História The Devil's Claws - Gaia e Carter - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Comedia, Comedia Romantica, Originais, Romance
Visualizações 1
Palavras 4.367
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oi ooi, gente.
Eu coloquei de capa do capítulo como eu imagino a Gaia antes dela acabar vindo para a Terra.

Capítulo 2 - Alimentando o sistema capitalista


Fanfic / Fanfiction The Devil's Claws - Gaia e Carter - Capítulo 2 - Alimentando o sistema capitalista

We were victims of the night
The chemical, physical, kryptonite
Helpless to the bass and faded light
Oh, we were bound to get together

— Você vai ter que aprender a viver em sociedade em algum momento – Carter disse acidamente, e Gaia apenas revirou os olhos.

— Eu não vou me submeter á isso. É ridículo.

— Ah, você vai. Não tem como passar a maior parte do seu dia sentada do lado de fora, as pessoas vão notar.

— Foda-se se elas vão notar. Eu não me importo – ela cruzou os braços.

Os dois estavam sentados no quarto de Carter enquanto o dia amanhecia. Tentavam chegar em um acordo do que fazer com Gaia, já que eles não conseguiam ficar muitos metros longe – fizeram a experiência, que foi extremamente desagradável já que eles pareciam estar sendo puxados por um enorme ralo de piscina, de volta um para o outro (e doía, muito).

Ele argumentava que Gaia precisava ir á escola, já que Carter precisava terminar seu último ano, e ela estava relutante em ir para um ambiente cheio de adolescentes estúpidos e permanecer nesse ambiente por tanto tempo.

— Gaia, não tem outro jeito.  O que você propõe? – ele sugeriu, e viu os olhos grandes e redondos da menina passarem de convencidos para confusos.

A aparência de Gaia era extremamente suave, e seu rosto era muito expressivo, de forma que Carter conseguia ver qualquer emoção que passasse por ele. O que era potencializado com ela tendo os olhos azuis mais transparentes que ele já havia visto.

Tudo iria parecer muito delicado e inocente, se não fosse o corpo de Gaia e ela não soltasse profanidades o tempo inteiro.

Carter mal havia conhecido a menina e já sabia que Gaia não tinha nem paciência e nem cerimônias ao ser sincera e rude.

— Tudo bem, você venceu. Está satisfeito? Eu não tenho uma sugestão melhor do que ficar sentada esperando por você do lado de fora.

— Isso nunca iria funcionar – ele sorriu satisfeito com sua vitória sobre Gaia. – Você tem uma certidão de nascimento, certo? Vamos precisar fazer sua identidade essa semana. Pode me dar seu histórico? – Gaia passou para ele o que seria seu histórico escolar falso, suas notas todas acima da média, mas sem nenhuma matéria extracurricular até agora, e a escola que era claramente de outro país.

— Você acha que consegue manter essas notas? – ele arqueou as sobrancelhas ao analisar.

— Você acha que eu sou estúpida?

— Eu não disse isso – Carter deu de ombros, com uma cara que claramente achava que sim, Gaia era estúpida. –Tudo está certo, só precisamos fazer sua matrícula e comprar roupas para você. Ah, e um uniforme.

— Uniforme, Carter?  Você está tentando transformar minha experiência na Terra num desastre para que eu me mate?

Carter deu uma risadinha sem olhar para Gaia, se concentrando em arrumar os papéis.

— Você não me garantiu que é temporário?

— É temporário.

— Então tudo bem usar uniforme.

Gaia se jogou de costas na cama perfeitamente arrumada e se enrolou perto dos travesseiros enquanto Carter terminava de organizar algumas coisas.

O quarto tinha uma luz suave entrando pela pequena fresta aberta da janela, Gaia chutava que eram cinco horas da manhã. Seu corpo parecia tão fraco e cansado que tudo que ela queria era dormir.

