História The Devil's Wife - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias The Walking Dead
Personagens Carl Grimes, Carol Peletier, Daryl Dixon, Maggie Greene, Negan, Personagens Originais, Rick Grimes
Tags Daryl Dixon, Drama, Negan, Romance, Twd
Exibições 122
Palavras 2.486
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Sobrevivendo


POV Daryl

Não vou negar que o sono que consegui essa noite foi bem vindo, assim como as garrafas de água que a desgraçada deixou comigo. Acordo parcialmente revigorado, mas ainda sinto meu corpo todo latejar.

 Xingo baixo e me sento lentamente. Não sei que horas são, não sei o que me aguarda hoje, muito menos se Brooklyn Hayes vai estar de bom humor como no dia anterior. Não saber é uma grande merda.

Ouço passos a distância e me preparo para quem quer que seja. Pesados demais para serem dela, que mais parece uma felina. A porta é aberta com um estrondo e então Dwight e um gordo entram.               Não me movo, não acho que valha o esforço.

Noto que o desgraçado não está com meu colete, e juro a mim mesmo que vou acabar com o outro lado da cara dele se ele tiver arruinado-o. Ele se abaixa, com um olhar superior de merda, e me estende o pão.  Ignoro-o.

-Passou um dia com a madame e está achando que a vida vai ficar boa?- Pergunta irritado, se virando e jogando o pão fora da cela.- Vai passar fome para aprender, seu estupido.

Continuo calado, queixo erguido em sinal de desafio. Eu poderia soca-lo, diretamente no rosto, mas ainda não acho que seja o momento. Fiz algo sem pensar uma vez e as consequências... As consequências ainda são mais do que posso lidar.

Ele bufa irritado e então me chuta, atingindo-me no peito. Caio para trás, atordoado,  mas ainda assim uso minhas pernas para chuta-lo na perna, fazendo-o soltar um urro de dor. O cara gordo se move, me imobilizando e erguendo.

Dwight me acerta um soco, e depois outro.                                                                                     

-Você é mais estupido do que eu imaginava- resmunga parando e me olhando com descaso- Você vai quebrar, Dixon, e eu vou estar aqui para assistir.

Me contorço contra o cara que me segura, dando uma cabeçada nele, completamente fora de mim. Quero soca-lo até que ele não se lembre mais nem seu nome.

Um barulho de metal contra metal faz com que todos nos viremos para a porta.

-Little pigs, little pigs, será que vocês não aprendem nunca?- diz Brooke, colocando uma espécie de bastão contra o ombro.

Me lembra o marido dela, mas em uma versão gostosa e feminina. Quero odia-la.

-Brooke- murmura o cara que me segura, e sua voz transborda uma mistura de respeito e medo.

-Solta o filho puta- diz sem olhar para ele, os olhos fixos em mim. –E fora.

Ninguém discute. O cara me solta instantaneamente e tenho que firmar na pareda para não cair. Vergonhoso.

Ela para Dwight apontando o bastão para frente quando ele está passando. Os olhos castanhos faíscam.

-O prisioneiro é meu e se eu souber que algo assim aconteceu novamente o próximo prisioneiro dessa merda vai ser você, e um ferro na cara vai parecer brincadeira de criança.- diz sem alterar o tom de voz, mas muito friamente.

Ele concorda com a cabeça, e volta a caminhar em direção a porta.

-E D.?- chama inclinando um pouco a cabeça e olhando na direção da saída.

-Sim?

-O pão que está ai no chão, acho melhor você come-lo, já que gosta tanto deles.

-O que?- pergunta piscando atordoado.

-Tenho certeza de que você me ouviu.-ela nem se dá ao trabalho de se virar.

Assisto de onde eu estou ele se abaixar e pegar o pão. Encara-o por um momento, e então dá uma mordida, fazendo cara de nojo em seguida.

-Eu não sou o Negan- diz finalmente se virando para ele- Mas sei ser má quando quero. Não brinque comigo, Dwight, você não vai gostar. Jogue essa merda no lixo.

