História The Duff (Adaptação) - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Sakura, Sasuke, Sasusaku
Visualizações 293
Palavras 4.307
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fantasia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Ai meu Deus! 100 favoritos! Gente, mas é muita coisa! 100! 100 pessoas que estão aqui! Ai minha nossa! Estou sem palavras!
Boa leitura :3

Capítulo 18 - Capitulo 18


Fanfic / Fanfiction The Duff (Adaptação) - Capítulo 18 - Capitulo 18

The Duff(Adaptação)

By:Noga_a

Capitulo 18

— Ah, meu Deus! — murmurei enquanto Sasori e eu fazíamos um esforço frenético para nos recompor. Ele pulou para fora da minha cama e apanhou a camisa no chão, o rosto brilhando de tão vermelho. Estiquei o braço e peguei minha camiseta. — Sasuke, como você entrou aqui? — exigi saber.

— A porta estava destrancada — disse ele. — Você não atendeu quando eu bati... e agora sei por quê. — Os olhos escuros dele estavam enormes, com o que eu só podia adivinhar ser o choque transformando-se com rapidez em nojo, e ele olhou diretamente para Sasori.

Por que ele estava chocado?

Por que ele não pensava que algum outro cara ficaria com uma Duff?

— Mas o que você está fazendo aqui? — perguntei, sentindo uma aceleração súbita de raiva surgir dentro das minhas veias. Enfiei minha camiseta pela cabeça e fiquei de pé.

— Você não atendia o telefone — murmurou Sasuke. — Estava preocupado, mas parece que você está bem. — Ele olhou com raiva para Sasori por um momento antes de olhar de volta para mim. — Estava errado.

Agora era ele quem parecia bravo.

Bravo e ferido.

Eu não entendia.

Olhei para Sasori. Ele tinha vestido e abotoado a camisa e olhava de um jeito estranho para os pés.

— Ei — falei. Sasori ergueu os olhos para mim. — Já volto, tá?

Ele concordou.

Empurrei Sasuke para o corredor com uma das mãos e fechei a porta do meu quarto com a outra.

— Meu Deus, Sasuke — sibilei irritada enquanto o empurrava escada abaixo. — Eu sempre soube que você era um pervertido, mas me espiar? Isso é um novo nível assustador.

Deduzi que ele tinha algo a dizer a respeito daquilo. Algo arrogante e convencido. Ou talvez só me provocasse, do jeito que sempre fez. Mas Sasuke apenas me encarou, uma expressão séria no rosto. De maneira nenhuma o que eu esperaria de Sasuke.

Silêncio.

— Então... — disse ele por fim. — Você e o Akasuna estão juntos agora?

— Sim — respondi, constrangida. — Estamos.

— Quando começou?

— Na semana passada... Não que seja da sua conta. — Outro soco. Outra tentativa de deixar a conversa normal. Mas ele não mordeu a isca.

— Certo. Desculpa. — Ele soava bem estranho.

Tão diferente do Sasuke descolado e confiante a que estava acostumada...

Outro silêncio desconfortável.

— Por que você está aqui, Sasuke?

— Já disse — falou ele. — Fiquei preocupado. Você me evitou na última semana na escola e, quando liguei hoje, você não me atendeu. Pensei que podia ter acontecido alguma coisa com seu pai. Então vim até aqui pra ter certeza de que você estava bem.

Mordi o lábio inferior, uma onda de culpa me afogando.

— Isso é muito gentil — murmurei. — Mas estou bem. Papai pediu desculpas pela outra noite e está frequentando as reuniões do AA agora, então...

— Então você não ia me contar?

— Por que deveria?

— Porque eu me importo! — gritou Sasuke. As palavras dele me atingiram, deixando-me paralisada por um segundo. — Fiquei preocupado com você desde que saiu da minha casa há uma semana! Você nem mesmo disse por que foi embora, Sakura. O que eu deveria fazer? Apenas deduzir que você estava bem?

— Deus — sussurrei. — Sinto muito. Eu não...

— Eu aqui, preocupado com você, e você transando com aquele moleque pretensioso...!

