História The Cypher of My Life: Killer - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bad Boy, Bts, Colegial, Hétera, Híbrido, Jeon, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Min Yoongi, Rap Monster, Romance, Sangue, Suga, Taehyung, Vampiro!au
Visualizações 81
Palavras 4.549
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Festa, Harem, Hentai, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shounen, Super Power, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eita, o cap ficou maior do que eu imaginava. De qualquer forma, dêem as boas vindas a dois novos personagens!
☟ ☟ Boa leitura!

Capítulo 4 - Roleta Russa


Sinto o sol beijar de leve meu rosto, num beijo cálido e até que convidativo, devo admitir. No entanto, acordar bem antes que o despertador foi frustrante o suficiente para me fazer rebolar relutante na cama, gemendo preguiçosamente, me escondendo em meio aos lençóis e enterrando a cabeça debaixo da almofada.

Wow, então agora é oficial. Eu vou mesmo fazer isso.

"Isso", de me tornar uma caloira universitária.

Yoora, sua louca. Minha mente grita, despertando lentamente em meio ao silêncio do quarto.

Sorrio, sem querer, quase que espontaneamente, me abraçando  lenta e timidamente, escondida em meu covil improvisado e com cheiro de lavanda - por conta do amaciador da roupa -, enquanto que borboletas brotam no fundo do meu estômago. Mas aí um formigueiro angustiante se instala em meu peito, e de repente, todo o meu sono foi para o espaço.

Rio soprado, amassando a cara na almofada, meia que me forçando a me comportar. Afinal, o que há com toda essa sensação matinal cor-de-rosa, que não para de fazer meu coração bater lá no tecto e voltar, à velocidade da luz? 

Eu, hein. 

Rebolo, vezes e vezes sem conta, lutando sem sucesso contra toda essa excitação infantil. E não, meus caros, - ao contrário do que possam pensar, - não estou sob efeito algum de drogas. Suponho que tudo isto seja apenas uma amostra, dos efeitos colaterais, do primeiro dia de aula em uma garota normal.

Putz. Eu vou mesmo fazer isso?

Encaro o tecto de madeira por alguns segundos, me dando algum tempo para interiorizar e resolver toda essa hesitação. Isso, porque, normalmente e até mais frequentemente do que deveria, eu sou aquele tipo de pessoa, que quando tem duas opções, sempre escolhe a errada.

Na moral, a minha vida é uma merda mesmo. Eu poderia estar tomando banho em areia movediça que eu continuaria cantando "I will survive" cegamente. 

Triste isso? Triste.

Duas semana se passaram depois da chegada daquele maldito envelope, e desde então mal tenho conseguido pregar o olho por conta da ansiedade. Crianças problemáticas como eu, que possuem um sistema nervoso independente e mais potente que qualquer mustang de última geração, realmente precisam de mais compreensão humanitária por conta do mundo - e das idosas presentes nele. Eu não disse que iria estudar, mas no fundo, Dona Soyou já sabia da minha resposta. Minha avó ficou apenas me observando, me rondando, me estudando de longe, - e por Deus, eu sei - me julgando feio, ainda que não directamente. Fazendo, de tempos em tempos, pressão psicológica por meio de suas perguntas retóricas suspeitas como "Você sabe que eu confio em você, não sabe Yoora? Você fará uma boa escolha, não fará Yoora?", ou até por suas santíssimas reflexões em voz alta, e sem dúvida, vergonhosas para alguém na sua idade, sobre como seria interessante se eu arrumasse um marido gostoso e rico, no curso de Gestão. Velhinha folgada, essa. Ela nem mesmo reclamou quando eu me voluntariei para limpar o quarto de arrumos no fundo do quintal, ou a cozinha, ou o jardim na parte da frente da casa - que a propósito, estava uma verdadeira vergonha. 

É claro que eu estava apenas tentando me distrair com alguma coisa, mas mesmo assim.

"Me dando espaço para me deixar pensar." Essa foi boa. Só não ri na cara dela porque ela ameaçou tacar o cabo da vassoura na minha bunda.

