História The Colour of Your Soul - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Elfos, Fluffy, Harrystyles, Larrystylinson, Louistomlinson, Unicornios, Universo Alternativo
Visualizações 171
Palavras 4.966
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Gente, me desculpa pelo sumiço! Queria agradecer todos que ficaram preocupados comigo, eu estou bem, HAHAHA. Esse capítulo está enorme e um amor, espero que compense a demora <3
PS: Se eu contar que demorei mais que o esperado porque não conseguia encontrar um nome decente pro capítulo, alguém vai brigar comigo?
Boa leitura, unicórnios e elfos! (E eu que jurava que não ia surgir com apelidos ridículos).

Capítulo 6 - 05. I feel safe when you're here.


Fanfic / Fanfiction The Colour of Your Soul - Capítulo 6 - 05. I feel safe when you're here.

Nos dias que se passaram, Harry continuou dormindo com Louis. Dois dias depois, finalmente avistaram a feira e, como já estava escuro, decidiram parar no alto da colina que estavam e iriam descer para o vale que a exposição estava na manhã seguinte, já que de acordo com Niall, não havia nada que Harry quisesse ver lá durante a noite.

Assim que o primeiro raio de Sol iluminou a face do elfo na manhã seguinte, ele despertou, desvencilhando-se do corpo equino de Louis e correndo para se banhar no rio. Soltou as tranças dos cabelos e os lavou, voltando para a margem com os cabelos molhados, sentindo as gotinhas de água escorrerem por suas costas. Secou o corpo e vestiu suas roupas, chamando por Niall. Durante o tempo que todos os unicórnios despertavam, ele dividiu o cabelo em dois e fez duas tranças.

Enquanto desciam a colina, Louis reparou que o elfo continuava sorrindo, um brilho entusiasmado em seus olhos enquanto o Sol sobre sua pele apenas o deixava mais e mais brilhante. O unicórnio chegou a pensar, por alguns segundos, que Harry era mais brilhante que o próprio Sol. No mesmo instante, um temor se instaurou no peito de Tomlinson e ele teve a sensação de que não conseguia mais respirar. Não, foi a primeira coisa que pensou.

''Não o quê?'' Harry foi o primeiro a perguntar, enquanto os outros continuavam sua conversa, desatentos ao desespero de Louis.

''Eu estava pensando sobre o que levar para minhas irmãs. Nada demais.'' Mentiu.

''Eu posso ajudar?'' Harry perguntou, animado. O primeiro impulso do unicórnio foi negar, mas ele olhou fundo na imensidão verde que eram os olhos do elfo e a forma que sua pele dourada cintilava sob o sol. Desde o seu sorriso até as duas tranças que pendiam em seus ombros, Louis não podia negar que Styles era feito de luz. A mais bela e pura luz.

''E o que você sabe sobre presentes? E meninas?''

''Eu tenho uma irmã! E existem muitas elfas e unicórnias na vila que moro. Eu consigo te ajudar, Louis, não me subestime à esse ponto.''

''Tudo bem. Você pode tentar me ajudar, mas isso não significa que eu vá seguir seus conselhos.''

''Então, como elas são?''

''Elas quem?''

''Suas irmãs, Louis.'' O elfo riu baixinho resistindo à vontade de enroscar os dedos na crina escura do unicórnio. ''Como elas são? A única coisa que sei é que são várias.''

''São só quatro, na verdade. A não ser que tenha nascido mais algum no período que estive fora.''

''Há quanto tempo você não vê sua família?''

''Hm... Uns três anos?''

''Louis!'' Styles exclamou, num tom agudo. ''Como assim?''

''Por que estamos falando de mim? Pare de mudar o assunto, seu bastardo.''

''Tudo bem.'' Harry revirou os olhos. ''Então, vai falar da suas irmãs ou não?''

''A mais velha é Charlotte. Ela tem cator- pela Deusa, Lottie já tem dezessete anos. Ela é a mais animada de todas, se você precisar de ajuda ou simplesmente alguém para caminhar, pode ter certeza que Lottie vai estar lá. Nossa personalidade é bem... parecida. Na verdade, acho que todas minhas irmãs puxaram a personalidade da minha mãe.''

