História The changes - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Christophe Giacometti, Jean-Jacques Leroy, Ji Guang-Hong, Leo de la Iglesia, Otabek Altin, Victor Nikiforov, Yuri Katsuki, Yuri Plisetsky
Tags Otayuri, Yurionice
Visualizações 82
Palavras 6.416
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Yo amores :3

Bem, fazia muito tempo que estava pensando em fazer uma long-fic desses dois xuxus (sim Otayuri é o meu otp ❥ ~
então espero que gostem, e não deixe de comentar aqui o que acharam, o tio gosta de saber se estão gostando hehe

~ As palavras que estão em itálico são os pensamentos do Yuri e Victor.

Boa Leitura. ;*

Capítulo 1 - Capitulo 01


Fanfic / Fanfiction The changes - Capítulo 1 - Capitulo 01

As lembranças e as dúvidas estavam por fim, vindas. Desde que pisei naquele avião sabia que algo grande iria acontecer e por vezes imaginei como seria aquele momento, onde toda a minha vida mudaria e meu mundo giraria 180 graus em poucos segundos. Isso causava medo, mas como eu sempre digo, esse sentimento é reservado somente para os fracos e se tem algo que eu, Yuri Plisetsky definitivamente posso me orgulhar em dizer : eu não era fraco. Aprendi da maneira mais dolorosa a me fazer forte e vestir uma máscara de indiferença de forma esplêndida como autodefesa. Havia perdido meus pais em um acidente ainda pequeno e passei a viver até recentemente com o meu avô paterno Nikolai, um velho senhor que sempre usava seu mesmo casaco de tweed surrado cheirando a pirozhki recém assados, com aquele sorriso caloroso no rosto que desde quando era criança me lembra o sol, ou melhor, lembrava. Pois agora, meu avô também tinha me deixado devido a um infarto há cinco meses atrás, e graças a isso, fui então jogado em uma droga de abrigo para menores já que ele era minha única família que me restava. Até aquele que havia me prometido um dia nunca sair do meu lado também já havia me virado as costas. É amigos, se existe um deus nesta vida com certeza me odeia, e muito.

 Mas, quando eu já estava finalmente fazendo amizade com a Samara no fundo do poço, um milagre aconteceu. Não acreditei quando a megera dá Lilia Baranovskaya assistente social responsável por mim no abrigo, deu a notícia de que haviam localizado meu tutor. Não sabia descrever a sensação de alívio em saber que finalmente iria deixar aquele inferno. Apesar de não fazer ideia ainda de quem seria essa pessoa interessada em adotar um pobre órfão russo, já que ninguém explicava nada do que acontecia durante todo o meu processo de adoção. Única coisa que foi falada, era que havia um tutor e este morava no Canadá, que era para onde eu estava sendo levado agora. Sendo assim, preferi não insistir por mais detalhes, afinal, qualquer lugar era muito melhor que aquele maldito abrigo e sem falar que a minha vida já estava literalmente na merda, o que mais faltava dar errado? até se o avião caísse agora seria libertador.

'' Mas não, até o universo deve me odiar o suficiente para não me dar essa dádiva de presente ''

E aqui estou eu, dentro de um avião voando até o outro lado do mundo sentado na minha poltrona ao lado de Lília, que mexia em seu notebook sem dar atenção ao seu redor.

         — Até quando você irá continuar com essa cara Plisetsky?

 Fui pego de surpresa, não imaginava que ela estivesse prestando alguma atenção real em mim.

        — Hn. - apenas dou de ombros, e continuo analisando a janela em busca de algo mais interessante que aquela conversa.

     — Você deveria estar agradecendo a sorte que teve, a maioria daqueles garotos vão continuar esquecidos no abrigo até alcançarem a sua maioridade. Já que nenhum deles possui um tutor tão dedicado e que demonstrou tanto interesse como o seu.

        — Que seja, você quer o que? que eu desça desse avião sorrindo e entregue para ele um prêmio Nobel pelo seu altruísmo? Eu nem sei quem é esse cara.

 Olho de lado e vejo que ela ainda continua a digitar algo parecendo distraída aos demais, mas sabia que na realidade ela ainda me analisava de canto, e reviro os olhos sabendo que não ia demorar muito para ela voltar a falar.

       — Garoto, você não faz ideia de como teria sido difícil sem a ajuda dele, se não fosse pela influência do senhor Nikiforov com o consulado Canadense não teríamos conseguido reduzir todo um processo que levaria um ano para meses…

       — QUEM? VOCÊ FICOU MALUCA? O QUE AQUELE DESGRAÇADO DO VICTOR TEM HAVER COM ISSO? SÓ PODE ESTAR DE BRINCADEIRA COMIGO!  

