História The Clash - The Love, The Pain and The Illusion - Capítulo 32


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Revelaçoes, Romance, Sexualidade
Exibições 32
Palavras 4.684
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Agora sim, essa é a parte dois do último capitulo. Eu espero que tenham gostado até aqui, e prometo que a segunda temporada será melhor, então não desistam de mim... kkkkkkkkkk

Essa última parte é continuação direta do capitulo anterior:

Narração do Maximilian

Capítulo 32 - Porque Tudo em Mim Ama Tudo em Você! Part.2


Assim que chegamos em casa, meu pai me deu um tapa no rosto na frente de todos. Não só uma vez, seus movimentos agressivos continuaram e eu nada fiz para impedi-lo, apenas recebi suas agressões. — Talvez a surra esteja vinda como punição a mim mesmo. — Minha mãe, Guadalupe, Juan e até mesmo Patrick, observam sem poder fazer nada.

 

— Se sente melhor? — pergunto. — Posso ir para o meu quarto?

 

   Ele nada responde. Me levanto e caminho até a escada.

 

— O que aconteceu? — minha mãe pergunta assustada. — Qual o motivo disso?

— Responda a sua mãe. — meu pai grita.

— Jeff e eu estávamos tento um caso. — conto. — Mas então descobrimos que foi ele quem armou aquele meu sequestro, foi ele o causador de todo o sofrimento que passamos esse ano.

— Max...

— Eu não vou mais questionar as decisões do Sr. Miller. — digo. — Faça o que quiser, não questionarei suas decisões.

 

   Chego a meu quarto e me jogo na cama. — Grito como nunca gritei antes, choro como nunca chorei antes.

 

— Como ele pode fazer isso comigo? — pergunto. — O que eu significo para ele afinal?

 

   Eu quero parar de pensar. Quero parar de gostar dele. — Mas não é assim que as coisas funcionam. — Eu me apaixonei de maneira rápida e intensa que não sei dizer ao certo o momento em que me senti atraído por ele. Mas não posso simplesmente deixar de amá-lo, não posso simplesmente fingir que nada aconteceu entre nós dois. — Aconteceu... E foram os melhores momentos da minha vida, sendo mentira ou não... Foram os momentos em que me senti vivo. — Então por que não consigo esquecer as mentiras e fugir com ele? Por que agora quando penso nele me lembro apenas dos momentos de pânico durante o sequestro?

 

— Max. — minha mãe bate na porta.

 

   Eu não quero ver ninguém, eu não quero ouvir ninguém.

 

— Max, por favor, eu sei que nos desentendemos, mas eu sou a sua mãe. — ela insiste. — Por favor, me deixe conversar com você.

 

   Eu estou envergonhado. — Mas por que razão? — Não tenho coragem de abrir a porta e dizer a ela... Dizer que meu corpo dói quando penso nele, dizer que me sinto um bobo por ter me entregue a ele daquela forma. — Eu fui um idiota.

 

— Primo? — Patrick chama. — Olha... Eu sei que fiz muita coisa errada, mas eu não quero que fique assim.

 

   E como ele quer que eu fique? Ele ajudou a destruir a minha vida.

 

   Sms – Jeff - “Só te peço uma chance. Eu quero que me escute, ouça minha versão de tudo. Tudo o que tivemos os momentos que estivemos juntos, foi tudo verdadeiro para mim.”.

 

   Por que ainda insisto em ler suas mensagens?

 

Sms – Jeff – “Por favor. Para de me ignorar. Nós precisamos conversar.”.

(...)

   E isso se estendeu nos dois dias que se passaram. Suas incansáveis mensagens, ligações... Às vezes eu até atendia só para ouvir sua voz, mas ouvir sua voz faz meu peito doer. — Por que eu não consigo simplesmente esquecê-lo? — Não sai do quarto nesses dois dias...

 

   A manhã da segunda-feira, dia oito de dezembro, veio realmente fria. A neve cai forte do lado de fora.

