História The Fabulous Mystery Of The Iero Family - Capítulo 8


Escrita por: ~ e ~Nikki_Mary

Postado
Categorias My Chemical Romance
Personagens Bob Bryar, Frank Iero, Gerard Way
Tags Frerard, MCR
Visualizações 24
Palavras 4.988
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


BACK IN BLACK! ♩

•Perdão pela demora, como sempre!

•Tá meio mal revisado, então por favor se tiver (com certeza tem) alguma incoerência ou diversos tipos de erros, é só avisar nos comentários ok?

•Tomara que não nos matem á pedradas.

•Amamos vcs ❤

Boa Leitura! 😘

Capítulo 8 - Acceptance Sudden -Gerard


Fanfic / Fanfiction The Fabulous Mystery Of The Iero Family - Capítulo 8 - Acceptance Sudden -Gerard


   - Ele será o novo modelo da Iero Company!

O homem diz, saindo de trás de mim e se pondo ao meu lado enquanto põe a mão sobre meu ombro esquerdo, com o braço cruzando minhas costas. Percebo que Frank engole levemente em seco, deixando a caneta cair acidentalmente da sua mão, entretanto, além de mim, ninguém parace perceber por estarem aparentemente estáticos. Repito inconcientemente o que fez, mantendo os olhos arregalados antes de minhas sobrancelhas arqueadas se abaixarem gradativamente, até quase se unirem em minha testa.

- O quê?! - Sou o primeiro a se manifestar, livrando-me dos braços do homem poucos centímetros mais baixo que eu enquanto me girava, ficando de costas para o Loiro Azedo e Iero. Ouço Camily soltar audivelmente o ar preso em seus pulmões.

- É isso mesmo que ouviu! - Diz animadamente, com um sorriso um tanto contagiante no rosto. Mais do que depressa ele me põe na posição que estava antes. - É a solução perfeita!

- Não, não é! - Falo alto, atraindo a atenção de todos para mim. Ao perceber isso me acanho um pouco, mas logo volto a falar, dessa vez mais baixo. - Eu nunca fiz isso na vida, e nem pretendo fazer. Não tenho o mínimo talento e muito menos beleza para fazer algo desse tipo. Isso é absurdo!

- Ora mas é claro que tem!

- Não, não tenho! - Ele revira os olhos diante da minha teimosia.

- Não seja pessimista, você é lindo. - Ele fica um pouco à minha frente e quando fala, passa a gesticular um pouco, como se eu fosse um objeto de avaliação, onde apontava meus pontos positivos ou algo assim. - Vejam só, - refere-se a todos presentes na sala. - Cabelos negros, lisos e compridos, macios; muito bem cuidados. Olhos verde-oliva; nariz afilado; pele extremamente alva, contrastando perfeitamente com a cor dos cabelos; e traços fortes. Ele tem uma beleza rústica e magnífica que só precisa ser explorada. Se ele é assim tão bonito sem nenhum tipo de produto, - passa a mão no meu rosto, apanas para se certificar. - Vai ficar perfeito quando o prepararmos!

Abro e fecho a boca algumas vezes, tentando dizer alguma coisa, mas as palavras simplesmente não saem. Mordo ligeiramente o lábio inferior, sentindo as bochechas esquentarem por estar sob o olhar fixo de cinco pessoas. Meu olhos se cruzam rapidamente com os de Iero, que tem o queixo apoiado numa das mãos, e o cotovelo sobre a mesa, antes de eu pender a cabeça para baixo. Encaro minha mochila largada no chão, mas não tenho certeza se esse é o melhor momento para pegá-la.

- E-Eu... - Começo, gaguejando um pouco, hesitante e com a voz extremamente baixa. - Eu não...

- Eu acho uma boa ideia. - Camily me interrompe, impedindo-me de dizer Deus-sabe-lá-o que - provavelmente alguma besteira -, segurando a parte de cima da cadeira onde eu estava sentado antes.

- Isso só pode se brincadeira... - O Loiro Azedo murmura quase inaudivelmente, mas consigo ouvir bem. Franzo um pouco mais o cenho.

