História The Blue Supremacy - Capítulo 21


Escrita por: ~

Postado
Categorias David Luiz, Fernando Torres, Frank Lampard, John Terry
Personagens Personagens Originais
Tags Chelsea Fc, David Luiz, Inglaterra, Lampard, Terry
Exibições 28
Palavras 4.433
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oieeeeeeee!
Acordei cedo só pra postar esse capítulo, isso é um milagre muito grande! HAHAHAHA
Espero que gostem. Um beijo grande pras minhas blue ladies <3

Capítulo 21 - Vestígios daquela noite.


Fanfic / Fanfiction The Blue Supremacy - Capítulo 21 - Vestígios daquela noite.

Aquela noite foi longa. Pra mim que não havia conseguido dormir direito por conta das horas perdidas vomitando do banheiro do apartamento de Lupita, que gentilmente segurava meu cabelo, enquanto me observava preocupada. Pros outros, que ainda não haviam deixado o local da festa, e aos poucos ficaram sabendo do acontecido. Toda aquela história estava tomando uma proporção perigosa, e alguns rezavam para que não se tornasse manchete de jornal no outro dia.
Ballack e Camilla foram as primeiras pessoas a deixarem o local, após Lupita e eu, Torres e César, e Terry, que levou Lampard para seu apartamento, mesmo contra sua vontade. Meus pais, bem como tio Frank já haviam deixado o local, e isso foi parte de um milagre que aconteceu naquela boate ontem a noite. Toda aquela confusão tinha motivos o suficiente para ter feito muito mais estrago do que de fato havia deixado. Lampard com um nariz quebrado, eu com um corte no braço, e Torres com um ódio reprimido que era assustador.
— Você deve estar pensando: “Que bela recepção!” — Ballack declarou, preocupado, enquanto tirava seus sapatos, já em seu apartamento, acompanhado de Camilla, que o observava, deitada em sua cama.
— Sinceramente? — exclamou — Depois de tudo que você me contou de Stamford, achei até bem tranquilo o que aconteceu. Aquilo lá parece um campo de guerra, com minas espalhadas por todo o lugar que você pisa. — a alemã gargalhou, contida.
Ballack riu.
— Eu realmente não pensei que a confusão fosse começar por causa da Vivi! — o alemão continuou se despindo, na intenção de ir até o banheiro tomar um banho relaxante — Lupita e os outros têm muito mais motivo pra dar merda...
— Qual é o rolo da Victória com o Lampard? E o espanhol? — indagou, ainda confusa com aquilo tudo — Aliás, os espanhóis vieram pra Londres pra dar trabalho, hein?
— A Vivi e o Lampard namoraram um tempo, mas terminaram, e agora ela está com o Torres. Mas a história deles é meio “inacabada”, entende?
— Gente, mais um que não respeita a vez do colega? — exclamou, indignada — Vou precisar ensinar umas coisas pra esses marmanjos. Se a Victória está com o Torres, o que o Lampard tem de arrumar confusão? Ela não quer mais ficar com ele...
— Não temos muita certeza disso! — o alemão interferiu — E é ai que está a confusão! — havia depositado sua camisa sobre a cama, e sorriu antes de deixar o quarto em direção ao banheiro.
— Ei? — Camilla exclamou, após alguns segundos observando seu corpo que parecia ter sido projetado milimetricamente para tirar o sossego das mulheres que o fitavam.
— O que foi? — retornou ao quarto.
— Não vai me deixar tomar banho primeiro? — questionou, insatisfeita.
— Deixei o banheiro aqui da suíte pra você, ué! — sorriu de canto — Eu vou pro banheiro social!
Camilla arqueou as sobrancelhas ao perceber que não havia pensado nessa possibilidade, pois perdeu tempo demais admirando seu corpo.
— Então diz, né? — resmungou, tentando disfarçar — Não sou adivinha!
— Você estoca essas respostas? Porque você sempre tem uma na ponta da língua! — ainda ria.
— Já foi tomar seu banho? — levantou-se da cama, com um sorriso discreto. E deixou o quarto, em seguida.
