História The Clash 3 - The Acceptance, The Force and Goodbye - Capítulo 17


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Abandono, Amor, Descoberta, Dor, Gay, Sexualiadade
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Palavras 9.365
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Lemon, Luta, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Voltei rapidinho hehehe! Trazendo mais um capítulo!

Capitulo narrado pelo Maximilian!

Capítulo 17 - Ação de Graças


— Meu nome é Maximilian Miller.

 

   Às vezes eu tenho esse sonho. Estou sempre de pé no centro de um palco com pouca luz, na verdade a única luz é a de um holofote que me ilumina. E nesse meu sonho sempre me perguntam qual é o meu objetivo, e o motivo de eu estar ali.

 

— Eu quero ser um músico, eu quero cantar, quero inspirar as pessoas com o meu talento, com aquilo que eu sei fazer.

 

   E então... Eu sou posto a prova, às vezes é uma música aleatória, às vezes é para tocar algum instrumento, mas sempre... Sempre...

 

— Você falhou Maximilian Miller! Desista!

 

   Eu sempre falho!

 

..........

 

— Você me ouviu? — Richard insiste.

— Desculpa, eu estava distraído. — falo como se estivesse acabando de acordar.

— Distraído? Estava de novo no mundo da lua. — Robert observa.

 

   Hoje já é segunda-feira, vinte e três de novembro. — Estamos aqui na sala do Clube do Coral ensaiando. — Mas eu não consigo me concentrar... É como se algo estivesse faltando em mim, e eu não sei o que é.

 

— Já é a quarta vez que passamos essa música. — Richard fala. — Tem algum problema Maximilian?

— Não. — respondo sorrindo. — Eu só...

— Você nunca engasgou em uma nota alta. — Jeff observa. — E agora toda vez que canta simplesmente trava em toda nota alta.

— Eu estou tentando! — grito jogando o microfone no chão, quebrando-o.

— Max! — Sarah vem até mim.

 

   Todos me encaram assustados. — Respiro fundo e sento em uma das cadeiras. — Eu não sei o que há de errado comigo. Eu me sinto impotente, mas que o normal, me sinto incapaz de fazer qualquer coisa.

 

— Tem certeza que está bem? — Robert vem até mim. — Olha... Eu sei que esse negócio de banda, expulsão, noivado, G.T... Mexe com a cabeça, mas... Tenta relaxar.

 

   Começo a mexer os pés com certa ansiedade. — Jeff me encara confuso, mas hesita vir até mim. — Eu preciso sair daqui.

 

— Eu não me sinto bem. — falo. — Eu vou para a enfermaria.

— Eu vou com você. — Sarah diz guardando seu microfone.

— Não. — digo levantando. — Continuem vocês, eu não quero atrapalhar.

 

   Saio da sala deixando-os para trás.

 

   Eu ainda não consigo tirar da cabeça aquela cena, eu transando com a Penélope e o meu pai simplesmente nos flagrando. — Desde aquele dia Penélope não da às caras na escola, e eu simplesmente estou muito envergonhado para ligar ou ir até sua casa. — Uma coisa fica martelando em minha cabeça. Eu agi daquele modo por causa da droga que o Cory me deu? Eu consegui fazer todas aquelas, por causa daquilo? — Então... Se eu continuar a usar, eu serei capaz de me tornar um homem de verdade, serei capaz de ser alguém que meu pai se orgulhe?

 

— Cuidado!

 

   Desvio rapidamente de um enorme pedaço de madeira que está sendo carregado pelo Zac e o Jasper.

 

— Pra que isso? — pergunto os seguindo.

— Auditório. — Zac responde.

— É para o festival de inverno. — Jasper fala.

 

   O festival de inverno, isso me lembra de que no último eu cantei para o Jeff na frente de todo mundo.

 

— Está bem? — Zac pergunta parando de andar. — Está meio aéreo.

— Eu preciso de um pouco de ar, vou lá para fora. — digo. — Bom trabalho pra vocês.

 

   Começo a caminhar em passos largos. — O que realmente está acontecendo comigo? Estou ansioso, sinto como se algo fosse acontecer. Estou respirando mais rapidamente, como se o ar fosse simplesmente acabar a qualquer segundo. — Saio da escola e corro para debaixo de uma árvore.

 

— Estou ficando maluco?

 

   Não é como se alguém fosse descobrir... Não é como se estivesse estampado na minha cara que usei drogas. — Drogas? Por que... Por que estou pensando nisso? — Eu fui capaz de fazer todas aquelas coisas, e a sensação... Ah! Aquela sensação, aquilo foi fantástico, eu me senti a melhor pessoa da face da Terra. — Talvez eu devesse... Não!

 

— Pare de pensar nisso Maximilian! — ordeno a mim mesmo.

 

   Mas convenhamos, se eu usasse só mais uma vez eu seria capaz de cantar melhor, de ficar no mesmo lugar que o Jeff sem me sentir um merda... Eu seria capaz de tudo!

 

— Para de pensar nisso! — grito enfurecido.

 

   Soco a árvore de repente. — Começo a respirar ofegante. — Olho para os lados e percebo um monte de gente me encarando confusos, murmurando coisas sobre mim.

 

— Parem! — grito. — Parem de olhar pra mim!

— O que está acontecendo com ele? — alguém pergunta.

 

   Abaixo-me no chão em posição fetal, tapo meus ouvidos e simplesmente começo a gritar. — Parem... Parem de falar de mim, parem de me ver, me esqueçam!

 

— Me deixam em paz. — grito. — Não cheguem perto de mim... Não me toca!

 

   Olho para frente. É como se todos fossem apenas vulto... Apenas sombras flutuando em minha frente — O que está acontecendo comigo? — Uma dessas sombras de repente surge em minha frente, e tenta se aproximar, mais e mais de mim.

 

— Não... — sussurro. — Não me leva... Não me toca!

— Max...

 

   Como sabe meu nome? — São a G.T, essas coisas... É a G.T. — Chuto a sombra, e consigo sentir que toquei em algo.

 

— Max...

 

   Não... Pare de falar comigo. — Serro os punhos.

 

— Max! Para! — sua voz de repente me assusta.

 

   Olho para os lados e me vejo cercado dos demais alunos. — O que foi tudo isso? — Olho para baixo e vejo Jacob jogado no chão com a boca sangrando.

 

— Errr... Eu... — os múrmuros começam a ficar mais e mais altos. — Desculpa. — peço assustado.

 

   Viro-me de costas e começo a correr. — O que foi que deu em mim? Por que eu bati no Jacob? — Chego ao estacionamento e vejo Cory dentro do carro. Corro até ele e entro no veiculo, assustando-o.

 

— O que foi? — ele pergunta confuso. — Aconteceu alguma coisa?

 

   Abro minha mochila e tiro o cachimbo de crack, do Cory.

 

— Por que isso está com você? — ele agora altera o tom de voz.

— Desculpa. — peço ofegante.

 

   Eu admito. Eu roubei o cachimbo do Cory no dia em que fui a sua casa. — Esse troço me fez me sentir poderoso... E eu queria mais... Então eu simplesmente roubei, e consegui comprar mais pedras no mesmo lugar onde ele comprou.

 

— Você perdeu o juízo? — ele briga comigo. — Desde quando tem isso?

— Desde o dia em que o filho da Lucy nasceu. — conto.

— Isso foi a uma semana! Quantas vezes usou isso?

— Aquele dia. — digo lagrimejando.

— Não mente pra mim. — ele pede.

— No dia seguinte também... E depois no outro, e no outro... E hoje antes de sair de casa. — revelo. — Eu não consigo evitar... Ele me faz criar coragem.

— Isso acaba aqui. — Cory grita.

 

   Ele então quebra o cachimbo.

 

— Cory o que está acontecendo comigo? — pergunto assustado. — Eu vi coisas agora a pouco, eu estava vendo sombras, e quando me dei conta eu estava batendo em um amigo.

