História The Ascent. - Capítulo 25


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Bruxas, Fadas, Guardioes, Lobisomens, Princesa, Principe, Vampiros
Exibições 4
Palavras 7.208
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Magia, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Sobrenatural, Terror e Horror
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 25 - Capítulo 24


((Caspian))

Observei Sophia tentar drenar a energia de três plantas ao mesmo tempo, sua testa franzindo, gotículas de suor se formando. Eu a havia trazido para uma clareira, afastada de todo o barulho do Castelo. Suspirando exasperadamente, ela apoiou a cabeça em sua mão, fechando os olhos. Sua aura estava toda salpicada de preto, mostrando seu estresse.

—Você pode conversar comigo se quiser, sabe disso, certo? — eu lhe disse de onde eu estava encostado numa árvore, lendo um livro. — Pode me perguntar sobre James, sobre Anna.

Ela se encolheu quase imperceptivelmente.

—Eu estou bem Cas, acho que quem tem que me explicar algo é James. — ela sacudiu a cabeça, olhando as flores no solo que eu a havia dito para ela desintegrar. — Não acho que eu consiga usar meu poder em mais de uma por vez, é como se eu estivesse tentando pegar água com as mãos. Quando acho que estou conseguindo, eu perco o foco e desliza para longe.

Me levantei, indo me sentar ao lado dela. Sua mão estava cavoucando o solo, a grama ao redor do buraco que ela havia feito preta. A olhei, o cabelo solto ainda úmido, secando ondulado.

—Imagine-as como três partes de uma mesma coisa, sinta a energia ao redor delas as conectando. — eu expliquei.—Você me disse que sentia a energia na terra, se lembra? Siga essa energia até se conectar com a delas.

Ela fechou os olhos, as duas mãos no grama, na terra. Um leve sorriso começou a se formar em seu rosto, e então as flores murcharam e secaram, até finalmente virarem pó.

Ela se virou para mim, me dando seu primeiro sorriso verdadeiro do dia, fazendo ser impossível não sorrir de volta. Era bom vê-la bem.

—E ainda haviam rumores de que você era um péssimo professor. — Ela brincou, se deitando na grama. —Obrigada, Cas.

Abanei a mão para ela, como se dissesse que não havia sido nada demais. Me deitei também, observando as nuvens no céu azul. O clima aqui estava bom, já que estávamos quase entrando na primavera.  Faziam algumas horas que estávamos aqui, então já era quase fim de tarde.

—Teve alguma notícia dos lycans? Seu amigo conseguiu alguma coisa?

Pelo seu perfil pude vê-la fazendo uma careta.

—Ainda não, mas sei que Jordan está fazendo o que pode. O alfa dele não deve gostar muito de nós, então aposto que não deve estar sendo fácil.

Estalei a língua dramaticamente. —Aposto que eu conseguiria ganhar o coração dele com meu charme… e falando em charme, tenho algo para te contar.

Ela virou sua cabeça para me encarar, estreitando os olhos para mim.

—Não vai me dizer que matou alguém com seu charme e precisa de ajuda para esconder o corpo.

Suprimi um sorriso.

—Não é isso, apesar de que não iria ser a primeira vez a acontecer. — retruquei, ganhando uma risada dela. —Mas meu charme é de família, que é sobre o que quero falar. Minha irmã está vindo para cá, disse que quer lhe conhecer e ajudar com o casamento.

Sophia me olhou alarmada.

—Ela vai vir? Tão cedo? — ela perguntou, então seus olhos verdes me olharam em pânico. — E se ela não gostar de mim?

Rolei os olhos, cruzando meus braços atrás da minha cabeça

—Isabella gosta de todo mundo, com certeza gostará de você. Meu amigo Rhysand também virá, ele é meu mestre de espionagem. É com ele, querida Sophie, que deve se preocupar. O poder dele é escutar as sombras, descobrir os segredos de todos. Quem sabe o que ele me falará sobre você.

Ela bufou.

—Acho improvável ele descobrir algo, você já sabe quase tudo sobre mim. — ela então me deu um sorriso travesso. — Se preocupe com o que ele pode me falar sobre você,  Allighieri.

—O que quiser saber, pode me perguntar, Rhys provavelmente inventaria algo ultrajante para me irritar depois.

Ela continuava me olhando, como se estivesse me estudando.

—Vocês são amigos a muito tempo? — perguntou, apoiando sua cabeça numa mão para poder me olhar melhor.

Assenti, me virando para olhá-la também.

—Eu o conheci no meu treinamento com os Ilirianos. — ela levantou as sobrancelhas, me fazendo lembrar que ela não tinha conhecimento algum sobre nada do nosso mundo. — Os Ilirianos são o povo que meu reino usa para serem soldados. O treinamento deles é bem rígido, quase como os dos espartanos. Minha mãe era de Ilíria, e para eles é um costume deixar os filhos no acampamento quando atingimos a adolescência. Então ela me deixou lá, virando as costas como todas as mães antes dela, para me ensinar a ser forte. Rhysand chegou pouco depois de mim, então nós dois eramos o alvo dos mais velhos. Bem, até juntarmos forças e mostrarmos que eramos mais poderosos.

Ela me olhava atentamente, séria.

—Parece meio cruel, deixar o filho num lugar assim.

Sacudi a cabeça, sabendo que deveria parecer exatamente isso.