Desde quando que isso é normal, meu Deus do céu? Quase que posso imaginar suas piadinhas internas em vista a todo esse meu conflito interno. 

Agora, a verdadeira pergunta é: Será que eu quero mesmo fazer isso?

- Faculdade. - repito baixinho, testando a palavra na ponta da língua, escondendo o rosto em minhas mãos e ainda me recusando abrir os olhos. Bang Yoora como universitária. Meu pai, isso é mais hilário que cachorro dançando a valsa de tutu. Não faz o menor sentido. Eu vou lá fazer o quê, hein? Trocar minhas escapadelas para jogar sinuca, por horas de estudo intessivo? Vender minha alma a fim de conseguir a licenciatura? O mestrado? O doutorado e o sei-la-mais-o-que? Horas de sono por dor de cabeça e pilhas de dever de casa? Vish, quando eu der por ela já estou velha e enrugada que nem Dona Soyou, e confiem em mim, não parece nem um pouco divertido. 

Minha linha de pensamento se embaraçou tanto, mas tanto, quando vi já estava bufando e reclamando sozinha no quarto. Tentando provar para mim mesma, de que toda essa minha dramatização, tem, claramente, um bom motivo. E seríssimo ele, porra. Sim, e se chama "Co-var-di-a", minha consciência teve a ousadia de ripostar. Misericórdia. Eu já estava começando a ficar possessa sozinha no quarto. Uns três minutos e eu começava a espumar e subir pelas paredes.

Minha garganta deu tanto nó, que acabei dando, a mim mesma, a primeira desculpa que apareceu em minha cabeça: - Ah, que se foda, não tenho nada melhor para fazer mesmo.

E pronto, fodeu.

Conhecem a filosofia do "Deus sabe o que faz, eu não."? Então, isso sou eu colocando uma única bala na roleta russa, premindo o gatilho de olho fechado, consciente de que a partir de agora, não depende mais de mim. 

Lavando minhas mãos que nem Pôncio Pilatos, crendo que, agora, os céus assumem todas as responsabilidades.

É, deplorável. Minha mente chora a morte precose e, ainda segundo ela, aparente da minha liberdade. Já algo em meu coração me diz, que não será bem assim. Um pouco gay, de facto, mas não estou nem aí. De cabeça feita e decidida, abraço de uma vez só, a sensação açucarada, que é todo esse nervosinho no fundo da barriga. Esperneio entusiasmada, fazendo um arremesso do travesseiro contra o teto e chutando os lençóis já com calor. 

E realmente tomei um susto, quando o relógio dispertou. Me pegou de surpresa, o que me fez querer tacar ele na parede, mas foi quando eu me virei para faze-lo, que mais surpresa eu fiquei.

Junto dele havia uma flor, uma tulipa amarela, linda, estranhamente junto a um bolinho da sorte. Isso mesmo. Pequenininho, inofensivo e tão fofo, com fita cola transparente ao seu redor, quase que como um curativo. 

Meu coração parou.

Eu só conheço uma pessoa, capaz de fazer isso a um bolinho da sorte. E por Deus, se for quem eu penso ser...

Estico a mão para alcança-lo, resmungando ansiosa à medida que a fita cola se enrola nos meus dedos, e assim que finalmente separo as duas partes e vejo, tal como eu já desconfiava, aquela caligrafia improvisada e completamente atropelada, que me fez semicerrar os olhos de maneira a entender que porra estava escrito:

"Te espero lá fora, cabeça de vento".

Meu queixo cai.

Namjoon.

Eu não pensei duas vezes, minhas pernas se levantaram sozinhas. Descalça e de short fino, deslizo a porta do quarto com força, com o coração palpitando alto contra meu peito, e quando eu o ouvi, sabia exatamente onde ele estava. Duas vozes ecoavam em minha direção, uma era a de minha avó, que resmungava alguma coisa sobre uma senhora do mercado, e a outra, bem grossa e polida, possante, céus, era dele, sem dúvida alguma.

Saio correndo desenfreada pelo pátio, perseguida pelo barulho das minhas próprias pisadas fundas sobre o piso. Eu quase chutei a porta da cozinha, cheguei de rompante, ofegante, como se tivesse corrido a maratona, fazendo com que ambos se assustem e deixem algumas sacolas de compras caírem no chão.

