História The Final Battle - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Colegial, Demonios, Drama, Feitiçaria, Feiticeiros, Luta, Nephilim, Pecados Capitais, Romance, Sete Pecados Capitais
Visualizações 10
Palavras 4.912
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Seinen, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Érr... oi?

Tudo bem, eu sei que demorei e não queria demorar, mas é que eu tive alguns imprevistos que complicaram minha vida e meus capítulos escritos acabaram, então eu só posso me desculpar pelo atraso!

Acho que não vou mais conseguir atualizar a história semanalmente, mas vou tentar atualizar a cada 15 dias, juro! Talvez antes, se minha boa e velha escola colaborar u.u

Enfim, chega de recados não tão agradáveis e vamos logo ao que interessa:

Música do capítulo: Memories - Shawn Mendes

Boa leitura ^^

Capítulo 9 - Memories


Fanfic / Fanfiction The Final Battle - Capítulo 9 - Memories

Realmente tinha um homem com ela, muito bonito, diga-se de passagem, usando apenas uma calça de moletom, com o peito nu e um braço em volta da cintura da minha mãe, que usava uma camisola fina e com um robe preto em cima. E ele tinha... asas...

 

---

 

Arregalo tanto os olhos que sinto como se eles pudessem saltar das órbitas. Naquele momento, tudo o que eu pude fazer foi sair dali o mais rápido possível, surpreendendo até a mim mesma pelo silêncio que consegui manter enquanto me afastava. Os dois pareciam estar bem entretidos, então pensei que não tivessem notado a minha presença, mas quando pus o pé no último degrau da escada uma mão forte segura meu pulso, me impedindo de seguir.

- Beah... - me viro e encontro o mesmo cara que estava com minha mãe me segurando. Aquela altura, eu já tinha chegado à conclusão do que ele era e, considerando tudo o que eu havia descoberto, me pareceu bem provável que ele fosse meu pai.

- Me solta! - tento inutilmente me soltar dele, mas sua mão parecia feita de aço e apertava meu pulso com muita força - você está me machucando!

Ele pisca duas vezes e afrouxa o aperto, mas ao invés de me soltar, ele me puxa para si, me abraçando com um carinho que eu não achava que ele pudesse ter, levando em conta que meu pulso provavelmente estava vermelho e viria a ficar roxo mais tarde.

- Me desculpe, eu não queria machucá-la, só que às vezes eu me esqueço de que você não sabe usar a sua real força e resistência - o... anjo me afasta e me olha nos olhos. Seus olhos eram dourados, e quando digo dourados quero dizer dourados mesmo, não como se fosse um castanho muito claro.

- Quem... Quem é você? - as asas haviam sumido e ele usava uma camiseta branca. A repentina mudança embaralhou meu cérebro - onde... Você tinha asas quando o vi antes, o que houve com elas?

- Não é legal sair por aí exibindo um par de asas para quem quiser ver, chama atenção um anjo entrando na casa de um mortal, ainda mais quando um Baalihan vive na casa ao lado. Eu poderia ser denunciado - ele sorri de leve - meu nome é Gabriel, mas você já sabe disso, afinal você ouviu eu e Kate conversando. E eu sei que já sabe sobre o mundo oculto, ou não conseguiria me ver. 

Passaram-se uns bons segundos até que eu processasse o que ele disse.

- Acho que despejar tudo isso em cima de você agora não foi uma boa ideia - Gabriel me conduz até o sofá senta-se ao meu lado, me olhando com um sorriso gentil e estranhamente carinhoso, como se estivesse esperando por esse momento a um bom tempo - vamos, pergunte o que quiser. Vou responder o mais sinceramente possível tudo o que me perguntar.

- Minha mãe...?

- Ela foi tomar banho, sabe que ela costuma demorar. Temos algum tempo.

Respirei fundo. Tinha apenas uma coisa que realmente importava no momento.

- Você é um anjo, certo? - achei melhor confirmar. Ele assente pacientemente, o sorriso ainda não tinha abandonado sua face - e você é...?

- Eu sou seu pai - ele hesita um segundo antes de proferir tal frase, o que não passou despercebido por mim. Gabriel viu que eu tinha notado e suspirou - você é muito observadora. Sua mãe não queria que soubesse sobre o que eu sou e consequentemente, sobre o que você é. Ela tem receio de vê-la exposta ao... Ao que está acontecendo agora.