— Ei! — gritei. — Não coloque Sasori nesta história.

— Por que você tem me evitado? — perguntou Sasuke.

— Não tenho evitado você.

— Não minta — disse Sasuke. — Você tem feito tudo o que pode pra ficar longe de mim. Nem mesmo me olha na sala de aula, e praticamente corre se me vê chegando. Mesmo quando me odiava, você não agia assim. Você podia ameaçar me esfaquear, mas nunca...

— Eu ainda odeio você! — rosnei para ele. — Você é irritante! Age como se eu devesse algo a você. Sinto muito se o deixei preocupado, Sasuke, mas não posso mais ficar perto de você. Você me ajudou a fugir dos meus problemas por um tempo, e reconheço isso, mas preciso encarar a realidade. Não posso ficar fugindo.

— Mas é exatamente isso que você está fazendo agora — sibilou Sasuke. —

Você está fugindo.

— Quê?

— Não finja, Sakura — disse ele. — Você é mais esperta do que isso, e eu também. Finalmente entendi o que você quis dizer quando saiu. Você disse que era como Hester. Entendo agora. A primeira vez que você veio à minha casa, fizemos aquele trabalho e você disse que Hester estava tentando fugir. Mas a realidade encontrou Hester no final, não foi? Bem, alguma coisa por fim a encontrou, mas você simplesmente está fugindo de novo. Só que ele — Sasuke apontou para a porta do meu quarto — é a sua fuga dessa vez. — Ele deu um passo em minha direção, me forçando a inclinar o pescoço ainda mais para ver seu rosto. — Admita, Duff.

— Admitir o quê?

— Que você está fugindo de mim! — exclamou ele. — Você percebeu que está apaixonada por mim e fugiu porque isso te assustou até a morte.

Eu ri como se aquilo fosse ridículo — desejando que fosse ridículo — e revirei os olhos, dando um passo para trás para mostrar que ele não podia me intimidar e que ele não estava certo.

— Ai, meu Deus. Não seja tão convencido. Você é tão dramático, Sasuke! Não estamos em uma maldita novela.

— Você sabe que é verdade.

— Mesmo que seja — gritei —, o que importa? Você pode dormir com qualquer uma, Sasuke. E daí se eu for embora? E daí se eu tiver algum sentimento por você? Fui só mais uma pra você! Você nunca se comprometeria comigo. Você nunca poderia se comprometer com ninguém, especialmente com uma Duff. Você nem mesmo me acha atraente.

— Mentira! — rosnou ele, os olhos no meu rosto enquanto se aproximava novamente de mim.

Ele estava bem perto. Minhas costas estavam pressionadas contra a parede, e Sasuke estava a centímetros de distância. Só tinha se passado uma semana, mas parecia que fazia eras que tínhamos estado tão próximos daquele jeito. Um arrepio percorreu minha coluna quando me lembrei da sensação de suas mãos em mim. Da maneira como ele sempre tinha feito eu me sentir desejada, mesmo me chamando de Duff. Como ele fazia isso? Será que me achava atraente apesar do apelido? Como? Por quê?

— Então por que você me chamaria assim? — sussurrei. — Você sabe quanto isso machuca? Todas as vezes que me chama de Duff, você sabe como faz eu me sentir um lixo?

Sasuke pareceu surpreso.

— O quê?

— Todas as vezes que você me chama assim — falei —, você me diz como tem pouca consideração por mim. Como sou feia. Meu Deus, como você pode me achar atraente quando me coloca pra baixo o tempo todo? — Sibilei as últimas palavras por entre os dentes cerrados.

— Eu não... — Sasuke baixou os olhos por um momento. Eu poderia jurar que ele se sentia culpado. — Sakura, eu sinto muito. — Ele olhou nos meus olhos de novo. — Eu não queria... — Ele esticou as mãos para me tocar.

— Não! — explodi, me encolhendo para longe dele. Deslizei para o lado e me afastei da parede. Não ia ser encurralada. Não ia permitir que ele tivesse o poder agora. — Apenas pare com isso, Sasuke.

