História The Game - Capítulo 36


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Categorias Ciara, Cristiano Ronaldo, Karim Benzema
Personagens Ciara, Cristiano Ronaldo, Karim Benzema, Personagens Originais
Tags Ciara, Cr7, Cristiano Ronaldo, Futebol!, Jogadores De Futebol, Karim Benzema, Kb9, Real Madrid, Romance
Visualizações 131
Palavras 3.236
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hey gente, tudo bem?
Trouxe capítulo fresquinho porque treta is coming!
Espero que gostem, e boa leitura!
PS: Desculpa pelos erros, reviso mas sempre acaba passando algum.

Capítulo 36 - Malditos olhos amendoados


Fanfic / Fanfiction The Game - Capítulo 36 - Malditos olhos amendoados

MALDITOS OLHOS AMENDOADOS

 

Leona achava que após ter trilhado caminhos tão tortuosos ao longo da vida, nada mais poderia surpreendê-la. O trabalho como prostituta, no decorrer dos anos, possibilitou que presenciasse – e sobretudo, vivenciasse – situações que pessoas comuns não teriam resistência para confrontar. Todavia, a notícia de que tinha um pai pegou-a de surpresa, como um laço silencioso a lhe causar asfixia.

- Ainda não consigo compreender como isso faz sentido – proferiu, encostada na parede externa da lanchonete no qual marcara o encontro com Joaquim. Incidência que lhe trouxera esclarecimento para algumas dúvidas e despertou dentro de si tantas outras.

- Sei que deve soar confuso, porém é a mais pura verdade. Seu pai se chama Benedito Baptista.

“Benedito Baptista”; Leona repetiu o nome em seu limbo. “Não faço ideia de quem possa ser.”

- Por que esse tal de Benedito só apareceu agora? – perguntou, esfregando os olhos. – Quer dizer, em poucos anos farei trinta. Ele teve a vida inteira para aparecer, e do nada resolveu que é importante que a filha esquecida tenha algum tipo de contato com ele? – fez uma careta, ilustrando incompreensão. – Você há de convir que tenho meus motivos para manter os pés atrás.

- Eu entendo perfeitamente – Joaquim pontuou, num tom compassivo. – E é por isso que você e o senhor Baptista deveriam conversar. Somente ele pode sanar a sua curiosidade, e ele está disposto a recuperar o tempo perdido.

- Recuperar o tempo perdido? – Leona inquiriu, jocosa. – Você acha que o fato de eu saber que ainda tenho um parente vivo vai mudar alguma coisa? – cruzou os braços no peito, e encarou Joaquim. O homem, intimidado pelo fuzilar, desviou os olhos para um casal de namorados que trocava carícias na calçada. – Eu não preciso de um pai, obrigada. Tenho me virado muito bem sem ele, já não faz mais diferença.

- Você não entende – Joaquim interferiu quando ela ameaçou lhe dar as costas e partir.

- Não, é você quem não entende – Leona interrompeu a projeção que conferia ao corpo, prestes a ir embora porque toda aquela baboseira de ‘de repente um pai’ lhe causava náuseas. – Meus avós fizeram por mim tudo o que podiam. Minha mãe sumiu no mapa sem que eu ao menos tivesse a oportunidade de memorizar o seu rosto, de ouvi-la dizer que me amava, de poder... – calou-se, a confissão embolando-se à garganta, como uma massa corpulenta e indigesta. – Enfim, diga para o seu patrão que eu não tenho interesse, ok? Se ele quer uma filha que adote uma. Até mais, Joaquim – despediu-se e deu cinco passos largos. Parou bruscamente, e retornou para perto do homem de olhos escuros. – E eu não quero saber de você me seguindo! – Elevou o dedo indicador e colocou-o perto do rosto do ouvinte. - Não quero que você vá ver minhas apresentações, muito menos que me dê esmolas. Diga para o meu pa.., Quer dizer, diga ao senhor Benedito Baptista que eu não quero o  dinheiro dele. Posso cuidar de mim mesma. Entendeu?

 

***

 

Olhava para o monitor, um tanto atrapalhado. Estreitou os olhos para melhor discernir o que eram aquelas manchas esquisitas. Misturas quase homogêneas de negrume e brancura, e distintos tons entre eles.

Deitada sobre a cama, Chloe sorria, enquanto a médica fazia o ultrassom para que os dois soubessem o sexo do bebê. Sentado em uma poltrona ao lado da cama e de mãos dadas com ela, Karim prosseguia visualizando a tela, conforme a doutora proferia palavras que lhe soaram avulsas, porque ele estava mais focado em desvendar os mistérios das imagens digitalizadas do que se ater ao que era dito.

