História The Ascent. - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Bruxas, Fadas, Guardioes, Lobisomens, Princesa, Principe, Vampiros
Exibições 5
Palavras 3.624
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Magia, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Sobrenatural, Terror e Horror
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 17 - Capítulo 16


Eu estava deitada em minha cama, esperando Caspian vir me chamar para irmos vasculhar o covil do demônio. Eu havia voltado do meu encontro com James a várias horas atrás, e nesse tempo parei para refletir. Minha vida havia entrado em um furacão de acontecimentos, e eu ainda não havia tido tempo para digerir tudo. Quer dizer, ser uma vampira eu já havia entendido, é meio difícil não entender quando você bebe sangue engarrafado algumas vezes por semana. Mas havia tanta coisa desse mundo que eu não entendia, não importava a quantidade de reflexão que eu colocasse nisso. Também havia as coisas que não me diziam, como por exemplo a morte de minha família.

Com um suspiro, percebi que essa quantidade de preocupação com tudo estava me dando uma dor de cabeça. Ou isso ou ainda estava com um pouco de ressaca. Sentei na beirada da cama, com meus pés esticados a minha frente. Eu estava toda de preto, novamente, no melhor estilo ninja. Levantei impaciente e fui até o espelho, me olhei por alguns segundos e soltei meus cabelos. O cobre vivo fazia um contraste gritante contra o preto, o que meio estragava o proposito de camuflagem, mas quem liga?

Mordi meu lábio. Caspian já devia estar aqui. Era uma da manhã, e Nicholas havia saído para uma reunião num reino vizinho, que estava aliado a nós. Essa podia ser nossa única oportunidade por um bom tempo, tínhamos que conseguir extrair alguma coisa do escritório dele. Quando eu estava quase apertando o ligar em com o numero dele em minha tela, ouve uma batida em minha porta.

Eu a abri, encontrando um Caspian completamente em preto também. Com roupas exatamente iguais as minhas, o suéter preto, a calça jeans preta, as botas. Ele parecia ter achado o fato engraçado também, já que a covinha do lado direito de sua bochecha começou a aparecer levemente.

— Você está atrasado — eu já fui dizendo antes que ele fizesse alguma piada.

Ele entrou no meu quarto, e deu uma olhada em volta antes de se virar para mim e responder.

— Você devia arrumar esse lugar de vez em quando sabia. E eu não estou atrasado, já que nunca disse uma hora exata.

Eu bufei e me sentei na poltrona. — Tanto faz Alighieri. Qual é o plano?

Ele olhou minha estante de livros, parecendo terrivelmente entretido. Ele se virou para mim, ainda sorrindo

— Não há plano. Nicholas não está aqui. Somos os dois vampiros com mais poderes desse castelo, acho que conseguimos aguentar um guarda ou dois não é?

Suprimi um grunhido, se eu achasse que iria ser fácil assim não teria pedido ajuda alguma. Me levantei e fui até a porta. Não achei que valesse a pena falar pra ele como ele era um péssimo espião por não ter um plano.

Os corredores estavam completamente vazios, o que era muito estranho. Mesmo de madrugada, sempre havia alguém acordado. Quando mencionei isso para Caspian ele apenas deu de ombros.

— Provavelmente estão descansando para o baile, olheiras não estão na moda esse ano. Infelizmente.

Eu toquei minha olheira, que estava praticamente tatuada em minha cara e o olhei feio.

— Posso ter que ir ao baile com olheiras, mas pelo menos sei que meu vestido será melhor que o seu.

Ele gargalhou mas logo parou quando percebeu que estava fazendo barulho. Andamos mais algumas viradas sem dizer nada. O escritório era do outro lado do palacio, fazendo ser um caminho cansativo. E entediante.

— Está pronta para amanhã? — ele perguntou com um tom neutro.

Não olhei em sua direção. — Tão pronta quanto posso estar.

mais alguns segundo em silencio. Os nossos passos ecoavam suavemente pelos corredores antigos.

— O que James achou da sua decisão. — eu acelerei meu passo um pouco, o ignorando. Ele riu ironicamente. — Você não contou a ele, não é?

O encarei por alguns segundos, sentindo um pouco de raiva e vergonha.

— Não se intrometa nesse assunto, Cas. — eu respondi em um tom completamente neutro.

Por um momento parecia que ele ia me responder, mas desistiu. Continuamos a andar em um silêncio desconfortável. Eu sabia que ele estava certo. Eu devia ter contado a James. Era a coisa certa a fazer não é?

