História The Four Clans - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias Rei Leão, Warrior Cats (Gatos Guerreiros)
Personagens Kiara, Kovu, Nala, Personagens Originais, Sarabi, Simba, Vitani
Tags Fuli, Kion, Kiuli, Kovara, The Lion Guard, Warrior Cats
Visualizações 57
Palavras 4.142
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Famí­lia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 22 - Vou sentir sua Falta, Bola de Pelos


Na luz do sol, na floresta, correndo ágil, desviando rapidamente das árvores, onde os insetos emitiam sons incomuns, uma figura amarelada e manchada se movia, esguia. A determinação brilhava pura, em seus olhos verdes, com energia inesgotável. Em mente, apenas encontrar o aprendiz perdido, filho de seu maior inimigo. Sentimentos conflitantes partiam sua mente em milhões de pedaços; Alguns relacionados a segurança de Zaki. -Tenho que encontra-lo, antes da raposa.- Repetia a voz interna com determinação. -Isso valeria a pena? Se eu o deixasse morrer, não seria um modo de feri-lo?- Se perguntava sem esperar respostas, que não lhe eram concedidas.

Partes de sua mente diziam que aquela era a coisa errada a fazer; Deixar um aprendiz, um filhote, com tanto potencial, morrer, para satisfazer sua vingança? ​A ideia não lhe parecia clara, não conseguia saber o que era certo, o que era errado, apenas o meio-termo, como dois lados de um penhasco, e em sua mente, ambos pareciam levar a destruição do Clã.
​Mas a pior parte, era saber que esse, provavelmente, seria o único -E pior- jeito de ferir Makucha. A parte mais fria e insegura do seu ser, sabia que, na verdade, em uma batalha, suas chances com Makucha, eram nulas. Makucha tinha anos de experiência, Fuli tinha pouco mais de um ano.

Fuli parou com o olhar fixo, a respiração ofegante lhe prendia, balançou a cabeça para organizar os pensamentos. E um momento, pareceu sentir o cheiro fresco e familiar de pelos quentes, era Zaki. Olhou, com os olhos atentos, para os lados, procurando mais vestígios do cheiro, com um calafrio, percebeu que o cheiro de Zaki não era único. Torceu o nariz, com o cheiro gasto e azedo de raposa, e com o cheiro de sangue fresco.
​Sentiu o pânico lhe dominando, e percorrendo todo seu pelo, arrepiando-o. Com vigor, levantou o focinho, e seguiu o rastro, suas patas formigavam, e seus músculos se retesaram, como se esperasse uma luta, e parte de Fuli, esperava.

...

O Sol alto declarava o meio do dia, e declarava que Fuli demorara quase uma hora para conseguir achar um rastro realmente recente de Zaki, ou do sangue. Não sabia bem ao certo onde estava, mas sua preocupação apenas se focava a Zaki. Com um arrepio, se perguntou se o motivo de preocupação que sentia pelo aprendiz era a vida que sua mãe lhe dera, proteção, para proteger os filhotes de seu Clã, balançou a cabeça e negou esperar uma resposta. 
Chegara a uma clareira, o sol alto iluminava a grama fracamente verde e escassa, o calor acompanhava Fuli, junto com o cansaço, com as patas doloridas, sentiu o cheiro de sangue sobrepor o de Zaki, deixando-o imperceptível.
​O pânico revirou ainda mais a barriga de Fuli, e num instante, era como se todos os seus medos, se concretizassem, e a atacassem exatamente ao mesmo tempo. Na borda da clareira, ondo o sol era fraco, jazia um corpo imóvel, banhado no líquido vermelho vivo, as orelhas de Fuli colaram a cabeça.