Curiosamente, eu não duvidei do que ele disse. A sinceridade exalava dele como uma fogueira liberava fumaça. Era tão óbvio que ele dizia a verdade que chegava a incomodar. Eu comecei a me irritar, queria que ele tentasse negar, queria que me desse um bom motivo para odiá-lo, mas ao invés disso, ele parecia querer que eu soubesse a verdade.

- E o que está acontecendo agora? – exclamei, sem conseguir conter a acidez em meu tom. O que poderia ser tão grave a ponto de fazer com que minha própria mãe mentisse para mim e fizesse com que meu pai, que ela obviamente ainda amava e era amada por ele, a se afastar de nós?

- Você precisa entender que tem muita coisa envolvida, não se trata apenas de mim, Kate ou você. Tem muitas vidas em jogo e tem muitas coisas que você não compreenderia - uma porta bate e eu dou um pulo. Ele solta uma palavra que eu jamais imaginaria que um anjo fosse falar, faz sinal para que eu fale baixo e sussurra – Kate saiu do banho, ela nunca se apressa assim, parece que sabe que eu estou te contando. Vamos combinar uma coisa está bem? Amanhã, depois do ensaio da banda você me encontrar no parque e vamos conversar, aí eu te contarei tudo o que você precisa saber. Mas ninguém pode saber.

- Como você sabe que eu tenho uma banda? - sabia que tinha coisas mais importantes que eu deveria perguntar, mas isso realmente me intrigou - e porque ninguém pode saber?

- De tudo o que eu falei, foi só nisso que você prestou atenção? - ele ri baixinho, e percebo um pouco do meu próprio riso no dele. Na verdade, tinha muito dele em mim, como o formato dos olhos e o jeito como os cabelos eram rebeldes. A diferença é que os cachos grandes e negros ficavam incrivelmente charmosos nele, enquanto em mim, parecia que um bando de passarinhos tinha achado muito interessante morar em minha cabeça - amanhã. Se ela descobrir que eu te contei isso...

- Gabriel? - ouço a voz de minha mãe e vejo a porta do banheiro se abrir, lançando um feixe de luz na sala.

- Já estou indo - ele pega minha mão e sinto uma movimentação de ar, e, em um segundo estávamos na sala e no seguinte estávamos em meu quarto – antes de ir, não pode deixar que Carolyn saiba sobre a nossa conversa nem que vai se encontrar comigo amanhã, ou ela jamais vai te deixar ir.

- E como eu vou fazer isso?! – eu sussurro em pânico. Como ia conseguir esconder dela algo assim? Ela lia pensamentos, caramba!

- Aqui – ele põe dois dedos em minha testa e sinto uma picada forte onde ele me tocou, que me deixou levemente tonta – isso vai tornar possível esconder alguns pensamentos dela, mas não se deixe levar e esconder tudo ou ela vai desconfiar. 

- Mas de que jeito eu vou controlar... isso? – não sabia bem como chamar o “dom” que ele me dera.

- Imagine-se separando esses pensamentos e os guardando em uma caixa ou baú – ele explica – mas você tem que manter em mente que está escondendo especificamente dela, e isso não vai durar pra sempre, no máximo umas 2 horas até você ter que lembrar seu cérebro de bloquear ela de novo.

- O-ok – gaguejei, mas eu já estava sozinha. Anotei mentalmente para perguntar como diabos ele se movia tão rápido. “Ah é, ele é um anjo!” pensei, irritada. Provavelmente podia se teleportar. Mas se ele pudesse se teleportar, por que precisaria de asas...? Sacudi a cabeça tentando clarear a mente, e meus olhos acabaram pousando na cama, onde percebo um papel dobrado e meu nome escrito em uma caligrafia fina e graúda no verso da folha.

“Amanhã conversamos mais. Boa noite, minha pequena Nephilim”

Sinto minha raiva aumentar consideravelmente ao olhar para o papel, em seguida o amasso com força e jogo a bolinha na parede, trincando os dentes e tentando conter as lágrimas de raiva.

Vou para baixo das cobertas e, surpreendentemente, estava com muito sono. Mas me mantive acordada por tempo suficiente para pensar o porquê de ele me parecer tão familiar a ponto de fazer com que eu me sentisse completamente segura e protegida perto dele. Sentia-me apegada a Gabriel, como se ele tivesse convivido a comigo desde sempre. Mas uma pequena parte de mim ainda estava com raiva. Dele, por ter me abandonado, da minha mãe, por ter mantido em segredo algo que fazia parte de mim e, principalmente, de mim mesma, por não ter tanta raiva deles quanto deveria.

