História The Dream - Capítulo 3


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Palavras 2.664
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Hentai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Coffee break


Fanfic / Fanfiction The Dream - Capítulo 3 - Coffee break

Gabriel P.O.V.

          São 23h30 e eu estou acordado. A enfermeira já me mandou dormir duas vezes e a Vicky foi embora a muito tempo. Acabo me convencendo de que ela não vem hoje.

          ...

          Escuto a porta abrir e acordo. Olho pro relógio, uma da manhã. Olho pra porta. É ela. Sorrio. Ela não vê que estou acordado. Fecho os olhos. Sinto um beijo na minha cabeça e escuto ela se deitando naquele sofá barulhento e desconfortável. Adormeço não convencido se aquilo foi real.

          ...

          Acordo e vejo o relógio marcar 9h14. Me viro pro sofá. Ela está ali sentada lendo um livro, provavelmente algo pra escola. As pernas apoiadas na mesinha de centro, com a bolsa de sempre jogada um pouco pro lado no chão. Como sempre, ela está linda. Não consigo tirar meus olhos dela, muito menos emitir algum som. Ela não parece ser desse mundo. Ela acaba se virando pra mim, levando um susto por eu estar a encarando.
          - Bom dia pra você também. A quanto tempo acordou?
          - Faz uns dois minutos.
          - Você está me encarando a dois minutos?
          - Mais ou menos. - falo dando um sorriso, enquanto vejo o seu rosto corar
          - E por que você estava me encarando?
          - Simplesmente não consigo não olhar pra você.
          - Gabriel... Você não pode falar essas coisas pra mim.
          - Não. Desculpa. Você tem namorado. Eu sei. Mas é inevitável pra mim. Não espero que você retribua, mas não pode me impedir de pensar assim. Não se pode um pobre enfermo ter sonhos? - Termino brincando e ela ri, balançando a cabeça de um lado pro outro, num sinal de reprovação.
           - O "pobre enfermo" deveria chamar a enfermeira pra tomar o café da manhã e os remédios. E a senhorita aqui tem que terminar de ler esse livro pra aula de hoje.
          Chamo a enfermeira pelo botão, enquanto dou risada. Ela vem rápido com tudo que eu preciso comer e tomar pela manhã. Em um minuto, ela já se foi. Começo a comer o meu café da manhã.
          - Então, o que você está lendo?
          - Romeu e Julieta. Estou na metade. É sensacional.
          - Nunca tinha lido Romeu e Julieta?
          - Não. Nem vi nenhum dos filmes.
          - Nunca fale isso perto da Vicky - eu ri, lembrando e falando pra ela da vez que eu disse a mesma coisa pra Vicky e por uma semana eu fui obrigado a assistir todos os filmes, animações, várias peças e ler os livros inteiros. - E quando eu digo "os livros" eu me refiro à versão adulta, à adolescente e à infantil. Ela me fez ler um livro infantil, Ana. De uma história que eu já tinha lido duas vezes diferentes na mesma semana. Você tem noção disso? Ela é louca.
          - E você perguntou por que ela te fez ver isso tudo? - Ela chorava de rir com minha revolta
          - Claro!
          - E o que ela disse?
          - Ela disse "Você não pode apenas ler a história de Romeu e Julieta. Você tem que sentir a história."
          - E você sentiu?
          - Eu senti que queria ser o Romeu e me matar.
          Estávamos morrendo de rir continuando a conversar sobre o assunto, quando a Vicky entra sorrindo no quarto de surpresa.
          - O que é tao engraçado?
          - AHHH, o... Gabriel me contou uma piada né, Gabe?!
          - Sim, sim. Uma piada besta. Mas já perdeu a graça. A Ana tem que voltar a ler o livro pra escola mesmo. - Tagarelei pra Vicky não saber que estávamos zoando a história preferida dela, só para o caso de ela querer desligar meus aparelhos e me matar.
          - Mesmo? Qual o livro? - Perguntou se sentando ao lado da Ana.
          - Romeu e Julieta.
          - Você nunca leu Romeu e Julieta?!
          - Aaahn - ela olha pra mim, enquanto me seguro pra não rir - Já li sim! Várias vezes! To relendo pra refrescar a memória! Já vi todos os filmes também. Até atuei numa peça! - Ela falou rápido, quase desesperada pra se livrar de tudo
          - Aah que legal. É minha história preferida.
          - Sério?
          - Aham. Não é triste o final? Eles deveriam ter fugidos juntos, mas como ela não avisou o plano pra ele, ele acabou se matando. Depois disso, ela não aguentaria viver num mundo sem ele. Tudo por causa da briga entre a família deles. Triste, porém romântico. Enfim, só passei pra dar oi e falar com o médico. Vou indo. Qualquer coisa me liguem. - Ela se levanta e sai do quarto
         - Parece que a Vicky acabou de te dizer como a história acaba - falo caindo na gargalhada e começando a chorar de rir. Ela já tinha me falado como odeia receber spoiler. Acabo recebendo uma almofadada. Dou mais risada. Ela se levanta e vem bater em mim com as próprias mãos.
          Continuamos nessa mini guerra, até que eu agarro seu pulso sem pensar e ela acaba escorregando, ficando com o tronco em cima de mim. Nossos rostos quase colados. As risadas cessam e o apito dos aparelhos do quarto soam como uma sirene. Alto, muito alto. "Errado" eles dizem. O bipe dos meus batimentos acelera. As respirações estão misturadas. Me aproximo dela cada vez mais. E então somos interrompidos por uma infermeira que veio checar o que estava acontecendo com meu monitoramento. Ela se afasta num pulo, pegando suas coisas, dizendo que está atrasada e saindo correndo do quarto, com o rosto tão vermelho quanto o meu deve estar.