Mas o problema era que James era tão bipolar que é impossível saber como ele iria reagir a noticia. E como eu a daria? Chegaria nele e diria "Ei eu decidi que vou casar com o cara que parece que você odeia mais do que segundas-feiras, e aliás, eu dei uns amassos nele ontem. Você acha que amanhã vai chover?"

Não ia dar muito certo.

Quando chegamos na ultima curva, Caspian me parou. Colocou um dedo nos lábios, me pedindo silencio. Assenti com a cabeça e o observei espiar. Ele levantou uma mão, o sinal universal de "espere", depois levantou um dedo.

Um guarda.

Um guarda significava que lá dentro tinha algo a ser guardado, certo? Caspian me olhou. Eu sabia o que ele queria fazer. Assenti novamente com a cabeça. Ele colocou um braço ao meu redor e eu me apoiei nele, assumindo meu papel. Ele se inclinou um pouco e sussurrou "bêbada", então comecei a dar risadinhas e fingir andar um pouco mole. Assim que chegamos na porta, o guarda nos olhou desconfiado. Eu fingi um soluço e ri.

— Epa, Soph, acho que viramos errado. Você pode nos... — Caspian falou numa voz arrastada, fazendo o guardião o olhar nos olhos. Grande erro para ele, grande acerto para nós. Vi as pequenas ondas que o poder de Caspian emitia. — Vá para seu dormitório. Nunca estivemos aqui. Você ficou a noite inteira de vigilia e nada aconteceu.

— Nada aconteceu. — o guardião repetiu.

— Isso. Vá para seu quarto e durma. Você ficou de vigia a noite toda.

O guardião foi andando pelo corredor automaticamente. Ficamos ali parados, mesmo depois de ele sumir de nossa vista. Caspian suspirou.

— Acha que funcionou?

—É claro que sim. — ele respondeu um pouco ofendido. — Vamos logo.

Ele girou a maçaneta da porta. Não aconteceu nada. Eu o encarei por alguns segundos, até ele sorrir e abrir a porta. Rolei os olhos para ele.

— Quem iria se dar ao trabalho de trancar uma sala que tem um guardião altamente treinado a guardando?

— Uma pessoa inteligente. — respondi. — Vamos, me ajude a encontrar algo bom.

Então começamos a busca, usando as lanternas que havíamos trazido para não chamar atenção de ninguém que pudesse passar por ali. Eu fui para as estantes de madeira escura na parede. A sala toda era verde, marrom e dourado. As cores dos Dragomirs. Eu quase quis socar alguma coisa por Nicholas ter se apossado dela. Eu olhei livro por livro, até que achei um interessante, sobre os reis de Munin. Eu o coloquei em cima de uma poltrona. Depois de sem sorte, não achar mais nada, fui até as gavetas de sua mesa. Haviam quatro, uma era trancada. Eu tirei um grampo do meu bolso e usei um de meus poucos talentos. Jordan havia me ensinado a abrir fechaduras quando éramos crianças, e eu era boa nisso.

Quando a gaveta deslizou livre, Caspian fingiu me aplaudir e eu fingi fazer uma cortesia. Haviam pastas nela, arquivadas por ordem alfabética. Passe os olhos por cima, Até achar uma com meu nome. Uma bem gorda. A peguei imediatamente. Estava quase fechando a gaveta, quando passei os olhos por cima dos K's. James estava ali. Meus dedos foram direto para a pasta Koutrick, James. Eu a puxei, depois de uma leve hesitação.

— Eu também pegaria, se fosse você. James gosta de omitir algumas coisas sobre ele. já notou?— Caspian disse, dando por sua vez uma olhada na pasta e não achando nada interessante.

— Como você saberia disso? Não são exatamente melhores amigos.

Ele me deu uma olhada estranha. — O conheço melhor que você, querida Sophia. Mas de qualquer forma, acho que isso possa ser de seu interesse.

Haviam alguns livros em suas mãos e ele me entregou um livro estranho, antigo. Com meu Romeno fraco consegui distinguir uma palavra do titulo.

Dragões.

Eu sorri para ele. A capa era de couro, as paginas costuradas com uma linha grossa. Esse livro era antigo. Antigo, e poderoso, pelo que a aura dele me passava. Toquei o relevo das palavras.

— Obrigada, Cas.

— Não há de que. Achei que poderia ser útil para seu esqueleto gigante.— ele parecia um pouco sem graça.— Achou o que precisava?

Sacudi a cabeça, provavelmente com uma cara de decepção. — Não, mas achei um arquivo sobre mim, e um livro sobre os antigos reis. Quem sabe consigo descobrir algo com isso, não é?