 

***

 

“- Vocês podem formar uma banda! - o sr. Edwards comentava, feliz da vida, depois de ver eu, Mark, Lyn e Brand tocando e cantando juntos pela primeira vez, aos 12 anos.

- Concordo - comenta um homem de uns 30 e tantos anos que costumava vir ver as aulas de música.

- Quem é o senhor? - Mark o olha com curiosidade.

- Ninguém importante - enquanto falava, ele sorri para mim e seus olhos brilhavam, quase como se estivesse orgulhoso....”

 

***

 

“Agora com cerca de 5 anos, eu estava no parque passeando com o único animalzinho que eu tive na vida:  um cachorrinho todo preto com apenas uma manchinha branca ao redor de um dos olhos.

Kate havia ido comprar sorvete e pedido a nossa vizinha que cuidasse de mim por um segundo.

Mas meu cachorro saiu correndo e eu fui atrás dele.

Como sou eu, me perdi e comecei a chorar desesperadamente, até que um homem se aproximou de mim.

- Porque está chorando? 

- P-por q-que eu não consigo encontrar minha M-mãe... - passei as costas das mãos nos olhos.

O homem sorriu e me pegou pela mão, me levando até a pracinha.

- Olhe, lá está a sua mãe.

“Fui correndo em direção a Katerina, sem nem olhar para trás...”

 

***

 

“Eu estava saindo da escola junto com Briana, duas menininhas de uns 9 anos. Houve um tempo em que ela era minha melhor amiga e fazíamos tudo juntas. Um grupo de meninas mais velhas aparece e dirige-se a Briana:

- Hey nanica, onde estão os doces que você prometeu pra gente?

Briana, que havia devorado todos no recreio, olhou em volta desesperada até apontar para mim.

- Ela pegou todos!

As meninas avançaram pra cima de mim e iam me bater, mas um homem apareceu e disse:

- Vocês não tem vergonha de bater em uma menina mais nova que vocês?

Elas olham assustadas para ele e saem de perto, mas quando me viro para agradecer, ele já não estava mais ali...”

 

***

 

“Do alto dos meus 11 anos, eu ia em direção à biblioteca com pilhas e mais pilhas de livros nos braços, cambaleando com o peso, até que bato em alguém sem querer e derrubei os livros todos em cima de mim mesma. Essa pessoa era Camille/Karin. 

- Olha por onde anda esquisita! - ela me olha com nojo e Briana ri.

- Parece uma ratinha no meio dos livros, se escondendo - de repente, toda a escola pareceu parar para ver elas me zoarem, todos apontando e rindo. Para qualquer lugar que eu olhasse tinha alguém rindo e me chamando de ratinha

Saí correndo em direção ao pátio, me sentei embaixo de uma árvore e chorei como nunca tinha chorado na vida.

- Não chore, elas não merecem suas lágrimas - um homem se senta ao meu lado e passa as mãos pelos meus cabelos com carinho.

- Eu só queria que elas esquecessem que eu existo! - escondo o rosto com o braço, me encolhendo em posição fetal - semana passada elas grudaram chiclete no meu cabelo, e há um mês colocaram minhocas no meu estojo! Elas fizeram a escola toda me chama de olhos de alien e agora de ratinha! Eu não aguento mais!

- Me diga, você já desejou o mal para alguma delas?

Fiz que não.

- Isso é bom - ele reflete - significa que você é superior o bastante para não faze-las pagar na mesma moeda.

Ele sorri, e por um segundo, eu pensei ter visto seus olhos ficarem ligeiramente mais claros, quase dourados...”

 

***

 

Me sentei na cama de repente. Ele sempre estivera lá, me protegendo e amparando, mesmo quando mais ninguém estava! Ele me ajudou em várias ocasiões em que tudo parecia insuportável. 

- Ele se importa! - abraço meu panda de pelúcia com força - ele sempre se importou! 

Deito de volta, dessa vez feliz da vida. Sinto minha consciência se esvair, mas antes de dormir, sussurro bem baixinho um “boa noite, pai!” e em seguida uma brisa suave atravessou meu quarto e eu pude jurar ter ouvido um “boa noite, minha menina!