          ...

          Ela não volta depois da aula. Passo o dia sozinho no hospital. Almoço, lancho e janto. Nada. A Vicky aparece pra ver como estou e vai embora logo depois, dizendo que tem um encontro. Desejo boa sorte a ela, mas queria que a sorte estivesse comigo. Caio no sono depois de olhar o relógio pela milésima vez. Ele marcava 3h50 da manhã. Me sinto péssimo.
          Acordo na esperança de ela estar ali, de ter entrado no meio da noite como ontem e ficado naquele sofá horrível, com uma cor depressiva, provavelmente da década passada. Ela não está. As paredes pálidas parecem se fechar em volta da minha cama e o lado esquerdo do meu peito se contorce numa força que nunca experimentei antes. Não olho as horas. Aperto o botão de analgésicos e em cinco minutos estou num sono pesado, dopado pelos remédios. Mas, além de tudo, dopado inteiramente por ela.

Ana P.O.V.

          Entro na cafeteria e me sento numa mesa no canto, com vista pra rua. O movimento é pouco. Faço o pedido. Tenho uma hora antes de me encontrar com o Lucas, no mesmo lugar. Precisava de um tempo sozinha pra pensar.
          Tem um casal na mesa do canto, dividindo uma das bebidas do lugar. Eles sorriem um pro outro. Pra eles, o mundo parece não existir. Parecem mais velhos do que eu, o que não é muito difícil. 17 anos não é lá uma idade muito avançada, mas ainda sim tenho que lidar com algo que não estou preparada. Provavelmente esse casal nunca passou por isso. Se conheceram na escola, ou no estágio. Ela deve ter pedido um lápis ou outro emprestado. Talvez uma borracha. Se adicionaram por acaso no facebook e começaram a se falar. Ele pediu uma tarefa que não tinha feito. Se encontraram depois sem querer em uma festa. Pra recompensar aquela tarefa, ele paga uma bebida pra ela. A música alta e o álcool fluindo nas veias, com alto fluxo sanguíneo pela agitação. Em um momento, ele a puxa e a beija. Ficaram o resto da festa. Alguns dias depois, depois de muitas noites de conversa, um dos dois se declarou e o outro percebeu o quanto também gostava de estarem juntos. O pedido de namoro foi algo simples, no sofá da casa de um dos dois.
          Eles acabam se levantando e saindo, me fazendo parar de tentar prever a história deles e me deixando sozinha naquele ambiente simples, porém sofisticado pra localização. Meu pedido chega e começo a beber devagar. O vapor faz meu rosto relaxar. Olho o relógio. Quarenta e dois minutos. Flashs de dois anos atrás passam a mil quilômetros por hora na minha cabeça. A festa. O quarto.