Alguma coisa também estava errada com sua mente, ela sabia, só não conseguia explicar o que era. Mas era como se toda vez que ela falava algo maldoso a Carter, alguma coisa a deixasse desconfortável. De alguma forma parecia que ela não havia se encaixado corretamente na sua própria mente, como se tivesse que se esforçar para pensar e agir.

— Eu não consigo ficar em uma casa longe da sua, o que quer dizer que eu vou ter que ficar aqui.

— Bem observado – Carter ironizou.

— Já sabe o que vai dizer para a mamãe sobre mim?

— Na verdade já – ele a surpreendeu com a resposta. – Vou dizer que uma colega precisa de um quarto para ficar, já que sua família se mudou para outra cidade, e ela quer terminar o ano antes de ir também. E que eu disse que podia te deixar ficar aqui..

— Você não acha que seus pais vão discordar da sua brilhante ideia? É inconveniente ter uma pessoa desconhecida em casa.

— Eles quase não podem ficar em casa. Vão achar excelente que eu não fique completamente sozinho – ele deu de ombros.

— Awn, coitadinho, não tem os pais presentes – Gaia fez um falso biquinho, acompanhado do tom de escárnio, que Carter fez esforço para ignorar completamente.

Depois de tantas coisas acontecendo, Gaia conseguia sentir seu corpo pesado e com dificuldade para se mexer, como se a cama de Carter a estivesse puxando. Macia demais e quente.

— Gaia... Você não pode dormir. Nós precisamos te arrumar pertences básicos.

— Sh! Silêncio Carter – ela murmurou, seus olhos já fechados.

Ele revirou os olhos e se levantou, pronto para ligar para sua mãe e explicar a situação. Quanto mais cedo resolvesse o problema que Gaia representava, mais rápido poderia parar de se preocupar com aquilo.

Sabia que à uma hora daquela sua mãe já estaria acordada no hospital e que teria pouco tempo para falar, concordando com praticamente qualquer coisa.

A verdade era que Carter achava que sua mãe – se ela chegasse a se importar – acharia a situação cômoda, já que agora ela não precisaria mesmo dar nenhuma atenção á Carter, porque uma outra pessoa poderia fazê-lo.

Durante a conversa, sua mãe estava mais que atarefada e fez poucas perguntas sobre a menina, concordando com a situação assim que Carter a explicou.

— Tudo bem, meu amor. Eu tenho que ir, dê as boas vindas á sua amiga.

— E meu pai?

— Ele está em outro estado, só volta depois.

— Você sabe o dia?

— Meu amor eu estou ocupada, preciso ir. Amo você, tchau.

Sua mãe não esperou a resposta, apenas desligou.

De volta ao quarto, Gaia estava enrolada em sua cama como um gatinho ressonando. Ele momentaneamente ficou com pena de acordá-la. Mas passou tão rápido quanto veio.

— Gaia! – Carter a sacudiu, fazendo seus olhos se arregalarem de surpresa.

— Você é maluco?

— Nós estamos saindo. Se apresse.

Assim os dois foram primeiro para o café mais próximo – com Gaia praguejando e reclamando a cada segundo.

Só quando ela foi pedir que notou que estava morrendo de fome e ao ver as vitrines, seu estômago começou a se revirar tanto que Gaia se sentiu momentaneamente tonta. O que faz Carter a segurar pelo braço.

— Eu não vou cair, babaca – ela puxou seu cotovelo da mão dele.

— Você podia só me agradecer – Carter disse suavemente.

— Para de choramingar, Carter – Gaia se afastou dele para se debruçar na vitrine, tentando se sobressair no local, para que alguém viesse atendê-la.

— Bom dia, mocinha – a atendente sorriu amigavelmente. Suas bochechas eram rosadas e os cabelos brancos da idade.

Carter veio correndo, achando que Gaia seria rude e achando que ele teria que corrigir os erros dela. Ao notar o movimento, Gaia sorriu docilmente para a senhora e fez seu pedido gigantesco com a maior cordialidade possível – arrancando mais sorrisos delicados da atendente, a senhora até se ofereceu a ir levar para ela tudo na mesa porque pobrezinha de Gaia, estava faminta e mal conseguia se aguentar de pé.

