História The beginning of the end - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Essa ideia tava rolando na minha cabeça a alguns dias. Ta ai. Espero que goste :p

Capítulo 1 - Capítulo Único


Já se passou um ano desde o pior dia. Para muitas pessoas, começou como um dia normal. Levar as crianças para escola, ir para o trabalho etc. Ninguém sabia que aquele dia seria o começo do fim. 

Eu me lembro de tudo claramente. Sirenes eram ouvidas por toda a cidade. Haviam corpos por todos os lados. Crianças choravam sob os cadáveres de seus pais. Todo mundo achou que era uma nova doença, que logo iria passar. E ai... Os mortos começaram a se levantar. Parecia milagre. Mas se revelou uma praga. Os "mortos" não eram mais os mesmos. Eram apenas carcaças podres com uma fome inabalável. 

Logo os números se multiplicaram. Os mortos eram muitos, eles se espalhavam rapidamente. Não dava para correr, nem se esconder. O único jeito era lutar. Armas eram distribuídas nas ruas. Água e comida eram escassas.

Por todos os lados se ouviam barulhos de tiros. Pessoas atiravam em conhecidos, amigos, familiares. Os mortos não pouparam ninguém. Nem aquele vizinho chato, nem sua amiga evangélica, nem sua própria mãe.

Entro em minha casa correndo. Há corpos mutilados no chão. Os corpos de meu pai e meu irmão. Minha mãe está do outro lado da sala, virada para a parede.

- Mãe.

Sussurro com a voz embargada.

Ela se vira lentamente. Por um momento acho que ela está sorrindo. Mas o que vejo é sua pele despedaçada revelando o crânio. Um som brutal sai por entre seus dentes. Ela avança mancando em minha direção. Seus braços estendidos como para me abraçar. Meu sangue gela em minhas veias. 

Com a mão temendo pego a arma em meu cinto e aponto para sua cabeça. Meu dedo descansa sobre o gatilho, eu hesito. Ela continua avançando. 5 metros, 3 metros, 1 metro. Eu puxo o gatilho. Seu corpo tomba para trás. O som é ensurdecedor. Uma lagrima escorre pelo meu rosto, seguido de mais uma, e outra. Ate que estou soluçando. Caio de joelhos no chão. 

Meu corpo está coberto de sangue, o sangue de minha família.

...

Eu acordo gritando, sem saber onde estou. Olho ao meu redor em pânico, e tudo volta para mim como uma enxurrada. Meus ombros começam a tremer.

- Hey.

Um dedo cutuca minha barriga.

Levanto meu olhar para a pessoa em minha frente. Seu rosto está embaçado e quase não vejo nada com a pouca luz. Mas seus olhos verdes são brilhantes.

- Está tudo bem. Estamos a salvo.

Marco, Marco, Marco. Sempre vendo o melhor da vida. O conheço desde antes do Fim. Ele fazia faculdade de arte comigo e também era meu vizinho. Ele que me encontrou naquele dia que perdi minha família. Ele que cuidou de mim durante aquelas semanas em que eu não conseguia falar nem me mover. Ele não saiu do meu lado em nenhum momento.

As vezes encontramos outro grupo, mas na maioria das vezes somos só nós dois vagando nesse mundo que um dia foi cheio de vida.

- Você pegou tudo?

Ele desmonta a barraca e tenta a enfiar dentro da mochila. Eu estou recolhendo nossas coisas e guardando. (Jogar tudo na mochila e rezar para fechar.)

- Sim. Eu peguei tudo.

- Você pegou sua bombinha? Se você tiver um ataque...

- Sim, papai.

Reviro os olhos e o empurro com o pé.

- Vamos, as coisas lindas estão chegando.

- Culpa sua, você que estava chorando igual bebê.

Não tenho argumentos contra isso. Então mostro minha melhor cara de tédio e saio pisando duro.

...

Está fazendo um calor dos infernos. Sinto minha pele derreter sobre meus ossos. Tudo que quero é deitar sob uma árvore e reclamar mais um pouco. Mas Marco continua dizendo para não pararmos e que precisávamos achar um lugar e blá blá blá.

Paro no meio da rua, levanto meus braços para o céu e grito.

- Deus me leva.