 

— Max? — sua voz faz meu coração acelerar. — É a Sarah. — ela diz. — Não conseguimos falar com você esse final de semana, e as aulas foras canceladas por causa da neve.

 

   Aqueles papéis não mencionaram o nome da Sarah. — Mas...

 

— Eu sei o que aconteceu entre você e o Jeff. — ela insiste.

 

   Levanto da cama e vou até a porta.

 

— Eu não vou sair daqui até abrir a...

 

   Abro a porta e a vejo. Seus longos cabelos cor de mel estão soltos, está usando uma boina branca que combina com seu sobretudo e botas também brancas.

 

— Eu sinto muito. — ela diz me abraçando.

 

   Ela entra em meu quarto e fica olhando confusa. — Não é de se admirar, da última vez em que esteve aqui estava tudo arrumado, agora minhas coisas estão em caixas, e eu estou parecendo que fui atropelado por uma moto.

 

— Vou te fazer uma pergunta e quero que seja sincera comigo. — falo me sentando na cama. — Você também sabia sobre o sequestro?

 

   Eu não entendo bem as pessoas, mas uma coisa que aprendi sobre elas é que seu silêncio revela aquilo que não quer ser dito.

 

— Desculpa. — ela diz em sussurros. — Mas não pode me culpar. Praticamente deduzimos isso junto. Lembra? Quando fomos até a empresa, desconfiados do Jeff?

 

   É verdade... Espera... Acho que na verdade eu sempre soube que o Jeff estava me escondendo alguma coisa. — Eu fui um completo idiota. — Aquela mulher ruiva que me sequestrou estava na casa do Jeff...

 

— Eu não sei o que fazer. — digo em lagrimas. — Não sei o que pensar.

— Max...

— Eu dediquei meus últimos meses a ele, eu arrisquei tudo por ele. — digo em soluços. — Eu não entendo.

 

   Sarah me abraça, e seu abraço me faz lembrar o dia em que a conheci.

 

— Eu não sei o que dizer. — ela diz em sussurros. — Não passei pelas mesmas coisas que você, mas eu sei o que é amar alguém e desejar não amar.

— Isso vai passar? — pergunto.

— Não. — ela responde. — Mas vai te deixar mais forte, pois a gente só aprende quando vive, quando caímos e nos machucamos aprendemos a nos levantar e tentar de novo.

— Não entendi. — digo confuso. — Está dizendo que eu terminar com o Jeff foi um aprendizado e que eu devo tentar com ele novamente?

— Não distorça minhas palavras. — ela sorri.

 

   Ela se levanta e caminha pelo labirinto de caixas até chegar à janela.

 

— Todos estão perguntando por você. — ela diz limpando o vidro embaçado. — Mesmo não sabendo o que aconteceu, Liam, Louise e até mesmo o Jacob estão preocupados.

— Isso logo vai acabar. — digo. — Daqui a alguns dias eu já não estarei mais aqui.

— E você está bem com isso? — ela pergunta.

 

   Obvio que não estou bem, obvio que eu não quero voltar, mas agora eu não tenho escolha, não tenho algo me prenda a esse lugar. — Jeff... Ele acabou tudo, ele desgraçou a minha vida.

 

— Eu prometo que vou escrever. — falo. — Quem sabe um dia eu volte para Ohio.

— Isso não pode acabar assim. — ela parece que vai chorar. — Nós passamos por tantas coisas... Eu não quero me intrometer mais nisso, mas... Max, você deveria ouvir o Jeff... Ou pelo menos conversar com ele.

 

   Eu não posso... Não posso ouvir sua voz, não posso ver o seu rosto. Eu tenho certeza que quando vê-lo novamente meu coração irá disparar, minhas mãos irão tremer... E cada palavra dita será como ouvir uma melodia suave. — Mas eu não posso mais me enganar com ele. Jeff me persuadiu uma vez, me fez acreditar em sua mascara de bom moço, e eu deixei ele me usar e me moldar, apenas para ter a certeza que ele era feliz ao meu lado. Eu não posso mais... Amar significa não mentir, ele mentiu... Ele apostou a minha vida como se eu não fosse nada.