O corpo era de uma raposa, imaginou que fosse a mesma que aterrorizava o acampamento, uma onda de alívio se estendeu por todo seu pelo, sendo seguido, logo depois, pelo pânico, e uma breve falta de ar.
​O corpo, enlameado e quase sem pelos, tinha feridas brutais; Cortes grandes e longos na lateral do corpo, uma marca de mordida no pescoço e na lateral do corpo, próximo ao estômago, a pelagem branco da barriga, marcada por sangue. O rosto, quase deformado da raposa, expressava dor, com os olhos amarelados e vazios, fixos no nada, a boca aberta, a língua pendia para fora, sendo acompanhada pela fina linha de sangue que saia da boca, o focinho marcado. Foi tremendo, que percebeu que o corte, era exatamente igual a sua cicatriz
​Com o cheiro fedorento e desagradável de sangue lhe enchendo as narinas, encarou o corpo por um tempo, analisando as feridas. O rosto era inexpressivo, como se estivesse ali, apenas para analisar a raposa, e ao mesmo tempo, zelar por ela. O pânico lhe revirou a barriga, quando sentiu o fraco cheiro recente de Makucha.

Ignorou tudo a sua volta, e olhou para os lados, como se procurasse algo que pudesse se firmar, antes de correr, como um coelho assustado de volta para o acampamento. Quando seus músculos finalmente lhe responderam, já era tarde demais.
​Com pavor, ouviu as samambaias, do outro lado da clareira, farfalharem, e de repente, a coloração das plantas pareceu se mexer, revelando a pelagem amarelada, manchada e respingada de sangue de Makucha, com os olhos amarelos, meramente mergulhados no verde, ele encarou Fuli, com a feição de um vencedor, de um caçador que pegara a presa, finalmente. A pelagem era maltratada, como se não tomasse banho há luas, e os dentes amarelos sujos, da sua boca, um fedor de carniça, que parecia ter origem do fundo dos seus pulmões. 

   Seus bigodes tremeram, anunciando abertamente seus medos. Tentou fazer sua melhor posição ameaçadora, falhando miseravelmente, e ganhando um balanço divertido de bigodes por parte de Makucha. Ele se aproximava com passos lentas, e ela recuava, em passos desesperados.

-Fuli, é bom vê-la, depois de tanto tempo!

O voz fraca e rouca, como se fizesse dias que não pronunciava uma única palavra, o tom ácido, soava como um velho amigo, disfarçadamente perverso. Seus olhos estreitos denunciava o duplo sentido. Com o medo crescente dentro de si, Fuli enxergou, no calcanhar do velho inimigo, Zaki. Ele tremia, olhando para Makucha, os olhos, amarelados, com um mero toque esverdeado, tremiam e estavam mergulhados em dúvidas, na nuca, uma ferida aberta, e sangue seco, como uma mordida de uma mandíbula pequena. Fuli se perguntou se fora Makucha que fizera isso, ou se fora a raposa. Quando os olhos dele finalmente caíram sobre Fuli, Zaki olhou-a fixamente, com as pupilas tremulas, e um pouco mis finas que o normal. Ele parecia ter vontade de correr até Fuli, mas ela sabia que algo o segurava, e teve medo do que quer que fosse. Tempo passado, Makucha olhou o filhote, e voltou a encarar Fuli, com o mesmo olhar vencedor.

-Então, este é mesmo o meu​ filho?
​Ele perguntou, mas Fuli sabia que ele com certeza já notara o fato. Zaki olhou mais uma vez para Makucha, como se temesse que aquilo fosse verdade. A líder sentiu um arrepio subir sua espinha, ao ouvir o modo como Makucha pronunciara sua relação com o filhote.
​-Ah, Fuli! Você não o contou? Desse jeito, eu fico magoado!

Ele fingiu espanto. E Fuli torceu o focinho, de raiva, e arranhou o chão com as garras, já para fora.

-Ele não é seu​ filho. Ela é algo muito mais puro, e em nada se parece com você!
​Sentiu na língua, o gosto ávido da mentira, enquanto tentava manter seu papel. Os olhos de Makucha brilharam em um fogo excêntrico extremo.