 Lilia fecha a tela do aparelho em um baque me encarando de forma severa, só então percebo o porquê. Não havia apenas falado alto demais, como também estava de pé em meu assento chamando a atenção de outros passageiros, até mesmo uma das aeromoças vinha ao nosso encontro mas foi parada pelo sinal que Lília fez mostrando que estava tudo sob controle. Volto a sentar me detestando ainda mais pela cena que havia feito, minha vontade era de saltar pela saída de emergência tamanha a vergonha que estava sentindo agora. Mas não podia evitar de me exaltar ao ouvir aquele nome.

     — Victor Nikiforov é o seu tutor, e vocês irão sim passar a viver juntos a partir de agora…

 Ainda me encarando, puxa de forma brusca a touca do moletom que eu usava, bagunçando meu cabelo. Não tinha outra escolha a não ser, ser forçado a olhar de volta assustado. —...Ou é isso, ou você pode se sentir à vontade em voltar para aquele lugar, você quem escolhe garoto ! - aponta para os machucados no meu rosto que antes eu os mantinha escondidos sob a franja, mas que agora estavam totalmente expostos.

 Eu não a respondo, apenas cubro o rosto de volta me virando voltando a encarar o vidro da minha janela desejando fortemente poder ser sugado para fora desta. Não conseguia acreditar no que tinha acabado de ouvir.

 ‘’ Só pode ser alguma brincadeira de muito mau gosto ter essa merda como minhas únicas opções’’

 Voltar para o abrigo depois do inferno que eu passei jamais poderia ser levado em consideração, porém só de pensar em ver “ele” de novo já fazia minha cabeça doer, se pudesse nunca mais veria aquele mentiroso do Victor novamente. O anúncio feito pelo comissário que iriamos pousar em alguns minutos trouxe minha atenção de volta e junto com ela um forte incômodo no estômago, agora não teria mais escapatória. Como eu sou um idiota em pensar que as coisas não poderiam ficar piores, estamos falando da minha vida, era ÓBVIO que se tinha a possibilidade de dar merda iria vir a desgraça toda em dobro.

 ‘’ Ah, como esse avião poderia simplesmente explodir no ar agora ‘’

 

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          — Desse jeito você irá abrir um buraco no chão, tente se acalmar Victor. - Yuuri para do meu lado entregando um copo de café que havia ido comprar para mim.

 Desde que chegamos naquele aeroporto estava nítido o quanto não conseguia controlar minha ansiedade.

         — Obrigado meu amor. - aceito de bom grado, necessitava mesmo de cafeína. — Será que está mesmo tudo bem, já fazem dez minutos que o avião pousou e ainda não há sinal deles.

      — Ei, calma, você sabe muito bem como demora para retirar as bagagens e ...

       — Estou com medo Yuuri. - ele para de falar ao ser cortado, e como sempre logo notou a preocupação que devia estar transparecendo nos meus olhos e se aproximou de mim. — Tenho medo da reação dele, sei que o que eu fiz não foi certo, e já se passaram tantos anos desde a última vez que nos vimos eu não sei o que dizer a ele ou como agir...

 Yuuri coloca suas mãos no meu rosto, sendo obrigado a levantar os pés no processo para dar altura por eu ser mais alto, colando nossas testas.

        — Vai dar tudo certo, você não está sozinho nessa lembra?

  Me permito sorrir ao ouvir aquilo, não resistindo em dar um breve beijo nos lábios do meu esposo vendo ele sorrir também em resposta ao meu gesto de puxar suavemente seu lábio inferior entre os dentes, mantendo ainda o contato entre a gente. Não podia expressar como era feliz em poder ter uma pessoa como Yuuri ao meu lado por todo esse tempo, e principalmente nesse momento.

  ‘’ Eu tenho mesmo o melhor esposo do mundo’’

  Sou pego de surpresa então, ao perceber a aproximação das outras duas pessoas que pararam a nossa frente, a mulher bem vestida trajando um terno social verde musgo sorriu ao nos comprimentar de forma educada com aqueles lábios pintados exageradamente de vermelho, estaria elegante se não fosse por toda aquela maquiagem forçada. Porém, meus olhos foram direto de encontro com os verdes do garoto ao lado dela, era nítida a mistura de raiva e mágoa expressada neles, aquilo me tira o ar. Vejo aquela força que Yuuri me passou ir por água abaixo em segundos. Sabia que merecia aquilo, mas ainda sim, doía.

       — É um prazer revê-lo senhor Nikiforov - Lilia estende sua mão para mim que retribuo meio automático. — E o senhor, deve ser o Yuuri, certo?

   — Ah sim, Yuuri Katsuki, muito prazer. - ajeitando os óculos comprimenta também a mulher a sua frente.

 Não consigo mais prestar atenção na conversa que se seguiu entre eles logo depois, a passos lentos vou chegando perto do garoto. Após tantos anos Yuri havia mesmo crescido, a imagem do garoto em minha frente agora, de longe lembrava aquele garotinho sorridente que ainda guardava em minha memória. O semblante sério emoldurado pelos cabelos loiros que estavam na altura do ombro, era como ver uma cópia exata do seu pai.