Ambos não demoraram muito no banho, e logo estavam de volta no quarto que dividiriam por aquela noite. Camilla vestia uma camisola de rendas, que apesar de comportada, parecia bem sensual. Era preta, e tinha um decote pequeno no busto. Era comprida, mas não o suficiente para cobrir suas pelas e torneadas pernas, e sua cintura estava especialmente marcada pelo desenho de seu caimento. Aquilo fora o suficiente para tirar a lucidez de Ballack, que não conseguiu disfarçar sua admiração ao fita-la.
Mein Gott! — o alemão exclamou, quase hipnotizado pela visão que teve.
— O que foi? — Camilla terminava uma trança simples em seus cabelos, que a ajudaria a dormir melhor.
Ballack levou suas duas mãos ao rosto, tentando se controlar, por um instante.
— Você pode me trazer um copo de água? — a jovem sorriu, satisfeita, pois sabia exatamente o que havia causado naquele momento.
— Claro! — ele ainda procurava sanidade em meio a tantos pensamentos, mas deixou o quarto na intenção de atender ao seu pedido. E não demorou voltar trazendo um copo de água consigo.
Danke! — ela agradeceu.
— Acho que estou começando a me arrepender de te chamado pra ficar aqui! — Ballack declarou, fazendo com que Camilla o fitasse, preocupada.
— Como é? — pareceu não acreditar no que havia dito.
— Vou acabar me complicando e colocando tudo a perder! — respondeu, fatigado.
— Do que você está falando? — ela riu, mais relaxada.
— Te chamei pra ficar aqui, me comprometendo em não agir como um idiota com você. Mas não se tenho forças pra conseguir resistir ficar contigo a noite inteira sem... — não parecia orgulhoso de suas palavras.
— Ei? — exclamou, buscando seus olhos — Por que você não relaxa? Você está fazendo um ótimo trabalho... — ajeitou-se na cama, e o chamou para lhe fazer companhia.
Ballack, que também estava pronto para dormir, e vestia apenas seu short de moletom azul carbono, não fazia ideia do quanto também estava sendo difícil pra Camilla conseguir resistir aquela tentação. Mas estava disposta a fazer tudo certo daquela vez.  E por esse motivo, ainda que com dificuldade, ambos passaram a noite tentando não se entregar ao desejo que tomava conta dos dois naquele momento.
Ainda na boate, onde a festa de aniversário de Mia ainda não havia se encerrado, David e Rubi conversavam animados,  um tanto afastados de todos, em uma área com puffs e sofás, destinada àqueles que não tinham ânimo para passar a noite inteira de pé na pista de dança.
— Espero que quando eu chegar, o Nando não esteja dormindo! — a menina declarou, temendo acordar Torres quando o brasileiro a levasse em casa, como o espanhol havia pedido.
— Depois do que aconteceu? — David declarou, preocupado — Duvido muito, pequena! Essa história toda demorou dar merda, sabe? Eu avisei tanto ao Nando quando ele chegou em Londres...
— Mas a Victória é uma boa garota! — exclamou — Não é culpa dela...
— Claro que não! — o brasileiro concordou — Mas com tanta menina aqui, ele tinha que se envolver com a que tinha a história mais complicada?
— O Nando é assim, David! — Rubi gargalhou, parecendo ter certeza do que dizia — A primeira namorada dele também tinha uma história bem complicada. E ele ficou bem mal quando não deu certo...
— Ta vendo! — David exclamou, insatisfeito — Ao invés dele ter aprendido...
— A gente não escolhe de quem a gente vai gostar! — Rubi tinha um olhar intenso, porém, terno, que desconcertou o brasileiro que a fitava naquele momento.
— Isso é verdade! — pareceu concordar, lembrando o quanto estava sendo difícil gostar de Mia ultimamente.
— Você ainda tá triste? — a espanhola ainda fitava seus olhos, preocupada com sua resposta.
— Ah, feliz eu não estou! — David lhe respondeu, desanimado — Mas já me conformei!
— David, você não precisa desistir só porque algo hoje não deu certo! — tentou convencê-lo, talvez sem acreditar que estava lhe dizendo aquele tipo de coisa.