- Oh, eu não acredito! – Chloe afastou a mão da dele, e posicionou-a na boca, em delírio. – Uma menina. Teremos uma menina, Karim! – exclamou, contudo ele não a ouviu.

- Parabéns! – a médica proferiu, observando Karim com curiosidade, quando se deu conta de que ele parecia distante.

- Karim – Chloe o chamou. – Karim, está me ouvindo?!

Ele estremeceu, retornando à realidade. Desviou a visão da aparelhagem e encarou a francesa que externava uma mescla de perturbação e êxtase.

- Você está bem? – ela sondou.

- Desculpe, acabei me distraindo – confessou, acabrunhado. – O que você disse?

- Disse que vamos ter uma menina. Uma menina! – repetiu, e a feição se desfez num sorriso alargado, que Karim reproduziu quase instantaneamente.

- Uma garotinha? – interpelou. – Uau! – exprimiu, em contentamento. – Parece que a Alba terá uma amiguinha.

- Alba? – Chloe perguntou, embaralhada.

- Sim, Alba, a filhinha do Bale – ele ilustrou, explicativo.

- Já pensaram em um nome? – a médica interviu, ganhando a atenção dos dois. Limpava o gel da barriga da grávida com uma espécie de guardanapo, deixando-a livre para partir assim que tivesse os exames impresso em papel.

- Sophia – Chloe disse, convicta. A resposta na ponta da língua. Karim enrugou a testa, nada satisfeito. – Não gosta desse nome? – Chloe inquiriu, percebendo o desprazer dele.

- Não muito – proferiu, a sinceridade escapando-lhe de maneira firme e decidida.

- Não crie objeções – Chloe avisou, descendo a barra da camiseta de cetim até o cós da calça larga, para cobrir a pele exposta. – Combinamos que eu decidiria o nome se fosse uma menina, e você decidiria se fosse um menino – relembrou-o, com um ‘quê’ de rispidez que o deixou desconfortável.

- Pensei que você também achasse Mélia um nome bonito – Karim defendeu-se.

- Sophia é melhor – a mulher manteve-se incisiva, deixando nítido que não estava aberta à qualquer sugestão que confrontasse a sua.

- Mélia – Karim repetiu, o cenho desgostoso.

- Sophia – Chloe levantou da cama, recusando a ajuda dele e posicionou a bolsa no ombro. – Ela se chamará Sophia. Eu sou a mãe! – bateu os pés fazendo birra, despediu-se da médica com meneio de cabeça e saiu do consultório; a raiva condensando nuvens de furor sobre si.

- Sinto muito por isso – Karim disse à médica que contemplara a cena, cética.  – Ela é teimosa – riu, fraco, devido ao constrangimento.

- Já presenciei situações piores, acredite – a mulher tentou desfazer o clima denso que se instaurara no ambiente, tornando-o claustrofóbico. - Aqui está – entregou-lhe o exame. – Ela precisa voltar em dois meses, mas pedirei minha secretária para telefonar e se certificar de que Chloe não perca nenhum exame, está bem?

- Obrigado, doutora – Karim cumprimentou-a com um aperto de mão, pagou a consulta com a funcionária que o esperava na recepção e se dirigiu para o estacionamento.

Dentro do carro, Chloe falava ao telefone. Fitou-o de esguelha quando ele adentrou ao veículo e deu partida no automóvel, tirando-os da estática. Karim preferiu manter-se em silêncio, já que a mulher ao seu lado insistia em repelir sua existência, rindo do que ouvia na ligação em andamento.

Karim esticou os braços e ligou o som do veículo.

Procurou uma estação de rádio que mais lhe agradasse e parou o vasculhar quando Sensual Seduction repercutiu em seus tímpanos. Ansiando relaxar e esquecer o desentendimento recente, começou a cantar, guiando-os pelo trânsito:

- I’m gonna take my time. She gon’ get hers before I. I’m gonna take it slow. I’m not gonna rush the stroke. So she can’t get a Sensual Seduc...

- Você poderia por favor, calar a boca! – Chloe espezinhou, mais como uma ordem do que como um pedido. – Não está vendo que eu no telefone? – inquiriu, o timbre agudo, e mostrou o celular.

- Tion – continuou, fingindo não escutá-la. – Sensual Seduction, uôu, uôu – prosseguiu, propositalmente.

Chloe desligou o rádio, abruptamente, bastante irritadiça.

- Já falo com você. Beijos – disse para a pessoa do outro lado da linha, e findou a ligação. – Qual é o seu problema, Karim? – averiguou. – Por que você tirou o dia para me tirar do sério? Logo hoje!

