História The Comeback - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Chandler Riggs, Sabrina Carpenter
Personagens Chandler Riggs, Personagens Originais, Sabrina Carpenter
Visualizações 23
Palavras 4.838
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


oii littless <3 voltei
então, o capítulo de hoje é bemm grandinho, e eu sei que é meio chato, mas é muuito importante para vcs entenderem melhor a Lolla, e para o desenrolar da história
Personangens:
Sophia Marques – Connie Talbot
Giuli Soares – Molly Quinn
Ana Ramos – Kira Kosarin
Clara Neves – Ashlund Jade
Lucas Souza – Alex Lange
enfim, desculpa qualquer erro, e espero que gostem <33
comentem, eu juro que sou legal ksjsks

Capítulo 2 - Upside Down


Fanfic / Fanfiction The Comeback - Capítulo 2 - Upside Down

 

      P.O.V Lolla

 

Thursday 17/07 9:55 am, Brasil

 

— Lolla, espero que entenda. É tudo para o seu bem. Você sabe que eu não quero que nada de ruim aconteça para você, meu amor. O seu tio, o Jon — ela faz uma pausa, e posso sentir a raiva dela, mesmo estando do outro lado da linha — Eu tive que dar uma parte do dinheiro, do seu avô, para ele. E agora, eles não vão mais incomodar. Você sabe que foi tudo muito rápido, e que seu pai não conseguiu se adaptar ao emprego aqui… A questão é: Vamos voltar pra Atlanta. 

— Que? — Falo, desacreditada. — Por que não para Washington, por quanto tempo, por que?! — É estranho voltarmos para Atlanta. Já que vamos voltar, porque não voltamos para Washington, que é aonde estávamos antes do Brasil. Vai ver assim eles me matam de uma vez e acabam com isso. Eu não quero isso de novo. Não mesmo.

Sinto meus olhos se encherem de lágrimas, e tento segurar o choro. Não gosto de chorar na frente de ninguém, e muito menos na escola. Mas, mesmo que eu tente, as lágrimas rolam sobre as minhas bochechas e algumas se atrevem a cair no chão. Como se lesse meus pensamentos, Lisa me abraça. E então, com o rosto enfiado em seu casaco vinho, desato a chorar. 

— Calma, vai ficar tudo bem. —  Ouço a voz doce dela falando. Mexo levemente a cabeça, tentando dizer a ela que não. Não vai ficar tudo bem. Não mesmo. Como que num passe de mágica, todas as meninas surgem ao nosso redor, menos Ana. Mesmo com a visão borrada pelo choro, consigo ver as expressões confusas delas, como que se perguntassem "O que aconteceu?". Lisa limpa as minhas lágrimas, e elas me envolvem em um abraço coletivo. Eu não quero abandonar mais gente. Eu não posso. 

           

            P.O.V Chandler

 

Thursday 17/07 13:15 am, Atlanta

 

Acordo com o barulho da televisão. Pego o meu celular, e olho a hora. São 13:15, ainda dá para dormir. Sinto uma forte dor no pescoço. Resolvo subir até o meu quarto. Caminho até o banheiro, e jogo a água fria da pia, no rosto. Sento na cama, e encontro uma caixinha com todas as cartinhas que eu recebi de presente. Não li praticamente nenhuma ainda, mas pretendo ler todas. Pego uma carta com um envelope azulado. Olho o verso, e abro a pequena fita branca, revelando um papel levemente amarelado com um enorme texto, escrito à mão. Começo a ler.

"Chandler, por mais que eu ache que você não vai ler isso, eu resolvi escrever, porque não custa tentar né? Eu não sei por onde começar a escrever. Você é incrível, em todos os sentidos. Uma pessoa incrível, um ator incrível. Um ídolo incrível, que se preocupa com cada um dos fãs.  Que está gastando o seu tempo lendo a minha cartinha, enquanto poderia estar fazendo qualquer outra coisa mais legal. Você é meu sonho, e meu motivo de acordar. Qualquer esforço que eu fizer para te ver, nunca será em vão. Cada segundo que eu passei com você, valeu a pena. Por mais que seja quase impossível, eu nunca vou desistir de tentar te encontrar de novo. Obrigada por tudo. Te amo <3.