-Sim Brooke, desculpe- diz como o bom cachorrinho que é e então some no corredor.

Ela foca os olhos em mim, me encarando intensamente, e começo a ficar desconfortável. É como se de alguma maneira ela conseguisse passar por todas as minhas barreiras e ver o que está dentro de mim. Que pensamento de maricas, aquela musica constante começou a me enlouquecer, sem duvidas.

-Olá Dixon- diz suavemente, e meu nome sai como se fosse um xingamento e um pecado ao mesmo tempo. Aceno com a cabeça.- Consegue andar?

-Pareço aleijado?- resmungo e ela rola os olhos.

-Parece rabugento- revida dando de ombros.  Faz um movimento e guarda o bastão em um suporte oculto nas costas.

Deixo meu olhar descer sobre ela e analiso suas armas, além é claro de todo o resto. Está com a mesma adaga em uma coxa e uma arma na outra. Volto o olhar para seu rosto e encontro uma sobrancelha arqueada e uma expressão convencida. Maldita.

-Nesse caso vamos lá- diz e simplesmente me dá as costas.

Fico parado um instante a mais que o esperado ao digerir o choque de descobri que o colete de couro largo que ela usa é o meu.  Isso me faz sentir uma coisa estranha, uma mistura de vontade de arrancar isso do corpo dela e a de admitir que ela ficou sexy pra caralho usando uma coisa minha.

Saio de meu atordoamento depois de encarar suas costas por mais alguns segundos, tanto que posso notar a ponta do bastão, que na verdade são dois, saindo pelo fim do colete, próximo ao fim das costas e sigo atrás dela,  e apresso o passo porque odeio essa coisa de seguir.

Quando estou ao seu lado ela me olha pelo canto de olho e sorri de lado. Passa por diversos homens, e todos eles tratam ela de maneira variada. Alguns respeitam, alguns temem, alguns parecem gostar. Não entendo muito bem.

O loiro que a acompanhou até o carro no dia anterior parece surgir do chão ao se lado e a trata com a mesma intimidade do dia anterior.

-Não sei não Kieran, acho que esse carro ainda está estragado- responde ela olhando para ele aparentemente preocupada- Prepara o preto.

-Ok- responde dando de ombros e se inclinando para dar um beijo na bochecha dela. Negan aparece no final do corredor e espero uma pancadaria pela ousadia do cara.

-Kieran- cumprimenta com um aceno de cabeça, se virando para a loira e a puxando para um beijo- Brooke.

-Little Sister, eu vou indo resolver as coisas- diz o cara acenando e só então me dou conta de que é parente dela. Irmão.

Ela acena sorrindo levemente e então volta  a atenção ao Negan.  Os dois discutem sobre alguma coisa e ela rola os olhos. Ele resmunga, puxa- a pela cintura e os dois trocam mais um beijo. Desvio o olhar, incomodado, meu sangue correndo mais rápido enquanto sinto uma espécie de raiva.

Os dois finalmente se afastam. Negan me nota, e dá um sorriso sacana.

-Ela é uma perdição, não é mesmo?- murmura  com um dos braços ainda em na cintura dela- A mais bonita desse mundo. E já tem dono.

Não digo nada. Ultimamente ando falando menos que o normal.

-Você pode arrumar uma mulher para você também- diz se desvencilhando dela e me encarando de perto- É só dizer as palavras certas.

-Não estou interessado-respondo dando de ombros.

-Você é gay?- pergunta dando uma risada logo em seguida-Porque só sendo gay ou tendo um problema lá em baixo para negar mulher.

-Te vejo mais tarde, Baby- diz me deixando de lado e saindo em seguida, assobiando. Por onde passa pessoas se ajoelham. Babacas.

A diaba volta  a se mover e faço o mesmo. Depois de mais um ou dois corredores ela entra em uma sala que descubro ser a enfermaria. Todos ali a cumprimentam sorrindo, e parecem quase amigos.