— Droga. — ele bufa batendo no volante. — Vamos... Eu vou te levar para casa.

— E o que eu faço? Como eu faço isso parar?

— Relaxa, vai dar tudo certo.

 

   Eu estou com medo. — Minha garganta está seca. — O ronco do motor do carro me assusta. Ele então acelera.

 

— Chegando em casa você vai tomar um café forte. — ele fala.

— Odeio café. — digo sorrindo. — Ah! Eu estou ficando excitado. Isso é normal? Ficar excitado o tempo todo? Sabe eu fico me tocando, e depois que acabo parece que fico mais excitado ainda. — caio na gargalhada. — Isso é normal?

— Droga Miller. — Cory murmura nitidamente irritado.

 

   Eu fiz algo errado?

 

— Eu sei de um modo que vai te fazer relaxar. — sussurro debruçando-me e abrindo o zíper de sua calça.

 

   Cory freia o carro bruscamente, o que me faz bater a cabeça no volante.

 

— Você precisa parar! — ele então grita.

— Por que está gritando comigo?

— Olha o que isso está fazendo com você, você não é assim.

— Olha quem fala. — sorrio. — Você me deu isso, então porque só eu fico desse jeito?

— Eu uso quando eu quero você está usando isso há uma semana sem parar. Está ficando viciado.

— Não! — grito. — Eu paro quando eu quero, eu nem uso essas coisas, eu sou mais forte do que aparento ser. — agora sorrio. — O que foi? Não quer que eu te toque, e não vai me tocar... Então talvez eu devesse achar alguém que me toque por ai.

 

   Abro a porta do carro e começo a andar. — A rua está curiosamente vazia. Onde estão todos?

 

— Senhor Miller, entra no carro. — Cory pede.

— Alguém! — grito rindo. — Alguém para fazer amor gostoso comigo. — caio na gargalhada. — Ouviu essa? — pergunto o encarando. — Fazer amor? — sorrio novamente. — Vamos foder gostoso! — grito. — Li isso em um livro, sempre quis dizer isso.

 

   Estou tonto.

 

— Senhor Miller? Max! — o vejo correr até mim.

 

   Tudo fica escuro de repente. — Estou... — E então desmaio.

 

   Você já teve um sonho, que faz parecer que você está preso dentro de um outro sonho, e de outro, e outro...? É assim que eu me sinto na maioria das vezes, mas eu não posso afirmar com certeza que é um sonho bom, pois na maioria das vezes é um pesadelo, e a cada hora que desperto dentro de outro sonho... É um novo pesadelo.

 

..........

 

   Abro meus olhos e sinto algo escorrer de minha testa. — Onde eu estou?

 

— Tio! Ele acordou. — o menino grita, fazendo minha cabeça latejar.

 

   É o Dylan, o sobrinho do Cory. — Isso quer dizer que estou em sua casa? — Sento-me na cama e a toalha molhada que estava em minha testa cai.

 

— Como está se sentindo? — Cory pergunta entrando no quarto, segurando nas mãos uma xicara de café.

— Com vergonha, com frio, e com dor de cabeça... E estou enjoado também. — falo.

— Eu vou pegar alguma coisa para ele comer. — Dylan fala saindo do quarto.

 

   Cory se senta na cama e me entrega a xicara. — Eu odeio café.

 

— Desculpa. — peço. — Eu... Eu realmente não sei onde eu estava com a cabeça para ficar usando aquilo desse jeito. — digo envergonhado.

 

   Cory sorri para mim. — Eu ainda não acredito que tive coragem de usar isso. O que me aconteceria se meus pais descobrissem? Ou meus amigos.

 

— Me promete que vai ficar longe disso? — Cory pede. — Você viu o que aquilo é capaz de fazer com a sua cabeça, ainda mais com você que já tem esse...

— Não precisa terminar. — o interrompo. — Eu sei que sou problemático, e eu percebi os efeitos que isso tem comigo.

— Eu entendo que a sensação que aquilo te dá é incrível, mas Max, você não precisa de algo como aquilo para ser incrível.

— Não fale desse jeito. — peço levantando. — Faz parecer que estamos em algum tipo de relacionamento e você sabe que não é isso o que temos.

— Eu sei. — ele fala deitando na cama.

— Eu preciso ir. — falo. — Pode me levar pra casa?

— Claro... Senhor Miller. — ele diz em tom de deboche.

 

 

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POV NARRADOR

 

   Por alguma razão o hospital está bastante movimentado hoje. — Robert está parado em frente à vidraça encarando seu filho dentro da incubadora. — O menino nasceu um mês antes do previsto, porém ele é bem grande e forte para um prematuro.

 

— Senhor Green? — uma enfermeira vem até ele.

— Desculpa. — ele pede envergonhado. — Eu já estou indo embora.

— Está tudo bem. — ela garante.

 

   A enfermeira se aproxima dele e também fica encarando o pequeno dentro da incubadora.

 

— É seu? — ela pergunta com um sorriso no rosto. — Ele tem os seus olhos.

 

   Robert abre um sorriso, mas logo volta a se virar.

 

— E quanto à mãe? — a enfermeira volta a perguntar. — Ouvi dizer que ela colocou a criança para a adoção.

— É uma decisão dela. — ele diz friamente.

— E você está bem com isso?

— É o melhor para ele.

 

   Uma outra enfermeira dentro da sala tira o bebê de dentro da incubadora, que começa a chorar.

 

— O que ela está fazendo? — Robert pergunta assustado.

— Está na hora dele se alimentar. — a enfermeira diz. — Vem comigo.

— Não, está tudo bem. — ele insiste.

— Vem.

 

   Ela então o força, o puxa pela mão e juntos entram na sala. — Robert é orientado pela enfermeira, os dois lavam as mãos, e Robert é colocado sentado em uma cadeira. Não muito depois uma mulher entra e se senta em uma cadeira do seu lado.

 

— Essa é a Rebeka. — a enfermeira me apresenta em sussurros. — Ela é a ama de leite do seu filho.

— Olá. — Robert a cumprimenta sem jeito. — Não entendo, por que eu estou aqui?

 

   A segunda enfermeira trás o pequeno bebê nos braços, ele está chorando muito. Ela logo o coloca nos braços da mulher, que coloca seus seios para fora, deixando Robert constrangido. O bebê continua a chorar, bate as pequenas mãozinhas no ar em rejeição, e balança a cabeça.

 

— Por que ele está assim? — Robert questiona.

— Por mais que seja prematuro, ele já está todo desenvolvido, e saudável, já não respira mais com a ajuda dos aparelhos e não se alimenta mais com a sonda, hoje estamos fazendo um teste, é a primeira vez que ele vai se alimentar dessa forma.

— Entendi. — ele diz confuso.

 

   Sua pequena boca então encontra o bico do peito da mulher, que lança um suspiro no ar, porém logo o bebê o solta e volta a chorar.

 

— Hey! — Robert o chama em sussurros.

 

   O rapaz então se levanta e se ajoelha em frente à mulher, passa a mão delicadamente nos cabelos finos e ruivos do bebê, e abre a boca surpreso, quando de repente sua pequena mãozinha agarra seu dedo indicador, ao mesmo tempo em que volta a mamar.

 

— Está tudo bem. — Robert diz em sussurros enquanto lágrimas escorrem de seus olhos. — Vai ficar tudo bem.

 

   O jovem olha pela vidraça e vê do outro lado Leonard Evans, o pai da Lucy.

 

— Ele parou de chorar. — Robert observa com um sorriso no rosto.

— Talvez ele tenha reconhecido a presença do pai. — a enfermeira fala, deixando-o nitidamente desconfortável.

 

   Não demorou muito para o bebê terminar de mamar. Logo ele é colocado na incubadora novamente, dormindo.