''Você está me dizendo que além de você, existem mais quatro cópias e a versão mãe? A Deusa que me ajude.''

''Ainda dá tempo de desistir, Styles.'' Falou e Harry sabia que, se pudesse, Louis estaria com o sorriso mais indecente possível.

''Claro que não. Eu quero meus bebês.''

''Erm... Tem a Felicité que tem... Hm...'' Parou por alguns instantes, enquanto calculava. ''Quinze! Quinze anos, por Gloriénn... Preciso dar um jeito urgente de ir visitar as meninas. Ela gosta de vermelho e música. Daisy e Phoebe são gêmeas. Elas tem... hm... dez anos? Phoebe ama o mar e Daisy ama sereias. Meio que se encaixam.''

''O amor é tão lindo!'' Ouviram Niall exclamar há alguns metros de distância e imediatamente Louis se afastou com um pulo, como se Harry tivesse acabado de dizer que bebia o sangue de animais durante noites de Lua cheia. O que, bem, era mentira, já que ele sequer comia carne.

O elfo não teve muito tempo para pensar na súbita separação, pois logo a melodia de flautas e harpas preencheram seus ouvidos, numa sincronia animada e bela. Segundos depois, a visão de Harry foi inundada por cores brilhantes e seu olfato, pelos mais diversos aromas. Todos seus sentidos estavam sendo sobrecarregados e ele não podia se importar menos, sem saber para que lado olhar ou o que fazer. Haviam mercadores expondo seus produtos dos dois lados, formando um corredor. Desde delicadas jóias, entalhadas com as mais diversas pedras até exuberantes armaduras, era possível encontrar tudo ali. Uma gentil senhora ofereceu uma de suas poções para o elfo, que educadamente negou, por não ter nada para lhe dar em pagamento.

Aos poucos, os outros unicórnios foram se dispersando, procurando coisas de seu interesse e chegou um momento que eram apenas Harry e Niall, lado a lado, vagando à procura de itens que despertassem sua curiosidade.

''Eu preciso te mostrar uma coisa, Hazza!'' O unicórnio anunciou, animado. ''Vem comigo!'' Chamou, enquanto agilmente andava por entre a multidão, que abria caminho para ele passar, já que ninguém queria correr o risco de se machucar com o chifre de um unicórnio. O elfo o seguia de perto, com medo de se perder no lugar desconhecido. Não andaram muito, no entanto, pois logo Horan parou em uma tenda aberta feita de um tecido que Harry não soube nomear, mas achou bonito mesmo assim. Assim que se aproximaram, Niall exclamou: ''Aodh!''

Um homem, alguns anos mais velho que Harry, levantou a cabeça ao ouvir o chamado e sorriu quando reconheceu Niall.

''Niall!'' Cumprimentou, saindo da tenda e indo na direção dos dois. Seus cabelos ruivos, num tom forte de laranja, brilharam sob a luz solar e Harry pensou que, daquela forma, seus cabelos pareciam labaredas. Por um instante, realmente considerou o pensamento, convencido que ele era uma espécie de tocha viva, mas assim que Aodh se aproximou mais, o elfo conferiu que não, ele não estava em chamas. ''Quanto tempo. E quem é esse elfo adorável ao seu lado?'' Questionou, enquanto dava dois tapinhas no pescoço do unicórnio.

''Ele é o Harry. Lembra o Louis?'' Falou e quando o ruivo assentiu com a cabeça, continuou: ''Ele é a alma gêmea do Lou.''

''Entendi. E onde o Louis está? Não o vejo há algum tempo, também.''

''Não sei. Ele sumiu assim que chegamos aqui, você sabe como ele é.''

''Sei.'' Riu. ''Owen!'' Chamou um garoto que estava brincando com uma espada de madeira em frente à tenda e o mesmo parou no mesmo instante.

''Sim, papai?'' Respondeu, guardando a espada na bainha improvisada e se aproximando dos três. Logo Styles reparou que apesar da criança ter os mesmos cabelos alaranjados do pai, o seu rosto não lembrava em nada o homem.