Obs: Me segue no twitter? (tá no verso do envelope, mas só se você quiser) 

De uma entre as suas milhares de fãs, Mila <3"

Eu adoro cartas. Com certeza são a melhor parte de ir em comic cons, elas me fazem sentir que todo o esforço valeu a pena. Pego meu celular, e sigo a menina no twitter como ela pediu. Minha mãe entra de repente no meu quarto. Eu hein. Ela parece muito feliz, não sei porque. Tem um enorme sorriso estampado em seu rosto. 

— Chandler! Você não vai acreditar! Se lembra da Lolla? Aquela sua namoradinha, de quando você era pequeno… — tagarela a minha mãe. Ela cisma em dizer que Lolla era minha "namoradinha". 

— Ela não era minha namorada mãe! E sim, lembro dela, o que tem? — Ok. Talvez, mas sótalvez, eu gostasse dela sim. Mas eu superei. A muito tempo. 

— Ela vai voltar! Teve uns problemas lá no Brasil. — ela fala. Franzo a testa, e abro um sorriso. Que bom que ela vai voltar, mas acho que ela nem deve mais se lembrar de mim direito. Ela não me procurou nem uma vez durante esses 10 anos. O que será que aconteceu pra ela voltar? 

— Legal mãe! Quando? 

— Daqui a alguns dias. Scarlet disse que avisarão quando chegarem. Chamei elas para virem aqui. — minha mãe responde, saindo do quarto. 

Volto minha atenção para o lado de fora. As cortinas estão levemente abertas, o que faz com que o pouco de sol que tem, entre e ilumine levemente o quarto. Por mais que hoje seja um dia nublado e chuvoso, o céu está claro. Não chega a ser azul, mas é quase branco. Muito forte. Será que no Brasil está sol? Será que Lolla está feliz por voltar? E o que aconteceu de verdade? Quando eu era pequeno, ela vivia aqui em casa. Ela entrava no meu quarto, deitava no tapete azul marinho e olhava para a janela. Dizia que os meus olhos pareciam o céu, e por isso gostava de olhar para eles. Ela era minha única amiga naquela época. Nós sentávamos no tapete, abríamos as cortinas e comíamos os biscoitos que a minha mãe costumava fazer. Por um tempo, fazíamos um silêncio extremo, mas que não era desconfortável. É como se conseguíssemos nos entender sem precisar falar. Depois, fechávamos as cortinas, ligávamos a televisão, em "Charlie e Lola" que era nosso desenho preferido. Conversávamos sobre a nossa vida, sobre a vida dos outros, sobre a escola, sobre os problemas que achávamos que tínhamos. Todos os dias. E era a coisa que eu mais gostava de fazer. Até que ela foi embora, e eu nunca entendi direito o porque. Eu sei que não era o que os pais dela haviam falado, como desculpa. Ela disse que era outra coisa, que nem ela entendia direito. Que não queria ir, e ela pedia desculpas freneticamente pra mim. Entre seus soluços, ela tentava se desculpar por "me abandonar". E entre as minhas lágrimas, eu dizia "Vai ficar tudo bem, calma". Aquele dia, foi diferente. Não tiveram biscoitos. Não abrimos as cortinas. Ela apenas deitou na minha cama e eu deitei ao seu lado. A mãe dela chegou para busca-la, e a ultima coisa que ela me disse foi "Eu juro que não vou te esquecer". Triste, eu sei. E agora ela vai voltar, e eu não sei como agir. Vai ser legal me encontrar com ela de novo. 

— Vem almoçar Chan! — minha mãe grita, provavelmente lá da cozinha. Desço as escadas, e me sento na bancada. Ligo a pequena televisão que temos ali em qualquer canal. Como o macarrão que estava no prato, e levo o prato até a pia. 