Rubi era bem parecida comigo. Era nascida em uma cidade pequena na Espanha, a mesma onde Torres nasceu. Fuenlabrada era um município da Espanha na província de Madrid, e uma  comunidade autônoma de Madrid. Com pouco mais de  195.864 habitantes, era menor, inclusive, do que Enfield, a cidade onde eu havia nascido e sido criada.  Nós duas éramos bastante ingênuas, e com muitos sonhos. Rubi tinha dezenove anos, e após conhecê-la, descobri o porquê de Torres ter dito que eram como irmãos. Ela era como sua irmã mais nova, e o espanhol realmente se preocupava com ela por causa de sua inocência. A menina conheceu David há algum tempo, quando o brasileiro visitou Madrid pela primeira vez. Se encantou por seu jeito brincalhão e descontraído, o que realmente lhe era uma charme especial. Desde então, alimentava algo dentro de si, que não estava muito certa do que era. Rubi, em segredo, admirava o brasileiro, que até o momento, não tinha olhos para outra pessoa a não ser Mia. Nem mesmo Torres sabia do que a menina sentia por David, apesar de suas desconfianças.
— Não foi só hoje! — respondeu-lhe, fatigado — Eu cansei de ver a Mia tratar todo mundo bem, e mesmo que por implicância, me tratar como se eu fosse um nada.
— Você não é um nada! — garantiu.
David sorriu ao ouvi-la.
— Você vai ficar em Londres até quando? — indagou, tentando mudar de assunto.
— Até o Nando se cansar de mim e me mandar de volta pra Espanha. — declarou, sorrindo.
— Eu mando ele de volta pra lá também se fizer isso! — declarou, seguro.
Rubi suspirou por um instante, e desviou seu olhar.
— Queria passar um dias aqui. Não to estudando! Ainda nem sei o que eu quero fazer da vida! — continuou — Queria esfriar um pouco a cabeça, sabe? Mudar de ares...
— Tenho certeza de que o Nando não vai se importar de você ficar com ele... — David a fitava, atento.
— As meninas aqui estudam?
— Só a Mia que ainda não terminou o high school, e estuda em casa, com um professor particular.
— Queria conversar com alguém sobre isso, sabe?  — declarou, desanimada.
— Lupita é ótima com essas coisas. Por que você não fala com ela?
— Será que elas vão gostar de mim? — suspendeu as sobrancelhas, incerta.
Olha pra mim! —David, fazendo o uso de seu português, segurou seu queixo com cuidado, fazendo com que Rubi olhasse em seus olhos por um instante — Por que elas não gostariam de você? Você é...
Seu coração acelerou, fazendo suas mãos suarem. A música alta, alguns shots de tequila em seu organismo, e mais aquele ato estavam lhe rendendo algumas sensações inexplicáveis.
— Você é linda, inteligente, e ainda tem um sotaque que eu adoro!  — o brasileiro sorriu — Em você, porque no Torres fica uma droga!
A menina gargalhou, animada.
— Não acho que isso seja motivo para as meninas gostarem de mim, niño! — fez questão de ressaltar a palavra “meninas”.
— E por falar nisso! — voltou a fita-la — Por sorte você tem dois guarda-costas. Stamford Bridge é uma selva...
— E por que? — franziu o cenho, confusa com sua declaração.
— Muito homem junto dá nisso, pequena! — tentou se explicar — Mas você já viu o tamanho do Torres? Certeza de que ele não vai deixar ninguém se aproximar de você.
— Torres anda muito ocupado se preocupando com o Lampard chegar perto da Victória! — declarou — E eu acho que ele deveria estar mesmo...
— Mas fica tranquila então, porque eu faço isso por você! — o brasileiro a fitou intensamente por um instante, e percebeu o quanto seus olhos verdes eram bonitos se encarados de perto.
Aquele momento, porém, fora interrompido por Mia, que estava parada bem na frente dos dois.
— David! — exclamou seu nome, afobada.
— O que foi, Mia? — respondeu, fitando-a.
— Meu tio foi embora, a Victória também, e eu não sei aonde a Lindsay está. Preciso que você me leve pra casa! — declarou, insatisfeita.
— Tudo bem! — pareceu concordar, mas sem muita animação — Eu vou levar a Rubi em casa também. Posso deixar você no apartamento.
— E quem é essa ai? — franziu o cenho, certa de que não a conhecia.
— Rubi é prima do Torres, e chegou hoje da Espanha!
— Muito prazer, Mia! E desculpe por não ter lhe dado os parabéns... Quando eu cheguei, você estava com o Reus na pista de dança, e eu não quis atrapalhar vocês.