- Não, não estou brincando, Christian! O Gerard realmente tem potencial para isso.

- Como, se ele mesmo acabou de dizer que nunca fez isso antes? - Sua voz se eleva um tanto, vejo de relance sua mão indo de encontro aos seus fios loiros.

- Posar para fotos não é assim tão difícil. - A voz de Camily também se eleva. Passo a bater levemente o pé no chão, por estar inquieto. - Não é gente? - Gesticula para todos os outros na sala, recebendo um aceno de cabeça da maioria, junto à alguns murmúrios de "sim". As únicas exceções eram Eu, o Loiro Azedo que descobri se chamar Christian e Frank, que observa tudo de um modo distante, como se seu corpo estivesse aqui mas sua mente em um ponto aleatório do multiverso. Ele mal pisca.

- Quer saber, - começa o moreno ao meu lado. - Acho que quem deveria decidir isso é o Senhor Iero. - Isso, continuem me ignorando. Sinto meu rosto moldar uma careta antes de todos os olhos que antes estavam sobre mim passarem para Frank, que só pareceu perceber poucos segundos depois, piscando as pálpebras ao despertar de seus devaneios. Por alguns instantes nos olha como se não houvesse escutado um asilaba da pergunta dirigida a ele. - E então Frank, ele tem sua autorização para ser o modelo?

Iero corrige a postura, passando a tamborilar os dedos sobre a mesa. Ele parece querer me analisar, então levanto a cabeça, olhando diretamente para ele. A primeira coisa que observa é meu rosto, mirando bem no fundo dos meus olhos para ser mais específico. Engulo em seco. Sempre que as pessoas fazem isso sinto como se conseguissem ver a minha alma, e desvendar todos meus segredos, por mais que pareça extremamente ridículo e impossível.

Sinto o sangue subir para meu rosto novamente quando seus olhos âmbar descem por meu corpo, mapeando-o. Passo a mãos nos cabelos procurando esvair um pouco do meu desconforto.

- Bem, - fala por fim. - Se o senhor Way concordar, não vejo problema, Scott.

- Sério?

- Sério.

Scott finalmente larga meu ombro para juntar as mãos e contorcer os dedos um tanto, com um sorriso enorme, mostrando os dentes. Ele está quase saltitando de alegria.

- Você vai aceitar não é? - Pergunta, virando-se em minha direção. Seus olhos quase brilhando. - Por favor... passamos muito, muito tempo procurando alguém á altura e que o senhor Iero aprovasse. Você não pode negar!

Engulo em seco.

Mordo o lábio inferior, desviando o olhar do seu. Aperto a barra do casaco, mirando novamente a mochila próxima aos pés da mesa.

Não faz o menor sentido eu aceitar essa proposta. Como já disse, nunca fiz nada do gênero, nem mesmo nos meus sonhos mais loucos. Não dará certo de maneira alguma. Como em muitas outras vezes, provavelmente darei um jeito de arruinar tudo da forma mais inusitada possível. Tudo isso além de eu não ser lá essas coisas.

Não que eu me considere feio, mas não chego nem aos pés dos tantos modelos que têm por aí. Homens altos, com rostos magníficos, dentes tão brancos quanto papel A4. Traços leves, marcantes e corpos esculturais.

O que é totalmente o contrário de mim. Sou um cara comun como qualquer outro que se acha logo ali na esquina, e para ferrar mais ainda com tudo, estou acima do peso ideal.

Isso. É. Loucura! Totalmente loucura!

- Me desculpem mas... - Começo um tanto hesitante, os dedos largando a barra do casaco para contorcerem-se uns nos outros. A expressão alegre de Scott desmancha-se um pouco, permitindo-me ver certa decepção em seus olhos. Meu coração aperta. Odeio decepcionar as pessoas. Contudo, antes que eu possa falar qualquer coisa, Camily me interrompe num rompante.

- Gente, espera! - Quase grita, atraindo a atenção das demais pessoas. - Sabe, essa é uma decisão importante. Tenho que bater um papo com o Gerard antes. - Vejo Frank e Christian franzirem o cenho, confusos, antes dos dedos finos de Camily envolverem meu braço e ela praticamente me arrastar para fora da sala, fechando a porta com força, sendo um pouco exagerada como percebi que costuma ser.