— O-o que? Você não é um monstro o tempo todo? – Carter soou genuinamente confuso enquanto eles escolhiam a mesa próxima á janela.

— Eu sou. Mas sou boa em fingir que não. Quase todos nós somos bons com pessoas. Como acha que convencemos pessoas a nos venderem parte de suas energias ou tempo de vida?

— Vocês realmente pegam energia das pessoas em troca de favores?

— Não, eu acabei de falar isso para você porque estava tentando te iludir. É obvio que nós fazemos isso, idiota.

— O que vocês fazem com esse tempo de vida?

— Devoramos – ironizou. – Nós usamos para várias coisas, como manter nossa dimensão abastecida. Dylan, por exemplo, me dava uma pequena parte do que ele conseguia para que eu pudesse atravessar dimensões mais rápido, parte do porque eu era muito requisitada.

— E você fazia isso antes de vir para cá?

— Não. Eu era uma espécie de mensageira entre dimensões.

— Todos se parecem com você e Dylan? Aliás, como funciona a sua mudança de forma física? Achei que você se parecia com isso anteriormente – Carter apontou para o corpo de Gaia.

Uma atendente mais nova veio até a mesa, deixando o pedido de Gaia e Carter, equilibrando tudo com uma enorme maestria e sendo simpática com os dois.

 

— Nossa forma física muda sim, quer dizer, quando temos uma. Muda. Geralmente na minha dimensão eu sou parecida com isso, mas muito mais imponente, e meus olhares assassinos funcionam – ela sorriu. – Eu não sei dizer por que, mas nossa percepção é diferente em algumas dimensões, mas geralmente não muda muito. Dylan é exatamente igual em todas elas. E na nossa dimensão, nós nos parecemos mais com anjos do que apenas humanos comuns, o que quer dizer mais... Glória? Eu não sei explicar.

Gaia tentou refletir sobre o conceito, mas parecia que ela não conseguia acessar o sentimento. Era como se seu corpo e mente não conseguissem compreender aquilo de forma correta, um conceito abstrato e não humano. Talvez fosse por aquele motivo que os humanos tinham tanta dificuldade para entender tantas coisas sobre suas religiões.

— De qualquer maneira, como cada povo percebe as coisas de uma certa forma, nada mais justo que nossas formas se adequarem a forma que eles nos percebem e que nos apresentamos. E sobre sermos igual á Dylan e eu... Eu não entendi o que você quis dizer.

— Vocês dois são bem... Assertivos? Na verdade você é mais rude, mas ainda sim.

— Vai se foder, Carter – Gaia o fuzilou com o olhar, mas ela deduziu que para Carter aquilo não tinha mais efeito, devido às feições ridiculamente dóceis dela. – E não, demônios tem diferentes personalidades, e por isso são designados para diferentes funções. Os mais charmosos são os responsáveis pelos pactos, você já deve imaginar o porquê.

Carter parou um minuto para refletir, olhando pela janela, quanto Gaia se entupia de comida com toda pressa do mundo.

— Você vai acabar engasgando – ele reclamou. – A partir de agora tem que ficar atenta á suas necessidades, ou vai acabar morrendo de fome.

— Essas coisas são ridículas, por que humanos tem esse monte de coisa passando ao mesmo tempo?

— Não importa, o que você tem que saber é lidar – Carter a repreendeu, mas ele ainda estava observando a rua.

A rua estava começando a ficar movimentada, com pessoas passando apressadas para curtir o último dia do final de semana. Carter queria poder sair com os amigos ou simplesmente aproveitar o dia, mas lá estava Gaia, com a boca cheia de rosquinhas – como se o mundo fosse acabar se ela não comesse mais uma.

— Se você é real, isso significa que todas as outras religiões são uma mentira?

— Nem pensar – ela gesticulou que iria engolir antes de explicar. – Vocês não conseguem entender, mas todas as religiões convivem de uma forma pacifica, inclusive com os costumes, porque no final das contas o que as move são as crenças humanas.

