História The Clash - The Love, The Pain and The Illusion - Capítulo 31


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Revelaçoes, Romance, Sexualidade
Exibições 32
Palavras 6.113
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá... Depois de um tempão voltei... hehehe, estava um pouco enrolado por causa da faculdade, mas voltei.

Essa é a primeira parte do último capitulo dessa primeira temporada de The Clash.


Esse último capitulo ficou GIGANTE, então dividi em duas partes.

Narrado pelo Maximilian! Aproveitem!!!

Capítulo 31 - Porque Tudo em Mim Ama Tudo em Você!


Hoje faz exatos dois dias desde que Jeff e eu resolvemos que iriamos fugir. E hoje coincidentemente também é meu aniversario de namoro com ele, dia cinco de dezembro de dois mil e catorze. — Da para acreditar que já se passaram nove meses? — Um relacionamento conturbado, um namoro secreto e proibido. — Às vezes me sinto como naquela historia de Romeu e Julieta. Apesar de que no nosso caso estaria mais para Romeu e Romeu. — Quando esse ano começou, eu o enxerguei como o ano de mudanças, pois é o meu primeiro ano fora do internato. Eu passei quase dez anos “preso” em um Colégio Interno. Eu digo preso, pois diferente dos outros internos eu era o único que não saia para comemorar o aniversario, natal, ano novo... Para mim datas comemorativas eram apenas datas normais. E então eu saio, e aquele mundo que me diziam ser escuro e sombrio, mostrou-se claro e radiante. As pessoas das quais tentaram me afastar foram as pessoas que me mostraram o melhor de cada coisa. E dentre o melhor de cada coisa quatro eu posso destacar, não diria coisas, mas sim pessoas. A primeira com toda certeza foi a Sarah, ela foi uma surpresa, por que não dizer um anjo? Ela me mostrou o quão boa e compreensiva uma pessoa pode ser, ela me ajudou a enxergar o meu verdadeiro eu. Ela esteve ao meu lado em todos os momentos, uma verdadeira amiga, alguém por quem me apaixonei em meu momento de descoberta. Segundo, o Robert, seu jeito divertido de ver as coisas, o modo como encara a vida. Sua lealdade, seu amor... Ele é certamente uma das pessoas mais... Como eu posso dizer? — Excêntrica? — Excêntrica que já conheci. Em terceiro a minha parceira, Lucy Evans. Ela esteve comigo desde o inicio de tudo, era uma das únicas pessoas a me visitavam no internato. Começamos a namorar cedo, um namoro bobo, de criança, que para ela significava algo a mais... Algo que eu certamente não pude dar a ela. Durante esse ano Lucy mostrou sua face vingativa, ela fez diversas coisas para tentar me separar do Jeff. — Como dizem por ai, ela mudou da água para o vinho. — Porém a antiga Lucy mostrou-se mais forte, e agora minha amiga está de volta, mas compreensiva e madura. E por último e obviamente não menos importante... Jeff Johnson. O badboy do colégio, o cara mais popular, o zagueiro do time de futebol americano... O meu Jeff Johnson. Quando nos conhecemos não foi amor à primeira vista. — Eu a minha vida toda lutei contra esses sentimentos que eu deveria ter pelas mulheres, mas de repente comecei a sentir pelos homens. — Eu praticamente forcei a barra com ele no inicio. — Acho que o provoquei porque no fundo eu sabia ele era apenas mais uma pessoa amargurada. — Ele me atacou de modo agressivo, ele me bateu e me insultou. Mas de repente sua irá por mim se transformou em algo diferente, e em um dia frio de inverno... Ele me beijou. — Todas as duvidas que eu tinha até então sobre minha sexualidade começaram a sumir. — Mas muita coisa aconteceu depois, ele se negou a aceitar seus sentimentos por mim, e por um tempo eu também neguei os meus por ele. Mas nós tínhamos um anjo, ou um cupido que certamente nos provoca, e todo caminho que eu tomava lá estava ele, e o mesmo com ele. Até que finalmente resolvemos nos entregar e aceitar o que sentíamos um pelo outro. — Amor?

 

   O Conflito, ou o choque, um baque. Assim foi minhas descobertas e certamente as dele também. O amor, o meu amor por ele certamente pode se encaixar nesse quesito. — A dor? — A dor é dele, não dor física, mais uma dor interna, algo que represente seus desejos reprimidos, algo que represente toda sua fúria pela infância que teve. — A ilusão? — Acho que posso dizer que a ilusão ficou por parte da Lucy. Não digo uma ilusão de ver o que não existe, mas uma ilusão de desejar algo que você sabe que não pode ter.

 

   Não importa o que aconteça daqui para frente. — Nada vai apagar os momentos que tive esse ano. — Eu nunca deixarei de acreditar... — Acreditar...

 

— Sr. Miller. — o professor me chama. — Maximilian Miller. — ele aumenta o tom de voz.

 

   Abro os olhos espantados e vejo o professor de historia parado em minha frente. — Eu estava cochilando?

 

— Desculpa. — digo me recompondo.

— Você está bem? — Lucy pergunta querendo rir.

— Acho que estava sonhando acordado. — falei.

— Sonhando?

— Sim... Na verdade o sonho era como se eu estivesse vendo tudo o que aconteceu durante esse ano. — conto.