— Quem sabe... Mas devemos ir agora.

Assenti e o segui pelas portas, pelo longo caminho até meu quarto. Ele ficou quieto o caminho todo. Quando chegamos a minha porta, ele demorou um pouco, como se não quisesse ir.

— Quer entrar? Eu vou ler tudo isso agora, e vou ficar terrivelmente inquieta se não puder contar o que descobrir para alguém imediatamente. Você pode ler seus livros enquanto leio os meus.

Ele deu um falso suspiro, e sorriu. — Já que insiste... seu desejo é uma ordem.

Bufei, e entramos em meu quarto. Ele já foi direto para minha poltrona, completamente a vontade. Eu larguei minhas coisas em cima da cama, e tirei minhas botas, depois cacei meu pijama de pinguins e fui para o banheiro me trocar.

Quando voltei, Caspian estava profundamente absorvido no seu livro.

— Sobre o que ele fala?

Ele levantou os olhos da pagina e me olhou, demorando demais na minha regata branca colada. Cruzei os braços.

— Sobre as guerras que travamos. Minha família e a sua, pelas terras que faziam fronteiras com ambos nossos reinos. é claro que você ganharam a maioria, já que tinham dragões gigantes cuspidores de fogo.

— Também, por que somos muito melhores que você etc.

Ele riu apenas e voltou a sua leitura. Eu me sentei na cama, e peguei minha "ficha". A de James, leria sozinha.

Havia uma foto minha, sentada na varanda de minha antiga casa, olhando distraída para algum lugar.

Princesa Sophia Tereza Dragomir, filha do rei John Alexandru Dragomir e da rainha Tereza Alice Dragomir. Nascida dia 29 de novembro de 1996. Sob a guarda de sua tia Charlotte...

Passei os olhos por cima. Não havia nada de interessante na primeira parte do arquivo, até que o nome de James me chamou a atenção.

...James Koutrick, antigo guardião de John Dragomir, foi incumbido de vigiar sua segurança, reportando ao conselho mensamente sobre a princesa, tendo que estar atento a qualquer alteração de comportamento.

Depois disso haviam alguns relatórios dele. Coisas triviais, como quando eu saia, como eu parecia fisicamente naquele dia. O que mostrava que James estava me observando a muito tempo. Mais de um anos antes de decidir me abordar. O que era meio apavorante.

Eu percebi uma coisa então. As paginas eram numeradas. Chequei novamente para ter certeza.

— Estão faltando páginas. — eu disse a Caspian, que parou sua leitura de uma vez. — Por que tirariam paginas?

Caspian franziu o cenho e folheou as páginas. — Isso é estranho.

Passei a mão no rosto. — Se alguém se deu o trabalho, é claro que tinha alguma coisa que não queriam que soubesse. Eu não consigo nem roubar um documento sobre minha vida sem ele estar defeituoso.

joguei a pasta para longe, furiosa. Quando eu achava que estava dando um passo para frente, dava dois para trás. Senti lagrimas de raiva se formando em meus olhos. Droga.

— Não fique assim. — ele disse, se sentando ao meu lado e colocando uma mão em minhas costas. — Você pode perguntar a James.

Eu bufei uma risada. — Cas, James esta fora de questão. Eu não consigo contar que te beijei, você acha mesmo que eu vou conseguir pedir pra ele me contar o que é que estão escondendo de mim?

Então as lagrimas rolaram mesmo. Eu estava brava comigo. Brava e triste ao mesmo tempo. Não acertava uma. Caspian estava um pouco sem ação. Então sua expressão de confusão foi tomada por uma de desgosto.

— Pare de chorar, isso não ajuda em nada. Vamos achar o que você procura. Você é uma princesa, Sophia, está na hora de tomar rédeas de sua vida, ao invés de esperar que tudo se acerte por conta própria. Sim, as vezes as coisas dão errado e não saem do jeito que esperamos que saiam. Deus sabe quantas vezes isso já aconteceu comigo, Mas não posso sair choramingando cada vez que algo ruim acontece. Apenas sigo em frente e encaro o que vier. É assim que um príncipe age diante de obstáculos. E você tem a minha ajuda nisso tudo. Não adianta chorar. Aja como uma Dragomir Sophie, — ele terminou seu discurso com um leve sussurro. — e governe.

Ele limpou minhas lagrimas com a ponta de seu dedão. Estávamos tão perto que podia sentir seu hálito e o cheiro de cigarro de cravos em suas roupas.

— Mas eu não sei como. Não sei se consigo. — murmurei, não conseguindo olha-lo nos olhos.