—Minha mãe não queria que eu tivesse apenas o meu Poder para me ajudar quando precisasse. Ela queria que eu tivesse outro recurso caso um faltasse. E ela estava lá, me dando aulas sobre política, economia, sobre tudo, todas as noites. — cutuquei sua perna com a ponta da minha bota. — Como você deveria ter tido. Mas enfim, Rhys estava lá, e o acampamento inteiro me odiava por ser o herdeiro de Andolovina, e faziam de tudo para minha vida ser um inferno. Mas Rhys não dava a minima, ele era filho bastardo de um nobre, sempre viveu nas sombras. Então as sombras começaram a falar com ele. E ele me ajudava, me dizendo os segredos, as fraquezas de qualquer um que tivesse me desafiado para um duelo. Desde então eu o mantive ao meu lado, como meu amigo e espião.

Ela se virou novamente, olhando o vento balançar as copas das árvores.

—Você deve sentir falta de sua casa, não é? — ela perguntou. — Falta de seus amigos, sua família. Me desculpe por ter que ficar aqui, metido nessa bagunça.

Dei de ombros. A olhei então, checando sua aura novamente.  Os pontos negros haviam crescido, o que significava que ela estava chateada, mais que antes.

—Eu sinto, mas sei que eles estão lá sempre que eu voltar. — eu respondi. — Eu lhe contei algo sobre mim, agora é sua vez. Sente falta da sua vida antiga? Deve sentir saudade da sua casa, dos seus tios.

Ela sorriu tristemente, seus olhos ainda nas árvores.

—Sinto falta deles todo dia, não acho que isso vá mudar tão rápido. Sinto falta de Charlotte me obrigando a praticar piano, a ter aulas de etiqueta. De Harry, sempre tentando me fazer tirar notas melhores, me dando livros, me abraçando quando eu tinha pesadelos. — ela fechou os olhos com força. — Não acho que eu tenha admitido em voz alta antes o quanto eu sinto falta deles. Eles estão mortos por minha causa, eu não mereço sentir falta deles.

Estiquei minha mão, pegando a sua. Quando nossas peles se tocaram foi como levar um choque pela descarga de poder. Ela abriu os olhos, seu cenho franzido levemente.

—Sophie, você pode sentir falta deles. Eles foram seus pais por 17 anos, te criaram. — lhe dei um sorriso, tentando aliviar seu olhar de tristeza. — Minha mãe morreu há quase um século, e mesmo assim sinto sua falta.

Ela sacudiu a cabeça.

—Eu ainda sonho com eles sendo mortos na minha frente, por minha causa. — ela me olhou obstinadamente então. — É por isso que eu não permitirei que Noah vença, não quero mais ninguém morrendo por mim. É isso que ninguém entende, nem mesmo James.

Tracei círculos com meu dedão na palma de sua mão.

—James só entende o que quer, sempre foi assim. —eu disse, ganhando uma olhada feia dela — Agora é sua vez de me perguntar algo.

Ela se virou, se colocando de lado, me olhando. Ela mastigou sua bochecha, pensando, até que seus olhos acenderam para mim.

—Me conte sobre seu poder, você me disse que era mais do que deixava mostrar. E Robert me mencionou algo sobre você ser temido por conta dele.

Alcancei meu bolso, querendo um cigarro, mas não havia nenhum. Suspirei, me dando uma bronca por ter esquecido. Meu poder era algo sobre o qual eu havia sido ensinado a não conversar sobre. Não contar para ninguém seus limites.

Mas Sophia era diferente. Vendo seu olhar genuinamente curioso, percebi que não haveriam problemas em lhe dizer.

—Eu lhe disse que consigo mexer com a energia ao redor das pessoas, auras. Não é só tendo uma super compulsão, eu consigo literalmente entrar na mente delas. Posso ver suas memórias, as alterar, moldá-las de acordo com a minha vontade. Posso destruir a mente delas. Assim como manipular a energia ao redor dela, não como você. Mas digamos que há alguém me atacando, eu posso fazer o pescoço da pessoa quebrar com uma mudança na energia ao redor dela. — eu fiz uma careta, percebendo o quanto havia soado confuso. —É difícil de explicar.

Ela me olhava curiosa ainda. Um pequeno sorriso em seus lábios.

—Você é tipo o a Fênix do x-men quando usa a telecinese molecular. — ela suspirou dramaticamente, sacudindo a cabeça. — E eu achando que meu poder era legal.

— O seu Poder é legal, você pode ressuscitar dragões, sugar a energia das pessoas, matar flores que me dão alergia.

Ela socou meu braço, rindo da minha piada sem graça.

—Você pode mesmo modificar memórias? Entrar na mente das pessoas? Já fez isso comigo?

A encarei seriamente.

—Eu nunca faria isso com você, mudaria sua personalidade, se eu tirasse algo essencial.

Compreensão passou pelo seu rosto, que se virou rapidamente para mim.

—É por isso que você não queria que a Rainha Seelie pegasse uma memória minha, não é? Você sabe como afeta as pessoas. —  ela mordeu seu lábio nervosamente. — É por isso que tenho me sentindo estranha desde que fomos lá? É quase como eu me senti quando eu estava no hospício. Como se eu não estivesse completamente ligada a mim mesma.

Preocupação tomou conta de mim. Eu sabia que ela não estava se sentindo muito bem ultimamente, apenas não sabia a extensão disso. Minha mão se entrelaçou com a dela, a apertando, a descarga de poder vibrando entre nós.

—Talvez seja, não há como saber exatamente. — seus olhos focaram no chão então, sua outra mão tocou a pedra em seu colar, fazendo o meu vibrar com o reconhecimento de seu poder. —Minha vez.Como foi quando você ficou lá, no hospício?

Ela engoliu em seco, seus olhos se perdendo em memórias. Talvez inconscientemente, sua mão apertou mais a minha.