— Fez bem! — gargalhou, empolgada — Mas aquele alemão filho da mãe ainda me paga! — grunhiu.
— Vamos então? — David pareceu não gostar do rumo daquela conversa.
E como combinado, não muito depois, deixou as duas, sãs e salvas em casa. Aquele havia sido o encerramento daquela noite conturbada, porém, que muitos não conseguiriam esquecer por um bom tempo.  Tinha motivos o suficiente  para ter se tornado inesquecível.
O outro dia era o que todos temiam. E assim que ele chegou, Lupita e eu recebemos o convite de Ballack, para almoçarmos juntamente com ele e Camilla, em um clube particular ainda dentro dos limites de Londres. Era espaçoso, e tinha uma área extensa de natureza, além de piscinas climatizadas e um ótimo restaurante.  Além de nós, César, Torres, David e Rubi também haviam gentilmente sido convidados pelo alemão, que tentava trazer Camilla para seu círculo de amizades.
— Bom dia! — Ballack saudou Lupita, e eu, que fomos as primeiras a chegar no local, por volta das onze da manhã.
— Bom dia! — minha amiga cumprimentou ambos com beijos na bochecha.
— Ei? — Ballack me fitou, preocupado — Você ta bem?
— Acho que sim! — declarei, enquanto recebia um beijo na testa de Ballack, e um abraço apertado de Camilla.
— Você convidou mais alguém, Ballack? — Lupita indagou, temendo que outra confusão se iniciasse.
— Lupi, chamei o David e os espanhóis... — tentou se explicar — Não achei legal chamar mais ninguém, pelo menos até saber como as coisas estão depois do que aconteceu ontem.
— E a Rubi, mein liebe! — Camilla acrescentou, fazendo o alemão sorrir com aquela declaração.
— Menos mal! — a costa-riquenha suspirou, enquanto caminhávamos em direção a algumas árvores, do lado de fora do restaurante.
— Você está namorando o César, Lupi? — a alemã foi direta em sua pergunta.
— Namorando? — arqueou as sobrancelhas ao ouvir sua pergunta — Não! Por que?
— Vi vocês na pista de dança ontem...
— Ninguém namora em Stamford, Cah! — gargalhou, agora mais relaxada — Só o Ballack...
— O Ballack? — a menina indagou, surpresa — Com quem ele está namorando?
— Nossa, depois dessa eu perdi até a fome! — o alemão resmungou, descontente.
Lupita e Camilla gargalharam, empolgadas.
Enquanto os três conversavam, eu tinha o pensamento longe e estava alheia a tudo a minha volta. Fitei então o estacionamento, e percebi que Torres e Rubi haviam acabado de chegar. Eu ainda não me recordava de tudo que havia acontecido naquela boate ontem, mas tinha a certeza de que Lampard e eu havíamos nos beijado, e mesmo sem estar em total naquele instante, estava me sentindo culpada.
Não demorou muito até que ambos se aproximassem de nós, e nos cumprimentassem com um sorriso.
Buenos dias! — Torres parecia mais calmo, mas aquela feição de desgosto que eu havia presenciado na noite ontem não saia de minha cabeça.
Buenos dias, Rubi! — Lupita sorriu — Está gostando de Londres? Eu abracei Nando, ainda me sentindo estranha. Senti uma de suas mãos afagar meus cabelos, enquanto ele selou nossos lábios, ainda sem dizer palavra alguma.
— Bem, eu não tive muito tempo desde que cheguei, mas eu estou sim... — respondeu-lhe, animada.
— Chegou há pouco tempo, mas já viveu bastante coisa, você quis dizer! — Camilla acrescentou, se referindo aos acontecimentos da noite passada — Eu passo semanas entediada na Alemanha!
— Já te convidei pra ficar em Londres comigo! — Ballack interviu em seu comentário  — Você só precisa se apresentar à Seleção em dias de jogos, assim como eu. Qual o problema de ficar por aqui uns tempos?
— Não sei se aguento de saudade dos meus bebês alemães! — declarou, fazendo-o bufar de raiva.
— Claro! — exclamou, insatisfeito — Não consegue ficar sem aquela cambada de “baba-ovo”, né?
— Não! — respondeu-lhe, sem maiores delongas — E por falar nisso, preciso ligar pro Reus. Nem sei por onde ele andou noite passada...