''Chame sua mãe. Diga que Niall está aqui.'' Sorriu, bagunçando os cabelos do menino antes do mesmo reclamar e sair correndo, em busca da mãe. ''Venham, vamos nos sentar um pouco. Já ia fechar a tenda para tirar meu horário de almoço, de qualquer forma.'' Chamou, retirando alguns banquinhos da tenda. O unicórnio deitou no chão, eles fizeram um meio círculo e antes que pudessem iniciar uma conversa, uma mulher entrou na tenda acompanhada de Owen. Tinha olhos castanhos gentis e seu cabelo era comprido e louro e; mesmo trançado, chegava ao final de suas costas. Um colar pendia de seu pescoço, com um pingente laranja e logo Harry juntou um mais um e concluiu que Aodh era um unicórnio. Ao que Niall se levantou, ele ficou sem saber o que fazer e também se levantou, não querendo soar rude. A mulher sorriu e cumprimentou o unicórnio e logo, olhou para o elfo e disse:

''Eu ainda não te conheço... conheço? Sou Brenda, de qualquer forma.''

''Prazer, sou Harry.'' Estendeu a mão e a elfa revirou os olhos, dando um meio-abraço no elfo. Em seguida, ela se sentou ao lado do marido, com o filho no colo.

''Vocês vão ficar para o almoço?'' Aodh questionou, gentil.

''Eu, hm, não quero atrapalhar.''

'''Não começa com esse papo, Niall, porque você não engana ninguém.'' Brenda interrompeu, rindo baixinho. ''Vocês não serão incomodo algum. Aodh, pode acender o fogo? Vou buscar hidromel.'' Ela se levantou, indo para o fundo da tenda e retornando com quatro canecas de madeira, sendo uma delas mais larga que as demais, própria para Niall, já que o mesmo era um equino. Buscou um barril de tamanho médio e encheu as canecas, entregando uma para cada um. Porém, antes que Harry pudesse dar seu primeiro gole, ele arregalou os olhos e exclamou:

''Aodh! S-sua mão está pegando fog– oh.'' Começou a dizer, porém, lembrou-se da cor do pingente que Brenda carregava e do episódio de mais cedo, quando teve a impressão que os cabelos do homem eram feitos de fogo. Aodh era um unicórnio com poderes de fogo.

''Sim.'' O homem riu, respondendo a pergunta muda do elfo. ''Eu consigo controlar o fogo.'' Deixou para acender uma fogueira do lado exterior, sem a intenção de deixar a tenda com fedor de fumaça.

''Niall, e o Louis, como está? Ele não veio com vocês dessa vez?"

"Veio, mas não sei onde ele está." Respondeu, dando uma larga lambida dentro de sua taça. "Hazza, você se importa de ir procurar ele? Vocês são almas gêmeas e tal. Acho que conseguem se encontrar mais fácil."

"Você pode fazer esse favor, Harry? Gostaria da presença do Lou no almoço. E a refeição vai demorar para ficar pronta, então sem pressa." Brenda sorriu gentil e o elfo não pode fazer mais nada além de aceitar, colocando a aljava nas costas e saindo à procura do unicórnio.

Com o Sol alto no céu, o movimento estava quase estagnado, já que todos estavam em sua pausa para almoçar, o ambiente pacífico, tendo movimento somente nas tendas que vendiam refeições. Styles aproveitou as travessas quase vazias e sua altura, olhando por cima de algumas pessoas para ver se encontrava a pelagem branca de Louis em algum lugar.

Estava perambulando pelo local desconhecido fazia um bom tempo quando, numa tenda que ficava do lado oposto de onde Niall e os outros estavam, avistou Tomlinson. Respirou fundo e começou andar na direção da tenda, vendo que o unicórnio conversava com alguém, provavelmente a dona da mercadoria. Ao se aproximar, Harry notou que era uma mulher que aparentava ser um pouco mais velha que sua mãe, a pele escura e marcada pelo Sol e consideravelmente baixa, comparada aos elfos. Vestia tecidos coloridos e brilhantes e mantinha um sorriso gentil enquanto falava com Louis. Harry não sabia ao certo como a mulher conseguia se comunicar com um unicórnio, já que aparentemente não era uma elfa ou nenhum ser que Harry pudesse reconhecer.

"Louis?" O jovem elfo chamou, receoso em interromper a conversa. "Eu espero não estar atrapalhando..."