—Eles me faziam repetir sobre como eu havia sido atacada todo dia, depois disseram que eu tinha depressão e estresse pós traumático, o que eu devia ter mesmo. Me enchiam de remédios, me fazendo não ser eu. — seus olhos se levantaram para mim, o verde cheio de sombras. — Era como se eu estivesse me afogando, e eles estivessem me mantendo de baixo da água de propósito. Eu sentia que eu estava me perdendo a cada dia, que eu realmente estava louca, mesmo depois de ter saído de lá, mesmo com Carolinne me dizendo que ela acreditava em mim.

Ela respirou profundamente depois de falar, então percebi que ela nunca havia contado isso para ninguém, nunca havia dito o que passou lá. Ela não devia querer magoar as pessoas ao seu redor com seus problemas. Senti um aperto, eu e ela compartilhávamos mesmo a mesma dor, a Rainha Seelie tinha razão. Com essa confissão dela, decidi também lhe dizer algo que eu nunca havia dito para ninguém antes.

—Eu fiquei preso em Seelie por 10 anos do tempo deles, o que daria talvez dois anos aqui, então acho que sei como se sentiu. A Rainha havia inventado que eu quebrei uma regra e me manteve prisioneiro, eu fui me perdendo pouco a pouco também, quando saí de lá demorei um tempo para me lembrar quem eu era.

Eu nunca havia dito nada assim para ninguém, sempre que alguém me perguntava eu apenas dizia que havia sido como tirar férias.

Não havia dito como a Rainha Seelie gostava de me fazer vasculhar a mente de qualquer pessoa que ela quisesse, me punindo caso eu recusasse. Nunca havia contado para as pessoas próximas a mim que eu ainda tinha pesadelos com esses anos passados em outra dimensão, não queria fazer ninguém descobrir o quanto eu havia mudado.

Sophia soltou seu colar, sua mão vindo acariciar minha bochecha. Ela me olhou com tanta compaixão, tanta compreensão, que eu soube que eu poderia falar disso com ela. Ela ouviria.

Nossos olhos continuaram travados um no outro, e vi o mesmo pensamento passar por sua mente. Ela desviou o olhar, suas bochechas corando levemente por baixo das sardas.

Ela se levantou, tirando a terra de sua calça jeans. Me olhou, aquele sorriso cautelosamente despreocupado em seu rosto.

—Eu estou faminta, o que acha de irmos achar algo para comer?

Eu lhe disse que era uma boa ideia, então ela entrelaçou seu braço com o meu e seguimos o caminho até o castelo com som da floresta ao nosso redor, o céu ficando rosa e laranja com o pôr do sol.

Havíamos ficado conversando por mais tempo do que eu havia percebido, notei. Observei Sophia novamente, trazendo sua aura para mim.

O dourado brilhava novamente, sem tantas manchas.

Ela me levou até uma das cozinhas que sempre usava, a menor. O caminho foi demorado, já que ela parecia conhecer qualquer empregado ou vampiro normal que encontrávamos pelo caminho, sempre os perguntando sobre os filhos, ou sobrinhos, se estavam bem. Quando chegamos lá, apontou para um banco na bancada, claramente me mandando sentar. A obedeci, a olhando enquanto ela pegava seus ingredientes para fazer sanduíches.

Quando ela terminou, colocou o meu a minha frente, assim como um copo de suco de laranja. Sorri ao ver a cara de satisfeita dela enquanto mordia seu próprio sanduíche.

—O que foi, tem alguma sujeira no meu rosto?

Mastiguei o meu próprio sanduíche. Estava bom, surpreendentemente.

—Estava apenas pensando que seu paladar é igual ao de uma criança. É um milagre você não ter colocado ketchup no seu sanduíche, já vi o quanto você gosta de lotar ele em tudo.

Ela chutou minha perna travessamente.

—Não em tudo, seu chato. — ela fez uma careta então. —Apenas gosto das comidas simples, ainda bem que isso não mudou quando virei vampira. Não acho que eu gostaria de comer chouriço, por exemplo. Prefiro muito mais meus doces.

Eu ri, sabendo que era verdade. Terminamos de comer em um silêncio confortável, e quando limpei minha boca com um guardanapo a peguei me observando atentamente. Percebendo que foi pega no flagra, ela arrastou seus olhos para longe, corando novamente.

Eu devia ganhar algum tipo de prêmio por fazê-la corar duas vezes no mesmo dia.

—O quê foi, tenho algo no meu rosto? — eu disse, a imitando.

Ela bufou.

—Eu estava apenas pensando em como você não é como minha primeira impressão de você era. —levantei uma sobrancelha para ela. Ela rolou os olhos. —Você sabe, um princepezinho arrogante, autocentrado que só pensa em cumprir a sua própria agenda. Eu gosto de quem você me mostrou ser muito mais do que da persona que você mostra na frente dos outros.

Desviei o olhar, desconfortável com ser elogiado. Ela sorriu para mim, me estendendo a mão para acompanhá-la ao seu quarto como eu sempre fazia.

Seguimos em silêncio novamente, parando em frente a sua porta. Ela me olhou, sorrindo novamente.

—Obrigada por ter me distraído quando eu precisava hoje, Cas. E por me contar mais sobre você, me ouvir.

Dei de ombros, fazendo pouco caso. Ela me fez uma cara feia e me abraçou. Pisquei surpreso, meus braços a rodeando automaticamente.

—Ei, não há de quê. Sabe que quando precisar de uma distração é só ir até minha cabana que eu lhe proverei.— sorri maliciosamente, brincando. E antes que eu pudesse me impedir novamente, lhe dei uma beijo na testa, seu cheiro de caramelo me atingindo, atiçando uma memória que eu sabia não ser real. — Boa noite Sophia, até amanhã. Coloque um daqueles seus vestidos de seda e conquistará Isabella na hora.