Caí no sono sorrindo. 

 

***

 

Acordei cedo de mais, estava ansiosa pela conversa com Gabriel. Eram 6:30 quando desci as escadas, já usando uniforme da escola, acompanhado de uma meia calça e um casaco, pois o dia amanhecera incomumente frio para começo de março. As aulas estavam no fim, eu estava louca pelas férias de verão, preocupada com as últimas provas do ano e principalmente, ansiosa para os resultados, afinal, se tudo corresse bem, no próximo ano a essa altura eu estaria me preparando para a formatura.

  Entrei na pequena cozinha azul de Katerina e comecei a preparar um sanduíche enquanto cantarolava a música que Christopher havia me mostrado no dia anterior, sem nem reparar na figura de cabelos castanhos e muito lisos, agora presos em um rabo de cavalo, que estava sentada à pequena mesa de madeira, a xícara de porcelana na mão.

- Acordada tão cedo? - minha mãe tomava café tranquilamente, enquanto lia o jornal. Kate era alta e esguia, os cabelos que em algum momento haviam sido longos agora mal batiam na altura dos ombros, mas ela ainda tinha um ar jovem, que era mais acentuado pelo sorriso de covinhas.

- Não consegui mais dormir - falo seca, mantendo mais concentração do que era realmente necessário para passar requeijão em uma fatia de pão. Queria confrontá-la, perguntar o porquê de ela nunca ter me contado que meu pai estava vivo e nunca ter mencionado o “pequeno detalhe” (note o sarcasmo) de que eu era filha de um anjo.

- Bom dia pra você também - ela me olha com o canto dos olhos - qual é o problema?

- Bom dia - respondo apenas.

- Não vai mesmo me contar? - ela larga o jornal e me encara, os olhos muito azuis e perturbadoramente penetrantes.

- Não tem nada para contar, está tudo bem – desvio o olhar, incomodada. Detestava mentir para Katerina e, mesmo que eu estivesse irritada e principalmente magoada, ficava surpreendentemente culpada por fazê-lo.

Ela, como sempre, percebeu a mentira, mas sorriu gentilmente, o que acabou fazendo com que eu me esquecesse brevemente a culpa. Como ela conseguia agir assim, sabendo que mentiu para mim a vida toda?!

- Quando resolver me contar, venha conversar comigo - Katerina se aproxima de mim e passa a mão pelos meus cabelos, enquanto dobrava o jornal ao meio em cima da mesa - tenho que ir trabalhar, boa aula meu amor.

- Obrigada, mãe - fico de costas para ela enquanto pegava uma xícara no armário.

- Filha? - me viro e ela sorri - eu amo você.

Fico perdida por um segundo antes de responder, tempo suficiente para que ela pegasse a bolsa e saísse de casa.

- Também te amo... mãe...

Fiquei completamente sem ação enquanto via o carro descer pela pequena rampa, me perguntando o porquê de aquele simples “eu te amo”, coisa que ela sempre me disse, ter soado tão... solitário. Talvez por que eu não tenha conseguido responder de imediato. Tinha medo das palavras soarem tão ressentidas quanto eu me sentia naquele momento. Nunca, em toda a minha vida me senti mais traída. 

Quanto aos meus amigos, eu sabia que eles não podiam me contar, e Christopher estava em uma situação ainda mais complicada, pois ele achava que nem sequer podia conversar comigo, quanto mais me contar o que ele era. Eu até entendia o lado deles, entendia que eles não tinham escolha, mas alguma coisa me dizia que Katerina era, se não a pessoa, ao menos uma das pessoas que tirara deles a escolha.

 

***

 

-... E então a Briana veio me trazer os convites para a festa de aniversário dela e disse que eu podia levar mais três pessoas comigo! - contava Mark animado - vocês vão, não é?

Era hora do almoço, e eu estava sentada em uma das mesas ao ar livre, com o sol aquecendo meu rosto, Mark de um dos meus lados e na cadeira ao lado estava a minha mochila guardando o lugar de Christopher, que estava conversando com a professora de literatura sobre a prova da semana que vem. Carolyn e Brandon estavam sentados do outro lado da mesa retangular. Na verdade, ninguém estava prestando total atenção à empolgação do loiro, cada um absorto em seus próprios assuntos. Eu apenas fingia prestar atenção, na verdade, pegara apenas o final da frase, estava mais preocupada com o meu desenho: um buquê de rosas vermelhas que pareceriam sangrar, depois de pintadas. Sonhei com isso alguns dias atrás, e ainda não tinha entendido direito o sonho confuso e, embora eu soubesse que podia ser apenas uma bobagem da minha cabeça, aquela imagem estava me incomodando tanto que eu resolvi tirá-la da minha mente e a colocar no papel.