-Você está certa, ele, na verdade, é, nada mais, que um meio para me ferir, não é?
​Os olhos de Makucha brilharam vencedores, e Fuli, apenas sentiu a vergonha lhe atingir em ondas, quando o olhar perdido de Zaki, caiu sobre ela, assustado, perdido, chocado e definitivamente, afiado, como se ele mesmo, enxergasse a verdade na frase de Makucha, e começasse a concordar com ele.

-Vá Makucha. Eu tenho nove vidas, e se necessário, gastarei cada uma delas protegendo esse​ filhote.
​Se pôs em posição de batalha, na ofensiva. O clima, ficou ainda mais desconfortável, quando Makucha deu sua risada embriagada em desconfiança.
-Acredite, você vai​ mesmo gastar cada uma de suas vidas! Mas já que sei que vou ficar com ele no final, me diga o nome dele. Porque eu sei que você pode ter a repugnância que quiser por este filhote, por ele ser meu​ filho, mas sei que não privaria à um filhote, pelo menos um nome.

Fuli balançou a cabeça em um não​, tentando negar as verdades na frase de Makucha, claro que em vão, mas se assustou, quando ouviu a voz rouca e embriagada em hesitação, do filhote as patas de Makucha.

-Zaki...
​Makucha deu um riso, como se orgulhoso pela rebeldia​ do filhote, logo se preparando para lutar.

Com um pulo habilidoso, ele cruzou a clareira, logo na frente de Fuli, tentou dar-lhe um golpe, e ela o desviou. Mal teve tempo de se recompor, já encarando outro golpe de suas garras pavorosamente grandes, acertado no ombro, agora, com um corte, ele pingava sangue.
​Fuli rosnou ao notar, sentindo a dor, e logo, ignorando-a.
​Correu até Makucha, e este desviou seu golpe. Colocou-se de pé nas patas traseiras, suas garras e dentes brilhavam a luz do sol ofuscante, e Fuli fez o mesmo. O Sangue jorrava em seu pelo e as garras de Makucha penetravam sua pele. Makucha se desequilibrou e caiu de costas para trás, e Fuli o prendeu no chão. Makucha lhe jogou para o outro lado da clareira com o impulso nas barriga.

Fuli sentiu o focinho escorrer, e balançou a cabeça, impaciente. Viu Zaki, encolhido, ao pé de um samambaia, ele parecia em conflito, como se sua mente lutasse para decidir o que fazer.
​Makucha finalmente chagou até Fuli, prendendo-a no chão.

-Dê um 'Oi​' ao Mapigano por min!
​Sussurrou no ouvido de Fuli, e sentiu um arrepio subir até a nuca. Makucha levantou suas garras aos céus, fazendo-as brilhar, e desceu-as até o pescoço de Fuli.
​Ela sentiu o corte, sentiu o sangue jorrar e se esgotar, viu gotas caírem ao rosto pálido de medo de Zaki, que logo fechou os olhos, como se negasse todo esse pesadelo.
​Fuli não conseguiu ficar acordada tempo suficiente para ver o que aconteceria a seguir. Sentia o sangue se esgotando rapidamente, vazando pelo pescoço, sentia o desconforto, e a dor, era trucidante, cortante. Demorou para que perdesse completamente seus sentidos, a visão fora a primeira, não via Zaki, e também não via Makucha, ouvia sua respiração compassada, a fraca de Zaki, a plena existente de Makucha. A única coisa que ainda sentia, era a dor, que lhe paralisava e congelava. Não demorou para que sua noção de espaço e todo o resto se alterasse. Quando a dor finalmente cessou, só então, teve a liberdade para abrir os olhos.

Em um piscar de olhos, não acreditava mais no que via;
Estava na clareira de seu Clã, a grama brilhava com o orvalho na luz das estrelas, ar árvores eram enormemente maiores do que se lembrava, se estendiam aos céus e era como se fossem impossíveis, pois o que via, parecia apenas ser uma lembrança quase distante de sua casa. O Tule de Prata, brilhante e claro, brilhava como o sol, parecia estar tão perto que, se alongasse o suficiente, poderia alcança-lo com as patas.