— Eu deveria começar a orar agora? – Carter questionou, e Gaia riu.

— Só se quiser. Mas acho que por enquanto é melhor você só se concentrar no capitalismo e ir fazer compras.

A próxima parada foi o maior shopping da cidade, o que queria dizer que ele era realmente gigantesco e tinha tudo que Gaia podia imaginar. Inclusive pessoas. As pessoas passavam de um lado para o outro o tempo todo, cheias de sacolas, e muitas das vezes, crianças.

Gaia apontou para uma criança passando.

— Ew.

— Gaia! – Carter abaixou a mão dela e tentou olhar feio, mas ele começou a rir assim que a mãe da criança olhou com todo ódio para ela.

Eles andaram até as principais lojas femininas de roupa. Gaia queria só as roupas mais bonitas possíveis, se ela iria ficar naquele lugar por um tempo e poderia gastar o quanto quisesse, obviamente iria aproveitar.

— Você vai se tornar uma consumista compulsiva?

— Não, eu só estou querendo alimentar o sistema econômico – ela deu de ombros.

Gaia descobriu os tipos de roupa que gostava em pouco tempo, e ela também percebeu que era muito fã de vestidos soltos e bonitinhos, assim como saias rodadas – o que a irritou ainda mais, porque alguns deles a faziam parecer ainda mais gracinha.

— Não adianta você levar só shorts de couro, você não vai parecer rebelde de jeito nenhum – Carter provocou enquanto ela tentava olhar um deles.

— Engraçado, eu não me lembro de ter permitido você opinar na minha roupa – Gaia jogou mais uma blusa escura nele e Carter revirou os olhos. A aquela altura sua cabeça mal ultrapassava a pilha de roupas que ela havia jogado nele.

— Vem, nós vamos experimentar tudo isso – ela anunciou, o puxando em direção ao provador da loja.

Ela guiou Carter por entre as fileiras de roupas até o corredor do provador, onde uma vendedora estava parada em um balcão, recebendo as pessoas que entravam nas cabines privadas.

— Bom dia – ela disse, e Gaia deu um sorriso forçado antes de mostrar suas roupas e esperar uma cabine ficar vazia para que ela entrasse.

Uma adolescente saiu animada da cabine, parando no balcão para falar com a vendedora, e sorrindo para Carter antes de sair conversando com uma amiga. Carter por sua vez parecia alheio ao flerte, checando a etiqueta de uma das blusas.

Mas só pode ser idiota mesmo. Os peitos da menina chamavam atenção á cem metros de distância. Aliás, ótimos peitos.

Gaia girou em seus calcanhares indo em direção á cabine vazia, com Carter em seu encalço.

Mas antes que ela fechasse a cabine atrás de si – com Carter na metade do caminho, a vendedora passou o braço na frente dele.

— Ei, onde você pensa que vai mocinho? – ela iria começar a repreende-lo, quando Gaia apontou a cabeça para fora da cabine, percebendo a situação.

— Ah, tudo bem, ele é meu namorado. Ele vai me ajudar – Gaia garantiu sem nem ao menos piscar. - Não se preocupe, nós não pretendemos fazer nada impróprio, só provar roupas.

A vendedora sorriu constrangida.

— Me desculpe – ela disse á Carter.

— T-tudo b-bem – o rosto de Carter parecia prestes a pegar fogo de tão vermelho, Gaia teve que segurar o impulso de revirar os olhos.

— Por que você está vermelho? Tem algum problema mental? – a voz irritada de Gaia o repreendeu assim que ele fechou a porta da cabine.

— Você mente bem – ele comentou, se sentando num banco acolchoado.

— Ah, por isso você está vermelho.

Escolhendo o primeiro sutiã verde água, Gaia tirou a blusa e começou a olhar como havia ficado a peça intima. Carter que estava olhando por uma greta para fora da cabine por uma fresta, se assustou ao ver Gaia com sua cueca e de sutiã.