"Suponho que esse seja o tal elfo bastardo." A mulher sorriu. "Um elfo adorável, gostaria de lhe corrigir." Falou, ainda se dirigindo à Louis. "Sou Naila. Esse mocinho gentil aqui disse que estava te esperando." Continuou, num sotaque forte que Harry não sabia identificar.

O primeiro impulso de Styles foi o de fazer algum comentário sarcástico à respeito do adjetivo que a mulher usou para caracterizar Louis, porque se eles estavam falando da mesma pessoa, não, Louis não era gentil. Pelo menos, não com Harry. Mas o que realmente falou foi:

"Ele estava me esperando?" Questionou, com um brilho nos olhos e dirigindo o olhar para o unicórnio, que permanecia quieto.

"Ah, suponho que não era para eu ter contado essa parte." Naila disse, fazendo um gesto com a mão, como se seu pequeno deslize fosse insignificante.

"Você disse que ia me ajudar escolher algo para minhas irmãs. Eu estava te esperando."

"Sim, mas eu também achei que não queria minha ajuda."

"Eu já peguei algo para todas as meninas. Só falta eu encontrar algo para Charlotte."

"Essa é a mais velha, não é?"

"Sim. Eu estava procurando algo para ela e acabei parando aqui. Lottie tem muita curiosidade em conhecer as terras além-mar, então eu pensei em procurar algo do gênero para ela." Com a informação, tudo se encaixou na mente do elfo, que se questionava porque não conseguia reconhecer o sotaque de Naila ou porque suas roupas eram tão diferentes das que Harry estava acostumado a ver. A mulher era de outro continente e, de imediato, sentiu a vontade de se sentar ali e ouvir Naila contar tudo sobre o lugar desconhecido. O quê, aparentemente, era o que Louis estava fazendo até Harry os interromper.

"Você é das terras além-mar mesmo?" O elfo questionou, os olhos verdes brilhando em pura curiosidade.

"Sou, meu doce. Vim de lá há muito tempo, mas não é uma história para dois jovens tão bonitos ouvirem.'' Respondeu, dando dois tapinhas no dorso de Louis. ''Bem, deixe-me ver o que eu posso fazer para vocês dois. Entrem.'' Ofereceu, andando para dentro de sua tenda. Os dois a seguiram em passos lentos e Harry aproveitou o momento para apoiar uma mão no dorso de Louis. Em menos de cinco segundos, o unicórnio virou a cabeça em sua direção e lhe lançou um olhar irritado, mas permaneceu calado, provavelmente por causa da presença de Naila. Se o elfo estava certo e Tomlinson estava se comportando para causar uma boa impressão para a mulher, ele certamente poderia se aproveitar disso.

Ela ofereceu água para os dois, que Harry aceitou com um sorriso tímido e um múrmurio de agradecimento. Não havia percebido que estava com tanta sede até o momento. Sentou-se sobre uma almofada e o unicórnio deitou ao seu lado, sem ter muitas opções de onde ficar, já que o local não era tão espaçoso. Naila contava histórias de sua terra natal enquanto mostrava os mais diversos objetos e seus significados. Os dois ouviam em silêncio, vez ou outra adicionando alguma coisa ou fazendo alguma pergunta. Após algum tempo, o elfo sorriu de forma maldosa e se inclinou na direção de Louis, deitando a cabeça em seu dorso e arriscando perder alguns dedos quando estendeu a mão para a crina do unicórnio. Tomlinson chiou, lançando outro olhar irritado, mas ao mesmo tempo, surpreso, como se não conseguisse acreditar que o elfo teve a ousadia de fazer aquilo. Ignorando-o, Styles pegou uma mecha da crina alheia e começou a soltar os nós, fazendo uma pequena trança e murmurando:

''Sua crina é tão macia... Por incrível que pareça.''

''Vocês formam um casal muito bonito.'' Naila sorriu e antes que Louis pudesse expressar sua repulsa, a mulher continuou: "O que é isso no seu braço, meu querido? Posso dar uma olhada?''