Ficou sem fôlego, era uma visão maravilhosa, que jamais imaginava contemplar em nenhuma de suas nove vidas. Por um momento, esqueceu tudo que havia acontecido, e se contentou em observar seu lar sendo iluminado pelas milhares de estrelas brilhantes no céu. Seus machucados não doíam, e sua cicatriz no focinho, Fuli notara, não existia mais.
​De repente, viu na clareira, sombras, vultos de felinos, eram transparentes e brilhavam como as estrelas acima das árvores. Não sentia medo, longe disso, eram todas silhuetas familiares, lhe transmitiam a vaga sensação de calor, como uma velha lembrança.
​Piscou os olhos, como se negasse aquela realidade, e em momentos lembrou-se do que acontecia antes de chegar ali. 

Como um sussurro caloroso, a voz de seu irmão lhe chegou ecoando em seus ouvidos.

-Fuli...
​E lá estava ele mais uma vez, a sua frente, trazendo a felicidade de vê-lo de novo. Seus sentimentos entraram em conflito, entre estar feliz de vê-lo, e voltar a batalha com Makucha, para proteger Zaki.

-Akia, não tenho tempo para isso. Tenho que voltar, Makucha está lá, com Zaki. Preciso ir.
​Disse, vagando com os olhos o corpo transparente do irmão. Ele acenou lentamente, como se o tempo, fosse uma coisa desnecessária para ele.

-Seu corpo está se recuperando, demora para que nós curemos suas feridas.
​Respondeu, e Fuli ficou confusa por um instante.
​-O que...?

-Fuli, você perdeu uma de suas vidas. ​Agora você tem oito.
​A ficha caiu para a consciência de Fuli, e, mesmo que não fosse possível, sentiu seu coração disparar, ​e suar frio.
​Então era assim que era perder uma vida? Saber que uma parte de você morreu, e que se você não tivesse mais de uma vida, você teria morrido? Interessante. Curioso.
​Fuli balançou a cabeça, repondo os pensamentos, negando tudo isso.

-Akia, eu preciso​ voltar. Zaki precisa de min lá.
​O cenho de Akia franziu, como se duvidasse da verdade contida nos sentimentos de Fuli.

-Como ele precisou do seu apoio, e não do seu julgamento antes?! 
​Gostaria de negar a frase dele, mas era verdade, e nada mudaria isso. Com um sorriso desdenhoso, devolveu o olhar desafiador.
​-Você não me trouxe aqui para me dar uma lição.

Ele negou com a cabeça.

-​Você está aqui pois perdeu uma vida e precisa se recuperar, já eu estou aqui para te dar uma lição.
​Ela revirou os olhos, e sentou, obedientemente.

-​Pare de trata-lo deste jeito, os pecados do pai, não tem nada haver com o pequeno e inocente filho, acredite em min, eu sei o que é passar por isso.
​Sua boca se abriu automaticamente, pronta para questionar o irmão, mas antes que palavras pudessem ecoar, Akia acenou com a cabeça, os olhos fechados mostravam respeito, para uma Líder de Clã. Ao seu redor, tudo começou a ficar escuro, as estrelas do Tule de prata, já não brilhavam, e as sombras das árvores se alastravam e engoliam as árvores, Fuli se pôs de pé, alarmada, imaginando aquilo como o fim da perda se uma de suas vidas, seu irmão já não estava mais as sua frente, a única coisa que restara, fora os olhos verdes brilhantes, logo se diluindo com um detalhe brilhante. Estava se afogando em sombras, e antes que pudesse perceber, já havia sido engolida pela escuridão.

-Lembre-se da profecia que lhe enviamos, Irmã!
​Soou como um sussurro, de seu irmão. Foi a última coisa que ouviu.