— Acho que os dois querem compartilhar algum conhecimento com a classe. — o professor diz irritado

— Desculpa. — Lucy diz se sentando direito.

 

   A aula termina. — Eu saí do clube de natação, mas mesmo assim às vezes ainda passo por lá.

 

   Chego à quadra das piscinas e vejo Holly com a turma do terceiro e quarto ano. — Robert, Jeff, Louise, Patrick e Liam estão aqui.

 

— Sentiu saudades. — Sarah diz entrando na quadra.

— Eu venho aqui às vezes. — respondo sorrindo.

 

   Jeff e Patrick pulam na piscina.

 

— Eu queria te pedir desculpas. — ela diz.

— Desculpas? — pergunto confuso.

— Não queria ter me afastado de você.

 

   Estendo minha mão para ela, e ela a segura. — As vezes sinto que Sarah quer me contar algo, mas falta coragem para isso. Eu não vou insistir se ela não quer falar.

 

— Senti sua falta. — digo me forçando a não chorar.

— Max, Sarah! — Robert nos grita.

— Sr. Green, mais um grito e juro que te penduro de cabeça para baixo. — Holly o repreende.

 

   Sarah e eu nos acomodamos na arquibancada, e vimos o treino deles.

 

— Liam sequer olhou para mim. — falo. — Ele ficou tão chateado assim por eu ter saído?

— Ele é uma pessoa estranha. — Sarah diz. — Você ficou preocupado no inicio por Robert está se aproximando de você por conveniência, mas acho que foi o Liam que fez isso, ele só te tratava bem porque você era sinônimo de vitória para a equipe.

— Eu não acredito nisso. — insisto. — Ele ajudou a me salvar quando fui sequestrado. Por que ele faria isso se nossa amizade não valesse de alguma coisa?

 

   Ela deu de ombros.

 

— Quanto tempo nós ainda temos? — ela pergunta.

 

   Pelo tom de sua voz eu sei que ela não está perguntando o tempo que falta para a próxima aula...

 

— Depois do natal. — conto.

— E está bem com isso? — ela pergunta. — Ele está bem com isso? — ela olha para o Jeff sorridente lá embaixo.

 

   Eu quero contar a ela sobre nosso plano, mas Jeff pediu para manter em segredo. E por mais que eu confie na Sarah, não posso trair a confiança dele.

 

— Nós conversamos bastante e...

— Sarah!

 

   Lucy e outras meninas das lideres de torcida a chamam na entrada da quadra. — Salvo.

 

— Até mais tarde. — ela diz descendo arquibancada apressada.

(...)

   Os minutos passam... Quando dou por mim estou quase deitado na arquibancada mexendo no celular.

 

— Olha se não é a boneca Miller.

 

   Levanto assustado e me vejo cercado por dois rapazes. — Azar ou não, os mesmo que ajudaram Jeff a me bater no inicio do ano.

 

— Me deixem em paz. — peço levantando.

 

   O mais alto me empurra, me forçando a ficar sentado.

 

— O que querem? — pergunto assustado.

 

   Ele aponta para Jeff, que está conversando com Robert e outro rapaz.

 

— O que tá havendo entre vocês dois? — ele pergunta.

— O que?

— Você é surdo? — o outro pergunta. — Desde que começaram a andar juntos ele esta relaxado nos treinos e...

— Espera, eu não tenho nada com isso. — digo tentando levantar novamente.

— Vou dar só um aviso. — o mais alto sussurra. — Jeff não é marica igual a você, então trate de deixar ele em paz.

 

   O mais baixo agarra meus braços.

 

— Você está me machucando! — grito.

— Max! — Patrick grita.

 

   Patrick, Jeff, Robert e Liam sobem a arquibancada correndo.

 

— Soltem ele. — Jeff grita.

— Deixa de bobeira Jeff. — o grande o repreende. — Desde quando ficou tão molenga?

 

   Jeff fica parado como se estivesse absorvendo as palavras que acabará de ouvir.

 

— Chega. — Patrick diz.

 

   Repentinamente, Patrick agarra o braço do que está me segurando o torce, fazendo o rapaz gritar e me soltar.

 

— Fiquem longe do meu primo. — ele diz se colocando na minha frente. — Ou vão ter mais que um braço torcido.

 

   Os dois descem a arquibancada. — Onde está a Holly quando precisamos dela?

 

— Desde quando faz isso? — Robert pergunta. — Virou ninja agora?

— Eu lutava na minha antiga escola. — Patrick diz me ajudando a levantar.

— Obrigado. — agradeço ainda confuso.

— Eles machucaram você? — Liam pergunta.

 

   Ele pode até dizer que não se importa mais comigo e que nossa amizade para ele não significou nada, mas eu sei que é mentira.

 

— Está tudo bem. — afirmo.

 

   Jeff de repente desce a arquibancada parecendo nervoso. Ele entra no vestiário e lá mesmo fica.

 

— O que deu nele? — Liam pergunta confuso.

 

   Robert e Patrick me encaram. — O que eles querem?

 

— Eu vou falar com ele. — anuncio descendo.

— Você? — Liam pergunta. — Ele vai arrancar a sua cabeça isso sim...