- O que foi isso, Camily? - Pergunto, após me recuperar do susto por sua súbita ação.

- Foi mal pelo jeito, mas não sabia se aceitaria vir de boa falar particularmente comigo. - Explica, ajustando os óculos com o dedo médio.

- E por que não me perguntou? Acho que eu teria vindo...

- Teria?

- É muito provável. - Seu rosto molda uma expressão pensativa, como se reavaliasse suas atitudes dos últimos segundos.

- Que pena, agora já foi. - Sorri, aproximando-se um pouco mais de mim.- Enfim, você. Precisa. Aceitar! - Diz pausadamente, frizanso as últimas palavras. Reviro os olhos.

- Não posso.

- E por que não? - Gesticula exasperadamente, franzindo o cenho. Faço o mesmo, inclinando-me levemente em sua direção, por causa da sua altura desfavorável apesar do salto baixo.

- Já não basta o que eu disse lá dentro?

- Mas é claro que não! - Eleva um pouco a voz, chamando a atenção de um homem que passa próximo a nós. O mesmo nos lança um olhar estranho, como se estivéssemos com algum problema por estar batendo boca no meio do corredor antes de ir embora, acelerando disfarçadamente os passos. Quando o perco de vista viro-me para Camily, fuzilando-a com os olhos.

- Camily! - Dou um grito-sussurro, repreendendo-a por falar alto.

- Ok, tá, foi mal; mas não muda o que eu falei. Você precisa aceitar, e você vai aceitar.

- Ah é, e por quê? Por que eu preciso aceitar? - Indago, me segurando para não cruzar os braços como quase sempre faço em situações como essa. Discuções bobas e quase sem sentido onde nós futuramente simplesmente a ignoraremos e seguiremos em frente com a vida. Como se a mesma nunca houvesse acontecido.

- Elementar meu caro, Gerard. - Camily diz com um tom convencido, pousando uma mão sobre a cintura. - Você está desempregado certo?

- Certo.

- E precisa desesperadamente de um emprego? - Quis corrigir suas palavras, afinal, eu preciso de um emprego, mas não estou desesperado...

Okay, talvez eu esteja.

De qualquer forma apenas murmuro um "Ahãm", e assim ela continua com as seguintes palavras:

- Confesse, pelo que me falou nas últimas horas em que conversamos, aceitaria quase todo tipo de serviço não é? - Quase retruco, mas fecho a boca, moldando uma expressão aborrecida em meu rosto.

É verdade...

Droga, não deveria ter falado tanto para Camily! Entretanto, quase não há como evitar. Ela simplesmente lhe embala numa conversa e te faz falar e falar infinitas coisas, sem que você nem ao menos perceba.

Será que essa é algum tipo de habilidade dela?

Por alguns instantes congelo no tempo, preso em meu próprios pensamentos. Quase rio ao imaginá-la com um revólver na mão, sendo uma agente secreta ou algo do gênero, responsável por tirar informações das pessoas. E seu parceiro seria Frank, é claro. Pela forma que Camily o trata parecem ser amigos, tendo em vista que mais ninguém aqui o chama pelo nome - com exceção de Christian. Mas como estavam almoçando juntos, presumo que sejam amigos também. Não tanto quanto Camily é, levando em consideração o fato d'eles terem tido pequenas discuções quando os vi juntos.

Volto um pouco no tempo, lembrando-me de como meus dedos fraquejaram e derramei café naquela mulher, manchando seu vestido. Faço uma careta ao lembrar da expressão do Loiro Azedo ao soltar alguns xingamentos para cima de mim. O que, analisando bem, me faz perceber que ele e Frank têm alguns traços em comum.

Por mais que eu já o tivesse visto no Coffee Black antes, não recordava-me perfeitamente do seu rosto. Será que eles são parentes, primos ou algo assim?

Camily estala os dedos rente a minha face, fazendo-me piscar as pálpebras, esfregando-as em seguida, retirando-me dos meus devaneios. Faço um breve esforço mental para trazer à mente a última pergunta que me fez.