Seus olhos se abriram, e alarmados, correram todo o ambiente, nada mudara, percebera, continuava ali, na clareira onde perdera sua primeira vida. Seu corpo, sentia, se contorcia em espasmos, e alguns machucados ainda doíam desde a luta com Makucha. De repente, se lembrara, Makucha! Seus olhos correram a clareira, desesperada, fez um esforço para levantar o pescoço, com muita dor, percebeu que Makucha não estava ali, mesmo que sua visão ainda estivesse turva.

Via silhuetas coloridas, duas delas. Sua visão voltou ao normal, e foi então que percebeu, que as silhuetas eram familiares demais​.
​Levantou o pescoço, fazendo esforço para se levantar, mesmo com a dor que se alastrava em seu corpo. Estranhamente, não sentia o corte no pescoço, apenas um certo desconforto.

-Kion, o que...?

-Está tudo bem. Eu e Kiara chegamos antes que ele machucasse o filhote.
​O Leão de Juba avermelhada respondeu, apoiando-a para que conseguisse ficar em pé, ela se moveu bruscamente, negando a ajuda, com uma cara de desgosto.

-Eu estou bem! Consigo andar sozinha.
​Kion acenou, respeitosamente para a Líder dos Guepardos, não muito chocado, uma vez que a conhecia como poucos. Ela olhou para Kiara, ela estava um pouco distante do casal, de costas, como se esperasse uma ataque a qualquer momento. Encolhido, não muito longe dos dois, estava Zaki, seus bigodes pequenos tremiam e em seu rosto, uma linha de cor vermelha, fora estampada a terrível feição amedrontada, os olhos fechados com força, implorando para que fosse um pesadelo, as patas sobre o peito, a pelagem eriçada.

-O que aconteceu?

Voltou a olhar Kion, e logo andou até Kiara, lhe dando um curto abraço, como amigas que há muito não se viam.
​-Sentimos o cheiro de Makucha e de sangue perto da fronteira nos Rios Matopi, viemos o mais rápido que pudemos, Makucha estava debruçado sobre você. O afugentamos, mas ficamos no caso dele voltar.

Ela respondeu, com os olhos brilhando de raiva, fixos em algo que Fuli não pôde enxergar. Ela acenou, sorridente, por rever os velhos amigos. Trocou olhares com Kion.

-Como estão os filhotes? Já sabe quem serão os mentores?
​Fuli olhou mais uma vez para Kiara, trocaram olhares amigáveis, como não faziam há muito tempo, não podiam realmente conversar nas Assembleias, mas sempre seriam amigas. Fuli se perguntou o que Kion realmente era para ela, eram de Clãs diferentes, seu relacionamento com ele não seria aceito, e ela, melhor do que qualquer um deveria reconhecer isso, "Ela era a Líder perfeita, ​a heroína que expulsara Makucha, aquela que não podia errar, aquela que se aventurou em território inimigo por dias." ​Pelo menos, era isso que seu Clã pensava.
​Fechou os olhos, negando os pensamentos, e esperou a resposta de Kiara, os olhos brilhando de expectativa, e os bigodes balançando, orgulhosos.

-Estão bem, logo serão aprendizes, creio que na próxima Assembleia estarão apresentando-se como aprendizes.
​Seus olhos nublaram com uma dor inesperada. Sabia que Kiara pensava em Kovu, sabia que ela queria ser mentora de um dos filhotes e Kovu do outro, sonho que não se concretizará, afinal. Seus olhos se nublaram com a mesma dor, Kovu salvara sua vida, e nos poucos momentos que passou com ele, se mostrou um amigo valoroso, mas sabia que aqueles olhos verdes escondiam história, se tivessem conversado mais tempo com certeza estaria a par dela.

-Acho que serei mentora de um deles, se Kopa me escolher, mas não sei quem será o outro mentor.
​Admitiu, com um sorriso sincero. Fuli acenou, e sentiu suas feridas doerem. Kion olhou para o filhote encolhido, não muito longe do grupo, e cruzou seu olhar cor-de-mel brilhando de preocupação, com Fuli.