 

— Desculpe. — digo caminhando até a porta. — Mas acho que eu quero ficar um pouco sozinho.

 

   Sarah não reclama, nem mesmo diz uma palavra. Ela apenas me abraça e se vai.

 

— Eu sou um idiota. — sussurro.

 

“Você é o meu idiota”

 

   Ouço sua voz em minha cabeça. — Eu quero esquecer.

 

   Essa noite eu tive um sonho. Sonhei que estava em um parque de diversões, e todos estavam lá. Sarah, Lucy, Robert a irmã do Robert, Liam, Louise, Jacob, meus pais, os pais da Lucy, Yan e Jenny... E claro que ele estava lá. Eu não me lembro muito, mas estávamos todos felizes, e eu segurava as mãos do Jeff com tamanha paixão que meu corpo me impedia de me separar dele... Mas, envelopes começaram a cair do céu e todos pegavam e abriam de repente me vi no centro de um circulo de pessoas... — O que querem de mim?

 

   Acordo assustado.

 

— Já é noite? — pergunto a mim mesmo olhando pela janela.

 

   Levanto da cama e finalmente saio do quarto depois de quatro dias trancado.

 

— Achei que sairia alguma hora. — Patrick diz me assustando.

 

   Ele esta sentado bem no inicio da escada. Descemos juntos e vamos para a cozinha.

 

— O que quer? — pergunto. — Esfregar na minha cara que conseguiu o que queria?

— Não seja idiota. — ele resmunga. — Eu não imaginava que você ia ficar desse jeito. Olha para você, ainda está usando o uniforme da escola.

— Como queria que eu estivesse? — pergunto alterando o tom de voz. — Você, a Jéssica e ele, conseguiram destruir tudo que era importante pra mim.

 

   Não vejo nenhum olhar de remorso, pelo contrario, ele parece realmente satisfeito com o resultado de tudo isso.

 

— Por favor. — peço. — Você já conseguiu o que queria, eu vou voltar para o colégio interno nessa sexta-feira. Me deixe sozinho.

— Você é um garoto estranho Maximilian...

 

   Fico quase que a madruga inteira sozinho na cozinha. Em certos momentos vaguei pela mansão como um fantasma. — Eu não posso viver assim, não é isso que eu quero. Eu sempre fui forte, sempre tive opinião... Eu... Sinto a falta de todo mundo.

(...)

   A terça-feira feira chegou um pouco mais calorosa. Tomo um banho e visto roupas limpas.

 

— Eu quero ouvir a verdade da boca deles. — digo a mim mesmo.

 

   Visto um sobretudo preto, luvas pretas e uma toca também preta e desço as escadas.

 

— Max. — minha mãe me abraça assim que vê. — Meu filho, por favor.

— Não se preocupe comigo. — respondo friamente. — Estou bem.

— Aonde pensa que vai? — só então noto meu pai sentado no sofá.

— Não se preocupe. — digo me livrando do abraço. — Eu não vou procura-lo.

 

   A neve ainda está caindo forte do lado de fora. — Eu deveria ter vestido mais um casaco. — Atravesso a rua e caminho em direção à mansão dos Evans. — Não sei o que eu espero encontrar com isso, mas eu sinto que devo ouvir a Lucy, deixar ela se explicar.

 

— Max. — Suzy me recepciona melancolicamente. — Eu sinto muito sobre tudo.

— Não se preocupe. — digo. — Eu vim falar com a Lucy.

— É claro. — ela sussurra. — Lucy! — seu berro faz meu tímpano doer. — O Max está aqui.

 

   Lucy desce correndo as escadas. Seus cabelos dourados e brilhantes estão soltos, ela está usando uma calça branca e um moletom marrom.