Ela me olhou, provavelmente achando que eu estava exagerando, e entrou em seu quarto.

Enquanto eu seguia de volta para minha cabana, eu só podia pensar em como eu não queria mais vê-la com aquela expressão de angústia de quando me contou sobre o hospício. De quando havia descoberto sobre Anna e James.

Suspirando, me joguei em minha cama, sabendo que eu precisaria estar descansado para lidar com minha irmã. Amanhã seria um longo dia.

 

((Sophia))

 

James não veio me encontrar em meus sonhos aquela noite. Ao invés dele, me deparei com os pesadelos de sempre. O hospício, o o ataque aos meus tios. Mas havia um novo, um de Noah me matando.

Quando eu acordei ofegante e chorando, não havia ninguém vindo correndo ao meu resgate. O que me mostrou o quão eu havia ficado dependente de James vir me encontrar quando ele sentia que eu estava em perigo.

Porém, notei, eu não precisava mais ser salva de minha própria mente. Eu não estava entrando em pânico com meus próprios sonhos.  De alguma forma todos os treinamentos que eu estava fazendo estavam me ajudando com isso também. Eu sabia que eu mesma podia me proteger agora.
 

Me sentei na cama, esfregando os olhos. Toquei meu colar, sabendo que ele de algum jeito também estava me ajudando a me manter calma. O sussurro de poder sempre presente, a pedra quase que vibrando com o poder de Caspian me assegurando de que eu não estava sozinha.

Me lembrei de tudo que eu havia aprendido sobre Caspian hoje, sobre o que ele havia compartilhado comigo e apenas comigo, me mostrando que confiava em mim. Que me entendia.

Eu nunca havia falado sobre o hospício com ninguém, eu sabia que se eu contasse sobre isso para Linne, ou até mesmo Jordan, eles iriam se sentir péssimos por saber o que passei, como me sentia. Eu nunca sequer havia mencionado isso para James. Era uma coisa que eu nem ao menos me permitia lembrar, sempre reprimindo isso dentro de mim. Havia sido libertador poder finalmente dizer o que eu havia sentido, ainda  sentia às vezes, para alguém que entendia. Que passou por algo parecido.

Caspian havia sido torturado pelas fadas, basicamente, e mesmo assim concordou em voltar para Seelie comigo, para me ajudar. Eu sabia sem dúvida alguma que eu podia confiar em Caspian quando eu havia percebido isso, que ele era realmente meu amigo se aceitou encarar suas piores memórias para me ajudar.

Passei meu olhar pelo meu quarto, procurando meu ursinho favorito para dormir novamente quando avistei o arquivo de James que eu havia deixado em minha escrivaninha mais cedo.

Sacudi a cabeça, tentando me livrar dos pensamentos traiçoeiros que queriam se formar. Eu não iria tirar nenhuma conclusão sobre James ter tido uma noiva até ouvir os motivos dele de não ter me contado sobre ela. Eu não poderia me permitir duvidar dele depois de tudo que havíamos passado. Depois de ele ter me ajudado quando eu mais estava confusa, no começo de tudo.

Peguei minha pelúcia de pinguim e me forcei a dormir, sabendo que eu precisava parecer descansada para conhecer a irmã de Caspian amanhã.

Dormi quase tranquilamente até Lizbete vir me acordar, quase no meio da tarde. Ela me disse que a Princesa Isabella logo chegaria e que era melhor eu lavar meu rosto se eu queria ficar apresentável logo. Como um zumbi, tomei um banho, tentando parecer que estava acordada.

Quando vi que Lizbete havia separado um vestido que era pesado demais, um daqueles que eu precisava usar corset, fiz uma careta.

—Qual o problema, alteza?

—Eu estava pensando em algo mais leve, como aquele vestido que eu usei para ir na última reunião do Conselho. Não quero parecer montada demais, rígida demais. — fui até o closet, olhando os vestidos até que puxei um parecido com o que eu havia usado na corte Seelie, de alças trançadas, mas esse era de um dourado claro, quase champagne, estendi ele para ela ver. — O que acha desse?

Ela sorriu para mim, mostrando sua aprovação. Me fez então sentar na cadeira, arrumando meu cabelo em um penteado complicado de tranças, as enrolando ao redor da minha cabeça, como uma coroa. Ela deixou alguns fios soltos, dando a impressão de ser menos arrumado do que era de verdade. A maquiagem foi exatamente igual a da corte Seelie também, deixando minhas sardas a mostra, o blush e o batom mais avermelhados que da última vez me dando uma aparência saudável. Ela colocou pequenos grampos de flores feitas de uma pedra brilhante que eu suspeitava serem diamantes, brilhando sempre que eu movimentava minha cabeça. Calcei as sapatilhas delicadas feitas do mesmo dourado e me olhei no espelho.

Eu estava parecendo um desenho de alguma representação da primavera, percebi. Eu estava bonita. E como eu havia notado antes, de alguma forma esses vestidos pareciam mais certos para mim do que os jeans de ontem. Fiz uma careta mental, percebendo que eu devia estar finalmente virando uma princesa de verdade.

Eu agradeci Lizbete, que foi embora depois de me olhar novamente com uma expressão de satisfação no rosto. Ela havia deixado a porta aberta, já que Caspian estava vindo me encontrar.

Fui até minha varanda, me debruçando sobre a sacada, sentindo o sol do fim da tarde esquentar minha pele. Observei o penhasco, a cachoeira caindo dele, a floresta densa mais ao fundo, uma parte da cidade que aparecia perto da borda mais próxima da floresta. Meu reino.

