História The Beagles - Capítulo 9


Escrita por: ß

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, Lu Han, Sehun
Tags Baekyeol, Chanbaek
Exibições 712
Palavras 13.211
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Self Inserction, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


se a igreja tradicional chanbaek ataca eu vo ataca
já faz 84 anos
alguém ainda lembra dessa fic? ;-;
me desculpem o tamanho e espero que tenham uma boa leitura ♥

Capítulo 9 - EXTRA Seja flexível


 

A vida dá muitas voltas.

Às vezes você é um cara hétero a fim de uma guria bonitinha e fofa do terceiro ano, daí de repente você se vê apaixonado por um de seus melhores amigos, com seu outro melhor amigo (surpreendentemente hétero) lhe shippando com um cara enquanto a guria que você antes estava a fim agora está lutando com unhas, dentes e golpes baixos para ficar contigo, sendo que ela nem está tão a fim assim de você. Como se não bastasse, também há a garota que está apaixonada pelo cara que você está apaixonado, e ela quer vê-lo longe de você porque você foi o maior pau no cu da escola, talvez superando um certo chinês, que traumatizou um amigo muito próximo seu e por causa disso ele lhe deu conselhos horríveis sobre sua vida amorosa. Subitamente seu melhor amigo hétero lhe soca e o que você está apaixonado lhe perdoa.

É, a vida dá muitas voltas mesmo.

Essas voltas podem ser como um pratinho de microondas girando, bem lentas e suaves com um toque especial de ondas eletromagnéticas para deixar tudo mais apetitoso, ou podem ser como a bunda do Zitao quando alguma música da Beyonce toca, indo para lá e para cá loucamente num ritmo que nenhum mero mundano pode acompanhar. Quando se é Park Chanyeol, é mais provável que seu tipo de volta seja a bunda do Zitao (Crazy in Love vers.).

É claro que ser um cuzão também ajuda em todas essas reviravoltas.

Eu já fiz muita merda na vida, desde me atrasar para minha própria festa surpresa de aniversário até estudar a matéria de Química quando a prova era de Matemática. Contudo, a maior das minhas cagadas, o MAMA UnionPay Cuzão of the Year, foi o que eu fiz com Byun Baekhyun, meu melhor amigo e quase namorado nas horas vagas.

Se algum dia tivéssemos feito algum juramento de amizade em nossa tenra infância, eu teria acabado com todos os protocolos.

As coisas entre nós sempre foram muito boas; nossa relação era a melhor que eu conhecia e nunca brigávamos, o máximo que tínhamos era alguma discussão boba. E então ele formou um plano para que tentássemos conquistar duas garotas do terceirão que estávamos a fim e a coisa toda começou a desandar aí.

Como eu poderia saber que um anjinho se escondia por baixo da máscara de Pazuzu que Kim Taeyeon usava? Mais que isso, como eu veria o verdadeiro Pazuzu que havia em Park Sandara?

Quando ouvi seu plano pela primeira vez, pareceu-me muito engenhoso e sagaz, o que só fui perceber não ser depois de um tempinho. Ainda assim, não dei para trás porque tomando no cu ou não, seria algo bem divertido para se fazer antes de ir para o terceiro ano – é como quando você sai com seus amigos para uma festa, alguém pergunta “Como iremos voltar para casa?”, outro responde “Na hora a gente vê” e no fim três adolescentes acabam perdidos em um bairro desconhecido às 4 da manhã porque nem dinheiro para a condução tiveram a decência de preservar. Poderia ser bem desagradável no momento, tipo, por causa do frio, da fome, porque vocês estão bêbados, numa rua deserta que só um poste de luz funciona, e se um palhaço assassino saísse eventualmente de algum beco, você não conseguiria correr, já que mal se mantém em pé. Entretanto, na madrugada de alguma noite aleatória, você se lembraria disso e riria para um caralho alado. Como eu disse, coisas da vida.

É claro que houve outro motivo para isso e teremos que voltar um pouquinho no tempo para explicar.

Kwon Yuri fez uma festa. Os beagles, que na época eram só três alunos bagunceiros que ficavam sempre juntos (ainda somos só isso hoje em dia…), ficaram interessadíssimos em ir. Isso foi antes do Byun criar aquele plano sem pé na cabeça, embora já estivéssemos de olho nas duas princesinhas. Ainda assim, naquela noite, só havia nós três e quando dei por mim, nós dois. Baekhyun e eu, sujos de tinta, bêbados como nunca havíamos ficado, dançando no jardim iluminado de uma veterana e naquele momento eu pensei “Caralho, meu melhor amigo é bonito pra porra”. Talvez tivesse sido a bebida, talvez tivesse sido as luzes em seu rosto manchado de todas as cores que eu consigo imaginar, mas nunca senti tanta vontade de beijar alguém.

O que me pareceu perfeitamente normal, mesmo sendo hétero. Assim, sabe? Ninguém deixa de ser hétero só porque quer beijar desesperadamente seu melhor amigo lindão. Que isso. Só um impulso da vida. Park Chanyeol e sua embriaguez.

Em algum momento nós pulamos na piscina que nem fazia parte da festa e já deixo registrado aqui minhas desculpas à Kim Yuri por ter sujado sua água com tantas cores. Antes que fôssemos pegos, fugimos como ninjas e começamos a andar até minha casa, o que não era um caminho tão curto assim.

A água gelada havia feito parte de todo aquele torpor ir embora, mas eu ainda estava bêbado o suficiente para repetir a cada cinco minutos que era hétero, muito hétero, Deus é top e essas coisas, talvez tentando convencer a mim mesmo. E então, uma ideia surgiu na minha cabeça: e se eu tirasse a prova?

Por isso Baekhyun e eu acabamos nos beijando naquela noite abafada, molhados e sujos de tinta, cheirando a cloro e alguma outra coisa que eu prefiro não saber o que é, bêbados e não tão conscientes assim de seus atos. Quando nos separamos, ele me pareceu tão bonito; mas seu rosto não mostrava algo que eu chamaria de agrado e então, eu apenas continuei a vida como se nada tivesse acontecido.

Provavelmente ele acha até hoje que eu não me lembro do que rolou ali e confesso que demorei um tempo mesmo para lembrar (até poucos dias atrás, eu não sabia bem como a noite havia acabado). As lembranças foram sendo repostas pouco a pouco, como um quebra-cabeças que tem peças demais perdidas que vão sendo achadas eventualmente, uma de cada vez.

Mas eu já sabia que algo havia acontecido e mesmo não me lembrando do que, agi na manhã seguinte. Por isso, se alguém especificamente me fizer esta pergunta, eu vou dizer que já estava apaixonado por Byun Baekhyun antes mesmo de todo o problema começar, porque não foi a embriaguez que me fez beijá-lo no dia seguinte enquanto lavávamos a louça.

Aí você diz: poxa, xanio, então tudo acabou bem?

E eu digo: conheça melhor parque xanio.

Aquele mal havia sido o início e o final já tinha sido bosta. As coisas começaram a desandar quando eu conversei com Sehun, meu amigo da maknae line, e ele me deu uns conselhos bem errados. Eu não o culpo, levando em conta suas experiências com Lu Han (aparentemente, veteranos só servem para pisar no seu ego ou foder alguma parte da sua vida). É claro que também não foi justificativa, mas tente me entender: eu era um adolescente que acabara de descobrir sua não heterossexualidade (é, não me iludia sobre isso), com um amor nada fraternal florescendo por quem até aquele momento representava uma irmandade, numa sociedade nada compreensiva e, para deixar as coisas mais locais, numa escola que havia ridicularizado um aluno gay o suficiente para ele ficar traumatizado – por acaso, ele era meu amigo. Eu fiquei com medo, não tenho vergonha de admitir isso. O que eu fiz por esse medo é que é o problema.

Eu via que não era um sentimento unilateral. Não foi como naqueles romances em que um personagem apaixonado acha que o outro não liga para si enquanto os dois se amam secretamente; para mim, era tão óbvio que Baekhyun estava imerso na mesma coisa em que eu estava… E era tão bom. Ficar a sós com ele, mesmo que não tivéssemos mais nos tocado daquela maneira, era um dos meus prazeres secretos. Contudo, as coisas mudavam quando mais alguém entrava na nossa bolha. O medo dominava. E eu fazia merda.

Não vou contar toda a nossa história porque algo me diz que já há certa explanação dos fatos. Não é algo que eu possa mudar, não importa de que ângulo eu veja as coisas, e cada vez que penso nisso parece pior.

Apesar das merdas gerais que eu fiz, acho que o que mais magoou Baekhyun foi que eu silenciosamente pedi que ele me esperasse. Pedi que me desse um tempo para que meu medo fosse embora. Não precisamos falar para entender isso; os olhares que trocávamos e os abraços que às vezes eu dava de surpresa eram só um apelo mudo. Baekhyun me esperou. E eu o deixei sozinho.

Mais! Mesmo depois de todas as bostas feitas pela minha pessoa, ele me perdoou provando que era sim a melhor pessoa desse mundo. Depois de tudo o que passamos, entretanto, eu não me iludi achando que começaríamos do zero, sem nenhuma culpa ou mágoa. Ele e eu ainda sentíamos – era para eu sentir mesmo, de preferência até o final da vida para que não voltasse a fazer alguma cagada parecida, mas era ele que me preocupava. Eu continuava apaixonado, mas entenderia se meu Byun simplesmente não quisesse mais.

Baekhyun quis. E eu soube o quanto era sortudo por isso.

Era óbvio que ele estava se esforçando, todavia, não podíamos esquecer toda a situação como se não fosse nada, porque ela havia sido algo, sim. Algo que o magoou, eu sei o quanto, e que deixar guardado só iria fazer piorar.

Por isso, agora que o medo não me controlaria mais, queria fazer algo que o mostrasse que eu também me esforçaria.

— Praia?

— Sim, ué. Você não quer ir?

— Hã… Por que vocês dois não vão sozinhos?

Era até meio assustador o quanto ChenChen gostava de ver Baekhyun e eu juntos. Como sempre, meus pais me levariam para a casa na praia do meu tio durante uma semana, mais ou menos. Em geral, Jongdae e Baekhyun iam comigo, mas naquele ano, o sorrisinho de gente que ‘tá formando plano do Chen não me deu tanta certeza disso.