          (FLASHBACK ON)

          Lembro de chegar em casa e mandar uma mensagem, sem resposta. Adormeci no sofá, com o celular apoiado no peito. Acordei com o barulho da televisão, no noticiário. Um caminhão bateu num carro com três adultos que voltavam de uma festa. Um morto, um ferido e a mulher passa bem. Ouvir os nomes e ver as fotos foi o choque. Meu pai percebeu o quanto eu estava transtornada e perguntou o que tinha acontecido e se eu conhecia aquelas pessoas no jornal. Não respondi, só saí correndo de casa, em direção ao hospital que tinham anunciado, com a mesma roupa da festa e a maquiagem completamente borrada. Não me importei. Ouvi meu pai gritando na porta de casa. Não me virei.
          Cheguei no hospital completamente exausta. Ainda sim, corri pra recepção.
          - Posso ajudar?
          - Gabriel e Vitória.
          - Senhorita, temos vários pacientes com esses nomes. Não se lembra do sobrenome? - Não, eu não lembrava. Comecei a chorar
          - São as vítimas do acidente de carro.
          - Sim, claro. Só um minuto.
          Acabei não podendo entrar. Só eram permitidos familiares. Mesmo assim, não fui embora. Me sentei em uma das cadeiras e ali fiquei. As horas passavam se arrastando. Tinha deixado meu celular e meu dinheiro em casa e me recusava a me levantar dali. Não lembro que horas eram da tarde quando uma enfermeira chegou com uma bandeja com um sanduíche, um suco e um lenço demaquilante. Ela sorriu pra mim e foi embora, não me dando chance nem de agradecer.
          Dormi por aquelas cadeiras naquela noite. O torcicolo do outro dia foi cruel, mas não me importei. Precisava saber o que estava acontecendo. Peguei um copo de café na recepção e voltei pro meu lugar. Acabei tomando um banho no vestiário, vestindo a mesma roupa.
          Lá pelas oito horas da noite, uma outra enfermeira veio até mim e me avisou que uma das vítimas tinha sido liberada e ia sair a qualquer momento. Era a Vitória. Perguntei se ela poderia avisar à ela que eu estava aqui. Ela saiu e eu continuei sentada, dessa vez sabendo que eu ia ter alguma notícia boa.
          Um tempo depois, ela apareceu. Eu a vi primeiro, saindo da ala de emergência, os olhos correndo pela sala, até pararem em mim. Me levantei devagar, consciente de que eu ainda estava com a roupa da festa, dois dias depois. E então ela correu. E me abraçou. Fiquei sem reação, logo depois abraçando-a de volta. Choramos juntas sem falar nada por um bom tempo. Nos acalmamos e nos sentamos naquelas cadeiras, que foram minha casa nesses dois dias.
          - A quanto tempo você está aqui? - Ela perguntou segurando minhas mãos, como se devesse estar mais preocupada do que eu
          - Desde quando eu acordei e vi a notícia no jornal. Sai correndo de casa. Como aquilo foi acontecer?!
          - Eu não lembro do acidente. Eu estava dormindo no banco de trás com o Lys - E aí, ela começou a chorar de novo. E eu entendia a dor dela. Eles estavam juntos uma vida inteira e então, acabou. Simples assim.
          - Eu realmente sinto muito. Ele foi muito legal comigo. Você... Já foi ver o Gabriel? - ela tenta secar as lágrimas, e assente pra mim
          - Os médicos não sabem quando ele vai acordar. Talvez nunca acorde. Ninguém sabe o por quê de ele estar em coma.
          Não lembro o resto da nossa conversa. Lembro apenas dela me convencendo a voltar pra casa, tomar banho, trocar de roupa, comer algo e ter uma noite decente de sono. Acabei cedendo. A briga com meus pais quando cheguei também foi feia, mas eu apenas não me importei. Ela voltaria amanhã pro hospital pra esperar o Gabriel e eu prometi que voltaria com ela. E foi isso que eu fiz. Por dois anos eu esperei ele acordar. No meio disso, veio o Lucas.