Me peguei sentindo um carinho por este lugar que eu nunca havia notado ter antes. Aqui, percebi, havia virado meu lar. Coisa que nem minha casa antiga era depois do acidente. Nos poucos meses que eu estava aqui, eu havia desenvolvido um carinho por Munin, pelo povo da cidade. Eu me sentia certa aqui, como se de algum jeito eu pertencesse.

—Você está realmente uma visão. — uma voz disse atrás de mim, me fazendo quase pular para fora da varanda,de tanto susto. — O seu vestido combina com a sua pele, com a sua aura. Está linda, Sophie.

Olhei para Caspian, me sentindo corar com o elogio. Seu cabelo estava solto, se enrolando levemente nas pontas. Ele vestia uma camisa preta, com um blazer e calças pretas também, todas essas cores escuras fazendo seus olhos se ressaltarem. Ele parecia ter saído de um dos livros que eu costumava ler.

—Ninguém nunca te ensinou a não chegar de fininho nas pessoas não? — eu disse, fingindo estar indignada para disfarçar minha falta de jeito. — Eu poderia ter caído da sacada,sabia?

Mas aparentemente minha tirada não funcionou, já que ele bufou uma risada, me olhando com um olhar zombeteiro.

—Sophie querida, isso não é jeito de responder a um elogio. — ele disse em um falso tom repreensivo, esticando uma mão para ajustar meu colar em meu peito, seu toque intensificando a sensação do colar, me fazendo estremecer.

Eu olhei para ele, com uma falsa doçura.

—Caspian, obrigada, é muita gentileza sua. Você também está muito charmoso. — eu disse, minha voz pingando tanto mel que me surpreendi por não ter nenhuma abelha ao meu redor.

Ele sorriu amplamente agora, me fazendo sorrir também. Sua mão quebrou o contato com a minha pele abruptamente, me fazendo piscar confusa com a falta dos choques que ele estava me causando.

Ela pareceu notar também, já que enfiou suas mãos nos bolsos de seu blazer.

—Você parece melhor hoje. — ele disse casualmente demais. —Conversou com James?

Sacudi a cabeça.

—Apenas decidi me preocupar com coisas mais urgentes primeiro. Você sabe, como o fato de que sua irmã pode muito bem me odiar.

Ele me olhou incrédulo.

—É impossível, já disse. Isabella uma vez fez uma pedra de melhor amiga pois.disse que ela tinha cara de simpática.

Eu gargalhei.

—Ei, está me comparando a uma pedra?

Ele sorriu daquele jeito dele, como se estivesse aprontando algo.

—Uma pedra muito bonita. — ele disse, e olhou seu relógio. — Vamos lá, está na hora de você conhecer sua futura irmã.

Ele me ofereceu seu braço, que eu aceitei. Então me guiou até a entrada do castelo, para esperarmos o carro chegar. Meu nervosismo foi crescendo, já que eu nunca fui muito boa em fazer amigos. Caspian deve ter percebido isso, já qie pegou a mão que ej estava segurando meu colar, a segurando na sua, entrelaçando nossos dedos. O efeito foi melhor do que o do colar.

Um carro preto parou em frente as escadas do castelo, e apenas vi um borrão vindo em nossa direção em nossa direção, se jogando nos braços de Caspian.

Ele sorriu para ela, um pouco alarmado pela energia da própria irmã.

—Caspian, eu senti sua falta. Chiara manda lembranças, mas você sabe que ela não pode vir já que está casada e virou uma chata de galocha que só pensa em arranjos de flores.

Ele a afastou dele com um braço, me permitindo vê-la melhor. Seus cabelos castanhos, da mesma cor do dele desciam até pouco abaixo dos seus seios. Ela era esguia e alta, mas não tão alta quanto Caspian. Sua pele era levemente bronzeada, como se tivesse acabado de voltar de férias. Ela usava um vestido comprido vermelho, que apenas ressaltava sua beleza que devia mesmo ser de família

—Isabella, quero que conheça minha noiva, Princesa Sophia. — ele disse, apertando minha mão novamente.

Eu sorri para ela, o sentimento de estranheza me atingindo sempre que eu me lembrava que estava noiva.

— É um prazer finalmente conhecê-la, Princesa Isabella. Espero que goste de Munin.

Ela me focou seus olhar em mim então, me analisando. Foi ai que notei que seus olhos não eram violáceos iguais o de Caspian, e sim de um azul claro, quase prata. Ela me deu um grande sorriso, empurrando Caspian para o lado.

—Pode me chamar apenas de Bella, não se preocupe com títulos fora de reuniões oficiais. É um prazer conhecê-la, ouvi muito sobre você. — olhei para Caspian acusatoriamente, a fazendo gargalhar. —Não se preocupe, apenas coisas boas.

Sorri aliviada.

—Fico feliz por não ter que matar seu irmão então, Bella.

Um homem então entrou no castelo, usando uma roupa parecida com a que os guardiões usavam. Roupas de luta. Sua pele também era levemente bronzeada, seu cabelo curto e loiro escuro. Ele devia ser Rhysand.

Quando me viu olhando para ele, me deu um sorriso educado, fazendo una reverência.

—É um prazer lhe conhecer, Princesa. Ouvi dizer que consegue fazer Caspian engolir a própria língua, então já sei que serão um bom par.

—Você deve ser Rhysand, certo? É um prazer lhe conhecer. — eu disse, sorrindo cordialmente. Caspian sorriu encorajadoramente para mim. — Haverá um jantar em homenagem a chegada de vocês, vou levá-los até seus quartos para poderem descansar da viagem, que tal?

Isabella enganchou seu braço no meu, sorrindo. como se fossemos melhores amigas.