— Vai ser bom pra vocês, Chan. Podem se reaproximar sem ninguém fuxicando suas vidas… — e era até meio irônico logo ele estar falando aquilo. — Eu acho que o Baekkie gostaria disso.

Eu também achava e o fato de Jongdae não se magoar por aquilo me deixava mais aliviado. No fundo, eu sei que ele também queria passar mais tempo com Bomi, já que ela logo começaria a faculdade e os dois eram meio inseparáveis. Seria um longo ano de lamúrias por parte do beagle que ainda se mantinha firme em sua heterossexualidade.

Mas ele merecia, depois de ter aguentado todo o drama pelo qual passamos…

Por isso eu estava na casa de Baekhyun naquela quarta-feira - ótimo dia para se ter férias, huh? -, rezando para que sua irmã mais nova não estivesse em casa e tendo minhas preces atendidas quando foi ele quem atendeu a porta, sorrindo quando me viu.

— Ei, entra aí.

Sorri de volta e logo estava na residência dos Byun, esta que, por sinal, estava mais silenciosa do que costumava ser normalmente. Baekhyun pareceu notar minha percepção, dizendo que seus pais haviam ido comprar algum almoço pronto e sua irmã estava passando a semana na casa de uma amiga.

Quando ele disse que estávamos sozinhos, puxei-o para mim e o abracei antes de beijá-lo calmamente. Era divertido ver seu rosto surpreso e o tempinho que ele demorava para se dar conta do que estava acontecendo, mas logo que fazia isso, apoiava-se em meus ombros para me corresponder e era sempre tão bom. Quando nos separamos, seu rosto ainda demonstrava um pouquinho de surpresa, um sentimento que mesmo depois de tantos beijos que eu havia lhe dado quando estávamos sozinhos, continuava fielmente ali.

Eu sabia que, no fundo, Baekhyun achava que eu fugiria a qualquer momento. Quem poderia culpá-lo por pensar assim?

Não estávamos namorando porque nenhum pedido havia sido feito. Eu, pessoalmente, não me importava com isso e sabia que meu Byun, em geral, não era muito ligado a essas coisas; entretanto, talvez isso lhe desse mais segurança do que tínhamos e principalmente, do que eu sentia. Poderia ser algo bem cafona (até a palavra “cafona” é cafona…), mas se isso o ajudaria a se sentir melhor com o que tínhamos, então eu jamais negaria.

— Como ‘cê ‘tá?

— Bem, eu ‘tava assistindo Donnie Darko. Quer ver comigo?

Franzi o cenho; não fazia a menor ideia do que aquilo era, mas se ele estaria lá, então me chama que eu vou.

Por isso acabamos em seu quarto dividindo um pote de sorvete com aquele filme bizarro passando e eu juro por Deus que toda vez que aquele coelho sinistro aparecia eu sentia um pouquinho da minha vida se esvaindo. Baekhyun parecia muito compenetrado e olha, se ele estava entendendo alguma coisa, meus parabéns, porque nem o nome do protagonista eu conseguia assimilar.

— Baekkie… — chamei. Ele não interrompeu o movimento automático de pegar um pouco do sorvete com sua colher e levar à boca, os olhos completamente focados em seu notebook. — Ei, Baekkie…

— Chan, eu preciso prestar atenção — disse como se falasse com uma criança birrenta. — Senão não vou entender nada.

Arqueei uma sobrancelha. — Você está entendendo alguma coisa?

— Depois de assistir o mesmo filme vinte vezes e ler milhões de teorias, era esperado que eu entendesse algo.

Wow. Vinte vezes?

Eu tinha algo mais importante para tratar.

Pausei o filme, o que o fez olhar indignado em minha direção. — Eu quero conversar contigo, Baek.

Ele sorriu daquele jeito bem filho da puta que me derretia todo, acenando com a cabeça em seguida. — Pode falar.

— Meus pais querem continuar a tradição e, sabe… Praia. Quer ir?

— Nós vamos todo ano.

— ChenChen não quer ir esse ano… Ficar mais tempo com a Bomi e tal. Então… Só nós dois. Tudo bem por você?

Se ainda fôssemos só amigos, não haveria nem por que fazer uma pergunta como essa. Entretanto, estávamos naquela situação meio incerta e eu não queria fazê-lo se sentir pressionado a aceitar. É claro que tudo aquilo seria inevitavelmente mais romântico e no fim, eu também era inseguro quanto a nós. Não sabia até onde Baekhyun poderia – ou queria – ir comigo.

— Tudo bem.

Ele tinha um sorriso tão tranquilo nos lábios como se soubesse o que eu estava fazendo e aceitasse. No fim, eu continuava um bobo apaixonado.

— Agora que você interrompeu meu filme…

Seu sorriso se deturpou em algo mais malicioso e ele deixou o notebook no criado mudo ao lado de sua cama. Eu invejava tanto sua cama de casal; quando dormia lá, sentia-me no mais confortável dos lugares. Desde que começamos esse rolo não dormimos um na casa do outro sem Jongdae porque o clima sempre ficava mais quente, e não é de verão que estou falando.

Como agora, por exemplo.

É tradição: nenhum casal no início de um relacionamento consegue assistir algo sem rolar uma pegaçãozinha, ainda que o filme em questão tenha feito suco do meu cérebro. Também podemos ignorar o fato de que Baekhyun e eu não éramos um casal – bem, ao menos não oficializado – e que não tínhamos um relacionamento definido. De qualquer maneira, éramos adolescentes. O que esperava que nossos hormônios quisessem fazer? Tricô?

Por isso, num momento nós estávamos conversando numa distância segura e no outro ele estava no meu colo, nós nos beijando de um jeito um pouquinho mais exaltado do que o saudável para quem não pretende transar. Beijar Baekhyun sempre foi algo meio natural, eu digo, desde que começamos com isso; eu amo seus lábios macios, ainda que vez ou outra eles fiquem meio ressecados por sua mania de mordê-los inconscientemente. Nem parece que é o único garoto que já beijei na vida – e pretendo.

Sexo é outra história.

Ele não era virgem, eu não era virgem, mas nunca havia transado com outro cara e a ideia toda não me era desagradável, só um pouco... Intimidadora. Sexo hétero sempre me pareceu mais simples, mesmo quando eu acreditava piamente que era hétero: tem o cara, que é na maioria esmagadora das vezes o ativo, e a mina, que – na mesma maioria esmagadora – é a passiva; ele tem uma coisa pra enfiar, ela tem uma coisa pra receber, tudo feliz e gostosinho e acabou. Sexo gay era mais complicado porque os dois podiam receber, mas também tinham pra meter. E aí? Decide no jo-ken-po?

Sempre que eu pensava no assunto, preferia distrair minha mente com vídeos de gatinhos fofos e gente caindo porque meu cérebro dava aquele bug gostoso e eu ficava com preguiça só de pensar em transar. O caso é que eu conseguia visualizar Baekhyun muito bem nos dois papeis – e esse negócio de ficar imaginando o amiguinho em certas situações me rendeu boas dezenas de minutos a mais no banho – e a mim mesmo também. Tinha todo o estereótipo de casal gay padrão (Bomi havia me falado sobre isso), tipo, eu sendo mais alto, ele tendo carinha de flower boy e etc. Sempre me pareceu uma grande merda, mas certas coisas na vida você olha e só pensa “É melhor eu nem comentar”.

Imaginar a si mesmo dando a bunda era meio bizarro, eu deveria admitir. Só que não era como se isso me fizesse desgostar da ideia.

Eu não era iludido de achar que num relacionamento gay – mesmo sendo bi – iria ficar metendo até o fim da vida. Não via problema em ficar por baixo, sei lá, coisas da vida, não? Uma hora acontece. Não significa que eu vou gostar, mas não posso deixar de tentar e... Ah. Meio constrangedor. De qualquer maneira, eu pesquisei um ou dois ou treze sites sobre primeira vez gay (sim, meu nível de insegurança chegou a esse ponto) e tudo o que li sobre passivos foi dor, sofrimento e tudo que um pau enterrado numa bunda virgem pode representar. Nunca fui muito bom lidando com a dor e eu esperava que Baekhyun fosse paciente.

Bem, só considerando o fato de que ele ainda me queria, deveria ser, mesmo.

É claro que não era nesse tipo de coisa técnica que eu pensava quando estava num momento daqueles com Baekhyun, ele sobre meu colo fazendo movimentos perigosos demais que eram, decerto, um atentado contra minha sanidade; eu apreciava, mesmo estranhando um pouco, a confiança que ele tinha em tudo que fazíamos, porque ela passava um pouco para mim também. Eu sabia que Baekhyun era uma pessoa assim como as garotas que eu já toquei no passado, mesmo que houvesse algumas – muitas – diferenças entre ele e elas, diferenças que não se limitavam ao físico. Talvez isso me deixasse mais nervoso: eu gostava dele de verdade e não queria estragar tudo porque não sabia como deveria agir.

Sim, sim, um colegial apaixonado, já escutei isso de Sehun.

Ele mordia meus lábios sem muita força, puxando-os ora ou outra como provocação e droga, como era bom nisso. Eu gostava de tocá-lo por debaixo das roupas – poucas foram as vezes em que me permiti fazer isso, no entanto – para sentir sua pele quente se arrepiando, suas curvinhas formadas depois de muitas barras de chocolate e fast-food que só o deixavam mais bonito, ouvi-lo arfar baixinho porque também gostava quando eu o tocava. E era nesses momentos que eu só pensava “Foda-se, vai no jo-ken-po mesmo” e queria jogar tudo para o alto e só dar vasão ao desejo, aos hormônios e à curiosidade também.

Sexo, para nós, não era algo tão pessoal assim. Ao menos no geral, falando por mim. Mesmo assim, levando em conta toda a situação, parecia algo íntimo demais. Olha a insegurança de novo.

— Chanyeol — ele chamou. Estava meio ofegante, talvez porque ondular seu quadril contra o meu fosse uma tarefa realmente cansativa. — Eu acho que...

Ele não pôde terminar sua frase porque as batidas na porta o interromperam. Pelo susto, ele saiu do meu colo e se pôs ao meu lado, na cama, como se no corredor pudesse estar Adolf Hitler.

— Sim...?

— Baekkie? Sou eu — ah, a amável Sra. Byun, a única mãe na Terra que bate na porta do filho ao invés de simplesmente entrar. — O almoço está na mesa, querido. Não demore para descer!