— A Hana vai com você para a casa do Sam hoje, tá Chandler? — minha mãe pergunta, enquanto lavava o ultimo prato sujo, e pegava o meu da minha mão. 

— Ah vai? Ta bom… — falo, indo em direção ao meu quarto. Deito na cama, e em uma questão de segundos, adormeço. 

                [...]

 

             P.O.V Lolla

 

Thursday 17/07 14:00 pm, Brasil

 

Chego em casa, e subo correndo para o meu quarto. Lisa e Giuli vieram comigo. Fecho a porta com força. Agora, não estou exatamente triste. Eu estou com raiva, mas é uma raiva diferente. Sinto raiva dos meus parentes e sinto raiva dos meus pais por serem tão frouxos a ponto de dar o que aqueles folgados queriam. Sinto raiva de nem pensarem direito em mim. Quando tudo na minha vida finalmente se encaixa, eles vem e bagunçam de novo. E, sem a ajuda de ninguém, eu tenho que juntar os meus cacos.

— Lolla? — Ouço Giuli me perguntar, do outro lado da porta. Giro a tranca, e ela e Lisa entram. Meu quarto, que costuma ser arrumado, está uma bagunça. Parece até que o mundo sabe que acabaram de virar a minha vida de cabeça pra baixo. Hoje o dia está chuvoso, nublado. Está frio e não há um vestígio de sol. Parece que o mundo não está tendo um dia fácil hoje também. O cinza escuro das nuvens deixam o lindo jardim da minha casa, tristonho. O vento frio bate sobre as flores, que se fecham para tentar se proteger. 

Eu gosto do tempo assim. Se hoje fosse um dia normal, eu estaria feliz, deitada na minha cama, debaixo das cobertas, assistindo séries na televisão. O tom das nuvens me dão a impressão de que elas estão tentando segurar a chuva, exatamente como eu estou fazendo nesse exato momento com o meu choro. E isso me dá uma sensação de vazio imensa. 

— Lolla, isso é para o seu bem. Vai ficar tudo bem, eu tenho certeza. Tudo acontece por um motivo – Lisa começa a dizer, mas é interrompida por lágrimas – E deve ter algo bem maior por trás disso. Tudo tem uma razão. E um dia, você vai agradecer por tudo o que aconteceu, porque um dia, nós vamos encontrar a sua razão. E eu te garanto, que depois que descobrirmos ela, tudo vai valer a pena. Eu te prometo. – Ela completa, já praticamente se afogando em lágrimas. Pelo canto do olho, posso ver que Giuli está chorando também. 

Sinto um enorme nó na garganta. Me sinto uma pessoa horrível. Eu vou abandonar ela aqui. Sendo que, sempre que eu precisei, ela esteve ao meu lado. Lembro de já ter passado por isso. Antes de vir para o Brasil, eu tinha um amigo. Nós éramos inseparáveis, como eu e a Lisa somos agora. Eu era única pra ele, e ele era único pra mim. Eu confiava nele todos os meus segredos, como ele confiava todos os segredos dele em mim. Eu era a única pessoa que ele tinha. E então, sem poder nem me explicar, eu tive que me mudar para o Brasil. Eu o abandonei. No começo, eu sentia a falta dele. E hoje em dia, não me lembro nem do nome dele. Eu sou uma pessoa horrível. Sou o tipo de pessoa que deixou esse menininho na mão, e que está prestes a fazer isso de novo. Eu não quero mais isso. Não quero mais abandonar ninguém. Eu não posso. Quando segurar o choro se torna impossível, começa a chover. Muito. E minhas lágrimas rolam sobre as minhas bochechas avermelhadas, como as gotas de chuva caem das nuvens. Estranhamente, a chuva me conforta. É como se eu não estivesse mais chorando sozinha. Sinto como se tudo o que eu amo estivesse desmoronando. Giu me abraça por trás, e Lisa me abraça também. Elas estão me esmagando, mas realmente, isso não importa agora. Vou até o banheiro, lavo o rosto, sento na cama, e ligo a televisão em qualquer canal. Bato com as mãos no colchão, indicando para que elas sentem também. Elas caminham praticamente juntas até a cama. Giuli senta do meu lado esquerdo, e Lisa deita do lado direito. Ouvindo o som da chuva, adormeço, abraçada nas melhores amigas que alguém poderia querer. 