 

   Robert sai de dentro da sala e encontra-se com Leonard ainda parado olhando pela vidraça.

 

— Boa Tarde Sr. Evans. — Robert o cumprimenta sem jeito.

— Boa Tarde. — ele retribui. — Tem um minuto?

 

   O jovem faz que sim com a cabeça e o acompanha.

 

   Os dois agora estão no refeitório do hospital, sentados em uma das mesas.

 

— Isso é constrangedor. — Robert fala.

— Acredite, para mim também. — Leonard fala. — Mas... Meu rapaz, eu vi como você olhou para o bebê, o modo como o tocou, o segurou... Como sorriu e chorou.

 

   Robert começa a encarar as próprias mãos.

 

— Minha filha está com muita coisa na cabeça agora. — Leonard continua. — Ela está agindo estranho desde o nascimento dele, e nem se quer uma vez perguntou ou veio o ver. Ela assinou os papeis da adoção.

— O que? — Robert pergunta assustado. — Quero dizer... Tão rápido.

— Eu vou falar sério agora.

— Não estava falando sério antes?

 

   Leonard o encara.

 

— Desculpa. — Robert pede.

— Nem a Suzy e nem eu concordamos com o que a Lucy está fazendo. Esse bebê é o nosso neto e o queremos por perto, nós podíamos muito bem pegar a guarda dessa criança, mas você já tem dezoito anos, e é o pai.

— Aonde quer chegar?

— Eu vi o modo como via aquela criança. — o pai da Lucy insiste. — Você tampouco quer se afastar dele.

— Eu não posso fazer isso. — Robert diz. — Eu... Eu não posso criar um bebê sozinho.

— Você não está sozinho. — ele fala. — Têm a mim, a Suzy... Você não está sozinho.

— Você mesmo disse a Lucy já assinou os papeis e...

— Quanto a isso deixe comigo. — Leonard insiste. — Daqui a dois dias seu filho sai do hospital, daqui a dois dias você precisa decidir se vai agir como um pai, ou como um garoto.

— Mas eu sou um garoto.

— Você me entendeu. — Leonard se levanta.

 

   O pai da Lucy se afasta, deixando Robert sozinho, perdido em pensamentos.

 

   Robert volta para a ala onde seu filho está, e assim que chega encontra Melissa parada observando pela vidraça.

 

— Onde estava? — Melissa pergunta.

— Conversando com o avô dele. — seu irmão responde. — Melissa, você acha que eu consigo?

 

   Sua irmã agora o encara seriamente.

 

— Você consegue ser mais criança do que ele, que mal sabe se mexer sozinho. — Melissa observa. — Mas Robert, você é o homem mais gentil que eu conheço, mais protetor, e eu não consigo imaginar um lugar melhor para o seu filho estar do que ao seu lado.

 

   Robert então encara o pequeno bebê adormecido.

 

— Ele é ruivo. — o jovem diz sorrindo. — Igual a nossa mãe.

 

   Melissa repousa a cabeça no ombro do irmão.

 

— Eu vou fazer isso. — ele diz em lágrimas.

— O que? — sua irmã o observa confuso.

— Eu não vou deixar a Lucy destruir a vida dele e a minha também. — Robert insiste.

 

   Nesse momento a enfermeira abre um sorriso para ele de dentro da sala.

 

— Mesmo que eu tenha que desistir de tudo, mesmo que eu perca toda minha vida por isso... Eu não vou ficar longe dele.

— Robbie...

— Eu vou lutar pelo meu filho. — Robert afirma. — Eu vou cuidar dessa criança, pois eu sou o pai dele.

 

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POV MAXIMILIAN

 

   Às vezes eu me sinto perdido, não só pelos meus sentimentos, ou por tudo que vem acontecendo, mas perdido em relação a mim mesmo. — Quando comecei a usar essas coisas, foi como uma forma que encontrei para escapar da realidade, uma forma que encontrei para agir como um alguém que eu deva ser, não como o esse alguém que eu sou.

 

   Estou em casa agora, deitado no sofá assistindo um filme. — Cory me deixou aqui e eu o liberei de seus serviços pelo resto da semana. Eu tenho razão em afirmar que a culpa de eu ter usado drogas não foi por culpa dele, claro que ele me importunou bastante para usar a primeira vez, mas eu fui muito fraco, fraco a ponto de continuar a usar mais e mais... Talvez me afastando dele por um tempo, esse desejo e essa sensação estranha causada pela abstinência... Suma.

 

— Não sabia que já estava em casa. — minha mãe fala surpresa a me ver.

— Não tive todas as aulas hoje. — minto. — Então voltei mais cedo.

 

   Minha mãe tira seu sobretudo vermelho e o coloca em cima da mesa de centro. — Minha mãe tem algo com a cor vermelho... Ela sempre usa a cor vermelho. — Ela se senta no sofá e pousa minha cabeça em suas pernas.

 

— Mãe... — chamo-a em sussurros.

— Algum problema?

 

   Eu expus minha mãe em frente de toda a cidade, de todo o estado... De todo o país. Disse ao mundo que sou filho de Lily Green, que sou fruto de uma traição, mas mesmo assim... Ela permanece aqui, agindo como se fosse minha mãe, fingindo que nada daquilo aconteceu.

 

— Você me odeia? — pergunto ainda encarando a televisão.

 

   Seus dedos entrelaçam em meus cabelos. — Seu toque me causa tremores horríveis.

 

— Por favor, não me toque assim. — peço desconfortável.

 

   Finalmente a encaro, seus olhos estão brilhantes, e um sorriso bobo de canto de boca.

 

— Você é meu filho. — ela diz. — Como eu posso odiar o meu menino?

 

   Penso em dizer algo como: “Você sabe que não sou seu filho”, ou: “Como consegue ficar nessa casa e dormir com aquele homem sabendo de tudo isso?”. — Mas eu sei que eu tenho esse incrível poder dentro de mim de transformar qualquer momento bonito e um momento super desconfortável.

 

— Claro. — concordo voltando a encarar a televisão. — Você é a minha mãe.

 

   Eu a amo. Independente de ter me vendido ao meu pai, independente de ter me traído quando ele simplesmente surtou destruindo todas as lembranças do Jeff dessa casa, independente de concordar com meu pai quando se trata da Melissa e do Robert... Independente de nunca fazer nada quando sou espancado pelo meu pai. — Talvez seja porque ela sempre foi a pessoa a aparecer logo em seguida com um abraço de conforto. Ou talvez pelo fato de que quando eu estava no colégio interno, ela era a única, depois da Lucy, que se lembrava do meu aniversario, e iria me visitar. — Mesmo com tudo isso... Mesmo sabendo toda a verdade sobre ela não ser minha mãe, eu não consigo não amá-la como mãe... Eu a amo.

 

— Max. — ela agora me coloca sentado e tenta não me encarar. — Eu sei que não gosta de falar sobre isso, mas eu sou sua mãe e estou preocupada.

 

   Ela sabe? Sobre as drogas?

 

— Por mais que ele não demonstre, seu pai também está preocupado. — minha mãe continua. — É sobre a G.T.

 

   Respiro, aliviado. — Eu morreria se descobrissem sobre as drogas.

 

— Depois do último ataque nós não tivemos mais nenhum contato. — conto. — Desde o incêndio na casa da Sarah, o acidente do Jeff...

 

   Meu corpo estremece. — Eles tentaram matar a Sarah, e toda vez que eu penso... Se a Jenny não estivesse lá, a Sarah estaria morta agora.

 

— Como estão todos? — minha mãe pergunta. — Eu vi o menino da Jéssica, lamentável o que aconteceu com ele.

— Não é permanente. — digo intimidado. — Ele disse que talvez volte a sentir as pernas.

— Deus o ouça. — ela abre um sorriso. — E os outros?

— Sarah está na casa do namorado, Lucy não sai de casa desde que o bebê nasceu, e o Robert vem agido estranho.