- Eita, Yoora. Já chega causando estrago,  'né mulher? - minha vó murmura em reprovação. - NamNam, vem, me ajuda aqui. Pega esses tomates que caíram, meu filho. Não consigo me curvar.

Mas ele não diz nada. 

Aliás, nenhum dos dois diz nada. 

Nossos olhos ficam presos um no outro, e, meu pai do céu, quem é esse homem que eu tenho à minha frente? Alto, esguio, com o cabelo bagunçado e agora mais claro. Seu sorriso brota aos poucos, em meio ao rubor em suas bochechas, me dando uma visão familiar de suas covinhas. 

- Namjoonie. - é tudo quanto consigo dizer, boquiaberta, e antes que ele diga o que quer que seja, salto para os seus braços cumpridos, sem aviso prévio, jogando a ambos no chão, mas mesmo assim apertando com força em um abraço sufocante, que para minha surpresa, foi retribuído sem hesitação. - Cara, é você?

- Também senti a sua falta, Yo. - ele fala junto ao meu ouvido, retribuindo o aperto e me fazendo rir de sua força. Eu, definitivamente, não me lembrava dele assim. Ele enterra o rosto em meu pescoço e então suspira fundo.- Também senti a sua falta.

Eu nunca fui o tipo de menina, que tinha outras garotas como amigas. Sempre me dei melhor com rapazes, por alguma razão. Talvez por meu charme ser um pouco mais agressivo que o das outras garotas, talvez por eu não me importar de me sujar na lama ou por preferir jogar futebol a fazer cosplay da Hanna Montanha

Quando minha mãe se casou com o meu padrasto, e mudamos de cidade, eu não deixei muita coisa para trás. Minha vida era simples e não tínhamos grandes bens.  Eu era relativamente novinha, e para além da minha avó, eu me vi obrigada a abandonar apenas duas pessoas realmente importantes para mim. 

Namjoon, e Jaebum. 

A lembrança que eu tenho de namjoon na época, é de um rapaz franzininho, tímido, assustado, escondido atrás de seus santíssimos óculos fundo de garrafa, e agarrado com unhas e dentes aos livros de cálculo da irmã mais velha. Ele não saia muito, ou tinha muitos amigos, isso é o certo, mas no dia em que eu o salvei de apanhar da Seulgi, - três anos mais velha que ele e três vezes "maior" que nós dois juntos -, por ter derramado suco de laranja no estojo novo cor-de-rosa da garota, nunca mais nos separamos. Pelo menos da 3° série até ao dia em que me mudei para Busan. A partir daí, nos comunicarmos só se tornou mais difícil. As coisas complicaram e alguns anos depois acabamos por perder o contacto. 

Minha avó fez questão de contar, que por todo esse tempo, é ele quem tem cuidado dela. Eu sabia que voltando a Seoul, eventualmente, o encontraria, mas, agora, me deparando com esse homem já feito, não poderia me sentir mais orgulhosa. E claro, obrigada a fazer A Pergunta:

- E aí, e as namoradas, hein, garotão? - digo beliscando ele, bloqueando passagem e o prendendo no chão da cozinha. Eu ainda era a mais forte aqui. - Pode ir me atualizando, filho. Temos muito assunto para colocar em dia.

- Parece sua avó falando, credo. - ele ri em baixo de mim, me abanando em uma tentiva falha de se libertar. - E como assim, "filho"? Esqueceu que eu sou o mais velho aqui, oh, cabecinha de vento? 

- Olha só, o mulheque se achando. 'Tá querendo apanhar, é?

 Suas covinhas sempre derretem o meu coração. - Bom te ver, Yo.

Ele sorri.

- Há quanto tempo, Nam. - sorri de volta.

E claro, Dona Soyou não estava falando nada mas estava adorando o show. Caladinha, catando lá os tomates dela e rindo de canto. No fundo, tão feliz por esse reencontro como nós.

- Já contou para ela, Namjoon? - ela decide se manifestar. - Que você é sunbae dela na faculdade?