Marco geme ao meu lado.

- Para de drama.

Um leve rosnado sai de um beco próximo.

- Parabéns, você acaba de nos matar.

Meus braços caem em meus lados. Automaticamente pego as duas armas de meus bolsos traseiros.

- Ah relaxa. É só um recém transformado. Ta vendo?

Aponto uma das armas para o semi morto vindo em nossa direção.

- Ele até que é gatinho.

Marco faz um barulho irritado e passa por mim, batendo em meu ombro e quase me derrubando.

- Hey. Cuidado vadia.

Ele mostra o dedo para mim e perfura o crânio da criatura com sua faca.

- Esse "gatinho", poderia ter te matado.

Sua voz é cheia de veneno e ele me olha friamente.

- Meu Deus Marco, você ta de TPM? Eu em.

Sua expressão se suaviza.

- Me desculpa. Eu só me preocupo com você.

- Eu também me preocupo com você, mas eu não fico soltando a franga por ai.

Seu rosto se abre em um sorriso enorme e ele levanta uma sobrancelha para mim.

- Ah é? E aquela vez lá?

Isso aconteceu uns 3 meses atrás. Quando Marco havia saído para buscar suprimentos e desapareceu por dois dias. A fome e a sede nao eram nada contra minha preocupação. Eu ate rói as unhas. Ai ele aparece como se nada tivesse acontecido. Fiquei tão irritada que dei um soco em seu olho.

- Não sei do que você ta falando.

- Aham.

Eu passo por ele e ele vem logo atrás de mim, um sorriso estampado em seu rosto.

...

A noite já caia quando encontramos um lugar para ficar. Olho para a fachada multi colorida em nossa frente, com o letreiro em chinês.

- Cara, eu odeio sushi.

Ele olha para mim e abre a porta.

- Se quiser procurar outro lugar pode ir. Eu vou passar a noite aqui.

Eu sigo atrás dele e sussurro.

- Aposto que aquilo no letreiro significa "chupa o meu pau."

Ele rir baixinho enquanto entramos mais fundo no antigo restaurante. E nós dois sabemos que eu nunca o abandonaria e ele nunca me deixaria sozinha. Tudo está assustadoramente no lugar. Há apenas uma camada de poeira que cobre todas as superfícies. Nós olhamos um para o outro e fazemos um acordo silencioso.

Eu vou para a cozinha e ele checa a recepção. Coloco a lanterna entre dentes e sigo com uma arma em cada mão. Empurro a porta com o quadril e entro. O cheiro de comida podre me atinge, me fazendo quase derrubar a lanterna. Mas tirando isso, esta tudo bem. Encontro alguns sacos de arroz com data de validade recente, umas velas e um radio.

Guardo as armas no cintura da calça, pego tudo em meus braços e volto para o ponto de partida.

- Advinha quem ganhou na loteria?

Jogo tudo em uma mesa próxima e faço uma dancinha.

- Faz isso não.

Marco chega e joga seus tesouros na mesa.

- Só porque o mundo acabou, não significa que não posso rebolar a bunda.

Vejo as coisas que ele encontrou. Um isqueiro, uma algema chinesa (que irônico) umas ataduras e...

- Chiclete. Não acredito. Eu te amo cara.

Ele dá um sorriso de lado e pisca para mim. Eu estendo a mão para pegar um, e ele me dá uma tapa.

- Oxe homem.

- Primeiro comida de verdade.

...

Nós cozinhamos o arroz e algumas carnes secas que achamos na mochila. Depois de devidamente alimentados. Ele me deixou ter os chicletes. Marco brincava com as algemas enquanto eu tentava ver se o radio funcionava.

- Eu to preso.

Ele olha para mim com olhos de cachorrinho e mostra os dedos entrelaçados. Eu daria qualquer coisa para ter uma câmera nesse momento. Digo isso em voz alta. Marco faz um muxuxo.

- Não tem graça Bea.

- É só empurrar para dentro vadia.

Ele faz o que digo e se ilumina igual uma criança ao ver que funciona.

- Você tem pilha ai?

Ele tira um par da mochila e joga em minha direção. Eu se pego e coloco no radio. Uma suave melodia começa a tocar. Meu rosto se abre em um sorriso, aumento o volume, e me levanto estendo a mão para Marco.

