História The Clash 2 - The Distance, The Overcoming and The Change - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Descoberta, Drama, Mistério, Revelaçao, Sexualidade
Exibições 23
Palavras 4.846
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Hentai, Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá!!! Essa é a segunda temporada da minha história The Clash, que teve como a primeira temporada o titulo de "The Love, The Pain and The Illusion". Essa segunda temporada é beeeeem maior que a primeira, e muito mais mistérios, questões da primeira temporada serão resolvidas, outras serão reveladas... Enfim... Espero que gostem!


Esse primeiro capitulo é narrado pelo Maximilian Miller!

Capítulo 1 - Sozinho


Fanfic / Fanfiction The Clash 2 - The Distance, The Overcoming and The Change - Capítulo 1 - Sozinho

— Pode começar. — a psicóloga diz dando um clique em sua caneta.

 

   Hoje, dia doze de fevereiro de dois mil e quinze, faz exatos dois meses desde que voltei para esse inferno, e posso garantir que nunca me senti tão infeliz em toda a minha vida, nem mesmo nos anos que vivi aqui anteriormente.

 

— Eu me chamo Maximilian Miller. Tenho dezesseis anos. — digo um pouco retraído.

— Certo. — ela anota em seu bloco. — Conte-me um pouco da sua experiência lá fora Sr. Miller. Quando digo lá fora eu me refiro ao tempo que viveu em Ohio.

— Eu entendi. — tento não soar grosseiro.

 

   A verdade é que eu não quero falar, não quero me lembrar. — Dói demais. Entende? — Quando eu voltei para esse colégio há dois meses, eu achei que iria morrer, meu peito doía todas as noites quando me lembrava dos meus amigos, e claro, dele.

 

— Nada de especial, eu acho. — minto. — Como deve saber eu passei por momentos traumáticos naquela cidade, eu fui sequestrado.

— Conte-me mais sobre isso. — ela insiste.

— Me desculpe. — digo. — Mas eu realmente não quero falar sobre isso.

 

   Como eu posso falar desse sequestro sem mencioná-lo? Não dá. Estou evitando pensar em seu nome, de sonhar com seu rosto, mas é difícil. — Eu sinto tanto a sua falta.

 

— Você fez amizades? — ela pergunta.

— Posso dizer que sim. — respondo com a mão direita sobre o bolso do blazer.

 

   Eu ando com a foto para aonde eu for. Eu prometi a mim mesmo que não me esqueceria daqueles momentos que tive com todos.

 

— Eu conheci um garoto muito hiperativo. — digo com um sorriso bobo no rosto. — Por mais que ele tivesse esse jeito estranho... Ele estaria rindo se estivesse por aqui agora.

— Ele foi seu único amigo?

— Não. Duas meninas. — respondo. — Mas são histórias para ser contada outra hora. — digo apontando para o relógio na parede.

 

   Saio da sala da psicóloga.

   Essa é a minha vida agora. Estou de volta a um dos mais severos colégios internos do país. O colégio leva o simples nome de “School Preparation” localizado na Califórnia, um colégio interno que se inicia na educação infantil e vai até o término do ensino médio, e daqui saímos para as melhores universidades do país. — Mas não é o que eu queria, não é onde eu queria estar. — Eu sei que no fim das contas eu resolvi voltar por conta própria, mas eu estava zangado, triste... — Eu sinto falta do ar alegre de Ohio.

 

— Maximilian. — alguém me chama.

 

   Vejo um jovem parado em frente à porta do meu “apartamento”. — Apartamento é como chamamos nossos dormitórios por aqui. — Ele usa o mesmo uniforme que eu. Um blazer preto, por baixo uma camisa branca e uma gravata nas cores preta e azul escuro, calças e sapatos também pretos. Sua pele é branca um pouco bronzeada, seus cabelos são pretos espetados, ele tem um corpo forte e atlético, olhos pretos. Se não me engano ele estuda aqui desde a época que eu entrei quando era menor, ele deve estar em seu último ano aqui.

 

— Algum problema? — pergunto desconfiado.

— Não precisa ficar com o rabo levantado perto de mim. — ele diz de forma estranha.

— Não entendi a referencia do rabo. — digo confuso. — Está sugerindo que eu seja um animal?