 

         [...] 

 

Acordo. Olho para os lados, e vejo que Giu não está mais lá. Lisa ainda está dormindo do meu lado, então fazendo o mínimo de barulho possível, levanto da cama e pego o meu celular, que estava em cima de um puff. São 18:45. Minha mãe deve ter chegado do escritório há uns 15 minutos. Como não tinha tomado banho depois da escola, caminho até o banheiro. Tranco a porta, entro no box e abro o registro. Sentir a água escorrendo pela minha pele me acalma. Ainda estou processando tudo, mas agora me sinto mais tranquila. Espero uns 15 minutos e saio do banho. Visto uma calça jeans, uma blusa listrada, e um casaco cinza mesclado por cima. Calço um par de meias bordô e então, desço as escadas. 

Vejo Giuli sentada no sofá, assistindo um desenho qualquer que estava passando na televisão da sala. 

— Giuli – ela se vira rapidamente para a minha direção, com os olhos arregalados. Seus olhos verdes, que costumavam ser sempre serenos, estavam vermelhos por conta do choro. 

— Nossa! Que susto Lolla – ela fala, e dá uma risada fraca. Finjo um sorriso. 

— Desculpa, não queria te assustar. Você viu minha mãe? – pergunto

— Ela foi ao mercado há uns 5 minutos. Senta aqui. – Giu fala, batendo com as mãos no sofá. 

Suspiro, e me sento. 

— Quer ver outra coisa? – pergunto, já com o controle na mão. Ela pode não querer, mas eu quero. 

— Tanto faz. – ela fala, e pega o celular do bolso do casaco. 

Entro no Netflix e coloco a 4ª temporada de The Walking Dead. Mais especificamente episódio 9. É meu episódio favorito, de todos. É o episódio do meu amorzinho, o Carl. Deve ser por isso que amo tanto esse episódio. Passam uns 20 minutos de episódio, quando ouço o barulho do motor do carro. Olho para a janela, e a luz do farol me confirma. Minha mãe chegou. E eu preciso mais que tudo, de respostas para o que aconteceu. Acho que percebendo o meu desespero, Giu fala: 

— Calma Lolla, vai ficar tudo bem. Eu não sei o que aconteceu, mas o que quer que seja, não se esqueça que eu vou estar aqui. E você pode se apoiar em mim, sempre que eu precisar tá? Porque, se tem uma coisa que eu odeio nesse mundo é te ver sofrer. 

A abraço como se a minha vida dependesse disso. Minha mãe entra, e vai direto até a cozinha. Me desfaço do abraço e vou atrás dela. Ela tenta evitar qualquer tipo de contato visual, mas eu entro na frente dela e falo: 

— O que aconteceu? – ela abre a boca, mas em seguida a fecha. – Mãe, eu posso saber o que foi que aconteceu? – eu aumento o meu tom de voz. 

— Você tem que entender Lo – ela começa, praticamente sussurrando – Eu consegui um acordo. Quando viemos, tudo o que você queria era voltar, e agora que vamos, tudo o que você quer é ficar! – completa. 

— Porque talvez, há 10 anos atrás, a minha vida estava lá! E agora, quando finalmente consigo trazer ela até aqui, vocês querem que eu volte! – Praticamente grito. Não acredito que eles realmente vão fazer isso comigo. De novo.