— Eu vou arriscar. — insisto. — Ele é meu amigo, não se deve dar as costas para um amigo.

 

   Desço sem olhar para trás. — Por que está todo mundo me olhando?

 

— Jeff? — chamo entrando no vestiário.

 

   O vejo debaixo do chuveiro ligado. Sento no banco de madeira e fico aguardando. — O que o deixou tão irritado?

 

— Desculpa. — ele diz saindo enrolado na toalha.

— O que houve? — pergunto.

 

   Jeff senta em meu lado de cabeça baixa. — Ele não está irritado... Está... Triste?

 

— Desculpe eu não consegui te proteger. — ele sussurra.

— Você está bravo com isso? — pergunto me levantando. — Jeff eu não sou nenhuma criança que precisa de proteção o tempo todo. — reclamo.

— Mas eu quero. — ele levanta a cabeça. — A única hora que me sinto especial perto de você é quando eu consigo fazer alguma coisa que te ajude. Eu não sou inteligente, não sei falar bonito... Sou só um bronco do interior que resolve as coisas com a força.

— Não é isso que está te chateando não é? — pergunto. — Foi o que ele falou. Sobre você esta amolecendo.

 

   Jeff passa a mão na cabeça e se levanta.

 

— Essa foi a primeira vez que falaram assim comigo. — ele diz indo até o armário. — Foi a primeira vez que me senti humilhado.

 

   Humilhado?

 

— Humilhado? — pergunto. — Jeff eles disseram aquelas coisas para me provocar, não a você.

— A questão é que machucando você está me machucando também. — ele sussurra.

— Está arrependido? Quer desistir de fugir?

— Não. — ele vem até mim e segura meus braços com tanta força que sinto meus dedos adormecerem.

— Jeff... Está me machucando. — murmuro.

— Eu amo você. — ele sussurra.

 

   Às vezes eu me questiono se seu amor por mim é tão fraco e baixo quanto seus sussurros.

 

— Eu acho melhor eu ir. — digo. — Eu ainda tenho aula.

— Está certo. — ele diz me soltando. — Nos vemos mais tarde?

— Claro. — confirmo saindo do vestiário.

 

   Saio apressado para evitar questionamentos. — Jeff não consegue suportar uma piada ofensiva... O que faz pensar que suportaria viver comigo?

 

— Max. — Christopher fecha seu armário e vem até mim. — Algum problema? Parece triste.

— Problemas. — respondo.

— Sabe o que resolve os problemas? — ele pergunta. — Musica.

 

   Ele me leva até a sala do coral. — A sala que conheço muito bem, pois sempre que estou triste acabo passando por aqui.

 

— Seu amigo Chris? — o professor pergunta.

— Ele vai ficar como ouvinte hoje. — ele diz.

— Vou? — pergunto.

— Vai. — ele diz.

 

   Sento no nas últimas cadeiras. — O coral é composto de doze pessoas, seis garotos e seis garotas. E dentre ele... Christopher.

 

— Por que eu estou aqui mesmo? — pergunto.

— Para ficar feliz. — ele diz animado.

 

   Christopher não é o líder do coral, e tão pouco tem seus momentos nos holofotes, ele fica na terceira fila e fica murmurando e se balançando. — Acho que ele nem canta.

   Depois de umas duas musicas começo a ficar entediado. — Eu já disse... Eu gosto de corais, mas não nesses momentos e não a essa hora da manhã.

 

— E você? — o professor olha para mim. — Canta, dança ou sapateia?

 

   Ele está brincando?

 

— Desculpa, mas eu não estou bem para cantar. — falo.

— Vamos. — Christopher diz. — Eu te ajudo.

— Desculpe, mas eu vi o que você pode fazer. — brinco.

— Eu não vou cantar. — ele diz pegando um violão.

 

   Que mal tem? — Vou para o centro da sala e Christopher e outro garoto vem comigo. A música escolhida foi “Billionaire”

 

— “I wanna be a billionaire so freaking bad, buy all of the things i never had”... — começo um pouco envergonhado. — “I wanna be on the cover of Forbes magazine, smilling next to Oprah and the Queen”.

— “Oh every time i close my eyes”. — o professor e o restante dos integrantes entram na musica. — “I see my name in shining lights, a different city every night oh i swear the world better prepare, for when i’m a billionaire”.

 

   O outro rapaz assumiu a segunda parte da música. — Essa sensação enquanto canto... Uma sensação de paz e liberdade.

 

— “I wanna be a billionaire so freaking bad!”. — encerro a musica.

 

   Sou aplaudido por todos. — Exceto por uma garota que está de braços cruzados murmurando algo como: “Até um estranho tem mais solos que eu.”.

 

— Essa foi uma bela audição. — o professor diz.

— Espera. — o interrompo. — Eu não estava fazendo uma audição... E... Eu não posso entrar para o coral.

— Qual o problema Max? — Christopher pergunta. — Você canta muito bem.

— Eu vou ser transferido. — conto. — Daqui a umas semanas eu já não vou estar mais aqui.

— É por isso que estava daquele jeito? — ele pergunta.

— Eu vou deixar uma pessoa para trás e isso está acabando comigo. — conto.

 

   Uma ideia... — Isso é estupidez Max.