Harry demorou alguns segundos para perceber que ela falava com ele, em seguida assentiu e estendeu o braço que ainda estava enfaixado. A mulher logo começou a desenrolar os pedaços de tecidos e soltou um guincho baixo quando viu o ferimento no braço do elfo. Styles olhou na direção do machucado e sentiu enjoo somente ao ver a ferida, que estava em um tom doentio e amarelado. Naila se levantou de sua almofada e começou mexer em suas coisas, logo voltando com uma caixa.

''Desculpa.'' Louis disse, ao dar uma olhada no corte. Naila se sentou de frente para Harry e, com delicadeza, começou a pressionar um tecido embebido em algum líquido que o elfo não conhecia, mas tinha um cheiro forte e uma cor marrom-esverdeado.

''Você precisa tomar cuidado com isso, mocinho. Não coloque tecidos tão pesados em cima desse ferimento, viu? Chifre de unicórnio é uma das armas mais mortais para elfos.'' E se Harry ficou duas vezes mais pálido que o saudável, ninguém reparou. ''Eu posso?'' Ela questionou, pegando uma agulha curva e uma linha escura. ''Eu preciso fechar esse corte, ou provavelmente vai piorar e levar muito mais tempo para curar.''

''Vai doer?'' O elfo não se conteve e questionou, mordendo o lábio inferior.

''Um pouco. Mas eu tenho certeza que Louis deixa você segurar na crina dele enquanto eu faço isso.'' Ela sorriu gentil e no mesmo momento, Harry soube que ia doer. Sem pensar duas vezes, estendeu a mão trêmula em direção à crina de Tomlinson e agarrou um punhado. Cerrou os dentes quando Naila aproximou a agulha de seu braço e insconscientemente, puxou uma mecha da crina de Tomlinson que sibilou:

''... Desgraçado.''

Naila riu baixinho e continuou movimentando a agulha pelo braço de Harry e, ao dar o último ponto e usar uma tesoura para cortar o fio, olhou para seu trabalho e disse:

''É engraçado, não é? A pessoa que pode te amar para sempre também ser capaz de te matar.'' Passou um tecido úmido sobre a ferida suturada e começou a enrolar um tecido fino sobre a mesma. Mudando completamente o assunto: ''Espere pelo menos um dia para tirar as faixas, escutou? Lave diariamente após isso e sempre recoloque as faixas. E não coce, por favor.''

''Onde você aprendeu a fazer isso? Tem certeza que meu braço vai curar certinho?'' O elfo questionou, dando uma olhada no braço enfaixado.

''Tenho.'' Naila riu baixinho, acariciando os cabelos do elfo e ficando de pé novamente. ''Já fiz isso milhares de vezes. Confie em mim, por mais que eu seja uma completa desconhecida.'' Guardou suas coisas e voltou a se sentar com eles. ''Temo que já esteja ficando tarde. Adoraria conversar a tarde toda com vocês, mas vocês tem um presente para encontrar e provavelmente milhares de compromissos.'' Sorriu de forma cortês. Voltaram a observar a série de itens costurados pela própria Naila, quando o elfo exclamou:

''Isso! Louis, por favor, você tem que levar isso!'' Falou, pegando uma espécie de bracelete, que se moldava ao redor da pata dos unicórnios e era feito de algum metal dourado maleável que Harry não conhecia. Tinha pedras azul-marinho entalhadas como se fossem flores por toda sua extensão e era uma das coisas mais bonitas que o elfo já havia visto. ''Sua irmã também tem chifre azul, não tem? Coisa da família e tudo o mais.''

''Tem. É alguns tons mais escuro que o meu, mas acho que é bem parecido com a cor dessas pedras.'' Respondeu e em seguida se virou para Naila, questionando: ''Posso experimentar? Não que eu não confie no seu trabalho, já que tudo que eu vi é muito bonito, mas eu só quero ter certeza que... Não vai machucar minha irmã, eu acho. Uma vez eu levei um presente errado para minha irmã mais nova e ela ficou doente. Acho que minha mãe desconfia dos meus presentes até hoje.'' Riu baixinho, mas no fundo, Harry percebeu que ele estava chateado.

''Claro, fique à vontade.'' A mulher sorriu e o elfo se ajoelhou, para ajudar a encaixar o bracelete na pata de Louis.