—Vamos então, esses dois vão ficar fofocando juntos como sempre. Caspian pode mostrar a Rhys o quarto dele, e nós nos conheceremos melhor enquanto eles tagarelam entre si, o que acha?

—Acho ótimo. — olhei para Caspian, que sorriu para mim como se já se desculpando pelo que sua irmã iria me fazer. — Vejo vocês no jantar?

Eles assentiram e eu guiei Isabella até seu quarto, que ficava alguns andares abaixo do meu, com uma vista direta para a floresta e o rio.

Ela se sentou numa das poltronas indicando que eu deveria me sentar na outra.

—Você está muito bonita, seu vestido combina com você. — ela disse, me fazendo corar. — Sem duvidas é por isso que meu irmão não conseguia tirar os olhos de você, Princesa.

A olhei alarmada.

— Me chame apenas de Sophia, por favor. —eu disse automaticamente. — Caspian  e eu nos damos muito bem, apesar da situação em que nosso noivado foi feito. Ele é uma ótima pessoa, eu tenho muita sorte de lhe ter próximo a mim.

Ela sorriu como se estivesse satisfeita com algo, fazendo covinhas surgirem. Ela era realmente bonita, o que eu imaginava quando pensava em princesas. Diferente de mim, notei.

Seus olhos prateados brilharam em minha direção.

—É muito corajoso o modo como está enfrentado tudo, Princesa. Sei que não deve ser fácil se opor a todas essas pessoas que querem lhe tirar seu poder. Sua posição pode ser uma muito solitária.

Assenti com a cabeça.

—As vezes acho que não irei conseguir, mas tenho bons amigos que me ajudam nessas horas. —pausei por um segundo, pensando se deveria falar a outra parte. —Devo muito disso a seu irmão, ele de alguma forma sempre consegue me encorajar quando eu preciso, mesmo eu não conseguindo retribuir a ajuda que ele me dá. É muito gentil da parte dele me ajudar.

Ela se levantou, indo até as largas janelas. Ela mantinha aquele sorriso de quem sabia de algo no seu rosto.

—Tenho certeza que já está retribuindo sem nem ao menos perceber. Se o acha gentil, tenho certeza que isso já é retribuição suficiente. Meu irmão nunca foi conhecido por ser gentil, e não é toda pessoa que ele deixa ver esse seu lado. — seu sorriso ficou largo quando ela voltou seu rosto para mim. — Cas parece contente aqui, e fazia anos que eu não o via assim.

Me levantei também, indo para o outro lado da janela, em frente a Isabella. Me lembrei de Cas dizendo como ele havia levado um tempo para lembrar como ser ele mesmo depois de sair de Seelie.

—Ele me contou sobre Seelie, o que eles fizeram com ele. — sacudi minha cabeça, tomada por uma sensação de raiva pela rainha. Toquei meu colar, me acalmando. — Me sinto sortuda por tê-lo como meu aliado, Isabella. Vou fazer o possível para que ele não se arrependa da decisão de me ajudar.

Ela tocou levemente meu braço, me fazendo tirar os olhos da paisagem noturna da floresta.

—Você realmente é uma boa pessoa, Sophia. — ela disse, apertando sua mão em meu braço. —Eu quero lhe ajudar também. Já vi algumas guerras acontecerem, e não quero que se repitam. Meu poder é ter uma intuição ridiculamente aguçada, então me faz ser boa em dar conselhos, ver como as pessoas realmente são. Sinta-se a vontade para conversar comigo sobre qualquer coisa.

Sorri, genuinamente agradecida de poder contar com mais alguém para me ajudar. Eu já sabia que eu e era seríamos boas amigas, e que até mesmo Linne iria gostar dela.

—Caspian disse que o seu pai iria vir para cá, não é? Que tal começar a me dar conselhos sobre isso desde já?

Ela riu.

—Sim, é verdade. Ele virá logo após o Calanmai. — a olhei confusa, tendo a sensação de que já havia ouvido esse nome antes. —É a celebração do verão, celebrada no dia primeiro de maio, a festa daqui é particularmente linda. As enormes fogueiras são maravilhosa, sem falar de dançar a noite toda. Esse é o motivo de ele não poder vir antes, ele tem que estar na celebração de Andolovina.

Me sentei novamente, minha mão ainda em meu colar demonstrando meu nervosismo.

—E o casamento, será quando?

Ela fez uma careta.

—Pouco tempo após a chegada dele, acho. Não deve se preocupar com ele, ele apenas é duro conosco, como Caspian já deve ter lhe dito. Ele gostará de você, ainda mais por ser a herdeira do trono de Munin. Ele está tentando fazer Caspian se casar já faz tempo, mas nunca conseguiu que ele concordasse até agora. Mas não se preocupe, se sairá bem.

Me levantei, me sentindo tudo menos despreocupada.

—Obrigada Bella. — eu disse sinceramente, então me levantei, colocando minha melhor cara de princesa. —Agora, o que acha de ir conhecer o resto do Conselho, e minha amiga Carolinne? Tenho certeza que será uma noite agitada.

E uma noite agitada foi o que tivemos. Nicholas ficou fazendo várias perguntas sobre Andolovina para ela, que respondeu charmosamente a todas, porém não sem dar cutucadas verbais sempre que ele perguntava demais sobre coisas que qualquer pessoa com bom juízo não perguntaria. Ele mal olhou para mim durante o jantar todo, apenas trocando um cumprimento quando chegou.

O que para mim era ótimo, já que eu estava cansada de ele tentar me atacar sutilmente em toda reunião do Conselho. Caspian sentou-se a minha frente, observando entretidamente sua irmã rebater o próprio jogo de Nicholas. Ele me pegou o espiando e me deu um sorriso torto, levantando sua taça de vinho antes de tomar um gole.