— Andou lá em casa, Cah! — Lupita declarou, fazendo Torres arquear as sobrancelhas, descontente.
— Como assim na sua casa? — Camilla questionou, ainda sem entender sua declaração.
— Eu moro com a Lindsay, e ele... Bem, ele foi o convidado dela essa noite, entendeu?
Ela  gargalhou animada após ouvir sua explicação.
— Gente, mas que filho da puta! — exclamou, ainda empolgada — Mal chegou em Londres e já me faz uma dessas...
— Soube que ele tinha ficado com a Mia! — Ballack acrescentou.
— O que foi bem feito! — Lupita resmungou, descontente — Ela terminou a noite sozinha. Não acredito que ela teve coragem de dar um fora no David depois de tudo o que ele fez.
Rubi fitou a menina, ao ouvir sua declaração.
— Gente, vamos parar com esse assunto? — eu os repreendi, ao perceber que David havia chegado ao local, e caminhava em nossa direção.
— Bom dia! Bom dia! — nos saudou, um tanto mais animado do que pensamos que estaria.
— Oi, David! — Camilla sorriu, e abraçou o brasileiro calorosamente — Desculpa por isso, mas eu estava querendo te dar um abraço desses desde ontem!
— E eu posso saber por quê? — Ballack franziu o cenho, esperando uma explicação.
— Porque ele estava com uma carinha de cão sem dono ontem, depois do que aconteceu... Que me deu vontade de consolar ele oras! — respondeu-lhe, fatigada.
César, o último que faltava, se aproximou de nós, após também ter estacionado seu carro próximo dali.
Hola! — sorriu, especialmente charmoso naquela ocasião. Que homem!
— Acho que a gente já pode almoçar... O que acham? — Lupita, sugeriu, e após todos concordarem, puxei seu braço, impedindo que ela deixasse o local com os outros.
— Lupi?
— O que foi, Vivi? — me fitou, preocupada.
— Você pode ligar pro tio Terry? — indaguei, receosa — Ele pediu que eu ligasse assim que acordasse, mas como ele dormiu no apartamento do Lampard, quero evitar contato, sabe? Só queria que você avisasse a ele que eu estou bem, e que viemos almoçar.
— Eu? — exclamou, um tanto insegura — Então me dá o seu celular, Victória! Não quero ligar do meu número...
— Muito obrigada! — agradeci, ao entregar a ela meu celular.
Lupita, ainda receosa, atendeu ao eu pedido e discou o número do capitão inglês em meu celular. E parecendo prever o que aconteceria, arregalou os olhos, surpresa com quem atendera sua ligação.
— Alô? — Scarlet declarou, após alguns instantes.
— Terry? — Lupita engoliu seco, após chamar por seu nome.
— Victória? — a loira insistiu, sem saber com quem falava — Seu tio está no banho! Pediu que dissesse a você que assim que sair, te retorna a lição. Você está bem?
— Scarlet! — chamou seu nome, sem conseguir disfarçar sua indignação — Diz pro Terry que foi a Lupita que ligou, e que retorne pro meu celular. Obrigada!
E sem esperar por alguma resposta, vi minha amiga desligar a ligação, afobada, enquanto eu ainda a fitava, sem entender o que acontecia.
— Scarlet? — indaguei, confusa.
— Ta vendo? Ta vendo por que eu não queria ligar? — resmungou, sentindo uma sensação ruim cortar seu estômago em dois.
— Calma, Lupi! — tentei tranquiliza-la — Onde estava o meu tio?
— No banho! — respondeu-me, ainda irritada.
— Amiga! — chamei seu nome, fazendo-a me fitar por um instante — Quer parar de imaginar coisas?
— Eu não preciso imaginar nada, Victória! Terry já me deu motivos o suficiente pra eu saber do que ele é capaz ou não de fazer...
— Então por que você está assim? — indaguei, mas já sabendo a resposta. Apesar de saber que deveria esperar as piores coisas de Lampard, ainda sim, me sentia mal quando descobria alguma coisa.
— Porque eu sou uma boba! — exclamou.
— Lupi? Por que você não entra naquele restaurante, senta do lado daquele homem que a cada dia que passa fica mais bonito, curte todos os momentos bons que vocês dois dividem juntos, e esquece meu tio? Se ele te quer, vai precisar te provar isso. Enquanto isso, faz como eu...