 

— Espera... Vocês podem me ajudar em uma coisa.

 

   Dane-se a vergonha, dane-se tudo... Esse vai ser meu modo de dizer ao Jeff o quanto o amo, e o quanto admiro seu sacrifício por mim... E depois de me ouvir, eu terei certeza se estou fazendo a escolha certa em querer fugir com ele.

 

— Na apresentação de inverno. — falo. — Eu só quero alguns minutos, para poder dizer adeus a essa pessoa.

 

— Eu voto não. — a mesma garota que estava com os braços cruzados diz. — Ele nem faz parte do coral.

 

   O professor dá um sorriso e foca seu olhar em mim.

 

— É por uma boa causa. — ele diz.

— Eu agradeço. — digo animado.

(...)

   As horas vão passando e chega a hora do almoço. Encontro-me com Jeff, Lucy, Robert e Sarah, e nos sentamos juntos.

 

— Onde esteve o dia todo? — Lucy pergunta.

— Por ai. — desconverso.

— Por ai... — Jeff repete. — Seu linguajar está ficando vulgar. — ele sorri.

— E o seu mais sofisticado, acho que andou lendo aquele dicionário que te dei. — brinco

— Então... — Sarah diz. — O quem tem pra hoje?

— Eu não posso fazer nada. — Lucy diz. — Tenho uma sessão de fotos depois da aula.

— E você Jeff? — Robert pergunta. — Nenhuma sessão de fotos? Nada de comercial?

— Eu gravei um ontem. — ele conta.

— Gravou? — pergunto.

— Sim. — ele diz tomando o suco. — É de uma marca de perfume, eles me deram um monte, se quiser pode ficar com um.

— Isso é legal. — Sarah diz sorrindo. — Nossos amigos estão ficando famosos.

 

SMS – Jeff - “Nos encontramos as 18h00min no “nosso lugar especial””.

 

   Olho para ele e faço que sim com a cabeça. — Hoje é nosso aniversario de nove meses... E ele se lembrou.

 

— Que cara de bobo é essa, Max? — Lucy pergunta.

— Não é nada. — digo entre sorrisos.

(...)

   15h00min.

 

   Vou para o estacionamento e percebo um alvoroço. — Câmeras, repórteres... Paparazzi? — Lucy e Jeff são cercados assim que saem da escola.

 

— Boa sorte. — digo sorrindo entrando no carro.

 

   Acelero o carro, e meu primo surge de repente bem na frente.

 

— Está louco? — pergunto me debruçando na janela.

— Rola uma carona? — ele pergunta de forma natural.

 

   Às vezes eu não entendo como ele pode ser da minha família. Ele age como se fosse... Um garoto comum, de uma família comum. Veste-se como um punk adolescente, com o cabelo igual ao do Justin Bieber no inicio da carreira. — Parece não ter preocupações, e não parece ser forçado a fazer o que não quer.

 

— Valeu. — ele diz entrando no carro e sentando-se no banco do carona.

 

   Acelero o carro e me distancio consideravelmente da escola.

 

— Podemos parar em um lugar antes? — ele pergunta.

— Não. — falo. — De casa para escola, da escola para casa. Essas são as regras.

— Chato. — Patrick murmura abrindo a janela.

 

   Eu não consigo entender o porquê dele está fazendo tudo isso comigo. Ele quer me entregar para o meu pai mesmo prometendo que não o faria. — Quem é ele afinal? — Mas ele me ajudou não foi? Ele me protegeu hoje na escola. — É justamente o que mais me confunde nas pessoas. Uma hora elas são assustadoras e te tratam da pior forma possível, mas tem horas que elas chegam a você de uma maneira mais sutil e amigável.

 

— Obrigado por ter me defendido na quadra das piscinas. — agradeço.

— Não foi nada. — ele soa meio que incomodado.

— Por quê? — pergunto.

 

   Estaciono o carro em frente a uma lanchonete.

 

— Por que está fazendo isso comigo? — insisto. — Quer tanto me ver por baixo que...

— Não quero te ver por baixo. — ele me interrompe. — Olha só. — ele se vira para mim. — Você é meu primo, você é da família. Tá legal que mais parece um robô, ou uma estatua de cera ou porcelana ambulante, mas continua sendo da família. Ser criado em uma escola só para homens deve ter confundido a sua cabeça.

— Espera... Isso não tem nada a ver com a minha sexualidade. — afirmo. — Eu sempre fui assim.

— Não importa. — ele soa frio. — Ser gay em nossa família não é uma opção a se considerar.

— Isso é o que você e o meu pai quererem. — falo.

— Isso é o correto. — ele insiste. — Voltar para o colégio interno e se afastar do Jeff vai ser o melhor para você. Tem que admitir que esta saindo dos trilhos desde que começou a andar com aquela gentinha.

— Aquela “gentinha”. — repito de forma irônica. — São os meus amigos.

— Gente como a gente não precisa de amigos. — ele diz abrindo a porta do carro. — E sim de aliados. Max, diga adeus a Ohio, não importa o que esteja pensando em fazer, você vai voltar para a Califórnia.

 

   Ele desce me deixando sozinho. — Ele me irrita de uma forma que sinto a imensa vontade de acelerar e passar o carro por cima dele, e mais umas quarenta vezes só para ter certeza.