— Gaia! A cortina! – ele gesticulou para a cortina que separava o provador do resto da cabine e Gaia dirigiu um olhar confuso á ele.

— Para quê? Você já me viu pelada, não faz diferença. Não tem nada de diferente, a menos que comece a crescer um pau em mim, aí até eu vou ficar assustada – ela se virou de um lado para o outro. – Ficou bom? Aposto que você nunca viu um pessoalmente – mas Carter não respondeu, estava tentando se organizar com seu próprio rosto muito corado. – Anda, Carter, responde. Se você não me ajudar eu vou sair daqui assim mesmo para perguntar para alguém.

— Fi-i-cou!

— Ótimo, se esse ficou bom os outros também vão. Aí que bom, você não vai precisar ficar vendo meus peitos. Carter você tá bem? Tem como passar mal de tanto corar? Porque eu acho que a gente precisa chamar uma ambulância pra você – Gaia tombou a cabeça, com um olhar questionador á ele. – Vamos fazer assim, você se ocupa separando as próximas roupas que eu vou experimentar.

Algum tempo depois eles saíram da cabine, indo pagar pelas roupas, Gaia já vestida com um dos novos vestidos, um cinza tão curto que se ela levantasse os braços ele mostraria parte de sua bunda, mas ele era solto e com babados suficiente para não sair muito do que tinha a ver com sua aparência.

— Carter! – eles estavam quase chegando do outro lado do shopping quando uma voz masculina chamou, fazendo Carter e Gaia se virarem juntos.

Um rapaz de cabelos castanhos estava parado com duas sacolas, seu sorriso enorme e simpático na direção deles. Ele era maior que Carter e seus cabelos pareciam cintilar.

Gaia arqueou as sobrancelhas para Carter, que ainda estava olhando na direção do menino.

— Maki – Carter sorriu de volta e o rapaz começou a se aproximar.

— O que você está fazendo aqui? Por que não me chamou? – ele deu um sorriso ainda maior.

Para que Carter a notasse, Gaia teve que colocar a mão em seu braço, então ele dirigiu um olhar embaraçado para ela. Como se não soubesse a desculpa que daria para Maki.

— Eu estava ajudando uma amiga com algumas coisas.

— Amiga?

Maki se inclinou para o lado para ver Gaia atrás de Carter – numa postura um tanto descontraída.

— Olá – ele sorriu para Gaia, um sorriso que parecia mais um flerte do que um cumprimento.

— Oi – Gaia acenou, com um pequeno sorriso nos lábios.

— Eu sou o Maki.

— Gaia.

— Engraçado, Carter nunca falou de você – ele fez um biquinho, seu rosto se tornando pensativo enquanto ele olhava para Carter. – E eu sou o melhor amigo dele.

— Ela chegou ontem, não era do país, por isso nunca comentei – Carter se apressou. – Gaia se mudou ontem de repente e eu ofereci minha casa.

Ela decidiu não se pronunciar, estava satisfeita em ver como a mente de Carter parecia se contorcer para arrumar uma história que pudesse ser elaborada mais tarde de uma forma não contraditória.

—Ah – Gaia podia ver os olhos de Maki faiscarem quando ele sorriu feliz. – Você vai estudar com a gente? – ela concordou.

— Vocês podem se falar depois, por enquanto nós precisamos mesmo ir, Maki. Eu falo com você depois, tudo bem?

— Ok! Foi um prazer te conhecer, Gaia – Maki acenou, enquanto Carter praticamente a arrastava para longe.

— O prazer foi todo meu – ela sorriu de lado, antes que Carter se enfiasse em sua frente.

A velocidade que Carter andava parecia mais que ele queria começar a correr para longe dali.

— Ele vai notar que eu estava agindo estranho – Carter falou mais para si mesmo. – Não podemos te apresentar para ninguém antes de ter sua história pronta.

— Hum – ela concordou. – Nós vamos para casa?

— Não. Você ainda precisa de material escolar e um celular.