 

   Ele bufa e olha para os lados como se estivesse cansado ou entediado.

 

— Eu só vim perguntar se sabe o motivo do Zac não ter ido às primeiras aulas hoje. — ele diz mais claramente.

— E por que eu saberia? — admito que perguntei de forma grosseira.

— Ele é o seu colega de quarto. — ele diz.

— Eu tentei fazer amizade com ele quando cheguei aqui, mas ele sequer falou comigo. — respondo. — Se era só isso eu realmente preciso voltar para o quarto e pegar um material que me esqueci.

 

   O rapaz abre caminho para mim. — Eu realmente tentei fazer amigos aqui, mas é muito difícil, muito mais do que em Lima. Aqui as pessoas são como eu, deveria ser mais simples, mas é justamente o contrário, parece que elas me veem como um parasita ou algo assim. — Nessas horas eu realmente sinto a falta do Robert.

 

— Aguente firme. — digo a mim mesmo.

 

   O colégio é realmente muito grande. Na verdade sua construção é de um castelo, e tudo aqui está dividido. A parte sul do colégio é destinada aos mais jovens de seis a quinze anos, o norte para nós do ensino médio, de dezesseis a dezoito anos. O meu apartamento e dos demais alunos do ensino médio também ficam na parte norte do castelo. O oeste é onde temos nossas aulas, para o leste são os grandes salões e laboratórios. O campus tem o anexo do lado de fora onde foram construídas quadras. É basicamente isso.

 

   Chego a meu apartamento. — Aqui os “apartamentos” ou quartos como preferirem chamar, são diferentes dos de faculdade. É algo realmente muito espaçoso. Tem uma pequena cozinha, sala, um banheiro e dois quartos. Sim têm dois quartos dentro de um quarto, é por isso que eu chamo de apartamento. Somos obrigados a dividir os apartamentos com alguém sempre uma série acima da nossa, eles chamam isso por aqui de sistema de parceria, é como se ele fosse o meu tutor ou algo do tipo por aqui, mas eu simplesmente nunca o vejo.

 

— Eu devo falar com ele? — pergunto a mim mesmo parado em frente a sua porta.

 

   Em sua porta tem uma placa escrita a mão dizendo: “Favor não entrar.”.

   Pego meu livros em cima da mesa da sala e saio do apartamento.

(...)

   Assisti às aulas até finalmente o horário de aula terminar. — O que só acontece de noite, por aqui as aulas começam de manhã, lá para umas oito da manhã e se estende até umas seis da tarde.

 

— Para onde vão? — um jovem pergunta saindo da sala.

— Ouvi dizer que o pessoal do quarto ano está armando uma festinha. — outro responde. — E soube que as meninas do colégio vizinho vão estar aqui.

 

   Esqueci-me de dizer. Nosso colégio é só para homens, sim temos quase duzentos alunos aqui e somos todos homens. E que não muito longe daqui tem uma escola do mesmo estilo que a nossa, porém para meninas.

 

— Você vem Miller? — o mesmo me chama.

— Não. — respondo friamente. — Preciso estudar um pouco, eu vou passar na biblioteca.

 

   Sou deixado sozinho na sala. — Eu não faço de proposito, é só que depois do que aconteceu comigo em Ohio fica difícil de confiar nas pessoas.

 

   Chego à biblioteca e aqui permaneço durante um bom tempo.

 

— Droga. — alguém reclama.

 

   Levanto da mesa. — Eu tenho que parar com essa minha mania de ser curioso. — Passo por duas estantes e finalmente o vejo. Ele está sentado no chão em volta de uma pilha de livros. É uma criança, deve ter no máximo uns onze anos. Esta usando o mesmo uniforme que eu, têm cabelos lisos loiros, olhos verdes.

 

— Algum problema? — pergunto.

 

   Ele levanta assustado.

 

— Desculpa. — ele diz com os olhos fechados.

— O que está fazendo? — pergunto confuso. — Por que está se encolhendo todo?

 

   Ele abre os olhos e faz uma expressão estranha.

 

— Achei que fosse me bater ou algo assim. — ele diz assustado.

— É mais fácil você bater em mim. — digo sorrindo.