Não importava se alguma parte dele me achava atraente. Aquilo não mudava as coisas. Eu era só outra garota com quem ele dormira. Uma entre muitas.

— Eu não signifiquei nada pra você — falei.

— Então por que estou aqui? — ele exigiu saber, virando-se para me encarar novamente. — Por que diabos estou aqui, Sakura?

Olhei com intensidade para seu rosto sério.

— Vou te dizer o motivo. Seus pais te deixaram por sua conta, então você sente que precisa preencher sua vida com coisas sem sentido. Com garotas com quem você nunca terá algo sério, garotas que praticamente idolatram você para que elas nunca o abandonem. A única razão pela qual você está aqui é porque não pode suportar a ideia de que alguém o largou. Seu ego sensível não pode lidar com isso, e é mais fácil sentir minha falta do que fazer seus pais virem para casa.

Ele ficou mudo, apenas me olhando com a mandíbula visivelmente travada por alguns segundos.

— Acertei na mosca, Sasuke ? — perguntei. — Entendo você tão bem quanto você pensa que me entende?

Ele me olhou por alguns minutos — longos minutos — antes de se afastar.

— O.k. — murmurou ele. — Se é assim que você quer, vou embora.

— Sim — falei. — Você deve ir.

Ele se virou e saiu intempestivamente da minha casa. Ouvi a porta da frente bater e soube que ele tinha ido embora. Para sempre. Inspirei profunda e vagarosamente algumas vezes para desanuviar a mente e voltei para o quarto, onde Sasori esperava por mim.

— Ei. — Eu suspirei, sentando-me na cama ao lado dele. — Sinto muito por tudo isso.

— O que houve? — perguntou ele. — Eu não estava ouvindo, mas escutei muitos gritos. Você está bem?

— Estou bem — falei. — É uma história longa e complicada.

— Bem, se algum dia você quiser falar sobre ela — Sasori ajeitou os óculos e me deu um sorriso nervoso —, tenho tempo para ouvir.

— Obrigada — respondi. — Mas eu estou bem. Todo mundo tem esqueletos no armário, certo? — Bem, todo mundo menos você, Sasori.

— Certo — concordou ele. Ele se inclinou e me beijou gentilmente.

— E eu sinto muito pela interrupção.

— Eu também.

Ele apertou os lábios contra os meus novamente, mas não pude aproveitar a sensação. Só fiquei pensando em Sasuke. Ele parecia bem magoado. Mas era isso que eu queria quando o deixei, só um pouquinho, não era? Que ele sentisse minha falta? Tentei abafar aquele sentimento, querendo muito me perder nos braços de Sasori. Mas não pude.

Não da maneira que eu fora capaz de me perder com Sasuke.

Eu me afastei, enojada de mim mesma. Como pude pensar em Sasuke enquanto beijava um cara como Sasori Akasuna? Qual era o meu problema?

— Há algo errado? — perguntou Sasori.

— Não é nada — menti. — Só que... talvez a gente devesse começar a fazer a pesquisa para nossas redações.

— Você está certa. — Ele não parecia irritado ou ofendido, nem rejeitado de maneira alguma. Modos perfeitos. Um sorriso perfeito. O garoto perfeito.

Então por que eu não estava perfeitamente feliz?

*

*

*

Sasuke ocupou meus pensamentos nos dias seguintes, o que me deixou realmente irritada — muito mais irritada do que de costume para falar a verdade.

Não queria pensar nele. Queria pensar em Sasori, que era, claro, muito mais do que eu merecia. Ele poderia me acusar de andar mal-humorada, mas em vez de me chatear com isso, Sasori apenas apertava minha mão, beijava meu rosto e me dava um doce esperando que isso me fizesse sorrir de novo. Como podia pensar em outro cara — um galinha, irritante e egoísta —, quando um cara maravilhoso estava bem diante de mim? Talvez alguém precisasse me dar um tapa ou me submeter a um tratamento de choque, como fazem com as pessoas loucas nos filmes. Isso talvez colocasse minha cabeça de volta no lugar.