A partir daí eles voltaram a comprar, e andaram tanto que as pernas de Gaia começaram a doer e Carter estava muito preocupado pensando no que eles fariam se vissem Maki de novo ou outra pessoa conhecida dele.

Estavam tão ocupados que Gaia se esqueceu de seu estômago e Carter ignorou a fome até o final da tarde, quando eles decidiram ir embora, lotados de sacolas e chegaram em casa.

— Você não toma banho desde ontem – Gaia cutucou Carter, que estava jogando no sofá, rodeado de sacolas coloridas. Ela estava próxima, com as pernas jogadas no encosto.

— Você também não – ele fechou a cara.

— Eu nasci ontem. Você não.

A sala possuía uma gigantesca televisão, com um sofá grafite, poltroninhas preta e uma namoradeira que era de madeira. Um balcão branco ficava na diagonal com um bar e bancos também de madeira.

Apesar das sacolas espalhadas em volta da mesa de centro de vidro, e de terem duas pessoas em casa, a sala ainda parecia meio assustadora com poucas luzes ligadas e o resto da casa completamente escura.

Veja bem, Gaia nunca havia tido medo do escuro – afinal que tipo de criaturas piores que ela poderiam habitar as trevas? – só que seu novo corpo parecia reagir de uma forma muito mais intensa ás coisas. E aparentemente humanos haviam sido feitos para temer o escuro.

Desde que chegara, Gaia havia notado. Suas memórias de poucos dias trás pareciam apagadas, como se ela tentasse enxergar por um paredão de água, mas ela ainda conseguia se lembrar do geral, e da sensação de existir. Entre todas as dimensões, e todos os corpos que Gaia teve, aquele era o que mais sentia.

Seu corpo original – que era o mais usado – tinha emoções muito mais brandas e Gaia dificilmente estava triste ou irritada, mas agora qualquer alteração a fazia sentir coisas.

Evitando pensar sobre isso, ela remexeu nas embalagens antes de cutucar Carter.

— Onde eu vou ficar? Tenho que terminar de arrumar essas coisas – ela informou e Carter se surpreendeu.

— Ainda hoje?

— Pelo que você me contou, quando eu começar a ir para a escola, vão ter outras coisas para eu me preocupar, além de eu ainda ter que achar um jeito de desfazer essa bagunça. Ou seja, não vou ter tempo para ficar tentando arrumar o quarto.

— Tudo bem – Carter se levantou de má vontade, como se pretendesse ficar no sofá por mais um dia inteiro.

Os dois seguiram para o segundo andar, e Carter abriu para ela uma porta em frente á sua, revelando um quarto de tamanho médio com um guarda-roupa, escrivaninha, penteadeira e cama de madeiras claras e com aspectos propositalmente antigos.

As paredes brancas combinavam com as cortinas de babados e as roupas de cama, além de cair bem com o resto do quarto claro.

— Uau.

— É temporariamente seu.

Assim que eles subiram com as sacolas, Gaia começou a arrumar suas roupas.

Colocando as novas velas de flores em cima de uma mesinha de centro de vidro, Gaia colocou um notebook – que Carter havia insistido que ela comprasse – em cima da escrivaninha, juntamente com seus novos materiais escolares.

Ao ver Carter aparecer na porta com um sorriso e uma nova luminária - que funcionava, ao contrário da do quarto, Gaia se sentiu incomodada pelo fato de estar criando um espaço para si naquela dimensão.

É claro que ela sabia que demorariam semanas ou meses para que ela desfizesse aquela bagunça, mas criar um lugar da casa que visivelmente era permanente e seu, a fazia pensar no tipo de impacto que ela causaria ali.

Além do mais não estava lá para se adaptar, e sim para ir embora rápido.

— Você acha que eu vou cair se me equilibrar aqui? – Carter perguntou enquanto ele ficava na ponta dos pés em cima de uma escada.

— É pelo que eu estou torcendo – Gaia rebateu, mas ficou por perto caso ele realmente fosse cair e ela pudesse evitar com seus poderes.