- Sim, mas... - Hesito por um instante. - Não é como se eu imaginasse que surgisse essa probabilidade.

- Abra a sua mente, Gerard, abrace as possiblidades.

- Isso nunca daria certo, Camily. Será que está tão cega a ponto de não ver que em comparação àqueles modelos eu não tenho o mínimo de beleza? - Repito pela milésima vez naquele dia, um pouco frustrado. Ela me analisa um pouco, mas antes que fale algo, eu continuo: - E acima de tudo, Camily; eu sou gordo!

- Não exagere. Você é no mínimo, fofinho.

- Fofinho?

- Sim, embora suas roupas e seu físico não demonstrem isso. Mas no fundo, não é isso que importa, Gerard. Foda-se isso, você é muito bonito, só não vê isso. Pense bem, você não tem nada a perder. Pelo menos tente.

Escuto mentalmente minha voz na cabeça, lembrando-me das palavras que pensei quando decidi vir para cá. "Eu não tenho nada a perder". E realmente não tenho. O que também me lembra Bert, que agora deu para cismar comigo. Bato inconsciente o pé no chão, como uma criancinha contrariada.

- Meu Deus... - Sussurro comigo mesmo, massageando as têmporas. - Você não vai desistir não é?

- É claro que não! - Arqueio uma sobrancelha, encarando-a por alguns segundos. A mesma me olha com certa expectativa.

Mas que porra eu estou prestes a fazer?

- E-Eu... - Gaguejo um pouco, tomando coragem de expulsar as palavras presas em minha garganta. Cerro os punhos, tomando um pouco de coragem. Por fim novamente suspiro antes finalmente lhe dizer: - Eu aceito.

Camily arregala ligeiramente os olhos, como se est

ivesse incrédula por minha decisão.

- Vai aceitar? - Franzo o cenho.

- Não era isso o que queria? - Ela estreita os olhos castanhos, como se verificasse se eu estava ou não mentindo. Quando constata que não, abre um largo sorriso, fazendo um gesto comemorativo com braço enquanto sussurra um "Yes!". Rio com sua reação, então ela abraça-me com força, me sacudindo.

- Meu Deus, pensei que não aceitaria. - Suspira, pousando uma mão no peito. -Você não faz nem ideia do tempo que levamos apenas tentando encontrar um modelo bom e que estivesse no padrão do Frank e do Scott ao mesmo tempo. O que é quase impossível, diga-se de passagem. - Corrige a postura, lançando o cabelo loiro para trás.

- Não acredito que fiz isso. - Sussurro para mim mesmo.

- Nem eu, mas vem. - Entrelaça nossos dedos, puxando-me novamente com ela. Quando adentramos a sala ela fecha novamente a porta com força, chamando a atenção das pessoas que nos esperavam e pareciam entediadas. Camily me empurra e me força a sentar na cadeira, onde me encolho instintivamente, com o cenho franzido e os olhos ligeiramente arregalados. Ela aperta novamente a parte superior do encosto da cadeira. - Boas notícias! - Mesmo sem a ver, sei que está sorrindo abertamente, provavelmente mostrando os dentes. Scott se senta de lado em sua cadeira, encarando-a com esperança, com uma pontada de receio. - Ele aceitou!

Scott fica paralisado por alguns segundos, antes de comemorar consigo mesmo. A mulher que presumo ser sua assistente também aparenta estar feliz e animada. Ele prende os álbuns contra o peito.

- Finalmente poderemos começar a fazer nosso trabalho. - Diz Scott, para a morena atrás dele.

- E espero que seja muito bem feito. - Diz Frank, permitindo-nos ouvir a sua voz após algum tempo calado. - Conto com vocês.

- Não irá se arrepender, Senhor Iero.

- Assim espero. Mas agora que já resolvemos todos os problemas pendentes... - Faz uma pausa, corrigindo a postura. - Todos vocês, saiam da minha sala. Agora! - Não se passam nem sequer cinco segundos para os demais deslocarem-se de onde estavam, não demorando a sair. O único que reluta é o Loiro Azedo, mas o mesmo também vai quando Iero lhe lança um olhar duro, o que o faz ser o último a sair da sala com uma expressão fechada, demonstrando sua irritação.