- Eu tirei o dia para te tirar do sério? – ele riu, debochado, e virou o volante totalmente, para entrar numa rua à esquerda. Passou a marcha e pisou fundo no acelerador. Dirigindo mais rápido do que deveria.

- É, você mesmo! – ela confirmou.

- Talvez porque você esteja bancando a megera. Talvez porque esteja bancando a mesquinha e não me deixe nem ao menos escolher o nome dessa criança – mexeu a cabeça na direção da barriga dela. – Talvez porque você tenha dado um chilique sem motivos na frente de uma pessoa que não tem nada a ver. Talvez essas sejam minhas razões, Chloe.

Ela gargalhou, irônica.

- Ah, não venha me falar de passar vergonha na frente de outras pessoas, Karim, porque até onde eu sei, você é mestre em fazer isso.

- Que merda é essa que você está dizendo? – Karim questionou-a, jogou o carro para a pista oposta, ultrapassou três automóveis, e retornou para a faixa correta.

- Não se faça de sonso – ela articulou, colocando o cinto de segurança. – Você envergonhou a si mesmo quando resolveu brigar dentro de campo, no jogo mais assistido do mundo. Entre nós dois, você é o mais desiquilibrado, isso já ficou bem claro.

- Não é justo você criar argumentos sobre os quais não sabe a verdade – ele gritou, e inconscientemente o pé pesou sobre o acelerador. – Você não tem o direito de tocar nesse assunto simplesmente porque não sabe dos motivos que me levaram a perder a cabeça!

- Você é um irresponsável – ela pontuou. – É por isso que perdeu a cabeça! É por isso que...

Chloe fechou a boca e arregalou os globos oculares quando olhou para o vidro frontal. Um caminhão se aproximava à toda velocidade. Cerrou as pálpebras prevendo a colisão iminente, contudo seu corpo chacoalhou no instante em que Karim retirou, em reflexo, o carro da avenida, levando o veículo para o acostamento.

O potente motor cessou seu rugido.

Karim respirou pesado e bateu com a cabeça no volante, após salvá-los do que seria um acidente trágico. Um acidente causado por sua falta de tato. Ele jamais se perdoaria se sobrevivesse e se tivesse levado ao óbito Chloe, e sua filha ainda não nascida.

- Eu... – proferiu, trêmulo. A voz vacilante. – Você, você... – hesitou. – Você está bem? – checou. Virou o pescoço e deparou-se com uma Chloe em prantos. Envolvida por uma torrente de lágrimas que emergiam num fluxo arrasador. – Eu, eu... Me desculpe – disse, depositando um cafuné nos cabelos dela. – Me desculpe, eu...

- Tire as mãos de mim, seu estúpido! – Chloe bradou, e fuzilou-o com um olhar mortal. – Você quase matou a nossa filha. Você quase nos matou!

 

 

***

 

 

- Como eu estou? – Cristiano perguntou e Quaresma caiu em risos, numa crise que tendia a não encontrar um término.

- Parece aqueles tiozões que vão aos bailes em busca de mulheres mais novas e tentam persuadi-las com dinheiro – proferiu, engolindo uma risada. – Ah, me lembrei! É exatamente isso que você vai fazer! – sentenciou, e riu novamente. O rosto mostrando o rubor da chacota.

- Babaca – Cristiano postergou, e deu dois passos para ficar frente ao enorme espelho, que ia do chão ao teto, de uma das paredes da suíte que lhe pertencia.

Estava totalmente mudado.

- Aí, mas falando sério – Ricardo iniciou, recobrando a compostura – você está irreconhecível. Uma mistura de mendigo com Don Juan – deu um tapa nos ombros do atleta. – Em outras palavras, você está hilário! – pôs as mãos nos joelhos, cedendo a outra sequência de gargalhadas.

- Pare de rir e me ajude aqui! – exigiu, apalpando o bigode falso, da mesma cor de barba e peruca. Tons um pouco acobreados que, junto com os óculos escuros, davam-no uma aparência completamente diferente da sua. – Esse disfarce vai me deixar na mão?

- Não. Só sai se você quiser tirá-lo – Ricardo garantiu, cheio de si. – Tem a minha palavra.

- Pois bem, confio em você – Cristiano falou, admirando-se outra vez. – Alugou o carro?

- Sim – o outro anuiu. – Tome as chaves. Foi o mais ‘popular’ que consegui – passou-as para Cristiano, que prontamente as aceitou.

- Certificou-se de que ele parece velho?

- Parece mais velho do que nossos pais - Ricardo respondeu.

- Pelo menos ele funciona?