 

— Vem comigo. — ela me puxa pelo braço.

 

   Atravessamos toda sua casa e acabamos chegando ao jardim dos fundos, onde Suzy têm uma bela estufa de diversas flores. Entramos na estufa e ela finalmente solta minha mão.

 

— Eu não vou te pedir desculpas. — ela diz de costas para mim.

 

   As paredes, o teto... É tudo feito de vidro, a neve caindo da à sensação de estar tentando te alcançar. Mas aqui dentro é quente, é colorido... Seguro.

 

— Você também mentiu para mim esse tempo todo...

— Menti. — ela admite. — Mas eu sou a única que posso dizer de boca cheia que fiz tudo para te proteger.

— Por que vocês insistem que eu devo ser protegido? — reclamo. — Eu não sou uma criança.

— Claro que não é. — ela concorda. — Mas você é ingênuo, Max. Você não vê a maldade nas pessoas.

 

   Ela finalmente olha para mim. — Lucy... Lucy está chorando.

 

— Eu descobri sobre o Jeff por acaso. — ela conta. — Lembra quando eu fui sequestrada da primeira vez? Eles iriam me matar, eu fui forçada a dizer que os ajudaria para sobreviver.

— Não está mentindo está?

— Eles fizeram coisas comigo. — ela chora. — Eles me bateram, me chamavam de princesa, me faziam de ridícula na frente de um monte de gente, mas eu tinha que suportar. Se eu não tivesse feito isso você estaria morto. — ela grita. — No dia em que eu fui sequestrada pela segunda vez eu estava tentando te salvar novamente... O Robert se meteu e acabou levando um tiro, por mim.

 

   Esse tempo todo, a Lucy estava se sacrificando por mim? Todas as vezes que ela sumia ou aparecia machucada... Era por mim?

 

— Eu fiz muita coisa errada, eu sei. Eu me envolvi com pessoas erradas... Mas você não pode me virar às costas e me acusar de te trair, de te enganar...

— Lucy... — eu a abraço.

 

   Eu não entendo. Como eu já disse antes, as pessoas me deixam confuso, e nesse momento estou mais do que confuso. — Lucy e Jeff se igualam nesse sentido? Ambos fizeram isso por mim? Não... É diferente... Lucy foi forçada a fazer o que fez já Jeff teve uma escolha, e sua escolha foi me usar como ponte para algo maior.

 

— Desculpa. — sussurro ainda a abraçando. — Eu estou confuso... Eu não sei em quem confiar, não sei o que fazer.

— Eu vou dizer o que provavelmente a insuportável já deve ter te dito. — ela diz referindo-se a Sarah. — Eu não vou defender o Jeff, pois eu sei da besteira que ele fez, mas eu também sei que ele tentou reverter tudo o que fez de errado.

— Lucy eu não quero ouvir as desculpas dele, não quero ser enganado.

— Então não ouça. — ela diz. — Sinta a verdade.

— E como eu faço isso? — pergunto confuso. — Meu coração dói quando pronuncio o nome dele, meus pensamentos ficam confusos, meus sentimentos embaralhados.

— Faça o que você sempre faz quando está triste. — ela diz sorrindo.

— Tocar piano? — pergunto confuso. — Como isso vai me ajudar a entender o Jeff?

— Não sei. — ela diz. — Mas quando você toca, qualquer pessoa pode sentir a verdadeira, a emoção de cada nota... Cante algo que o represente, assim como representa você para ele.

 

   Cantar... — Eu não quero ver o Jeff... Mas eu quero entender o que está acontecendo, quero odiá-lo, mas não consigo deixar de amá-lo. — O festival de inverno! O clube do coral.

 

— Eu tenho uma ideia. — digo. — Antes de eu voltar para o internato... Eu vou para escola para uma despedida formal. E lá, eu pretendo esclarecer meus sentimentos confusos pelo Jeff.