- Eu não posso ir - Lyn franze a testa para o livro de cálculo. Ela ia ter prova naquela semana e estava se esforçando bastante para tirar uma boa nota, o que não fazia muito sentido, considerando que ela poderia colar de quem quisesse, só lendo a sua mente - Vou sair este final de semana.

Mark faz uma cara maliciosa.

- Com quem?

Lyn cora tanto que eu não conseguia mais distinguir seus cabelos de seu rosto.

- Com... Oras, não é da sua conta! - ela faz um bico e vira de costas para o loiro.

- Há! Então você vai mesmo sair acompanhada? - ele comemora, cheio de si por sua descoberta e faz uma dancinha engraçada, com uma das mãos na cintura e a outra balançando acima da cabeça - vamos Lynzinha, me conte quem é?

- É mesmo, Lyn, fala - pego meu copo de suco e solto o sorriso mais maléfico que eu consegui.

Carolyn me olha como se estivesse me chamando de traidora.

- Mark, porque não convida o Christopher para ir no meu lugar? - a ruiva fala enquanto voltava o olhar para o livro novamente - aposto que a Beah ia ficar super feliz se ele fosse.

Ok, minha vez de ficar com cara de tomate. Ainda bem que o Christopher ainda não tinha cheg...

- Aonde a Beah ia ficar feliz se eu fosse? - o dono dos olhos verdes aparece do nada atrás de mim e eu tento máximo possível não bater em Lyn com a mochila que tirei de cima da cadeira.

- E aí, cara? - Mark e Christopher trocam um daqueles apertos de mãos que parece ser o cumprimento universal dos meninos. Meus amigos pareciam ter aceitado sem problemas o que Christopher era, agora que sabiam que ele não ia me machucar, ignorando por completo essa parte dele e tratando-o como a qualquer outra pessoa. Lyn ainda o olhava de uma forma bem desconfiada, como se a qualquer momento ele pudesse se rebelar e acabar com todos nós.

- E aí, Brandon? - Christopher estende a mão para o ruivo, que estava alheio a tudo o que estava acontecendo ao redor, completamente concentrado em um mangá de Death Note. Ele pisca algumas vezes antes de aceitar o cumprimento e sorrir sem graça.

- E então, onde a Beah iria ficar feliz se eu fosse? - ele sorri alegremente para todos na mesa. 

- Ah, é! - Mark revira a mochila e puxa um envelope rosa - a Briana me convidou para o aniversário dela e disse que eu podia levar mais três pessoas comigo. Aí a Lyn vai sair com o namorado dela e... Ai, sua louca! – ele desvia do pedaço de pudim que Carolyn jogara contra ele com uma agilidade surpreendente – e, como ela não vai poder ir, a doida ali sugeriu que eu convidasse você.

- Ah - o moreno fica sem graça por um instante - é que... bom, eu também fui convidado.

Até mesmo Brandon deixou seu mangá de lado e levantou uma sobrancelha.

- Ah... - Mark é o primeiro a falar - mas pensei que a Briana não gostasse de você!

- Não foi ela exatamente quem me convidou - ele revira a mochila e puxa um envelope igual ao de Mark- foi uma daquelas gêmeas, ela disse que seu nome era... Karin. E depois me convidou pra sentar com ela e alguns amigos do time de basquete. Disse algo como se ela tivesse convencido a Briana a “me perdoar” – faz aspas com as mãos no ar – pelo jeito como eu tratei ela e as amigas. E disse que eu não ia querer andar com vocês porque o único que se salvava daqui era o Mark.

- O que você respondeu? – Brandon parecia achar a cena muito cômica, pois os cantos de sua boca teimavam em subir, mesmo que ele os reprimisse, já Lyn ria abertamente, provavelmente dos pensamentos de Christopher, e Mark tinha uma expressão quase indignada estampada no rosto.

- Eu disse que sabia muito bem como vocês eram e deixei ela falando sozinha – ele sorria como se estivesse contando de algo de que tivesse orgulho 

Eu e Lyn nos entreolhamos, sabíamos muito bem o que isso significava. Com Mark foi a mesma coisa, só que o loiro foi um pouco mais legal com elas do que Christopher fora.