‘’ Céus, é realmente como ter Dimi ali de novo me encarando, como na primeira vez que nos conhecemos’’...

 Com tal pensamento não pude mais me conter e o abraço. Sinto como ele fica estático com o ato, talvez não esperando aquele contato entre nós.

     — Senti tanto a sua falta Yura - ele estremece em meus braços ao ouvir o antigo apelido.

 Não consigo decifrar o que estaria passando pela sua cabeça no momento, e não demorou para ele se remexer e se soltar do meu abraço, não antes de perceber algo em seu rosto que me choca. — Ei, oque é isso no seu olho?

 Seu olho esquerdo havia uma forte coloração arroxeada em volta, no entanto, quando tento tocar para tirar a mecha de cabelo, tenho minha mão rejeitada pelo sonoro tapa desferido por ele.

         — Como se você realmente se importasse com alguma coisa além de você velho idiota!

  A cena chamou atenção dos outros dois que nos encaravam, Lilia se aproxima de nós provavelmente para lhe dar um sermão. — Eu só quero que vocês se fodam e me deixam em paz…

 Sua voz parece embargada pelo choro que deveria estar sendo contido, Yuri pega sua mala e sai apressado sem nos olhar pelo saguão em direção a saída.

        — Yuri espera !

 Faço menção de seguir ele, pois queria entender o que havia acontecido e porque daqueles machucados em seu rosto, mas sou parado por Yuuri que segura meu braço.

      — É melhor dar esse tempo para ele respirar Victor.- abro a boca para responder porém apenas o olhar do meu esposo já me convence a ficar, é talvez Yuuri tivesse razão.

 Fico com eles ali parado na área de alimentação, enquanto Lília nos entregava os documentos do garoto e passava os últimos detalhes sobre o período de adaptação e que ainda poderíamos ter algumas visitas dos assistentes, me sentindo aliviado que meu esposo parecia estar atento a cada palavra que estava sendo dita pois eu não conseguia tirar os olhos de onde Yuri havia saído. E agradeço mentalmente quando finalmente nos despedimos da mulher.

 

 

Vou andando na frente em meio às pessoas, era final de tarde mas o aeroporto estava cheio por ser sábado, acabo esbarrando em alguns carrinhos pelo caminho e Yuuri ia me advertindo para manter a calma atrás de mim, mas isso era algo difícil e sem perceber o quanto estava rápido logo acabo me distanciando dele. Ao sair enfim para fora, começo a vasculhar por todos os lados com o olhar em busca de Yuri, o tempo aqui em Ottawa estava extremamente frio, as pessoas passavam por mim apressadas dentro de seus casacos entrando em táxis ou indo em direção ao outro lado da rua onde havia um ponto de ônibus. Começo a ficar desesperado por não encontrar Yuri em lugar nenhum ali.

 ‘’ Será que ele pegou um táxi? Ou será que saiu totalmente sem rumo pela cidade, não, não gosto nem de imaginar isso.. Yura sozinho por aí, definitivamente não ‘’

 Pego meu celular já cogitando a ideia de ligar para a polícia naquela altura, até olhar melhor do outro da rua, finalmente lá estava ele. Sinto o ar encher meus pulmões de volta, eu nem havia percebido o momento que havia parado de respirar, mas lá estava ele, encostado na parede do outro da rua próximo a entrada do estacionamento. Parecia estar mais calmo e pelo jeito nos esperava mexendo em seu celular.

  Penso em ir até ele parando em seguida, fico com medo de que talvez ele saísse correndo de novo de mim, espero então por Yuuri e não demora muito até ele sair também e me encontrar ali parado.

     —  Eu sei o quanto está preocupado, mas não adianta sair por aí feito um louco né Victor. - ele parece ofegante provavelmente porque veio correndo atrás de mim.

     —  Me desculpa.

     —  Está tudo bem, então, você conseguiu encontrar o Yuri?

 Aponto para o outro lado da rua onde o loiro continua parado parecendo não notar que estava sendo observado, Yuuri acompanha com o olhar e sorri aliviado, sabia que ele também havia ficado tão preocupado quanto eu.

    —  Então vamos?. - Yuuri já estava atravessando a rua mas volta ao ver que eu continuava estático no meu lugar.  — Victor Nikiforov, você quem é o adulto da situação, então aja como tal.

 Ele pega na minha mão e praticamente me arrasta até o outro lado, não sabia porque estava agindo assim, mas ainda sinto medo. Ao pararmos enfim na frente do garoto, ele apenas nos olha de canto e continua a mexer em seu celular, então Yuuri se inclina até ele e estende a mão chamando assim a sua atenção.

   —  Bem, ainda não fomos apresentados, meu nome é Yuuri Katsuki e é um prazer finalmente poder conhecer você Yuri - ele sorri de forma carinhosa, era incrível ver o jeito que Yuuri tinha com os jovens.

   — Prazer. - ele responde tão baixo que quase não ouvimos sua voz.

   — Venha, vou te ajudar com as suas malas.