 

   Está decidido, o dia da minha partida será o dia em que descobrirei se os sentimentos dele por mim são verdadeiros. — Estou com medo, mas não posso desistir, não posso ir embora sem saber o que estou deixando para trás.

(...)

   Os dias se passam e finalmente chega o dia. O dia da minha partida, o dia do meu retorno ao colégio interno.

 

— Por que está usando o uniforme? — Patrick pergunta.

— Eu vou à escola hoje. — digo. — É meu último dia em Ohio, eu quero me despedir dos meus amigos.

— Isso é patético. — meu pai diz. — É apenas uma desculpa para ver aquele delinquente.

— Se eu quisesse vê-lo já o teria feito. — o enfrento. — Mas não se preocupe, não importa o que aconteça hoje, eu vou manter minha palavra.

(...)

   O caminho para escola nunca demorou tanto. — Claro que estou falando em um sentido figurado, pois estou pegando o mesmo caminho. — Mas... Minha mente está tão cheia de coisas, pensamentos, que a cada curva que o carro dá parece que a escola está se afastando cada vez mais.

 

— Eu sinto muito Sr. Miller. — o motorista diz.

— Não sinta. — falo. — É vergonhoso que todos sintam pena de mim.

— Eu não sei o que aconteceu com o senhor, mas aproveite o dia de hoje como se fosse o último da sua vida. Sorria, brinque, faça suas escolhas...

 

   Finalmente chego à escola. A paisagem me lembra do meu primeiro dia aqui.

 

— Miller. — sou abordado por Bill, o zelador, na entrada da escola.

— Me assustou. — digo sorrindo.

— Fiquei sabendo que é o seu último dia.

— Por favor. — peço. — Sem essa de sentir pena de mim.

— Não estou sentindo pena de você. — ele diz. — Para falar a verdade eu sempre achei que esse lugar só te fazia mal.

 

   As palavras de Bill no fundo tem certa certeza, mas ele está errado... Essa escola me fez muito mal sim, mas me fez mais bem do que mal. — Caminho pelos corredores lotados. — É engraçado, ninguém está falando de mim. Certamente ninguém se importa.

 

— Max. — Louise grita.

 

   Louise, Jacob e Liam me param no corredor dos armários.

 

— O que aconteceu com você? — Jacob pergunta.

— É muita cara pau sua me perguntar isso. — falo.

— Então é hoje? — Liam pergunta.

— É...

 

   Ele estende a mão para mim. — Meu coração está batendo forte, eu quero chorar.

 

— Desculpa por eu ter agido como um babaca esses últimos meses. — ele diz apertando minha mão. — Foi realmente muito legal ter conhecido você.

— Eu que devo desculpas. — digo. — Fui idiota em pensar que saindo do clube ia mudar em alguma coisa na decisão do meu pai.

— Você veio. — Christopher aparece correndo. — Vem.

 

   Sou arrastado pelo corredor até o auditório. Todas as cadeiras estão vazias, mas o palco está lotado com os integrantes do coral.

 

— Você não desistiu não é? — ele pergunta.

— Certamente que não. — respondo.

(...)

   As horas vão passando. Não assisti a nenhuma aula, apenas vaguei pelo colégio, me despedi da treinadora Holly e do treinador Alec. E por fim voltei ao auditório.

 

   O show de inverno começa, Christopher e o coral cantam, dançam...

 

— Max. — Robert me abraça.

 

   Okay! Quase tive um infarto agora.

 

— Não acredito que você vai mesmo embora. — ele diz quase chorando.

— Vamos... Não seja molenga. — Lucy diz sorrindo.

— Vocês vão se apresentar? — pergunto.

— Sim. — os dois respondem juntos.

 

   Os dois sobem ao palco, e diferente da palhaçada que apresentaram no show de abertura das aulas, dessa vez fizeram algo bonito. Com falas bem criadas, uma historia de amor.

 

— Está quase na hora. — Christopher e Sarah se aproximam.

— Estou nervoso. — confesso.

— Não fique. — Sarah diz. — Vai dar tudo certo.