— Eu estou aqui para isso. Sabe que eu vou te ajudar. — ele levantou minha cabeça puxando levemente meu queixo para cima e beijou minha testa. — Não se preocupe com isso. Se preocupe com o baile e com o fato de que sua cara está toda inchada.

Eu ri. — Obrigada Cas.

Ele deu de ombros e puxou minha coberta para cima de mim, me empurrando até deitar. Eu o obedeci, sentindo o cansaço, tanto emocional quanto o físico. Ele se esticou e pegou o livro sobre dragões.

— Eu não falo romeno. — avisei.

Ele me olhou com desdém.

— Eu sei que não. Mas eu falo. — Ele então se aconchegou por cima da coberta, Ele se inclinou numa posição deitado, Começou a ler. — Diz a lenda que o primeiro dragão foi trazido a casa Dragomir por Grigore Dragomir, que acabara de voltar do oriente. Lá ele havia ganhado em um torneio de cavalaria 4 ovos de pedra. Achou que seria um bom presente para seus filhos, os quatro príncipes, Ionut, Costin, Lucian e Marian. Depois de anos, e anos de espera, os ovos finalmente chocaram, quando o grande castelo pegou fogo. Das chamas nasceram os primeiros dragões que construíram o poder do nome Dragomir... Sophia, deite mais perto, ou você não vai enxergar os desenhos.

Eu me arrastei até ficar com a bochecha encostada em seu ombro, na mesma posição meio deitada que ele. Havia um desenho do castelo pegando fogo, e de quatro dragões sobrevoando os ceus. Ele continuou a leitura, e meus olhos foram ficando cada vez mais pesados.

Eu os abri e grunhi quando percebi que Caspian estava de algum jeito usando seu poder para me deixar com sono. — Pare de tentar me fazer dormir,

Ele parou de ler.

— Você não quer ter uma boa noite de sono, pelo menos só uma?

— Não disse isso.

Ele continuou a ler, dessa vez acariciando meu braço com sua mão que estava descansando no travesseiro atrás de minha cabeça. Meus olhos foram ficando cada vez mais pesados, até o ponto em que eu tive que fecha-los para poupar o trabalho de piscar. Caspian parou a leitura alguns segundos depois, e cuidadosamente saiu da cama. Senti-o arrumando a coberta em cima de mim, a puxando mais para cima.

— Boa noite, Sophie. — ele disse, e me deu um leve beijo.

— Boa noite. — eu murmurei, e rolei para o outro lado, caindo no sono mais profundo e sem sonhos que eu tive em meses.

***

Eu acordei com Lizbete abrindo minhas cortinas. Puxei a coberta para cima de minha cabeça. Eu a ouvi andando pelo quarto, indo até o banheiro, enchendo a banheira de agua. Quando ela finalmente puxou meu cobertor, eu já estava acordada.

— Muito cedo. — eu resmunguei, me sentando na beira da cama e me espreguiçando.

Lizbete me fez uma cara feia.

— São quatro da tarde, Princesa! Temos que te arrumar apara a grande noite. Vá para seu banho, quando sair já terei tirado Carolinne de sua cama.

Eu sacudi a cabeça com pena dela por ter que acordar Linne. Ela era dez vezes pior do que eu quando o assunto era dormir até tarde. Assim que Lizbete saiu, fui para meu banheiro. Ela havia colocado minha bomba de banho favorita, uma com cheiro de lavanda e todas as cores do universo. E bolhas.

Me afundei na banheira, sentindo a sensação maravilhosa da água quente em minha pele. Com a cabeça encostada na toalha que eu deixava na borda da banheira, eu observei as pontas do meu cabelo flutuarem ao meu redor, o vermelho contra a minha pele branca.

Eu sabia que quando eu saísse dessa banheira, eu iria ser cutucada por todo canto por pessoas tentando me fazer ficar apresentável para o baile. Eu não teria tempo de contar nada a Linne sobre tudo que estava acontecendo, teria que esperar até depois do baile.

Fechei os olhos. O baile. As palavras de Caspian ainda ecoavam em minha mente. Tive a sensação de que eu precisava ter ouvido aquilo. Ele tinha razão, afinal. Eu precisava começar a agir como uma Dragomir de verdade, não como uma garotinha assustada. Eu não podia mais choramingar e correr para James sempre que as coisas dessem errado. Não podia mais apenas baixar a cabeça diante de tudo que o conselho me falasse. Não podia mais não saber muita coisa sobre meu povo, minha história. Eu tinha que começar a agir como uma princesa.

Lizbete voltou cedo de mais, na minha opinião. Carolinne estava lá, ao lado ela, com cara de sono. Eu a olhei e sorri.