Uma mulher está sentada na maca, e descubro que é Sherry. Rolo os olhos. A mulher deve ter algum problema de saúde, já que estava aqui da ultima vez que estive aqui.

-Está bem, Daryl?- pergunta com uma voz meiga e preocupada se levantando  da maca.

Arqueio uma sobrancelha em resposta. O medico indica o lugar para que eu me sente e começa a examinar, iniciando por meu rosto.

-Vocês se conhecem?- pergunta Brooke, saindo de trás de uma prateleira. Sherry olha para ela atordoada.

-Sim.- responde torcendo as mãos nervosa.

-E onde se conheceram?- pergunta com os olhos fixos em mim.

-Bem, nós nos conhecemos...- começa Sherry mas a  loira levanta a mão em sinal de pare.

-Estou perguntando para ele. Você tem mais alguma coisa a fazer aqui, Sherry?- pergunta friamente e a morena nega com a cabeça, entre raivosa e medrosa. - Nesse caso vá procurar algo para fazer.

-Claro, Brooke.- responde de má vontade e some porta afora depois de me dar uma ultima encarada.

-Então...?- pergunta se virando para mim.

-E então que não é dá sua conta- resmungo e o medico aperta mais forte meu rosto.

-Olha o jeito que fala, camarada- resmunga irritado.

-Relaxa Toby- diz dando de ombros e puxando uma cadeira e se sentando de frente para mim.- Larga de ser chato Dixon, e desembucha.

Me surpreendo com o tom leve que ela usa com o médico, mas ele parece acostumado. Penso seriamente em não responder, mas suponho que a próxima vez que ela perguntar não vai ser de um jeito amigável.

-Nos conhecemos na floresta, quando ela, a outra garota e Dwight fugiram- conto focado em seu rosto e fico satisfeito ao ver que deixei ela surpresa.- Ajudei eles e em troca fui roubado e deixado na floresta.

-E pensar que salvou a vida de Dwight- resmunga balançando a cabeça- Que perca de tempo e energia.

-Nem me fale- resmungo e ela sorri.

-A besta é sua então?

-Sim.

-Sinto vontade de bater com ela na cabeça dele, que não faz ideia de como usar aquilo- confidencia com descaso.- Quem sabe um dia ela não volte para suas mãos.

Olho para ela surpreso. Acho que é bipolar. É má e fria em um momento, em outro é quase gentil, e agora fala sem peso algum nas costas, apenas deixa claro que não gostem nem um pouco de Dwight.

-Tire o moletom, senhor Dixon-pede o medico e olho para ele com cara de tacho por um momento, mas então eu reajo e faço o que me pediu.

Sinto o olhar dela descer por meu abdômen e corpo no geral. Me sinto quente, mas a dor do médico me remendando me trás de volta a realidade.

Depois de algum tempo estou quase inteiro de novo. Tudo o que preciso é de um tempo para me curar. Saímos da enfermaria e caminhamos juntos em direção a algum outro lugar.

Odeio admitir, mas ela é encantadora. Conversa comigo sobre algumas coisas aleatórias e não me trata como um prisioneiro. De fato, quase me esqueço que sou um. Que maricas.

Me xingo mentalmente por meus pensamentos positivos em relação a ela, assim como também o faço pelos pensamentos pervertidos. 

Quando noto, já estamos em uma espécie de cozinha. Um cara a cumprimenta com um sorriso divertido e trás um sanduiche, de verdade, para ela.

A diaba abre a boca para morder, para no meio do ato e franze a testa, se virando para mim em seguida e estendendo o sanduiche.

-Fica para você- diz entregando o pão em minhas mãos e depois se vira para o balcão- Francis, me trás mais um.

Alguns minutos depois estamos os dois sentados em uma mesa, acompanhados pelo cozinheiro, o tal Francis.  O cara está claramente incomodado  com minha presença, quase que com medo.