 O garoto nada disse apenas concorda com a cabeça vendo Yuuri pegar a sua mala e o segue pelo estacionamento até o carro, faço o mesmo enquanto os observo andando logo atrás. Pelo jeito, ele apenas se sentia confortável com Yuuri.

 O trajeto até o apartamento onde eu e meu esposo vivíamos foi em total silêncio, a não ser por Yuuri que em um momento ou outro tenta puxar algum assunto na tentativa de quebrar a tensão que pairava ali dentro.

    '' Como sempre meu esposo tentando salvar a pátria '' 

 Mas Yuri não parecia estar disposto a conversar, com a cara emburrada no banco de trás apenas continua o responder de forma monossilábica. Podia acompanhar a expressão dele pelo retrovisor, ele olhava a paisagem do centro da cidade pela janela com um olhar perdido como se realmente não estivesse ali conosco. Tudo o que eu mais queria naquele instante era conseguir ler aquele pequeno rosto como fazia antigamente, quando sem perguntar nada já sabia exatamente o que se passava, e o colocava no meu colo até tudo ficar bem, agora, o garoto sentado atrás de mim havia se tornado uma grande incógnita.

 ‘’ Ah, porque tudo não pode voltar a ser como antes’’


 

 

 

 Não demoramos muito, pois moramos em condomínio na parte central da cidade, então foram apenas alguns minutos e já estávamos entrando no estacionamento subterrâneo do prédio. Ao subir até o décimo quarto andar paro de frente a entrada do apartamento, e ao abrir a porta dou passagem para que os dois entrassem na frente. Yuuri e eu não podemos conter a risada ao ver a cena a seguir. Yuri leva um baita susto dando um grito quando Makkachin pula em cima dele o fazendo cair no chão.

      — Calma rapaz, desse jeito você vai assustar o Yuri - Yuuri segura na coleira do nosso enorme poodle marrom que estava todo alegre em cima do garoto que lutava com todas as suas forças para se defender das lambidas

      — Sai de cima de mim, sua bola de pelos babona, meu rosto não !

 Apesar da cena cômica, ofereço minha mão para o ajudar a levantar e me surpreendo por ele ter aceito. Ficando de pé novamente secando o rosto.

    — Desculpa, é que Makkachin se empolga um pouco ao conhecer pessoas novas, Você gosta de cães? - Yuuri diz ao finalmente conseguir controlar o Makka.

      — Nada contra, desde que eles não babem em mim. - Yuri lança um olhar fumegante para Makka, que parece entender bem o recado se encolhendo no meio das pernas do Yuuri.

    — Então aconselho a não deixar sapatos pela casa, não vai querer saber o que acontece com eles.

 Yuuri lhe dá uma piscada enquanto levava Makka até a porta de vidro que dava para nossa sacada, tirando um sorriso tímido dele. Vendo aquele sorriso respiro mais calmo, parece que enfim o clima entre nós estaria mudando.

   — Me dê as suas coisas, eu vou ajudar você… - mas quando me abaixo para pegar a mala Yuri a tira da minha mão.

   — Eu estou bem, não preciso da sua ajuda.

  Foi como sentir uma lâmina fria me perfurar, em menos de segundos sinto como se toda aquela tensão voltasse a dominar o ambiente, não aguentava mais aquilo. Já que a partir de agora voltaríamos a ser uma família,Yuuri tinha razão, eu preciso tomar o controle da situação e certas coisas precisavam ser resolvidas.

  —  Yuri quero que entenda que realmente estou disposto ajudar você, esse é o momento que deveríamos estar nos dando uma chance para recomeçarmos não acha?

  —  Recomeçar? Como uma família feliz depois de tudo? Engraçado ouvir isso vindo de você - o sarcasmo em seu rosto era nítido.

  — Eu sinto muito pelo seu avô Yura...

 — Não ouse falar dele...- sou interrompido pelo tom de voz perigosamente baixo dele, mas não me intimido dessa vez em continuar.

  — … Você sabe muito bem o quanto Nikolai era como um pai pra mim, foi ele quem me criou praticamente ... Não imagina como também sofri com a morte dele quando soube, e fui até você porque também é alguém importante pra mim..

 — CALA A PORRA DA BOCA ! - ele avança furioso sobre mim agarrando minha camisa social a amassando toda. — Seu desgraçado, esperou então ele morrer pra dar alguma importância pra gente? Depois de todos esses anos Victor, você simplesmente some e ainda tem a coragem de dizer que somos importantes pra você? Onde esteve durante todo esse tempo que eu precisei de você hein? - ele chora não se importando mais de esconder as lágrimas de mim, que agora escorriam livres pelo rosto.

 Ouço o barulho da porta correndo e Yuuri aparece na sala provavelmente devido aos gritos, parecia confuso nos olhando sem saber se deveria intervir ou não, ao ver a cena dele ainda me segurando pela gola da camisa enquanto chorava alto, mas olho meu esposo mostrando que estava tudo bem.