— Não, — ela disse, mau humorada.— sem felicidade enquanto eu estou com sono.

Eu bufei. — Também estou com sono e não estou tão mau humorada assim. Que bicho te mordeu? Não está animada para poder usar o seu lindo vestido e parecer uma Barbie?

Ela arregalou os olhos e me deu um de seus famosos sorrisos. Que logo se apagou. Ela prendeu seu cabelo loiro em um rabo de cavalo enquanto olhava para ver se Lizbete havia ido buscar nossa comida. Pressentindo que ela queria conversar comigo, eu me sentei em uma das poltronas. Ela se sentou na outra, e me olhou séria.

— Você está pronta?

Eu suspirei. — Sim, Linne. Estou pronta. é isso que tenho que fazer, é isso que quero fazer.

Ela assentiu com a cabeça, parecendo preocupada.

— Eu só não quero que você aceite esse noivado apenas por que é o que te mandaram fazer. Já conversou com James sobre isso?

Desviei o olhar.

— James não pode mudar minha decisão. é o que eu quero. Preciso disso agora, se quiser que todos fiquem a salvo.

Ela ia abrir a boca para falar algo mais, mas Lizebete entrou carregando nosso café "da manhã", e trazendo em sua cola outras pessoas. Quase me encolhi quando vi que eles traziam suas ferramentas de tortura.

Enquanto eu enfiava a comida pela minha boca, meu cabelo foi secado, e enfiado em bobs, me deixando com uma aparência terrível. Apenas isso demorou mais de duas horas. Então me depilaram com cera, quase me fazendo chorar, fizeram minhas unhas (até a do pé, o que é ridículo já que ninguém vai ver elas), me encheram de loções, me esfregaram até que não houvesse um poro aparente em minha pele. Quando terminaram apenas com isso, o céu já estava lotado de estrelas, com a lua brilhando alto.

Assim que meu cabelo terminou de ser arrumado em seu estilo romântico, com um coque intricado de tranças e alguns fios soltos, e que minha maquiagem foi terminada, eu coloquei meu vestido.

Me olhei no espelho. O longo vestido descia até o chão, verde com pequenos detalhes dourados, flores, folhas, cada detalhe tão lindo que era difícil descrever. Sua cintura apertada o fazendo ser levemente rodado acrescentava ao ar de ingenuidade, com o decote em V um tanto quanto profundo tanto no busto como nas costas dando apenas o toque de maturidade necessário. As alças grossas continham abotoaduras do meu pai. Eu toquei em uma, com o símbolo dos Dragomir. Encarei meu reflexo nos olhos. Ele me encarou decidido. Com a cabeça erguida, me virei para Carolinne, em seu vestido dourado claro. O baile já havia começado. e assim que terminaram de colocar todas minhas joias, assim como minha tiara, me virei para Linne.

— Vamos?

Ela assentiu. Eu não olhei para trás quando sai pelas portas do meu quarto, fazendo meu caminho até as escadarias principais. Antes de atravessarmos as ultimas portas, eu ouvi uma voz anunciar.

— Vossa alteza real, Sophia Thereza Dragomir, Princesa de Munin.

Então as portas se abriram, e dei um passo a frente. Todos os olhos estavam sobre mim. Vasculhei o salão e vi Caspian me olhando, sorrindo.

James estava em um canto, encostado na parede, com seu uniforme de guardião. Ele me encarava sério, sem demonstrar nada. Nicholas me encontrou no final da escada, e tomou minha mão e a beijou.

— Princesa Sophia, sua beleza se superou hoje, está parecendo uma rainha.

Eu o olhei, um sorriso sem humor em meus lábios.

— Não pareço, Nicholas. Eu sou.

Ele me encarou por alguns segundos enquanto o sorriso continuava intacto em meu rosto. Caspian vinha em minha direção, ainda com a mesma expressão admirada de antes. Ele parou a minha frente, fazendo uma reverencia, que eu retribui.

— Me daria a honra dessa dança, Princesa?

Eu sorri para ele. Ele estava com seu terno, a faixa em sua cintura vermelha e dourado, as cores de seu país, o cabelo penteado para trás. Pela primeira vez consegui enxerga-lo como um verdadeiro príncipe.

Seus olhos violáceos me encaravam com ansiedade.

—Seria um prazer.

Sim, eu pensei enquanto Caspian me conduzia pelo salão, com todos os olhos grudados em cada movimento perfeitamente sincronizado de nossa dança, eu tinha que fazer o que os Dragomirs faziam de melhor.

Eu iria governar.



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