 

   O ajudo a arrumar os livros na estante, e por fim nos juntamos à mesa onde eu estava estudando.

 

— Maximilian Miller. — me apresento.

— Jordon Smith. — ele diz. — E eu sei quem você é. Quer dizer, todos sabem que é Maximilian Miller.

— Isso é realmente desconfortável. — murmuro.

— Desculpa. — Jordon diz abaixando a cabeça. — É que... Você foi a primeira pessoa a me tratar com gentileza nesse lugar.

— Há quanto tempo estuda aqui?

— É o meu primeiro ano. — ele diz. — Acho que vai ser uma experiência legal.

 

   Não respondi nada, mas eu discordo que será uma experiência legal, ainda mais para um calouro.

 

   Ficamos juntos na biblioteca por pouco tempo. Sai de lá dez minutos depois do ocorrido.

 

— Você não pode fazer isso aqui. — ouço sussurros.

 

   O corredor está vazio, mas mesmo assim escuto as vozes.

 

— Esconde isso idiota. — outra voz aparece.

 

   Viro a primeira esquerda, apressado esbarro em um rapaz, causando nossa queda.

 

— O que acha que está fazendo garoto? — ele reclama enfurecido.

— Desculpa. — peço levantando. — Eu não vi vocês.

— Não levante. — ele grita me jogando no chão novamente.

 

   É como ter um dejavu.

 

— Ele viu. — o mais baixo diz.

— Vi o que? — pergunto confuso.

— Não se faça de idiota. — o mesmo que me empurrou diz. — Vem com a gente. — ele me puxa pela gravata como se estivesse puxando um cachorro pela coleira.

 

   Não tento resistir, pois eu tenho péssimas recordações da última vez em que resisti a uma briga de escola.

 

— O que estão fazendo? Para onde estão me levando?

 

   Eles permanecem em silencio. — Estou com medo.

 

— Ali dentro. — o mais baixo diz.

— Não! — grito.

 

   Sou colocado dentro do armário da limpeza.

 

— Me tirem daqui. — grito desesperado. — Por favor...

 

   Não consigo respirar.

 

— Por... P-por favor.

 

   Tudo fica silencioso e ainda mais escuro. — Eu não me sinto bem em locais fechados. E agora estou preso dentro de um armário, e como sou praticamente invisível nesse lugar ninguém vai notar que eu sumi.

   Por quê? Por que sempre comigo? — Eu quero ir embora, eu não aguento mais esse lugar, eu não suporto mais essas pessoas. — Mas para onde eu vou? — Ohio não é mais uma opção. Eu sinto falta dos meus pais e dos meus amigos, mas lá é o lar dele... Eu não quero pronunciar seu nome e nem mesmo pensar... Mas eu daria tudo para que ele aparecesse aqui agora e me salvasse.

   O armário de repente faz um barulho estranho, e subitamente a porta se abre.

 

— Jeff? — chamo confuso.

 

   Seus cabelos pretos são da mesma altura que os meus. Um corte um pouco longo na altura do queixo com camadas. Diferente de mim que jogo meus cabelos para trás em uma poça de gel, ele os deixa livre, formando uma franja bagunçada que vai um pouco abaixo das sobrancelhas. Seus olhos são verdes expressivos, suas sobrancelhas um pouco grossa, sua pele é branca, mas um pouco bronzeada. Ele é mais alto que eu, eu tenho um metro e setenta e cinco, ele provavelmente deve ter um metro e oitenta ou mais. Está usando uma bermuda branca que vai até os joelhos, uma camiseta preta e sandálias. Seu corpo é atlético e seus braços são tão grandes e fortes quanto os do... Do Jeff.

 

— Você não é o Jeff. — sussurro desapontado.

— Obvio que eu não sou Jeff. — ele diz me assustando. Seu tom de voz é tão grave quanto o do... Do Jeff.

 

   Por que estou tentando compará-lo ao Jeff?

 

— Obrigado. — agradeço sem graça.

 

   Ele estende a mão para mim.

 

— Quer dinheiro?

— Aperte minha mão seu idiota. — ele diz me forçando a apertar. — Não nos apresentamos direito. Eu me chamo Zac Palmer. — ele se apresenta.