— Lolla, você pode por favor parar de gritar?! O que aconteceu foi o seguinte: Me ligaram. Número desconhecido, às 3:50 da manhã. "Não adianta mais se esconder Scarlet, eu te achei. Achei você e aquela sua filhinha né? Sua por pouco tempo. Ou o dinheiro é meu, ou a sua ladra mirim some. E você não verá ela tão cedo assim". Me disseram isso, Lolla. O babaca do meu meio-irmão, Charlie, disse isso. E ele está preso há 2 anos. Liguei para Jon, e ele fez a mesma exigência que Charlie. A diferença é que ele está solto por aí. — Sua voz falha, e ela parece desolada. Sinto um arrepio. — Então, dei a ele o que ele queria. É tudo para te proteger, meu amor. Eu nunca faria nada para o seu mal, você sabe disso. Voltaremos para Atlanta, porque tenho medo do que pode acontecer. Eu preferia voltar para Washington, mas ele pode nos encontrar lá. Porque era lá que estávamos, não faria sentido. Charlie sabe que estamos aqui. Mas não vai saber se voltarmos para Atlanta. Não tem nada a ver com o seu pai, não coloque a culpa nele. Só não achei seguro falar pelo telefone. Nada mais me parece seguro.

— Quando vamos? — falo, com dificuldade por causa das lágrimas. 

— Sábado.

A abraço, ela seca minhas lágrimas, e saio correndo. Sábado. Tenho um dia. Amanhã é meu último dia aqui. E eu quero todas, todinhas, aqui comigo. 

 

MENSAGENS ON

 

SALADA MISTA

Integrantes: Twin, Ruivinha, Anna da minha Elsa��, Chata, My life e Eu

 

Eu: AMORES, vocês podem dormir aqui em casa hoje? É URGENTE, VENHAM SÉRIO 

Twin (Lisa): ih, tu é muito chata, vou embora daqui

Ruivinha (Giuli): tô indo junto com a Lisa KKKK 

Eu: Ridículas  tô indo aí bater em vocês

Twin: HAHAH mentira, também te amo

Anna da minha Elsa��(Ana) : AHH QUERIA ESTAR AI! me liga por face time quando der

My life(Clara): chego em 10 minutos! 

Chata(Sophia): Aceito carona! 

Eu: Se você não vier por PREGUIÇA, eu te mato. Minha casa é no condomínio do lado da sua Sophia, pelo amor de Deus né? 

Chata : Aff, tô indo kkk

 

MENSAGENS OFF

 

Bloqueio a tela do celular e subo as escadas até o meu quarto. Encontro Lisa sentada na minha cama, procurando o botão do Netflix. Quando abro a porta, ela leva um susto:

— Ah, é você Lolla. Onde que eu entro no Netflix aqui? Que controle complicado hein?! — Olho para a minha amiga com uma expressão do tipo "É sério isso?". Dou uma risada e então coloco para ela. 

— The Walking Dead? — pergunto

— Não, vou ver Dora Aventureira — Rimos juntas e coloco no mesmo episódio que eu estava vendo na sala. É o nosso episódio favorito.Talvez eu não me lembre mais disso quando estiver lá. "Para com isso Lolla, você não vai esquecer ela" Repito mentalmente. Mas no fundo, tenho medo de que isso aconteça da mesma forma que foi com o garotinho. Eu não quero esquecer mais alguém. E eu não quero abandonar mais alguém. Volto minha atenção para a televisão quando ouço um barulho de walker. Ele prende o pé de Carl, que dá três tiros tentando se soltar. Erra todos pra variar né? Se não fizesse cagada, não era o Carl. Mesmo que eu já tenha visto esse episódio 12548104720… vezes, eu fico nervosa como se fosse a primeira vez. Eu não sei porque, mas sempre simpatizei com o Carl. Mesmo eu sabendo que não tem a menor chance de conhecer ele, seu rosto me parece familiar. Deve ser só impressão. Ouço 4 batidas na porta lá embaixo. Eu e Lisa descemos, e Giuli que estava fazendo alguma ligação, desliga rapidamente o celular. Caminho até a porta e olho pelo olho mágico. Elas chegaram. Abro a porta, e sou recebida por um abraço coletivo. Na verdade, elas pulam em cima de mim, o que me faz cair no chão. 