- Chegou até aqui, não chegou? Apesar de os seguranças do condomínio quase terem me barrado – ilustrou. – Só pise devagar no acelerador, o pobre coitado não é essas Ferraris com as quais você está acostumado.

 

 

 

A música ambiente o deixava perto de um ataque de nervos. Detestava aquele tipo de barulho.

 No palco, mulheres seminuas exibiam suas curvas ao ritmo da canção, e Cristiano – disfarçado -, acomodava-se em uma parte mais afastada do palco, garantindo a integridade da identidade que adquirira.  Ao menos até aquele momento conseguira manter-se despercebido. Ninguém desconfiara de que era ele a grande estrela do Real Madrid.

Passaram-se duas horas desde sua incursão àquele ambiente duvidoso e nada de Leona dar as caras, o que fazia com que suspeitasse de que algo estava errado. Por outro lado, Quaresma lhe garantira de que àquela noite ela se apresentaria ali, e era bom que a danada assim o fizesse, já que desmarcara um compromisso de casal com Georgina para seguir com o plano de reencontrar a ex funcionária.

Ainda não acreditava que Leona aceitara trabalhar naquela pocilga, e apenas vislumbrar outros clientes indo ao delírio com as stripers lhe suplantou ânsia de vômito.

“Esse buraco é bem o tipo dela, entretanto por qual razão Leona se propôs a isso?”, ponderou, bebericando um gole de espumante de quinta categoria, que mais lhe dava enjoo do que satisfação. “O que ela fez com a grana que lhe dei?”

- Deseja mais alguma coisa, senhor? – uma funcionária se aproximou, invadindo sua privacidade.

- Gostaria de fazer uma pergunta – sugeriu, modulando o sotaque carregado para algo menos contrastante.

- Pois não?

- Um amigo me disse que uma dançarina trabalha aqui, uma muito talentosa. Gostaria de confirmar se hoje ela se apresentará.

- Diga-me como ela é – a mulher indagou, solícita.

- Um palmo mais alta do que você, negra, olhos castanhos, sorriso largo, seios fartos, pernas longilíneas... Corpo curvilíneo.

- O senhor deve estar falando da Leona – afirmou, e os olhos de Ronaldo cingiram por debaixo dos óculos. – É isso?

- Isso, ela mesma -  confirmou. – Ela trabalhará hoje? – Quis saber. A ansiedade acelerando um pouco o coração. Por que se sentia daquela maneira? A reação era patética.

- É a próxima a se apresentar – a funcionária explicitou. – Deseja mais alguma coisa?

- Bom, eu... – Cristiano se calou, ajuizando se aquilo seria adequado. Contudo, concluiu que somente estar ali implicava que mandara para os ares qualquer tipo de cautela. – Será que eu poderia falar com ela depois ao final do número?

- Falarei com o Josué sobre isso, ele é o braço direito do dono e poderá ajeitar seu pedido caso o senhor esteja disposto a ser generoso com a Supreme.

“O dinheiro é a engrenagem que move o mundo”, pensou, suspirando arrastado.

- De quanto seria essa generosidade? – sondou, a fim de descobrir o valor que desembolsaria.

- Uns trezentos euros – a mulher sorriu, e mirou-o à espera de uma sentença indicado que ele estava de acordo.

- Feito – Cristiano pronunciou, bebendo outro gole do líquido amarelado.

Fez-se silêncio quando as luzes que incidiam sobre o palco mudaram de cor, e a música que tocara anteriormente fora substituída por outra. Os refletores tornaram a acender, a coloração vermelha como rubi, e por trás das sombras em escarlate, Leona surgiu vestida de látex preto.

Cristiano quase acreditou que suas vistas o traíam, porém, desfilando como uma dominadora, sacudindo um chicote como se desferisse golpes no ar, lá estava ela.

 

 

***

 

 

 

Leona passou o algodão embebido em removedor de maquiagem pelas pálpebras. Libertou-se da sombra excessiva que repousava sobre os seus olhos, bem como as camadas de rímel que depositara nos cílios naturalmente espessos.

Josué apareceu no camarim, interrompendo seu momento pós show.

- Alguém deseja vê-la – anunciou, a voz pouco amistosa.

- Quem? – Leona inquiriu, apertando ainda mais o nó que mantinha o roupão aderido no corpo.

- Um cliente – foi sucinto.

- Não faço programas, Josué – falou, retirando o batom dos lábios ao esfregá-los num pedaço de papel higiênico. – Não mais.

 - Falei isso a ele, mas o cara insistiu... – bufou. – Disse que não quer transar com você, disse que quer apenas conversar.