— Tudo bem, mãe. Valeu!

Quando ouvimos seus passos ficando cada vez mais distantes, relaxamos o corpo que ao menos eu não havia percebido tensionar e depois de nos encararmos, rimos. Maturidade a milhão aqui. Problemas da adolescência: ter seu dry hump interrompido pela mãe e depois só conseguir rir do fato.

Não que o fato da minha calça estar mais apertada fosse engraçado.

•••|•••

Baekhyun pareceu uma criança quando chegou à areia, correndo para o mar como sempre fazia para molhar os pés (em geral, Jongdae o acompanhava enquanto eu pensava se ficaria muito fodido se não usasse protetor solar), chamando-me com um aceno para que eu fosse junto. Não havia pensamentos invasores em minha mente porque meu pai havia passado protetor em mim e por uns momentos eu fiquei tão branco que pareceu até whitewashing.

Sem nada de ruim na cabeça e disposto a me juntar ao Byun mesmo com o clima meio frio, fui ao seu encontro na água.

Todo mundo deve ter aquele tio rico que só aparece nas festas, não tem filhos e te dá presentes muito legais, exceto aqueles que não têm tio, mesmo. O meu, no caso, tinha uma casa na praia bem legal que ele só usava em abril ou maio, quando pegava férias de seu trabalho – que não faço a menor ideia de qual seja. De qualquer maneira, a casa ficava liberada para nós e era bem de frente para o mar. Jongdae e Baekhyun piraram na primeira vez que os levei para aquele lugar.

— Eu amo esse som — Baekhyun disse, sorrindo, olhando o mar como se observasse uma obra de arte. — Sério. Você também não ama? É tão tranquilo e acolhedor.

Quando ele enfim se virou para mim, seu rosto ficou vermelhinho provavelmente por só naquele momento notar que eu o encarava com um sorriso de babaca apaixonado.

— É, você tem razão.

E eu preferi não falar que o que me deixava acolhido era ter seus sorrisos daquele modo, algo que por algum tempo achei que não receberia mais.

Minha mãe havia nos deixado ir à praia para aproveitar alguns minutos ali – Baek, Jongdae e eu sempre fazíamos isso –, contudo, pediu que voltássemos logo para que arrumássemos o quarto em que ficaríamos e todas essas coisas que mães falam. Por isso, não nos demoramos muito na praia, já que poderíamos voltar lá depois.

Apesar da casa ser grande e ter muitos quartos, sempre ficávamos no mesmo porque não tem nenhuma graça cada um num quarto, simples assim. E desta vez, seríamos só Baekhyun e eu dividindo um.

— Por que não mudamos um pouco, para variar? — Baekhyun perguntou. Estávamos com nossas malas em mãos e ele me impediu, com sua fala, de subir as escadas para o primeiro andar.

— Mudar o quê?

— O quarto. Sabe, nunca ficamos no que fica aqui — explicou, referindo-se ao que se encontrava no térreo.

Era um bom cômodo, com um beliche e uma cama de casal, que nunca usávamos porque nunca pareceu conveniente.

Sorri para ele. — Por que a vontade de mudança agora?

— Sei lá, só uma ideia. Além disso, fica mais perto da cozinha.

Ri; Baekhyun era mesmo incrível.

Mudando um pouquinho nossa rota, andamos pelo corredor curto que havia naquele andar e logo entramos na primeira porta à esquerda. Meus pais provavelmente estavam em seu quarto no primeiro andar arrumando suas coisas, então, decidi avisá-los sobre a súbita diferenciação mais tarde.

Deixei minha mala no chão, sentando-me na ponta da cama de casal e chamei o Byun com a mão, que sorriu para mim, deixando a sua bolsa ao lado da minha, logo caminhando ao meu encontro.

Minhas pernas esticadas e um pouco abertas foram um convite para que ele ficasse ali, algo que aconteceu sem demora. Suas mãos apoiaram-se em meus ombros e seu rosto havia voltado ao tom meio róseo, algo que talvez tivesse acontecido com o meu também.

— É um bom quarto — disse, só para que não entrássemos naquele silêncio e no encara-encara que não eram desagradáveis, mas perigosos. — Deveríamos ter feito isso antes.

Baekhyun subiu um pouco sua mão direita e acariciou meu rosto antes de falar. — Deveríamos.

Minhas mãos em sua cintura o puxaram um pouco mais para perto e eu logo tive sua boca sobre a minha num beijo lento e superficial que só demonstrava o quão relaxado eu estava por estar ali, mesmo que meu estômago ainda se revirasse um pouquinho com cada pequeno toque seu. Suguei seu lábio inferior com a mesma lentidão, estimulando-o a fazer o mesmo comigo, afastando-se logo depois.

— Seus pais podem entrar aqui a qualquer momento — murmurou.

— Eu acho que seria mais conveniente — brinquei, tentando tirá-lo de pensamentos como aquele porque eu sabia que trariam lembranças ruins. — Me pouparia de ter que ter essa conversa, eu acho. Um beijo pode ser bem explicativo.

Baekhyun afastou o rosto um pouco mais, parecendo surpreso por um momento, ainda que aquilo não tivesse sido um recuo.

— Você... Pretende contar a eles?

É claro que eu pretendia. Pretendia porque estava nos meus planos tentar algo mais sério com o meu Byun, e isso seria bem chato se fosse feito escondido dos meus pais. Sempre fui um bom menino, oras. Mentir para eles era bem bizarro para mim.

E não, eu não me esquecia de que se fosse assumir para eles, meio que como consequência assumiria para, hã, todo o resto do mundo, e mesmo depois de toda aquela situação escabrosa – ótima palavra, não? –, ainda tinha meus medos. Agora, entretanto, eu estava disposto a enfrentá-los.

Ainda assim, não queria que Baekhyun pensasse que eu estava sendo apressado demais e... Novamente, olá, insegurança. É normal se sentir inseguro depois de ser um filho da puta porque nunca se sabe quando o outro vai se tocar de que, porra, você foi um filho da puta.

Eu não sabia se Baekhyun se ligava realmente em toda a situação, mas sabia que ele ainda tinha certa mágoa.

— É, bom, quem sabe?

Aprendi que uma resposta como essa é sempre a melhor quando não se sabe o que responder.

Baekhyun sorriu para mim, tranquilo, e eu amava o jeito com o qual ele sabia me ler tão bem. Fomos melhores amigos por muitos anos, afinal. Eu também sabia lê-lo, mas sentia que ele havia mudado em muitos aspectos desde que tudo aquilo começou e alguns deles eu não acompanhei.

Era difícil, mas eu queria tentar mesmo assim.

Decidimos dormir os dois na cama de casal, que tinha o colchão mais confortável, e deixamos os beliches para acomodarem a bagunça que inevitavelmente faríamos. Guardamos nossas roupas no armário pequeno que havia ali e também nos acomodamos no banheiro que havia bem na frente do quarto, do outro lado do estreito corredor. Meus pais sempre ficavam com a suíte, o que era no mínimo decepcionante.

Nada de novo sob o Sol, como dizem certas pessoas.

Aqueles oito dias que decidimos ficar passariam depressa, eu já premeditava. Sentia um pouco de falta do Jongdae, já que ele sempre estava conosco. Tudo bem que um tempo sozinho com Baekhyun era algo que eu jamais reclamaria, mas ChenChen foi quem mais se esforçou para que ficássemos bem. Ele me convenceu a não ser bunda mole e não desistir daquilo. De certa forma, se eu e o Byun tínhamos alguma coisa, era por causa dele. Boatos de que até fez um plano para nos juntar, embora eu ache isso doidera demais.

Usamos o primeiro dia para limpar a casa que sempre vazia acumulava muito pó, o que fez minha mãe espirrar durante todo o dia vezes o suficiente para invocar um médico. No final dele, fomos dormir cedo porque estávamos cansados e pareceu até um desperdício de tempo; ainda tínhamos mais sete dias e eles compensariam, no final. Não havia tanto o que fazer.

Apesar da época de férias, a praia estava um tanto quanto vazia por causa do frio e porque a maior parte dos proprietários dali tinha empregos como os do meu tio, eu deduzo, com férias desprogramadas das de todo mundo. Vez ou outra víamos algum casal passeando com uma criancinha pela areia ou algo do tipo, ninguém que se atrevesse de fato a ficar como Baekhyun e eu estávamos, sentados numa manta sobre a areia, observando o mar e refletindo se pegaríamos uma gripe se entrássemos na água.

— Eu acho que valeria a pena — Baekhyun opinou.

— Mas a água deve estar gelada demais — retruquei, meio manhoso, porque mesmo com a regata cobrindo meu torso, eu sentia vontade de me enrolar em algum cobertor.

— Essa é a graça, ué.

— Então por que você não vai?

Baekkie sorriu como se fosse óbvio e revirou os olhos. — Porque não quero parecer um louco na água, duh.

Ri espalhafatoso de seu tom e apenas concordei com a cabeça. Meus pais haviam ido ao mercado para abastecerem a casa pelos próximos dias e do jeito que meu pai era comprando as coisas, ficariam lá por muito tempo.

Aproximei-me do Byun na manta como quem não queria nada, sem deixar de encarar a imensidão não tão azul à nossa frente. Duas garotas passaram, andando tranquilas pela beira d’água, e eu as reconheci como sendo as filhas de um dos nossos vizinhos, alguns dos poucos que moravam por lá. Elas acenaram e nós devolvemos o aceno, observando-as continuarem a andar para longe.

— Se lembra de quando Jongdae ficou a fim de uma delas? — ele perguntou, divertido, e eu ri da lembrança.

— Claro. E você ficou com ela mesmo assim — pontuei, fazendo-o murmurar um “Aish” entre risos. — ChenChen ficou putíssimo.

— Eu já não disse que foi sem querer? Como eu poderia diferenciá-las? Elas são gêmeas! — reclamou, num tom manhoso como o eu de outrora, fazendo-me rir mais ainda. — Pare de rir, seu babaca. É constrangedor.

Enquanto ele virava a cara para não ter que me encarar rindo de sua falta de senso, eu o puxava para perto, abraçando-o de lado e deixando um beijo em seu pescoço. Um selar demorado e superficial, o que, combinado com o frio, arrepiou-lhe a pele, fazendo-o se virar para mim com um sorriso convencido.