- Você é? - o encaro atenta, sem piscar.

- Eu sou. - Ele sorri novamente, um pouco sem jeito por meu rosto estar tão perto do seu. - Eu queria ter te procurado mais cedo, mas sua avó achou por bem eu esperar algum tempo até você se acomodar na cidade. Sei que já está aqui à algum tempo, mas que as coisas não têm sido fáceis para você. Realmente, temos muita coisa para conversar.

- Temos sim. - sorrio de orelha a orelha e o abraço novamente, me levantando logo de seguida e dando uma mãozinha para ele.

Isso eram ótimas notícias. Não, melhor, mara-de-fantásticas.

- Yoora, olha bem para esse short minha filha. - minha avó pigarreira, rabugenta, me encarando e com razão. Eu estou praticamente sentada no colo do Namjoon. - E olhem as horas, meu Deus do céu. Crianças distraídas. Depois vocês conversam! Yoora, vá! Vá lá trocar essa roupa e escovar esse cabelo.

- Mas vó, eu ainda nem comi nada. - protesto, fazendo Namjoon rir. - Minha barriga chega até a cantar o hino nacional.

- Namjoon que te alimente quando chegarem lá. Vá! - a idosa praticamente me enxutou da cozinha dela, me ameaçando com a faca da manteiga. -  Vá,  vá logo, minha filha. 

- Aish, velha maluca. - murmuro, fazendo uma careta para ela, que agora de costas, não pode ver o coração que estou fazendo para Namjoom. Roubo um pedacinho de pão de cima da mesa e coloco o pé fora da porta, selando minha promessa com uma piscadela. - Prometo não demorar!

E então saio correndo novamente.

Eu tinha tudo pensado, e minhas botas de cordão, o casaco de cabedal e as argolas de prata estavam, definitivamente, na equação.  Oh, sim. O look era meio de gótica suave, eu sei, mas porra, meu outfit precisava, de alguma forma, compensar todo o meu nervosismo interno.

Meu plano para esse ano letivo? Não faço a mínima, mas, passar o mais despercebida possível é o ideal.

Dou uma última olhadina no espelho, e assim que me dou por satisfeita, respiro fundo: - Estou pronta.

 

 

°°°            

 

Oh merda, não, eu não estou pronta coisa nenhuma.

- Como assim você vai me deixar sozinha, Nam? - eu praticamente me engasgei com a boca na palhinha do meu Latte. Algumas pessoas se voltam em nossa direção, me julgando "discretamente" por ter levantado a voz na cafetaria da faculdade. Wow, não é como se eu fosse tão barraqueira assim. Ou sou? Retomo agora sussurrando. - Eu vou acabar me perdendo.

E Namjoon só ri.

- Você não vai ficar sozinha, sua idiota. - ele tira uma caneta do bolso e um guardanapo do expositor. - Aqui, toma! você vai procurar por essa garota.

- Mae Yuju? - leio com cuidado, acrescentando uma nota mental, "oferecer um caderno de caligrafia para Namjoon". - Essa é quem? Sua namorada?

- H-hun?! - foi a vez dele de engasgar. - Namorada? Credo, não, ela que não te ouça, credo. Ela é minha hoobae do curso de engenharia, e prometeu te mostrar o campus por mim.

- Hum. - digo desconfiada. - Mas Nam... 

- Vai ser fácil você a encontrar. - ele assegura. - Garota baixinha, dois totós no cimo da cabeça e olhos incrivelmente enormes. Sério, e não olha ela nos olhos, é assustador.

Que tipo de indicações são essas, meu pai do céu?

No mesmo momento em que abro a boca para resmungar, a campainha toca, Namjoon se levanta e quando vejo, já recebi um beijo na testa de despedida. 

- Se comporta e não arruma bagunça. - ele avisa antes de sair. - Nos vemos no final do dia.

Triste. Suspiro. Mal tivemos tempo para conversar. E espera aí, como assim "não arruma bagunça"? Aish, até parece.

Dou uma olhada em redor. É, estou por minha conta agora.