Tentei não sorrir de volta para ele. Olhei para meu lado, onde uma Carolinne estava conversando com Klaus como sempre. Agora sim eu sorri, notando como os dois ficavam bem juntos.

Pyotr me olhava da outra ponta da mesa, me fazendo sentir instantaneamente desconfortável. Ele ainda mantinha suas ideias radicais sobre a guerra, ainda querendo me usar de arma principal. Não importava que eu estava disposta a lutar, ter uma pessoa disposta a me colocar na linha da frente era algo sobre o qual eu devia tomar cuidado.

Quase no final do jantar eu senti uma sensação estranha, quase como se alguém tivesse esbarrado em mim, pelo meu laço com James. Engoli em seco, me sentindo preocupada. Eu sabia que se algo acontecesse com ele eu iria sentir, apenas não sabia como.

Isabellla pareceu perceber ao meu lado, já que se inclinou para mim e me perguntou se eu estava bem.

Tentei sorrir para ela, mas a sensação ainda me incomodava. Sacudi a cabeça, e a disse que não havia nada de errado. Quando o jantar terminou, me levantei, já que todos só poderiam se levantar depois de mim. Uma onda de tontura me atingiu, mas eu fiz o maior esforço do mundo para não deixar mostrar

Caspian veio ao meu lado, seu braço rodeando minha cintura, me dando apoio sem parecer que ele estava fazendo isso. Ao invés de ir para meu quarto, como achei que iria fazer, ele me guiou para o jardim traseiro.

Mas não antes de sermos parados no meio do caminho, quando eu ouvi uma voz me chamando, me fazendo virar para encontrar o dono dela.

Era Pyotr, que estava parado no meio do corredor.

—Não acho que eu os tenha parabenizado pelo noivado. — ele disse, um sorriso estranho em seus lábios. — Você está conseguindo muitos aliados, não é, princesa? Mas não se deixe enganar ao pensar que ele irá desistir por causa disso. Ele quer sua coroa, não se esqueça. Fará de tudo para a conseguir, tome cuidado.

Franzi meu cenho

—Ancião Pyotr, do que está falando? Quem quer minha coroa, o Noah?

Ele sacudiu a cabeça, então olhou para Caspian ao meu lado e depois para mim novamente

— Não o deixe tomar seu poder, Princesa. Você sabe o quão valioso é.

Então assim, sem mais nem menos, ele desapareceu. Eu olhei para Caspian, confusa. Ele terminou de me levar ao jardim, onde nos sentamos num banco.

—Bem, isso foi interessante. — ele disse, sua voz leve. Ele alcançou o bolso de dentro de seu casaco, tirando de lá um maço de cigarros e um isqueiro.

Lhe fiz uma careta, me afastando um pouco dele para ter mais distancia entre a fumaça e eu.

—Fumar é um hábito nojento, sábia? — ele deu de ombros para me dizer que sabia e não ligava. Rolei os olhos para ele e sua rebeldia. — Sua irmã é bacana. E Rhysand parece ser legal também.

Ele riu uma nuvem de fumaça.

—Rhys não acharia um elogio ser chamado de legal. E eu lhe disse que se daria bem com Isabella.  — ele se levantou, seu cigarro ainda aceso em sua boca. Ele olhou para o céu noturno sem nuvens, que deixava as estrelas mais evidentes. — O que aconteceu lá dentro?

Me estiquei no banco, ainda olhando as estrelas, evitando seu rosto. Não queria que ele se preocupasse comigo.

—Tanbém gostaria de saber. Pyotr deveria ter sido menos vago e apenas me falado logo quem é que está tentando me sabotar desta vez, não acha?

Caspian apagou seu cigarro, se agachando em minha frente para poder me olhar nos olhos.

—Eu sei quando você mente Sophie. Sabe que eu não estou falando disso.

Engoli em seco, arrastando meus olhos dos seus e fixando meu olhar numa das flores ao nosso redor.

—Eu não sei, apenas uma sensação no laço de sangue.— eu lhe olhei então, sabendo que ele provavelmente saberia mais do que eu. — foi como se alguém o puxasse, e depois passou. Não acha que aconteceu algo com James, não é? Ele me disse uma vez que se um de nós morrêssemos o outro morreria, então não acho que tenha sido isso.

Ele me encarou incrédulo.

—Você não morreria, apenas quebraria o laço e James sabe disso. —seu cenho franziu. — Quando ele lhe contou isso?

—Quando eu estava passando pela minha ascensão, e ele teve que me dar sangue.

O cenho de Caspian franziu mais ainda, e ele me deu uma olhada estranha.

—Ele não precisava fazer isso, sangue humano como o que bebemos aqui já bastaria. — ele sacudiu a cabeça, parecendo levemente enojado. — Depois você me conta as outras mentiras que ele lhe disse. Está se sentindo melhor?

Assenti, me levantando e começando a andar até o castelo novamente. Caspian me seguiu, me fazendo o encarar.

—Sua cabana é para aquele lado. — eu disse, aprontando para a floresta. Abanei uma mão para ele.—Não preciso mais de seus serviços principescos, xô.

Ele sacudiu a cabeça para min, falsa tristeza em seu rosto.

—Eu lhe ensino a matar coisas e é assim que sou tratado, meu coração está sangrando agora Sophie. — ele então parou sua atuação, entrelaçando meu braço no seu. —Eu quero falar com minha irmã, então lhe acompanharei até metade do caminho.

Resisti a vontade de rolar os olhos para aquela cara de metido dele e o deixei me acompanhar. Quando estávamos virando o corredor que daria para o quarto de Isabella, a voz sussurrada de Isabella ecoou levemente. Caspian me parou, seu dedo indo em sua boca, pedindo silêncio.