— Você! — digo desnecessariamente alto e em um tom de surpresa. — É o meu colega de quarto.

— Sou? — ele pergunta parecendo ainda mais surpreso que eu.

 

   Zac abre um brilhante sorriso.

 

— Por que está rindo? — pergunto assustado.

— Não sei. — ele olha para o teto corando o rosto.

 

   Essa cara é mais estranho do que eu imaginava.

 

— Vamos. — ele começa a andar. — Não estou a fim de levar uma bronca hoje.

 

   É simplesmente inevitável, eu não posso deixar de compará-lo ao Jeff. Observando seu modo de andar, seu jeito de falar, o modo como joga os cabelos para os lados...

 

— Eu não quero. — murmuro.

— O que? — ele pergunta.

— Nada. — desconverso sorrindo. — Vamos andando.

 

   Assim que chegamos ao nosso apartamento ele se trancou novamente em seu quarto. — Eu estou envergonhado por isso. — Vou para o meu quarto, tiro minhas roupas e me deito apenas de cueca na cama.

 

— Eu sinto sua falta. — murmuro segurando a foto em minhas mãos. A foto que tiramos de todos no parque em Ohio. — Cada parte do meu corpo sofre por estar longe de você.

(...)

   O som ensurdecedor do despertador me acorda. Levanto e saio do quarto. — A porta esta aberta... Será que ele saiu? — Tomo meu banho e volto para o quarto, coloco meu uniforme, e ao sair do quarto novamente tenho uma surpresa.

 

— Bom dia!

 

   Zac está usando seu uniforme, o que o deixa incrivelmente bonito.

 

— Bom dia. — digo sem jeito.

 

   Ele me assusta ao me puxar pelo braço. Me puxa até a sala e me empurra para sentar no sofá.

 

— O que é tudo isso? — pergunto.

 

   Em cima da mesinha de centro está uma bandeja, com pães, geleias, sucos, café... Um café da manhã.

 

— Você fez isso? — pergunto.

— Obvio que não. — ele se senta do meu lado. — Ameacei o garoto do apartamento do lado para fazer pra mim.

— O que? — digo assustado.

— É brincadeira. — ele sorri.

 

   Por que ele está fazendo isso?

 

— Então... Maximilian Miller. — ele diz. — Me conte mais sobre você.

— Não há nada de especial sobre mim. — falo.

— Você é um Miller, sempre há coisas acontecendo nessa família. — ele brinca. — E... Você sabe que é um pouco famoso por aqui né? Quero dizer, você é o robô que nunca tinha saído daqui e de repente foi para o mundo real.

— Isso foi rude da sua parte. — reclamo.

— Me conta?

— O que?

— O que aconteceu em Ohio. — ele diz se aproximando de mim.

 

   Ele está me deixando... Sufocado.

 

— Acho que eu já vou indo. — digo me levantando.

 

   Zac me agarra pela cintura e se põe parado atrás de mim.

 

— O que acha que está fazendo? — pergunto aos berros tentando me soltar.

— Max... — ele sussurra.

 

   Meu corpo estremece.

 

— O que você diria se eu contasse que estou afim de você, e que te desejo só para mim? — ele pergunta em sussurros provocantes.

— O que... — murmuro incrédulo. — Não seja idiota. — Me solto e corro para fora.

 

   O que diabos esta acontecendo aqui? Droga... Eu preferia ter passado a noite preso naquele armário se soubesse que meu colega de quarto é um cara assim. — Mas... Eu não deveria ficar lisonjeado ou algo do tipo? Eu poderia tirar proveito disso e tentar esquecer o Jeff.

 

— Não pense bobagens. — reclamo comigo mesmo enquanto corro pelo corredor.

— Maximilian!

 

   Meu corpo estremece com o tom grave de voz. Paro de correr e viro-me para trás.

 

— Maximilian Miller, o aguardam na direção.

 

   Está usando o uniforme da escola, mas nunca o vi, provavelmente deve estar no seu último ano.

   Geralmente nunca sou chamado à direção, pois nunca recebo visitas. — Será que... Não, ele não viria até aqui. — Uma movimentação estranha chama minha atenção no corredor para a direção.

 

— Ouviu? Disseram que tem uma garota aqui. — alguém diz.