— Tá tudo bem Lo? – Sophia pergunta. Retorço o nariz. 

— Na verdade, não — O sorriso em seu rosto se transforma em uma expressão séria. 

— O que aconteceu Lolla? — sua voz transmite nervosismo.

— Chamei vocês para explicar — falo, apontando para o andar de cima — Vamos subir? 

— Ok — elas me respondem em uníssono.

Ao chegarmos no quarto, o celular de Sophia toca. Ela abre a mochila, e o pega. Ao olhar a tela, ela solta um suspiro. Segura a respiração e  abrindo a porta do quarto, atende e sai. Vou atrás dela. 

 

           P.O.V Sophia

 

Sinto meu celular vibrando. Olho o indicador de chamada. Ai meu Deus. É o Lucas. Eu sempre tive uma leve, bem leve, "quedinha" por ele. Sempre fomos amigos, mas nunca muito próximos. A não ser quando eu era menor. E de uns dias pra cá, nós nos aproximamos muito, e muito rápido. Deixo escapar um suspiro, saio do quarto e atendo o celular. Lolla vem atrás de mim. Respiro fundo e falo: 

— Alô? 

— Oi, Sophia? — ele pergunta. Parece tímido. Que fofo.

— Oi Lucas, tudo bem? — tento parecer segura, mas não dá muito certo. Sou péssima nisso. 

— Tudo, e com você? Tá livre hoje? A gente podia ir ao cinema — Ele pergunta, e meu coração dispara. 

— Poxa, eu to na casa da Lolla. Amanhã pode ser? — AI. MEU. DEUS. 

— Sim! Então amanhã passo na sua casa ok? 

— Ta bom. Tenho que ir, beijo. — falo. 

— Beijo — ele responde e eu desligo o telefone. 

Eu vou morrer. Não acredito que ele me chamou para sair. Tento me recompor, e quando estou pronta para entrar no quarto de novo, dou de cara com a Lo. 

— Hmm, quem era hein Dona Sophia? — ela fala, estreitando os olhos. 

— Ninguém. — ela faz uma cara do tipo "Hmm sei" — Ta bom, era o Lucas. Vou ao cinema amanhã com ele, nada demais. — acabo falando.

— Boa Sof! Relaxa, vai dar tudo certo tá? — tomara que ela tenha razão. Ela me abraça, e eu retribuo. 

Entramos no quarto, e então lembro que ela tinha que contar alguma coisa para a gente. 

— O que você ia dizer Lolla? — Clara pergunta e enfia uma mão cheia de pipoca na boca. 

Lolla solta um suspiro arrastado e se senta na cama ao lado de Lisa

 

                P.O.V Lolla

 

— Acontece que, tivemos uns problemas com a família, por causa daquela herança. – falo, revirando os olhos – E acontece que eu vou ter que voltar para Atlanta. – Termino. Pisco algumas vezes para afastar as lágrimas. Elas me olham, incrédulas. 

— Mas, por quanto tempo? – Sophia pergunta, e posso ver que ela sabe que não vai gostar da resposta. 

— Não sei. Talvez por um ano, ou talvez para sempre – Respondo. Sophia começa a chorar, o que faz com que as minhas lágrimas voltem. A abraço e ela olha para mim. 

— Só promete que não vai me esquecer ok? – Congelo. Aquilo me parece tão familiar. E se eu esquecer elas? Eu sou um monstro. Eu vou abandonar mais gente. De novo.

[...] 

 

Ficamos conversando durante um bom tempo. Resolvemos assistir um filme, e elas como sempre não conseguiam escolher um só. Queriam assistir vários de uma vez. Acabamos decidindo assistir "Simplesmente Acontece". Eu amo muito esse filme, tipo muito mesmo. Ouço o toque do microondas e vou até a cozinha. Pego a pipoca, e sento entre Lisa e Sophia no sofá. Giuli e Clara estão sentadas no tapete levemente afofado, no chão, por escolha delas mesmo. 

[...] 