— Estranho?

— Lucy não quer a criança. — revelo. — O bebê está no hospital, mas logo vai sair, e por mais que o Robbie diz concordar com ela, é nítido que não é o que ele quer de verdade.

 

   Minha mãe vira a cabeça para o lado como se estivesse sentindo alguma dor, então volta a virar para mim e sorri de um jeito estranho, como se o estivesse forçando.

 

— Outro Green. — ela observa. — Talvez... Talvez seja mais prudente que...

— Estou em casa! — a voz grave do meu pai ecoa de repente.

 

   Minha mãe logo se levanta do sofá, nesse mesmo momento ele chega. Usando seu terno preto e sua maleta preta em mãos.

 

— Tão cedo em casa, Maximilian. — meu pai observa.

— Está falando comigo? — pergunto confuso.

— Não tem outro Maximilian nessa casa. — ele diz friamente. — Michelle você precisa resolver umas coisas com o Matthew a respeito do próximo vídeo comercial da empresa.

— Matthew? — me intrometo curioso.

— Pois é Maximilian. — meu pai finalmente me olha nos olhos. — Os herdeiros farão um comercial para a empresa. E você será a estrela, sendo o principal herdeiro.

— O que quer dizer com isso?

— Você, Lucy, Jeff, Jenny e o Patrick, irão fazer um comercial para a empresa. — ele simplesmente diz e sai da sala.

 

   Só pode ser brincadeira! — Eu juro que eu sempre acredito que ele faz isso de proposito. Não é possível, ele deve realmente amar me torturar.

 

— Sério isso? — pergunto ainda sem acreditar.

— É só um comercial. — ela me dá um beijo na testa. — Vai ficar tudo bem.

— Claro... Claro que vai.

 

   É realmente muito, muito desconfortável como as coisas na minha vida ocorrem como se tudo já estivesse predestinado a acontecer. — É incrivelmente irritante.

 

— Senhor Miller. — Guadalupe vem até a sala no mesmo momento em que a minha mãe sai. — O senhor tem visita.

 

   Levanto curioso, e assim que dou os primeiros passos vejo Robert. Ele ainda está usando a mesma roupa de mais cedo. — Não posso dizer nada, também estou. — O que faz aqui? Se meus pais o virem será um inferno.

 

— A gente pode conversar? — ele pede. — Eu... Eu realmente preciso do meu irmão agora.

 

   Sinto um nó na garganta.

 

— Vamos para o meu quarto. — digo.

 

   Ele faz que sim com a cabeça e me segue. — É realmente muito estranho, eu tenho que admitir que mesmo tendo passado alguns meses que descobrimos que somos irmãos, ainda é estranho, para mim, ver ele dessa maneira.

 

   Chegamos a meu quarto. Tranco a porta e me sento na cama, enquanto ele se joga no Puff.

 

— E então? — ele pergunta. — O que quer falar comigo?

— Eu? — pergunto confuso.

— Ah! — Robbie então sorri. — Sou eu que vim falar, falha minha.

 

   Sou obrigado a sorrir junto a ele. — É estranho, parece que algo o está incomodando, pois mesmo fazendo suas piadas, seu semblante permanece pesado, como se estivesse carregando um grande peso em suas costas.

 

— Fui ao hospital hoje. — ele fala. — Eu o vi.

 

   Endireito-me na cama e finalmente o encaro seriamente. — Essa é a primeira vez que conversamos sobre isso desde o nascimento dessa criança, até mesmo a Lucy não diz uma palavra a respeito disso.

 

— Como ele está? — pergunto tentando não abrir um sorriso de empolgação.

 

   Robert pega seu celular e me mostra uma foto. É ele, segurando o bebê. Seus cabelos são ruivos, sua pele tão branca quanta minha, ele é bem fortinho para um recém-nascido prematuro.

 

— Não dá para dizer com certeza ainda com quem ele se parece, mas... Ele tem o nariz, a boca e o formato dos olhos idênticos a Lucy. — observo. — Porém a cor dos olhos é igual aos seus, e as orelhinhas engraçadas também.

— Eu tenho orelhas engraçadas? — ele se pergunta enquanto mexe nelas. — Que maldade.

— É bonitinho. — sorrio. — Não estou implicando. — defendo-me.

 

   Robert pega o celular e volta a se sentar no Puff encarando a imagem.

 

— Lucy assinou os papeis da adoção. — ele fala me causando arrepios. — Em dois dias o bebê vai ser levado sabe-se lá pra onde.

— Robert desculpa. — peço. — Eu realmente não queria me envolver nisso, mas é que está me irritando. Como vai deixar simplesmente levarem seu filho desse jeito?

 

   Ele abre um sorriso para mim, que me deixa confuso.

 

— Eu não vou. — ele diz. — Eu vou ficar com meu filho.

 

   Simplesmente pulo da cama e o abraço.

 

— Essa é a melhor noticia do dia todo. — digo em sorrisos. — Robbie... Eu estou tão feliz.

— Mas tem um problema. — ele fala. — Eu não entendo como essas coisas funcionam, e o pai da Lucy disse que me ajudaria, mas eu não quero esperar mais nem um segundo... Eu quero meu filho nos meu braços, eu não quero que ele passe mais nenhum segundo dentro daquela nave do Super Man que o levará de Krypton para outro planeta.

— Eu vou fingir que entendi. — digo levantando. — Vem comigo eu acho que sei quem pode nos ajudar.

— Quem?

 

   Saio apressado do quarto, o forçando a me seguir. Desço as escadas. — Estou tão eufórico, e não faço ideia do motivo.

 

— Max? — Robbie me chama.

 

   Estou parado em frente à porta do escritório do meu pai. Vim até aqui, mas agora estou hesitando em bater.

 

— Maximilian eu consigo ouvir sua respiração daqui. — meu pai fala do outro lado. — Vá tomar seus remédios.

 

   Então abro a porta, o que o faz me olhar de forma estranha. Ele então se levanta quando percebe a presença do Robert.

 

— Quantas vezes eu já falei que...

— Pai! — o interrompo. — É sobre o filho da Lucy... O filho do Robert.

 

   Meu pai encara Robert, e volta a se sentar. — Espero não estar errado. Mas meu pai sempre demonstrou muito carinho pela Lucy, ele é o padrinho dela, e também se entregou para a G.T meses atrás para poder salvar a vida dela. E eu o vi quando descobriu que o bebê era um menino... Eu nunca vi tamanha felicidade em seus olhos. — Fecho a porta. Robert e eu nos sentamos nas cadeiras da mesa, e é inevitável não tentar fugir do olhar severo do meu pai.

 

— O que está esperando? — meu pai pergunta. — Não tenho o dia todo Maximilian.

— Pai. — começo envergonhado. — Como você sabe o Robert é o pai do filho da Lucy, e a Lucy quer dar esse filho para adoção... Mas o Robert quer criar o bebê.

 

   Ele agora encara Robert, que está cruzando os dedos e balançando as pernas freneticamente.

 

— E o que eu tenho com isso?

— Nós temos excelentes advogados, o Leonard já está fazendo tudo o que pode, mas se você tentar...

— Mais uma vez. — meu pai insiste. — O que eu tenho a ver com isso?

— Você é o avô dessa criança! — Robert grita levantando.

— Hã?

— Não... Espera me expressei errado. — Robbie bagunça os cabelos. — Olha... Eu sou irmão do Max, mesmo que seja só por parte de mãe. Eu sendo pai dessa criança faz o Max ser inteiramente tio dele, sendo assim, você é algo como um... Tio-Avô. Ele... Esse bebê é sua família também, você querendo ou não, carregando o seu sangue ou não... Mas ele carrega o sangue do Max, o meu... Ele é nossa família.

— Esse discurso sentimentalista era para me deixar tocado? — meu pai pergunta. — Você é só uma criança. O que uma criança quer cuidando de outra?