(...)

   Chego em casa e vejo que o carro do meu pai está aqui. — Ele não foi trabalhar?

 

— Max. — minha mãe me aborda quando entro em casa. — Precisamos conversar.

— Não quero falar sobre a volta para o colégio interno. — digo ignorando-a. — Eu vou para o meu quarto.

 

   Ela me segue até o quarto, e ao chegar me deparo com meu pai na porta dando ordens a Guadalupe.

 

— O que está acontecendo? — pergunto passando por ele.

 

   Vejo várias malas e caixas. — Só pode ser brincadeira. — Abro meu guarda-roupa e...

 

— São minhas coisas? — pergunto. — Em uma caixa?

— Maximilian...

— Maximilian nada. — grito enfurecido. — Está ansioso para eu ir embora que já está fazendo minhas malas.

— Max entenda os motivos do seu pai. — minha mãe age normalmente daquela forma que me irrita.

— Para de ser submissa a ele. — falo. — O que aconteceu no passado não importa, você é minha mãe. Vai me deixar ir assim?

— Não está ao meu alcance. — ela diz.

— Não está? Ou não quer... Eu sou tão desnecessário assim para vocês?

 

   Minha mãe corre até mim e me abraça. — Eu não entendo.

 

— O seu abraço está sendo retribuído com desprezo, Michelle. — meu pai diz. — Eu já lhe avisei diversas vezes que só estou fazendo isso para protegê-lo.

— Me proteger de quem? — pergunto. — Ainda é a história do sequestro?

— Sim, ainda é a história do sequestro. Eu percebi que por perto você não está em segurança.

— O que garante a você que lá eu vou estar? Você ao menos sabe o que acontecia comigo lá?

 

   Ele respira fundo e dá de costas.

 

— Sugiro que se despeça daqueles que insiste em chamar de amigos. — ele diz. — Você volta para o internato no dia doze.

— O que? — pergunto confuso. — Isso é semana que vem.

— Bem observado. — ele diz saindo.

 

   Sento em minha cama. — O que eu devo fazer? O que eu devo pensar? O que eu devo dizer?

 

— Max... — minha mãe suspira.

— Não diga nada. — meu peito dói. — Eu sinto raiva quando escuto a sua voz. — lágrimas caem de meus olhos. — Você é a minha mãe, ele é o meu pai, e os dois agem como se eu fosse um objeto, e agora que minha presença não é mais conveniente estão me devolvendo, para me tirar depois quando eu for necessário de novo. Minhas palavras já nem fazem sentido...

— Eu entendo. — ela sussurra. — Eu juro para você que eu tentei, de todas as formas, eu tentei persuadir o seu pai, mas ele está irredutível quanto a isso. Nada irá fazê-lo mudar de ideia.

— Ainda está aqui?  — pergunto de forma fria.

 

   Ela e Guadalupe saem do meu quarto, me deixando sozinho no meio de toda essa bagunça.  

 

— Eu não vou voltar. — afirmo a mim mesmo.

 

   Chega uma hora na vida em que temos que deixar de acreditar em contos de fada, e aprender a enxergar o verdadeiro mundo que nos cerca. — Em meu caso, um mundo cheio de rancor, medo, preconceito... — Chegou a hora de eu enfrentar meus medos, de aprender a dizer adeus. — Eu amo meus pais, mesmo sendo tratado da forma que sou... Eu os amo, e é o que torna o que estou prestes a fazer o mais difícil.

 

— Não posso pegar muita coisa. — digo.

 

   Esvazio minha mochila, e coloco meu notebook e aparatos digitais nela. Arrumo duas malas de roupa.

   Escrevo em um simples pedaço de papel: “Desculpa, mas não posso ir.”. — Coloco a mochila e pego as duas malas. Chego à porta e encontro dois envelopes com meu nome.

 

— Isso pode esperar. — digo guardando os envelopes dentro de uma das malas.

 

   Desço as escadas cautelosamente. — Acho que meus pais estão no escritório. Não vejo Juan nem Guadalupe. — Apenas saio de casa, coloco minhas coisas no porta-malas e acelero sem olhar para trás.

 

— O que você está fazendo Maximilian? Ainda dá tempo de voltar. — digo a mim mesmo. — Não... Não posso voltar, não posso mais viver sem meus amigos, não consigo mais viver sem a presença do Jeff.

(...)

   Dirijo apressado, até finalmente chegar ao bairro onde Jeff mora, e assim que avisto sua casa tenho uma surpresa. — Aquela é... Sim... Jéssica Johnson. O que está acontecendo lá? — Vejo varias malas, a limusine está com as portas abertas, Jenny e Jeff estão ao lado de Yan.

 

— Vamos não temos o dia todo. — Jéssica diz.

— Não pode fazer isso. — Yan a repreende. — São os meus filhos.

— Talvez a gente possa resolver isso de outra forma. — Jenny diz parecendo mais adulta que os dois. — Podemos fazer isso sem brigas.

— Jenny, essa mulher nos abandonou. — Jeff diz irritado. — Me desculpa, mas se você for com ela vai ter que aprender a viver sem mim.

— Desculpa. — ela sussurra. — Mas você mais do que ninguém sabe o que  isso significa pra mim.