— Aposto que você sentiu ciúme dela — brincou, cruzando os braços e me encarando de cima. — Pode confessar, Chan. Você sempre foi apaixonado por mim, mesmo.

— É isso aí — lamentei, levando uma de minhas mãos à testa e a outra ao peito. — Não posso mais esconder. Byun Baekhyun, eu me apaixonei por você desde a primeira vez que te vi com a cara toda suja de chocolate quando éramos crianças. Foi inevitável.

Ele riu e me empurrou de leve, beijando minha bochecha e descansando a cabeça no meu ombro. Era confortável tê-lo daquele jeito, quando eu o tinha mesmo que em silêncio, e toda aquela paisagem meio paradisíaca só ajudava a criar um clima especial pr’aquilo tudo.

Baekhyun criava um clima especial para tudo.

•••|•••

Foi no terceiro dia que as coisas começaram a ficar interessantes.

Na noite do segundo dia nós talvez tenhamos nos exaltado demais e... Mãozinha boba ali, uns chupõezinhos aqui, nada que deixe marcas para minha mãe comentar no dia seguinte. Não quero nem pensar em como a noite teria terminado se tivéssemos continuado.

A questão é que eu queria que tivéssemos.

Não fizemos nada de mais porque minha mãe passou pelo corredor de madrugada, talvez querendo ir para a cozinha, já que é caminho, e o cu trancou de tal maneira que nem Wi-fi passaria, quem dirá um pênis. Então, rindo porque somos idiotas hormonais, Baekhyun e eu decidimos só dormir meio agarrados demais, o que teria sido bem constrangedor se meu pai tivesse ido me acordar no dia seguinte.

Por sorte, a vida colaborou.

Mas e se nada tivesse acontecido para nos impedir?

Isso me motivou a ligar para a Bomi e perguntar algumas coisas sobre sexo – gay –, o que soa bem idiota porque ela é uma garota, embora tenha me dado conselhos muito úteis. Eu também não era um completo perdido no assunto, já havia assistido alguns vídeos educativos e podia dizer como a coisa toda rolava num geral. Li uns relatos e umas fanfics também, só porque algumas são boas mesmo.

É claro que nada iria se comparar ao ato em si.

Nesse ponto, sexo hétero era igual: eu também estava nervoso antes da minha primeira vez e pesquisei bastante sobre o assunto, o que só não me fez ser um completo bobão na hora que aconteceu, porque de resto... Isso era mais um lance psicológico, sabe? Para ter mais confiança e tudo o mais. Eu esperava, sinceramente, que funcionasse.

“Transar” nunca me foi um sinônimo para “sentimentalismo”, entretanto, eu sentia que seria diferente por todo nosso histórico. Eu queria que fosse. Não me chame de brega por querer algo especial.

Aquele seria só mais um jeito de mostrar ao Baekhyun que eu o queria comigo por quanto tempo ele pudesse ficar. Que eu me arrependia, que não havia outro lugar no mundo que eu iria querer estar se não fosse com ele. É, pode me chamar de brega, sim.

Sou só um jovem descobrindo o amor em meio a esta vida louca. Sem julgamentos.

Mas como eu poderia abordar o assunto? “Ei, bora foder”? Nem ao menos sabia se ele queria aquilo de fato. Também seria sua primeira vez com um homem e eu deveria ser... Não tão direto, imagino.

Depois de almoçarmos, meus pais quiseram caminhar na areia e fomos com eles. Eu admirava a relação que os dois ainda conseguiam ter porque era tão óbvio que ainda se gostavam e papai dizia que a amava mais a cada dia que passava. Eu não duvidava mesmo, ainda que não fosse muito íntimo da história de amor eterno e tudo o mais.

Eles iam à frente, andando meio abraçados, enquanto Baekhyun e eu andávamos mais atrás e também mais próximos do mar, molhando apenas os pés. Estava menos frio do que no dia em que chegamos, um número um pouquinho maior de pessoas havia se motivado o suficiente para ir à areia e o vento forte que soprava era mais confortante do que cortante. Seus cabelos escuros voavam sobre seu rosto e mesmo que aquilo fosse uma bagunça de fios e pele, Baekhyun continuava lindo.

— Por que está me olhando desse jeito? — perguntou, e lá estava eu com a cara de babaca apaixonado de novo.

Parei de andar e por instinto, ele fez o mesmo. Meus pais já começavam a tomar uma distância considerável de nós, já que estavam entretidos demais um com o outro.

— Eu te amo.

Baekhyun pareceu surpreso por um momento, arregalando um pouquinho os olhos e abrindo a boca como se quisesse falar algo mas não pudesse. Quando éramos só amigos, nós vivíamos dizendo isso um para o outro – “nós” inclui Jongdae, claro. Sempre fomos muito abertos com o que sentíamos. Gostávamos de saber que o outro se sentia amado.

Naquela época, era quase uma irmandade. Desde que tudo isso começou, os “Eu te amo” se tornaram inexistentes e eu queria que Baekhyun soubesse disso. Antes de ser meu namorado ou ficante ou qualquer coisa que fosse, era meu melhor amigo.

— Por que isso agora? — perguntou com um sorriso bonito nos lábios, pegando uma das minhas mãos e entrelaçando seus dedos aos meus.

— Nada de mais. Eu só quero que saiba.

Baekhyun balançou a cabeça negativamente como se não acreditasse, ainda sorrindo, e seus olhos estavam meio marejados. Ele queria chorar? Meu Deus, se ele começasse a chorar eu choraria junto. No fim, apenas murmurou um “Eu também te amo” que foi tão baixo, como se ele não quisesse que eu ouvisse.

Mas essas orelhas enormes têm utilidade, querido.

Continuamos caminhando pela areia até que mais à frente, meus pais se viraram, talvez lembrando que nós existíamos, e pararam para nos esperar. Baekhyun e eu ainda estávamos de mãos dadas, mas se um dos dois notou aquilo, não se importou.

— O que vocês vão querer jantar? — minha mãe perguntou. Ela era mais alta do que a média das mulheres coreanas, o corpo esguio sempre parecendo ter um gingado eterno, algo que eu obviamente não herdei.

— O que você fizer será bom, noona — Baekhyun foi quem respondeu. Ela e minha mãe eram inevitavelmente mais íntimos do que o comum, digo, dona Sunhee o viu praticamente crescer.

E havia sido mãe cedo, afinal. Ela e meu pai tinham uns 10 ou 12 anos de diferença de idade.

— Alguma sopa — pedi, ganhando o apoio do meu pai. Minha mãe assentiu e começou a conversar com ele sobre o que poderia fazer com os ingredientes que tinha.

A atenção que antes tinham sobre nós voltou a desaparecer, entretanto, agora andávamos lado a lado. Soltei a mão de Baekhyun para circular seus ombros como meu pai fazia com a minha mãe, o que o fez rir.

— O que é aquilo? — perguntou de repente, apontando para um ponto mais à frente em que uma espécie de palco parecia ser montado. Várias pessoas trabalhavam naquilo e se chegássemos mais perto, certamente receberíamos um panfleto que outras tantas mais distribuíam pelos arredores.

Dona Sunhee sorriu para meu amigo antes de falar. — Vamos ver.

Não precisamos andar muito para que uma garota aparentemente mais nova do que nós nos abordasse com um sorriso simpático exibindo seus dentes tortos. Nos entregou um panfleto e como se sua vida adquirisse sentido só por falar a frase que deve ter sido repetida durante bastante tempo, disse:

— Venham ao show à noite!

E saiu.

Meu pai olhava o panfleto meio confuso e formamos uma pequena rodinha para ver aquilo. Pelo que parecia, bandas cover se apresentariam e pelo brilho nos olhos da minha mãe, pareciam ser músicas que ela gostava quando era jovem, o que deve ter acontecido há uns 84 anos.

Ok, minha mãe era bem jovem, mas eu não perderia a oportunidade de zoá-la um pouquinho.

— Começa às 22:00 e vai até às 04:00 — comentei, meio surpreso com a duração longa.

— O que acha, querida?

Minha mãe crispou os lábios, contrariada. — Ah, eu acho que não...

— Vai ser divertido pra vocês! — Baekhyun a encorajou. — Há quanto tempo não saem para dançar?

— Pensando bem, acho que nunca saímos para dançar.

— Mas, querido, não podemos deixar as crianças sozinhas...

— Nós podemos nos cuidar por uma noite — o Byun garantiu, piscando aqueles olhinhos lindos e... Ele estava fazendo aegyo? — Aposto que será uma ótima noite para vocês e nós dois nos divertiremos também.

Meus pais se entreolharam e minha mãe sorriu, parecendo feliz com a ideia. Logo começamos a andar de volta para casa porque segundo dona Sunhee, ela demoraria horas para arrumar o que vestir e também queria deixar comida pronta para nós, como se não pudéssemos só comer uma pizza ou coisa do gênero.

Voltei a circular os ombros de Baekhyun quando os dois tomaram uma boa distância, animados com a ideia, e o pequeno quase ria só de satisfação.

— Você não quer ir também? — perguntei, deixando um beijo no topo de sua cabeça.

Eu sabia que ele gostava de dançar e só por isso ofereci. Nunca fui aquelas coisas na dança – Jongdae era quem costumava pagar os micões comigo –, mas Baekhyun era bom, sempre que saíamos para alguma festa eu notava, e talvez ele achasse uma boa ideia.

Entretanto, apenas circulou minha cintura e deitou a cabeça em meu ombro por alguns segundos. — Eu disse que iríamos nos divertir, não disse?

Seu tom era ameno, sua voz era macia, mas o leve aperto que ele deixou em minha cintura não o deixava mentir.

— Você planejou isso?

Ele sorriu ladino, parando de andar e ficando de frente para mim. — Eu acho que será conveniente um tempo sozinhos, hm?

Olhando para os dois lados, tendo certeza de que ninguém nos observava, Baekhyun ergueu-se um pouco para deixar um beijo curto em meus lábios. À frente, meus pais andavam sem se preocupar conosco. Permiti-me segurar sua cintura, fazendo um carinho leve no local.

— Está tudo bem para você? — perguntei, apenas por precaução, e Baekhyun descansou as mãos em minha nuca.