- Pelo menos a cafetaria é legal. - me animo um pouco. O dia está apenas começando. Dou uma checada no telefone, só para garantir de que minha avó não me ligou. Fiz questão de pedir que ela o fizesse, caso acontecesse algo com a minha mãe. Saber que estou longe dela não me deixa confortável. Enfim, tenho o dia de hoje para conhecer esse negócio. Respiro fundo, colocando o óculos escuro. - Muito bem, Mae Yuju, cadê você?

E lá fui eu brincar de "Procura-se".

Eu comecei um pouco às cegas, tendo em conta que as únicas pistas que eu possuía era um nome, e de que a garota, com esse nome, era "assustadoramente baixinha e com dois olhos"- ou algo assim. Quando dei por ela, a manhã já estava quase terminando e nada de 'Mae Yuju'. 

E não posso mentir, mesmo estando sozinha e em meio a todo esse joguinho, acabei rondando o espaço sozinha e, porra, eu me sentia bem pequenininha.

Paredes brancas, altas, limpas, acompanhadas de chão polido e espaços abertos por toda a parte. A barulheira nos corredores era incrível e cheguei até mesmo a espreitar em algumas salas aleatórias, na esperança de achar Namjoon por acaso, mas nada.

Delirei com máquinas de café espalhadas por todos os corredores e quase chorei quando descobri que o campus possui ginásio 

Fui coletando alguns panfletos de cubles espalhados pelas paredes, salivando no mesmo momento em que li sobre o de luta livre. 

Problema? "Só para estudantes do sexo masculino.", era o problema. 

Eu iria exigir uma explicação a 'Mae Yuju' quando a encontrasse. Oh, eu iria.  Iria perguntar se a cláusula de igualdade de direitos nessa instituição era ignorada, eu iria, iria se encontrasse a garota como era suposto...

Sim, já estava começanfo a me sentir frustada.

É claro que não me limitei a vagear pelo espaço com um guardanapo rabiscado na mão, fiz questão de perguntar a algumas pessoas que fui encontrando pelo caminho, porém a menina não parece ser nada popular. O que só dificultou. 

Felizmente, um rapaz na biblioteca a reconheceu. Ele falava meio sibilado por conta do aparelho, mas entendi direitinho quando disse que o mais provável, era encontra-la chorando no quarto de banho.

- No quarto de banho? - franzo o cenho. - Não entendi.

- Oh, você vai entender. - ele e seu coleguinha chanfrado do lado começam a rir, tal e qual como se eu houvesse acabado de partilhar alguma piada.

Muito estranho.

Resolvi checar.

Faço exatamente o contrário do que o rapaz indicou. Uma vez que ele me aconselhou a deixar o banheiro do segundo piso em paz até à hora do almoço, mas como eu sou do contra, aqui estou eu, subindo as escadas para a porra do segundo piso.

Já sabia o que estava acontecendo mesmo antes de abrir a porta.

- Parem, por favor. Não façam isso, por favor. Levem tudo de uma vez, por favor.

Impressionante. Meu coração parou. 

A meu ver, a faculdade não deve ser muito diferente do colegial, no final das contas. E a cantiga continua...

- Não, por favor. Isso foi a minha omma que me deu. Parem, por favor.

Resolvi intervir. 

Empurro o restante da porta com força, chamando a atenção de todas para mim. 

Bolsa, telemóvel, maquiagem e sei lá mais o quê, tudo espalhado pelo chão. Uma garotinha de cabeça baixa, aproveita para catar o que parecem ser os seus pertencentes, fungando, em meio a lágrimas e com o rímel todo borrado, mas logo é impedida com um tapa na cabeça.

- Aigoo, me desculpem. - digo coçando a cabeca. - Estou interrompendo alguma coisa?

- É, você esta sim. Cai fora vadia. - cabelo curtinho, olho de peixe morto e uma saia que chega lá nas trompas de falópio. Eu não sou a vadia aqui. - Sora, tranca a porta.

A outra pelo menos é um pouco mais reservada, né? Se dignou a vestir um sutiã por baixo do decote que bate lá no umbigo.

- Você não ouviu? - a tal da 'Cobra' cospe. - Vaza daqui.