 Passo minha mão pelos fios loiros os ajeitando, como eu queria poder o abraçar, mas sabia que não tinha esse direito sendo eu o causador de toda aquela dor. Apenas deslizo meus dedos pelas lágrimas que mancharam a pele em um carinho sutil e o seu choro vai diminuindo gradativamente com aquele toque, paro então minha mão em seu rosto o segurando.

    — Me perdoa, eu sei o quanto errei… - tento erguer seu rosto para me olhar mas ele o vira.

   — Ainda bem que você sabe - Yuri se afasta soltando o tecido da minha camisa sem me olhar terminando de secar o rosto com as mãos se recompondo, e volta a pegar a mala que havia sido esquecida no chão.

    — Yuri vem comigo, eu vou te mostrar o seu quarto. - disse Yuuri, que pela sua cara não devia estar aguentando mais aquele clima, sinalizando com a cabeça para que ele o seguisse até o corredor. E ainda sem me olhar foi me deixando então sozinho na sala.

 

 

Permaneço parado no mesmo lugar apenas olhando por onde os dois haviam saído, sentindo um nó se formar em minha garganta, já esperava por isso, mas ver toda aquela dor diante dos meus olhos foi horrível. Ando então até o corredor onde ficavam os quartos e pude ver no final a luz acesa do nosso antigo quarto de hóspedes que agora seria do Yuri, meu esposo ainda estava lá dentro com ele. Penso em me aproximar, mas minhas pernas fraquejam parando de responder e sou forçado a me sentar ali mesmo encostado na parede para não cair.

 Yuri tinha toda razão em me odiar, eu mesmo estou me odiando pela droga de escolha que eu fiz, e agora essas lembranças estavam voltando na minha mente todas de uma vez me atormentando. Havia sido fraco, preferi me afastar de Yuri e Nikolai, aquelas duas únicas pessoas que eu ainda tinha como minha família quando Dimitri e Aleksandra se foram.

‘’Céus, porque só de pensar em vocês ainda doí tanto’’

 Tive medo de encarar as memórias daquelas duas pessoas tão importantes para mim ao continuar vivendo ao lado do pequeno, e agora teria que encarar toda aquela raiva direcionada a mim. Fico tão desnorteado em meio a estes pensamentos que não noto quando meu esposo volta e senta comigo.

    — Ele vai ficar bem, não se preocupe. - sinto as mãos suaves de Yuuri secar meu rosto, só então percebo que chorava no momento.

    — É tudo culpa minha, fui egoísta em me afastar deles e não percebi como isso afetou o Yuri… tudo porque tive medo. - sua mão desliza pelo meu cabelo deitando minha cabeça em seu ombro.

   — Apenas dê um tempo para o garoto, ele não parece ser uma má pessoa, é só um adolescente que passou por muita coisa. Tenho certeza que ainda irá entender e o perdoar.

   — Mas.. eu não consigo me perdoar, eu prometi a eles.. prometi que se algo acontecesse seria eu quem cuidaria dele.. eu o via também como meu filho e mesmo assim tive a coragem de o abandonar quando algo realmente aconteceu - afundo a cabeça no peito dele abafando o choro que voltava, Yuuri aperta ainda mais o abraço entre nós.

  — Ei, você não errou com eles, pois este é o momento em que Yuri mais precisa de alguém e aqui está você, você não o abandonou e agora está encarando seu passado para conseguir provar isso a ele. - continuou a acariciar meus cabelos, aquele toque e suas palavras foram acalmando meu choro aos poucos.

      '' O que seria de mim sem você Yuuri ''

 Ficamos naquela mesma posição por alguns minutos compartilhando de um silêncio confortável entre nós, onde somente as nossas respirações podiam ser ouvidas. Momentos nossos como este sempre me traziam um sentimento de paz, em poder deitar em seu colo e ficar apenas sentindo seu cheiro. Mas logo levanto o rosto me endireitando ao seu lado ainda permanecendo sentado.

  — Você está certo amor - brinco com os cabelos negros o que desajeita seus óculos, Yuuri abre um sorriso ao ver que eu estava melhor.

   — Eu sempre estou certo - nós dois rimos e dou um leve empurrão em seu ombro que aproveita para se levantar.  — E já que estamos de acordo nisso, vem me ajudar com o jantar.

  ‘’ E como sempre, tão doce’’

 

 Estende sua mão que foi aceita por mim me ajudando a levantar do chão, e ao ficar de pé não resisto e o puxo segurando em sua cintura roubando um beijo antes de ser guiado por ele até a cozinha.



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Sem dúvidas um banho quente era o que eu estava precisando, me encosto na parede do box do banheiro, à medida que a água quente ia relaxando meus músculos respiro de satisfação com aquela sensação em meu corpo. Já tinha perdido a noção do tempo que estava ali, mas que se dane também, a muito tempo não tinha um momento de paz como este e merecia pelo menos um pingo de felicidade nessa merda de vida. Me sinto aliviado por aquele quarto ter um banheiro integrado.