— Vai sim. — Christopher me faz um sinal de positivo com as mãos.

 

   A apresentação do clube de teatro finalmente se encerra, e oficialmente o festival de inverno também. Mas o diretor sobe ao palco e me anuncia. — É agora ou nunca.

 

 — Me faça sentir sua verdade. — sussurro.

 

   O palco de repente fica escuro. Uma única luz ilumina o piano no centro do palco, me sento e vejo toda aquela multidão. — Onde ele está? — Vejo Robert, Liam, Jacob, Louise, Sarah, Lucy, Christopher... Todos... — Onde ele está?

 

   Começo a tocar...

 

— “What would i do without your smart mouth, drawing me in and you kicking me out, got my head spinning, no kidding, i can’t pin you down...”.

 

   A música que escolhi foi “All Of Me” de John Legend.

   O inicio da musica diz: “O que eu faria sem sua boca esperta, estou me arrastando e você está me dispensando, estou com a cabeça a mil, sem brincadeira, não posso te forçar a nada.“.  — Jeff... Me deixe sentir o que você sente por mim.

 

— “What’s going on in that beautiful mind, i’m on your magical mystery ride, and i’m so dizzy, don’t know what hit me, but i’ll be alright. My head’s under water but i’m breathing fine, you’re crazy and i’m out of my mind...”.

 

   “O que está se passando nessa bela cabeça, estou passando pelo seu mistério mágico e estou tão confuso que não sei o que me atingiu, mas eu vou ficar bem. Minha cabeça está embaixo da água, mas estou respirando bem, você é louco e eu estou fora de controle.” — Finalmente o vejo. Ele está na entrada do auditório, usando o casaco do time, seus olhos estão focados em mim... Seus belos olhos...

 

— “‘Cause all... of me, loves all... of you. Love your curves and all your edges, all your perfect imperfections. Give your all... to me, i’ll give my all... to you, you’re my end and my beginning, even when i lose i’m winning. ‘Cause i give you all... of me, and you give me all... of you oh...”.

 

   “Porque tudo de mim ama tudo em você. Ama suas curvas e todos os seus limites, todas as suas perfeitas imperfeições. Dê tudo de você para mim, eu te darei tudo de mim. Você é meu fim e meu começo, mesmo quando perco estou ganhando... Porque te dou tudo de mim, e você me dá tudo de você.”. — Meu coração está batendo forte. Lembro-me dos momentos divertidos que passamos juntos. Lembro-me do dia em que o ajudei a limpar uma piscina, também quando fomos ao boliche... Jeff... Ele está chorando! Isso que estou sentindo... São os sentimentos do Jeff?

 

— “How many times do i have to tell you, even when you’re cry you’re beautiful too. The world is beating you down i’m around through every mood. You’re my downfall, you’re my muse, my worst distraction, my rhythm and blues. I can’t stop singing, it’s ringing, in my head for you...”.

 

   “Quantas vezes tenho que te dizer, que mesmo quando você está chorando você continua lindo. O mundo está te massacrando estou por perto a todo o momento. Você é minha ruina, você é minha musa, minha pior distração, meu ritmo e tristeza. Não consigo parar de cantar, está tocando uma música em minha cabeça para você.” — Eu não sei o que esperar disso tudo, mas eu sei que mesmo o odiando, eu sempre irei amá-lo... E vê-lo depois de tudo o que aconteceu... Só comprova que meu amor por ele não morreu, e o vendo dessa forma, eu posso afirmar que seu amor por mim foi verdadeiro... Mas mesmo assim...

 

— “Cards on the table, we’re both showing hearts. Risking it all, though it’s hard...”.

 

   “As cartas estão na mesa, estamos mostrando os nossos corações. Arriscando tudo, apesar de isso ser difícil.”. — Durante nosso tempo juntos eu fui um egoísta, acreditei que Jeff deveria provar que gostava de mim, quando na verdade deveria ser eu a provar. Ele abriu mão de diversas coisas por mim, ele se arriscou por mim.