—Fazem 17 anos que não lhe vejo e você continua o mesmo. — ela disse baixo, sua voz entretida. — Você e Caspian não se acertaram ainda, imagino?

Uma voz então que eu não esperava respondeu com uma risada.

—Bella, sabe que Caspian e eu só nos acertaremos quando ele me trancar em Seelie para retribuir o favor. —James disse, fazendo meu coração parar por um segundo.

Caspian apertou levemente meu braço, me fazendo seguir o resto do caminho com ele então.

Dois pares de olhos prateados nos encararam. As sobrancelhas delicadas de Isabella se arquearam.

—Cas, olha só quem eu encontrei a caminho do quarto dele. — ela disse, sua voz casual. — Você e Sophia já estão indo para a cama?

O cenho de James franziu ao nos olhar novamente, provavelmente entendendo errado a frase.

Sacudi a cabeça rapidamente, querendo sair dessa situação estranha.

—Caspian está hospedado numa cabana. E não aqui no Castelo. Eu estava indo ao meu quarto e ele veio ver você, apenas viemos o caminho juntos.

Caspian bufou ao meu lado.

—Quero passar por alguns detalhes com você, Bella. Rhys me contou algo que quero discutir. — ela o olhou alarmada, assentindo com a cabeça, sua mão abrindo sua porta. Caspian se virou para mim, me dando um beijo na testa como ele sempre fazia. — Até amanhã, não fique acordada a noite toda novamente.

Ele então seguiu sua irmã para dentro do quarto, me deixando ali fora com James. O olhei, procurando por algum machucado visível, me certificando que ele estava bem. Ele estava me observando também, seus olhos me varrendo. Senti meu coração acelerar apenas com o olhar dele sobre mim. Eu havia mesmo sentido saudades.

—Eu senti uma coisa estranha no laço agora pouco, aconteceu algo? Você está bem?

—Nada que valha a pena se preocupar. — ele disse, olhando em volta, me fazendo lembrar que estávamos em um corredor onde qualquer um poderia nos ouvir. —Vamos, eu lhe acompanho até seu quarto.

Eu o segui então, o deixando ir a minha frente. O caminho até meu quarto foi mais longo que o normal. Ele parou em frente a minha porta, onde sorriu para mim. Algo em meu peito se apertou com isso.

—Acho melhor eu ir tomar um banho, acabei de chegar. — ele me olhou novamente. — Está muito bonita, Princesa. Gostei do vestido.

Assenti e entrei em meu quarto. Onde o arquivo sobre ele estava.

Eu o peguei e enfiei na minha ultima gaveta, colocando meu arco em pé na escrivaninha. Tirei minhas sapatilhas, esticando meus dedos.

James estava de volta. E eu precisava lhe perguntar sobre o seu passado, sobre o motivo de ele não ter me contado. Sobre Anna. Fui até minha penteadeira, pegando um lenço demaquilante e o esfregando em meu rosto até o último pingo de maquiagem sair. Minhas olheiras voltaram a tona imediatamente, me fazendo soltar um suspiro. Retirei os milhares de grampos de meu cabelo, os deixando cair em ondas pelas minhas costas.

Fui até o banheiro, onde escovei meus dentes e depois lavei meu rosto. Eu estava terminando de pentear meu cabelo quando ouvi um barulho no quarto. Puxei uma respiração, e fui até lá, já sabendo quem era.

James me olhou da janela, sorrindo de verdade pela primeira vez em mais de uma semana. Eu larguei a escova de cabelo no chão, esquecendo de qualquer pergunta que eu queria fazer, e me joguei em seus braços, o beijando.

Eu havia sentido falta dele. Havia sentido falta do cheiro dele, de realmente sentir a pele dele na minha. Sua mão deslizou pelo tecido fino do vestido, o calor delas me arrepiando.

—Senti sua falta. —ele murmurou em minha boca.

Me afastei dele, sorrindo maliciosamente, me lembrando da ultima vez que eu havia dito isso para ele no meu sonho. Comecei a puxá-lo em direção a cama.

—Acho melhor fazermos algo sobre isso então. — eu disse, repetindo a resposta dele para mim. Suas mãos logo desfizeram o zíper de meu vestido, o puxando para fora de mim, me deixando apenas de calcinha, já que o vestido era fino demais para um sutiã normal.

Eu logo segui ele e puxei sua camisa, sentindo seu peito no meu quando caímos na cama, ele me rolando até me prender debaixo dele. Eu queria ele, e queria logo. Ele deve ter sentido a mesma coisa, já que quando eu tentei tirar sua calça jeans ele deixou.

Algumas horas mais tarde eu o observava dormindo, minha coberta o cobrindo da cintura para baixo, seu braço enrolado ao meu redor, como se ele quisesse ter certeza que eu iria continuar ali.

Ele se mexeu inquieto, me fazendo perceber que ele estava tendo um sonho ruim. Seu cenho franziu, assim como seu braço ao meu redor ficou tenso.

—Anna. — ele murmurou, me fazendo prender a respiração. Ele devia estar sonhando com quando ela foi capturada por Noah. Por minha causa.

Eu acariciei seu rosto, querendo tirar o semblante de angústia dele. Seus olhos pratas me encararam então, confusos. Sua mão rapidamente segurando a minha no lugar.

Ele então piscou e a soltou, percebendo que era eu.

—Eu te acordei? Me desculpe, estava tendo um pesadelo.

—Eu sei. — respondi, o olhando nos olhos. Eu não podia mais evitar a pergunta. — Quem é Anna, James?

 



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