 ‘’ É pelo jeito aqueles dois tem mesmo muita grana só de olhar os detalhes desse lugar, nunca vi um banheiro tão grande assim’’

 Sem estender ainda mais no banho, desligo o chuveiro buscando pela toalha que Yuuri havia me deixado me enrolando nela saindo do box, e paro diante do espelho. Com o cabelo molhado podia ter uma visão melhor do meu rosto, o olho esquerdo ainda estava roxo.

 ‘’ Merda, pelo jeito essa porra vai demorar a sumir’’

 Havia também uma pequena cicatriz no canto boca e outros pequenos hematomas antigos pelo corpo, lembrancinhas dos meus dias no abrigo. Tudo o que eu mais queria era poder esquecer o inferno que vivi, recebendo todo tipo de violência gratuita por parte dos garotos que viviam lá apenas pela minha aparência, e que só piorou quando eles descobriram sobre a minha sexualidade. Sim, eu Yuri Plisetsky sou gay e isso já era motivo suficiente para quase morrer em meu país. Fixo bem os olhos nos traços do meu rosto, enfim pareciam estar mais maduros apesar de ainda continuar delicados. Mas agora vivendo em um país diferente talvez isso deixe de ser um problema, quem sabe até encontro alguém que possa gostar de mim mesmo sendo essa pessoa quebrada. É, em uma coisa o idiota do Victor tinha razão, agora era hora de recomeçar, e com esse pensamento volto para o quarto começando a me vestir.

 

 Olho meu celular e ainda eram oito da noite, esse maldito fuso horário vai me matar, com certeza irei levar alguns dias para conseguir acertar o meu sono. E ficar sozinho ali naquele quarto não ajudava em nada, queria alguém para conversar, penso em mandar mensagens para alguns antigos amigos do colégio mas logo desisto.

  ‘’ Como se aqueles putos ainda se lembrassem de mim’’

 Resolvo então me manter distraído de outra maneira, pego minha bagagem para enfim começar a desfazer a mala e organizar minhas coisas no closet que havia ali. Quando o abro começo a rir sozinho não me conformando em como aquilo era ridiculamente grande para o pouco de roupas que tinha, começo a guardá las mas não havia usado nem a metade daquelas centenas de repartições.

 ‘’ Essas bichas velhas são realmente exageradas, mas pelo menos esse espelho é legal’’

 — O jantar está pronto Yuri - Victor aparece na porta me chamando, mas não faço questão de o encarar e continuo o que estava fazendo.

 —  Okay, eu já estou indo.

 Percebo que mesmo com a minha resposta ele ainda continua parado na porta, podia sentir seu olhar queimar sob minhas costas mas permaneço firme em não o olhar e logo ele volta para cozinha. Ainda não estava pronto para ter uma conversa a sós com Victor, não depois da nossa briga.

 ‘’ Droga Yuri, Não acredito que chorou daquele jeito na frente dele, como eu sou idiota’’

 

 

Logo que termino saio do quarto para ir até a sala de jantar, é ainda teria que me adaptar em como tudo naquele lugar era enorme para um apartamento. Minha antiga casa onde cresci com o meu avô, ficava no subúrbio de Moscou e era pequena e bem simples, eu realmente não estava acostumado com esse luxo todo. A decoração moderna e como aquela gente rica gostava de chamar ‘’clean’’, sem dúvidas era bem diferente das paredes coloridas cheias de matrioskas de onde vivia. Passo pela sala de estar e vejo aquele monstro babão pulando tentando chamar a minha atenção pela porta de vidro mas apenas dou de ombros e sigo até a mesa onde Victor e Yuuri já estavam sentados me esperando.

  —  Desculpa Yuri, eu não sabia do que você gostava então acabei optando por fazer uma macarronada. - Yuuri disse ao passar o prato para que eu pudesse me servir. — Não é grande coisa mas espero que goste.

   — Por mim está ótimo, não precisa se preocupar comigo. - coloco um pouco do macarrão no meu prato, que por sinal, a cara estava muito boa.

  — Sim, eu preciso. - ele se senta ao meu lado acariciando meus cabelos, se servindo também. — Até porque, o Victor é um desastre na cozinha.

    — Ei, mas eu te ajudei a preparar o jantar !

   — Querido apenas colocar água para ferver não é cozinhar. - Victor o encara de boca aberta fingindo estar ofendido fazendo Yuuri rir.

 Até eu sem notar, acabo deixando escapar um sorriso também diante daquela cena, que não passou despercebido por eles.

    —  É pelo jeito não mudou nada, só ficou mais velho e acabado - digo tirando uma risada de Yuuri ao meu lado.

    — Ah não Yura, até você ficará contra mim agora?

    — Isso ai garoto, se una ao lado vencedor dessa casa. - Yuuri estende sua mão e fazemos um hi-fi.

    — Isso não é justo, são dois contra um !