— Uma garota?

— Espera aquela menina não é a antiga namorada do Miller? Soube que ela é uma modelo agora.

 

   Uma antiga namorada minha? — Atravesso o muro de rapazes tomados pelos hormônios. Abro a porta e...

 

— Bom dia, Max.

 

   Seu sorriso é tão resplandecente que faz meu coração bater mais rápido. Seus brilhantes cabelos dourados estão soltos e está usando uma boina rosa. Suas vestes são um sobretudo rosa, uma bota até a altura do joelho também rosa, meia-calça branca, e uma bolsa de lado branca. Seus olhos verdes estão lacrimejando... É ela...

 

— Lucy?! — digo sem acreditar.

 

   Ela corre até mim e me abraça. Seu toque, seu cheiro. — Meu peito está doendo. — Lagrimas caem dos meus olhos antes mesmo de eu pensar em ficar triste ou alegre.

 

— Você está linda. — é tudo que consigo pensar em dizer.

— Vamos. — ela sorri. — Você consegue ser melhor que isso. — Lucy enxuga minhas lágrimas e arruma minha gravata, e em seguida... Me dá um tapa no rosto.

 

   Eu merecia isso?

 

— Você sumiu por meses. — ela grita. — Você simplesmente veio para cá e se esqueceu de que nós existimos? Você por acaso pensou em como nos sentiríamos sem noticias suas?

— Lucy desculpa. — peço. — Eu não queria que sofressem por minha causa.

— Nós mandamos diversas cartas, mas todas elas voltaram. — ela conta. — Sabe como foi difícil?

— Eu não sabia. — sussurro. — Eu também sentia a falta de vocês, eu ainda sinto.

 

   Nos sentamos no sofá. — É estranho, estou afastado da Lucy há dois meses, e com ela aqui, parece que nos despedimos ontem.

 

— Como você está? — ela finalmente abaixa a guarda.

 

   Como eu estou? Não sei...

 

— Você sabe como as coisas foram difíceis para mim aqui no ensino fundamental, mas agora estão diferentes, claro que ainda existem pessoas ruins, mas também tem pessoas boas. — digo.

— E seu novo colega de quarto?

— Louco... Completamente louco. — digo irritado.

 

   Ela sorri.

 

— Devo saber o motivo dessa loucura? — ela pergunta sorrindo.

— Nem queira saber. — respondo sem graça. — Mas... E você? Como vai tudo?

— Bem, meus pais estão trabalhando muito. Quanto a mim, eu quase não tenho parado em Ohio. Eu assinei com uma agencia e tenho tido muitos trabalhos, graças a esses trabalhos que estou aqui hoje. — ela conta. — Estou gravando um comercial aqui na Califórnia.

— Isso é muito legal. — digo entusiasmado. — Fico feliz que esteja realizando os seus sonhos.

— É legal sim. — ela entrelaça os dedos. — Mas às vezes é solitário... De vez em quando eu sinto falta de todo mundo junto novamente.

— E como eles estão?

 

   Lucy hesita. — Acho que ela sabe que no fundo eu quis perguntar: “Como o Jeff está?”.

 

— A coisa chata da Sarah parece que está de luto, mas não se preocupe ninguém morreu, é só charme para chamar atenção dos garotos. — ela diz me obrigando a rir. — Robert... Bom é o Robert ele está sempre bem... Acho que...

— Como ele está? — a interrompo. — Jeff, como o Jeff está?

 

   Ela se levanta e caminha até a janela.

 

— Ele está estranho. — ela diz com um tom de voz triste. — É como se ele estivesse perdido. Depois que você foi embora ele ficou um tempo sem falar com ninguém e até perdeu alguns contratos, mas no inicio desse mês ele voltou a se abrir, mas digamos que não do jeito que gostaríamos.

— O que aconteceu?

— O Jeff voltou a ser aquele cara que conhecemos quando entramos na escola publica pela primeira vez. Ele está agressivo, envolto por tristeza e solidão... Nem mesmo o Robert ele deixa se aproximar.

 

   É minha culpa? É culpa minha ele está agindo dessa forma?

 

— Max... Esse trabalho que eu estou fazendo aqui... É um comercial de um casal e...