- A senhorita me dá a honra dessa dança?

Ele faz uma reverência como se estivesse de saia e toma minha mão.

- Será um prazer.

Nós começamos a rodopiar pela sala.

Come with me my love, to the sea, the sea of love.               (Venha comigo meu amor, para o mar, o mar do amor.)

I wanna tell you how much I love you. 

(Eu quero te dizer o quanto eu te amo.)

Ele me puxa para mais perto, seu corpo é quente contra o meu.

Do you remember when we met that's the day I knew you're my pet.

(Você se lembra de quando nos conhecemos,

esse foi o dia que eu soube que você era meu favorito.)

I wanna tell you how much I love you.

(Eu quero dizer o quanto eu te amo.)

Eu me encaixo contra ele. Coloco a cabeça sob seu queixo e o abraço mais forte.

​ Come with me my love, to the sea, the sea of love.

(Venha comigo meu amor, para o mar, o mar do amor.)

 I wanna tell you how much I love you.

(Eu quero te dizer o quanto eu te amo.)

Nós continuamos a dançar mesmo da musica ter acabado. Ela se repetiu varias vezes antes de nós dois caímos em colapso no chão, rindo alto. E nesse momento. Não há nenhum outro lugar que eu gostaria de estar.

...

Acordo com o Marco me chutando.

- O quê é porra?

Tento perguntar mas soa maus como "ah ugh"

- Fudeu.

Ele sussurra rápido em meu ouvido. Em um segundo estou alerta. Rápido nós pegamos nossas coisas e nos escondemos em um pequeno armário. Nós fechamos a porta bem na hora que o sino anuncia a entrada de alguém. Aqui dentro é apertado e quase não há oxigênio. Sinto minha respiração começar a falhar. Rezo para todos os deuses que conheço para eu não ter um ataque de asma agora.

Em vez disso me concentro no Marco. Nossos corpos estão uma confusão de membros. Com uma mão seguro a arma em direção a porta. A outra está agarrada em seu ombro, vejo que uma de minhas unhas está perfurando seu pescoço mas não ouso me mover.

Meu joelho esquerdo está em cima de sua coxa e minha outra perna está preparada para chutar a porta a qualquer momento. Uma de suas mãos apalpa meu seio mas isso é a coisa menos importante. Ouvíamos vozes do lado de fora.

- ... Aqui não tem nada. 

Uma voz grave. Passos pesados. O barulho fica mais alto e o gancho do armário se move. Há um assobio alto, seguido de mais vozes.

- Ai Phil. O Justin achou uma calcinha no prédio ao lado.

Eles riem alto.

- Eu to na seca há muito tempo cara. Se eu encontrar uma mulher...

Ele segue dizendo as coisas horríveis que faria. Seu amigo sempre rindo de cada frase. Minha boca de abre em horror e Marco fica tenso ao meu lado.

Eles riem alto mais uma vez e seus passos ficam mais baixos. Nós continuamos na mesma posição muito  tempo depois do sino ter anunciado a saída deles. Tudo estava totalmente em silêncio, apenas conseguia ouvir o barulho dos nossos corações batendo alto em uníssono. Depois do que pareceu horas, me permiti relaxar. Nós saímos devagar e olhamos ao redor. Tudo está bem.

...

Depois daquilo, não ficamos nem mais um segundo. Minhas mãos só param de tremer quando chegamos ao outro lado da cidade. Encontramos um velho trilho de trem e começamos a seguir-lo.

Eu estava me equilibrando no ferro do trilho quando lembro de uma coisa.

- Uma vez eu li que a maioria do nosso corpo é feito de poeira estelar.

Marco faz um barulho afirmativo e tenta me derrubar do trilho.

- A gente não ta morrendo. A gente só ta voltando para casa.

Ele sorri e me empurra, me fazendo cair de bunda no chão. Marco sai correndo e mesmo que meus pulmões explodam eu o sigo.

...

Nós encontramos um celeiro antigo.

- O que você acha?

Ele olha de baixo para cima e passa a mão na barba imaginaria.

- Parte de cima.

Nós encontramos uma escada e subimos. Entramos por uma janela e caímos em feno fofo.