— Eu venho me perguntando isso desde que ele nasceu. — Robert fala. — Então eu me dei conta, os pais da Lucy a tiveram com a mesma idade que a gente praticamente. Minha irmã teve que cuidar de mim quando meus pais morreram... Ou só minha mãe, tanto faz... Eu não sou um covarde, Paul Miller... Eu não sou o tipo de pessoa que foge das responsabilidades. Aquele garoto é meu filho, a Lucy querendo ou não... Eu vou ficar com ele, vou protegê-lo e coloca-lo dentro de um potinho para que nunca se machuque. — ele então para. — Okay, esquece essa parte do potinho, isso soou mais fofo na minha cabeça.

 

   Robert vai até meu pai e simplesmente se ajoelha em sua frente.

 

— Eu sei que me odeia por eu ser filho dos meus pais. — ele grita. — Eu sei que acha que eu sou uma influencia ruim para o seu filho, mas se você algum dia... Alguma vez sequer olhou para ele com amor... Vai entender o que eu estou sentindo, vai entender o motivo de estar fazendo isso.

— Garoto levanta.

— Me ajuda. — Robert implora.

 

   Meu pai bufa e revira os olhos.

 

— Deve ser coisa desse sangue ruim de vocês, nunca entendi o motivo dos Green gostarem tanto de se ajoelhar pedindo socorro. — meu pai murmura. — Tudo bem.

— Tudo bem? — pergunto.

— Tudo bem? — Robert pergunta.

— Tudo bem? — meu pai também pergunta. — Oh! Isso é contagioso...

 

   Robert sorri, levanta e simplesmente o abraça, me deixando surpreso, e também deixando meu pai surpreso.

 

— O que a gente faz? — Robert pergunta animado.

— Você fica comigo, precisamos discutir algumas coisas. — meu pai diz. — E você. — ele agora aponta para mim. — Preciso que convença a Lucy a pelo menos registrar essa criança.

— Não entendi. — digo confuso.

— Essa criança precisa de uma mãe e de um pai. — ele continua. — Se eu for ajudar, vai ser nos meus termos, eu não quero que essa criança carregue só o nome dos Green, ela terá o Evans, e será um dos herdeiros futuramente.

— Isso não é necessário. — Robbie sussurra.

— Tudo bem. — falo. — Mas a Lucy não vai concordar em registrar essa criança junto com o Robert, ela não é burra.

— Tem algo sobre aquela menina que você nunca vai ser capaz de entender. — meu pai diz.

 

   Robert abre um sorriso concordando.

 

— Ela ama você incondicionalmente. — Robert diz. — Mas que qualquer outro.

— Isso não é verdade.

— Você sabe que é Maximilian. — meu pai diz. — Ela vai te ouvir, ela vai saber que o certo, é essa criança ficar com os pais... De repente isso a convença a ficar com a criança, o que é mais seguro que largar nas mãos desse aqui.

— Hey! — Robert protesta. — Mas o seu pai está certo, só você é capaz de convencer a Lucy a desistir dessa loucura.

 

   Eu me sinto envergonhado ouvindo essas coisas, mas se eu realmente for aquele capaz de fazer algo certo, eu farei. Ainda mais porque eu devo ao Robert, depois de humilha-lo na frente de todos na escola meses atrás... E ainda mais porque eu quero ver meu sobrinho crescer então...

 

— Farei o meu melhor. — afirmo levantando. — Vou falar com a Lucy agora.

 

   Saio do escritório apreçado. — Espero que os dois não se matem ai dentro.

 

..........

 

   Okay! Não é como se eu quisesse estar aqui agora. — Saí de casa no intuito de ir a Mansão dos Evans conversar com a Lucy, mas chegando lá, fui informado de que ela está aqui...

 

— A casa do Jeff. — digo a mim mesmo.

 

   Toco a campainha e paro por encarar a rampa recém-construída. — Ainda me incomoda o fato de ele estar preso a essa cadeira de rodas, me sinto muito desconfortável estando perto dele, e ter que o ver assim... Tão frágil.

 

— Boa Noite Sr. Miller. — o mordomo me cumprimenta.

 

   Não sabia que ele me conhecia, mas tudo bem. — Sou acompanhado para dentro, e levado até o novo quarto do Jeff, que agora fica no andar de baixo.

 

— Obrigado. — agradeço assim que o mordomo se afasta.

 

   Vocês são amigos agora, saiba lidar com isso! — Bato na porta.

 

— Tá aberta. — Jeff grita.

 

   Abro-a bem devagar. — Meu coração acelera vendo-o deitado na cama, com as pernas esticadas, e a Lucy sentada junto a ele na cama.

 

— Miller? — Jeff me observa confuso. — Aconteceu alguma coisa?

 

   Suas pernas estão esticadas, paradas... Não fazem um movimento sequer... Isso está me deixando louco.

 

— Max? — a voz da Lucy me desperta. — Tudo bem?

— Sim... Sim. — digo entrando. — Na verdade, eu vim falar com você, Lucy.

— Não é como se eu pudesse sair para ficarem sozinhos. — Jeff murmura. — Mas pode ir Lucy.

— Está tudo bem. — ela fala.

 

   Okay! Deixe-me expressar agora o quão surpreso eu estou por ver a Lucy desse jeito. Ela está magra... Quando eu digo magra, eu digo... Ela simplesmente voltou a ter aquele corpo de antes. — Como? Não faço ideia.

 

— Antes. — Lucy fala. — Quero falar algo com você também.

 

   Por que sinto que não vou gostar dessa conversa?

 

— Você surtou hoje na escola de novo? — ela me questiona.

— Não. — minto.

— Max, eu sei quando está mentindo. — Lucy afirma. — E outra, não foi um surto normal, você gritava coisas estranhas, e bateu no Jacob.

 

   Vejo Jeff também me encarar. — O que eu falo? Não posso simplesmente dizer: “Ah eu estava sob efeito de drogas, o que me fez ter alucinações e eu não fazia ideia do que estava fazendo!”.

 

— Meus remédios não estão fazendo tanto efeito. — minto. — Mas eu já fui ao médico, e já resolvi tudo. E também vou pedir desculpas ao Jacob.

— Essa é razão estar agindo estranho desde a semana passada? — Jeff pergunta. — Está realmente bem agora?

— Bem, muito bem, cem por cento bem! — digo rapidamente. — Podemos não falar sobre isso?

 

   Os dois me encaram.

 

— Lucy, você já pode sair de casa assim? — pergunto confuso.

— Eu não aguentava mais ficar presa na cama. — ela reclama. — Tudo o que eu faço é correr na esteira o dia todo.

— Você fica correndo na esteira?

— Acha mesmo que eu queria ficar com aquele saco vazio na minha barriga por mais tempo? Não, obrigada.

 

   Tipo... Tá né! — Okay Max, se concentra você veio aqui com um objetivo, e não importa o fato do Jeff estar aqui esteja te incomodando... Apenas faça!

 

— Lucy a gente precisa conversar. — mudo o tom de voz. — Sobre o seu filho.

— Não, não precisamos. — ela diz voltando a se sentar.

— Robert foi ao hospital hoje. — conto. — Ele está lindo, saudável, e já vai sair de lá.

 

   Seu corpo estremece, porém ela permanece em silencio.

 

— Lucy é o seu filho, vai realmente agir dessa maneira?

— Max, não se mete nisso. — Jeff pede.

— Lucy eu sei sobre a adoção. — conto. — Seu pai falou com o Robbie, e nesse momento ele está falando com meu pai.

— Sobre? — ela agora parece curiosa.

— O Robert quer o filho. — conto.

— Como assim ele quer o filho? — ela pergunta confusa. — Eu decidi que...

— Você, você... — agora Jeff fala. — Por que só está pensando em você?

— Porque é da minha vida que estamos falando aqui.