Mas minha atenção não está em nenhuma das outras das duas.

- Você está bem? - pergunto, fazendo a garotinha chorosa desviar o olhar.

- Eu gaguejei, por acaso?! - a "sem nome" grita.

Foi quando eu reparei que a garotinha tinha um corte em umas das bochechinhas cheias. 

- Não acredito. - rio soprado, sentindo minha voz engrossar. Essa situação é me bem familiar, eu já a vi acontecer outras vezes. Meu coração despertou com força, e meu punho chega até a formigar. - Violência física também está valendo? Ah, também quero participar.

Uma das moças dá um passo em frente na minha direção, revelando a navalha agora em sua mão. - Eu não vou falar duas vezes, ou você sai, ou vai sobrar pra você.

- Sabe o quê que acontece, minha filha, - desvio a lâmina da minha cara. Total falta de respeito dessa idiota, aliás. - É que eu realmente lido muito mal com esse tipo de situação. Por isso, talvez, assim, seja melhor vocês saírem, ou será para vocês que irá sobrar. Entendeu?

Meu sangue estava fervendo, mas eu ainda estava falando em tom de brincadeira. Pelo menos, até ela dar novamente um paço na minha direção com aquela amostra de faca dela, aí eu fui obrigada a agarrar o cabelo oleoso da songamonga e a joga-la para trás, contra a parede do lavabo. Por azar, a filha da mãe conseguiu cortar a minha mão.

- Eu vou perguntar novamente. - ligo calmamente a torneira da água fria, e lavo as mãos. A próxima vez que tocar nessa garota, vai ser para arrebentar a cara dela. - Você esta bem?

A garotinha olha atenta na minha direção, e aos poucos, seus olhos se enchem novamente de água.

- Você e você, saiam agora daqui. - digo me virando, e quando vejo que nenhuma delas tem reação, bom, explodi eu acho. - Eu gaguejei, por acaso?! Saiam, agora, porra!! Ou vou expulsar vocês na porrada!

Quando elas finalmente entendem a mensagem, abrem a porta meio atabalhoadas e desaparecem no corredor. O silêncio que se instalou no banheiro foi sufocante, seguido da minha respiração acelerada. 

Olho para a menina encolhida no chão.

Na minha frente essa porra não acontece, oh não, não enquanto eu permitir.

- Mae Yuju. - digo, abrindo o fecho do casaco, retirando o guardanapo agora amassado, e o abrindo na frente da menina que ainda me acompanha boquiaberta. - É você, por acaso?

A reação que se seguiu, definitivamente, me pegou de surpresa.

Um simples "sim" dela, bastaria. Mas não.

Ela começou a chorar - não, melhor! -  a se derramar aos prantos, agarrada às minhas pernas enquanto murmura alguma confusa. Isso sim, foi assustador. Nossa, muito constrangedor. Quem passasse por aí, iria achar que fui eu quem derramou as coisas dela no chão.

Esperei ela se acalmar, se arrumar e então saímos as duas sem dizer uma palavra. 

Podia senti-la atrás de mim, a uma distância aceitável, mas ainda me encarando com seus enormes olhos.

Sim, isso era, sem dúvida, constrangedor.

- E se fossemos almoçar? - paro de repente, a fim de metralhar o silêncio, fazendo com que ela embata contra minhas costas. - Você tem fome? 

Ela pisca.

- Você fala? - pergunto desgostosa, apenas para me certificar. - Ouve? Por favor, diz que sim.

- O-oh, sim. - ela diz finalmente, em meio a um logo suspiro. - Eu tenho fome, sim.

- Vamos, então. - digo aliviada, bem melhor agora que ela reagiu. Agarro em sua mão e a puxo atrás de mim. - Vou deixar você me pagar o almoço. 

No início foi um pouco difícil ouvir a sua voz. 

Comer em silêncio não é bem a minha praia e não queria que ela se sentisse mal por minha causa. Fiz questão de fazer algumas perguntas a ela, sem tocar no assunto do banheiro, e aparentemente inocentes, mas que aos poucos a foram fazendo se sentir mais à vontade, logo, logo me dando um vislumbre de seu sorriso inocente.