- Eca. Tem cheiro de bode molhado.

- Vai servir.

Ele joga um cobertor no chão e se senta com um livro que não faço ideia de onde ele encontrou. Encosto o queixo na janela e observo ao redor.

- Alguma coisa?

- Não. Só to vendo um otário la longe.

- Entendi.

Pego um esmalte na mochila e começo a pintar minhas unhas calmamente.

...

O sol cai no horizonte quando me deito ao lado de Marco. Conto suas respirações até dormir.

Tenho um sonho estranho. Eu e o Marco estamos em um Jardim. Um garotinho estava com a gente, ele tinha olhos verdes como o Marco e cabelo cacheado igual o meu. Eu me deito na grama e aspiro o ar puro. O garotinho corre até mim gritando.

- Mamãe. O papai pegou meu sapato.

Marco vem correndo logo atrás dele e se joga em cima de nós dois. Nossas risadas ecoam por todos os lados.

...

Nós acordamos nas primeiras horas da madrugada. Saímos do celeiro e começamos a andar sem rumo. Eu cantarolo uma musica que nunca soube cantar toda. Marco me acompanha de perto, estranhamente silencioso.

- Eu quero te perguntar uma coisa.

Antes dele falar, ouvimos um grande barulho a nossa direita e um bando de semi mortos sai por entre as árvores. Eu consigo contar 10, mas logo chegam mais e perco a conta. Saco minhas armas e Marco pega sua faca. Ficamos lado a lado, um sorriso se abre em meu rosto contra minha vontade.

- Game over.

Nós atacamos.

Consigo derrubar alguns mortos mas eles continuam chegando aos montes. Olho para Marco ao meu lado e percebo como ele é lindo. Fico olhando para ele por uns segundos, todo o mundo estava silencioso. Eu só conseguia enxergar ele. Ele joga a sua faca e ela passa perto de minha orelha. Estou prestes a gritar com ele quando me viro e vejo um semi morto tombando em direção ao chão. Ele estava quase me mordendo.

- Corre.

Nós começamos a correr. Olho para trás e vejo que dois mortos agarraram Marco. Estou prestes a usar minha arma quando ele dar um soco em um morto e se solta do aperto do outro, rasgando sua blusa no processo. Ele passa por mim como um raio puxando meu braço. E me fazendo correr com ele.

- Não pare.

Nós corremos por entre as árvores depois de um tempo encontramos uma clareira e desabamos exaustos. Estou coberta dos pés até a cabeça em sangue. Meu cabelo cai mole ao redor de meu rosto. Não consigo enxergar nada com os óculos, então os tiro.

- Você ta parecendo a Carrie.

Solto uma risada seca.

- Você está...

Olho para seu braço e vejo uma mordida horrível. Da para ver os músculos, vísceras e um pouco do branco do osso. Sinto o vomito subir em minha garganta e meus olhos arderem.

- Está tudo bem. Eu estou bem.

Ele sorri para mim. Eu quero gritar que nada está bem mas me engasgo com as palavras.

- O que... O que você queria me perguntar?

Ele respira fundo e não fala nada. Marco passa tanto tempo em silêncio que fico em pânico. Ele está...

- Você quer namorar comigo?

Ele fala em uma enxurrada. Levo uns segundos para registrar as palavras e mais alguns para elas fazerem sentido. Sinto meu rosto esquentar.

- Sim. Eu quero.

- Legal.

Ele abre um sorriso enorme e olha para o céu.

- Aqui tem estrelas pra caralho.

Eu fico apenas em silencio. Seu peito sobe e desce mais um par de vezes e para. Olho para seu rosto congelado em um sorriso para sempre. Eu me inclino e beijo seus lábios levemente, pego a arma ao meu lado... O barulho é alto em meus ouvidos.

Me deito ao seu lado, me aconchegando bem. Encosto o cano da arma em minha tempora. Olho para as estrelas.

- Estamos voltando para casa.

Eu puxo o gatilho.


Notas Finais


Yeaagg é isso ai. A musica que tocou é sea of love da cat power <<333 rolou altas referencias umas foi pq quis outras sem querer .-. :D espero que te gostado. Beijinhos ♡♡♡


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