   — Na verdade são três, pois até o Makka gosta mais de mim, desculpa.

    — Nossa senhor Katsuki, depois dessa eu me tornei seu fã.

   — Que isso Yura, pode me chamar de “você”, senhor aqui é apenas o Victor.

   — Eu desisto, vocês dois são cruéis sabiam. - Victor aponta o garfo para nós, mas apenas rimos fazendo ele revirar os olhos voltando a comer.

 Era estranho aquela sensação, estar ali rindo com os dois tão naturalmente era como voltar no tempo, quando meus pais ainda eram vivos e Victor vivia sempre conosco em casa junto com o vovô, onde todos os jantares sempre eram animados com aquela bagunça habitual. Ao olhar para aquela mesa agora não posso evitar essas lembranças da minha infância que voltam todas de uma vez a minha mente.

 ‘’ Quando eu ainda tinha uma família de verdade’’ penso.

      — Está tudo bem Yuri? - Yuuri me chama com um olhar preocupado.

      —  Sim, está tudo bem - eu forço um sorriso, e isso faz ele voltar sua atenção para Victor.

 E o restante do jantar se passou tranquilamente, passei a maior parte do tempo apenas ouvindo a conversa daqueles dois sobre banalidades do dia a dia, respondendo apenas uma coisa ou outra quando me era perguntado. Mas pude sentir o olhar de Victor sobre mim em alguns momentos, como se estivesse analisando cada movimento meu, que claro, eu logo ignorei.

 

 

 Depois do jantar, volto para o meu atual quarto me jogando na cama. Esses meses que passei no abrigo tinha sido obrigado a dividir o quarto com outros garotos, dormindo em um beliche que tinha um colchão tão ruim que nem um cão seria capaz de dormir.

 ‘’ Ah cara, como é bom ter uma cama de novo, e ainda por cima uma de casal ‘’

 Olho para o relógio, é ainda estava cedo demais para dormir e eu estava entediado pra variar, fico então distraído olhando em volta cada detalhe daquele quarto. Meus olhos vão até um canto onde havia um armário que por sinal era muito bonito.

   '' Como eu não tinha reparado nisso antes? ''

 Aquilo realmente chama minha atenção, que me levanto na hora indo até ele e paro examinando seu interior através da porta de vidro que este possuía.

 Haviam vários troféus e medalhas de patinação artística ali, sigo com os olhos para a parede ao lado onde também tinham mais medalhas penduradas, retiro uma delas do lugar a segurando entre meus dedos, e observo a gravura fina entalhada no metal dourado.

 ‘’ Olimpíadas de Inverno, Fevereiro 2005, primeiro colocado… Victor Nikiforov..’’

 Deixo um sorriso escapar dos meus lábios ao ler, eu me lembrava bem desse dia já que estava lá com meus pais nos bastidores. Ainda era nítida em minha memória em como Victor era um patinador incrível, sendo impossível de não ser cativado por seus programas sempre extravagantes. Lembro da sensação ao ver ele patinando pela primeira vez em um rinque, aquilo me fez despertar o interesse pela patinação que para a alegria deste fez questão de me ensinar, e claro, também pela a influência dos meus pais na época, que tinham uma admiração surreal por ele e esperavam que um dia eu fosse o próximo ‘’Nikiforov’’ que representaria nosso país. Mas agora apenas o fato de pensar nisso era estranho, a patinação era algo que havia sido deixado esquecido durante muitos anos da minha vida, como aquele baú de lembranças dolorosas demais para ser aberto, e não seria agora que iria reabri lo.

 Continuo olhando cada troféu me recordando da maioria deles, pego uma fotografia, era de Victor ainda jovem em um traje negro todo adornado por pequenos cristais, o brilho entrando em contraste com as longas madeixas platinadas que estavam soltas, este sorria segurando um buquê de flores.

 ‘’ Esse idiota era realmente lindo’’ - passo os dedos pelo o rosto, me recordando de cada detalhe dele.

    — Eu também sinto saudades do cabelo dele assim - sou pego de surpresa pela voz que invade o quarto e por pouco não deixo cair o porta retrato no chão.

 Yuuri estava parado na porta olhando para mim rindo, provavelmente da minha cara que no momento não devia ser das melhores, podia sentir meu rosto se esquentar pela vergonha de ter sido pego no flagra.

     — M-me desculpa, não era minha intenção ficar mexendo nas coisas de vocês - coloco de volta o porta retrato no lugar, mas ele apenas balança a cabeça ainda rindo e entra no quarto parando do meu lado.

     — Ei, está tudo bem, na verdade eu que peço desculpas por não ter tido tempo de organizar melhor as coisas - ele suspira pesadamente.  — Depois da reforma do escritório do Victor tínhamos deixado isso por aqui pela falta de espaço.