Principalmente, quando mencionei Namjoon.

Mano, quando citei N-a-m-j-o-o-n, o bicho mudou de figura.

- Namjoon-oppa, te falou sobre mim? Ele mencionou o meu nome?! O que mais ele falou?! Ele disse alguma coisa sobre o meu cabelo, sobre os meus olhos?!

Oh sim, estou oficialmente chocada.

- A-ah, sim. - fiquei até meia sem jeito. Seu rosto recuperou a cor, suas bochechas fartas estão rosadas, e os totós nem me encomodam tanto assim. Pelo menos ela esta comendo. - Namjoon me falou que você era muito bonita, e com belos olhos. É, grande fã dos seus olhos.

- Ele falou isso?! - ela salta rapidamente, logo se afundando na cadeira. Seu rostinho só faltava brilhar. - Wow, Namjoon-oppa realmente é o melhor.

Hun, Namjoon-oppa. Ao que parece, é ele quem tem uma fã.

Sorrio, cruzando as pernas entretida. Yuju me faz lembrar um piolho. 

- É que, sabe, - ela fala envergonhada de repente. -, normalmente as pessoas não gostam muito dos meus olhos. Eles são bem grandes e segundo a maioria das pessoas, bem assustadores também. 

Foi quando eu reparei, na abelha rainha. 

Sora e a outra idiota estavam conversando com uma outra menina - cabelo curto, pernas cumpridas e com os labios em um rosa choque enjoativo - e olhando em nossa direção. Mais "discretas" elas não poderiam ser, não é mesmo? Apontando e nos olhando como se fossem cães raivosos. Típico

Algo na terceira garota não me agradou, nem um pouco. A forma como nos encara. Uma cabrita até que corajosa, devo admitir.

- As pessoas costumam ter medo de tudo que seja diferente. - me estico de repente para limpar um grão de arroz no canto do lábio da Yuju, notando novamente o corte em seu rosto. Meu coração dói, e não sei o que há comigo. Eu sei que estamos sendo observadas, e quero que essas vadias saibam que a menina na minhas frente não está sozinha. - Mas quer saber, ser igual a todo mundo é tão sem graça. Você não acha?

E então, novamente o olhar assustador em seu rosto.

Me encarando com um brilho sinistro em seus olhos esbugalhados e com a boca entreaberta. Constragedor, sem dúvida.

-  V-vou pegar um pouco de água, você quer? - pergunto sem graça, e quando Yuju abana a cabeça que não, tomo a frente e me levanto caminhando tranquilamente.

Eu disse a mim mesma que iria ficar longe de confusão. Que iria me comportar, mas, porra, vai ser possível não.

Com o copo de água em uma mão, coloco o fone de ouvido na outra.

Yuju balança as pernas animada, um pouco mais ao longe. E da onde eu estou, consigo muito bem prever as intenções das idiotas que bateram nela mais cedo.

Me apresso em desfilar em sua direção.

Yuju, essa é para você. Luzes, câmera, ação!

E bam!, um grito ecoa por toda a a cantina, fazendo com que todos os olhares caiam sobre mim. Até o mais confuso, que é o da própria Yuju.

- Yaa! Ficou maluca, garota?!

Continuo fazendo o meu caminho de volta para a mesa, fingindo que não é nada comigo. - Vamos Yuju, perdi a sede.

- Yaaa! - sua voz anasalada rompe o espaço, praticamente, histérica. E estou falando da tal terceira garota, que eu ainda não sei o nome, mas que tenho a certeza que foi ela que mandou as outras duas atrás da Yuju. Meu faro para essas coisas raramente se engana. - Você vai mesmo fingir que não é nada com você?!

Me custou a conter o riso, eu juro. 

- Ah, hun, me desculpe. - giro a sola do sapato, tirando um fone despercebida, me voltando para encontrar a moça completamente enxarcada. A maquiagem está uma vergonha mas sua expressão facial é impagável. - Não sou fluente em mimimi.

Se isso foi um tiro no pé de toda a minha reputação social? Oh, sim, com certeza.



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