''Machuca?'' Perguntou. ''Você consegue andar normalmente?'' Observou Tomlinson movimentar a pata e dar alguns passos experimentais, antes de fazer um sinal afirmativo com a cabeça e completar:

''Eu odeio qualquer coisa que me dê a sensação de estar preso, mas, sendo sincero, é bem confortável. Obrigado, H.''

Sorrindo como se a própria Deusa tivesse aparecido à sua frente, o elfo respondeu um simples de nada, enquanto removia o bracelete da pata frontal de Tomlinson.

''Vão levar, então?'' Naila questionou, enquanto enrolava um tecido semelhante ao que havia usado para enfaixar o braço de Harry.

"Sim." Louis respondeu.

"Eu vou esperar lá fora. Obrigado por tudo, Naila." Harry sorriu em agradecimento, indo para o lado externo da tenda enquanto esperava Louis executar o pagamento e voltar.

Naila colocou o pacote dentro de uma das bolsas que Louis estava usando apenas para carregar suas compras e a mulher mostrou o pedaço de tecido que estava enrolando mais cedo.

"Isso é para Harry. Diga para ele trocar as bandagens dele de tempos em tempos." Falou e colocou o tecido dentro da bolsa do unicórnio. "Agradeço pela companhia de vocês dois."

"Eu que agradeço." Tomlinson murmurou, antes de dar meia volta e começar a andar para fora da tenda.

"Louis?" Naila chamou, segundos antes do unicórnio alcançar a saída.

"Sim?"

"Cuide do seu elfo, viu? Eles não são tão fortes quanto aparentam. E Harry é um elfo muito, muito dócil pelo que pude perceber. As pessoas tendem a fazer coisas ruins com elfos como ele." Abriu um sorriso que Louis percebeu não ser tão verdadeiro, já que seus olhos expressavam uma dor tão grande que o unicórnio também ficou triste, por alguns segundos. Agradeceu o conselho e saiu da tenda, encontrando Harry sentado no chão, brincando com a grama.

''Harry.'' Chamou. ''Vamos?''

''Hm, sim. Ah! Eu esqueci de te contar, mas pediram para eu vir te chamar para almoçar. Aodh e Brenda? Niall está lá também.''

''Por que você não me falou antes?''

''Porque, hm, você estava ocupado?''

''Não importa, vamos logo.'' Cortou, começando a trotar na direção da feira, que estava cheia novamente.

''Talvez, se você deixasse eu montar em você, nós chegaríamos mais rápido...'' O elfo tentou, enquanto acelerava o passo para acompanhar Louis.

''Haha, muito engraçado, Styles. Até mesmo porque eu deixaria você montar em mim.''

''Não custa tentar, não é?'' Harry respondeu, no mesmo tom de petulância que Louis usava consigo. Atravessaram a feira, com Louis esbarrando em todos que ousassem entrar na sua frente e Harry atrás, gritando pedidos de desculpas para todos. Logo chegaram na tenda que Styles já conhecia, aparentemente, Tomlinson sabia o caminho.

''Louis? Harry? São vocês?'' Ouviram a voz de Brenda chamar, enquanto Louis entrava dentro da tenda.

''Bren!'' Ele exclamou, sorrindo para a elfa.

''Louis, meu bem. Quanto tempo!'' Ela sorriu, abraçando o pescoço do unicórnio e deixando um beijo em sua testa. Louis seguiu Brenda até a parte de trás da tenda, onde chamaram os outro três e juntos, ficaram relembrando suas aventuras juntas e velhas lembranças, enquanto Harry revezava entre comer pequenos pedaços de queijo ou amolar suas flechas. Sentia-se estranho ali, como um invasor, mas ninguém pareceu notar seu desconforto. Em certo momento, notou que Owen tinha os olhos fixos em sua aljava e, com um sorriso gentil, questionou baixinho se o garoto já havia usado um arco antes. Ao receber uma resposta negativa, o elfo começou a lhe explicar o básico sobre arquearia, enquanto apontava cada parte de seu arco e dizia seu nome e função. O garoto mal piscava os olhos, fazendo uma pergunta vez ou outra, mas no geral, estava tentando absorver o máximo de conhecimento que pudesse. Assim que Harry terminou, Owen abriu um sorriso cheio de janelinhas e correu na direção do pai:

''Pai, pai! Quando eu crescer, eu vou controlar o fogo igual o senhor, mas eu quero ser um arqueiro igual o tio Harry! E quero correr rápido como o tio Louis!'' Falou, enquanto gesticulava na direção de Harry e Louis.