-Fuli, por que Makucha estava tão empenhado em conseguir este filhote? Nós lutamos com ele, mas ele realmente queria o filhote.
​Fuli suspirou, como se cansada e velha, fechou os olhos, como se explicar aquilo lhe perturbasse a rara paz que sentia, com calma, explicou que aquele filhote, era um dos filhos de Makucha. Os rostos do Leões se chocaram brevemente.

-Tome cuidado, está bem?! Ele realmente queria o filhote--
-Zaki...
​Fuli o interrompeu, se lembrando das palavras do irmão, era estranho, se sentia mal por trata-lo deste jeito, mas era como se ele merecesse.
​De qualquer forma, mencionar Zaki, apenas como ​"Filhote"​, lhe incomodava, e lhe dava espasmos no estômago, como se sentisse muito mal, de repente.

-Tome Cuidado. Ele não vai poupar esforços para te matar, ou pegar o... Zaki...
​Fuli revirou os olhos em suas órbitas, com a preocupação irritantemente insistente de Kion.
​-Vocês devem ir, e eu devo voltar ao meu acampamento.

Ela olhou para Zaki, encolhido, como se sentisse o olhar de Fuli, virou a cabeça e então cruzaram olhares, os olhos amarelos, meramente mergulhados no verde não tinham brilho algum, como se toda sua felicidade e esperança, tivessem sido cortadas pela raiz. Se sentiu hipnotizada por um tempo, antes de trocar acenos com os Leões, que logo se foram.

Por cima do ombro, ela e Kion trocaram olhares, ansiosos para o próximo reencontro.
​Quando sua cauda sumiu na floresta, sentiu uma sensação esmagadora na barriga, sabia que era saudade de Kion. Olhou mais uma vez para Zaki.

-Vamos, temos que voltar ao acampamento.
​Lhe incentivava com toques nas patas, empurrando-o para que se levantasse. com os olhos fixos no chão, e cauda arrastando na terra, Zaki seguiu sem entusiasmo a Líder. Nem sequer trocaram olhares, nem tentaram, não se sentia bem em encara-lo, e Zaki se perguntava se era verdade que Makucha, o sanguinário da floresta, era seu pai de verdade.

Ele olhou, sem expectativa para a maior, como se buscasse orientação, como se ela fosse sua mentora. Ficou decepcionado quando ela não reconheceu seu olhar, apenas preocupada em vigiar o caminho.

-Fuli...?

Só então, a Líder percebeu que ele a buscava com os olhar logo, correspondeu-o.

-É verdade...? É verdade que Makucha é meu pai?
​Percebeu a dor, percebeu a hesitação na voz do menor, e se perguntou se seria o melhor momento para contar a verdade. Não adiantava mentir, refletiu consigo, ele já havia descoberto a verdade, graças a Makucha, seria melhor contar agora, afinal.
​Foi com um aceno que ela respondeu, recebendo o olhar indignado de Zaki, ele voltou o olhar ao chão, arrastando a cauda na poeira.

Na aurora do Céu, onde o sol já dava seu Adeus, Fuli se lamentou, por não ter impedido que ele soubesse a verdade, temendo, consigo, que rumo ele tomaria, se esse rumo, prejudicaria o seu Clã ou os outros.
​Ele agora estava a par de quem era o pai, e não dava sinais de querer fazer algo a respeito, mas se preocupava com o destino do filhote, e com a ligação dele com o destino do seu Clã. Foi com fardo, que lembrou a profecia que James lhe contara, antes de sair para procurar Zaki;

​"O perigo mora ao lado, caminha junto com a verdade, não se tocam, não trocam palavras, porém, com a certa intervenção, poderia facilmente se tornar amigos. É com pesar, que lhe apresentamos o medo e a maldade que assombrará os Clãs."

Fuli sentiu um arrepio, seguido de um calafrio na espinha. Estaria essa profecia, se referindo, ao fato de Zaki saber a verdade sobre suas raízes?

​...