— E é por isso que não estou no seu caminho, apenas não farei parte dessa sua nova história. — ele diz friamente. — Eu te amo, e você sempre será a minha pequena e eu vou entender se for com ela.

— Desculpa Jeff. — ela corre e o abraça. — Me desculpa pai. — ela abraça Yan.

— Está tudo bem. — ele diz sorrindo. — Ainda vamos nos ver.

 

   Jenny entra na limusine.

 

— Isso ainda não acabou. — Jeff diz. — Você não venceu Jéssica, ainda não.

 

   Jéssica entra na limusine. O motorista coloca as malas no porta-malas. O veiculo acelera.

 

— Jeff. — murmuro

 

Sms – Jeff: “Onde está? Preciso de você.”.

Sms – Resposta: “Estou aqui. E eu também preciso de você.”.

 

   Não demora muito e Jeff desce novamente. Desço do carro e vou ao seu encontro.

 

— Ela levou a Jenny. — ele diz com os olhos lacrimejantes.

— Eu vi. — digo desconfortável.

 

   Ele me convida para entrar. — Acho que Yan foi para a oficina. — Vamos para o seu quarto, onde Jeff me conta direito o que aconteceu.

 

— Mas... Esqueça isso por um segundo. — ele diz. — Você estava aqui. — ele observa. — Aconteceu alguma coisa?

— Aconteceu. — confirmo levantando.

— Você ainda está usando o uniforme.

 

   Respiro fundo e crio coragem.

 

— Jeff... Eu fugi de casa. — conto. — Eles adiantaram minha volta e não vi alternativa. Eu não posso voltar.

— Max... — ele me abraça. — Nós temos que sumir ir para bem longe. — ele corre para o armário.

— Mas... Seu pai, sua irmã...

— Você. — ele me interrompe. — Jenny... Jenny é minha irmã adorada, mas você... Eu preciso de você para me sentir vivo.

 

   Meu coração enche-se de alegria ao ouvir isso. Certamente eu serei feliz com ele, não importa para onde formos. O lugar onde Jeff Johnson está é o lugar onde eu quero estar.

   Ver o Jeff ansioso, apressado arrumando suas coisas só me faz perceber o quão egoísta estou sendo. — Estou praticamente o obrigando a desistir de tudo por mim. E ele cordialmente o faz, como se para ele eu fosse... Um alguém importante.

 

— Isso não está certo. — murmuro. — Eu não posso fazer isso.

— O que? — ele para o que está fazendo. — Como assim?

— Não posso. — levanto da cama. — Jeff, você tem uma vida, tem amigos... Sua irmã, seu pai. Não posso pedir que abra mão de tudo isso por minha causa.

 

   Eu não sei o que Jeff realmente pensa sobre nós dois, não sei dizer se o que ele sente por mim é só uma chama que logo se apagará, ou uma grande fogueira cujos gravetos são jogados para o fogo nunca se apagar. — Ele está fazendo isso por mim.

 

— Não quero que desista da sua vida por mim. — digo em sussurros.

— Você é um completo idiota. — ele diz com seriedade.

 

   Suas mãos estão tremulas. — Ele está nervoso ou ansioso. — Suas bochechas estão rosadas, e em seus olhos vejo o brilho refletido da luz da lâmpada.

 

— Quando eu entrei nessa com você eu não sabia direito o que estava fazendo. — ele caminha até a janela. — Eu tinha medo de admitir que tinha sentimentos e desejos por você, mas então eu percebi que lutar contra isso era ainda mais difícil do que ficar perto de você sem poder tocá-lo. — Jeff respira fundo e volta a arrumar a mala. — É por isso que eu sinto que fazendo isso estarei fazendo a coisa certa, e não ache que estou fazendo isso só por você. Estou fazendo por mim também.

 

   Suas palavras me confortam. — Mas e essa sensação estranha de que não estou fazendo a coisa certa?

 

— O que a gente vai fazer? Para onde vamos? — pergunto.

— Não sei. — ele diz com um sorriso brilhante no rosto. — Vamos para longe, sumir do alcance do seu pai.

 

   Jeff e eu nos abraçamos. Um abraço recheado de amor e companheirismo. — Quando ele me toca é como se o chão se transformasse em nuvens. Quando sinto seu cheiro, é como se eu estivesse deitado em um campo florido... E quando nos beijamos eu simplesmente perco os sentidos, e tudo que consigo pensar e imaginar é que não conseguiria mais respirar sem a presença dele.

 

— Ouviu isso? — ele pergunta.

 

   Sons de carro estacionando chama nossa atenção. — Meu coração está batendo forte.

 

— Onde ele está?

 

   Não pode ser... É a voz do meu pai.

 

— Max... Fique aqui, eu resolvo isso. — Jeff diz saindo do quarto.

 

   Está acabado não está? Eu simplesmente não posso seguir adiante com isso. Eu... O que eu devo fazer?

 

— Por que eu tenho que ser tão fraco? — pergunto chorando a mim mesmo.

 

   Eu não posso deixar o Jeff sozinho. — Chegou a hora de crescer Maximilian, chegou a hora de enfrentar os seus medos.

 

— Eu posso fazer isso. — imponho a mim mesmo.

 

   Respiro fundo e caminho até a porta. — Por que hesito? Minhas mãos estão tremendo.