''E eu?'' Niall questionou, em um tom bem humorado.

''Bem... Eu posso... Contar piadas igual você!''

''Boa sorte nisso. Niall tem o pior senso de humor que eu conheço.'' Louis retrucou.

''Ei! O Harry me acha engraçado!'' O outro unicórnio retrucou enquanto o elfo assentia.

''Como eu ia dizendo, pior senso de humor... Ou segundo pior, já que agora temos o Harry. A competição está acirrada.'' Continuou, no mesmo tom sarcástico, mas antes que Harry pudesse conter, ele já havia soltado uma risada escandalosa, sendo acompanhado por Niall.

''Ah, cara. Você está tão apaixonado.'' Horan falou, recebendo um olhar frio de Tomlinson e, no mesmo segundo, percebeu que havia falado demais.

Styles tossiu, tentando encontrar a maneira mais rápida de mudar o assunto sem parecer muito óbvio:

"Então, Owen. Você quer tentar soltar alguma flecha?"

"Sim, tio Harry, por favor!" O menino sorriu, levantando-se imediatamente da cadeira que estava sentada.

''Eu posso?'' Harry questionou aos pais da criança, referindo-se ao fato dele ter oferecido ensinar algo perigoso para uma criança.

''Sim. Só tomem cuidado.'' Brenda respondeu, dando o consentimento que Harry esperava.

O elfo e a criança foram até exterior da tenda, afastando-se um pouco para não correrem o risco de alguma flecha perdida acertar alguém. Styles sentou no chão, mexendo na aljava, à procura de alguma de suas flechas com ponta de madeira, que usava para treino e dificilmente causariam um dano grave. Owen observava tudo com seus olhos curiosos, acompanhando os movimentos do cacheado, tentando absorver mais conhecimento.

''Segura aqui, ok?'' Harry ofereceu o arco, ajeitando-o nas mãos do menino. ''Eu vou te ajudar porque é pesado, tudo bem?'' Com movimentos suaves, ajeitava a posição do corpo de Owen, inclinando um pouco seus joelhos e braços e explicando como ele devia mirar e tomar os devidos cuidados. Ajoelhado ao lado da criança, eles procuravam um alvo para acertar, quando algum animal grande e branco apareceu em seu campo de visão, fazendo o jovem se assustar.

''Louis!'' Exclamou, levando a mão no peito numa tentativa vã de conter os batimentos cardíacos acelerados. ''Que susto.''

''Vim garantir que você não vai matar essa criança por acidente.'' Louis disse, enquanto deitava no gramado e observava os dois interagirem. ''Podem continuar.''

Harry voltou a posicionar Owen, para ser interrompido novamente por outro unicórnio.

''Oi amigos!'' Niall cumprimentou. ''Também quero ver!''

''Niall, você não acabou de me dizer que ia ficar lá dentro porque tinha comida?''

''Eu ia, mas Bren e Aodh começaram flertar e eu fiquei do lado. Aí eu pensei que, se é pra ficar de vela, que seja com meu casal preferido. Então, aqui estou. Podem continuar. Eu não vou atrapalhar.''

''Não seja ridículo. Não tem nada para ver aqui além do Harry colocando a vida de um pirralho em risco.'' Louis retrucou.

''Ei! Eu posso não ser muito ágil em algumas coisas, mas eu sei manusear um arco desde que me entendo por elfo!''

''Blah blah blah, muita fala, pouca ação.'' Louis resmungou.

''É, tio Harry. Vamos logo, que já está escurecendo!'' Owen pediu. O elfo riu, ajeitando o garoto pela terceira vez.

''Onde você quer mirar? Um lugar não muito longe.''

''Pode ser naquela árvore?'' Apontou.

''Não!'' Harry arregalou os olhos, em espanto. ''Nós não podemos ferir a naureza, Owen! Se alguma das dríades ficar ofendidas, nós não teremos paz por um bom tempo.''

''Onde então, tio Harry?''