 

   Meu coração acelera de repente.

 

— Jeff é o modelo masculino. — arrisco. — Ele está aqui não é? — pergunto um pouco desanimado.

 

   Ele está na cidade... Mas não veio me ver. Ele já me esqueceu?

 

— Sinto muito, eu não queria te deixar triste. — ela vem até mim.

— Não... — sussurro. — Não estou triste. — forço um sorriso. — Eu estou muito feliz por você ter vindo, mas Lucy... Por favor, não volte.

 

   O que eu estou dizendo?

 

— O que? Por quê? — ela pergunta confusa.

— Te ver hoje só me fez perceber que eu ainda não deixei meu passado para trás.

— Espera um pouco, você está querendo nos esquecer? Você quer me esquecer?

— Não foi isso que eu quis dizer.

— Mas foi o que disse. — ela diz irritada. — Droga Max, eu vim até esse lugar no meio do mato só para te ver, e você diz que quer nos esquecer?

 

   Talvez seja melhor assim. O Jeff está voltando a ser o que era isso é bom. A Sarah logo vai superar minha partida, e como a Lucy disse, o Robert está sempre bem.

 

— Você é um completo idiota Maximilian Miller. — ela grita. — Está começando a agir como o seu pai.

 

   Ela passa por mim e abre a porta irritada.

 

— Obrigado pela visita. — sussurro.

 

   Vejo Lucy partir e sinto um vazio enorme dentro de mim. — Eu deveria ir atrás dela e pedir perdão.

 

— Aguente firme. — ordeno a mim mesmo. — Vai ser melhor para todos, assim deixarão de se preocupar comigo.

 

   Mas não é isso que eu quero? É?

(...)

   Assistir as aulas foi uma provação. Além de ter que prestar atenção tive que desviar minha concentração dos cochichos sobre minha discussão com a Lucy.

 

— Miller.

 

   O que eu poderia ter feito? Eu sinto muita falta dos meus amigos, mas vendo a Lucy hoje...

 

— Miller, você está me ouvindo?

 

   Eu desejo do fundo do meu coração vê-lo mais uma vez.

 

— Maximilian! — alguém grita.

— Oi. — respondo confuso.

 

   Dois rapazes estão parados em minha frente, estão me olhando como se eu estivesse fazendo algo de errado.

 

— A aula já acabou, pretende ficar aqui até quando? — ele pergunta.

— Desculpa. — digo levantando. — Eu estava um pouco distraído.

— Um pouco não né. — ele sorri.

 

   Saímos juntos da sala. — Antes que se perguntem esses dois não são o que eu chamaria de amigos. Eles são irmãos e entraram nessa escola praticamente junto comigo, mas nosso relacionamento é só em sala de aula, fora daqui nos tratamos como estranhos, e isso é realmente estranho.

 

— Vai para a biblioteca? — o mais alto pergunta.

— Hoje não. — respondo ajeitando a mochila nas costas. — Eu acho que vou adiantar o trabalho do Sr. Morales.

— Nos vemos por ai.

 

   Nos despedimos e sigo direto para o caminho do meu apartamento. — Eu não consigo tirar a imagem de Lucy da minha cabeça, e quando penso nela é praticamente inevitável não pensar no Jeff.

 

Às vezes eu queria abrir meus olhos e descobrir que estou em um pesadelo.

 

   Entro em meu apartamento e sou forçado a dar um suspiro assustado.

 

— O-O que acha que está fazendo? — pergunto aos berros.

 

   Zac está completamente nu, coberto apenas por um avental de cozinha branco.

 

— Estou cozinhando. — ele diz com aquele sorriso estampado no rosto.

— Pelado? — insisto. — Coloque uma calça pelo menos.

— Está calor. — ele protesta.

— Não, não está. — aponto para a janela e vemos a neve cair. — Você está tremendo e vermelho, você está com frio. Por que diabos esta fazendo isso?

— Eu só quero impressionar você. — ele murmura. — Você é difícil de conquistar em.

— Isso é ridículo. — digo me sentando no sofá. — Por favor, coloque alguma roupa.