— Eu não torceria por isso, se eu cair e alguma coisa quebrar, é o seu quarto que vai estar em pedaços.

— Tudo bem, eu não paguei por ele – ele riu.

O sorriso orgulhoso de Carter foi formado assim que ele pisou no chão.

— Eu sou um gênio – ele apontou para o teto.

— Você só instalou luzes.

— Luzes bem instaladas, você quis dizer.

— Se é isso que vai te ajudar a dormir á noite.

Ele falsamente fez uma expressão fechada, fazendo Gaia revirar os olhos.

— Nós podemos comer agora? Ou eu sinceramente vou morrer de fome.

— Não seria uma má ideia – ela comentou, o seguindo pela casa. A cozinha tinha uma espécie de balcão central, onde tinham duas caixas de pizza e bolo. – Pizza!

— Você já comeu? – ele questionou.

— O que você acha? Que eu sou uma selvagem?

Carter corou e olhou para baixo numa postura que sim, ele claramente achava isso, o que fez Gaia dar uma risada.

A próxima hora os dois passaram discutindo sobre uma história convincente sobre a vida de Gaia, e ambos anotaram a história em seus celulares. Carter também insistiu em colocar números de emergência nos contatos de Gaia, assim como o seu próprio e o de Maki.

— Nós estamos sempre juntos, se precisar me encontrar e eu não atender, Maki vai saber onde eu estou – Carter avisou, dando mais instruções do que Gaia deveria fazer se precisasse de qualquer ajuda e com quem ela devia falar.

— Você está agindo como se eu fosse uma criança em defesa. Eu sei me virar, idiota.

— Eu só estou preocupado. A escola pode ser complicada e os adolescentes não muito amigáveis.

— O que pode ser pior que viajar entre dimensões? – ela arqueou as sobrancelhas.

— Receber água benta na cara? – Carter perguntou e logo em seguida desviou o olhar do de Gaia, realmente constrangido.

Ela explodiu em risadas, gesticulando sua incredulidade em Carter.

— Nós vamos começar com as piadinhas de demônio agora? – ela riu.

— Não, nós vamos é ir dormir porque amanha ambos teremos um longo dia - Carter suspirou cansado.

De volta ao segundo andar, Gaia levou suas coisas para o banheiro e se sentiu grata por finalmente poder relaxar seus músculos em baixo da água quente.

Antes de vestir suas roupas ela se analisou no espelho, tentando se acostumar com suas novas expressões e movimentos.

Agora Gaia já estava um pouco mais familiarizada com seu corpo, mas duvidava que se visse seu reflexo conseguiria liga-lo de primeira a si mesma.

Outro pensamento que rondava sua mente era se os humanos aceitariam facilmente que seu cabelo era natural, porque por pouco ele não era completamente branco, e apesar de suas sobrancelhas e pelos serem da mesma cor, os cílios de Gaia eram absolutamente pretos – o que queria dizer que ela não era albina e que aquela cor não era tão natural para se ter.

Carter estava sentado na cama dela, as pernas cruzadas enquanto ele mexia no celular. Os cabelos dele estavam mais escuros por estarem lavados e seu rosto parecia mais descansado. Gaia se jogou ao lado dele, calculando um pouco mal seu salto e batendo com o pé no ombro dele.

— Ai! Gaia! – ele esfregou a região, na tentativa de melhorar a dor.

— Por que você ainda está aqui?

Ele se levantou e parou na porta.

— Eu vim te avisar que amanha eu tenho treino, por isso eu você vamos ficar até mais tarde na escola – ele se apressou em dizer e fechar a porta muito depressa. – Boa noite, Gaia!

— Carter! Ficar até mais tarde? Carter! Treino de quê? – ela gritou, mas ele já havia ido embora.

Desistindo de conseguir qualquer resposta, Gaia se ajeitou na cama, demorando menos de dez minutos para adormecer.


Notas Finais


Sugestões, reclamações, elogios, preces e desabafos são sempre muito bem vindos! ♥


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...