​Sob a luz da Lua cheia, as folhas das árvores refletiam o brilho prateado noturno. A patrulha guepardo avançou, logo chegando a Quatro Baobás. Fuli, com Jasiri ao seu lado, e Atlas do outro, chegou a clareira enfestada de felinos, eram os últimos a chegarem. Trocou acenos com Jasiri, e foi até a pedra onde os Líderes ficavam. Desse modo, não demorou para que a reunião começasse.

-Tenho um relato...
​Era Aurora, a representante dos Tigres, seus olhos brilhavam de fúria e indignação, ao começar a falar.

-Sentimos o cheiro de Makucha, longe do nosso acampamento. Era recente, mas ele não voltou mais.
​Os demais líderes assentiram, com a nuca eriçada, e uma onda de tensão rodeava a clareira. Fuli balançou sua cauda em impaciência.

-Eu... o avistei...
​Mentiu, e sentiu o olhar quente de Kion na clareira lhe encarando. Logo ao seu lado, avistou Kiara, com seus filhotes em seus calcanhares, agora, apresentados como aprendizes.

-Fora afugentado, não acho que ele volte tão cedo. Mas é melhor mantivermos o os olhos bem abertos.

Meia hora depois, todos se preparavam para dar às costas a Quatro Baobás, e então voltar ao seu acampamento.
​Foi com pesar que, Fuli observou Aurora chegar, com os olhos brilhando de ansiedade, como se esperasse há tempos o momento.

-Fuli, hoje, Atlas completa doze Luas, ele deve voltar para governar seu Clã.
​Ela apontou com a cauda o filhote, que conversava animadamente com outros aprendizes de seu Clã, e do Clã Guepardo, Fuli sentiu seu peito doer, em ter de acordar todos os dias, e saber que não teria que aturar Atlas. Ela acenou, sem entusiasmo para a representante Tigre.

-Vou falar com ele.
​Quando viram a Líder se aproximando, os aprendizes foram embora, e deixaram Atlas e Fuli sozinhos. Trocaram olhares ressentidos, prontos para chorar, e se abraçaram, como se aquilo valesse mais do que mil palavras, o que valia.

-Vou sentir sua falta, Bola de Pelos!
Trocou toques de nariz com o aprendiz.
​-Eu também. Mas para de me chamar assim.

Ele sussurrou, como se só quisesse implicar com a ex-mentora. Ela o ignorou como sempre fazia.

-Você têm de ir.
​Ele fungou, e foi ter com Aurora, trocaram olhares, e a representante desapareceu, com seu Clã, nas sombras da floresta.

Fuli sentiu seu peito doer, e lhe esmagar, uma parte dela estava indo embora, e sentia que não poderia recupera-la. Tudo que podia fazer, era rezar aos Ancestrais, que ele fosse um bom Líder.

...

​Fuli subiu na pedra grande, com um salto habilidoso e convocou seu Clã. Não demorou ara que Jasiri aparecesse ao seu lado, a perguntando o motivo da reunião, e por que ele não fora contatada antes, Fuli a ignorou, virando-se para a multidão que murmurava, ansiosa.

-Meu Clã. como todos sabem, meu aprendiz, Atlas, é o Líder nomeado de seu Clã, e na última assembleia, ele foi para seu verdadeiro Clã, para se tornar o novo Líder. Agora, estou sem aprendiz, e por isso, interrompo a aprendizagem de Zaki, para que eu seja sua mentora, Jasiri será a nova mentora de Aisha.

O clã ficou em silêncio por momentos, até concordarem em silencio, como se partilhassem a mesma preocupação pela aprendizagem de Zaki. Fuli percorreu com o olhar a clareira, procurando Áfua, o ex-mentor de Aisha, ele não parecia triste, pois sabia que logo seus filhotes e os de Maya se tornariam aprendizes e ele seria um dos mentores.

Quando o povo se dispersou, Fuli teve de enfrentar o olhar fulminante de sua representante.

 

 


 

 

 

 

 


Notas Finais


Não há palavras que se desculpem por minha demora, apenas sinto muito. Culpem minha maluca família.


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