-Andei pensando, e você está vivendo aqui de graça e tal- diz se virando para mim bruscamente- Acho que você pode trabalhar para ajudar a manter isso aqui.

-Não sou um Negan- rosno e ela faz um gesto de descaso.

-Não tem que ser um Negan para trabalhar, Dixon. Acho que pode fazer algumas coisas no meio mecânico e braçal. Amanhã vou ter pensado em algo.

Ela claramente não pensa que isso pode me dar disposição e que movimentar o corpo pode ser ótimo para a fuga e eu não que vou esclarecer isso para ela.

Depois disso voltamos para minha cela. O caminho é silencioso e tranquilo. Memorizo alguns corredores, mas ainda assim precisava andar um pouco mais pelo lugar.

-Alguém vai te trazer mais algumas refeições. Está com alguma dor insuportável?- diz assim que entro no lugar. Olho para ela com descrença.

 Ela me encara um momento e parece pensativa. Logo depois dá alguns passos e se aproxima de mim. Está tão próxima que sinto seu cheiro estonteante e seguro um impulso de sair de perto.

-Acho que precisa cortar um pouco esse cabelo, Dixon. Ele só fica na sua cara- comenta como quem fala do tempo e então sua mão se ergue em direção ao mesmo.

Reajo rápido e agarro sua mão no ar e quando dou por mim agarrei sua cintura com o outro braço e nos girei prensando-a na parede.

-Não sou seu bonequinho para você vestir dar banho, alimentar e mudar quando bem entender-  digo irado em sua cara, tão próximo que sinto a respiração arfante dela bater em meu rosto- Não sou um de seus brinquedinhos como esses merdas.

-Não é como eles mesmo- diz me encarando fixamente, o queixo erguido.  Seguro aquela mão dela ainda, contra  a parede e todo o seu corpo tem contato com o meu.

-Você não brinca comigo.- rosno contra seu rosto.

Ela gira em um movimento calculado, se livrando de minha mão que segura  a sua contra a parede e então eu estou contra a parede, sua adaga contra minha garganta.

-Oh, Dixon, eu brinco sim- diz séria, me encarando firmemente, tão próxima quanto eu estava antes.

Sinto a raiva subir pelo meu corpo, enquanto o sangue flui mais rápido por minhas veias. Quem a desgraçada pensa que é? Sinto vontade de empurra-la para longe ou de testar o quanto ela é capaz com aquela adaga.

-E brinco por razões que você nem imagina- completa quando já nem espero que diga mais alguma coisa. Seus olhos castanhos me encaram de igual para igual, cheios de força e de algo mais.

Começo a encarar seu rosto e seus lábios, incomodado com a proximidade. Ela se afasta lentamente, e guarda a adaga no suporte. Sai da cela, se vira e me encara como da ultima vez.

-Te vejo amanhã, Dixon.- diz dando uma piscadinha e fechando a cela com um estrondo.

Xingo alto, usando todos os nomes feios que consegui com a vida de merda que levei. Ouço Merle dizer no fundo de minha cabeça que sou o cara mais maricas que pode existir, e que tudo o que eu tinha que ter feito era ter pego uma das inúmeras armas dela e apontado para aquela linda cabecinha.

Ninguém arriscaria a vida dela e eu sairia tranquilamente daqui, mas não, ao invés disso apenas a encarei.

Ouço repetidas vezes a voz de Merle murmurar Darlyna em minha cabeça, enquanto penso em como sobreviver a essa merda. Só preciso fazer isso: ir sobrevivendo.

Sobreviver a Brooke Hayes, principalmente.


Notas Finais


E então?
Ah, para quem ficou se perguntando sobre os bastões da Brooke, eu pensei neles como os da Shield que a Bobbi e a Natasha usam.( mas sem o choque)
http://images.legiaodosherois.com.br/w_750,h_1200/wp-content/uploads/2015/03/1-mockingbird-battle-sleeves.jpg


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