Apenas observei todos saindo pela porta por ainda estar processando o que aconteceu nos últimos minutos. Quando me dou conta de que apenas eu e Frank estamos aqui, apressso-me em pegar minha pobre mochila que ainda está jogada no chão. Levanto-me, logo em seguida me virando em direção à porta.

- Way, - paro de andar ao ouvir meu nome, virando-me novamente. - Você não. - Entendo o recado, logo sentando-me novamente onde estava, com a mochila no colo e as coxas juntas, mantendo os tornozelos separados. Meus fios negros estão cobrindo parciamente o rosto por minha cabeça estar um pouco baixa.

Iero suspira, debruçando-se sobre a mesa, parecendo esgotado. Levanto a cabeça novamente com o cenho franzido ao ouvi-lo rir. O som foi baixo e contido, mas não deixa de ser um riso um tanto divertido.

- E então, - diz, após alguns segundos. - Preparado? - Sorrio fraco.

- É para responder com sinceridade? - Ele assente, com uma expressão serena, mas não sorrindo. - Não.

- Então por que aceitou? - Pergunta, com o dorso da mão contra o queixo. Pendendo ligeiramente cabeça para o lado. Lembro-me das palavras de Camily.

- Porque eu preciso. - E para provar para Bert que eu consigo. Completo mentalmente, aumentando um pouco a curva em meus lábios. - E confesso que também pela pressão psicológica.

- Entendo. - Ele fala, ainda distraído, parecendo distante. Creio que seja por isso que sua expressão e voz estejam mais leves. Ele aparenta ser uma pessoa um tanto séria pelo o que vi nas últimas vezes que o vi. - Não é fácil lidar com várias pessoas lhe pressionando. Ainda mais se uma delas for Camily.

- Sim, - rio um pouco. - Ela é sempre assim?

- Insistente e exagerada? - Assinto. - Sim, quase o tempo todo. Camily é o mais perfeito exemplo de uma pessoa que, como minha mãe dizia, é oito ou oitenta. Mas acho que se ela não fosse assim, não seria ela. É justamente sua personalidade que a torna especial.

Ponho distraidamente um dos braços sobre a mesa, esquecendo-me momentaneamente de onde estou.

- Vocês devem ser bem íntimos um do outro. - Ele me olha nos olhos, curvando sutilmente os lábios para cima, num quase sorriso que de alguma forma ilumina seu rosto, deixando-o ainda mais bonito do que já é. (Sei que não deveria pensar essas coisas, mas é um fato inegável).

- É... Nós somos. - Seus dedos da mão livre tamborilam na superfície lisa da mesa e seus olhos claros deaviam-se dos meus, pousando em uma das xícaras de café, ambas agora vazias.

Também por instinto (e confesso que por um pouco de curiosidade), mapeio sua mesa, observando o que tem sobre ela. Além do computador e de alguns materiais comuns de escritório há também alguns itens decorativos e um porta retrato, onde Frank está com a mulher que o acompanhou no Coffee Black. Na foto ele tem um braço em torno do seu ombro, e está sorrindo fracamente. Ele não parece ser o tipo de pessoa que sorri muito.

Ao continuar o que fazia acabo encontrando dois DVD's próximos ao computador. E de verdade, eu tento me segurar, mas não evito debruçar-me um pouco sobre a mesa para ver os títulos.

Um dia a curiosidade ainda vai me matar.

É sério.

- Você joga Resident Evil? - Pergunto, franzindo o cenho, com o tom de voz um pouco afetado. Seu olhar se desloca da xícara para os DVD's.

- Sim... - Diz calmamente, como se não fosse nada. Olho intensamente para ele com os olhos um tanto arregalados, ele não demora a olhar para mim e franzir o cenho também. - O que foi?

- Nada, eu só... - Pisco os olhos, organidando meus pensamentos. - Não imaginava que...