— Eu sou grato pela sua cautela — disse, a voz um pouquinho mais baixa como se estivesse contando um segredo. — Mas acho que um passo a mais não é um pedido de casamento.

Ri, trazendo-o para perto enquanto ele retribuía o riso. — Ainda bem que não.

•••|•••

Nós não havíamos feito nada ainda e eu já me sentia fodido.

Assim que chegamos em casa, meus pais decidiram sair de novo para comprarem algum vestido para minha mãe, já que ela não havia levado nenhuma roupa “correspondente à ocasião” (e só então notei que ela estava mesmo animada para a festa). Enquanto isso, Baekhyun disse que tiraria uma soneca e eu nem reclamei como normalmente faria.

Havia algo para botar em prática.

Quando falei com Bomi sobre caras transando, a primeira coisa que ela me disse foi que se eu estava disposto a liberar as coisa’, eu deveria estar disposto também a fazer a chuca, a não ser que “quisesse pagar um pré-datado” (sic). Eu não fazia a mínima ideia do que diabos era essa chuca, então, recorri ao bom e velho Google.

A coisa toda não é muito glamorosa, mas pelo que eu vi, é necessária para que não dê, bem, em merda.

Depois de ver uns cinco ou seis tutoriais que diziam a mesma coisa, empenhei-me na tarefa de fazer aquilo direito. Depois de todo o processo cansativo pelo qual passei, sentindo-me até mesmo mais leve – e não era para menos –, pensei comigo que essa história de transar com o bumbum tem que ser mesmo muito boa porque só assim para compensar. Eu não sabia se Baekhyun havia feito aquilo, mas estava me sentindo melhor por ter feito. Ao menos um pouco de confiança havia ganhado.

Com uns pontos perdidos no orgulho que eu já havia aprendido a ignorar, resolvi que deveria também tirar uma sonequinha e por isso fui até o quarto que dividia com o Byun, deitando-me ao seu lado. Minha mente recém bissexual precisava de uma pausa depois daquilo e talvez eu tenha puxado Baekhyun para abraçá-lo durante o sono, talvez não. Deixo o questionamento no ar.

As horas se passaram voando.

Acordei com Baekhyun se remexendo na cama, tentando se levantar e, pelo modo cauteloso que se movia, se esforçando para não me acordar, o que foi falho de qualquer jeito.

— Ah, te acordei? — perguntou baixinho, aproximando um pouco o corpo do meu quando eu movi a cabeça em afirmativo com os olhos ainda meio fechados. — Foi mal, eu até tentei.

Ri de sua cara que transmitia um pouco de decepção e o puxei para perto, prendendo-o num abraço apertado.

— Fica aqui.

— Aigoo, Chan, eu estou com fome... Ouvi sua mãe pedindo pizza, acho que no fim a dona Sunhee não ficou muito a fim de cozinhar — riu.

— Ela está animada demais para a noite. Acho que vai ser bom pra eles esse tempo...

— Pra nós também.

Finalmente abri meus olhos de forma decente, encarando aquele rosto meio inchadinho pelo sono que continuava lindo.

Baekhyun tinha uma beleza que merecia ser estudada e eu ainda não conseguia deixar de me constranger um pouco. Todo o nervosismo que eu tinha acumulado agora parecia dissipado, embora eu soubesse que não era necessário muito para reacendê-lo.

— A pizza já chegou? — perguntei, desviando um pouco do assunto porque não sabia o que responder – é uma técnica muito boa, recomendo a todos.

— Acho que sim — enfim conseguiu se livrar dos meus braços para se levantar. Estava vestindo uma bermuda de algodão larga e uma blusa de mangas compridas preta; ele não conseguia dormir com as roupas que usava no dia a dia, então sempre se trocava, mesmo que para um cochilo. Eu continuava com uma bermuda jeans e uma blusa de um álbum musical que eu curtia. — Vou trazer pra você também.

— Valeu.

Ele saiu do quarto andando meio molenga e não demorou para que sumisse do meu alcance visual. Procurei meu celular que deveria estar perdido por algum lugar daquela cama, o encontrando debaixo do travesseiro. Havia algumas mensagens de Bomi e de Jongdae, ambos perguntando como as coisas estavam indo, de Sehun me mandando uns memes engraçadíssimos e de outras amigas. Respondi todos, porque dar vácuo não faz parte da brotheragem, e devo ter passado algum tempo nisso, já que logo Baekhyun voltou com dois pratos com três pedaços de pizza cada.

Eram do meu sabor favorito, mas assim que eu olhei para aqueles pedacinhos que me chamavam quase como se dissessem “Me come, tio Channie, me come!”, lembrei-me que uma hora elas teriam que sair e então as imagens de dor e sofrimento protagonizadas mais cedo pela minha pessoa me socaram a cara. Subitamente, a vontade de comer passou.

— Acho que eu não vou querer — gemi, derrotado.

Gente, ser hétero é muito mais fácil. Sem traumas, sem chuca...

— Hm? Por quê?

— Acho que fiquei meio enjoado.

— Não quer tomar algum remédio?

— Não, valeu.

— Olha lá, hein. Se depois você...

— ‘Tá tudo numa boa, mamãe.

Baekhyun sorriu como se assumisse a culpa e me socou não tão fraco assim. — Ridículo.

Como o bom guloso que era, no fim ele acabou comendo os seis pedaços enquanto conversávamos sobre nada muito interessante – as expectativas para o terceiro ano, planos para depois do colegial, faculdade, essas coisas. Eu só fiquei feliz porque pelo que falávamos, o que quer que decidíssemos fazer iria nos manter juntos. Não apenas nós dois; Jongdae também, incluído como sempre o incluímos.

Depois de toda essa pachorra, não é de se admirar que não haja nada que eu queira preservar mais do que minha amizade com eles. E mesmo amando Baekhyun de um jeito diferente, ele estava dentro disso.

Pode parecer estranho, mas nós três tínhamos aquele pacto de “amigos antes de garotas” (quando todo mundo achava que era hétero); se estivéssemos a fim de alguma menina e ela começasse com uns papos estranhos acerca da nossa amizade, então ela só iria capinar um lote. Poderíamos achar outras que nos interessassem por aí, contudo, uma amizade equivalente, não.

E mesmo que agora Baekhyun fosse a menina, não era 100% garantido que tudo aquilo fosse dar certo. Na verdade, era mais fácil que não desse. E, se isso acontecesse, eu gostaria de ainda tê-lo por perto como o beagle mais bonito que esse mundo verá... Ainda que minha prioridade seja algo a mais.

No fim, acabamos conversando – com algumas doses de silêncio, daquelas que inevitavelmente você tem com seu melhor amigo e não são desconfortáveis porque a presença um do outro já é familiar demais – por muito tempo e a noite caiu. Eu podia ouvir meus pais conversando pela casa, os dois parecendo animados. Quando já estava pensando em me levantar para caçar algo para fazer, meu pai abriu a porta do quarto depois de algumas batidas (esse lance de bater antes de entrar era algo que, infelizmente, minha mãe não conseguia entender).

— Nós já estamos indo, ok?

Baekhyun pareceu surpreso por um momento. — Mas ainda são 20:00...

— Eu vou levá-la para jantar antes — explicou, parecendo muito orgulhoso da própria gentileza. — Acha que ela vai gostar?

— Ela vai amar, com certeza — fiz um joinha e meu pai riu. — Boa sorte, pai.

— Valeu, filhão. Juízo, vocês dois. Nós voltaremos tarde, então não nos esperem.

O pequeno riu e abanou o ar. — Pode deixar.

E então ele saiu.

Baekhyun se virou para mim com um sorriso sapeca, já se levantando. — A casa é nossa. O que acha de incendiarmos a cozinha?

Só se for com o fogo do meu cu.

•••|•••

Como eu disse, a vida dá muitas voltas mesmo.

Em um momento estávamos largados no sofá fofinho da sala, assistindo a um filme bem cômico. Pelo que eu entendi, uma mulher havia morrido num acidente e seu noivo tentou até se matar por isso; depois ele conheceu outra mulher, mas toda vez que eles transavam, a noiva morta aparecia na cama, toda fodida, pra atrapalhar a transa alheia. Era um cômico para se divertir, mas por algum motivo Baekhyun riu do início ao fim.

Em outro momento nós estávamos nos beijando, nada afobado, sabe?, só aquelas coisinhas básicas que acontecem cedo ou tarde quando um casal – ou quase isso – tenta assistir a alguma coisa juntos, ainda mais nessa idade cheia de hormônios e pensamentos loucos, como eu acho que já disse. É, talvez as coisas tenham ficado um pouquinho afobadas quando eu deitei Baekhyun no sofá, ficando entre suas pernas, o beijando com minhas mãos passeando por seu corpo enquanto ele fazia o mesmo comigo.

Mas nós merecemos um desconto uma vez que o filme já tinha até acabado. Vejam só que adolescentes controlados!

— Chan — falou baixinho, separando-se do beijo, mantendo-se perto o suficiente do meu rosto para que nossos lábios se tocassem quando ele falava. — Acho melhor a gente ir pro quarto.

Pois eu também achava.

Ergui-me para enfim me levantar do sofá, puxando-o pela mão como uma ajuda. Meu Byun entrelaçou seus dedos aos meus e andamos até o quarto com certa pressa – até rolou aquele momento de pensamento se deveríamos nos beijar andando ou não, mas contando como somos desastrados já normalmente, de forma silenciosa decidimos guardar isso para depois.

À medida que íamos até o quarto eu ia apagando as luzes que antes estavam acesas, a da sala e a do corredor – economizem energia elétrica, crianças, também é importante como economizar água. Quando chegamos ao quarto, entretanto, Baekhyun me impediu de acender a luz, puxando-me para a cama e me deitando ali, ficando por cima, sentado sobre minha barriga.

— Vamos realmente ficar no escuro? — perguntei, talvez ofegante, talvez não, deixo a dúvida na cabeça de todos.

O pequeno se esticou um pouco para alcançar o criado mudo que ficava ao lado direito da cama, ligando o abajur que encheu o ambiente com uma luz fraca alaranjada.

— Eu não gosto de muita luz — explicou com um sorriso sem-graça. — Faz parecer que tem um holofote em cima de mim.

Ri de seu pensamento e era óbvio o que ele quis dizer; não gostava de muita luz durante o sexo. Eu não iria reclamar. Daquele jeito, as coisas pareciam até mais confortáveis.