- Tudo bem, o que significa esse olhar em código? - o moreno olha de mim para Carolyn, esperando uma resposta.

- Aposto que tem uma delas a fim de você - Lyn olha de canto para mim e tento o máximo possível esconder meu desconforto.

Christopher cora um pouco e olha para o chão. 

- Não faz diferença de qualquer forma - passa as mãos pelos cabelos - nenhuma delas me interessa.

Confesso que comemorei internamente, mas uma pequena parte de mim ficou cabisbaixa e se perguntou o que ele poderia ver de interessante em uma nerd esquisita como eu, já que não tinha visto nada de mais nas meninas mais bonitas da escola. Pareço estar me pondo para baixo, não é? Mas é a pura verdade. Briana podia não ser a melhor pessoa do mundo, mas ainda parecia uma modelo de tão bonita e Camille e Karin não ficavam muito atrás, sendo a aparência um dos motivos de elas serem tão desejadas pelos meninos e invejadas pelas meninas.

-... Levar a Beah! - pego apenas o final da frase, de novo.

- Me levar para onde? - pisco algumas vezes antes de me concentrar de novo e percebo quatro pares de olhos me encarando em expectativa.

- Você não ouviu nem metade do que eu disse, certo? - Mark suspira, como se estivesse conversando com uma criança - eu disse pro Christopher levar você e aí eu posso levar o Brandon, a Lyn e o namorado dela.

- Eu não tenho namorado! - Lyn o encara, furiosa e Brandon enfia a cara no mangá novamente, alheio a fúria da ruiva.

- Ah é claro que não! - Mark faz uma voz sarcástica - você só as quase todas as noites sozinha e escondida da Evangeline! Considerando que ela não quer que nenhum de nós realmente namore por enquanto, eu diria que sim, você tem um namorado e não está contando para a gente.

- Mark, você é o maior babaca da história do mundo! - Lyn vira a cara embirrada.

- Tudo bem, eu sei disso - ele lança um sorriso brilhante para uma garota nova na escola que o encarava a cerca de 15 minutos e a menina quase desmaia. Mark, apesar de ter 17 anos, ainda tinha um jeitiho muito inocente e raramente percebia quando alguém estava dando em cima dele. Mesmo que estivesse bem na cara, ele só perceberia quando essa pessoa lhe falasse.

O loiro costumava distribuir sorrisos a torto e a direito, muitas vezes iludindo sem querer as garotas.

- E então? - Christopher me tira do meu devaneio - quer ir comigo?

Ele falou baixo, mas de algum jeito, todos na mesa ouviram e pararam o que estavam fazendo para me olhar em expectativa novamente.

- S-sim - fico sem graça, odiava quando tinha muitos olhares sobre mim.

Ele sorri contente, e quase faço igual a menina que tinha sido alvo do sorriso do meu amigo, talvez um pouco mais discreta, mas não vem ao caso.

- Hey, pessoal, a gente podia combinar de sairmos todos juntos, abriu uma pizzaria nova na cidade... - paro de escutar o que ele dizia nesse ponto, deixando meus pensamentos me levarem para longe dali, para a noite anterior e lembro-me tardiamente do que Gabriel me mandara fazer quanto a Lyn.

- ...Beah, o que há com você hoje?! - Mark parecia querer me bater e solto um sorriso sem graça.

- Nada, só.... - vamos Beatriz, pensa! - Estou com um pouco de dor de cabeça.

- Devia ir para casa - sugere Lyn, parecendo preocupada, o que não me surpreendeu. Gabriel tinha razão ela jamais me deixaria sair dali sem contar nada sobre quem eu iria encontrar. 

“Eu não posso deixar você ir!” a voz da ruiva ecoa em minha cabeça e eu olho pra ela espantada. “Não diga nada! Olhe, eu preciso conversar com você, vamos lá fora enquanto eles terminam de almoçar”.

Sem esperar por minha resposta (embora eu não soubesse exatamente como responder), Lyn se levanta e caminha calmamente em direção à porta do refeitório e trato de me mexer para acompanhá-la.

- Vamos ao banheiro - Fala ela, quando Mark faz menção de nos seguir.

Quando estávamos a uma boa distância dos meninos, ela se vira e me lança um olhar quase desesperado.