Mas Sasuke parecia estar em todas as partes. Estava sempre entrando em seu carro quando eu saía para o estacionamento dos alunos ou parado a alguns centímetros de mim na fila do almoço. Tem ideia do quanto é difícil esquecer que alguém existe quando ele fica à vista o tempo inteiro?

É incrivelmente difícil. Por um segundo, realmente pensei que ele fazia isso de propósito, tipo me perseguindo ou algo assim, contudo mudei de ideia quando notei que Sasuke nem mesmo olhava para mim. Como se estivesse muito bravo para tomar conhecimento da minha existência.

Não ter seus olhos estranhos sobre mim devia ser um alívio, mas não era o que eu sentia. Aquilo me magoava.

Todas as vezes que via Sasuke, era soterrada por uma enxurrada de emoções. Raiva, tristeza, dor, irritação, arrependimento, desejo e, o pior de tudo, culpa. Eu sabia que não devia ter dito aquelas coisas sobre seu problema com compromissos — mesmo sendo totalmente verdade. E, apesar da minha vontade de lhe pedir desculpas, mantive a boca fechada. Honestamente, preferiria lidar com o fato de eu ser uma pessoa terrível a ter outra conversa desconfortável com ele.

Entretanto, eu não consegui evitar a conversa com o irmão dele.

Estava na biblioteca uma manhã, tentando encontrar um livro que não falasse de vampiros românticos ou de crianças voando em dragões, quando Itachi deu de cara comigo. Juro, ele se aproximou de forma tão silenciosa que nem tive chance de correr. Em um instante eu estava sozinha, no outro ele estava bem ali, do meu lado. Caí em uma emboscada.

— Sa...Sakura — gaguejou. Ele estava torcendo as mãos e olhando para o chão, como se falar comigo fosse realmente matá-lo.

— Ah, hum, ei, Itachi. — Enfiei o livro que estava na minha mão de volta na estante. — Como vai? — Mantive meu rosto desviado do dele, fingindo ainda estar verificando os títulos dos livros à minha frente.

Não queria olhar para ele. Primeiro, porque Itachi se parecia muito com o irmão e eu estava tentando — e falhando miseravelmente — esquecê-lo. Por outro lado, não conseguiria encará-lo nos olhos quando ele viesse para cima de mim, o que eu sabia que ele estava prestes a fazer. E eu não o culparia por isso.

Bem, certo, eu não conseguia realmente imaginar o  tímido Itachi partindo para cima de qualquer coisa, mas ainda assim...

— Eu, hã... tenho uma coisa pra lhe dizer — explicou ele, tentando parecer determinado.

Ou, talvez, Itachi estivesse chateado comigo por eu facilitar o “estilo de vida” de Sasuke. Talvez ele quisesse me culpar pelo distanciamento entre eles.

Se esse fosse o caso, eu iria defendê-lo. Dizer a ela que sua avó estava deturpando as coisas sobre Sasuke. Que ele não era um cara mau — e definitivamente não era um irmão ruim. Mas eu sabia que não devia me envolver. Não era assunto meu consertar os problemas familiares dele. Ele nem fazia mais parte da minha vida.

— Certo. Vá em frente.

Lá vai, pensei. Seja o que for que ela disser, não chore.

— Eu... eu quero... — Ele respirou fundo. — Te agradecer.

— Hein? — Virei o rosto para encará-lo. Com certeza não ouvira direito. De modo algum.

— Te agradecer — repetiu ele. — Por Sasuke. Ele... ele está bem diferente, e sei que é por sua causa. Eu... eu gostei disso, então agradeço.

Antes que eu pudesse pedir mais explicações — dadas bem devagar para que eu conseguisse entender —, Itachi deu meia-volta e saiu correndo, com seus cabelos pretos batendo às costas.

Fiquei ali parada, no meio da biblioteca, totalmente confusa.

E foi pior no dia seguinte.