''Espere aqui.'' Pediu e andou na direção da árvore, pegando uma maçã caída no chão e analisou bem para ver a mesma estava ou não em condições de ser digerida. Não queria desperdiçar um alimento. Ao constatar que sim, a maçã estava estragada, pousou-a sobre uma rocha e andou de volta até Owen. "Não está muito longe, está?''

''Não!'' O menino comentou, animado para começar logo. Assim, com a ajuda do elfo, começou a lançar várias flechas na direção de seu alvo, algumas sequer atingindo metade do percurso requerido. Após várias tentativas, Harry segurou as mãos do menino e, ainda com as mãos sobre as dele, mirou e soltou a flecha, acertando. ''Não vale, tio Harry! Você jogou para mim!''

''Claro que não. Quem estava segurando o arco, era você!'' Respondeu e Owen revirou os olhos, rindo. ''Acho que é bom nós pararmos por hoje. Já escureceu...'' Falou e o menino fez um bico. ''Sua mãe é uma elfa, eu tenho certeza que ela pode te ensinar.'' Sorriu gentil, acariciando os cabelos alaranjados dele.

''Tá bem, tio Harry. Vamos ver quem chega primeiro?'' Questionou, animando-se novamente.

''Pede para o Niall e o Louis correrem com você. Eu vou ficar aqui fora mais um pouco.'' Sorriu mais uma vez, bagunçando os cabelos dele uma última vez.

''Você tem certeza?'' O menino perguntou, observando o maior com seus olhos castanhos grandes e curiosos.

''Sim, não vou demorar muito.''

Assim que os três se afastaram, o elfo se aproximou da mesma árvore de antes e pousou a palma da mão sobre seu tronco áspero. Podia sentir a vida que exalava do tronco e respirou fundo, esperando a planta entrar em contato com ele. Uma folha caiu em seu rosto e ele sorriu suavemente, encostando o rosto na árvore.

''Eu... Eu queria pedir um favor?'' Pediu e esperou um tempo antes de continuar: ''Você pode deixar uma mensagem com minha mãe? O nome dela é Anne. Ela mora na vila das montanhas.'' Ergueu o olhar, hesitante, para o topo da árvore, vendo seus galhos chacoalharem com um ritmo lento, apesar de estar sem vento. Tomou aquilo como um sim, então pensou em algo simples e objetivo para dizer, pois sabia que dríades não guardavam muitas palavras e se distraíam facilmente, principalmente com toda a distância que tinham até a mensagem chegar em seu destino. ''Diga que é o Harry quem manda a mensagem... Fale que estou bem e já encontrei minha alma gêmea, porém não sei quando retorno e... que eu amo ela.'' Concluiu e sentiu aquele sentimento quase maternal que as árvores tinham em relação aos filhos da natureza. ''Você... Você consegue fazer isso chegar até ela? Por favor.''

Como se para responder a questão, a árvore se inclinou suavemente na direção de uma árvore há alguns metros de distância e ao ouvir o farfalhar das folhas, sorriu, sabendo que sua mensagem chegaria até sua mãe, através daquela forma silenciosa, porém graciosa que as dríades tinham de se comunicar.

''Obrigado.'' Agradeceu, movimentando a mão suavemente contra o tronco, como se para deixar uma carícia na árvore. ''Muito obrigado mesmo.'' Antes de sair, fechou os olhos e fez uma oração para a deusa, agradecendo-a por tudo.

Antes de voltar para a tenda, viu uma florzinha azulada brilhando contra a luz pálida da Lua e a reconheceu como o símbolo da deusa Gloriénn. Naquele momento, soube que aquela era a forma da deusa de prometer que faria questão que a mensagem de Harry chegasse sã e salva até sua mãe. Recolheu a pequena flor e prendeu no cabelo, agradecendo mais uma vez antes de entrar dentro da tenda. 


Notas Finais


A flor da mídia é a flor que o Harry encontra, é uma centáurea ou cornflower e é o símbolo da deusa, além de ser muito importante para a história.

Se quiserem ouvir a playlist da fanfic no Spotify, o meu user lá é larryfissure, o mesmo do Twitter (aliás, sintam-se livres para conversar comigo por lá! <3) Se forem falar da fanfic no Twitter, lembrem da tag #UnicornFic. Até o próximo!


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