 

— “‘Cause all... of me, loves all... of you. Love your curves and all your edges, all your perfect imperfections. Give your all... to me, i’ll give my all... to you, you’re my end and my beginning, even when i lose i’m winning. ‘Cause i give you all... of me, and you give me all... of you oh...”.

 

   Jeff mentiu para mim. Por mais que eu entenda e sinta que seu amor por mim é verdadeiro, eu não consigo esquecer as mentiras... Eu o amo mais que tudo, e ter que fazer isso só me faz sofrer mais.

 

— “I give you all... of me. And... You give me all... of you... Oh.” — encerro a musica.

 

   “Te dou tudo de mim, e você me dá tudo de você.” — Meu peito está doendo. Eu quero sair daqui.

 

   Sou aplaudido de pé por todos. — Noto que Jeff já não está mais ali. — Saio do palco.

 

— Você foi incrível. — o treinador do coral me elogia. — Você está chorando?

 

   Passo por ele correndo. Deixo o auditório. — O que eu estava pensando? Eu não devia ter feito isso, eu deveria ter simplesmente pego um avião e voltado para Califórnia.

 

— Não precisa correr.

 

   Meu coração... Está batendo rápido demais. — Jeff está parado em frente à porta de saída. — Está tudo completamente vazio e silencioso. — O que eu faço? Eu não quero falar com ele.

 

— Eu ouvi o que você tinha para dizer. — ele diz. — Na música.

— Então você entende como eu me sinto. — digo sem graça.

— Eu entendo que você me ama.

— Eu disse... Eu já disse que te amo, e que é por te amar que eu preciso te deixar ir.

 

   Acho que eu finalmente entendi o que eu devo fazer. Eu arrastei o Jeff para essa situação toda, eu praticamente o forcei a ficar comigo. Jeff é diferente de mim, eu sempre tive esses desejos pelas pessoas do mesmo sexo, mas ele não.

 

— Nossos pais tem razão. — digo forçando um sorrindo. — Você deve encontrar uma garota bacana.

— Que papo é esse? — ele pergunta confuso.

— Você vai encontrar. — afirmo. — É bonito, é modelo... Quem não vai querer ficar com você?

— Max... — ele diz confuso. — Você percebe o quão ridículo você está sendo? Eu não quero ninguém além de você. Eu aprendi a te amar, eu ainda estou aprendendo a me ver assim...

— Então desaprenda. — digo friamente. — Você não entende o quão difícil é para mim te dizer essas coisas? Eu te amo mais que a mim mesmo, e eu não entendo de onde vem tudo isso, mas eu vou embora, eu vou embora hoje.

— Nós podemos fugir.

— Não, não podemos. — falo. — Por que... Porque não existe mais nós, agora somos só... Eu e você, separados.

— Não é isso que eu quero, não era isso que eu queria.

— Mas é assim que tem que ser, é assim que vai ser.

 

   Eu sei que estou fazendo a coisa certa. Não estou? 

 

— Não posso te forçar a ficar. — ele diz. — Por mais que eu insista você não vai me ouvir.

 

   Ficamos em silencio por um tempo. Sem mais nem menos os corredores lotaram novamente, mas ainda existe um espaço em minha cabeça que faz parecer que estamos só os dois aqui. — Eu sinto muito Jeff...

 

— Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. — digo em lagrimas.

— Você é a melhor coisa na minha vida. — ele diz.

— Eu sempre vou te amar. — falamos juntos.

 

   A porta de repente se abre e um vento gelado passa por nós. Caminho para fora da escola tendo a certeza que deixei a minha felicidade lá dentro.

(...)

   Chego em casa com a certeza de que seria a última vez que faria esse trajeto. Quando entro no meu quarto me deparo com tudo vazio, apenas um conjunto de roupas está em cima da cama.