 

— Seja você. — sussurro. — O dono de suas próprias decisões.

 

   Abro a porta e desço até a sala.

 

   Meu pai está parado na porta, Yan e Jeff estão berrando com ele. — Eu... Tenho que fazer isso.

 

— Maximilian! — meu pai grita em me ver.

— Max. — Jeff diz confuso.

— O que ele faz aqui? — Yan pergunta confuso.

 

   Meu pai entra na casa e me puxa pelo braço. — Como se não bastasse toda essa vergonha, Jéssica Johnson me reaparece.

 

— Ótimo. — ela diz. — O circo está armado.

— O que está fazendo aqui? — Jeff pergunta. — Onde está a Jenny?

— Não se preocupe com ela querido. — ela diz. — Eu vi o carro do Miller Junior quando estávamos saindo e avisei ao Paul.

— Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? — Yan grita.

 

   Jéssica tira um envelope da bolsa e entrega para o pai de Jeff.

 

— Não pai, por favor, não abra isso. — Jeff implora.

— O que estão fazendo? — Paul questiona irritado. — Maximilian, vamos embora.

— Pai. — grito me libertando de suas mãos. — Não vou a lugar nenhum.

 

   Jéssica senta-se no sofá de Yan e abre um sorriso debochado, como se estivesse assistindo a um espetáculo. — O que está acontecendo aqui? Perdi completamente o controle da situação. — Yan abre o envelope, e sua expressão muda de repente. — Aquele envelope... Não me diga que é o mesmo que Lucy e Jeff estavam falando aquele dia.

 

— Mas que porra é essa? — Yan pergunta aos berros jogando as fotos na cara de Jeff.

— P-Pai... Eu posso explicar. — Jeff gagueja assustado.

— Mas que... — meu pai fica pálido ao notar o conteúdo do envelope.

 

   Ele pega uma das fotos e olha para mim com a maior cara de reprovação que um pai pode ter por um filho.

 

— Alguém pode me explicar que tipo de brincadeira é essa. — ele diz com a mão no peito como se estivesse sentindo dor.

— Ficarei realmente muito feliz em fazer as honras. — Jéssica se levanta.

— Cala a boca. — Jeff grita enfurecido. — Isso é tudo sua...

 

   Yan agarra Jeff pelo braço e o empurra para perto de mim.

 

— Você fica calado. — ele aponta para Jeff. — Jéssica, se isso for mais uma de suas gracinhas eu juro que mato você.

— Acha mesmo que eu brincaria com isso? — ela pergunta. — Acha que estou contente em ter um filho que sai por ai se agarrando com outros homens. — Jéssica recolhe as fotos do chão. — Esses dois estão tendo um caso há bastante tempo. Surpresa!

 

   Não, não, não... Não foi isso que eu queria, não era para ser assim.

 

— Pai. — murmuro em lagrimas.

— Engole o choro Maximilian. — ele berra.

— E então pais do ano... O que vão fazer? — ela pergunta.

— Nada. — falo.

 

   Sim... Não importa como isso tenha acabado, mas não posso deixar essa mulher moldar minha vida como quer. Não me importa a reprovação do meu pai ou do pai do Jeff.

 

— Isso não desrespeita a nenhum de vocês. — falo. — Isso é entre o Jeff e eu.

— Nós nos gostamos e não vemos problemas nisso. — ele segura minha mão.

 

   Não importa a situação, quando estou junto a ele eu me sinto protegido.

 

— Você vem comigo. — Paul me puxa pelo braço.

— Pai. — grito. — Eu não vou a lugar nenhum. Não vou voltar.

— Se preciso for nós vamos para bem longe. — Jeff diz.

— Não vai pra lugar nenhum seu idiota. — Yan grita. — Vai é tomar uma boa de uma surra.

— Chega. — Jéssica acaba com a gritaria. — Eu achei que as coisas ficariam assim. — ela tira mais dois envelopes da bolsa.

— São os envelopes que estavam na minha mala. — noto. — Mexeu no meu carro?

— Seja como for. — ela diz. — Paul, solte o menino, eu tenho certeza que ele irá voltar quando vir o conteúdo desses envelopes.

 

   Meu pai me solta. — O que ela está tramando?

 

— Max. — Jeff grita. — Por favor, não faça isso. — ele implora com lagrimas saindo de seus olhos.

 

   O conteúdo desses envelopes envolve o Jeff? — Mas por que ele está tão assustado?

 

— Você sempre quis respostas. — Jéssica diz. — Aqui estão as únicas de que precisa.

 

   Abro o primeiro envelope. — Lucy Evans. Está escrito o nome da Lucy.

 

— Lucy? — pergunto confuso.

— Que brincadeira é essa? — Paul pergunta.

— Apenas leia. — Jéssica diz.

 

   Lagrimas caem de meus olhos a cada palavra lida. — Não entendo...

 

— O que é isso? — pergunto assustado.

— Max, para, por favor. — ele insiste.

 

   Jéssica me entrega o segundo envelope, e nele tem o nome do Jeff. — Por que eu sinto que se abrir esse envelope tudo vai mudar? Meu modo de vê-lo... Tudo.

 

— Isso é algum tipo de brincadeira? — pergunto confuso.