Quando Sasuke entrou no corredor, depois do almoço, eu estava pegando cadernos no meu armário, e aquilo realmente não me surpreendeu. Como disse, Sasuke estava em todos os lugares. Vikki estava com ele, agarrada ao seu braço e jogando o cabelo como uma garota em um comercial de xampu. Ela ria, mas eu poderia apostar que, fosse lá o que Sasuke tivesse dito, não era divertido. Ela apenas queria inflar o seu ego... como se precisasse ficar ainda maior.

— Por aqui — disse ela, rindo e puxando-o para um lugar a centímetros de mim. — Quero falar com você.

Falar? Pensei. É, não mesmo.

Juro, não tentei ouvir. Sabia que ouvi-los flertando me deixaria louca da vida, mas a voz esganiçada de Vikki ecoava e eles estavam realmente bem próximos de mim, e sim, uma parte masoquista minha não pôde se conter. Comecei a arrumar os livros no fundo do meu armário, tentando fazer bastante barulho para não ouvir a conversa deles.

— Quais são seus planos para o baile? — perguntou Vikki.

— Não tenho nada planejado — respondeu Sasuke.

Mexi nos meus papéis fazendo bastante barulho, na esperança de que, mesmo não conseguindo abafar as suas palavras, eles pudessem me notar ali e fossem se pegar em outro lugar. Quer dizer, eles ainda não estavam se pegando, mas eu conhecia os dois bem o bastante para saber que não demoraria muito para isso acontecer.

— Bem — disse Vikki, também não me ouvindo ou apenas não dando a mínima para minha presença —, pensei que poderíamos ir juntos. — Nem precisei olhar para saber que ela estava passando suas unhas longas e pintadas pelo braço de Sasuke. Vikki usava as mesmas estratégias com todos os meninos.

— Pensei que, depois do baile, poderíamos passar algum tempinho a sós... na sua casa, talvez?

Tive uma vontade enorme de vomitar. Peguei meus livros, bati a porta do armário e me preparei para fugir para minha próxima aula antes de ter que ouvir Sasuke responder “sim”. Vamos nos pegar!, pensei com amargura. DSTs por todos os lados! Que se dane tudo. Mas ele respondeu antes que eu conseguisse até mesmo dar o primeiro passo.

— Acho que não, Vikki.

Fiquei petrificada, sem conseguir me mexer.

O quê? O quê? Volte o tempo por um segundo, por favor. Sasuke realmente dispensou uma garota? Que estava louca para transar com ele? Eu só poderia estar sonhando.

Vikki parecia passar por uma reação parecida com a minha.

— O quê? O que você quer dizer?

— Apenas que não estou interessado — respondeu Sasuke. — Mas tenho certeza de que você tem uma lista enorme de outros caras que adorariam ir com você. Desculpa.

— Ah... — Vikki deu um passo para trás, parecendo dolorosamente surpresa. — Ahn, tudo bem. Sem problemas. Só pensei em perguntar. — Ela hesitou por um segundo. — Acho que te vejo mais tarde, certo? Preciso ir pra aula. Tchau. — E ela seguiu pelo corredor, obviamente confusa.

Vikki não era a única a se sentir assim.

Era essa a diferença da qual Itachi estava falando? Sasuke estava, repentinamente, inclinado a ser menos galinha? E se a resposta fosse positiva, como isso poderia ser por minha causa?

Observei enquanto Sasuke se afastava do armário. Então, pela primeira vez em dias, ele olhou para mim. Seus olhos se prenderam nos meus. Um sorriso fraco se formou nos cantos de sua boca, mas a expressão em seus olhos era indecifrável. Apesar disso, eu podia dizer que ele não estava com raiva. Constatar isso me fez sentir mais relaxada no mesmo instante.

Saber que ele não estava furioso comigo diminuiu um pouco a culpa... porém não a fez desaparecer por completo. Eu ainda tinha dito algumas coisas horríveis a ele e, naquele segundo, enquanto o encarava, pensei em dizer algo, pedir desculpas. Pensei nisso, mas não disse nada.