 

— Sr. Miller. — Guadalupe entra no quarto. — Me desculpa. — ela me abraça em lagrimas. — Eu vou sentir muita falta do senhor.

— E eu de você. — digo. — Mas vai ficar tudo bem, eu vou ser mais feliz, eu estou mais forte agora.

 

   Guadalupe me deixa sozinho.

 

— É engraçado como eu posso sentir o seu cheiro aqui. — sussurro.

 

   Tomo meu banho e me visto. Estou usando terno e gravata. — Mais formal impossível. — Jogo meus cabelos para trás e os afundo em gel.

 

— Está na hora de acordar para a realidade.

 

   Quando vou apagar a luz do quarto vejo o porta-retratos. — A foto. — Tiro a foto e a guardo no bolso do paletó.

   Desço as escadas e encontro Jenny me esperando.

 

— O que faz aqui? — pergunto confuso olhando para os lados.

 

   Ela me abraça e depois me olha com um olhar reprovador.

 

— Você deveria ficar. — ela diz. — Eu vou sentir sua falta.

— Isso já está decidido. — falo. — Mas eu fico muito feliz em te ver.

— Eu não vim com o Jeff, se é isso que está pensando. — ela diz. — Eu vim com a minha mãe.

 

   Jéssica está aqui? — É claro que está ela não perderia por nada ver meu fracasso de perto.

 

— O Jeff está bravo comigo. — ela diz desanimada.

— Ei. — levanto sua cabeça. — Ele é um bobão, mas ele te ama, ele só quer o seu bem, nunca se esqueça disso.

— E você também é um bobão. — ela sorri. — Vamos, estão todos te esperando lá fora.

 

   Todos? — Assim que chegamos do lado de fora sou recepcionado por um pequeno grupo. Sarah, Robert, Lucy, Patrick, Suzy, Leonard, Guadalupe, Juan, Jéssica, meus pais...

 

— Droga. — Robert me abraça. — Isso não é justo.

— A vida às vezes não é justa. — digo. — Alguém precisa cuidar dele.

— Deixa com a gente. — Sarah sorri. — Max... Você é a pessoa mais incrível e corajosa que já conheci. — ela me abraça. — Não se esqueça de mim.

— Nunca. — prometo.

 

   Despeço-me dos demais aqui presentes, e sigo em direção ao carro que me aguarda.

 

— Max. — Lucy me segura antes que eu entre no carro. — Eu te amo. — ela me abraça. — Eu sempre vou te amar.

 

   Os sentimentos de Lucy me deixam quente... — Eu vou sentir falta disso.

 

— Adeus a todos. — digo entrando no carro.

 

   No exato momento em que o motorista liga o carro... Ele me surge.

 

— Jeff! — Jenny grita.

— Max! — ele berra descendo da moto. — Max... Não vai.

— Podemos ir. — digo ao motorista.

 

   O carro acelera. — Eu não sei o que estou fazendo. Parte de mim quer descer desse carro e ir até ele. — Ele está correndo atrás do carro. — Idiota por que está fazendo isso?

 

— Eu vou te esperar! Eu vou esperar por você! — ele grita em plenos pulmões.

 

   Eu tenho certeza... Pode passar o tempo que for essa distância não vai me fazer amá-lo menos. E não importa o que aconteça, nada vai me fazer esquecer a Sarah, o Robert... A Lucy. E eu sei que nesse colégio não serei feliz, pois meu lugar feliz é o lugar onde Jeff Johnson está.

 

— Nós... Nós nos veremos novamente? Jeff...


Notas Finais


E chegou ao fim a primeira temporada de The Clash! Por favor não me odeiem por esse final... As coisas entre os dois é complicada, mas tem mais coisas por vir na segunda temporada... Então, não desistam de mim hahahha

Vou deixar aqui o link para a segunda temporada que se chama: "The Clash - The Distance, The Overcoming and The Change" : https://spiritfanfics.com/historia/the-clash-2--the-distance-the-overcoming-and-the-change-6712337


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