 

O filme acabou, e eu estava chorando pela milésima vez hoje. Sou muito emocional em relação a filmes, séries e todo o resto. 

— O que a gente vai fazer agora? – Giu pergunta. 

— Que tal verdade ou desafio? – Sugere Lisa. Todas concordamos, com exceção da Sophia, que resiste um pouco, mas acaba cedendo. 

Subo até o meu quarto, e procuro pela minha garrafa. Sim, eu tenho uma garrafa feita para jogar Verdade ou Desafio, não me pergunte por que. Abro o meu armário, olho no fundo onde deveria estar. Procuro embaixo da cama, atrás do armário, dentro do pequeno closet e no banheiro. Desisto de procurar e pego uma caneta qualquer mesmo. Deve servir. Volto para a sala e elas já estão sentadas em roda. Sento entre Giu e Clara. Giro a caneta. 

— Lisa pergunta para Sophia! – anuncio 

— Verdade ou Desafio? – ela pergunta 

— Verdade! – Sophia responde, mas percebo que se arrepende quase que instantaneamente.

— É verdade que você está afim de alguém da escola? – Lisa pergunta. Meu Deus, ela é vidente. Como é que ela sabe? 

Sophia me lança um olhar de morte. Faço uma cara do tipo "Não fui eu", porque não foi mesmo. É coisa da Lisa isso, ela é muito atenta. Descobre tudo sempre, antes de todo mundo. 

— Argh, não posso mudar pra desafio não? – Sophia reclama, choramingando 

— NÃO! – Lisa grita e sorri vitoriosa 

— Talvez eu esteja afim de uma pessoa. Pronto, gira a caneta de novo – Sophia fala tão rápido que eu quase não entendo o que ela havia dito.

— Não tão rápido assim, mocinha – Lisa fala, a encarando – Conte-me amorzinho, quem? 

— Ah, mas que saco hein? Lucas, e se contarem pra alguém e forem assassinadas, não fui eu – Sophia responde, levantando as mãos.

Jogamos por um longo tempo. Eu já sei praticamente tudo sobre elas, então não é tão legal assim jogar isso. 

— Aí gente, já tá chato né? Além disso, amanhã temos escola. – Clara lembra, e eu reviro os olhos. Esqueci desse pequeno detalhe. Amanhã tem aula. 

— Então vamos dormir – Digo, levantando do sofá e indo em direção ao meu quarto, aonde se encontram vários colchões espalhados pelo chão. Olho a hora no meu celular, checo se o meu despertador está ligado, e então deito. Devem ter passado uns 15 minutos, mas para mim parece uma eternidade. Me reviro na cama. Tiro o cobertor. Coloco o cobertor. Troco o travesseiro de lugar, mas não consigo pegar no sono. 

 

Apareço em uma sala escura e fria. Sinto o chão gelado tocar as pontas dos meus dedos, e de repente, tudo acende. Me encontro em uma saleta completamente cinza, mas sem nada além de mim dentro. As luzes começam a piscar, cada vez mais rápido, até que apagam de novo. Ouço passos se aproximando de mim, e tento correr, mas minhas pernas se recusam a se mover. Ouço gritos e então, sinto alguma coisa fria encostar na minha cabeça, e uma sirene soa por todo o ambiente. Olho para trás e o homem que segurava aquela coisa fria, que agora eu tinha visto que era uma arma, dispara. 

  

4:57 am, Brasil

 

Praticamente pulo da cama, e só me dou conta de que era um pesadelo quando já corri até a beira das escadas. Meu coração está tão acelerado que mal consigo senti-lo, e estou totalmente ofegante. Fico extremamente tonta, e cambaleando volto para a minha cama. 