Ele curvou a coluna para poder se aproximar do meu rosto e logo estávamos nos beijando de novo. Para não precisar ficar desconfortável, sentou-se mais sobre o meu quadril, o que não o forçava a ficar tão torto; bom, é claro que quando ele começou com aqueles movimentos desgraçados suas reais intenções se mostraram.

Baekhyun estava rebolando sobre meu colo e aquilo era bom para um senhor caralho.

— Baekkie — chamei baixinho, o que o fez afastar o rosto um pouco para que eu pudesse falar melhor. — Nós... Nós não...

Ele pareceu se divertir com o meu nervosismo, acariciando meu rosto com as mãos como se isso pudesse me acalmar.

— Só fala, Chan.

Tá, e o bonito queria o quê? Eu não sabia como perguntar aquilo, soaria estranho demais. “Bom, e aí, quem vai meter?”

Só que eu considerei que pagar pra ver, naquela situação, não era o melhor a se fazer, então só peguei nas mãos de Deus e disse:

— Quem vai ficar por baixo?

Baekhyun riu e me senti bobo por um momento. Não era uma pergunta tão estranha assim, né? Não era algo natural a se perguntar?Digo, ele estava rebolando sobre o meu colo há alguns momentos, mas isso não queria dizer que ele ficaria por baixo.

— Uma das nossas vantagens agora é que temos mais opções, não acha? — enquanto falava, ia descendo a boca pelo meu rosto, beijando minhas bochechas e depois meu maxilar, não tardando para chegar em meu pescoço. — Na minha opinião, deveríamos aproveitar isso.

Era uma saída inteligente, deveria admitir, embora minha pergunta continuasse ali, teimosa.

No fim, decidi que o melhor mesmo era deixar nas mãos dele. Baekhyun parecia bem mais seguro do que eu, o que me deixou desconcertado por um momento, nada duradouro.

Sua boca estava em meu pescoço, mordiscando, chupando e lambendo logo depois como um ciclo; ele tinha a boca leve, talvez para não me marcar, o que seria algo difícil de explicar aos meus pais depois. Eu não conseguia deixar de arfar perante seus toques, minhas mãos firmes em sua cintura, apertando o local com certa força como se tivesse medo dele ir embora.

Ele se ergueu, as mãos na barra da minha blusa, mas eu fui mais rápido e fiz o mesmo; com um sorriso contrariado, tirou a própria peça de roupa antes de tirar a minha. Curvei um pouco as costas para facilitar a retirada da minha blusa e logo as duas estavam no chão ao nosso lado.

— E pensar que eu já te vi assim tantas vezes — murmurou, a boca próxima do meu ouvido, minhas mãos agora explorando seu torso, apertando-o talvez com força demais.

— Acho que agora as circunstâncias são diferentes — retruquei como resposta, minha voz meio falhada porque seus lábios em minha pele ainda me tiravam do eixo. — E você não me viu exatamente assim.

Baekhyun sorriu, indo um pouco para trás até que estivesse entre minhas pernas, ajoelhado, e seu sorriso que antes era malicioso tornou-se um pouco mais doce.

— Eu prefiro desse jeito — sua voz era doce e nem parecia que ele estava desabotoando minha bermuda.

Retribuí seu sorriso, minhas mãos um tanto trêmulas pelo nervosismo apertando os lençóis com certa força. Não era nada parecido com estar com uma garota.

Não era nada parecido com estar com ninguém.

Movi minhas pernas para ajudá-lo a tirar minha bermuda e ele se afastou um pouco para que a peça também pudesse ir ao chão, e agora eu estava ali, só de cueca, com meu melhor amigo me analisando como se fosse me levar ao abate.

Curvou-se um pouco, ainda ajoelhado, e seu rosto estava tão próximo da minha ereção escondidinha que senti um quentinho por aquela área. Meu Deus, o que eu ‘tô fazendo da minha vida?

E quando eu achei que as coisas já estavam boas, Baekhyun levou a mão dominante à minha ereção, ainda sobre o tecido da cueca, massageando meu pênis coberto tranquilamente, como se não estivesse com o meu mundo nas mãos.

— Chan — sua voz era quase um ronronado e eu sabia que o desgraçado estava fazendo de propósito. — Se lembra quando eu te dei o primeiro pedaço do meu bolo de aniversário de oito anos?

Eu não sabia por que ele resolvera reviver velhas memórias, mas se aquilo era uma tentativa de me acalmar um pouco, ao menos estava funcionando.

— Sim. E você me disse que não faria nada maior por mim do que aquilo.

Apoiei os cotovelos na cama, descarregando meu peso ali, e ergui o tronco para poder vê-lo melhor. Quando sua mão invadiu minha cueca, tocando-me diretamente, fechei os olhos e deixei minha cabeça pender para trás, gemendo baixo pelo alívio momentâneo. Ouvi também um suspiro e, olha, não era meu.

O lance de transar com uma pessoa que tem a mesma coisa que você tem entre as pernas é a praticidade, porque Baekhyun sabia exatamente o que fazer com aquilo em suas mãos e não era para menos: ele tinha um parecido para si. Eu não poderia culpar garota alguma por apertar com força demasiada ou puxar excessivamente aquele local porque, poxa, é normal não saber mexer direito num negócio que ‘cê não tem costume de ver. Vaginas são complicadas, também. Mas lá estava Byun Baekhyun, me masturbando – agora com meu pênis livre daquela cueca desgraçada – tão bem, os olhos fixos no meu rosto que se contorcia vez ou outra por seus movimentos lentos.

Ele usava meu próprio pré-gozo como lubrificante para que o atrito não me machucasse e suspirava baixinho só me vendo gemer no mesmo tom.

— Acho que vou fazer algo maior agora.

Quando ele abaixou a cabeça, eu juro que tudo começou a passar em câmera lenta e aqueles foram os dois segundos mais longos da minha vida. Minha mão direita instintivamente alcançou seus cabelos, acariciando-os sem força, não para pressioná-lo para baixo, apenas como um estímulo que foi bem recebido.

Baekhyun me bombeou uma, duas, três vezes, deixou a glande exposta o quanto pôde e então a lambeu, sugando a fenda enquanto passava a língua por ali. Seu rosto estava vermelho e desde que tudo isso começou, era a primeira vez que eu o via corar. Seu olhar estava sobre mim, parecendo meio aflito, e me permiti gemer longamente, tanto para aliviá-lo quanto porque me conter não estava em meus planos.

E eu achando que precisava morrer para visitar o Paraíso.

Minha mão fazia uma espécie de massagem em seu couro cabeludo e quando seus lábios se abriram um pouco mais para me acomodar, descendo a boca, abocanhando meu pênis, não pude deixar de puxá-los um pouco, voltando ao carinho de antes como um pedido de desculpas. Gemi, agora mais alto, apertando o lençol com a mão esquerda para que a direita não fizesse o mesmo. Logo começou a movimentar a cabeça, adquirindo um ritmo cada vez mais rápido, e o que não conseguia colocar na boca Baekhyun ocupava com a mão.

Ele voltou a esvaziar a boca, meio ofegante, masturbando-me rapidamente, provocando a glande com o polegar, me fazendo sempre gemer, querendo mais do contato, e só então percebi que aquilo era a única coisa que eu conseguia fazer.

E tudo parecia tão bom não só porque era de praxe, e sim porque era Baekhyun ali e toda aquela história de que transar com alguém que se gosta deixa as coisas melhores é verdade. Confirmadíssimo por mim mesmo.

Eu ainda estava longe de gozar, mas Baekhyun parou o que fazia, acho que justamente por isso. Limpou o canto da boca com as costas da mão, rindo da minha expressão meio surpresa.

— Isso foi...

— Meu Deus, Chanyeol, não comente sobre o que eu acabei de fazer!

— Como não?! Você...

— Eu disse pra não comentar!

Ri de sua vergonha, puxando-o para mim e logo estávamos abraçados, ainda que o clima não fosse propício a isso, e quando ele mordeu meu ombro, rindo porque eu comecei a reclamar de sua força excessiva, deixei que minhas mãos – antes em sua cintura – fossem até a barra de sua bermuda larga, abaixando-a facilmente.

Ele também me ajudou nisso e eu já podia imaginar o montinho de roupas que se formava no chão. Apertei suas coxas fartas, subindo um pouco para apertar sua bunda. O tecido fino da cueca clara me deixava ver o contorno de seu membro ereto com uma mancha mais escura no tecido, esta feita pelo pré-gozo. Baekhyun ainda estava entre minhas pernas, ajoelhado, agora mais erguido, ficando mais alto do que eu, que estava apenas sentado, apalpando sua bunda e suas coxas com vontade.

— Me dê um minuto — pediu, deixando-me confuso quando saiu da cama, apressado, e foi até o beliche que tinha nossas malas.

O Byun ficou de costas para mim por alguns segundos procurando por algo e logo voltou, deixando alguns pacotes de camisinha e um pote de algo parecido com creme em cima do criado-mudo.

Assim que deixou tudo ali, deitou-se ao meu lado na cama e ergueu os braços como se me chamasse; logo era eu quem estava acomodado entre suas pernas, estas que se erguiam um pouco para enlaçar minha cintura, e nossos corpos estavam tão colados quanto era fisicamente possível.

Não enrolei como ele para tirar sua cueca, já que a afobação já me dominava um pouquinho e eu estava ansioso para vê-lo também. Quando consegui me livrar da última peça de roupa que o cobria, tive para mim que Baekhyun jamais me pareceu tão bonito como estava naquele momento, os cabelos espalhados pelo travesseiro, a pele com a luz alaranjada sobre si, a respiração meio descompassada e os olhos entreabertos, junto com sua boca, de onde eu quase podia ver saindo o desejo. Nos encaramos por alguns segundos, ele sem tirar os olhos do meu rosto e eu passeando com o olhar por todo seu corpo, tendo o ímpeto de explorá-lo também com o tato, algo que eu fiz sem demora.

Vez ou outra acabava apertando sua pele, principalmente pelas coxas e cintura, e sendo sincero, já não me importava se ficariam marcas ou não. Primeiro porque Baekhyun parecia gostar daquilo, segundo porque se minha mãe conseguir ver as marcas em áreas como aquelas, eu teria que ter uma conversa seríssima com o senhor Byun.