          (FLASHBACK OFF)

          Olho pro relógio de novo. Ainda tenho quinze minutos até ele chegar, mas meu corpo começa a ficar nervoso. Começo a sentir calafrios por ter que enfrentar a realidade. Minha bebida acabou e não tenho forças pra me levantar e pegar outra.
          Eu apenas olho pela janela. E espero com a mente vazia, sem a mínima noção do que vou fazer ou falar quando ele chegar aqui.
          Ele chega dois minutos antes do horário combinado. Acena de longe e para no balcão, pegando dois cafés. Então ele se aproxima e me entrega um deles, enquanto me da um beijo e se senta
          - Você tá bem? - Eu assinto, sem perguntar de volta
          - Você acha que a gente tá dando certo?
          - O quê?! É claro que eu acho. Não estaria aqui se achasse que não. Por que isso agora?
          - Nada. Eu só estou muito confusa. - Falo um gole na minha bebida e vejo que ele apoiou a dele cuidadosamente sobre a mesa
          - É por causa dele, não é?
          - Não... Não tem a ver com isso.
          - Eu sabia que tinha alguma razão pra você nunca falar dele. Sério que você me enganou esse tempo todo?
          - Não! Claro que não! Eu não iria enganar você.
          - E o que você está fazendo então?
          Então eu respiro fundo. E conto a história desde o início. Os sonhos e a festa, e depois o acidente. E conto o quanto me fez bem conhecer ele nesse meio tempo.
          - Não estava te enganando. Mas não posso dizer que eu sabia como eu ia me sentir. Ninguém esperava que ele acordasse. Eu não tinha como prever o futuro.
          - Ok. Eu acho que a gente realmente precisa de um tempo. EU preciso de um tempo pra digerir isso. Desculpa. Eu tenho que ir.
          Ele se levanta e sai do café, passando a mão nos cabelos. Eu abaixo minha cabeça ainda segurando o meu copo. E choro. Por muito tempo. Até eu sentir que não tenho mais nada pra chorar. Depois, volto pra casa e choro um pouco mais, trancada no quarto. Não volto pro hospital naquele dia. Sei que o Gabriel deve estar me esperando, mas não tenho ideia do que fazer agora. Adormeço cedo e sem energias.

Gabriel P.O.V.

          Acordo lentamente, não querendo abrir meus olhos. Tento me lembrar do por quê de estar dormindo por tanto tempo. As memórias voltam aos poucos, como agulhas entrando na minha cabeça. Olho pro lado e meu relógio não está na cabeceira, mas pela janela vejo que lá fora já está escuro. Vejo também a Vicky no sofá, com uma pessoa que não conheço. Ela percebe que acordei, vindo até mim com um sorriso.
          - Se sente melhor?
          - Não muito, pra falar a verdade. Minha cabeça dói. Quem é esse aí?
          - Um amigo meu. Não vem ao caso agora. Enfim, o médico disse que você poderia sentir dor de cabeça quando acordasse, mas que deveria passar em no máximo vinte minutos. - ela fala ainda sorrindo, parecendo ansiosa
          - Posso saber por que você está tão animada?
          - Tenho uma notícia pra você.
          - Você tá grávida e eu vou ser padrinho?!
          - Não! Ta doido?!
          - Hmm, então não sei o que te deixaria tão feliz.
          - O doutor Aléx falou que você pode ter sua alta amanhã.
          - SÉRIO?! - Quase pulo da cama e ela assente, ainda sorrindo e estranhamente dando pulinhos - a Ana sabe? - pergunto repentinamente, esperançoso.
          - Na verdade, ela não respondeu minhas mensagens o dia todo, nem passou aqui. Aconteceu alguma coisa?
          - Não. Nada. Deve ser alguma coisa da escola - volto a me deitar na cama, deixando minha cabeça tombar de lado, extremamente frustrado. E a única coisa que eu faço, é esperar.



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