— E da vida do Robert também. — Jeff insiste. — Não acha que um pai tem todo o direito de ficar com o filho?

— E quanto a mim? — ela insiste gritando.

— Não se trata só de você Lucy! — finalmente grito deixando-a assustada, e também o Jeff. — Robert é meu irmão, o que faz daquele bebê meu sobrinho, independente de querer criar ele ou não, ele é e sempre será o seu filho.

— Não entendo o que quer de mim? Se o Robert o quer, o Robert que o pegue então.

— Lucy, estamos falando de um bebê! Uma criança, um ser humano! — insisto. — Não pode falar dele como se fosse um objeto, que se pode largar por ai até que alguém o encontre. Essa criança tem pai, avós e tios que querem cuidar dele...  Eu respeito a sua decisão de não querer ser mãe, mas eu não respeito a sua decisão de não ser humana.

— Eu não gosto quando fala comigo desse jeito. — Lucy derrama lágrimas. — Olha o que tudo isso me causou! Meus melhores amigos se voltando contra mim por causa... Por causa disso.

— Não estamos contra você. — Jeff fala.

 

   Me aproximo dela. — É tão estranho tudo isso estar acontecendo.

 

— Você é a pessoa mais gentil, e forte que eu conheço. — falo. — Eu te conheço o bastante para saber que não se arrepende de suas decisões, mas você conhece o Robbie, tão bem ou até melhor que a gente... Você sabe que manter esse filho longe dele o destruirá.

— Eu não posso fazer isso. — ela insiste.

— Por favor. — peço. — Tudo o que estou pedindo é que registre a criança com ele, dê a esse filho um nome, e se quiser se afastar, tudo bem... Mas não afaste o Robert disso, pois ele é tão parte de tudo quanto você, você não tem o direito de decidir isso sozinha, não quando ele está disposto a se sacrificar pelo próprio filho... Por favor.

 

   Lucy se senta na cama e simplesmente soca as pernas do Jeff.

 

— Sabe que eu não estou sentindo nada, não é? — ele pergunta irônico.

— Idiota! — Lucy grita em lágrimas. — Droga... Eu faço como querem. Eu vou registrar essa criança com ele... E depois disso, é por conta dele, e não minha... E eu não quero ninguém, ninguém me julgando por isso.

 

   Lucy se levanta e corre para fora do quarto.

 

— Intenso. — Jeff murmura.

— Errr. Eu acho que já vou. — falo.

 

   Jeff sorri para mim.

 

— Seus olhos estão fundos, você está mais pálido que o normal, seus lábios estão secos. — ele fala. — Max seja lá o que esteja fazendo, pare... Antes que acabe perdendo o controle.

— Não entendi. — digo confuso.

— Na verdade acho que entendeu sim. — Jeff insiste. — Se cuida Miller.

 

   Saio de seu quarto. — O que foi isso agora? O Jeff por acaso sabe que usei drogas?

 

 

   E assim foi nosso inicio de semana. Meu surto, a decisão do Robert, a decisão da Lucy... Eu sinto que as coisas vão mudar muito daqui pra frente, eu só não sei se pra melhor, ou pra pior.

 

   Terça-feira dia vinte e quatro. O dia passou bem depressa. Eu pedi desculpas ao Jacob, o qual aceitou prontamente acreditando na mentira do meu surto devido ao meu autismo. Também foi o dia em que o Robert, Melissa e Suzy passaram quase que o dia todo no shopping comprando coisas para o bebê, e para o quartinho dele.

 

..........

 

   Hoje é quarta-feira, vinte e cinco de novembro. — Hoje faz exatos dez dias desde que o bebê nasceu.

 

   Estávamos todos no cartório: Robert, Lucy, Jeff, Sarah, Suzy, Leonard, Jenny, Matthew, e também meu pai. — Minha mãe não pode ir, por estar se sentindo indisposta. — A assinatura da papelada não demorou muito tempo.

 

   E agora estamos todos no hospital.

 

— Vocês por acaso andam em bando? — o mesmo médico que fez o parto da Lucy vem falar com a gente.

— Não vamos prolongar isso mais que o necessário. — Lucy diz de forma ríspida.

— Claro. — o médico fala. — Queiram me acompanhar.

 

   Lucy, Robert, Melissa e Suzy acompanham o médico, enquanto o restante de nós aguarda na sala de espera.

 

— Estou tão ansioso que mal me concentrei na prova de hoje. — falo. — Eu quero ver essa criança logo.

— A gente fala isso, mas deram algum nome para o bebê? — Sarah pergunta confusa.

 

   Agora que ela falou... — Lucy e o Robert registraram a criança, mas nem se quer falaram com a gente a respeito do nome.

 

..........

 

   Os minutos começam a passar, o que nos deixa aflitos. Até que finalmente Robert vem andando, junto com Melissa.

 

— E então? — pergunto. — Onde ele está?

 

   Meu coração acelera quando vejo Lucy com seu filho braços.

 

— Ele é pesado. — ela força um sorriso.

— Ele é lindo. — Sarah observa.

— Toma! — Lucy diz ao Robert. — É todo seu.

 

   Robert a encara, talvez esteja passando milhões de coisas na sua cabeça nesse momento, mas tudo o que ele faz é pegar o filho nos braços e abrir um enorme sorriso.

 

— Vamos para casa. — Robbie diz em sussurros. — Alex.

— Alex? — Jeff pergunta.

 

   Todos então me encaram. — O que eu fiz?

 

— Alex. — Sarah repete. — Lembra Max. — ela observa.

— E também lembra o treinador Alec, o que me deixa um pouco desconfortável. — Jeff bufa.

 

   Sorrimos para ele.

 

   Eu não sei... Realmente não sei o que a vida nos aguarda. Todos nós estamos mudando, todos nós estamos sendo forçados a amadurecer rápido demais, outros... Ainda mais. Mas uma coisa é certa, Nosso grupo começou por causa da Gangue dos Trilhos, e se fortaleceu por causa da G.T, porém agora nós percebemos que isso não é a única coisa que nos mantém unidos... Somos amigos, e estaremos sempre presente um para o outro, não importa o passado, o presente, ou até mesmo o futuro... Quando se trata de amizade, nós sempre nos colocamos um pelo outros, e é isso o que me faz perceber que não importa o que aconteça daqui em diante... Sempre teremos uns aos outros para nos apoiarmos.

 

..........

 

   E hoje... Dia vinte e seis de novembro. O dia de Ação de Graças.

 

   Já está de noite. Estou na casa da Melissa e do Robert. — Claro que eu gostaria de passar a Ação de Graças com meus pais, mas eles viajaram para Los Angeles e me largaram aqui. — Bom, vamos para o momento Max retardado de ser... Eu nunca comemorei Ação de Graças e nenhuma outra data comemorativa, como eu já disse varias vezes, por ter sido criado em um colégio interno eram poucas as vezes que eu saia, e a única que eu comemorava era o meu aniversario. Então... Realmente não faço ideia do motivo de ter tanta comida em cima dessa mesa, sendo que só estamos os três aqui. Bom os quatro, já que o pequeno Alex está dormindo em um berço na sala de jantar. — Sim, o Robert colocou um berço dentro do próprio quarto, no quarto da irmã, no quarto do bebê, um na sala, e um na sala de jantar. É muito estranho, mas tudo bem.

 

— Você está bem? — Melissa pergunta. — É seu primeiro jantar de ação de graças, achei que gostaria de ficar com sua família.

— Vocês são minha família. — sorrio. — E eu tinha que arrumar uma desculpa para ver essa coisinha fofa.

— Mas você me vê todo dia. — Robert de repente me abraça.

— Eu estava falando do bebê.

— Ah! — Robert volta a se sentar. — Ele também é fofo.

— Podemos comer? — pergunto confuso. — Ou temos que esperar alguma coisa?