Meu pequeno tateou o criado mudo ao seu lado para pegar o potinho de creme e logo me entregou – aí que descobri que não era creme e sim lubrificante, e só então me dei conta de que Baekhyun já tinha aquelas coisas.

— Você planejou tudo isso mesmo? — perguntei, não estando bravo, só genuinamente curioso. Quer dizer que eu havia me descabelado inteiro de insegurança enquanto ele fazia planos?

Riu, pegando a embalagem das minhas mãos e fazendo com que eu esticasse a mão direita, deixou bastante daquele líquido meio espesso cair sobre os meus dedos. Era gelado e transparente.

— Alguém precisa ter planejamento nesse relacionamento, não acha? — brincou. Quando viu meu rosto meio confuso para o que acabara de fazer, voltou a rir. — Não acha que vai simplesmente enfiar o que você tem aí em mim, certo? Vamo’ devagar, Park Chanyeol.

Ah, sim. Eu havia lido sobre aquilo também.

Espalhei o lubrificante pelos meus dedos com a ajuda da outra mão, afastando um pouco mais suas pernas para que eu pudesse vê-lo melhor. Não demorei para deixar que meus dedos brincassem por sua entrada – gente, eu sei que héteros também fazem anal, mas ainda assim era algo estranho para mim – e meu dedo médio entrasse em si.

Por conta do lubrificante, foi algo fácil. Movimentei-o por poucos segundos e então Baekhyun sinalizou que eu poderia colocar o segundo. Perguntei-me silenciosamente se aquilo não doeria, mas já que coisas maiores passam por ali... Hm, melhor não pensar nisso agora.

Logo inseri o indicador também e encontrei bem mais resistência; o Byun se remexeu um pouco, parecendo desconfortável, mas só acenou de novo e eu comecei a movimentá-los devagar.

Seu interior se contraía contra os meus dedos e ele logo começou a suspirar baixinho, parecendo relaxar, fechando os olhos. Com a mão livre, iniciei nele uma masturbação num ritmo igualmente lento, o que fez um sorriso satisfeito inundar seu rosto que já tinha uma camada fina de suor.

Baekhyun arqueou as costas sutilmente quando aumentei a velocidade dos movimentos e não precisei de um pedido seu para inserir o terceiro, sendo mais difícil mesmo com o lubrificante, e voltei aos movimentos vagarosos para que ele se acostumasse, já que seu rosto demonstrou um pouco de dor.

Não era para menos, né.

Ficamos naquele ritmo por mais alguns minutos e eu tratei de aumentar a velocidade da mão que se ocupava com seu pênis; como eu pensei, é mais fácil fazer com algo parecido com o que você mesmo tem e olha, nunca pensei que iria apreciar outro pau que não fosse o meu.

Vejam só onde estou agora.

— Acho que ‘tá bom — disse meio incerto, fechando os olhos com força quando eu massageei sua glande. — Nós... Ainda temos a noite inteira.

Sorri para si, tentando passar alguma confiança porque aquilo iria doer. Se já doía só de pensar, imagina estar ali de fato?

Alcancei uma das camisinhas no criado mudo e logo rasguei sua embalagem, posicionando-a adequadamente, depois ainda derramando bastante lubrificante ali (a partir daquele momento, ele seria meu melhor amigo). Deixei meu corpo ficar por cima do dele, apoiando o peso do meu corpo em meus antebraços no colchão, um de cada lado de seu corpo.

Ele sorriu, descendo as mãos ao meu pênis para posicioná-lo e eu comecei a penetrá-lo lentamente. Baekhyun fechou os olhos, arfando baixo, e eu sabia que era de dor. Beijei sua bochecha e desci meus beijos para seu pescoço, tentando afastá-lo daquilo. Logo sua mão alcançou o próprio membro, que não estava mais tão duro, e começou a se estimular de forma vagarosa também.

Baekhyun abriu os olhos, encarando-me de forma profunda demais, e olha que quem estava metendo era eu.

— Sabe por que eu estava rindo durante o filme? — perguntou de repente. Bem, da última vez que ele havia saído com uma pergunta aleatória como essa eu fui chupado, então, sem mais julgamentos.

— Eu quis te perguntar, na verdade.

— Imaginei nós dois transando e ChenChen saindo de dentro da cama como aquela mulher fazia — disse e eu só pude rir porque acabei imaginando a cena também e porra, era engraçado.

Depois eu tinha que lembrar de contar isso ao Jongdae.

— Não me broxa, Baekhyun.

— Então comece a se mover.

Sorri contra suas clavículas, começando a me movimentar de forma lenta – lentidão, pelo que eu entendi, é a alma do negócio todo –, entrando e saindo de si com mais facilidade a cada vez. Baekhyun se largou para deixar suas duas mãos em minhas costas, arranhando-as com suas unhas um tanto longas. Não o fazia com força, parecia só ser algo para descontar.

Minha cabeça agora estava na curva entre seu pescoço e seu ombro, chupando o local e talvez nesse momento eu tenha esquecido do lance de não o marcar porque sabe, né, no calor do momento... Aquilo era tão bom e se antes a ideia me parecia estranha, agora já me parecia maravilhosa, show of ball, recomendo a todos, 5 estrelas.

Minha destra ocupou-se com seu pênis que já voltara a ficar como antes e aquele foi meu incentivo para ir um pouco mais rápido, fazendo-o gemer longamente, assim como eu mesmo. Precisou de pouco para que eu já estivesse indo rápido o suficiente para o corpo abaixo do meu se arrastar pela cama a cada investida, os olhos fechados, as gotas de suor descendo por suas têmporas enquanto murmurava algumas palavras que eu não entendia – e não fazia questão de entender –, parecendo concentrado demais no que sentia, vez ou outra sorrindo e seu sorriso era tão, tão bonito.

Eu estava bancando o babaca apaixonado no meio da transa. Oficial e figurativamente, eu estava fodido.

Seu interior se contraía e me levava junto e a sensação era bem diferente de estar com uma garota. Sim, pode me julgar agora, mas eu não conseguia não comparar e de qualquer ângulo que eu olhasse, Baekhyun era melhor. Eu sentia que logo gozaria e ele pareceu sentir o mesmo.

Fez com que eu parasse de me mover quando segurou minha cintura com certa força, e usando os joelhos, estes que me pressionaram nas laterais do corpo, convenceu-me a deitar na cama ao seu lado – consequentemente, saí de dentro de si. Não tardou para sentar em meu colo como antes estava, masturbando-se lentamente só por provocação.

— Lembra o que eu disse antes quando você me perguntou quem ficaria por baixo?

Assenti com a cabeça, meio hipnotizado por aquela cena, sem me dar conta realmente do que ele estava falando.

— Acho que podemos testar.

Então a ficha caiu.

— Se você puder ser gentil e tudo o mais — pedi, e minha voz não soou muito séria mesmo que meu pau estivesse seriamente duro. — Vou agradecer. Não parece um negócio tão fácil de fazer acontecer.

— Vou ser tão gentil com você quanto você foi comigo.

E esse é o significado real de “carma”.

De qualquer maneira, eu sabia que Baekhyun jamais me machucaria e seguindo seu sorriso, eu até que havia feito um trabalho legal.

— Pelo menos aquilo vai valer a pena agora — murmurei mais para mim mesmo, só que o Byun ouviu e ficou curioso sobre.

— Aquilo o quê? — perguntou, displicente, derramando lubrificante sobre seus dedos como havia feito outrora com os meus.

— Chuca — disse simplista.

Ele abriu a boca como se dissesse que entendia e seu dedo médio rodeou minha entrada, fazendo tudo – inclusive o cu – se arrepiar em meu corpo. O lubrificante gelado em contato com uma área tão quente foi um ótimo contraste.

— Essa vida de não hétero é meio bizarra — comentou, muito casual, como se não estivesse prestes a me dedar. — Eu também estranhei, relaxa.

E eu relaxei mesmo. Isso explicava Byun Baekhyun todo limpinho, se é que vocês me entendem. De repente, todo meu sofrimento em relação àquela coisinha feita mais cedo me pareceu mais leve, como um fardo perdendo peso, só por saber que ali à minha frente havia um cidadão tão sofredor quanto eu.

É claro que tudo valia mesmo a pena, mas não posso deixar de fazer meu drama. Aquela curta conversa só demonstrou as diferenças entre transar com alguém e transar com seu melhor amigo. Inevitável.

Quando Baekhyun finalmente enfiou seu dedo em mim, eu não senti dor nem incômodo, só estranhei a sensação porque mesmo que não fosse uma janela aberta para o mundo, agora eu sentia que ela estava fechada e... Eu vou poupar todos desse tipo de descrição.

Ele movimentou o dedo por alguns poucos segundos e não senti nada muito grande, o que era bom, no meu ponto de vista, porque antes eu estava prestes a gozar e agora podia acalmar um pouquinho os ânimos. Olha lá o que vai sair expelindo, Chanyeol Jr.

Como se soubesse o que eu estava sentindo – e considerando a posição em que ele estava minutos atrás, era provável que soubesse, mesmo –, o Byun colocou o indicador na festinha e aí as coisas ficaram um pouco mais tensas. Dois dedos não eram lá grandes merdas, mas ainda assim ardeu e quando ele resolveu colocar o terceiro, a dor veio chegando de mansinho.

Baekhyun os movimentava sem pressa e eu só podia agradecer a mim mesmo por ter sido gentil também. A dor não demorou muito a passar, embora a ardência tenha se mantido um pouco mais firme em seu lugar. Sobre o incômodo, não vou nem falar nada.

Meu pequeno – nem tão pequeno assim – tirou a camisinha que ainda cobria meu pênis e eu prefiro não saber onde foi que ele enfiou a bendita. Ainda com os três dedos dentro de mim, buscou outro pacote daqueles e logo seu membro também estava coberto. Era até impressionante o que ele conseguia fazer com uma só mão, já que o lubrificante já escorria por sua extensão e ele se masturbava rapidamente.

Demoraram poucos minutos para que o incômodo desse lugar a outra sensação.

Ao mesmo tempo que eu queria mais, também não queria nada. Era gostoso, muito gostoso, mas também era novo demais e eu não sabia bem o que pensar. A ardência continuava ali, cada vez mais fraca, a dor já havia ido visitar o Havaí ou algo tão longe quanto e o incômodo havia se despedido há algum tempo. Antes que eu desse por mim, gemi baixinho e Baekhyun apertou o próprio pênis com certa força.