- Que pessoas como eu jogavam Vídeo Game? - Ele arqueia uma sobrancelha, devolvendo meu olhar de alguns segundos atrás. Assinto, um pouco constrangido. Eu realmente não imaginava. Pelo que vejo em todos os lugares, pessoas importantes parecem não fazer quase nada além de comer, malhar, trabalhar, reproduzir, e pôr os filhos para trabalhar também.

Mas isso provavelmente depende de cada um.

Ou não.

Preciso urgentemente reaver meus pensamentos.

- Eu tenho vida sabia? - Seu tom foi um pouco duro, mas sei que não foi intensinonal. Contudo, não pude conter que o sangue subisse às minha bochechas, esquentando-as, mesmo que apenas um pouco. Ele desvia novamente seu olhar de mim ao perceber que pode ter sido um tanto rude. - Desculpe.

- Não tem pelo o que se desculpar, você só disse a verdade. E além do mais, sei que não foi a intenção. - Corrijo a postura, tirando os braços da mesa. Ao por as costas no encosto olho acidentalmente de relance para grande janela atrás de Frank, que tem seus vidros parcialmente cobertos por uma cortina. Pelo pouco espaço ainda visível que sobra constato que o céu está escuro, ou seja, anoiteceu.

Mas já? Penso, olhando meu relógio de pulso. É tarde mas nem tanto. Todavia, tenho que chegar rapidamente em casa. O caminho é um pouco longo e meio esquisito.

- Senhor Iero, tem mais alguma coisa que preciso fazer? Já está bem tarde e tenho que ir.

- Sim, só uma coisa. - Ele abre uma gaveta e de dentro dela, tira alguns documentos. - Assinar o contrato. - Eu assinto, tomando o papel entre os dedos. Frank também me dá uma caneta, a qual aceito assim que me é oferecida.

- Eu posso... Ler antes de assinar?

- Deve. - Assinto novamente, começando a leitura. No contrato não há nada demais, assim como esperava. Apenas alguns termos de compromisso e responsabilidade, tempo de trabalho, etc... Tudo estava indo normalmente até meus olhos pousaram nos números que compõem o salário. Afrouxo um pouco a boca e franzo o cenho, um pouco surpreso.

- Senhor Iero... - Digo, me segurando para não gaguejar. Entretanto, não sei ou não se minha voz falha.

- O que houve? Há alguma coisa com que não concorde ou...

- Não, não é nada disso, - o interrompo, gesticulando um pouco. - É que o salário...

- Está baixo demais? - Dessa vez é ele quem não me deixa terminar o que falava.

- Não! - Quase grito, o que o faz arregalar os olhos. - Quer dizer, não, também não é isso. Eu só queria dizer que está muito alto.

- Muito alto? - Ele franze o cenho.

- Sim!

- Não, não está. Esse é quase o valor comum para esse trabalho.

- Mas ainda sim...

- Way, apenas aceite. - Me corta, olhando-me nos olhos. - Já aceitou muitas coisas que aparentemente não queria hoje, o que custa aceitar apenas mais uma? - Engulo em seco.

Maldita pressão psicológica.

- Okay... - Rendo-me, voltando a ler o contrato. Termino de ler rapidamente, assinando-o logo em seguida. Deixo os papéis e a caneta sobre a mesa e me levanto, já pondo a mochila nas costas. - Quando eu começo?

- Depois de amanhã. - Aperto uma das alças da mochila e assinto antes de responder e finalmente ir embora para casa. - Certo, até depois, senhor Iero.

- Até depois...

Eu mal posso acreditar no que está acontecendo comigo.

¤¤¤

Frank

Depois que Gerard foi embora passei a ler alguns documentos e realizar algumas tarefas que já deveriam ter sido feitas, mas como passei praticamente o dia todo fora, as coisas se acumularam. Todavia eu não vou perder toda a noite no escritório, tenho mais o que fazer em casa, prefiro que se acumulem para amanhã.

Pretendo ir embora o mais rapido possível. Já são 20:00hrs, que é muito mais tempo do que eu deveria passar aqui. E além do mais, sinto-me extremamente cansado hoje. Toda a "correria do dia" faz eu me sentir esgotado agora. Tudo o que mais quero é minha amada cama e uma boa noite de sono, por mais que eu odeie dormir.