— Não seja idiota. — Jéssica diz. — Jeff e Lucy fazem parte da Gangue dos Trilhos, a mesma gangue que o sequestrou.

— O que? — Paul e Yan perguntam ao mesmo tempo.

— Jeff só se aproximou de você por interesse. — ela grita.

— Mentira. — grito. — Conte a eles Jeff... — vou até ele. — Diga a eles.

 

   O silencio de Jeff faz meu peito doer.

 

— É verdade? — pergunto.

— Max. — ele sussurra. — Quando tudo começou era só uma missão, eu só tinha que me tornar seu amigo para...

— Não. — o interrompo. — Você... Você me ama.

— Não seja ridículo. — Paul diz.

— É claro que eu amo. — ele diz ofegante.

— Jeff planejou a invasão na mansão Miller, Jeff planejou o seu sequestro... Jeff só lhe usou. — Jéssica murmura como um diabinho sussurrante.

 

   De repente as imagens de Jeff surgem em minha mente. Nosso primeiro encontro, nosso primeiro beijo, nossa primeira noite... — Ele não faria isso comigo. — As imagens de repente quebram-se como vidros, e seu rosto começam a afundar em um mar escuro.

 

— Apenas... Apenas desminta isso e estará tudo bem. — digo sorrindo. — Diga alguma coisa. — grito.

— É verdade. — ele responde chorando. — Max é tudo verdade, mas eu o amo de verdade.

 

   Caio de joelhos em sua frente. — Perco completamente o controle do meu corpo. — Ele me traiu, ele me enganou... Esse tempo todo eu fui um fantoche em suas mãos.

 

— Eu te amo. — Jeff se ajoelha junto a mim.

— Você mentiu pra mim. — digo. — O que eu fiz a você para me tratar dessa forma?

— Eu estava tentando te proteger.

— Me proteger? — fico confuso. — Me proteger de quem? Se quem estava me causando mal era você.

— Não. — ele grita. — Eu tentei de verdade acabar com tudo isso, tentei de todas as formas impedir que a invasão acontecesse, por isso a Lucy e o Robert acabaram envolvidos nisso tudo. — ele diz.

— Lucy e Robert... — repito. — Todos mentiram para mim. — grito. — Fui engado esse tempo todo... E todos vocês fingindo se importar comigo.

— Eu estava tentando te proteger. — ele insiste.

— Mas eu não preciso que me proteja. — grito. — Você é um mentiroso, você mentiu... É um mentiroso. — caio em lagrimas. — Eu passei a vida inteira fugindo de pessoas como você, e acabei me apaixonando pela pior delas.

— Não diga isso.

— Tudo o que tivemos foi uma grande mentira. — grito.

— Não. — ele segura meu rosto. — Tudo foi real, foi verdadeiro foi intenso. Eu te amei e sei que você me amou... Max nós nos amamos, e o que aconteceu tem que ficar no passado.

 

   Como isso é possível? Minutos atrás eu estava perdidamente apaixonado, e agora estou completamente sozinho no escuro novamente. A sensação de segurança perto dele torna-se insegurança. Meu amor se torna medo. Minha admiração se torna irá.

   Ele simplesmente me beija na frente dos três.

 

— Você me deu vida quando me beijou pela primeira vez. — digo em sussurros. — E você acaba de me tirar ela nesse último beijo.

— Max... Não faz isso com a gente. — ele implora.

 

   Levanto e caminho até Jéssica.

 

— Satisfeita? — pergunto.

— Max, eu não vou deixar você sair assim. — Jeff grita.

— E vai fazer o que? — pergunto. — Na verdade não me admiraria se tentasse me sequestrar novamente.

— Está sendo irracional. — ele diz.

— Jeff... — respiro fundo. — Cada parte de mim anseia por você, cada suspiro e pensamento meu leva seu nome.

— Eu te amo.

— Eu também te amo. — admito. — E é justamente por te amar demais que fui cego em relação a você todo esse tempo.

 

   Meu pai passa por mim.

 

— Max, não faz isso. — ele insiste.

— Você conseguiu destruir a única coisa boa que tinha na minha vida, que era amar você. — digo em lagrimas. — Adeus Jeff.

 

   Saio correndo de sua casa. Meu pai me aguarda em frente ao carro dele. — O que vai acontecer agora? O que vai ser de mim sem ele? Talvez eu devesse voltar lá e simplesmente ignorar isso tudo. Mas eu não consigo. O sentimento que tenho ou tinha por ele está corrompido por uma grande rede de mentiras criada por ele.

 

— Entre no carro Maximilian. — ele diz friamente.

— Pai...

— Entre no carro Maximilian. — ele repete ainda mais gélido.

 

   Entro em seu carro.

   Durante todo o caminho nenhuma palavra foi trocada, e mesmo se ele tivesse dito alguma coisa certamente não responderia. — Minha mente está mais focada do que nunca no nome de Jeff. Eu não consigo esquecer as coisas escritas naquele papel. Ele admitiu ter feito tudo aquilo.


Notas Finais


Eu fiquei um pouco tenso enquanto escrevia essa parte, mas mesmo não querendo era algo que uma hora outro inevitavelmente acabaria acontecendo então...

Logo logo venho com a parte final!


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