 

   O que há de errado com esse garoto? Ele pode simplesmente chegar para mim e dizer que me quer? — Por que eu estou pensando nisso? — Ele está se humilhando demais... Era tão mais simples quando ele vivia trancado no quarto sem dizer uma palavra.

 

— Melhorou? — ele pergunta voltando para a sala.

 

   Está usando agora um conjunto de moletom cinza.

 

— Você está brincando comigo? — pergunto. — Por que está fazendo isso tudo?

— Eu não posso ter me interessado sinceramente por você? — ele se senta no chão do lado do sofá.

— Você é um homem. — falo. — E eu também.

— O que não impede nada. — ele diz.

 

   Ficamos em silencio por um tempo. — É completamente estranho ficar no mesmo ambiente que ele.

 

— Você é gay? — ele pergunta debruçando-se no braço do sofá.

— Não faça esse tipo de pergunta com essa cara. — digo me afastando.

— Responde.

— Não sei... — minto. — Talvez.

 

   Ele ergue uma das sobrancelhas e isso me faz lembrar do...

 

— Quem é Jeff? — ele simplesmente pergunta me deixando completamente sem graça.

 

   Está lendo minha mente?

 

— Você ficou vermelho. — ele diz serio. — Ele foi alguém importante para você?

— Não quero falar sobre isso. — digo me levantando.

— Claro que não quer. — Zac se levanta e vai em direção ao seu quarto. — Eu fiz alguns biscoitos se quiser. — e então se tranca no quarto.

 

   Por que estou me sentindo mal com isso? Eu não devo satisfações da minha vida pessoal para um cara que eu nem conheço direito.

 

— Você por acaso está chateado comigo? — pergunto em sua porta.

— O que acha? — ele pergunta irônico. — É difícil saber que a pessoa que você gosta, gosta de outra cara.

— E-eu... Eu não disse isso. — falo sem graça. — Pare de colocar palavras na minha boca.

— Então por que não fica comigo? — ele pergunta.

 

   Ele é tão direto... Eu não estou acostumado a situações como essa.

 

— Nós podemos conversar? — pergunto. — Sem uma porta entre nós?

 

   Zac abre sua porta e caminha como um morto-vivo para o sofá da sala.

 

— Você não pode dizer que gosta de mim dessa forma. — digo. — Você nem me conhece direito.

— É claro que eu te conheço. — ele murmura com a cara mais fofa do mundo. — Você é o Maximilian Miller, estuda aqui desde os seis anos de idade, vivia isolado, nunca saiu daqui... Eu sempre te observei.

— E por que nunca falou comigo?

— Quando eu resolvi criar coragem e falar com você, você simplesmente foi embora. — ele conta. — E quando voltou eu tentei criar coragem para falar com você, mas eu percebi que... Você se tornou um homem tão bonito, eu me senti intimidado.

— Não, não se sentiu você me agarrou e agora apareceu pelado na minha frente. — digo sorrindo.

— Dá para parar de cortar o clima? Estou tentando parecer fofo e socialmente incompreendido.

 

   Sou obrigado a rir, e acaba que ele ri junto comigo.

 

— Jeff... — crio coragem para falar sobre ele. — Jeff é a pessoa que me faz sentir vivo... Ele é a pessoa que eu amo.

— Você sabe que está enfiando uma estaca sentimental no meu coração né?

— Estaca sentimental? O que é isso?

— Nada. — ele sorri. — Você ainda gosta dele... Isso é obvio, então por que o deixou e voltou para cá?

— Ele mentiu para mim, ele fez coisas muito erradas.

— E dai?

— Como e dai? — pergunto confuso. — As pessoas não devem mentir uma para as outras.

— Não parece que as coisas entre vocês dois foram totalmente esclarecidas. — ele diz. — Você deveria falar com ele mais uma vez.

— Não. — digo rapidamente. — Fora de cogitação.

— Por quê? — ele pergunta. — Isso é bobagem, você gosta dele, e do jeito que você fala ele parece gostar de você. Você deveria ouvir o que ele tem a dizer... Ele está na cidade não está?

— Como sabe tanto... Você estava ouvindo atrás da porta quando eu estava falando com a Lucy?

— Pode me chamar de perseguidor, mas eu cuido daqueles que eu gosto. Então faremos um trato.

— Um trato?

