu disse em seu pescoço, minha voz alegre.

–Como você quiser, Princesa. Como foi seu dia?

Eu pensei no beijo e fiquei nervosa. Eu sabia que ele podia sentir isso, então decidi que o melhor a se fazer era colocar a culpa disso em outra coisa.

–Foi massa. Caspian me ensinou a matar coisas. Você sabe, com a mente. Tipo a Vampira do X-men, mas eu não preciso tocar na coisa pra sugar a vida dela.

Ele me encarou e riu. - Eu não faço ideia de quem é essa Vampira. Tess. Explique, por favor.

Eu expliquei como ela podia matar a pessoa sugando a energia dela até a morte. Ele,por algum motivo, achou isso fascinante.

–Então você pode tanto matar como reviver uma flor? Os jardineiros vão orar pela sua morte!

– Não só flores, em tese. Caspian me disse que quando eu matei a flor, a aura dela passou para mim, e minha aura brilhou como uma supernova. Como se eu tivesse realmente sugado a energia dela. E eu me sinto bem, sabe? Não estou mais cansada.

Ele novamente sorriu para mim, os braços ao meu redor. Eu amo o jeito que ele parecia um gigante perto de mim, me fazendo sentir segura. Amo como ele sempre parece prestar atenção e ao mesmo tempo parece que está tendo outros tipos de pensamento comigo.

Enfiei minha cabeça em seu pescoço novamente. O cheiro dele, tão forte. Eu podia ouvir seu sangue correndo por baixo da pele. Senti minhas presas machucarem meu lábio, e com um pulo para longe dele, me lembrei que não havia bebido nada em duas semanas. Geralmente eu bebia sangue misturado com vinho, mas eu havia me esquecido de pedir para Lizbete me trazer. Os olhos azuis dele me encararam preocupados.

–Faz quanto tempo?- quando eu murmurei um dois, o olhar dele foi duro. -Sabe que não pode deixar de beber, ainda mais com esse treinamento que está usando todas as suas energias.

Olhei para o chão envergonhada de me esquecer da necessidade mais básica de um vampiro. Era realmente uma idiotice o que eu havia feito. Eu podia pirar a qualquer momento e sair por ai bebendo o sangue de qualquer pessoa. James se levantou até mim e me puxou para a cama.

–James, - eu murmurei meio que contra minha vontade- não. Eu peço a Lizbete que me traga um pouco do sangue que eles mantêm na geladeira, não precisa ser do seu.

Ele me colocou sentada em seu colo e se esticou para apertar o interruptor que estava ao lado da cabeceira da minha cama. Soltei mais um baixo muxoxo e ele me beijou.

–Eu quero. Você está com o cheiro de Caspian impregnado em você. Isso vai deixa-lo saber que ele não pode tocar uma mão em você sem saber as consequências.

Eu levantei os olhos até ele e lhe beijei. As mãos dele nos lados do meu quadril eram obstinadas. Ouvi algo parecido com um ronronar sair de minha garganta e abaixei minha cabeça para seu pescoço, sentindo a pele dele ceder de baixo de minhas afiadas presas. Sentindo o gosto metálico salgado invadir minha boca e consumir todo meu corpo. Nada era comparado ao sangue de James. Nenhum sangue do banco de sangue se comparava ao sabor rico que o sangue dele tinha. Era simplesmente gosto de James. E era por isso que eu estava praticamente em êxtase.

Senti minhas presas se retesarem, meu corpo me avisando que era hora de parar. Eu dei uma lambida sobre os dois buraquinhos, e observei fascinada quando eles fecharam poucos segundos depois. Levantei meus olhos para ele e o encontrei sorrindo. Tracejei a linha forte de seu maxilar, sentindo a leve aspereza de sua sombra das cinco horas. Aqueles olhos pálidos que algum dia distante me fazia ter pesadelos me olhava com afeto.

Suspirei feliz e rolei deitada na cama. Eu estava toda formigando pelo sangue que havia acabado de consumir. Me sentia forte como não me sentia desde que cheguei aqui. Acho que devo ter soltado um de meus bocejos gigantes, pois James rolou os olhos.

–Está cansada por ter aguentado Caspian o dia inteiro?

Dei de ombros.

–Eu estou cansada de ficar presa aqui, acho. Caspian não é bem um problema.

O que era, pra falar a verdade, uma mentira grande e gorda. Caspian era um GRANDE problema. Pelo menos se ele não parasse de me beijar ele ia virar um grande problema. Eu ia ter que perguntar a Caroline mais tarde se eu estava realmente virando uma vadia. E eu ainda tinha que achar o diário.

Fechei os olhos suspirando. Amanhã o dia ia ser longo.



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