Minha amiga me fitou por um instante, parecendo concordar com minha proposta. Não era uma tarefa fácil. Mas até quando viveríamos à mercê das vontades e caprichos de Terry e Lampard?
Gastamos algum tempo no restaurante, almoçando e também jogando conversa fora. Não muito depois, Torres me convidou para fazer uma caminhada dentre as árvores daquele clube, onde havia uma trilha, cercada por uma paisagem bonita em volta. Aceitei seu convite, e após alguns instantes caminhando de mãos dadas e em silêncio, o espanhol resolveu quebrar o gelo.
— Você está bem? — indagou, fazendo uma pausa, e fitando meus olhos.
— Eu to sim, Nando! — tentei ser convincente, enquanto senti uma de suas  mãos se entrelaçarem em meus cabelos, e segurar meu rosto, por um momento.
— Tem certeza? — insistiu, preocupado.
Cerrei meus olhos, após acenar positivamente com a cabeça, e receber um beijo terno e demorado.
— Você pode me dizer o que aconteceu ontem? — questionou-me, ainda me fitando intensamente.
Eu abaixei a cabeça por um instante, incerta do que deveria fazer.
— Eu não me lembro direito! — respondi, forçando minha memória — Mas da parte que eu me lembro, você não via gostar de saber, Torres...
— Victória...
Eu o interrompi, sentindo que precisava esclarecer algumas coisas, ainda que muitas delas pudessem magoar Torres e a mim também.
— Por favor, me deixa falar...
Vi meu pedido ser atendido, enquanto Torres me fitava, atento, e perturbado.
— Pra começar, eu quero que você saiba que eu não me sinto nem um pouco feliz com o que aconteceu, Nando. E que eu pensei bem, e cheguei à conclusão de que eu sou a culpada disso tudo!  Eu não posso continuar te colocando em situações como essa por causa do que eu tive com o Lampard. Eu tentei, mas não consegui fazer com que isso ficasse no meu passado. E isso vai acabar magoando você em algum momento.
Torres engoliu seco ao ouvir aquelas palavras, mas assim como eu havia lhe pedido, permitiu que eu continuasse. Sua respiração ficou mais intensa, e não gostava da sensação que estava sentindo.
— Eu juro que tentei, mas não posso continuar contigo, sabendo que alguma coisa de ruim pode acontecer com você a qualquer momento. Eu não me perdoaria nunca, Torres.
Ele balançou sua cabeça em indignação, e já não conseguia disfarçar seu nervosismo e apreensão.
— Eu queria tanto que não tivesse nada pra atrapalhar a gente! Eu queria tanto que nossos dias fossem sempre como os que tivemos na Espanha. Mas isso é impossível aqui, Nando.  — minha voz estava trêmula, e eu não estava nem um pouco feliz por dizer aquelas palavras — Lampard me beijou ontem!
O espanhol cerrou os olhos logo após minha declaração.
— E eu não sei até onde a culpa foi minha! — continuei — Me perdoa, Nando! — uma lágrima caiu de meus olhos, e eu já não consegui impedir que as outras fizessem o mesmo.
Torres naquele momento me fitava, perplexo.
— A única coisa que eu posso te garantir é que... Eu não queria beijar ninguém mais naquele momento. Eu chamei seu nome, e o Lampard perdeu a cabeça ao me ouvir. — continuei, ainda olhando em seus olhos, que demonstravam insatisfação — Nando! Eu disse que te amava, e foi quando a confusão toda começou...
— Você disse pra ele que me amava? — Torres havia segurado meu rosto com suas duas mãos, e mantinha meus olhos na direção dos seus, quase em desespero.
Eu suspirei, com nossos lábios à centímetros de distancia, mas não consegui responder aquela pergunta.
— Victória! — chamou meu nome — Você disse pra ele que me amava?
— Disse! — engoli seco após confirmar sua pergunta, e meu coração se acelerou em seguida.
Não estava segura de que realmente amava Torres, e por isso, estava tão apreensiva. Mas com toda a certeza, o que eu sentia por ele crescia a cada dia, e eu já não conseguia guardar aquilo só para mim.
— E você me ama? — ainda estávamos próximos, e podia sentir sua respiração.