Tento passar despercebido por Camily, mas não consigo. Eu nunca consigo, ninguém consegue. Ela parece ter muito mais do que dois olhos no rosto. Sua percepção de presença é incrível. E é claro que ela não poderia ter deixado de me encher o saco dizendo que Gerard só aceitou o emprego porque ela o convenceu, e que sem ela ficaríamos procurando por um modelo por muito mais tempo, ou contrataríamos um ruim.

O que é verdade.

Após tudo o que tinha para falar, Camily finalmente me deixa ir e dou Graças aos Céus por ninguém indesejável aparecer no elevador.

Ando calmamente pelo estacionamento vazio, ouvindo o som da sola dos meus sapatos se chocando contra o chão ecoarem ao meu redor. Contudo, paro por alguns segundos ao ouvir o que parecem ser passos rápidos, mas não distantes. Olho em volta, procurando a origem dos mesmos, mas não encontro absolutamente nada; apenas o silêncio esmagador da noite.

Volto a andar, diminuindo o ritmo e pisando mais leve, tornando o ruído dos meus passos quase inaldíveis. Quando chego perto do meu caro faço menção de pôr a mão no terno e retirar minha arma, mas antes que possa fazê-lo, sinto em súbito o peso de um antebraço sobre meu ombro, seguido de uma lâmina gélida rente ao meu pescoço.

Merda!

- Quietinho. - O homem atrás de mim fala, com a voz rouca. Reviro os olhos pela forma com que pediu para que ficasse calado. Meu coração bate forte no peito pela surpresa, mas fecho os olhos, suspirando profundamente. Tenho que me acalmar.

- Quem é você? - Pergunto, após conseguir ficar mais calmo. Mas pela minha voz, no entanto, nem ao menos parece que eu internamente me alterei. Creio que meu semblante também demonstre impassibilidade e descaso.

- Eu disse para ficar quieto!

- E eu perguntei quem você é! - Desafiei-o, como geralmente faço. Uma coisa que não abandonei desde que era pequeno. Ouço-o quase rosnando antes d'ele afastar a adaga do meu pescoço e me virar bruscamente de frente para ele.

- Esse é apenas um mero detalhe, meu objetivo aqui é você. - Eu rio sarcasticamente, levando lentamente uma das mãos para o cós da calça.

- Eu? - Pergunto ainda sarcástico. - E enviaram justamente... - Interrompo-me, olhando-o de cima a baixo com uma expressão de desprezo. - Alguém como você para isso? Acharam realmente que você iria conseguir? Que patético! - Meus dedos invadem o tecido, envolvendo-se em torno de um canivete que guardo ali. Quanto mais preparado melhor.

- Cale a boca! - Ele grita, mas não me importo, mesmo que a lâmina ainda esteja muito próxima ao meu pescoço. Seus dedos tremem e seu olhar é hesitante. Sinceramente, estou em dúvida entre: se ele quer ou não me matar, ou se é apenas um covarde que não consegue fazer isso. Todavia, ao menos por enquanto, não vejo necessidade de fazer nada demais. - Você destruiu minha vida!

- O quê? - Franzo o cenho.

- Você e eles... - Sua voz alterna entre o alto e o baixo, e todas as palavras que escapam de sua boca são quase rosnadas.

- Provavelmente, não destruímos a sua vida, você a destruiu. Só demos um
pequeno empurrãozinho para que tudo desmoronasse de vez. - Sorrio cínicamente para provocá-lo. Esse homem parece ser o tipo de pessoa que despeja tudo quando está irritado, e quanto mais eu souber melhor.

- Cale. A. Boca! - Grita, pausadamemte. - Você não tem o direto de me provocar desse jeito. - Aumento o sorriso, o que o irrita ainda mais, contudo, não falo nada. - Os homens que me mandaram aqui estavam certos...

- Que homens? - Agora chegamos num ponto interessante. - Quem te mandou aqui? - Ele ri fraca e forçadamente.