Leona supôs que o cliente em questão fosse Joaquim, o sujeito contratado por seu suposto pai, apesar de ela ter deixado explícito que ansiava que ele se mantivesse distante. Contudo, durante sua performance, vasculhou o salão à sua procura, e viu que ele não se encontrava no lugar de costume. Não se encontrava em lugar nenhum. O que bordava ainda mais estranheza no anúncio que Josué acabara de lhe dar.

- Não tenho nada para falar com cliente algum – elucidou. – Sou apenas uma dançarina, não venho aqui todas as noites para papear com desconhecidos.

- Seja boazinha, o cara foi generoso – Josué limpou a garganta e fuzilou-a, intimidador. – Deve ser um admirador ou algo do tipo. Aceite recebe-lo e depois diga que não está interessada. E se ele lhe causar problemas, mande me chamar que eu o colocarei para fora.

Leona estudou a hipótese e decidiu que seria melhor ceder do que estender aquele impasse. Josué não desistiria fácil, ele nunca desistia.

- Tudo bem, mande ele entrar, mas diga para ser breve.

- Deixa comigo – riu, e partiu para buscar o tal sujeito.

Leona andou até o frigobar e retirou dele uma garrafa de água. Desenroscou a tampa e levou o objeto à boca, bebendo um demorado gole direto do gargalo. Passou o exterior da mão esquerda nos lábios, e virou, rápido, quando escutou um barulho atrás de si.

- Desculpe, eu não queria assustá-la – o homem preferiu. Leona o encarou, e conferiu seu aspecto.

O cabelo de um castanho com fundo cobre tapava a testa e era de mesma tonalidade da barba de tamanho considerável. O bigode um tanto peculiar.  As roupas eram de alguém comum, talvez um advogado, ou um contador. Todavia, o que lhe intrigou, foi o fato de o sujeito usar óculos escuros àquela hora, usá-lo à noite.

“Sério isso?”, pensou, mas não compôs uma crítica direta para não soar indelicada.

- Conjuntivite ou algo do tipo? – inquiriu, traçando um círculo com o dedo, próximo do próprio rosto.

Ele deu um pigarro.

- Você poderia pelo menos se apresentar, porque não faço ideia de quem você seja e por qual razão deseja conversar comigo – retornou a garrafa ao frigobar. – Parece que ultimamente todo mundo decidiu agir da mesma forma – continuou. Novamente voltou sua atenção para o indivíduo que lhe soava paradoxalmente esquisito e familiar. Havia algo nele que lhe causava interesse, que lhe deixava em alerta. Algo que de imediato não detectou. – Josué lhe disse que eu não faço programas, certo? Então nem tente insistir.

- Estou ciente disso – o homem comunicou, e Leona sentiu um calafrio lhe percorrer à espinha. Por que reagira assim?

- Que bom – riu, amarelo. – Então, o que você quer comigo?

Vagarosamente, ele retirou os óculos escuros e à medida que o acessório pendia para baixo, entre os dedos firmes, esferas brilhantes a encararam como se roubassem toda a energia vital do seu corpo. Leona sentiu as pernas fraquejarem.

A despeito da aparência distinta, aquele indício não lhe passaria indiferente. Conhecia muito bem aqueles malditos olhos amendoados.

- Cristiano... – murmurou, amparando-se no frigobar para não pender ao desmaio.

- Leona – ele proferiu, o tom imponente e altivo.

Leona ficou zonza. Revê-lo depois de tanto tempo assemelhou-se a ser engolida por um enorme tubarão branco. Sabia que não conseguiria se livrar do embate sem sequelas permanentes, todavia, daquela vez, estava pronta para lutar.  

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Benzema, coitado, o bichinho não dá uma dentro. Será que Chloe passou dos limites, ou tem razão?

Leona mandou um recado para o pai: não quer saber do coroa seja ele quem for.

Em contrapartida, Cristiano foi atrás da nossa gata garota, e parece que agora o circo vai pegar fogo.
O que vocês diriam a Ronaldo se estivessem no lugar da nossa prostgirl?
O que vocês acharam do capítulo?

Fantasminhas lindas, apareçam, nem que se seja para me xingar e falar que eu demorei 'bagarai' e que isso não se faz. kkkkk
Mas sério mesmo, sem pressão. Eu sou muito grata apenas por vocês terem me dado crédito e continuado a ler isso aqui, apesar dos contratempos que eu tenho encontrado desde que comecei a estória.

Sou muito grata a todas vocês pelo apoio que tenho recebido. Esse feedback não tem preço e eu dou muito valor a isso. Vocês são foda!

Beijos amores, eu volto loguinho. <333


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