 ‘’ Não acredito que ele está reclamando de falta de espaço na porra de um apartamento que caberia minha antiga casa dentro?! ‘’

    — Eu realmente não me importo se quiserem deixar aqui - digo vendo ele pegar uma outra fotografia nas mãos, seu olhar parecendo distante por um momento.

   — Sabe, às vezes venho aqui e passo horas olhando tudo isso. Difícil acreditar em como o tempo passa tão rápido, não é mesmo. -  olho para a foto que ele segura em suas mãos, apesar de estar diferente não foi difícil não reconhecer o jovem na imagem.

  Os cabelos pretos um pouco mais longos jogados para trás, os olhos castanhos de cílios enormes estavam sem os óculos, era Yuuri, e ele estava muito bonito naquele traje azul de patinação.

    — Espera, você também foi patinador? - não pude conter a animação no tom da minha voz, o que tirou um riso orgulhoso do outro.

    — Sim, bons tempos meu jovem - ele aponta para alguns troféus, que me aproximo para ver melhor.

 ‘’ Campeonato Europeu, Dezembro 2007, primeiro lugar… Yuuri Katsuki ’’

   — Ual - não posso esconder minha admiração ao olhar. — Você devia ser incrível...

  — Ah, eu tive uma ajudinha do meu antigo treinador. - ele guarda a foto, passando os dedos no outro porta retrato que antes estava nas minhas mãos.  — Ele sim foi um patinador incrível, ainda acho uma pena Victor ter se aposentado. Acho que você também deve se lembrar, como era lindo ver a forma tão natural de como ele fazia isso...

  — Sim, eu ainda me lembro.

 ‘’  Óbvio que me lembro, já que passei minha infância atrás de um rinque o assistindo’’.      

 Deixo um suspiro pesado escapar, analiso curioso agora a figura do homem na minha frente que ainda olha para aquelas fotos parecendo meio perdido.  — Mas e você Yuuri, por que parou de patinar?

  — Bem, na verdade nunca tive o esporte como minha primeira opção mesmo, então quando terminei a faculdade aposentei os patins e segui outro rumo na vida. Apesar da saudade, estou feliz hoje com o meu trabalho no colégio como coordenador, agora dedico totalmente o meu tempo para cuidar de vocês aborrecentes. - ele brinca com os meus cabelos, me fazendo rir.  — E também é meu trabalho orientar os novos prodígios no esporte. Victor me falou sobre o quanto você é talentoso e segundo ele o melhor que já treinou, e a propósito, nosso colégio onde você irá passar a estudar tem sua grade curricular toda voltada para os jogos de inverno, seria uma honra ter você na equipe Yura.

  — Eu não patino mais - percebo então o quanto minha voz sai mais ríspida do que eu esperava.

  — Isso é realmente uma pena, ele me falou tanto sobre você que eu adoraria poder te ver patinando um dia.

   — Desculpa, eu realmente tenho que recusar.

 Ele me observa bem por alguns minutos até deixar um suspiro cansado sair, se afasta em seguida indo até o criado mudo pegando uma bolsinha que havia deixado ali quando entrou, e senta na cama dando alguns tapinhas nesta indicando para que eu também me sentasse. Faço isso então, me sentando ao seu lado ficando de frente para ele.

  — Vem cá, deixa me ver isso aqui . - ergue minha franja com o dedos, colocando os fios atrás da minha orelha. — Como eu pensei, isso está mesmo feio.

  — Isso não foi nada.

  — Não foi nada? garoto parece que foi atropelado por um caminhão.

 ‘’ Com certeza, uma jamanta chamada Peter Petrov ’’

 Ele abre aquela bolsa que eu vejo se tratar de um desses kits de medicamentos, e retira uma pomada a abrindo. Passando então de forma delicada no meu olho esquerdo.

  — Ainda doí?

  —  Não muito.

 Termina guardando tudo, mas sua mão volta para o meu rosto em um gesto carinhoso.

 —  Sei que passou por muita coisa mas estamos aqui agora por você Yura, e sei que as vezes Victor tem um jeito estranho de lidar com as coisas, mas não tenha dúvidas do quanto ele o ama e faria qualquer coisa por você. - ele se aproxima colando nossas testas. — Por isso apenas peço que confie na gente, vamos ser uma família de verdade.

 Não posso deixar de sorrir com aquele ato, a muito tempo não recebia afeto por parte de alguém e tenho que confessar, aquilo foi realmente muito bom.

   — Você realmente é um cara muito legal Yuuri. - digo vendo ele sorrir. — Ainda estou tentando entender como é casado com o Victor.

  — Alguém tem que ser o cara legal e descolado na relação não é mesmo - rimos juntos. — Boa noite Yura.

 Ele beija minha testa, e se levanta indo até a porta.

  — Boa noite Yuuri. - vejo ele acenar pra mim fechando a porta ao sair.

 Me deito na cama novamente me esticando sobre ela, e observo de longe aquele armário como se aquelas fotos estivessem sorrindo para mim.

 ‘’ É talvez essa mudança não tenha sido tão ruim assim.’’



 




 



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