Sasuke deu um passo em minha direção, e de repente lembrei de quem eu era — de quem ele era. Mesmo que a rejeição de Vikki por Sasuke fosse sem dúvida surpreendente, não mudava o fato de que eu não tinha nenhuma chance com ele, de que ele nunca iria querer um relacionamento de verdade, especialmente comigo. Eu também estava namorando Sasori. E, além disso tudo, sabia que falar com Sasuke apenas deixaria minha vida, que começava a melhorar, complicada de novo. Eu não me castigaria dessa forma.

Então me virei e comecei a correr pelo corredor, fingindo que não o tinha ouvido me chamar.

Diminuí o passo quando virei para outro corredor e vi Sasori (meu namorado? Não sei bem como isso funcionava) esperando por mim junto à velha máquina de lanche quebrada. Ele sorriu e ajeitou os óculos, e eu sabia que ele estava realmente feliz em me ver. Sentia o mesmo ao vê-lo? Sim. Claro que fiquei feliz em ver Sasori, mas meu sorriso pareceu artificial.

Sasori me abraçou quando me aproximei.

— Ei.

— Oi — sussurrei.

Ele se inclinou e me beijou antes de perguntar:

— Tudo bem se eu levar você até sua sala de aula?

Olhei por cima do ombro, para o corredor vazio.

— Claro — murmurei, olhando para a frente de novo. Encostei minha cabeça no ombro dele. — Isso parece... perfeito.

Alguns dias depois, encontrei Ino esperando por mim do lado de fora da sala de cálculo, onde eu tinha acabado de ter a terceira aula.

— Podemos conversar a caminho da aula de inglês? — perguntou ela, sem sua animação de costume ou sua jogada de cabelo. Eu sabia que alguma coisa estava errada pelo modo como ela mordia o lábio inferior.

— Claro — respondi, colocando meus livros sob o braço direito. Ver minha amiga eternamente alegre parecer tão solene me deixou desconfortável. — Tem alguma coisa errada?

— Mais ou menos... não de verdade.

Seguimos juntas pelos corredores, tentando não pisar em muitos pés. Esperei que Ino falasse, minha curiosidade e minha ansiedade indo às alturas. Eu realmente queria dizer: “Fala logo! Desembucha!”. Mas, por sorte, ela começou a falar antes que minha lendária paciência sumisse de vez.

— É sobre você e Sasori. Eu só não acho certo vocês estarem juntos. — Ela disse isso tão rápido que não tive certeza de tê-la ouvido da primeira vez. — Desculpa, Sakura — gemeu ela. — Não é da minha conta, mas não vejo química entre vocês, entende? E Hinata discorda totalmente de mim. Ela diz que você fica melhor com Sasori, e ela pode ter razão... não sei. Você não parece você mesma quando está com ele. Por favor, não fique brava comigo!

Balancei a cabeça, tentando lutar contra minha repentina vontade de rir. Era isso? Era isso que a preocupava? Eu tinha mesmo pensado que alguém estava morrendo ou, pelo menos, que a mãe a tivesse proibido, de novo, de ir a um baile. Em vez disso, ela estava preocupada comigo.

— Ino, não estou brava com você de modo algum.

— Ufa, que bom. — Ela deu um suspiro de alívio. — Eu estava realmente com medo de que você ficasse irritada comigo.

Caramba. Eu era tão perversa assim? Tão horrível que uma das minhas melhores amigas tinha medo de dar sua opinião, porque eu poderia ficar com raiva ou coisa do tipo? Nossa, isso fez eu me sentir um horror de pessoa.

— Não é que eu não goste de Sasori — continuou Ino. — Eu gosto. Ele é doce e legal com você, e sei que você precisa disso depois... depois do que houve com meu irmão.

Meu coração pode realmente ter parado de bater por um segundo. Fiquei ali, estática, plantada no lugar, e depois de uma pausa atordoada olhei para Ino.

— Como você...? — consegui sussurrar.

— Jake me contou — respondeu ela. — Eu estava conversando com ele sobre meus amigos, quando seu nome surgiu e ele me contou sobre o que aconteceu há alguns anos. Ele se sente muito mal por isso, agora, e quis que eu me desculpasse com você por ele, mas eu não queria falar disso. Sinto muito, Sakura. Deve ter sido bem difícil pra você ser minha amiga depois do que Jake fez.