— Pode ir — avisei.

— Eu quero você no meu colo — segredou, seu corpo sobre o meu como eu estava há um tempo, seus lábios resvalando nos meus levemente. — Não goze antes disso.

Não prometo nada, colega, ainda mais com você falando assim com essa voz de cafetão. Depois dizem que a minha voz é sensual.

(Pois é mesmo. rsrs)

E a vida, provando que é de fato um pratinho de microondas, me fez ter aquele breve momento de reflexão: eu ‘tô prestes a liberar a bunda. Se me dissessem isso há uns meses, eu teria rido e dito que não era muito minha praia. Agora, era definitivamente minha praia.

Baekhyun se forçou contra mim e eu dei aquela arfada dolorida porque a dor não estava sendo fácil. Quis desistir e quase disse para ele deixar aquilo de lado, vamo’ fazer um tricô, quem precisa transar?, mas como diz o ditado, “se o cara ‘tá com o pau lá já preparado e você só ‘tá com cagaço porque nunca deu pra ninguém, engole o choro e aceita o orgasmo”. Ótimo ditado, por acaso.

Eu na ilusão de que o Byun iria devagarinho... Vrau e ele já estava inteiro dentro. Posso ter soltado um gritinho agudo ou não, deixo a reflexão para vocês.

— Desculpe — pediu, a voz baixinha com um sorriso sem-graça. Deu-me um selinho como se isso resolvesse todos os problemas e dores do mundo e olha, se a coisa ali embaixo não fosse tão drástica, provavelmente teria resolvido, mesmo.

— T-Tudo de boa — sorri de volta, o que não sei se foi uma boa ideia, já que fiz uma caretinha ali no meio. — Só a surpresa mesmo. Da próxima vez, só dá uma avisadinha.

Ele riu. — Tudo bem.

Seus lábios desceram por meus ombros, onde ele deixou um chupão que com certeza ficaria marcado. Lugares estratégicos, claro. Sua boca ia deixando um rastro de saliva e é impressionante a forma como certas coisas que seriam tão nojentas num momento qualquer do dia a dia se tornam tão excitantes. Ele poderia me babar inteiro e eu continuaria ali, cheio de tesão para mim e para os menos favorecidos também.

Quando seus lábios chegaram aos meus mamilos, deixei uma risadinha escapar porque ele assoprou o local e aquilo me fez cócegas, mas logo suspirei quando ele chupou aquele local que eu não imaginava ser tão sensível, mordiscando logo depois, puxando-o um pouco com os dentes para depois soltá-lo. Fez o mesmo com o outro, tomando o vago com os dedos, beliscando-os como antes seu dentes faziam; não me sinto mal em dizer o quanto aquilo era bom.

Logo sua boca estava de volta ao meu pescoço e ele começou a se movimentar, fazendo-me gemer; a sensação continuava dolorida, mas agora mesclada com um prazer tão estranho quanto o anterior, e claro, havia a surpresa. Baekhyun não parecia ser do tipo que avisava muito bem.

E eu não poderia reclamar.

Ele ainda recebia certa resistência para se movimentar, contudo, forçava-se para dentro e em uma dessas eu gemi e não foi baixo não, pessoal. Não havia sido algo muito diferente do que ele fizera antes, mas ainda assim parecia ter sido melhor, não sei se foi porque eu já estava mais acostumado a tê-lo dentro de mim, e o senti sorrir contra minha pele.

Baekhyun se afastou, retirando-se e se deitando ao meu lado. Aquilo havia sido melhor do que eu esperava e eu queria mais. Não tarde em sentar em seu colo, uma perna de cada lado do seu corpo; ele também não demorou para posicionar seu pênis em minha entrada novamente, agora mais dilatada, e eu o fiz me penetrar, desta vez de forma vagarosa.

Ele grunhiu algo e agarrou minha cintura; comecei a me mover, mais acostumado à invasão, e não demorou para que eu adquirisse um ritmo rápido, imerso no prazer que eu não fazia ideia que poderia sentir, e mesmo aquilo estando fora dos meus padrões, me vi sendo refém.

Meu pequeno se impulsionava para cima vez ou outra, tocando-me mais profundamente, e eu, que havia amolecido um tanto por conta da dor, já me encontrava duro de novo. Contraía-me sem intenção, fazendo-o gemer um pouco mais alto algumas vezes, e eu mesmo me vi controlando minha voz para não sair muito alta. Mas era bom demais e autocontrole não era meu forte naquele momento.

Não demorei para sentir as conhecidas e famigeradas sensações vindo, levando minha mão ao meu pau para me masturbar tão rápido quanto me deixava ser penetrado. Em questão de poucos minutos naquele ritmo eu havia gozado, o sêmen escorrendo por meu membro e caindo um pouco sobre o peito do corpo abaixo do meu, que segurou minha cintura com força e se impulsionou mais algumas vezes para cima, gemendo longo e se permitindo gozar também.

Eu estava exausto e só queria deitar e morrer, mas havia algumas coisas que eu precisava dizer e o lance de morrer poderia ficar para depois. Baekhyun me ajudou a sentar na cama ao seu lado, curvando-se cama afora para pegar algo dentro de sua bolsa que estava no chão; eram lenços umedecidos que ele usou para limpar a nós dois.

— Precavido mesmo — comentei, assoviando, e ele riu.

— Agradeça a Bomi.

Sorri e depois que ele nos limpou o suficiente para ficarmos apresentáveis um ao outro – só o mínimo, já que tomaríamos banho de qualquer forma –, puxei-o para mim e o abracei.

— O que achou? — seu timbre soou manso quando ele falou, a cabeça encostada em meu ombro e suas pernas meio entrelaçadas às minhas. Nenhum de nós se deu conta de que ainda estávamos peladões.

— Não foi sua primeira vez, foi?

— Também não foi a sua...

— Eu quis dizer com outro homem.

— Ah, hm — sua voz morreu por alguns segundos. — Não, não foi.

Sabia. Não era possível que ele estivesse tão confiante sendo sua primeira vez, sabendo o que fazer, seguindo todos os protocolos e etc.

Eu não estava bravo, só curioso. Tipo, com quem ele fez aquilo? Ok, talvez um ciuminho básico. Aliás, a pergunta certa é "quando"...

— Em minha defesa, eu estava bêbado — ele começou depois de alguns segundos quieto. — E foi com o Lu Han, então eu nem...

— ‘Pera, Lu Han? Tipo... O Lu Han?

— Sim... Por quê?

— Ah, nada. Só estranho, sei lá. Agora eu me senti na obrigação de ter transado com o Sehun.

Baekhyun me bateu e alguém deveria avisá-lo que seus soquinhos amigáveis doíam.

— Foi logo depois do show de talentos. Eu estava magoado e, como eu disse, bêbado... Ele estava lá e... Me desculpe, Chan. Eu não deveria ter...

— ‘Tá tudo bem — sorri, mesmo que o Byun não pudesse me ver, acariciando seus cabelos. Ele me mordeu o ombro e eu tenho quase certeza de que aquela não era a melhor ocasião para isso. — Eu te magoei pra caramba, nós não tínhamos nada sólido... Não estou bravo.

— Não? Mesmo?

— Mesmo. Agora, só estou feliz por tê-lo aqui. Assim, se der pra te monopolizar também, vou ficar bem satisfeito.

Ele riu, apertando-me mais naquele abraço, e eu beijei seus cabelos. — Você sabe que eu te amo, não é?

— Sei. — afastou-se um pouco só para poder me dar um selinho rápido e sorrir. — E eu também te amo.

E aqui jaz o homem mais feliz do mundo. Eu mesmo, Park Chanyeol Mello.

Talvez eu tenha sorrido grande demais, talvez não... Só mais uma dúvida em suas listas de reflexão do banho. Não vou especificar nada, claro, deixo para suas imaginações criarem a cena. (Dica: eu ‘tava feliz pra caralho).

— Vem — enfim se levantou, do jeitinho que veio ao mundo (só então percebi que ele havia retirado a camisinha também e de novo, não quis saber onde foi que ele enfiou aquilo) para me estender a mão. — Precisamos de um banho.

É claro que precisávamos, o difícil seria fazer as coisas ali por baixo colaborarem.

— Então, só por curiosidade, mesmo... Quanto tempo essa dorzinha nos quadris dura?

Baekhyun riu. O filho da puta riu! Eu aqui, sofrendo após minha primeira liberada, e o garoto rindo.

— Depende do seu corpo... Mas dura um pouco.

Suspirei, aceitando que aquela seria minha realidade a partir daquele momento. Mas estava tudo bem, porque eu tinha Baekhyun comigo, dizendo que me amava e que eu mal tinha me relacionado com outro homem e já estava todo viadão, tinha lavagens anais, lubrificante até a próxima vida e, claro, meu melhor amigo de volta.

O que mais um cara poderia querer?

 


Notas Finais


(o filme que chanbaek assistiu na praia se chama Forever Nina. é bem engraçadinho, mesmo aisnaius)
alooo :D
alguém ainda lembra da existência dessa fanfic? ISUOHAUIOSHUIAHS eu sinto muito mesmo pela demora ;u;
eu ia fazer mais um extra, mas decidi que já deu o que tinha que dar e vai ficar só esse mesmo (mas olha, com esse tamanho......)
pras notas não ficarem gigantes, eu postei um jornalzinho maroto com os agradecimentos e algumas coisas relacionadas à fic em si (inclusive à demora): https://spiritfanfics.com/perfil/exoti-k/jornal/the-beagles-finalizada-6746201 òuó
mesmo agradecendo bastante no jornal, eu agradeço novamente porque nunca é demais aioushiuah obrigada mesmo por toda a receptividade que tiveram com esse bebê e por cuidarem de mim por tanto tempo. espero que eu não tenha decepcionado tanto com esse extra depois de todo esse tempo sem atualizar, meus lemons não são aquelas coisa' e talvez tenha ficado massante, bom... eu tentei meu melhor, de verdade. desculpem qualquer coisa ):
bom, caso queiram:
http://www.twitter.com/min_word
http://ask.fm/lalaouo
beijos e até a próxima ♥


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