- Desde quando você confia tão rápido assim nas pessoas?! - serio que ela estava me dando uma bronca? - não pode sair por aí, acreditando em qualquer um que diz ser seu pai! E se não for? 

- Eu... – Senti-me diminuir – Lyn, eu tenho certeza de que ele é meu pai!

- Como pode ter tanta certeza? – ela estava tendo um ataque de pânico.

- Vi minha mãe com ele ontem! – falo alto de mais, em seguida me acalmo e falo com mais calma – olha só, eu sei que você se preocupa comigo e eu agradeço por isso, agradeço por você ter me salvado daquela... coisa, mas isso não quer dizer que eu vou ouvir ou fazer tudo o que você disser!

- Beatriz, eu não posso deixar você se encontrar com alguém que mal conhece! – ela me segura pelos ombros – e porque não me deixa ver o rosto dessa pessoa? Ele ao menos se apresentou? Qual o nome desse cara?

Odiava me sentir acuada, como Lyn estava me fazendo ficar agora.

- Quer saber, Carolyn?! Eu não tenho que te falar absolutamente nada! – a empurro e ela bate em uma das colunas do corredor que por sorte estava deserto, fazendo com que eu me surpreenda com minha força, mas eu estava descontando a raiva que tinha reprimido desde a noite anterior – você não vai jamais me impedir disso, você não pode me proibir de conversar com meu pai! Você escondeu coisas de mim também, agora vem me dizer que eu não posso conversar com a primeira pessoa que se dispôs a me falar a verdade!

Ela se levanta com alguma dificuldade e vejo uma pequena rachadura no concreto em que suas costas bateram e me perguntei como diabos eu tinha tanta força.

- Todos nós... – ela começa e imediatamente entendo o que ela falaria em seguida e a corto.

- Só se mostraram interessados em me contar porque eu fui perseguida por um demônio, ah, e por acaso, qual é a função dos grandes Nephilim mesmo? Oh, claro, vocês são responsáveis por proteger os mortais, não é? – ironizo – parece que eu não estava sendo bem protegida!

- Beah! – ela me lança um olhar magoado, o qual eu tentei o máximo possível ignorar.

Me viro e saio dali bem rápido, mais rápido do que eu julgava ser capaz de conseguir, para longe, fugindo da pessoa que queria me proteger.

Uma vozinha pessimista em minha cabeça gritava que eu estava cometendo um erro terrível e fazendo a coisa mais sem noção da história, mas eu não me importava, só queria descontar minha raiva, raiva de ser enganada por 16 anos da minha vida, de ter acreditado a vida toda que eu era uma garota normal, que iria viver uma vida normal, fazer uma faculdade normal, e acima de tudo acreditar que toda aquela “normalidade” era o que eu nasci para ser.

Minha vida virara de cabeça para baixo tão de repente que parecia que eu tinha caído na toca do coelho e estava me preparando para ir tomar chá com o chapeleiro.

Cheguei ao parque da cidade em tempo recorde, mas nem reparei nesse pequeno detalhe, pois ali, logo à minha frente, estava Gabriel m esperando, como ele havia prometido que faria. Uma parte de mim ainda tinha um terrível medo de que ele não fosse aparecer e eu ficasse lá, plantada até desistir e voltar para a escola, e pior ainda, ter que admitir para Carolyn que eu estava errada e aturar ela cheia de razão.

- Olá filha.


Notas Finais


Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=i3N0uNoTLZk

Antes de qualquer coisa: as músicas vão ser algo bem variado, vai ter de tudo por aqui, desde Green Day, Bring me The Horizon, My Chemical Romance, Black Veil Brides, até Shawn Mendes, Beyonce, Demi Lovato... vai ter tudo o que eu escuto, e eu realmente escuto de tudo, então não se assustem se sair de uma música super fofinha em um capítulo e trazer um Metalcore no outro, ok? Recomendo as traduções se não gostar da música em si ^^

Então, o que acharam????? A Beah é uma Nephilim!!! Acho que isso vai fazer o Christopher mudar de ideia quanto a algumas regras, não é? ~aquela carinha~

Essa festa de aniversário da Briana vai dar o que falar, aguardem haha

Espero sinceramente que tenham gostado, me perdoem qualquer erro e mais uma vez perdoem-me o atraso, juro que vou me esforçar pra não acontecer mais u.u

Bjins <3


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