— É Ação de Graças. — Robert fala. — É a época em que nos reunimos em volta da mesa para falar sobre o que somos gratos, de coração.

— Não acho que eu queira falar sobre isso. — digo envergonhado.

— Vamos lá. — Melissa sorri. — Eu começo.

 

   Ela se ajeita na cadeira e abre um sorriso.

 

— Eu sou grata, por muitas coisas esse ano. Sou grata pelo Max ter voltado à cidade, o Robert estava insuportável. — ela começa a falar. — Sou grata por ter me formado e ter conseguido um emprego na escola. Sou grata por vocês não morrerem bancando heróis. Sou grata por esse bebê que já chegou alegrando nossas vidas, mas acima de tudo eu sou grata por ter o Max como nosso irmão.

 

   Isso é a coisa mais constrangedora do mundo.

 

— Minha vez. — Robert diz empolgado. — Sou grato por ter meus irmãos aqui comigo, sou grato pela minha Coreana não ter me dado um pé na bunda, sou grato por ser pai, mesmo estando com ele só há um dia e já enlouquecendo por não ter dormido a noite toda, também sou grato por todos os meus amigos, e sou grato infinitamente pelo Jeff e a Sarah estarem vivos.

 

   Sinto um aperto no peito.

 

— Sua vez. — Robert diz.

— Tudo bem. — digo constrangido. — Sou grato por tirar notas boas. Sou grato por ser o melhor nadador da escola.

 

   Lembro-me de repente da viga caindo em cima do Jeff.

 

— Sou grato por poder dizer que tenho amigos, grato por não desistirem de mim mesmo eu dando milhões de motivos. — lagrimas caem dos meus olhos. — Eu agradeço pela vida de cada um...

 

   Eu não posso dizer isso em voz alta, mas sim, eu sou grato eternamente por eu ter tido forças para sustentar aquela viga, eu sou grato por ele estar vivo... Sim... Pode me chamar de egoísta, mas eu só consigo pensar quando falo em gratidão, é ele estar vivo.

 

— Quer falar alguma coisa Alex? — Robert pergunta ao bebê, que está dormindo. — “Ah papai... Você é muito lindo, e eu acho que você parece um artista de cinema, quero ser igual a você.”. — ele simplesmente infantiliza a voz, simulando que o bebê está falando. — Ah! Que lindo pequeno Alex.

 

   Robert pega o bebê que repentinamente começa a chorar.

 

— Robbie. — Melissa reclama abaixando a cabeça. — Ele tinha acabado de dormir.

— Desculpa irmã — Robert pede sem graça tentando fazer o bebê dormir.

 

   Me pergunto se todos estão tendo uma noite como a nossa. — Não... Eles não têm o Robbie!

 

 

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POV NARRADOR

 

—  Eu sou grata por diversas coisas. — Sarah diz sorrindo. — Por estar viva... Por meus amigos estarem bem, por tudo.

 

   Sarah está no Hospital Psiquiátrico onde sua mãe está internada, e está sentada junto a ela na mesa do refeitório.

 

— Gratidão é?

 

   Sarah olha confusa para trás e vê Anna, carregando consigo uma cesta de frutas.

 

— O que está fazendo? — Sarah questiona confusa. — Achei que não queria que as pessoas nos vissem juntas.

— Ação de Graças se comemora com a família, não é? Vocês duas são minha família.

 

   Anna então se senta ao lado da irmã, dando-lhe um beijo no rosto.

 

— Por que está me encarando? — Anna pergunta a Sarah.

— Você sabe que mais cedo ou mais tarde vai ter que me contar o que aconteceu de verdade, não é? O motivo de você ter ido ajudar a Lucy e depois deixado ela lá.

— É Ação Graças, Sarah. Tenta relaxar.

— Claro.

 

..........

 

   Não demora muito para o horário de visitas acabarem. O que força as duas a terem de deixar a Dianna sozinha novamente.

 

— Aonde vai? — Anna pergunta quando saem do prédio.

— Não que te interesse. — Sarah diz. — Já que quando minha casa pegou fogo nem se preocupou.

— Isso não é verdade.

— Não importa Anna, apenas... Volte a fazer seja lá o que faça.

 

   Sarah sai andando deixando Anna para trás.

 

..........

 

   Anna está parada em frente à porta de um apartamento, criando coragem para bater a porta.

 

— Oi Leoa Albina! — Anna fala sozinha. — O que? Não, eu estava andando por ai, ai lembrei que você fica sozinha, então... Pensei em te fazer companhia. — ela sorri sozinha. — Ah que safadeza, estamos indo muito depressa não acha?

— O que diabos você está fazendo?

 

   Anna olha assustada para trás e dá de cara com Kristin, que ainda está fardada e segurando duas sacolas nas mãos.

 

— Você não ouviu isso, ouvi? — a Co-Treinadora pergunta.

— Eu não sou surda.

 

   Kristin simplesmente passa por ela, abre a porta e entra.

 

— Você não fechou a porta. — Anna fala colocando a cabeça para dentro do apartamento. — Isso foi um convite?

— Você já está aqui. — Kristin diz.

— Credo... Que frieza.

 

   Anna entra e se senta no sofá, enquanto Kristin faz algo na cozinha.

 

— Sabe. — ela fala. — Eu estava pensando... Nós podíamos sair juntas de novo.

 

   Kristin volta com duas taças de vinho, entrega uma a Anna e se senta ao seu lado.

 

— Nós não somos um casal, Anna. — a policial afirma.

— Nunca disse que a gente era. Eu só... Quero te conhecer melhor, teve nosso jantar e a gente se beijou, e depois teve a festa de Halloween que acabou naquele barraco... Desde então a gente não tem se visto e...

 

   A policial simplesmente a beija.

 

— Você fala demais. — Kristin sussurra. — É irritante.

— Me faz calar a boca então. — Anna pede.

 

   As taças de vinho caem em sincronia, enquanto Anna e Kristin começam a se beijar calorosamente no sofá. A policial começa a tirar o colete, enquanto Anna tira seu casaco.

 

— Não estamos indo rápido demais? — Anna pergunta.

— Me diz você.

 

   As duas se afastam assustadas uma da outra quando seus celulares começam a tocar. — Elas sorriem uma para a outra e atendem.

 

— Agora? — Anna pergunta se afastando de Kristin. — Têm certeza que ele é confiável? Você melhor do que ninguém sabe que ele ajudou o Spencer naquela loucura contra o Max... Tudo bem, eu entendi... Eu faço não se preocupa, já estou indo.

 

   As duas voltam a se encontrar no centro da sala.

 

— Preciso ir! — as duas dizem juntas.

— Parece que a diversão fica pra outro dia. — Anna diz beijando-a. — A gente se vê Leoa Albina.

 

   As duas saem juntas do apartamento, mas logo se separam.

 

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POV NARRADOR

 

   A Mansão de Matthew K.P Jones está lotada essa noite. A família Evans se juntou a eles para o jantar de Ação de Graças. — Todos agora estão sentados à mesa. Jeff, Jenny, Matthew, Leonard, Suzy e Lucy.

 

— Sério mesmo? — Lucy pergunta animada.

— Claro. — Matthew garante. — Seu corpo já está voltando ao normal, e a mídia adora uma boa história de superação, certamente você consegue fácil voltar com tudo ao mundo da moda.

— Ouviu isso, Jeff? — Lucy pergunta animada.

— Eu não sou surdo. — Jeff diz.

— Jeff. — Matthew o repreende. — O que já falamos sobre ser rude com as pessoas?

— Desculpa Lucy. — Jeff pede nitidamente desconfortável. — Por falar nisso, você realmente está considerando falar aquilo?

— Aquilo o que? — Lucy pergunta.

— Jeff vai estrelar a próxima campanha de uma grife, eles exigiram o Jeff.

— Eles sabem que estou em uma cadeira de rodas, não é? — Jeff pergunta.