— Não é culpa sua.

— Eu não acredito que você não disse nada. Isso deve ter passado pela sua cabeça quando Jake veio nos visitar. Por que não me contou?

— Não queria que você tivesse menos consideração pelo seu irmão — respondi. — Sei que você gosta muito dele e não quis estragar isso.

Ino não disse nada. Ela deu um passo à frente e me abraçou, puxando- me para junto dela tanto quanto seria humanamente possível.

Foi um pouco desconfortável a princípio, especialmente considerando o fato de que os seios gigantes de Ino estavam praticamente me sufocando, mas eu, aos poucos, cedi ao seu abraço. Meus braços a puxaram pela cintura, correspondendo ao gesto. Saber que eu tinha alguém que me apoiava assim, sem pedir nada em troca, fez com que eu me sentisse a pessoa mais sortuda do mundo.

— Eu amo você, Sakura.

— Hã... o que foi isso?

Ino me soltou e se afastou.

— Eu amo você — disse ela. — Você e Hinata. As duas. Vocês são as melhores amigas que eu poderia ter, e não sei onde estaria se vocês não tivessem aparecido no primeiro ano. Provavelmente ainda estaria deixando aquelas meninas horríveis passar por cima de mim. — Ela baixou os olhos. — Vocês duas sempre tentaram me proteger, por exemplo, não me contando que meu irmão é um canalha. E eu quero fazer a mesma coisa por você.

— Ino, isso é muito gentil da sua parte.

— Foi por isso que quis falar com você — explicou ela. — Sei que Sasori é legal e gosta de você, mas não acho que vocês combinem, entende? Estou feliz por você passar um tempo comigo e com a Hinata de novo e acho legal ele sair conosco algumas vezes, mas eu me importo com a sua felicidade. Você pode parecer feliz, mas não acho que esteja. — Ino respirou fundo e puxou a bainha de sua saia florida. — Eu não queria tocar nesse assunto... Ouvi alguns boatos sobre Sasuke nos últimos dias.

Mordi o lábio.

— Ah...

— Ele não tem dado em cima de ninguém ultimamente — continuou ela. — Não vi Sasuke com nenhuma garota e pensei... — ela me encarou com aqueles olhos cor de oceano arregalados —, pensei que você pudesse querer saber disso, quer dizer, sei que você sente alguma coisa por ele e...

Balancei a cabeça.

— Não — falei —, não é tão simples assim.

Ino assentiu.

— Certo — disse ela. — Só achei que devia dizer a você o que eu penso.

Desculpa.

Suspirei, sorri e a peguei pela mão, puxando-a para a sala de inglês.

— Tudo bem. Gostei de saber que você está preocupada comigo. Mesmo, de verdade. E você pode estar certa... sobre mim e o Sasori, enfim. Mas é apenas o ensino médio. Estamos só namorando. Não estou procurando um marido nem nada assim. Não acho que você precise se preocupar comigo. Estou bem.

— Hinata diz que você geralmente está mentindo quando diz isso — disse Ino.

— Ela diz isso, é?

Soltei a mão dela e entramos na sala de inglês. Eu estava determinada a não responder sua acusação. E na verdade foi muito fácil. Eu consegui fingir distração — bem, e nem era tão fingida assim — quando notei um pedaço de papel dobrado em cima da minha carteira. Sentei e peguei o papel, pensando que era de Hinata. Quem mais me escreveria um bilhete?

Mas Hinata sempre desenhava uma carinha feliz sobre o i do meu nome, e a letra do lado de fora do papel era pequena, cursiva e sem desenho.

Confusa, desdobrei o papel e li a única frase que estava escrita na parte de cima.

"Sasuke Uchiha não tenta conquistar garotas, mas eu estou tentando conquistar você."


Notas Finais


Ai, essa eu senti no fundo do meu coração.
Aah! Gente antes que eu me esqueça, por indicação conheci a historia "A Nossa História" acho que vale a pena dar uma olhada: https://spiritfanfics.com/historia/a-nossa-historia-10343556 .
Obrigada e...
Até o próximo <3


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