- Acha mesmo que vou te contar? - Franzo o cenho. "Mas é claro que não." Isso seria perfeito, mas sei que não vai acontecer. Quem o enviou aqui é provavelmente uma das pessoas que ando perseguindo ultimamente. - Eles estão atrás de vocês e lhe garanto que irão acabar com todos, um por um... Você verá.

- Estou realmente ansioso por isso.

- Não deboche, Iero, aqueles homens têm ótimos planos para seus amigos. Tem sorte por morrer em minha mãos. - Ele pressiona os dedos ao redor do punho da adaga com mais força, fazendo seu braço tremer, tanto pela força, quanto pelo nervosismo que parece lhe percorrer. - Agora pague por tudo o que fez, Iero!

Ele afasta a adaga do meu pescoço, levantando-a em frente à nossas faces para cravá-la em meu peito, mas antes que consiga seguro seu braço sem precisar usar muita força, o que aparentemente o irrita, e muito.

- Desculpe, mas hoje não. - Tiro a mão livre detrás das costas, abrindo rapidamente o canivete, não me demorando em afundá-lo num ponto qualquer da barriga do homem à minha frente.

Sinto seu braço que carrega a adaga perder metade da força que usava para levar o meu para trás. Aproveito-me disso e tomo a lâmina de suas mão, usando-a contra ele agora. O pressiono contra um carro qualquer atrás do mesmo, com a faca rente à pele frágil da sua garganta. Mas ao contrário dele a seguro com firmeza e nenhuma gota de hesitação.

- Diga-me quem o mandou aqui. - Sussuro próximo ao seu rosto, encarando-o no fundo dos seus olhos. Neles, eu vejo medo. O medo da morte, mas também muita determinação. Ele demora alguns segundos para responder.

- Não.

- Não? - Deslizo a lâmina sutilmente por seu pescoço, não empregando força suficiente para cortar. Quando chego na lateral do mesmo pressiono um pouco, logo vendo uma gota de sangue sair pelo pequeno orifício feito pela faca. Deslizo a lâmina, traçando alguns centímetros em sua pele alva. Sorrio malignamemte ao ver líquido vermelho e escuro transbordando cada vez mais abundantemente. Ele solta um alto grunhido de dor. - Tem certeza? Posso fazer isso a noite toda. - Aumento ainda mais meu sorriso, afundando um pouco mais a lâmina num ponto qualquer próximo à sua clavícula.

Ao contrário dele, que me deixou solto - amador -, eu mantenho suas mãos presas com as minhas. Sei que não é muito eficiente, mas pelo menos saberei quando tentar revidar.

- Vai ser mais fácil se disser de uma vez.

- Mesmo que eu conte, sei que irei morrer de qualquer forma. Por suas mãos ou pela deles.

- Ótimo, então por que não contar? - Ele sorri estranhamente.

- Por que não Iero. Ao contrário do lixo que são vocês, sou leal aos meus parceiros, - suas mãos se soltam agilmente
das minhas e uma delas envolvem a lâmina da adaga, surpreendendo-me um tanto. Seu sorriso aumenta antes de completar: - Até o fim. - E então ao contrário do que pensei, sua mão livre envolve meu pulso assim como a que estava na lâmina, mas ao invés de tentar tomá-la de mim, ela a crava em seu pescoço, fazendo-me arregalar os olhos, em pura surpresa.

Solto vagarosamente o punho da adaga, me afastando. Observo o corpo se arrastar lentamente pelo carro com a arma presa em seu pescoço até alcançar o chão, onde o sangue se espalha rapidamente, colorindo o piso de vermelho. Encosto-me em meu carro ainda um pouco surpreso. E em meio a tudo isso, apenas uma coisa é certa:

Eu tenho que encontrar o filho da puta que mandou este pobre coitado aqui.

E eu vou o encontrar, ou não me chamo Frank Iero.


Notas Finais


Aí que "meda"! ... MENTIRA!!

Bom... tomara que não estejam decepcionados conosco e... é isso.

Comentem suas dúvidas, se por acaso tiverem alguma.

Até o próximo cáp! ❤


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