— Fala sério segundo Ken gay. — Suzy de repente fala. — Existem muitos modelos e artistas que estão em uma cadeira de roda.

— Sério? Tipo quem?

 

   Suzy para pensativa.

 

— Você! — e então cai na gargalhada.

— Jeff. — Leonard fala. — Suas limitações não devem definir o que você pode ser, ou até onde você pode chegar. Se você quer algo você pode batalhar por isso, mesmo preso em uma cadeira de rodas.

— Concordo. — Matthew afirma.

— Meu irmão vai ficar lindo de novo. — Jenny diz sorridente.

— Eu sou sempre lindo. — Jeff bufa.

— Convencido. — Lucy sorri.

 

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POV NARRADOR

 

— Ainda não acredito que me convenceram a isso. — Patrick bufa irritado.

 

   Patrick está no apartamento de Elizabeth, sua mãe, junto ao seu pai, Richard. — Os três estão sentados à mesa de jantar, e todos estão visivelmente desconfortáveis com isso.

 

— Chega! Eu vou embora. — Patrick fala, ameaçando levantar.

— Eu deixei de ir para Los Angeles, para ficar com vocês, então você fica. — Elizabeth fala sem mesmo olha-lo.

— Pedindo com jeitinho. — ele murmura, voltando a sentar.

— Patrick, por que não conta as boas novas a sua mãe, eu acho que ela vai ficar orgulhosa. — Richard fala.

— O que? Outra gravidez? Tem certeza que dessa vez é seu?

 

   Patrick revira os olhos em reprovação.

 

— Eu fui aceito antecipadamente na M.I.T. — Patrick conta.

— Sério? — ela diz abrindo um sorriso. — Parabéns.

 

   Patrick sorri envergonhado.

 

— Não que isso seja grandes coisas, quero dizer, você vai lá para estudar tudo o que já sabe fazer, e ficar mais esquisito do que já é...

— Elizabeth está sendo dura com ele. — Richard tenta defendê-lo.

— Chega. — Patrick se levanta. — Tenha um bom jantar, eu vou embora.

— Não tem ninguém naquela mansão. — Elizabeth diz.

— Eu gosto de ficar sozinho, já que fui acostumado a ser assim. — Patrick fala.

 

   O rapaz sai apressado do apartamento.

 

— O que eu estava esperando? — ele se pergunta. — Uma reunião calorosa em família?

 

   Ele coloca as mãos nos bolsos do casaco e sai andando pela rua gelada.

 

   Repentinamente um furgão preto surge, as portas de trás se abrem, e quatro homens saltam para fora.

 

— Ótimo... Era só o que me faltava.

 

   Patrick corre, mas logo é alcançado pelos homens. Um deles soca Patrick no rosto, mas o mesmo se equilibra e avança contra ele, o jogando no chão.

 

— Quem são vocês e o que querem comigo? — ele pergunta.

 

   Outro homem chuta Patrick pela barriga, o fazendo rolar pela calçada.

 

— Hey! — uma voz feminina grita de repente. — Venham me pegar garotos.

— Anna? — Patrick diz confuso.

 

   E de fato é ela. A Co-Treinadora das líderes de torcida da escola, está segurando nas mãos um taco de baseball. Os homens correm em sua direção, mas ela facilmente os imobiliza.

 

— O que diabos...? — Patrick pergunta sem palavras. — A Lucy estava falando a verdade.

— Desculpa por isso bonitão.

— Pelo que?

 

   Anna simplesmente empunha o taco e o golpeia na cabeça, fazendo-o desmaiar.

 

— Droga... Talvez tenha sido forte demais. Espero que não tenha morrido.

 

..........

 

   Patrick desperta ofegante. Coloca a mão no local da pancada, e olha confuso para os lados.

 

— Que lugar é esse? — ele se pergunta intrigado.

 

   O jovem se levanta. — Estava deitado em uma cama, em algum tipo de cela. — Sai andando pelo local, passa por corredores até que chega a uma grande sala, com dezenas de computadores, e armários, e bem no centro... Anna.

 

— Anna! — Patrick grita enfurecido.

— Ah! Você acordou. — ela diz em tom aliviado.

— É tudo o que tem a dizer? — ele pergunta. — Que diabos de lugar é esse? Por que me sequestrou?

— Uma pergunta de cada vez?

— Você trabalha para a G.T?

 

   Todos ali o encaram, o que o faz recuar assustado.

 

— Muito pelo contrário. — Anna fala.

 

   Anna entrega a ele uma pasta, um dossiê com informações do passado do jovem.

 

— Somo aqueles que estão tentando parar a G.T. — ela afirma. — E nós precisamos da sua ajuda.

— Claro, como se eu fosse confiar em você. — Patrick diz. — Esse lugar parece um centro de espionagem, qual a dificuldade de descobrir quem é a G.T?

— Lucy.

 

   Ele estremece e se aproxima da mulher.

 

— A Lucy sabe quem é a G.T. — Anna reafirma.

— Impossível. — Patrick diz. — Ela me contaria.

— Isso envolve o Maximilian, ela nunca o colocaria em risco, pois todos têm um pé atrás com você. Por causa do tempo que trabalhou para a G.T.

— O que quer de mim Anna?

— Não é ela. — uma outra voz feminina fala. — Sou eu.

 

   Patrick dá passos para trás e vê uma mulher se aproximar. Ela é ruiva, seus olhos são verdes bem claros. Esta vestida de forma simples, uma calça jeans e um casaco verde.

 

— Eu preciso que você descubra quem é a G.T, preciso que consiga essa informação com a Lucy. — a mulher fala.

— E por que eu faria isso? Por que eu ajudaria vocês?

— Porque isso envolve a todos, e principalmente ao Max. — ela fala deixando-o confuso.

— Quem é você? — ele finalmente pergunta intrigado.

— Você não precisa falar. — Anna se intromete.

— Está tudo bem Anna. — a mulher sorri gentilmente.

 

   Patrick se aproxima dela com um olhar estranho.

 

— O seu sorriso. — Patrick diz. — Impossível.

 

   A mulher faz que sim com a cabeça.

 

— Você é Lily Green. — ele diz espantado. — A verdadeira mãe do Max.

 

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POV MAXIMILIAN

 

   É realmente muito estranho olhar para o Robert agora e o vê tomando conta de um bebê. — Estamos em seu quarto. Alex acabou de adormecer novamente, e Robert está fazendo questão que o filho durma no berço dentro do seu quarto.

 

— Fala baixo para ele não acordar. — digo com um sorriso no rosto.

 

   Robert e eu saímos do quarto. Descemos as escadas e voltamos para a sala onde Melissa está sentando em frente à lareira.

 

— Tudo bem? — pergunto confuso.

— Apenas pensando. — ela fala. — Venham, sentem aqui comigo.

 

   Robert e eu nos sentamos ao seu lado. — É tão quente.

 

— O que vai fazer agora Robbie? — Melissa pergunta. — A escola...

— Não se preocupe. — ele fala. — A Suzy se ofereceu para ficar com ele enquanto estou na escola, e eu vou largar o clube de teatro para poder ficar mais tempo com ele.

— Falando assim até parece responsável. — brinco.

 

   Os dois me encaram.

 

— Ele fez uma piada? — Robert pergunta confuso.

— Acho que sim. — Melissa diz tão confusa quanto.

— Que lindo cara! — Robert então me abraça.

 

   Sorrio para eles.

 

— Eu sou divertido. — resmungo.

— Claro que é. — Robbie sorri. — Quando não fica agindo como um robô.

 

   E é claro... Eu também sou grato por ter conhecido o Robert, grato por ter conhecido a Melissa. E independente da forma que tudo aconteceu, eu sou muito grato por poder chama-los de irmãos.


Notas Finais


Por enquanto é isso... Logo estarei de volta com mais!


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