— Eu te amo, Nando! — declarei e fiz questão de ser clara. Precisava que Torres soubesse o quanto tudo o que estávamos vivendo estava sendo bom para mim. E o quanto isso estava crescendo dentro de mim. Já não conseguia me imaginar nos braços de ninguém mais. Era o último pensamento que passava pela minha cabeça ao ir dormir, e também o primeiro ao acordar. Torres já não era o segundo em minha vida. Ele era o homem que eu realmente queria ao meu lado. E eu precisava lhe dizer isso!
 O espanhol me beijou calorosamente após ouvir minha declaração. E eu me entreguei àquele beijo como jamais havia me entregado antes. O beijei com tudo o que havia em mim, e me despi de todos os receios medos e inseguranças que me acompanhavam desde que o havia conhecido. Me sentia leve. E justamente aonde eu pertencia: seu braços.
— Victória! — chamou meu nome mais uma vez, assim que nosso beijo cessou — Nunca mais diga que você não quer continuar comigo. Nunca mais diga que isso não vai dar certo...
Eu o fitava, atenta.
— Eu vou fazer dar certo! Mirame!  Eu vou fazer isso dar certo! — declarou, seguro.
Eu o abracei, e repousei minha cabeça em seu peito, enquanto Torres me acarinhava as costas. Todas, completamente todas as certezas das quais precisávamos, havíamos tido naquele momento. E eu sentia que depois daquilo, enfrentaria o mundo pra ficarmos juntos no final.
Não muito longe dali, ainda no restaurante, Lupita recebeu uma chamada de Terry, que na certa, havia recebido seu recado por Scarlet, assim que saiu do banho.
— Alô? — a menina atendeu sua ligação, não muito satisfeita.
— Lupita? — o capitão chamou seu nome, um tanto preocupado  — Aconteceu alguma coisa? Scarlet me disse que você ligou. A Victória está bem?
— Está sim, não se preocupe! — tentou tranquiliza-lo, enquanto deixava a mesa na intenção de falarem a sós. A menina estava sendo consumida por um ciúme incontrolável e indisfarçável.
— Então o que houve? — Terry indagou, curioso.
— Queria saber se o Lampard está bem! — tentou desconversar.
— Lampard? Bem, está com o nariz quebrado, mas teve sorte de ter acontecido só isso! — respondeu-lhe, um tanto confuso.
— Terry, você pode, por favor, ter uma conversa com o Lampard e pedir pra ele deixar a Victória em paz? Eu realmente não quero ter que fazer isso...
— Lupita! — a interrompeu — Você realmente me ligou pra falar sobre isso?
— Sim! — exclamou, quase em um grito.
— E por que você está tão nervosa, então?
Um silêncio tomou conta daquela ligação por alguns instantes.
— O que você está fazendo com a Scarlet a essa hora da manhã? — não conseguiu conter a necessidade de lhe fazer aquela pergunta. Aquilo estava lhe consumindo.
Terry riu, satisfeito.
— Christine e ela vieram saber como Lampard estava.
— Quando? Agora cedo? — insistiu.
— Ontem à noite.
— Você é um filho da mãe! — exclamou, quase bufando de raiva.
— Eu? — o inglês gargalhou, despreocupado — E por quê?
— Eu vou lhe dizer o por que. Aliás, eu vou te mostrar o por que na mesma moeda! — a menina havia caminhado de volta ao restaurante, enquanto conversavam, e se aproximou de César, que a fitava preocupado, naquele momento — César, mi amor!  Desculpe te fazer esperar... Será que a gente pode fazer aquela caminhada pela trilha agora?
Lupita havia declarado aquelas palavras em alto e bom tom, o que fez Terry sorrir com sua atitude. Na certa sabia que a menina só estava fazendo aquilo para provocá-lo, mas não podia negar que a possibilidade de Lupita estar com César naquele momento não o agradava. Desligou, porém, o telefone, sem lhe dar qualquer resposta.  Aquele jogo de sedução e provocação estava saindo do controle, e ambos já não sabiam como disfarçar seu ciúme mais.  Aliás, muitas situações em Stamford estavam saindo do controle, e aquilo estava preocupando muitas pessoas lá. Por esse motivo, deixamos aquele dia terminar como deveria, sem maiores emoções. E aguardamos a segunda-feira chegar, receosos ao pensar em como seria aquele reencontro em Stamford Bridge.
 
 



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