[…] 

 

— Cuidado! – Clara tenta me avisar quando uma bola de queimado vem em minha direção. Desvio, e Lisa, que era do outro time, revira os olhos para mim. Tento acerta-la umas 3 vezes, mas não obtenho sucesso. Tantas vezes que eu quis arranjar uma desculpa pra sair dessa quadra e sentar na arquibancada. E agora, no meu último dia aqui, tudo o que eu quero é ficar. Ser humano é uma espécie indecisa mesmo. Sou atingida no joelho por uma bola, e vejo Lisa sorrir vitoriosa. Sento na arquibancada, e a professora apita. Mesmo não gostando muito da escola, eu não queria sair dali. Porque, eu me acostumei com aquelas salas, aquela quadra, as cadeiras azuis fazendo par com as mesas brancas. E obviamente, eu nunca mais voltaria aqui, já que falta apenas o Ensino Médio para eu me formar. Maldito tempo. O tempo é o maior inimigo do homem, na minha opinião. Quando queremos que ele passe rápido, ele faz questão de se prolongar o máximo que der. Faz dias parecerem semanas, semanas parecerem meses, meses parecerem anos e anos parecerem décadas. Demora um século o que na verdade eram apenas alguns dias. E  quando queremos que ele pare, ele passa voando. Ele escorre pelos nossos dedos, foge de nós na velocidade da luz. Corre de mim como uma presa corre de um predador. A diferença, é que nesse caso, o predador não consegue alcançar a presa. E quando nos damos conta, ele já passou, mas sem antes deixar os seus rastros. Sem antes esfregar na sua cara, que já foi embora. No momento, eu nunca vi o tempo correr tão rápido. Acho que é porque eu nunca quis tanto que ele parasse. 

— Vamos – Ana fala, me abraçando e me acordando dos meus pensamentos. 

Ela voltou de viagem ontem a noite, e contei para ela tudo hoje. Já é hora do recreio, então eu e Ana nos juntamos com as outras meninas, e caminhamos até o nosso lugar de sempre. 

— A gente tem pouca foto! – Sophia fala, fazendo um biquinho. 

— Lucas! – grito. O menino me olha confuso, e caminha até nós. — Tem alguma coisa pra fazer? — ele nega — Tira umas fotos para a gente? — Falo entregando o celular para ele. 

As meninas entregam os celulares pra ele, que os guarda no bolso do casaco. Não deixo de notar o jeito como ele sorri para a Sophia. Fofos. Minha amiga cora violentamente, o que me faz soltar uma risadinha. 

— Vamos tirar naquelas árvores, por favor, nas árvores, as árvores são lindas, eu amo as árvores, vamos lá por favor! – Lisa insiste, e todas rimos. Ouço o clique da câmera do celular, e Lucas me mostra a foto. Sinto uma repentina vontade de chorar. A foto está linda. Na verdade, nunca vi uma foto tão meiga nossa. É uma pena que são as últimas assim. Tento deixar de lado a tristeza, hoje é para ser um dia feliz. Quero que essas "últimas memórias" aqui sejam felizes. 

— Lolla? — Lucas pergunta, me acordando dos meus pensamentos — Você vai tirar a foto também? 

— Vou — Falo, forçando um sorriso, e saio correndo até as meninas. Pulo nas costas de Lisa, que quase cai no chão. A morena se vira para mim, com uma cara de raiva, daquelas de criancinha fazendo birra. Rio e desço de suas costas. 

— Vamos fingir que a gente sabe ser tumblr só um pouquinho né gente?! — Clara grita — O Lucas sabe tirar foto, mas também não faz mágica! 

— O que a gente faz? — Sophia pergunta manhosa. 

— Sophia, Lisa e Clara: se apoiem nas árvores — Lucas sugere — Lolla, Ana e Giuli: vocês sentam ou abaixam no chão, mas olhem pra câmera. 

Entramos nas "posições" tentando fazer a foto ficar boa. Sento de costas para Lisa, e Ana se abaixa e se apoia em mim. O sol bate dentro do meu olho, o que dificulta a minha visão. Mesmo não conseguindo enxergar nada direito, pela cara que Lucas fez, acho que a foto ficou boa. Olho para a foto, e um enorme sorriso se forma em meu rosto. Amei. 

[…] 

 


Notas Finais


espero que tenham gostado, e até sei lá quando :) <33


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