— Eu dou jeito de você e o Jeff se encontrarem... E caso você decida que você e ele não podem ter mais nada, nós dois iremos sair juntos e você vai me dar uma chance.

 

   Meu coração bate forte só em pensar em ver o Jeff novamente.

 

— Está ficando tarde. — digo me levantando. — Eu preciso fazer um trabalho então não devo sair até amanha. — digo indo para o quarto. — Boa noite.

— Você vai voltar. — ele diz sorrindo.

 

   Como... Como esse cara tem a capacidade de me deixar assim? — Eu não posso estar nutrindo sentimentos por ele. Posso? — Eu amo o Jeff e isso não vai mudar.

 

— Pense em mim quando estiver indo dormir. — ele grita do lado de fora.

 

   Droga! Como ele me irrita. — Ele disse que pode arranjar um jeito de me fazer encontrar com o Jeff. Isso é verdade?

 

— Eu não posso ver o Jeff, não depois de tudo que eu disse para ele, e não depois de tudo que eu disse para a Lucy hoje.

 

   Eu estou confuso. Eu queria muito que a Sarah estivesse aqui comigo. — Queria que mais alguém estivesse aqui comigo. Não um jovem de dezessete anos tomado por hormônios que anda pelado pelo apartamento e me força a trancar a porta do quarto com medo de ser estuprado por ele.

 

— Que droga... Eu me sinto tão...

 

   Sozinho!

 

   Já parou para pensar que as coisas acontecem por algum motivo? Não digo pelo simples motivo, como eu chegarei ao outro lado da rua se eu atravessar a rua, mas algo maior, uma força ou desejo maior, algo ou alguém que controla nossas vidas como se fossemos meros fantoches na mão de um só controlador... E esse controlador parece estar querendo brincar comigo, de uma forma extremamente dolorosa.

(...)

   Hoje, dia dezenove de fevereiro, faz uma semana desde que Lucy esteve aqui, desde então eu decidi deixar para trás meus sentimentos e desejos, recusei a proposta de Zac Palmer, e simplesmente segui em frente. Continuei minhas atividades normais, assim como Zac as dele.

 

— Sr. Miller. — alguém me chama.

 

   Um dos monitores vem me trazer uma mensagem. Assim que chego à sala da direção só consigo imaginar mais uma visita surpresa.

 

— Com licença. — digo entrando.

 

   Apenas o diretor está na sala. — O que está acontecendo?

 

— Sr. Miller queira sentar-se, por favor. — ele diz.

— Estou bem. — falei. — Qual o problema?

— Recebemos uma ligação hoje pela manhã e...

 

   Eu não ouvi mais nada, meu coração começa a bater tão fraco que meus sentidos começam a desaparecer.

 

— O que aconteceu? — pergunto novamente.

— O seu pai sofreu um infarto e...

— Ele está morto? — pergunto.

— Não.

 

   Saio da sala ouvindo as ultimas palavras do diretor: “O helicóptero está a sua espera”. — O que isso tudo significa? Meu pai, Paul Miller... O homem mais forte que conheço...

 

— Max? — Zac me recebe no apartamento. — O que faz aqui tão cedo.

 

   Minhas pernas estão bambas, eu não sei o que dizer ou sentir... Por mais que eu o deteste, ele continua sendo o meu pai, e independente de qualquer coisa, não quero que morra.

 

— Você esta chorando? — ele pergunta vindo até mim.

— Não se preocupe. — digo enxugando as lagrimas. — Vou ficar bem. — vou para o meu quarto.

— O que está fazendo?

 

   Zac foi meu único amigo nesses dois meses que fiquei aqui, e durante todo esse tempo ele foi a pessoa mais gentil que eu podia esperar... E mesmo assim, eu fui a pessoa mais estupida do mundo.

 

— Me desculpe. — digo sinceramente. — Mas... Eu estou voltando para Ohio.


Notas Finais


Eu vou tentar não demorar muito para vir com novos capitulos, aproveitar que já terminei a semana de provas na faculdade! Mas é isso por enquanto... Qualquer, duvida, critica... É sempre bem-vindo, é sempre bom também para me fazer enxergar pontos que as vezes eu posso deixar batido na história... Então é isso! Até mais!


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